01/12/2007

Amazônia: terra e ninguém?



Este vídeo mostra Fazendeiros e políticos de Juína (MT) impedindo a visita de ativistas do Greenpeace, da OPAN (Operação Amazônia Nativa) e de jornalistas europeus à Terra Indígena Enawene Nawe. Veja as cenas de truculência e intimidação vividas pela equipe em 20 de agosto de 2007.

É amigos, essa é a pontinha do iceberg ( que já derrenedo com o aquecimento global), não precisamos ir muito longe para ver esse tipo de coisa. Aqui no ES nossos indios tiveram suas terras tomadas, e as matas substituidas por eucalípto a perder de vista, as queimadas se proliferam, a caça e a pesca indiscriminada estão aí, para quem quiser ver!!!

Agora, eu pergunto pra vocês, não temos guerra no Brasil?
Há democracia no Brasil?
A quem recorrer?E VAMOS TODOS DORMIR COM ESSA!!!!
mas ao amnhecer tomemos alguma atitude!
abraços
renata

Vídeo encontrado no blog
http://acoisathapreta.blogspot.com/

27/11/2007

poesia

Fazer da vida a própria poesia
para além da letra está o corpo
para além do corpo está o espírito
embebido de carne e letra
juntar as palavras como quem colhe flores
pisar o verbo para extrair o vinho do conhecimento
ou do esquecimento
chegar ao êxtase
comungar com os deuses , todos eles.
beijar a bunda de uma estrela
é ter sorte por sete anus
é ter passagem na cauda de um cometa
para onde?
Para vênus!
Fazer da vida a própria poesia?
como? se a poesia nos constitui?
sansara, roda, roda, roda e retorna ao inicio
para rodar de novo
e nesta ciranda encantada
essa poeta tresloucada
sente sua bunda beijada
pela propria lua!

O que falta para nossa humanização?

Voltei a ser vegetariana!
Digo que voltei porque nasci com esta tendência natural,
aprendi a comer carne socialmente.
nunca me falaram sobre o sofrimento dos animais
do nascimento até a morte
eu nunca soube que o planeta também sofria com a irradicação das matas nativas
para a formação de pastos, ou para a plantações de soja e outros grãos, para alimentar estes mesmos pobres animais que depois nos alimentariam.
Até que quem come soja brasileira é gado estrangeiro, o nosso come só capim.
Hoje, meus olhos se abriram
não posso compactuar com a injustiça e fazer de conta que nada está acontecendo.
bem, é isso, por enquanto
abraços
renata

17/11/2007

o ultimo tango da mulher desesperada

vassoura
pano e
balde
tua escrava serei
se me amares

Arroz
feijão e
bife sem gordura
quantas gostusuras te prepararei
se me amares

sexo, sexo, e
mais sexo
mesmo sem desejar e nem gozar
com meu amo e senhor farei
se me amares

serei a mais submissa
não terei vaidade
nem flores ou rendas
nem chás com as amigas
se me amares

Se não me amares
será meu maior castigo
ficarei perdida
desiludida
então, o que restará?

Quem sabe depois de tanto sofrer
esquecer você
e passar a me amar.

(homenagem póstuma)

05/11/2007

ser o sol, a lua e as estrelas...

Ser o sol, a lua e as estrelas
o vento e o canto de um rouxinol
Que belo!
Muitas mulheres desejam a perfeição
esquecendo-se apenas de ser...
Entregam o seu o sol
e sem ele, deixam de espelhar a natureza
Ficam relegadas à eterna soturnez.
O ressentimento é inevitável
mas por que se entrega
é voluntária?
Ninguém rouba de uma mulher
a liberdade, a capacidade de sonhar
e de ter esperança
somente se ela permitir
Em sua ânsia de doação,
doa para além de seu corpo e de sua alma
Mulhere resgate o seu sol
brilhe apesar dos pesares
ria, cante e deboche da sorte
seja você com seus prós e contras
abrace seu o ódio e a sua dor
como quem cheira o perfume de uma flor
Abraçe também sua alegria e fome de viver
de vencer, de amar,
se abraçe mulher.

