20/09/2009
16/09/2009
6ª MoVA Caparaó/ Alegre-ES
A 6ª edição da Mostra de Vídeos Ambientais (MoVA), este ano será em Alegre e contará com a presença de Paulinho Moska, Banda AM5, Aroldo Sampaio, Motivassamba, Choro de Minas, Canarinhos da Terra e Moxuara, entre outros.
Confira a Programação:
http://www.consorciocaparao.com.br/site/?p=253
Confira a Programação:
http://www.consorciocaparao.com.br/site/?p=253
Ecossocialismo: Novos valores para uma nova civilização
No Fórum Social Mundial de Belém se concluiu que as alternativas ao neoliberalismo e à construção do ecossocialismo não se engendram na cabeça de intelectuais ou de programas partidários, e sim na prática social, através de lutas populares, movimentos sindicais, camponeses, indígenas, étnicos, ambientais, e comunidades de base.
Para gestar tais alternativas exigem-se pelo menos quatro atitudes: A primeira, visão crítica do neoliberalismo. Este aprofunda as contradições do capitalismo, na medida em que a expansão globalizada do mercado acirra a competição comercial entre as grandes potências; desloca a produção para áreas onde se possa pagar salários irrisórios; estimula o êxodo das nações pobres rumo às ricas; introduz tecnologia de ponta que reduz os postos de trabalho; torna as nações dependentes do capital especulativo; e intensifica o processo de destruição do equilíbrio ambiental do planeta. A segunda atitude - organizar a esperança. Encontrar alternativas é um trabalho coletivo. Elas não surgem da cabeça de intelectuais iluminados ou de gurus ideológicos. Daí a importância de se dar consistência organizativa a todos os setores da sociedade que esperam outra coisa diferente do que se vê na realidade atual: desde agricultores que sonham lavrar sua própria terra a jovens interessados na preservação do meio ambiente.Terceira atitude - resgatar a utopia. O neoliberalismo não visa a destruir apenas as instâncias comunitárias criadas pela modernidade, como família, sindicato, movimentos sociais e Estado democrático. Seu projeto de atomização da sociedade reduz a pessoa à condição de indivíduo desconectado da conjuntura sócio-política-econômica na qual se insere, e o considera mero consumidor. Estende-se, portanto, também à esfera cultural. Como diria Emmanuel Mounier, o individualismo é oposto ao personalismo. Pascal foi enfático: "O Eu é odioso".
No seu apogeu, o capitalismo mercantiliza tudo: a biodiversidade, o meio ambiente, a responsabilidade social das empresas, o genoma, os órgãos arrancados de crianças etc, e até mesmo o nosso imaginário.
Sem utopias não há mobilizações motivadas pela esperança. Nem possibilidade de visualizar um mundo diferente, novo e melhor. Quarta atitude - elaborar um projeto alternativo.
A esperança favorece a emergência de novas utopias, que devem ser traduzidas em projetos políticos e culturais que sinalizem as bases de uma nova sociedade. Isso implica o resgate dos valores éticos, do senso de justiça, das práticas de solidariedade e partilha, e do respeito à natureza. Em suma, trata-se de um desafio também de ordem espiritual, na linha do que apregoava o professor Milton Santos, de que devemos priorizar os "bens infinitos" e não os "bens finitos". O projeto de uma sociedade ecossocialista alternativa ao neoliberalismo exige revisar, a partir da queda do Muro de Berlim, os aspectos teóricos e práticos do socialismo real, em particular do ponto de vista da democracia participativa e da preservação ambiental.
O ecossocialismo se caracterizaria pela capacidade de incorporar conceito e práticas de igualdade social e desenvolvimento sustentável a partir de experiências dos movimentos sociais e ecológicos, assim como da Revolução Cubana, do levante zapatista do Chiapas, dos assentamentos do MST etc. É vital incluir no projeto e no programa os paradigmas ora emergentes, como ecologia, indigenismo, ética comunitária, economia solidária, espiritualidade, feminismo e holística. Este sonho, esta utopia, esta esperança que chamamos de ecossocialismo, não é senão a continuação das esperanças daqueles que lutaram pela defesa da vida, como Chico Mendes e Dorothy Stang, dois lutadores cristãos que deram suas vidas pela causa dos pobres, dos explorados, dos indígenas, dos trabalhadores da terra e dos povos da floresta.
Texto escrito por Frei Betto.
14/09/2009
MMA realizará seminários on line sobre mudanças climáticas
Amigos, até o final desse ano o MMA estará realizando uma série de seminários sobre mudanças climáticas, estes serão transmitidos pela internet para todo Brasil. Dia 15 de setembro: discusão sobre vulnerabilidade e sobre impactos; dia 6 de outubro:"Instituições Internacionais de Mudanças Climáticas", dias 3 de novembro e 1º de dezembro: "Instituições Internacionais de Mudanças Climáticas". As inscrições devem ser feitas por e-mail, até as 11 horas do dia do evento. Para a região Sudeste, o contato é carlos.alves@mma.gov.br. Outras informações estão disponíveis em http://ead.mma.gov.br/.
