Brilham sóis na minha lua
E sou toda bruma,
rio a deslizar pelos penhascos.
A minha terra está úmida, desejante,
à espera da tua semente que
acolherei como se fosse a última.
Não há mais solidão,
a pedra quebrou-se,
fez-se multipla.
Brilham os sóis da minha lua
E sou toda e todos e sou nada
o pó dessa terra
o porvir desse chão
mãos ágeis na construção
da paz tão esperada.
09/04/2008
05/04/2008
Os Gatos: poesia de Baudelaire
(eu e Elvis, o rei)
*
Os amantes febris e os sábios solitários
Amam de modo igual, na idade da razão,
Os doces e orgulhosos gatos da mansão,
Que como eles têm frio e cismam sedentários.
*
Amigos da volúpia e devotos da ciência,
Buscam eles o horror da treva e dos mistérios;
Tomara-os Érebo por seus corcéis funéreos,
Se a submissão pudera opor-lhes à insolência.
*
Sonhando eles assumem a nobre atitude
Da esfinge que no além se funde à infinitude,
Como ao sabor de um sonho que jamais termina;
*
Os rins em mágicas fagulhas se distendem,
E partículas de ouro, como areia fina,
Suas graves pupilas vagamente acendem.
*
02/04/2008
CONTROLE POPULACIONAL DE CÃES E GATOS
A superpopulação de cães e gatos é um problema que afeta a maioria dos países, em maior ou menor grau. A equação é simples: existem mais animais do que lares para acolhê-los. Em busca de uma “solução” rápida, as autoridades da saúde freqüentemente recorrem ao extermínio em massa. Milhares de animais são mortos nos Centros de Controles de Zoonoses (CCZ).
No entanto, tal medida não adianta em nada, não passando, no fundo, de mera crueldade e desperdício de dinheiro público, já que os animais que não são recolhidos conseguem se reproduzir em número muitíssimo maior do que se consegue matá-los.
Segundo o Comitê de Especialistas em Raiva da Organização Mundial da Saúde (OMS), reunido em 1992, a captura e o sacrifício de animais não representam medida de controle da doença, pois não atuam nas principais causas do problema: a procriação descontrolada de cães e gatos e a irresponsabilidade ou ignorância dos seus proprietários.
Somente partir da castração de 30% dos cães/gatos de um município é que passa a acontecer uma efetiva diminuição da população desses animais, reduzindo, conseqüentemente, o abandono e o risco de doenças transmitidas por eles. Vários municípios brasileiros já substituíram o extermínio de cães e gatos pela castração em massa.
No Espírito Santo, atenta a essa realidade, a justiça concedeu liminar (17/08/2007) em ação civil pública movida pelo Ministério Público contra o município de Vitória proibindo o extermínio de animais sadios, já que, como dito antes, isso não passa mera crueldade e desperdício de dinheiro público.
Entretanto, até março/08, sete meses após a concessão da liminar, o Centro de Controle de Zoonoses de Vitória nada fez para ampliar o número de castrações oferecidas à população. Atualmente o CCZ disponibiliza apenas um médico veterinário para realizar o procedimento cirúrgico. A conseqüência do descaso é uma fila de espera de mais de 900 animais.
E é nesse sentido que pedimos a sua ajuda!Para solicitar que a Secretaria Municipal de Saúde de Vitória amplie o número de castrações oferecidos para cães e gatos da população envie um e-mail para http://www.vitoria.es.gov.br/secretarias/governo/ouvidoria.htm
ou ligue para 0800-2836345,
ou compareça pessoalmente ao Palácio Jerônimo Monteiro, av.Marechal Mascarenhas de Moraes, 1927, 2º andar - de 2ª a 6ª feira, das 8 às 18 horas.
Associação Amigos dos Animais do Espírito Santo
30/03/2008
Quem sabe uma chuva de pétalas de rosasComo desejou santa Tereza,
ao banhar nosso corpo lhe restaure a pureza,
religando-o ao divino?
Gotas de orvalho para potencializar o rito
de passagem, para outra dimensão,
a do sagrado.
Fantasia, delírio, logo pensarão!
Mas, quem já não foi picado pela serpente
do medo, do ódio e da mágoa?
Ou não teve o seu corpo contaminado
com os agrotóxicos da indiferença e da desilusão?
Eis que nossos póros estão obstruídos
para o outro, e nos olhos, grossas escamas
impedem a passagem da luz.
Quem sabe as rosas, possam devolver-nos
o frescor e a inocencia,
Para que desça sobre nós, do céu, a pomba
da gentileza, petencostes pós-moderno, às avessas.