03/11/2007

namorada

Nem esposa e nem amante
namorada
é isso que o quero ser sua
Quero o estado de graça
de mulher que não tem dono
e que tem asas
e que deliciosamente ameaça voar
para nunca mais voltar
só pra sentir o laço
do abraço
relaxado e quente
só ameaçando o nó.
Abomino a convivencia amistosa
a rotina
a monotonia
o lençol sempre perfumado
lençol de casal feliz deve ser suado
do amor que não fica sempre para amanhã
Amanhã o lençol se molha com as lágrimas da
desesperança
vertidas na clausura da prisão domiciliar
Enfim eu quero ser a sua namorada
e que linda namorada eu poderia ser
a mais devotada
aquela que você deseja a todo instante
que adora, até mesmo idolatra
Eu só quero isso
ser sua namorada
Pra poder me derramar
me entregar toda,
inteira no sonho e
fazer da realidade
a ficção, e poder me perder
e mergulhar
até chegar lá,
no ponto onde se pode tudo
até dizer "eu te amo" sem olhar para os lados
sem dúvidas
e namorar mais, namorar, namorar até fazer
bodas de namoro
e até nunca enjoar.

31/10/2007

Cá entre nós...

Cá entre nós
homens, mulheres, crianças,
bichos, plantas e mudas de caqui.
A vida e suas contradições
nos unindo
nos mantendo ligados na
sua gosma...
e nós, amamos essa agonia
de respirar um o ar do outro
E a liberdade não nos interessa
nos faz sentir
claustrofobia
Somos dois loucos
dois tresloucados
poeirinhas cósmicas
se achando gente grande
se achando importante
e não somos NADA!
mas somos tudo um para o outro
O que fazer?
nem quero pensar no amanhã
quero viver o agora
e gozar com toda essa tirania
com que o perverso amor nos
açoita...
que delícia!!!

28/10/2007

felinamente

Mulher pega no ar,
pressente,
e aproveita vezes sete
a vida que tem.
Presente.
Dádiva.
Mulher peca nua
santamente
seu gozo tira do purgatória
sete almas, sua energia
gera bom karma
acalma
acalenta
Atalanta
Lanha o peito do amado
até o coração que
encarnado
sangra
Lá ela descansa
felinamente.

bairenatabomfim

20/10/2007

ser

Ser este ser que é nada e é tudo
contradição, karma
assediada e
incendiada
pelo fogo da inquietude,
desejante e desejosa
hora pedante
hora Cleópatra em sua glória
buscando uma morte cinematográfica
Por hora este ser é
ou talves apenas esteja
em busca de si
e mais Nada.

