30/09/2009

Reabertura do Ateliê Fernando Diniz- Museu de Imagens do ICS/ RJ

Amigos, tive a honra de estagiar no Museu de Imagens do Inconsciente em 2001, foi uma experiência maravilhosa e uma oportunidade única de conhecer de perto o trabalho da Dra Nise da Silveira e as obras de Fernando Diniz, Adelina Gomes, Raphael, entre outros pacientes. Agora nos chega essa noticia maravilhosa, da re- abertura do ateliê de Fernando Diniz... Desejo a todos os amigos do Museu sucesso e que as obras de Fernando se tornem a cada dia mais conhecidas.
Site do Museu de Imagens do Inconsciente: http://www.museuimagensdoinconsciente.org.br/

Ave Paraíso

Amo a minha terra!
Canto de longe as serras plenas
os pássaros e as matas
Meus pés se deliciam e deslizam
na poeira da estrada
Caminho, caminho, errante,
em um nomadismo fascinante
Como é dificil parar!
Amo cada centímetro desse chão
cada fungo, cada inseto.
A sinfonia do tempo convida a meditar.

Esse cantão onde nasci
embriaga de cinza e verde meus olhos
nele estão as pedras mais valiosas
as tábuas dos mandamentos sagrados
que ensinam a amar cada pássaros solitário
e a aprender com outros vários
como é bom estar junto.

Sou um ser aberto e dobravel
uma fagulha angustiada quer fazer fogo e arder
e se multiplicar em brasas
acendendo as luzes de dentro da alma
brilhando até implodir
de felicidade rara.

16/09/2009

6ª MoVA Caparaó/ Alegre-ES

A 6ª edição da Mostra de Vídeos Ambientais (MoVA), este ano será em Alegre e contará com a presença de Paulinho Moska, Banda AM5, Aroldo Sampaio, Motivassamba, Choro de Minas, Canarinhos da Terra e Moxuara, entre outros.

Confira a Programação:
http://www.consorciocaparao.com.br/site/?p=253

Ecossocialismo: Novos valores para uma nova civilização

No Fórum Social Mundial de Belém se concluiu que as alternativas ao neoliberalismo e à construção do ecossocialismo não se engendram na cabeça de intelectuais ou de programas partidários, e sim na prática social, através de lutas populares, movimentos sindicais, camponeses, indígenas, étnicos, ambientais, e comunidades de base.
Para gestar tais alternativas exigem-se pelo menos quatro atitudes: A primeira, visão crítica do neoliberalismo. Este aprofunda as contradições do capitalismo, na medida em que a expansão globalizada do mercado acirra a competição comercial entre as grandes potências; desloca a produção para áreas onde se possa pagar salários irrisórios; estimula o êxodo das nações pobres rumo às ricas; introduz tecnologia de ponta que reduz os postos de trabalho; torna as nações dependentes do capital especulativo; e intensifica o processo de destruição do equilíbrio ambiental do planeta. A segunda atitude - organizar a esperança. Encontrar alternativas é um trabalho coletivo. Elas não surgem da cabeça de intelectuais iluminados ou de gurus ideológicos. Daí a importância de se dar consistência organizativa a todos os setores da sociedade que esperam outra coisa diferente do que se vê na realidade atual: desde agricultores que sonham lavrar sua própria terra a jovens interessados na preservação do meio ambiente.Terceira atitude - resgatar a utopia. O neoliberalismo não visa a destruir apenas as instâncias comunitárias criadas pela modernidade, como família, sindicato, movimentos sociais e Estado democrático. Seu projeto de atomização da sociedade reduz a pessoa à condição de indivíduo desconectado da conjuntura sócio-política-econômica na qual se insere, e o considera mero consumidor. Estende-se, portanto, também à esfera cultural. Como diria Emmanuel Mounier, o individualismo é oposto ao personalismo. Pascal foi enfático: "O Eu é odioso".
No seu apogeu, o capitalismo mercantiliza tudo: a biodiversidade, o meio ambiente, a responsabilidade social das empresas, o genoma, os órgãos arrancados de crianças etc, e até mesmo o nosso imaginário.
Sem utopias não há mobilizações motivadas pela esperança. Nem possibilidade de visualizar um mundo diferente, novo e melhor. Quarta atitude - elaborar um projeto alternativo.
A esperança favorece a emergência de novas utopias, que devem ser traduzidas em projetos políticos e culturais que sinalizem as bases de uma nova sociedade. Isso implica o resgate dos valores éticos, do senso de justiça, das práticas de solidariedade e partilha, e do respeito à natureza. Em suma, trata-se de um desafio também de ordem espiritual, na linha do que apregoava o professor Milton Santos, de que devemos priorizar os "bens infinitos" e não os "bens finitos". O projeto de uma sociedade ecossocialista alternativa ao neoliberalismo exige revisar, a partir da queda do Muro de Berlim, os aspectos teóricos e práticos do socialismo real, em particular do ponto de vista da democracia participativa e da preservação ambiental.
O ecossocialismo se caracterizaria pela capacidade de incorporar conceito e práticas de igualdade social e desenvolvimento sustentável a partir de experiências dos movimentos sociais e ecológicos, assim como da Revolução Cubana, do levante zapatista do Chiapas, dos assentamentos do MST etc. É vital incluir no projeto e no programa os paradigmas ora emergentes, como ecologia, indigenismo, ética comunitária, economia solidária, espiritualidade, feminismo e holística. Este sonho, esta utopia, esta esperança que chamamos de ecossocialismo, não é senão a continuação das esperanças daqueles que lutaram pela defesa da vida, como Chico Mendes e Dorothy Stang, dois lutadores cristãos que deram suas vidas pela causa dos pobres, dos explorados, dos indígenas, dos trabalhadores da terra e dos povos da floresta.
Texto escrito por Frei Betto.