Assim falaremos outras linguas: amabilidade,
cuidado, bem dizer.
Babel do saber e não do poder.
Pois onde há poder não há amor,
e onde o amor impera o sacrificio é sacro, santo,
ofício de doação per se.
Que surja uma nova era,
a era das rosas, era de ouro,
era de mim e do outro, era de nós.
Assim, nosso banho de rosas será dourado.
23/03/2008
Fantasmas II
Vou mandar rezar uma missa
Para que me deixes descansar
e para que também descanses.
E se em algum tempo
teus olhos me encontrem
não sejam faca na minha carne,
lancinante.
Minha fé está plantada no aqui e agora
vivo como posso,
danço a música infligida pelo tempo,
que joga comigo, com você e com nossos
parceiros invisíveis.
Se as rezas nos salvarão das regras?
não sei te responder,
Sigamos em frente, meu ex- amor,
Já nos basta o viver.
Para que me deixes descansar
e para que também descanses.
E se em algum tempo
teus olhos me encontrem
não sejam faca na minha carne,
lancinante.
Minha fé está plantada no aqui e agora
vivo como posso,
danço a música infligida pelo tempo,
que joga comigo, com você e com nossos
parceiros invisíveis.
Se as rezas nos salvarão das regras?
não sei te responder,
Sigamos em frente, meu ex- amor,
Já nos basta o viver.
Para as minhas assombrações
Secaram-se as folhas das árvores e
nuvens cinzas se avizinham
trazendo consigo a chuva e o frio.
Penso em você com saudade.
Você que coloriu os meus dias,
que me inspirou um mosaico e
me deu uma flor ainda em botão.
Penso em você com amor,
do fundo de minha solidão.
Fantasmas, sombras, melodias do adeus
É o passado que me revisita com lembranças,
aquecendo o coração.
Fantasmas do passado, tão presentes que
Em momentos, o hoje se torna rarefeito,
uma fumacinha de ilusão.
nuvens cinzas se avizinham
trazendo consigo a chuva e o frio.
Penso em você com saudade.
Você que coloriu os meus dias,
que me inspirou um mosaico e
me deu uma flor ainda em botão.
Penso em você com amor,
do fundo de minha solidão.
Fantasmas, sombras, melodias do adeus
É o passado que me revisita com lembranças,
aquecendo o coração.
Fantasmas do passado, tão presentes que
Em momentos, o hoje se torna rarefeito,
uma fumacinha de ilusão.
22/03/2008
Estranhas entranhas
Você me julga!
Durante muito tempo (a)colhi julgamentos
mas o tempo me ensinou a ensurdecer.
Das entranhas de uma mulher
só ela é quem sabe!
As más águas que por alí correram regando
sementes que dormitavam fingindo de mortas.
As dores que floresceram e ainda florescem
vestidas de sangue e secam, sementes de solidão.
Então, não venha me dizer que
sou, do mundo, a mais feliz das fêmeas.
Das minhas (estranhas) entranhas
Eu é que sei!
Durante muito tempo (a)colhi julgamentos
mas o tempo me ensinou a ensurdecer.
Das entranhas de uma mulher
só ela é quem sabe!
As más águas que por alí correram regando
sementes que dormitavam fingindo de mortas.
As dores que floresceram e ainda florescem
vestidas de sangue e secam, sementes de solidão.
Então, não venha me dizer que
sou, do mundo, a mais feliz das fêmeas.
Das minhas (estranhas) entranhas
Eu é que sei!
18/03/2008
13/03/2008
Ode ao gato

Certamente algumas pessoas que não sentem muita simpatia pelos felinos lerão ao invés de ode (que significa canto) ao gato, ódio ao gato. Mas, de antemão aviso que, nesse texto, nem barata se mata. Sou o que pode se chamar de “gatófila” declarada, ou seja, acho os bichanos animais extraordinários.
Os gatos têm má fama, vamos admitir! Eu soube que tem até um palestrante por aí, faturando com isso e reforçando essa visão equivocada. Ele fala em suas apresentações sobre o homem do "tipo cachorro": fiel, honesto, amigo, bom, e o homem do "tipo gato": falso, perverso, mentiroso, ladrão, etc, o primeiro, um santo, o segundo, capeta peludo com sete vidas!
Mas por que será que tantos atributos negativos são destinados ao mais inofensivo membro da família dos felinos? É certo que o gato têm seu jeito de ser, ele não é dado a estardalhaços, mantém uma certa independência em relação ao seu dono, não é excessivamente carente e não abre mão de boas horas de sono.