06/10/2007

Mito e História em Os Lusíadas de Luis de Camões

Renata Bomfim - UFES

Os Lusíadas de Luis de Camões foi publicado em 1572, no auge do renascimento literário português quando houve um despertar dos valores clássicos, e a visão teocêntrica da idade medieval dá lugar ao antropocentrismo, há também o despertar do gosto pela literatura pagã.
O texto camoniano está intimamente ligado ao ímpeto inaugural da expansão marítima e dos avanços científicos. Nos Lusíadas se sobrepõe mito e realidade, Camões canta “o peito ilustre lusitano”, ou seja, o português renascentista e desbravador, que assim como os Argonautas do mito grego desbravam corajosamente o oceano enfrentando vários obstáculos para conquistar seu objetivo. O escritor utiliza, para a construção de sua narrativa, a rota perseguida por Vasco da Gama, seu principal herói, no plano histórico. Para Massaud Moisés:
O fundamento ideológico da visão camoniana não depende da exatidão científica dos acontecimentos descritos no poema, mas numa crença inabalável na razão que eleva o homem acima da natureza bruta, aproximando-o de Deus ou dos deuses. (2006, p. 40):
Moisés em Epopeia do homem moderno destaca que, como bom renascentista “Camões acredita que o homem se tornará senhor absoluto do universo, exercendo domínios que, na antiguidade, eram atribuídos aos deuses”.
Nos Lusíadas o plano real e mítico se sobrepõe. Por ser uma obra essencialmente cristã, foi submetido à apreciação do “santo ofício” que embora abarque uma constelação de deuses pagãos, afirmou não ter encontrado nela, “coisa alguma de escandalosa, nem contrária à fé e aos bons costumes”. (2006, p.40).
Católico, mas também um humanista, para Hernani Cidade “Camões era um cristão enamorado do paganismo”. Este mesmo autor em Luís de Camões: O Épico escreve que Camões canta “outro valor mais alto que se levanta”, que é o cristianismo. Assim, o plano mitológico na narrativa camoniana é descrito por Cidade como “um artifício lúdico criado por suas tendências de artista” (1968, p.134).
Este recurso era também uma possibilidade de tratar de temas e criar ficções que a doutrina cristã não aceitava como, por exemplo, o episódio da ilha dos amores. Tal recurso, também designado “estilo maravilhoso”, permitiu que Camões exprimisse simbolicamente sua visão de mundo, sem que o caráter realista do poema ficasse prejudicado.
Carl Gustav Jung em O homem e seus Símbolos, nos diz que “uma palavra ou imagem simbólica implica alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato” (1996, p. 20). Dessa forma, os Lusíadas desafia o leitor com uma constelação de símbolos que são representados por variados personagens. Camões já anuncia seu artifício apresentando as façanhas míticas como “façanhas fantásticas, fingidas e mentirosas” e as portuguesas como “as verdadeiras”, que “excedem as sonhadas, fabulosas”:
Ouvi: que não vereis com vãs façanhas,
Fantásticas, fingidas, mentirosas,
Louvar os vossos como nas estranhas
Musas, de engrandecer-se desejosas:
As verdadeiras vossas são tamanhas
Que excedem as sonhadas, fabulosas,
Que excedem Rodamente e o vão Rugeiro
E orlando, inda que fora verdadeiro.
[...]
Dou-vos também aquele ilustre gama.
Que para si, de Enéias toma a fama.
(Canto I, p. 11- 12)
Para Hernani Cidades, o poeta lusitano valoriza como objeto de contemplação estética e fonte de emoção épica e trágica, a própria realidade, se apropria da ficção mitológica para superar, pelo vôo imaginoso, os limites da realidade (1968, p.135). Camões evoca Vênus, “afeiçoada à gente Lusitânia”, por ter as qualidades dos romanos, como àquela que intercederá junto a Júpiter pelos navegadores. E Baco, na trama, será o grande opositor dos portugueses.