09/09/2009
Andarilhos Capixabas: Volta na Ilha de Vitória (27, 5km)
Foi muito legal fazer este percurso, foram 5 horas e 30minutos de suor. Esta foi uma homenagem a nossa querida cidade de Vitória no dia em que completou 458 anos, Parabéns Vitória! Reportagem da caminhada no ES TV 1ª edição:Uma boa caminhada em homenagem a Vitória - 08/09/2009 http://gazetaonline.globo.com/index.php?id=/local/tv_gazeta/estv1/index.php07/09/2009
C. G. Jung e a Literatura
A literatura, de forma especial a poesia, faz parte da história tanto familiar quanto profissional de Jung. Conta-nos Bair (2006), sua biógrafa, que ao nascer, Jung foi batizado com o nome Karl Gustav II Jung, uma homenagem ao seu avô paterno, Carl Gustav I Jung. O avô de Jung era cidadão alemão, conhecido tanto por suas opiniões liberais, quanto pelas histórias que contava e que deram à sua biografia, tons ficcionais, entre elas, a suspeita de que era filho ilegítimo do poeta Goethe.
Na sua juventude, Carl Gustav I havia morado em Berlim, na casa de um editor chamado Geog Andréas Reimer, onde integrou um grupo de intelectuais do romantismo como Ludwig Tieck e os irmãos Schlegel.. A saber, August Wilhelm Von Schlegel foi o responsável pela tradução de Shakespeare para o alemão.
Doutor em medicina e ciências naturais, o avô de Jung, foi também, escritor de poemas e canções, algumas registradas no livro alemão de cantigas. Conta-se que foi muitas vezes persuadido a abandonar a medicina pela poesia, conselho que não seguiu, continuando a publicar suas obras anonimamente, sob o pseudônimo de Mathias Nusser.
O “K” foi uma atualização feitas pelos pais de Jung ao seu nome, mas ele optou manter o nome na forma original familiar, apenas uma das muitas identificações que mantinha com seu “abençoado avô”, que segundo ele, havia posto “um ovo muito estranho na sua mistura” (BAIR, 2006).
O “K” foi uma atualização feitas pelos pais de Jung ao seu nome, mas ele optou manter o nome na forma original familiar, apenas uma das muitas identificações que mantinha com seu “abençoado avô”, que segundo ele, havia posto “um ovo muito estranho na sua mistura” (BAIR, 2006).
Paul Jung, o pai de Jung II, estudara línguas orientais na Universidade de Göttingen, especializando-se em árabe e escreveu uma dissertação acerca dos comentários em hebraico do sábio do século X Jephel Bem Eli sobre o Cântico dos Cânticos de Salomão. Mas, contrariando a vontade do pai, Carl Gustav I, não trilhou uma carreira brilhante como erudito, tornando-se padre numa igreja reformada da Suíça. Este breve histórico familiar mostra o berço intelectual onde foi recebido o jovem Carl Gustav Jung, que estudava idiomas como o latim e o grego e ingressou, aos treze anos de idade, no estudo da filosofia.
Jung era um homem erudito, lera durante a sua vida escritores como A. E. Biedermann, que tratava do dogmatismo cristão, leitura levou-o diretamente a Schopenhauer, Meister Eckhart, santo Tomás de Aquino, a quem “desprezava”, Hegel, Kant e Nietzsche, Shakespeare, Heráclito, “com menor interesse” Pitágoras e Empédocles, mas, a poesia, esta lia “com paixão e prazer”.
A paixão pela obra de arte poética levou Jung a escrever, na maturidade, o livro O espírito na Arte e na Ciência, onde volta à atenção para os movimentos culturais, entre eles as artes plásticas e a literatura. Nessa obra Jung reconhece o desafio de fazer dialogar a psicologia analítica e a arte que, “apesar de sua incomensurabilidade”, compartilham uma “estreita relação” e acrescenta:
[embora a poesia pertença ao campo da literatura e da estética, esta possui grande força imagística] não pretendo de modo algum substituir tais pontos de vista pela perspectiva psicológica. Acaso o fizesse incorreria no pecado da unilateralidade que eu mesmo censurei. Não arrogo também apresentar uma teoria completa da criação poética, isso ser-me-ia impossível. As minhas explanações significam apenas meus pontos de vista, a partir das quais poderia orientar-me uma consideração psicológica do fenômeno poético (JUNG).
