14/04/2008

sensações

O sopro do vento na cara
a descida do morro
a ferida na alma.
Canção protelada
espaços cedidos
amores perdidos
na calma esperada.

Tudo faz de mim Ser emergente
Esse tudo me reduz a ser eu, gente.
Esse isso, confuso, me embriaga.

09/04/2008

girassol

No canteiro ela girava
e girava e girava...
Sol à pino.
voluptuosa!
Seu amarelo ofuscava o ouro
e encantava os céticos
e os desaventurados.
Ornamentos sagrados
seus pistilos doces.
Oferendas para os deuses da
polinização e deleite para as abelhas.
Quem me dera girar na tua ciranda e
revestir meu corpo com tuas pétalas.
Quisera poder voltar
e rever o local onde primeiro te vi.
Hoje te admiro dos meus sonhos
terreiro onírico onde encontro energia,
e seres que não são de carne e osso.
Lá continuas a girar sol à sol.
Da noite iluminas a minh' alma
para que meus olhos
brilhem durante o dia.

Canto de abertura

Brilham sóis na minha lua
E sou toda bruma,
rio a deslizar pelos penhascos.
A minha terra está úmida, desejante,
à espera da tua semente que
acolherei como se fosse a última.
Não há mais solidão,
a pedra quebrou-se,
fez-se multipla.
Brilham os sóis da minha lua
E sou toda e todos e sou nada
o pó dessa terra
o porvir desse chão
mãos ágeis na construção
da paz tão esperada.

05/04/2008

Os Gatos: poesia de Baudelaire

(eu e Elvis, o rei)
*
Os amantes febris e os sábios solitários
Amam de modo igual, na idade da razão,
Os doces e orgulhosos gatos da mansão,
Que como eles têm frio e cismam sedentários.
*
Amigos da volúpia e devotos da ciência,
Buscam eles o horror da treva e dos mistérios;
Tomara-os Érebo por seus corcéis funéreos,
Se a submissão pudera opor-lhes à insolência.
*
Sonhando eles assumem a nobre atitude
Da esfinge que no além se funde à infinitude,
Como ao sabor de um sonho que jamais termina;
*
Os rins em mágicas fagulhas se distendem,
E partículas de ouro, como areia fina,
Suas graves pupilas vagamente acendem.
*

02/04/2008

CONTROLE POPULACIONAL DE CÃES E GATOS

Gatinha que era maltratada pelos donos e foi adotada e cuidada por Simone Cardoso www.conquisteumgatinho.blogspot.com

A superpopulação de cães e gatos é um problema que afeta a maioria dos países, em maior ou menor grau. A equação é simples: existem mais animais do que lares para acolhê-los. Em busca de uma “solução” rápida, as autoridades da saúde freqüentemente recorrem ao extermínio em massa. Milhares de animais são mortos nos Centros de Controles de Zoonoses (CCZ).

No entanto, tal medida não adianta em nada, não passando, no fundo, de mera crueldade e desperdício de dinheiro público, já que os animais que não são recolhidos conseguem se reproduzir em número muitíssimo maior do que se consegue matá-los.

Segundo o Comitê de Especialistas em Raiva da Organização Mundial da Saúde (OMS), reunido em 1992, a captura e o sacrifício de animais não representam medida de controle da doença, pois não atuam nas principais causas do problema: a procriação descontrolada de cães e gatos e a irresponsabilidade ou ignorância dos seus proprietários.

Somente partir da castração de 30% dos cães/gatos de um município é que passa a acontecer uma efetiva diminuição da população desses animais, reduzindo, conseqüentemente, o abandono e o risco de doenças transmitidas por eles. Vários municípios brasileiros já substituíram o extermínio de cães e gatos pela castração em massa.

No Espírito Santo, atenta a essa realidade, a justiça concedeu liminar (17/08/2007) em ação civil pública movida pelo Ministério Público contra o município de Vitória proibindo o extermínio de animais sadios, já que, como dito antes, isso não passa mera crueldade e desperdício de dinheiro público.

