14/09/2015

sem nome (Renata Bomfim)

deus,
sem rosto,
sem classe,
sem nome.

deus,
implodo.

meu corpo
se dobra,
já pequeno,
deformado,
folha lisa,
tornou-se 
fibra.

deus,
sem rosto,
sem classe,
sem nome,
tudo-nada,
explosão,
mira o fundo:
implodo

salva 
o que for possível
de mim que

sou caso
sem jeito,
coisa sem
solução.


Vitória, *RB



13/09/2015

“Triunfo de liras”: música e mito na poética de Rubén Darío (Congresso de Estudos Literários/ UFES-2015)

XVII CEL "ENTRE LITERATURA E MÚSICA: leituras, afinidades, tensões"
19 e 20 de novembro de 2015, na Universidade Federal do Espírito Santo/ UFES.


Renata O. Bomfim- Doutora em Letras

Rubén Darío (1867-1916) é considerado a figura central do Modernismo Hispano-americano, movimento sincrético que se estruturou a partir do diálogo entre a literatura a pintura, as tendências filosóficas e, especialmente, a música. Variados poetas finisseculares se reuniram em torno da música e dos mitos tendo como inspiração Wilhelm Richard Wagner. Um dos maiores entusiastas do maestro alemão foi o poeta francês Paul Verlaine, cujo influxo foi determinante para a obra dariana. Rubén Darío é conhecido como o “Cisne da América”, ele fez do animal heráldico, cuja forma lembra um braço de lira, o seu ícone mais caro. O cisne é uma representação que remonta a Grécia, passando pela Idade Média, Renascimento e que alcançou renovação com os poetas modernos. Observa-se na poesia dariana que, ao cisne, se junta uma profusão de imagens que emanam do mundo mítico, habitado por deuses e deusas, ninfas e sátiros, e de onde brota “la armonía del gran Todo”. O poeta se identifica com Pã, divindade mitológica ligada à música, e o eu lírico se mostra um músico hábil com a lira, a flauta, o violino, o címbalo, ansiando produzir composições nunca ouvidas. Na busca por desbravar “o seu mundo interior”, Darío experimentou variadas formas métricas e rítmicas buscando a musicalidade do poema. Esse estudo utiliza como metodologia a Literatura Comparada e, como aportes teóricos basilares, a Teoria da Linguagem segundo Bakhtin, em especial os conceitos de dialogismo e polifonia e a Estética da Recepção. Ele conta, também, com a contribuição de pensadores como Octávio Paz, Julio Valle-Castillo, Luis Costa Lima e Angel Rama, objetivando analisar aspectos relacionados à música e ao mito na obra poética de Rubén Darío, o diálogo entre esses temas e a tradição literária, e a importância dos mesmos para o movimento Modernista Hispano-americano.
Palavras-chave: Rubén Darío, Mito, Música, Poesia, Modernismo.

12/09/2015

Colóquio das Árvores (EPUB)/ livro da poeta brasileira Renata Bomfim

Olá amigos brasileiros, dos Estados Unidos, França, Espanha, Alemanha, Ucrânia, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Irlanda, Reino Unido, Tailândia, Nicarágua, Chile, Peru, Argentina, China, e demais visitantes que sempre  nos vistam no Letra e fel, encaminho endereço para que adquiram o nosso livro de poemas recente, o "Colóquio das árvores" em EPUB, estou certa que vão curtir mais esse livro de poemas feito com o maior carinho para você! Abraços dessa poeta...  Renata* 


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11/09/2015

Sarau poético/cultural no Jele, II Jornada/ II Congresso sobre ensino de línguas estrangeiras, UFES (16/09/2015/ 18h)


Amigos, 
Quero convidá-los para o Sarau poético/cultural que 
acontecerá na JELES, dia 16/ 09 às 18 horas. Venha 
participar, traga  poemas para serem compartilhado. 
Nos vemos!... abraços... *RB.