Ciente dos perigos de misturar campos diversos de saber sem levar em conta a especificidade de cada um, e de que a essência da atividade artística é inacessível para a psicologia, Jung (1991) advertiu para perigo das leituras reducionistas que, “inopinadamente”, desviam o interesse da obra de arte enredando-a “numa embrulhada labiríntica, [de] pressupostos psíquicos, tornando-se então o poeta um caso clínico”. Sob essa ótica a psicologia pessoal do poeta não explica a obra de arte. Jung acreditava que reduzir a criação artística às relações pessoais que o poeta mantinha com os pais ou a outros fatores como distúrbios psicológicos, não contribuia para a compreensão desta e reinterou:
Um poeta pode ter sido influenciado mais pela relação com seu pai, outro pela ligação com a mãe e finalmente um terceiro pode demonstrar, através de suas obras, traços inconfundíveis da repressão sexual; tudo isso pode ser atribuído tanto a neuróticos, como a todas as pessoas [ditas] normais. E assim nada de específico se apurou para o julgamento de uma obra de arte, na melhor das hipóteses ampliamos e aprofundamos o conhecimento dos pressupostos históricos. [...] Bom senso e parcimônia, podem resultar uma interessante visão geral de como a criação artística está entrelaçada com a vida pessoal do artista, por um lado, por outro, como ela se projeta para fora desse entrelaçamento (JUNG, 1991).
A paixão pela obra de arte poética levou Jung a escrever, na maturidade, o livro O espírito na Arte e na Ciência, onde volta à atenção para os movimentos culturais, entre eles as artes plásticas e a literatura. Nessa obra Jung reconhece o desafio de fazer dialogar a psicologia analítica e a arte que, “apesar de sua incomensurabilidade”, compartilham uma “estreita relação” e acrescenta:
[embora a poesia pertença ao campo da literatura e da estética, esta possui grande força imagística] não pretendo de modo algum substituir tais pontos de vista pela perspectiva psicológica. Acaso o fizesse incorreria no pecado da unilateralidade que eu mesmo censurei. Não arrogo também apresentar uma teoria completa da criação poética, isso ser-me-ia impossível. As minhas explanações significam apenas meus pontos de vista, a partir das quais poderia orientar-me uma consideração psicológica do fenômeno poético (JUNG).
Ciente dos perigos de misturar campos diversos de saber sem levar em conta a especificidade de cada um, e de que a essência da atividade artística é inacessível para a psicologia, Jung (1991) advertiu para perigo das leituras reducionistas que, “inopinadamente”, desviam o interesse da obra de arte enredando-a “numa embrulhada labiríntica, [de] pressupostos psíquicos, tornando-se então o poeta um caso clínico”. Sob essa ótica a psicologia pessoal do poeta não explica a obra de arte. Jung acreditava que reduzir a criação artística às relações pessoais que o poeta mantinha com os pais ou a outros fatores como distúrbios psicológicos, não contribuia para a compreensão desta e reinterou:
Um poeta pode ter sido influenciado mais pela relação com seu pai, outro pela ligação com a mãe e finalmente um terceiro pode demonstrar, através de suas obras, traços inconfundíveis da repressão sexual; tudo isso pode ser atribuído tanto a neuróticos, como a todas as pessoas [ditas] normais. E assim nada de específico se apurou para o julgamento de uma obra de arte, na melhor das hipóteses ampliamos e aprofundamos o conhecimento dos pressupostos históricos. [...] Bom senso e parcimônia, podem resultar uma interessante visão geral de como a criação artística está entrelaçada com a vida pessoal do artista, por um lado, por outro, como ela se projeta para fora desse entrelaçamento (JUNG, 1991).
O poeta na visão jungueana satisfaz as necessidades anímicas de um povo através de sua obra, e constitui para o autor, saiba ele ou não, mais do que o seu próprio destino pessoal. A interpretação da obra não compete ao poeta. Segundo Jung (1991, p. 93), “uma obra-prima é como um sonho que, apesar de todas as evidências, nunca se interpreta a si mesmo e nunca é unívoca”, portanto a interpretação não deve ser feita pelo poeta, mas “deve ser deixada aos outros e ao futuro”. O sentido da obra de arte poética só é alcançado quando o indivíduo se permite modelar por ela, assim como o poeta foi modelado, assim a obra tocará as regiões profundas da alma, onde os seres vibram em uníssono e a sensibilidade humana abarca a humanidade. Portanto, a obra de arte é ao mesmo tempo objetiva e impessoal.