14/09/2009

MMA realizará seminários on line sobre mudanças climáticas

Amigos, até o final desse ano o MMA estará realizando uma série de seminários sobre mudanças climáticas, estes serão transmitidos pela internet para todo Brasil. Dia 15 de setembro: discusão sobre vulnerabilidade e sobre impactos; dia 6 de outubro:"Instituições Internacionais de Mudanças Climáticas", dias 3 de novembro e 1º de dezembro: "Instituições Internacionais de Mudanças Climáticas". As inscrições devem ser feitas por e-mail, até as 11 horas do dia do evento. Para a região Sudeste, o contato é carlos.alves@mma.gov.br. Outras informações estão disponíveis em http://ead.mma.gov.br/.

09/09/2009

Andarilhos Capixabas: Volta na Ilha de Vitória (27, 5km)

Foi muito legal fazer este percurso, foram 5 horas e 30minutos de suor. Esta foi uma homenagem a nossa querida cidade de Vitória no dia em que completou 458 anos, Parabéns Vitória! Reportagem da caminhada no ES TV 1ª edição:Uma boa caminhada em homenagem a Vitória - 08/09/2009 http://gazetaonline.globo.com/index.php?id=/local/tv_gazeta/estv1/index.php

07/09/2009

C. G. Jung e a Literatura

A literatura, de forma especial a poesia, faz parte da história tanto familiar quanto profissional de Jung. Conta-nos Bair (2006), sua biógrafa, que ao nascer, Jung foi batizado com o nome Karl Gustav II Jung, uma homenagem ao seu avô paterno, Carl Gustav I Jung.
O avô de Jung era cidadão alemão, conhecido tanto por suas opiniões liberais, quanto pelas histórias que contava e que deram à sua biografia, tons ficcionais, entre elas, a suspeita de que era filho ilegítimo do poeta Goethe.
Na sua juventude, Carl Gustav I havia morado em Berlim, na casa de um editor chamado Geog Andréas Reimer, onde integrou um grupo de intelectuais do romantismo como Ludwig Tieck e os irmãos Schlegel.. A saber, August Wilhelm Von Schlegel foi o responsável pela tradução de Shakespeare para o alemão.
Doutor em medicina e ciências naturais, o avô de Jung, foi também, escritor de poemas e canções, algumas registradas no livro alemão de cantigas. Conta-se que foi muitas vezes persuadido a abandonar a medicina pela poesia, conselho que não seguiu, continuando a publicar suas obras anonimamente, sob o pseudônimo de Mathias Nusser.
O “K” foi uma atualização feitas pelos pais de Jung ao seu nome, mas ele optou manter o nome na forma original familiar, apenas uma das muitas identificações que mantinha com seu “abençoado avô”, que segundo ele, havia posto “um ovo muito estranho na sua mistura” (BAIR, 2006).
Paul Jung, o pai de Jung II, estudara línguas orientais na Universidade de Göttingen, especializando-se em árabe e escreveu uma dissertação acerca dos comentários em hebraico do sábio do século X Jephel Bem Eli sobre o Cântico dos Cânticos de Salomão. Mas, contrariando a vontade do pai, Carl Gustav I, não trilhou uma carreira brilhante como erudito, tornando-se padre numa igreja reformada da Suíça. Este breve histórico familiar mostra o berço intelectual onde foi recebido o jovem Carl Gustav Jung, que estudava idiomas como o latim e o grego e ingressou, aos treze anos de idade, no estudo da filosofia.