Baco é descrito como teimoso e astuto e sua oposição aos portugueses será porque “altamente lhe dói perder a fama”, pois, “esquecerão seus feitos no oriente”, “se lá passar a lusitânea gente”. Baco representa os adversários, as forças opositoras, ou seja, “a ímpia gente”, os não cristãos.
Os Lusíadas ilustra um momento em que Portugal luta para se formar como nação, luta contra o castelhano que lhe nega autonomia e contra o mouro que lhe ocupa o território (CIDADES, 1968, p. 156). O intuito colonialista português que busca conquistar terras e impor sua religião e língua pode ser vista na passagem:
Goa [cidade da Índia] vereis aos mouros ser tomada,
A qual virá depois a ser senhora
De todo Oriente, e sublimada
Co’os triunfos da gente vencedora.
Ali, soberba, altiva e exalçada,
Ao gentio que os ídolos adora
Duro freio porá, e a toda terra
Que cuidar de fazer os vossos guerra.
(CAMÕES, C. II, 51).
Vês Europa cristã, mais alta e clara,
Que as outras em polícia e fortaleza.
Vês África, dos bens do mundo avara,
Inculta e toda cheia de bruteza.
[...]
(Canto. X, p. 92)
Vênus representa para os portugueses o amor pela pátria, o amor é tema muito valorizado por Camões.A viagem do gama, no plano estético é apresentada como uma cruzada de amor, que terá seu ápice no episódio da Ilha dos amores. Até a Ilha dos amores, os deuses pagãos desempenham as ações na trama do texto, mas são invisíveis para os nautas, sendo sempre associados com as forças naturais, assim, estrategicamente, quanto mais discreto o auxílio do divino, mais fica evidente a eficiência do esforço humano.
Moisés em Epopeia do Homem moderno (2006, p. 39), comunica que “os deuses” é que dão sustentação à ação central do poema. Salvo os “infiéis”, ou seja, os africanos, os indianos, que sempre são apresentados pelo poeta em plano inferior, os obstáculos da viagem se resumem a fenômenos naturais como, por exemplo, o mito do Adamastor, é sabido que lendas aterradoras povoavam o imaginário popular antes das grandes navegações.
Adamastor é um titã mitológico, um rochedo, “o segundo do Rodes estranhíssimo colosso”, uma referência do poeta a estátua de Apolo que ficava na cidade de Rodes, uma das sete maravilhas do mundo. Adamastor surge na narrativa como a representação do imaginário dos navegantes, e das tempestades do Cabo das Tormentas:
Eu sou aquele oculto e grande cabo,
A quem chamais vós outros Tormentório.
Que nunca a Ptolomeu, Pompônio
Estrabo, Plínio e quantos passaram fui notório.
Aqui toda costa Africana acabo.
[...]
(Canto. V, p. 50)
A natureza impõe-se ao homem e Adamastor jura vingar-se de quem o descobriu: “aqui espero tomar, se não me engano, de quem me descobriu suma vingança” (canto V, 44), o texto refere-se a Bartolomeu Dias, descobridor do cabo de Boa Esperança.
Outro episódio impregnado de significação é o do Velho do Restelo. Cidade refere-se a esta passagem como sendo “pomo de discórdia entre comentadores”, isso devido à contradição que instaura a primeira vista, com palavras de renúncia, num poema que exalta a ânsia expansionista (CIDADE, 1968, p. 146):
__ Ó glória de mandar, ó vã cobiça,
Desta vaidade a que chamamos fama!
Ó fraudulento gosto que se atiça
Co’ uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldade nele experimentas.
(Canto. IV, p. 95)