pesquisa: renatabomfim
06/09/2009
O inconsciente coletivo junguiano
O inconsciente para a psicologia junguiana compreende inconsciente pessoal e inconsciente coletivo. São domínio do inconsciente , todos os conteúdos e processos psíquicos que não se relacionam com o ego. Para Jung o inconsciente “é a fonte das forças instintivas da psique e das formas ou categorias que as regulam, os arquétipos”. “Vasto e inexaurível” este campo da psique possui qualidades compensatórias, ou seja, eles compensam o ego consciente pois contém pois possuem elementos de auto-regulação da psique como um todo. Ao inconsciente Jung também designou uma função criativa, visto que é ele que apresenta à consciência conteúdos necessários à saúde psicológica.O inconsciente pessoal é a camada pessoal do inconsciente. Nesta instância psíquica estão as “memórias perdias, idéias dolorosas que são reprimidas (isto é, esquecidas de propósito), percepções subliminares e conteúdos que ainda não estão maduros para a consciência”, trata-se daquela parte da psique que contém elementos que também poderiam aflorar na consciência. As fronteiras entre o inconsciente pessoal e a consciência são imprecisas e a qualquer momento estes conteúdos podem se tornar conscientes. Quanto aos conteúdos do inconsciente coletivo, segundo Jung (1983), “não se encontram sujeitos a nenhuma intenção arbitrária, nem são manejáveis pela vontade, na verdade agem como se não existissem na pessoa – conseguimos vê-lo em nosso próximo, mas não em nós mesmos”.
O inconsciente coletivo é a expressão psíquica da identidade cerebral independente de todas as diferenças raciais. Jung chegou a este território analisando os sonhos e fantasias de seus pacientes, ele concebeu o seu conteúdo como uma combinação de padrões e forças universalmente predominantes, os arquétipos e instintos . Em sua concepção, nada existe de individual ou único nos seres humanos nesse nível, todos temos os mesmos arquétipos e instintos, e a individualidade deve ser procurada noutras áreas da personalidade. Em Arquétipos do Inconsciente coletivo (2006) Jung esclarece:
A hipótese de um inconsciente coletivo pertence àquele tipo de conceito que a princípio o público estranha, mas logo dele se apropria, passando a usá-lo como uma representação corrente, tal como aconteceu com o conceito de Inconsciente em geral. [...] Uma camada mais ou menos superficial do inconsciente é pessoal. Nós a denominamos, inconsciente pessoal. Este porém repousa sobre uma camada mais profunda, que já não tem sua origem em experiências ou aquisições pessoais, sendo inata. Esta camada mais profunda é o que chamamos inconsciente coletivo. Eu optei pelo termo “coletivo” pelo fato de o inconsciente não ser de natureza individual, mas universal.
A teoria dos arquétipos é de grande importância para a concepção global da psique proposta por Jung. Dra Nise da Silveira em seu livro Jung: vida e obra, chama a atenção para a forma como este conceito junguiano tem sido objeto de confusão. Segundo ela: Há ainda quem continue repetindo que Jung admite a existência de idéias e de imagens inatas. É falso. Incansavelmente [Jung] repete que arquétipos são possibilidades herdadas para representar imagens similares, são formas instintivas de imaginar. São matrizes arcaicas onde configurações análogas ou semelhantes tomam forma. Jung compara os arquétipos ao sistema axial dos cristais, que determina a estrutura cristalina na solução saturada, sem possuir, contudo, existência própria. [...] Seja qual for a sua origem, o arquétipo funciona como um nódulo de concentração de energia psíquica. Quando essa energia em estado potencial, se atualiza, toma forma, então teremos a imagem arquetípica. Não podemos denominar essa imagem de arquétipo, pois o arquétipo é unicamente uma virtualidade. [...] A noção de arquétipo, postulando a existência de uma base psíquica comum a todos os seres humanos, permite compreender porque em lugares e épocas distantes aparecem temas idênticos nos contos de fadas, nos mitos, nos dogmas e ritos das religiões, nas artes, na filosofia, na produção do inconsciente de um modo geral- seja nos sonhos de pessoas normais, seja em delírios de loucos (SILVEIRA, 1997).
Para Jung os arquétipos se manifestam tanto no nível pessoal, através dos complexos, quanto no coletivo, através da cultura. Jung acreditava que era tarefa de cada geração o compreender de novo os conteúdos arquetípicos e seus efeitos ele dizia que “se não podemos negar os arquétipos, ou mesmo neutralizá-los, a cada novo estágio de diferenciação da consciência que a civilização atinge, confrontamo-nos com a tarefa de encontrar uma nova interpretação apropriada a esse estágio, a fim de conectar a vida do passado, que existe em nós, com a vida do presente, que ameaça dele se desvincular.