Quem tem ou teve gato sabe que o felino escolhe o dono e não o contrário. O gato oferece amizade e amor de uma forma que muitas pessoas não compreendem, ou não suportam, o amor do gato é amor de liberdade. Acho que é por isso que muitos optem ter como bicho de estimação algum animal mais subserviente. Muitos chegam ao cúmulo da perversidade, e prenedem pássaros em gaiolas, não percebendo que presas estão as suas almas. Enfim, gatos são conquistados, assim como conquistamos amores e coisas preciosas que desejamos.
Os gatos têm má fama, vamos admitir! Eu soube que tem até um palestrante por aí, faturando com isso e reforçando essa visão equivocada. Ele fala em suas apresentações sobre o homem do "tipo cachorro": fiel, honesto, amigo, bom, e o homem do "tipo gato": falso, perverso, mentiroso, ladrão, etc, o primeiro, um santo, o segundo, capeta peludo com sete vidas!
Mas por que será que tantos atributos negativos são destinados ao mais inofensivo membro da família dos felinos? É certo que o gato têm seu jeito de ser, ele não é dado a estardalhaços, mantém uma certa independência em relação ao seu dono, não é excessivamente carente e não abre mão de boas horas de sono.
Quem tem ou teve gato sabe que o felino escolhe o dono e não o contrário. O gato oferece amizade e amor de uma forma que muitas pessoas não compreendem, ou não suportam, o amor do gato é amor de liberdade. Acho que é por isso que muitos optem ter como bicho de estimação algum animal mais subserviente. Muitos chegam ao cúmulo da perversidade, e prenedem pássaros em gaiolas, não percebendo que presas estão as suas almas. Enfim, gatos são conquistados, assim como conquistamos amores e coisas preciosas que desejamos.
Um ditado popular chinês diz que “o cachorro é um romance, e o gato, um poema”. Sabemos que na idade média, os gatos eram enforcados juntamente com as mulheres acusadas de bruxaria, daí vem a imagem da bruxa com seu companheiro gato preto. Crendices que se arrastam até hoje, e fazem com que tantas atrocidades sejam feitas com os gatos. Pelo amor de Deus, tem gente que, quando vê um gato se arrepia e não sai de casa, imagine se essas pessoas virem um gato preto, numa sexta-feira treze, o que será que farão ou não farão?
Bem, deixo claro para vocês que também gosto dos cães, para mim, são amigos maravilhosos, não são nem melhores e nem piores que o gato, ou qualquer outro animal, são simplesmente diferentes, mas, igualmente especiais.
Voltando ao ditado chinês, o gato encarna a própria poesia, talvez por isso, seja amado por tantos artista e, principalmente por escritores. Jorge Amado certa vez declarou que, seu maior sonho era receber de presente um gato da raça Maine coon, Guimarães Rosa aos seus felinos, dedicou vários escritos, Cortázar tinha adoração por seu gato Flanele. Para Jorge Luiz Borges, depois de sua santa mãe, vinha o seu gato, e a lista de artistas é enorme , tem a Clarice Lispector, o Baudellaire, o T. S. Eliot dedicou um conjunto de poemas aos gatos, o Manuel Bandeira também elogiou os felinos, a poetisa Maria Lúcia Dal Farra escreveu: “Gatos tem o andar etéreo da hera sobre pedras” e Lorde Byron que possuem “beleza sem vaidade, força sem insolência, coragem sem ferocidade, todas as virtudes do homem sem vícios”.
Neruda conseguiu, a meu ver, captar extraordinariamente a essência felina, num trecho de seu poema intitulado Ode ao gato diz: “O homem quer /ser peixe e pássaro, /a serpente quisera ter asas, /o cachorro é um leão desorientado, /o engenheiro quer ser poeta, /a mosca estuda para andorinha, /o poeta trata de imitar a mosca, /mas o gato, /quer ser só gato /e todo gato é gato do bigode ao rabo, /do pressentimento à ratazana viva, /da noite até os seus olhos de ouro.”
Quanto a mim, a história-felina começa em 1996 quando a gatinha Lili, hoje com doze anos, entrou na minha vida. Ela fez com que eu amasse todos os gatos do mundo!
Finalizo deixando ao palestrante de que falei as palavras, que de certo não lhe ofenderão, “- sou uma gata, és um cão!”. Às pessoas que tem medo de gato e ainda cultivam a mentalidade medieval faço um pedido: - ao virem um gato preto numa noite de sexta-feira treze, fique feliz, pois é presságio de boa sorte. Miauuuuuuuu.
bai Renata Bomfim
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