Poemas de Gloria Guabardi, poeta nicaraguense

Gloria Gabuardi
QUIERO VER EL DÍA CON EL COLOR DEL ÁMBAR
A veces es difícil acomodarse
a la edad real del cuerpo
cuando se tiene un espíritu ligero
un alma libre que ambiciona siempre
asaltar el Universo.
A veces el cuerpo, con heridas y cicatrices
y un corazón con sed y quemaduras
retrocede lleno de vértigos
y quiere un rincón donde respirar tan sólo.
Pero el alma, desafiando las mentiras,
las deslealtades, la traición y el fracaso
acepta el reto, el impulso de la vida
que te salva del naufragio
y como tigra en un bosque de mariposas
lanza en ristre va hacia el mundo.
A veces quiero juntar :
mi cuerpo y mi alma
para que no vivan separados:
a mi cuerpo que a veces desfallece
y no lo comueve el titilar de las estrellas,
ni las figuritas de cristal
que hacen las nubes con el viento,
y a mi alma que es un ángel o pantera.
Que vivan dentro de mí,
para que tengan un horizonte juntos
para que las luciérnagas del norte y el sur
del oriente y el occidente sean antorchas en su caminar
para que destruyan las gotas de lágrimas
que intenten salir a luz
para que cuenten o inventen historias
despampanantes como un Hollywood de mi casa,
para que puedan ver a las palomas batir sus alas
y que en un poema todo quede dicho.
Aquí está la página en blanco
para escribir un mundo de fantasía,
y para poder leer con mis ojos
las delicias del tiempo
y empezar de nuevo el viaje
y encontrar el misterio terrible del amor.
Por favor júntense alma mía y cuerpo mío
para que pueda ver la noche sin temor,
para que pueda separar la mentira de la verdad
y la verdad de la mentira
para que pueda huír del dolor, que corre en el crepúsculo
para que la cajita de música guarde mi ternura
para que pueda ver a los ríos que corren con música de cielo
las iglesias que guardan la luz del sol
para que nuestros corazones tengan
un cofre donde guarden el asombro
con historias y esperanzas,
y que todo puede haber sido y puede ser
para que pueda correr desnuda con la luz del viento
para que me pueda envolver con la luz de la luna
para que pueda ver el día cubierto por el color del ámbar

PREPARACION PARA LA MAGIA
Hojas de yerbabuena
y limonarias
crema de almendras
y te de manzanilla
verduras frescas
eliminada la carne
para que el cuerpo limpio
y purificado sea un cervatillo
ágil e inocente
y como el vidrio
pura alma delicada transparente
vibre como un arpa al toque suave
de tu tacto, para que como violín
o guitarra se tense la columna
los pechos más erguidos que nunca
piernas de potranca listas
para el vuelo, avión o pájaro
el arco de los pies inconmovible
y todos los latidos al unísono,
ahora que regreses.

Glória Gabuardi (Manágua, 1945). Poeta, pintora, advogada. Licenciada em direito. Especialista em direitos humanos, foi aconselha da vice-Presidência da República na década revolucionária e aconselha das comissões de direitos humanos e de justiça da Assembleia Nacional. Atual Secretária Executiva do Festival Internacional de poesia de granada, Nicarágua. Foi traduzida para vários idiomas e incluindo em várias antologías. O seu primeiro poemario, "em defesa do amor" (Manágua, 1984), Obteve em 1984 O Prémio Nacional da união de escritores da Nicarágua da Associação Sandinista da cultura (Asc). O seu livro "Mástiles e velas" (2003) foi re-Editado no México em 2006.

10/09/2015

"Tinha uma pedra no meio do caminho": Oficinas de Poesia em Comunidades Terapêuticas Capixabas (Dra. Renata Bomfim)


I CONACSO - Congresso Nacional de Ciências Sociais: desafios da inserção em contextos contemporâneos. 23 a 25 de setembro de 2015, UFES, Vitória-ES.

"Tinha uma pedra no meio do caminho": Oficinas de Poesia em CTs Capixabas
Dra. Renata Bomfim – Faculdade Saberes
Resumo:
Entre agosto de 2014 e abril de 2015 integramos a equipe do Projeto Terapêutico e Social do Centro de Acolhimento para Pessoas com Dependência Química do ES. Nesse trabalho nos deparamos com o desafio de desenvolver um plano de Atividades Lúdicas Terapêuticas (ALT) junto a dezesseis comunidades terapêuticas (CTs) credenciadas pelo Governo do Estado. Lançamos um olhar sobre alguns textos poéticos produzidos durante essa experiência, refletindo sobre a importância da inserção das práticas de leitura e de escrita de poesia (e outros gêneros) nas grades de atividades das CTs.  Nossa inserção nesse serviço tinha como objetivo criar condições para que o Outro, enquanto alteridade, falasse e que a sua voz fosse ouvida. Refletimos sobre essa experiência tendo como aportes teóricos basilares a Teoria Pós-colonial, a Teoria da linguagem segundo Bakhtin e contribuições de pensadores como Michael Foucault, Jacques Rancière, Marcuse, Boaventura de Sousa Santos e Alfredo Bosi. As oficinas de poesia nas CTs trouxeram à cena questões sociais relevantes no âmbito dos Direitos Humanos, ratificando a proposição de Marcuse, para quem a arte, na sua autonomia perante as questões sociais, é capaz de romper com a consciência dominante, revolucionando, dessa forma, a experiência.

Palavras-chave: Poesia; Oficinas terapêuticas; Comunidades terapêuticas.