Os arquétipos estão relacionados aos instintos, assim como mente e corpo estão relacionados. Os instintos humanos têm sua origem no físico e ingressam na psique sob a forma de pulsão, pensamento, memória, fantasia e emoção. O ego é, em parte, motivado por instintos, e em parte por formas e imagens mentais. Os padrões arquetípicos e as pulsões instintivas estão tão intimamente ligados que se pode tentar reduzir uns a outros. O arquétipo tem caráter numinoso e, quando irrompem na consciência, é descrito como “espiritual”. As imagens derivadas dessa constelação arquetípica, têm extraordinário poder para influenciar a consciência de um modo tão evidente quanto os instintos identificáveis, especialmente o ego, podem ser possuídos e sobrepujados, mas mesmo rendendo-se tal experiência pode ser percebida como significativa. Segundo Stein (2006), mesmo “a vida pode ser sacrificada por imagens”, por exemplo a da cruz, a da bandeira, ou por idéias como o nacionalismo, patriotismo e lealdade para com a religião ou país. Assim, “o arquétipo representa o elemento autêntico do espírito, [...] mas de um espírito que não deve se identificar com o intelecto humano, o espírito que rege e orienta o ego e suas várias funções”. Jung falou sem rodeios que “o conteúdo essencial de todas as mitologias, de todas as religiões e de todos os ismos é arquetípico” Os arquétipos não são derivados da cultura, pelo contrário, para Jung as formas culturais é que derivam dos arquétipos.
pesquisa: renatabomfim
A psicologia dos complexos, de Carl Gustav Jung

C. G. Jung observou uma multidimensionalidade na psique que, esta “está longe de ser uma unidade; pois é uma mistura borbulhante de impulsos, bloqueios e afetos contraditórios e o seu estado conflitivo” . Sob a ótica junguiana, o acesso à psique restringe-se até onde a consciência pode chegar, pois a experiência humana é limitada e, “nas margens, onde psique e soma se unem, e psique e mundo se encontram, existem nuanças de ‘dentro/ fora’, a estas áreas Jung chamou psicóides”. Esse mundo se expande com “colisões”, ou seja, conflitos, dificuldades, angústia, sofrimento, algumas dessas colisões são “catastróficas” para a psique, pois geram “tumulto emocional” e, na ausência de uma “estrutura coesa”, há a tendência para a dissociação. As colisões com a realidade desafiam o ego a relacionar-se com mundo. O mundo da consciência é marcado pela estreiteza e é, em si, fruto da percepção e orientação no mundo exterior, que tem seus conteúdos orientados a partir de um ponto de referência designado “ego”.
Derivada do latim, a palavra ego significa eu, e é em primeira instância, o portal de entrada da alma humana pois, a consciência do ego é per se, condição imprescindível para uma investigação psicológica. O ego é um agente individualizante, ele separa os seres humanos de outras criaturas e, estabelece uma intrincada rede de associações com a consciência, território de onde emerge como centro crítico (2006, p. 27- 28). Acerca dessa área da consciência Jung diz:
Derivada do latim, a palavra ego significa eu, e é em primeira instância, o portal de entrada da alma humana pois, a consciência do ego é per se, condição imprescindível para uma investigação psicológica. O ego é um agente individualizante, ele separa os seres humanos de outras criaturas e, estabelece uma intrincada rede de associações com a consciência, território de onde emerge como centro crítico (2006, p. 27- 28). Acerca dessa área da consciência Jung diz:
O que conhecemos é o nosso complexo de ego, que supomos ter o domínio pleno do corpo. [...] O ego é um aglomerado de conteúdos altamente dotados de energia, assim quase não há diferença em falarmos de complexo e complexo do ego. Pois os complexos tem um certo poder. Tudo isso se explica pela chamada unidade da consciência ser pura ilusão. É realmente um sonho de desejo. Gostamos de pensar que somos unificados; mas isso não acontece e nem nunca aconteceu. Realmente não somos senhores dentro de nossa própria casa. É agradável pensar no poder de nossa vontade, em nossa energia e no podemos fazer. Mas na hora H descobrimos que não podemos fazê-lo até certo ponto, porque somos atrapalhados por esses pequenos demônios, os complexos. Eles são grupos autônomos de associações, com tendência de movimento próprio, de viverem sua vida independente de nossa intenção. (JUNG, 1983, p. 67).
O ego é tratado por Jung como uma instância essencialmente psíquica, embora esteja em parte, assentado sobre uma base somática e sua liberdade seja limitada. O ego, especialmente na juventude, experimenta a ilusão de possuir grande autonomia e “livre-arbítrio”, mas o indivíduo está à mercê de sua estrutura de caráter e dos “demônios interiores”, tanto quanto da autoridade externa. “Os demônios da contradição conflitam com o ego” (JUNG, 2006). O “homem racional” base da sociedade ocidental, é impelido por forças psíquicas e motivado por pensamentos que não se baseiam processos racionais. Enfim, os indivíduos são impulsionados por emoções e imagens. Segundo Stein (2006, p. 41), sendo o mundo interior “terra incógnita” no seu tempo, Jung lança mão de ferramentas e métodos científicos para explorá-la, e “ele descobriu que ela está povoada”.