Entretanto, até março/08, sete meses após a concessão da liminar, o Centro de Controle de Zoonoses de Vitória nada fez para ampliar o número de castrações oferecidas à população. Atualmente o CCZ disponibiliza apenas um médico veterinário para realizar o procedimento cirúrgico. A conseqüência do descaso é uma fila de espera de mais de 900 animais.

E é nesse sentido que pedimos a sua ajuda!Para solicitar que a Secretaria Municipal de Saúde de Vitória amplie o número de castrações oferecidos para cães e gatos da população envie um e-mail para http://www.vitoria.es.gov.br/secretarias/governo/ouvidoria.htm

ou ligue para 0800-2836345,

ou compareça pessoalmente ao Palácio Jerônimo Monteiro, av.Marechal Mascarenhas de Moraes, 1927, 2º andar - de 2ª a 6ª feira, das 8 às 18 horas.


Associação Amigos dos Animais do Espírito Santo

30/03/2008

Quem sabe uma chuva de pétalas de rosas
Como desejou santa Tereza,
ao banhar nosso corpo lhe restaure a pureza,
religando-o ao divino?
Gotas de orvalho para potencializar o rito
de passagem, para outra dimensão,
a do sagrado.

Fantasia, delírio, logo pensarão!
Mas, quem já não foi picado pela serpente
do medo, do ódio e da mágoa?
Ou não teve o seu corpo contaminado
com os agrotóxicos da indiferença e da desilusão?
Eis que nossos póros estão obstruídos
para o outro, e nos olhos, grossas escamas
impedem a passagem da luz.

Quem sabe as rosas, possam devolver-nos
o frescor e a inocencia,
Para que desça sobre nós, do céu, a pomba
da gentileza, petencostes pós-moderno, às avessas.

Assim falaremos outras linguas: amabilidade,
cuidado, bem dizer.
Babel do saber e não do poder.
Pois onde há poder não há amor,
e onde o amor impera o sacrificio é sacro, santo,
ofício de doação per se.

Que surja uma nova era,
a era das rosas, era de ouro,
era de mim e do outro, era de nós.
Assim, nosso banho de rosas será dourado.

23/03/2008

Fantasmas II

Vou mandar rezar uma missa
Para que me deixes descansar
e para que também descanses.
E se em algum tempo
teus olhos me encontrem
não sejam faca na minha carne,
lancinante.
Minha fé está plantada no aqui e agora
vivo como posso,
danço a música infligida pelo tempo,
que joga comigo, com você e com nossos
parceiros invisíveis.
Se as rezas nos salvarão das regras?
não sei te responder,
Sigamos em frente, meu ex- amor,
Já nos basta o viver.

Para as minhas assombrações

Secaram-se as folhas das árvores e
nuvens cinzas se avizinham
trazendo consigo a chuva e o frio.
Penso em você com saudade.

Você que coloriu os meus dias,
que me inspirou um mosaico e
me deu uma flor ainda em botão.
Penso em você com amor,
do fundo de minha solidão.

Fantasmas, sombras, melodias do adeus
É o passado que me revisita com lembranças,
aquecendo o coração.

Fantasmas do passado, tão presentes que
Em momentos, o hoje se torna rarefeito,
uma fumacinha de ilusão.

22/03/2008

Estranhas entranhas

Você me julga!
Durante muito tempo (a)colhi julgamentos
mas o tempo me ensinou a ensurdecer.
Das entranhas de uma mulher
só ela é quem sabe!
As más águas que por alí correram regando
sementes que dormitavam fingindo de mortas.
As dores que floresceram e ainda florescem
vestidas de sangue e secam, sementes de solidão.
Então, não venha me dizer que
sou, do mundo, a mais feliz das fêmeas.
Das minhas (estranhas) entranhas
Eu é que sei!

18/03/2008