RESUMO EXPANDIDO 
As reflexões apresentadas resultam de uma experiência vivenciada entre os meses de agosto de 2014 e abril de 2015, quando integramos a equipe do Projeto Terapêutico e Social do Centro de Acolhimento para Pessoas com Dependência Química do Espírito Santo, mais conhecido como Rede Abraço. A inserção de uma artista plástica e poeta em uma equipe multiprofissional, por si, já pressupõe um desafio. Assumimos esse lugar com o pensamento alinhado com os valores pós-coloniais, considerando que as identidades sociais e políticas são construídas através de relações de alteridade, e consciente das dificuldades que poderiam surgir, mas, com o compromisso de sermos agentes de cuidado, contribuindo para com o bem estar das pessoas que estivessem se tratando, pois, além de lidarem com problemas profundos como a desassistência, o abandono, traumas e sofrimentos psíquicos que culminaram com o uso abusivo e destrutivo de substâncias psicoativas, sofrem com preconceitos e são estigmatizadas. Nossa ação teve como bases o não julgamento moral dos participantes das oficinas, mas o diálogo a partir do convite para que entrasse na dimensão estética da arte, lugar privilegiado de revalorização da subjetividade. O pensador Herbert Marcuse, na obra A Dimensão Estética (1999) destaca que “o amor, o ódio, a alegria e a tristeza, a esperança e o desespero”, embora sejam relegados para os campos da psicologia, “em termos de economia política” não possam ser consideradas “forças de produção”, são inegavelmente elementos decisivos e constituem a realidade de cada pessoa humana. A arte é uma articuladora de humanidades concretas, transcendendo as determinações sociais por meio de seu caráter emancipatório e da invocação de imagens e necessidades de libertação que faz, e que penetram na profunda dimensão da existência humana. Buscamos saber o que vinha sendo realizado por CTs de outros Estados brasileiros com referência às atividades lúdicas terapêuticas (ALT) e observamos um silêncio ruidoso: as instituições não expõem seus planos terapêuticos abertamente, é algo fechado, “coisa da casa”. Dessa maneira, resolvemos idealizar um plano de ações articuladas e experimentá-las, com vista a serem implantadas nas CTs capixabas.  O trabalho que propusemos realizar no CAPDQ abarcou a estruturação e orientação de ações e projetos culturais, artísticos e educacionais para os acolhidos e de variadas oficinas terapêuticas e de geração de renda nas CTs. Frente a questão complexa das drogas, que ao nosso ver deve ser tratada como hábito cultural, propusemos intervenções plásticas, poéticas e literárias nas CTs por seu poder transformador e dialógico e pela ludicidade que facilita a ampliação das capacidades internas da pessoa para enfrentar as situações plurais que a vida apresenta. Uma breve visada histórica permite ver que o uso de substâncias psicoativas (SPAs) se perde no tempo, essa é, também, uma prática que responde a diversos interesses e motivações. O uso das substâncias psicoativas sempre variou de acordo com a cultura, a religiões, a concepção de medicina e cuidado, de prazer, entretanto, a concepção de dependência química emergiu na modernidade, assim como a noção de “vício” que se vincula, irremediavelmente, ao mal estar da civilização contemporânea. Portanto, o campo da dependência química se afirma como um território de pesquisa que demanda ações compartilhadas, geradas a partir de variados campos do saber humano. As intervenções realizadas abarcaram “Rodas de leitura reflexivas”, “Saraus, Varais de Poesia” e a estruturação de Bibliotecas e Pontos de Leitura nas CTs. Serviu-nos como aporte para essas intervenções a Teoria Pós-colonial, especialmente o pensamento de Boaventura de Souza Santos, que fala sobre o desperdício das experiências pela “Razão indolente”: os acolhidos não eram tábula rasa, eram pessoas com vivências e detentoras de saberes que precisavam ser valorizados e respeitados. Tomamos como metodologia a teoria da Linguagem de Mikhail Bakhtin, especialmente os conceitos de dialogismo e polifonia, e o conceito de “Sul” de Boaventura, que se complementa com o de “Norte” capitalista. Trabalhar com narrativas no campo terapêutico pressupõe a possibilidade de fazer valer a dimensão da autoria e da autonomia. A narrativa é um caminho para o conhecimento de si e do mundo, e o texto poético abarca múltiplas vozes podendo tornar-se uma estratégia de combate aos discursos autoritários e sectários. A leitura e a escrita poética facilitam a ampliação da capacidade comunicativa das pessoas, favorecendo a inserção no espaço em que vivem, tornando-as mais participativas, críticas, questionadoras, ampliando as suas possibilidades de aprendizagem. A inserção das práticas de leitura e de escrita de poesia nas grades de atividades das CTs encontrou variados tipos de resistência, mas grande aceitação entre os “acolhidos”. A produção poética foi profícua e revelou a sensibilidade de pessoas que tem algo a dizer e que necessitam serem ouvidas. Observemos o fragmento do poema “Eu vejo flores também”, escrito por (J.C), jovem de 25 anos: “Todas as perdas não foram capazes de deter a potente liberdade que emana/ do mais profundo e nobre do meu eu./ Não estou só nessa nova jornada onde o recomeço é tarefa árdua diária. / Além dos transtornos e abismos, posso colher belas e variadas flores no caminho.” O trabalho descrito durou apenas seis meses, entretanto, os resultados alcançados apontam para a sua efetividade no que diz respeito à produção de saber, ele aponta a possibilidade de coexistência de variados discursos e não apenas o religioso ou do da Lei. Esse projeto despertou em muitos jovens o desejo pela leitura, pela escrita, pelo estudo e ajudou a unir o grupo como observamos na fala de um acolhido: “muita gente não costuma ler, eu não lia e, enfim, muitos tinham desistido da literatura, talvez por conta do vício, a gente fica largado no vício a gente se esquece de muita coisa, se esquece da gente mesmo e esquecer da literatura é esquecer de nós mesmos”. Essa comunicação trata dessa experiência pessoal nesse serviço que e trouxe à cena questões sociais relevantes no âmbito dos Direitos Humanos. Os discursos enunciados pelos acolhidos revelaram o seu potencial criativo e de resistência, o desejo pela superação da dependência (ou não) e por encontrarem um lugar social possível, digno, livre dos estigmas e preconceitos de religião, gênero, classes, etc., que são, como diz o fragmento do poema de Carlos Drummond de Andrade, ‘uma pedra no meio do caminho”.