Muitos aspectos do pensamento de Jung estão em consonância com os de pensadores como Terry Eagleton e Stuart Hall no que tange a fragmentação do indivíduo. Pondo em prática a máxima dos estudos da pós-modernidade que, contraria as normas do iluminismo questionando as noções clássicas de verdade,“nós não podemos mais conceber o indivíduo como um ego íntegro, centrado, estável, acabado” (HALL, 1998).
Muitos aspectos do pensamento de Jung estão em consonância com os de pensadores como Terry Eagleton e Stuart Hall no que tange a fragmentação do indivíduo. Pondo em prática a máxima dos estudos da pós-modernidade que, contraria as normas do iluminismo questionando as noções clássicas de verdade,“nós não podemos mais conceber o indivíduo como um ego íntegro, centrado, estável, acabado” (HALL, 1998).
Os complexos
Os demônios interiores a que Jung se refere são denominados por ele “complexos”. Os complexos são “imagens ou idéias carregadas emocionalmente” e, “via régia” de acesso para o inconsciente” (SHARP, 1997). Possuidores de uma força de atração poderosa, os complexos funcionam como imãs, atraindo os conteúdos do inconsciente para a consciência. Mas eles chamam também para si, impressões do exterior que podem se tornar conscientes ao seu contato, caso não haja esse contato, tais impressões permanecerão inconscientes. “Os complexos são , então, personalidades parciais ou fragmentárias” (JUNG, 1983).
O termo “complexo” foi criado pelo psicólogo alemão Zieher, ampliado e enriquecido por Jung. Mais tarde este termo foi adotado e utilizado largamente no meio psicanalítico. A teoria dos complexos foi uma importante contribuição da psicologia analítica para a compreensão do inconsciente e de sua estrutura. Jung definiu os complexos estão localizados no inconsciente e são conteúdos que geram perturbações à consciência, por possuírem muita energia psíquica, eles constelam, ou seja emergem do inconsciente para a consciência, e a pessoa é ameaçada de perder o controle sobre suas emoções, e de certa forma sobre o seu comportamento, assim este mecanismo configura uma espécie de “possessão”. Segundo Sten (2006), “a energia do complexo [...] penetra na concha da consciência do ego e inunda-a” sob essa influencia a consciência perde, por completo, o controle da consciência.
Existem complexos familiares e sociais, que são coletivos, o que implica que, muitas pessoas estão psicologicamente ligadas de forma similar. Traumas são compartilhados e, muitas vezes, fazem parte de uma geração. Com a teoria dos complexos, Jung apresenta a existência de uma camada cultural do inconsciente, em parte individual, e em parte coletivo, por ser compartilhada com outros indivíduos. Mas este ainda não é o Inconsciente coletivo. Foi através da associação verbal que Jung descobriu fortes indícios de padrões semelhantes na formação de complexos entre membros de uma mesma família.
Existem complexos familiares e sociais, que são coletivos, o que implica que, muitas pessoas estão psicologicamente ligadas de forma similar. Traumas são compartilhados e, muitas vezes, fazem parte de uma geração. Com a teoria dos complexos, Jung apresenta a existência de uma camada cultural do inconsciente, em parte individual, e em parte coletivo, por ser compartilhada com outros indivíduos. Mas este ainda não é o Inconsciente coletivo. Foi através da associação verbal que Jung descobriu fortes indícios de padrões semelhantes na formação de complexos entre membros de uma mesma família.
Outro conceito importante na psicologia analítica é o de persona. Este termo é propriedade intelectual especial do próprio Jung, trazido do teatro romano, persona se refere à máscara utilizada pelo ator por meio da qual ele pode assumir variados papéis e identidades dentro do enredo dramático, uma espécie de “pele psíquica” que se interpõe entre o ego e o ambiente. Os vários papéis que uma persona assume no decorrer da vida têm uma base coletiva e, em certa medida, arquetípica. A persona é um complexo que possui alguma autonomia e não está totalmente sob o controle do ego. A Sombra é outro complexo funcional da psique a quem a persona resistirá, é o lado inconsciente das operações intencionais realizadas pelo ego e um problema psicológico, que só poderá ser resolvido se esta for integrada à consciência. Sombra e persona é um par clássico de opostos que figuram na psique como polaridades do ego, a integração de ambos “depende da aceitação pela pessoa de si mesmo, da plena aceitação daquelas áreas ou partes que não pertencem à imagem da persona”. Stein destaca que na psicologia analítica os opostos poderão ser unidos na psique através da intervenção de uma “terceira coisa”. Se os pólos são mantidos em tensão, uma solução surgirá se o ego puder livra-se de ambos e criar um vazio interior no qual o inconsciente possa oferecer uma solução criativa na forma de um novo símbolo que incluirá algo de ambos (STEIN, 2006).