Jung era um homem erudito, lera durante a sua vida escritores como A. E. Biedermann, que tratava do dogmatismo cristão, leitura levou-o diretamente a Schopenhauer, Meister Eckhart, santo Tomás de Aquino, a quem “desprezava”, Hegel, Kant e Nietzsche, Shakespeare, Heráclito, “com menor interesse” Pitágoras e Empédocles, mas, a poesia, esta lia “com paixão e prazer”.
A paixão pela obra de arte poética levou Jung a escrever, na maturidade, o livro O espírito na Arte e na Ciência, onde volta à atenção para os movimentos culturais, entre eles as artes plásticas e a literatura. Nessa obra Jung reconhece o desafio de fazer dialogar a psicologia analítica e a arte que, “apesar de sua incomensurabilidade”, compartilham uma “estreita relação” e acrescenta:
[embora a poesia pertença ao campo da literatura e da estética, esta possui grande força imagística] não pretendo de modo algum substituir tais pontos de vista pela perspectiva psicológica. Acaso o fizesse incorreria no pecado da unilateralidade que eu mesmo censurei. Não arrogo também apresentar uma teoria completa da criação poética, isso ser-me-ia impossível. As minhas explanações significam apenas meus pontos de vista, a partir das quais poderia orientar-me uma consideração psicológica do fenômeno poético (JUNG).
Ciente dos perigos de misturar campos diversos de saber sem levar em conta a especificidade de cada um, e de que a essência da atividade artística é inacessível para a psicologia, Jung (1991) advertiu para perigo das leituras reducionistas que, “inopinadamente”, desviam o interesse da obra de arte enredando-a “numa embrulhada labiríntica, [de] pressupostos psíquicos, tornando-se então o poeta um caso clínico”. Sob essa ótica a psicologia pessoal do poeta não explica a obra de arte. Jung acreditava que reduzir a criação artística às relações pessoais que o poeta mantinha com os pais ou a outros fatores como distúrbios psicológicos, não contribuia para a compreensão desta e reinterou:
Um poeta pode ter sido influenciado mais pela relação com seu pai, outro pela ligação com a mãe e finalmente um terceiro pode demonstrar, através de suas obras, traços inconfundíveis da repressão sexual; tudo isso pode ser atribuído tanto a neuróticos, como a todas as pessoas [ditas] normais. E assim nada de específico se apurou para o julgamento de uma obra de arte, na melhor das hipóteses ampliamos e aprofundamos o conhecimento dos pressupostos históricos. [...] Bom senso e parcimônia, podem resultar uma interessante visão geral de como a criação artística está entrelaçada com a vida pessoal do artista, por um lado, por outro, como ela se projeta para fora desse entrelaçamento (JUNG, 1991).
O poeta na visão jungueana satisfaz as necessidades anímicas de um povo através de sua obra, e constitui para o autor, saiba ele ou não, mais do que o seu próprio destino pessoal. A interpretação da obra não compete ao poeta. Segundo Jung (1991, p. 93), “uma obra-prima é como um sonho que, apesar de todas as evidências, nunca se interpreta a si mesmo e nunca é unívoca”, portanto a interpretação não deve ser feita pelo poeta, mas “deve ser deixada aos outros e ao futuro”. O sentido da obra de arte poética só é alcançado quando o indivíduo se permite modelar por ela, assim como o poeta foi modelado, assim a obra tocará as regiões profundas da alma, onde os seres vibram em uníssono e a sensibilidade humana abarca a humanidade. Portanto, a obra de arte é ao mesmo tempo objetiva e impessoal.
pesquisa: renatabomfim