08/09/2015

A emoção de voltar a Granada! (Renata Bomfim)

Poetas que representaram seus países em Granada/ 2014. à esquerda, tenho ao meu lado o poeta
maranhense Antônio Miranda.
 (foto de Daniel Mordizink)
Olá amigos, compartilho com vocês a alegria que estou sentindo de voltar Granada, capital da Nicarágua. Será minha quarta viagem ao país do meu poeta do coração, Rubén Darío, e de poetas amigos que sempre me recebem com a maior alegria e hospitalidade. Em 2016 a minha participação no Festival será com poemas do meu novo livro, o Colóquio das árvores, que está sendo lançado pela editora Chiado, de Lisboa, e que pretendo lançar em Vitória até o final desse ano. Enfim, o convite para representar o Brasil no Festival Internacional de Granada, em 2016, foi um presente! Obrigada Granada! Beijos dessa poeta brasileira-capixaba... Renata Bomfim

Em ótima companhia: umas palavrinhas com Ernesto Cadernal,
 ícone da poesia hispano-americanas. 

Felicidades, minha cidade! Vitória/ES 464 anos (por Renata Bomfim)



"Felicidades, Vitória, minha cidade amada! 
Que nós, capixabas, possamos honrar o sangue Tupiquim 
que corre pelas nossas veias e, combatentes, 
lutemos por um desenvolvimento sustentável e 
pela preservação da nossa memória, 
sempre unidos pelo espírito 
de fraternidade e de amor"

Renata Bomfim

03/09/2015

O amor nas poéticas de Florbela Espanca e Rubén Darío (Dra. Renata Bomfim/ Revista Interdisciplinar/Universidade Federal de Sergipe)

Amigos, compartilho com você esse artigo que escrevi sobre "O amor nas obras poéticas de Florbela Espanca e Rubén Darío", e que foi publicado pela Revista Interdisciplinar, de estudos de língua e literatura (ISSN 1980-8879), da Universidade Federal de Sergipe.

Este artigo tece considerações sobre o amor nas poéticas de Florbela Espanca (1894-1930) e Rubén Dario (1867- 1930), a partir dos poemas “Amo, amas”, de Canto de vida y de esperanza e “Amar”, de Charneca em flor. Esse artigo tem como base os resultados encontrados na pesquisa de doutorado intitulada A Flor e o Cisne: diálogos poéticos entre Florbela Espanca e Rubén Darío, que investigou comparativamente os poetas em questão, tendo como metodologia a Literatura Comparada e como aportes teóricos basilares a Estética da recepção, a Teoria da linguagem segundo Bakhtin e a Teoria Pós-colonial. 
Palavras-chave: Florbela Espanca- Rubén Darío- Dialogismo- Literatura Comparada. 

ABSTRACT: 
This article weaves considerations about love in the poetic of Florbela Espanca (1894-1930) and Rubén Darío (1867-1930), from the poems " Amo, amas ", Canto de vida y esperanza and "Amar" by Charneca em flor. This article is based on the results found in doctoral research titled A Flor e o Cisne: diálogos poéticos entre Florbela Espanca e Rubén Darío. This research investigated comparatively the poets in question, with the Comparative Literature as methodology and Reception Aesthetics and Theory of Language according to Bakhtin and Post colonial theory as theoretical supply. 
Keywords: Florbela Espanca- Rubén Darío- Dialogic- Comparative literature.