Os complexos são materiais puramente psíquicos, elementos arquetípicos representáveis imageticamente. Essas imagens, variadas vezes referenciadas na obra de Jung como imago, seu correspondente em latim, elas definem a essência da Psique e podem ter alguma correspondência com imagens objetivas, mas, não devem ser confundidas com elas. Os sonhos, por exemplo, são formados a partir dessas imagens inconscientes acionadas pelos complexos. O que une os elementos associados do complexo é a emoção.
Com capacidade para irromperem subitamente na consciência e apossar-se das funções do ego, os complexos são alimentados com energia psíquica ou libido que é distribuída entre vários componentes da psique. A irrupção de um complexo significa que ele ficou mais energizado que o ego, que muitas vezes não é capaz de conter o seu influxo de energia. Esse assunto é tratado com profundidade no livro A energia psíquica de Jung (1999), onde fala que, “hipoteticamente admitida”, a energia vital fosse chamada libido, tendo em vista o emprego que tenciona-se fazer dela em psicologia, e “diferenciando-a de um conceito de energia universal, e conservando-lhe por conseqüência, o direito especial de formar seus próprios conceitos”.
Existem alguns complexos coletivos, gravitando em torno de questões de sexo, religião, dinheiro, poder, e que afetam quase todas as pessoas em menor ou maior grau, e podem redundar em ferozes descargas de energia, até mesmo em guerra, se provocados com bastante severidade. O nível energético de um conteúdo psíquico pode ser indicado por emoções e reações positivas ou negativas. Equiparam-se aos complexos, em termos de atração de energia vital, os símbolos que, segundo a psicologia analítica, emergem da base arquetípica da personalidade, ou seja, inconsciente coletivo, e são grande organizadores da libido. Para Jung o símbolo é a melhor expressão possível para algo que é essencialmente incognoscível, ou ainda não cognoscível, dado o presente estado da consciência. Os símbolos combinam elementos de espírito, instintividade, de imagem e pulsão. Os místicos falam sobre o êxtase da união com Deus como uma experiência orgástica, [...] a experiência do símbolo une corpo e alma num poderoso e convincente sentimento de integralidade.
Os complexos são materiais puramente psíquicos, elementos arquetípicos representáveis imageticamente. Essas imagens, variadas vezes referenciadas na obra de Jung como imago, seu correspondente em latim, elas definem a essência da Psique e podem ter alguma correspondência com imagens objetivas, mas, não devem ser confundidas com elas. Os sonhos, por exemplo, são formados a partir dessas imagens inconscientes acionadas pelos complexos. O que une os elementos associados do complexo é a emoção.
Com capacidade para irromperem subitamente na consciência e apossar-se das funções do ego, os complexos são alimentados com energia psíquica ou libido que é distribuída entre vários componentes da psique. A irrupção de um complexo significa que ele ficou mais energizado que o ego, que muitas vezes não é capaz de conter o seu influxo de energia. Esse assunto é tratado com profundidade no livro A energia psíquica de Jung (1999), onde fala que, “hipoteticamente admitida”, a energia vital fosse chamada libido, tendo em vista o emprego que tenciona-se fazer dela em psicologia, e “diferenciando-a de um conceito de energia universal, e conservando-lhe por conseqüência, o direito especial de formar seus próprios conceitos”.
Existem alguns complexos coletivos, gravitando em torno de questões de sexo, religião, dinheiro, poder, e que afetam quase todas as pessoas em menor ou maior grau, e podem redundar em ferozes descargas de energia, até mesmo em guerra, se provocados com bastante severidade. O nível energético de um conteúdo psíquico pode ser indicado por emoções e reações positivas ou negativas. Equiparam-se aos complexos, em termos de atração de energia vital, os símbolos que, segundo a psicologia analítica, emergem da base arquetípica da personalidade, ou seja, inconsciente coletivo, e são grande organizadores da libido. Para Jung o símbolo é a melhor expressão possível para algo que é essencialmente incognoscível, ou ainda não cognoscível, dado o presente estado da consciência. Os símbolos combinam elementos de espírito, instintividade, de imagem e pulsão. Os místicos falam sobre o êxtase da união com Deus como uma experiência orgástica, [...] a experiência do símbolo une corpo e alma num poderoso e convincente sentimento de integralidade.