06/09/2009

Curso de pós-graduação lato sensu em pscologia Junguiana/ Vitória-ES

Faculdade Unida de Vitória

O inconsciente coletivo junguiano

O inconsciente para a psicologia junguiana compreende inconsciente pessoal e inconsciente coletivo. São domínio do inconsciente , todos os conteúdos e processos psíquicos que não se relacionam com o ego. Para Jung o inconsciente “é a fonte das forças instintivas da psique e das formas ou categorias que as regulam, os arquétipos”. “Vasto e inexaurível” este campo da psique possui qualidades compensatórias, ou seja, eles compensam o ego consciente pois contém pois possuem elementos de auto-regulação da psique como um todo. Ao inconsciente Jung também designou uma função criativa, visto que é ele que apresenta à consciência conteúdos necessários à saúde psicológica.
O inconsciente pessoal é a camada pessoal do inconsciente. Nesta instância psíquica estão as “memórias perdias, idéias dolorosas que são reprimidas (isto é, esquecidas de propósito), percepções subliminares e conteúdos que ainda não estão maduros para a consciência”, trata-se daquela parte da psique que contém elementos que também poderiam aflorar na consciência. As fronteiras entre o inconsciente pessoal e a consciência são imprecisas e a qualquer momento estes conteúdos podem se tornar conscientes. Quanto aos conteúdos do inconsciente coletivo, segundo Jung (1983), “não se encontram sujeitos a nenhuma intenção arbitrária, nem são manejáveis pela vontade, na verdade agem como se não existissem na pessoa – conseguimos vê-lo em nosso próximo, mas não em nós mesmos”.
O inconsciente coletivo é a expressão psíquica da identidade cerebral independente de todas as diferenças raciais. Jung chegou a este território analisando os sonhos e fantasias de seus pacientes, ele concebeu o seu conteúdo como uma combinação de padrões e forças universalmente predominantes, os arquétipos e instintos . Em sua concepção, nada existe de individual ou único nos seres humanos nesse nível, todos temos os mesmos arquétipos e instintos, e a individualidade deve ser procurada noutras áreas da personalidade. Em Arquétipos do Inconsciente coletivo (2006) Jung esclarece:
A hipótese de um inconsciente coletivo pertence àquele tipo de conceito que a princípio o público estranha, mas logo dele se apropria, passando a usá-lo como uma representação corrente, tal como aconteceu com o conceito de Inconsciente em geral. [...] Uma camada mais ou menos superficial do inconsciente é pessoal. Nós a denominamos, inconsciente pessoal. Este porém repousa sobre uma camada mais profunda, que já não tem sua origem em experiências ou aquisições pessoais, sendo inata. Esta camada mais profunda é o que chamamos inconsciente coletivo. Eu optei pelo termo “coletivo” pelo fato de o inconsciente não ser de natureza individual, mas universal.
A teoria dos arquétipos é de grande importância para a concepção global da psique proposta por Jung. Dra Nise da Silveira em seu livro Jung: vida e obra, chama a atenção para a forma como este conceito junguiano tem sido objeto de confusão. Segundo ela: Há ainda quem continue repetindo que Jung admite a existência de idéias e de imagens inatas. É falso. Incansavelmente [Jung] repete que arquétipos são possibilidades herdadas para representar imagens similares, são formas instintivas de imaginar. São matrizes arcaicas onde configurações análogas ou semelhantes tomam forma. Jung compara os arquétipos ao sistema axial dos cristais, que determina a estrutura cristalina na solução saturada, sem possuir, contudo, existência própria. [...] Seja qual for a sua origem, o arquétipo funciona como um nódulo de concentração de energia psíquica. Quando essa energia em estado potencial, se atualiza, toma forma, então teremos a imagem arquetípica. Não podemos denominar essa imagem de arquétipo, pois o arquétipo é unicamente uma virtualidade. [...] A noção de arquétipo, postulando a existência de uma base psíquica comum a todos os seres humanos, permite compreender porque em lugares e épocas distantes aparecem temas idênticos nos contos de fadas, nos mitos, nos dogmas e ritos das religiões, nas artes, na filosofia, na produção do inconsciente de um modo geral- seja nos sonhos de pessoas normais, seja em delírios de loucos (SILVEIRA, 1997).
Para Jung os arquétipos se manifestam tanto no nível pessoal, através dos complexos, quanto no coletivo, através da cultura. Jung acreditava que era tarefa de cada geração o compreender de novo os conteúdos arquetípicos e seus efeitos ele dizia que “se não podemos negar os arquétipos, ou mesmo neutralizá-los, a cada novo estágio de diferenciação da consciência que a civilização atinge, confrontamo-nos com a tarefa de encontrar uma nova interpretação apropriada a esse estágio, a fim de conectar a vida do passado, que existe em nós, com a vida do presente, que ameaça dele se desvincular.
Os arquétipos estão relacionados aos instintos, assim como mente e corpo estão relacionados. Os instintos humanos têm sua origem no físico e ingressam na psique sob a forma de pulsão, pensamento, memória, fantasia e emoção. O ego é, em parte, motivado por instintos, e em parte por formas e imagens mentais. Os padrões arquetípicos e as pulsões instintivas estão tão intimamente ligados que se pode tentar reduzir uns a outros. O arquétipo tem caráter numinoso e, quando irrompem na consciência, é descrito como “espiritual”. As imagens derivadas dessa constelação arquetípica, têm extraordinário poder para influenciar a consciência de um modo tão evidente quanto os instintos identificáveis, especialmente o ego, podem ser possuídos e sobrepujados, mas mesmo rendendo-se tal experiência pode ser percebida como significativa. Segundo Stein (2006), mesmo “a vida pode ser sacrificada por imagens”, por exemplo a da cruz, a da bandeira, ou por idéias como o nacionalismo, patriotismo e lealdade para com a religião ou país. Assim, “o arquétipo representa o elemento autêntico do espírito, [...] mas de um espírito que não deve se identificar com o intelecto humano, o espírito que rege e orienta o ego e suas várias funções”. Jung falou sem rodeios que “o conteúdo essencial de todas as mitologias, de todas as religiões e de todos os ismos é arquetípico” Os arquétipos não são derivados da cultura, pelo contrário, para Jung as formas culturais é que derivam dos arquétipos.

pesquisa: renatabomfim