[...]
Que promessas de reinos e minas
De ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que fama lhe prometerás? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?
(Canto. IV,p. 97)
O Velho do Restelo que “ficava na praia”, “entre a gentes”, soa como a “voz pesada”, contra a viagem, á a voz das viúvas, dos órfãos, dos agricultores, ou seja, dos que ficaram, mais uma vez história e mito se entrelaçam e o lamento cantado nesta estrofe, justifica-se, Vasco da Gama quando partiu da praia do Restelo para sua jornada, levou com ele 170 homens e retornou com apenas 55 vivos para Portugal:
Qual vai dizendo: __ Ó filho a quem eu tinha,
Só para refrigério e doce amparo,
Desta já cansada já velhice minha,
Que em choro acabará, penoso e amaro,
Porque me deixas, mísera e mesquinha?
Porque de mim te vás? Ó filho caro,
A fazer o funério enterramento.
Onde sejas de peixe mantimento?
(C. IV, 90)
Outros episódios entrelaçam de forma poética história e mitos, citaremos alguns:
Camões ao falar da doença “crua e feia” que “morto ficava quem a tinha”, faz uma referência ao escorbuto, doença causada pela falta de vitamina ‘C’ no organismo. O quadro descrito por Camões atingiu a frota de Vasco da gama a caminho de Calicute, na Índia:
E foi que de doença crua e feia,
A mais que eu nunca vi desampararam
Muitos a vida, e em terra estranha e alheia
Os ossos para sempre sepultaram.
Quem haverá que sem o ver o creia,
Que tão disformemente ali lhe incharam
As gengivas na boca, que crescia
A carne e juntamente apodrecia.
Apodrecia co’um fétido e bruto
Cheiro, que o ar vizinho inficionava.
[...]
(Canto V, p. 81- 82)
Muitas são as referências feitas a personalidades européias e da história de Portugal, entre elas:
Martim Lutero, precursor da reforma protestante a respeito deste Camões escreve: “Do sucessor de Pedro revelado, novo pastor e nova seita inventa” (Canto VII, p. 4).
Camões refere-se como “falso rei” e “galo indigno” a Francisco I, rei da França e grande difusor do renascimento, refere-se desta forma por este não “guardar a santa lei”, o cristianismo (Canto VII, p. 6).
Refere-se também ao rei da Inglaterra, Henrique VIII, como “duro inglês que se nomeia rei da velha e santíssima cidade”, e que “para os de cristo tem espada nua” (Canto. VII, p. 5).
Ao sucessor de Vasco da Gama, Henrique de Menezes, dirá: “Virá depois Meneses, cujo ferro, mais na África, que cá, terá provado; castigará de Ormuz [cidade na entrada do Golfo Pérsico] soberba o erro, como lhe fazer tributo dar dobrado” (Canto. X, p. 53).
Camões faz uma referência ao Brasil: “Mas cá onde se alarga ali tereis, parte também, co’o pau vermelho nota. De Santa Cruz o nome lhe poreis. Descobri-la á a primeira vossa frota” (Canto. X, 140).
Assim Camões tece seu poema, unindo ficção e fatos históricos. Do ponto de vista literário, Os Lusíadas não são uma narrativa histórica. No canto V a deusa Tétis denuncia a estratégia camoniana ao declarar que os deuses da mitologia são ficção criada pelo poeta, ou seja, um ornato poético:
Aqui, só verdadeiros gloriosos
Divos estão, porque eu Saturno e Jano,
Júpiter, Juno, fomos fabulosos.
Fingidos de mortal e cego engano
Só pra fazer versos deleitosos.
Servimos, e, se mais o trato humano
Nos pode dar, é só que o nome nosso
Nesta estrela pôs o engenho vosso.
(Canto X, p. 82).
A trama mítica tem seu desfecho quando Baco e Netuno se rendem e reconhecem a superioridade dos humanos, e Vênus coroa o feito português conduzindo a frota à Ilha dos Amores onde esperam pelos nautas as ninfas “já feridas por Cupido”, ali eles se fartarão dos prazeres carnais, mas com o consentimento divino.
Segundo Moisés (2006, p. 51), “a Vasco da gama destina-se à companhia de Tétis e um prêmio extra, avistar a máquina do mundo”, Tétis lhe explica o sistema planetário e diz que podem “voltar à pátria amada”, para as “eternas esposas”.
A Máquina do Mundo descreve o conhecimento astronômico de Camões, embora o sistema de Copérnico já fosse conhecido, o texto descreve o sistema Ptolomaico. Modesto Camões declara acerca de seu conhecimento:
Mas eu falo, humilde, baixo e rudo,
[...]
Nem me falta na vida honesto estudo,
Com longa experiência misturado
Nem engenho, que aqui vereis presente,
Cousas que juntas se acham raramente.
(Canto X, p. 154)
Cidade ressalta também a importância do episódio da Máquina do Mundo e do descerramento do planetário, como uma celebração da aproximação entre oriente e ocidente (1968, p, 154). Não sendo a modéstia um atributo deste poeta português que “luta e canta”.
Para Ronaldo Menegaz “Camões extrapolou os limites de sua proposta, gerando um canto onde se revela uma sabedoria universal e intemporal e uma consciência extremamente alertada para a fragilidade, a falibilidade e a insegurança da condição humana” (2001, p. 260). Os Lusíadas termina com Camões colocando sua obra a altura da Homero:
[...]
A minha já estimada e leda musa
Fico com que em todo o mundo de vós cante,
De sorte que Alexandro [refere-se a Alexandre Mágno, rei da Macedônia]
Em voz se veja
Sem à dita de Aquiles ter inveja.
(Canto. X, p. 153).

Referências:
-CAMÕES, Luis de. Os Lusíadas. São Paulo: Klick.
- CIDADE, Hernani. Luiz de Camões o Épico. 3. ed. [S. L].: Bertrand, 1968.
-MENEGAZ, Ronaldo. Os Lusíadas, do livro à obra: a contribuição de Cesário Verde. SEMEAR: Rio de Janeiro, n. 5. , 2001, p. 259 a 277.
-MOISÉS, Felipe Carlos. Epopéia do homem moderno. Entre Livros, São Paulo, 2006. Edição Especial, p. 39- 41.