pesquisado por renata
05/09/2009
A importância do feminismo para a emancipação da mulher e a inserção desta na ordem do discurso
A historiadora Michelle Perrot (1988) chamou a atenção para o fato de o feminismo ser difundido historicamente como um movimento social e não político, o que reproduziu a ideologia de que política não é assunto para mulheres. Outra idéia enraizada é de que a mulher foi excluída do trabalho. Como vimos nas postagens anteriores, a mulher não foi excluída do campo de trabalho, sua ação foi regulamentada pela ideologia dominante e seus lugares de atuação definidos. No século XVIII as mulheres tornaram-se potências produtivas domésticas, ao contrário dos homens que eram trabalhadores mercantis. As mais pobres produziam em casa, artefatos que eram vendidos no mercado, já as burguesas, trabalhavam para seus maridos, muitas vezes realizando os mesmos serviços que seriam muito bem remunerados, caso fossem homens. A condição da mulher desse período era a de prisioneira da família e sua mão de obra era não remunerada. A exclusão feminina do mercado de trabalho dava aos maridos operários, seguridade.O movimento feminista a partir de 1848, desbobrou- se em muitas direções despertando uma forte onda anti-feminista. Os sindicatos masculinos passaram a lutar para que as mulheres não tivessem acesso ao mercado de trabalho e contestavam a luta operária feminina tentando desarticular os movimentos organizados feministas, chegando a fazer greve quando mulheres eram contratadas. Os homens exigiam que o trabalho feminino fosse extinto, um problema que, segundo M. Guilbert (1982), “se colocava idêntico em todos os lugares”. Não podendo deter o avanço das mulheres, os partidos sexistas, passaram a criar legislações que limitavam a atuação do tempo da mulher no mercado de trabalho.
O movimento feminista foi um divisor de águas na historia de resistência da mulher, lançando base para conquistas que só se consolidariam no século XX. Além da luta por direito a educação e igualdade com o outro sexo, as mulheres do primeiro quartel do século XIX, se engajaram na luta pelos direitos dos menos favorecidos, assim, o movimento feminista se ligou à luta pelos direitos das minorias étnicas e pela paz. O principal veículo de difusão dos ideais feministas das mulheres de classe média foi a imprensa. As mulheres do século XIX “constituíram uma importante vanguarda dos movimentos sociais participando das doutrinas e movimentos revolucionários”. Segundo Karina Fleury, no século XIX a família tornou-se a instituição social “moderadora e modeladora da moral”, não agradava a igreja que as meninas fossem educadas em casa, as famílias de posse, tinham como alternativa, enviar as filhas “casadouras” ao convento, onde receberiam formação diferenciada das destinadas à vida religiosa, e aprenderiam latim e música; bem como a ler, escrever, contar, coser e bordar, educação, educação bem diferente da recebida pelos meninos, as meninas pobres não tinham acesso a educação.
A violência para com a mulher pode ter gerado uma nelas insegurança e medo, fatores que podem ter desencadeado o imobilismo. Percebe-se que algumas mulheres introjetaram os valores falocratas, e se tornaram uma espécie de guardiãs da moral e dos costumes, outras, porém, resistiram e passaram a se fazer ouvir. Reduzida ao âmbito privado a mulher do século XX, passou a defender e a supervalorizando a identidade que lhe foi conferida, de esposa e mãe, e foi desse lugar que ela esperava respeito e aceitação. A valorização do papel de mãe foi uma tática utilizada como mecanismo de controle da mulher do século XX.
Dentro deste panorama, que lugar ocupou a mulher que não se enquadrou nesse modelo? Perrot em Os excluídos da história (1988), relata que no inicio do século XX, a Europa foi tomada por um sentimento anti-feminista, poia a “nova Eva” reivindicava igualdade de direitos civis e políticos, o acesso a profissões intelectuais e recusava, justamente, confinar-se à vocação materna. Ela suscitou o fervor daqueles poucos que sonhavam com companheiras inteligentes e livres, porém, mais generalizadamente, o medo daqueles que temiam ser desbancados e viam nessa ameaça do poder feminino o risco de degenerescência da raça e de decadência dos costumes.
A inserção da mulher na ordem do discurso, fez com que a voz feminina, com seu discurso prenhe de subversão, passasse a ser alvo de normatização, o discurso feminino passou a ter que se submeter a determinadas regras de funcionamento, bem como, àquelas que os o pronunciavam. Sua circulação, e publico também passaram a ser monitorados e restringidos. Como afirmou Foucault (2006), “ninguém entrará na ordem do discurso, se não satisfizer a certas exigências, ou se não for de início, qualificado para fazê-lo. As mulheres burguesas, reivindicaram para si outros lugares, e embora não fossem consideradas qualificadas para outra coisa que não fosse parir e cuidar da casa e do marido, os seus textos, inicialmente escassos, passaram a circular. Um número representativo dessa produção limitava-se a “livros de cozinha, manuais de pedagogia e contos recreativos”. A mulher encontrava dificuldades em se fazer ouvir e, os homens, achavam natural, serem seus porta-vozes.
pesquisa: RenataBomfim
Assinar:
Postagens (Atom)


