31/07/2008

sonetinho de gratidão

O Espírito descansa
depois de um tempo de tristeza
Relaxa e canta
admirando a natureza.

Sou tomada, algumas vezes
por uma nostalgia
lembro de dias mais felizes que esses
mas, logo, afasto tais fantasias.

O presente é dádiva,
é abertura ao inesperado é expansão
independenete de tudo, há vida!

O céu, da cor que esteja, é lindo!
e eu agradeço por tudo isso,
de todo o meu coração.

28/07/2008

amigos, por favor assistam a este vídeo, fez muito bem a minha vida, me ajudou a mudar hábitos espero que faça o mesmo por você!

A Amazônia perdeu o equivalente a um campo de futebol e meio por minuto em junho por conta do desmatamento, totalizando 612 km² no mês, informou o Imazon, instituto de pesquisa não-governamental dedicado a estudar a floresta. O desmate do mês de junho foi 23% maior do que o registrado no mesmo período de 2007. Em junho do ano passado, a floresta perdeu 499 km², segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon.

"Os dados mostram um desmatamento concentrado em regiões onde houve a expansão de novas fronteiras agrícolas", afirmou o pesquisador Adalberto Veríssimo, coordenador do Projeto Transparência Florestal do instituto. Segundo Veríssimo, o desmatamento no Pará é mais facilmente percebido em três áreas distintas: às margens da rodovia BR-163 para uso da pecuária extensiva; à beira da rodovia Transamazônica, por assentamentos e propriedades de pequeno e médio portes, voltadas sobretudo à pecuária; e na região de Marabá. "Em Marabá, as árvores são arrancadas para a produção de carvão para alimentar a indústria de ferro gusa"."A maneira mais eficiente de tomar conta da terra é desmatar, ainda que não se produza nada ali. Isso sinaliza que aquele pedaço de terra tem dono", explicou. "Muitas vezes, as pessoas desmatam essas terras na expectativa de vendê-las depois."


Amigos, este documentário fez a diferença na minha vida, é uma realidade muito triste mas que precisa ser encarada.


s e m e s p a ç o p a r a m o r a r

Casa, Construto real de tijolos preciosos onde o vento não te alcança lugar de gozar de felicidade e descansar, na casa és rei. Lar, Construto subjetivo sonho tecido com os fios de esperança que desde criança desejas concretizar Lá a brisa do amor te refresca e o contentamento enebria Em um lar és um com o o outro. A falta, maestrina da orquestra do mundo rege o coro que quer te desconcertar compassos esburacados tempo faminto e cansado e desencantado. Despertar, Fecha a caixa de Pandora e começa a construir faz a síntese busca a essência acha o teverdadeiro lugar conquista a casa-lar.

26/07/2008

Povo, tem lançamento de livro... (Sentido Inverso)


Amigos, nosso livro será lançado nesse domingo, digo nosso porque não é só meu, é uma antologia com poetas do Brasil inteiro. Infelizmente não poderei comparecer ao lançamento que será na Casa das Rosas em São Paulo. Vários assuntos me prendem estes dias à Vitória. Mas desejo desde já parabenizar cada poeta pelo feito e agradecer à editora ANDROSS, especialmente ao Edson Rosato, pelo carinho e seriedade com que trabalharam para que essa obra ficasse tão rica.

25/07/2008

Hoje é o dia nacional do escritor

A data foi instituída em 1960, após o sucesso do I Festival do Escritor Brasileiro Simone Tinti.
Bem, desejo um Feliz dia do escritor para TODOS aqueles que se dedicam a escrita, em especial aos poetas que são fonte de inspiração e interlocução vital para minha escrita nascente:
Luis Eustáquio Soares, Maria Lúcia Dal farra, Wilbett Oliveira, Hilda Hilst, Florbela Espanca, Cecília Meireles, entre outros e os teóricos que têm me levado a vislumbrar outras formas de pensar o mundo...

Gentileza, o Louco de Deus

Amigos, ha quase 10 anos trabalhando no campo da saúde mental, destes pelo menos 7 anos dedicados à clínica da psicose, nunca ví tanta lucidez, criatividade, e aceitação do outro. Assim como Gentileza nos inspiram O Bispo do Rosário, do Hospital Pedro II o Raphael, Adelina Gomes, Fernando Diz, aqui em Vitória o Genilson, a José benedito, entre tantos... Tratar "normótico" é barra, aprendí sempre muito mais com os "loucos".
"Sempre pregando a gentileza, sem cobrar nada, sem cobrar um vintém, [...] tudo na gentileza"
"É por isso que eu passo na Avenida Brasil, nas passarelas, tudo tem mensagens, e quem é que escreve? Essa mão aqui!"

"Ha muitos anos eu passo mensagens nas pilastras, nas passarelas, tudo por amor e vocês não sabem quem eu sou. Vocês estão cegos, estão com olhos abertos mas a luz divina apagada, não botam na cabeça que tudo o que eu faço, faço por amor"


"A natureza ta aí, dá terra para os filhos, dá alimentação, [...] o que precisa agora? administrar tudo o que la dá".

24/07/2008

Sêmen é uma obra plástica. Barro primordial que vai ganhando múltiplas formas no imaginário do leitor. Vozes de alteridade convidam a "romper os escombros, as sombras, as sobras', a "desenraizar-se das próprias raizes"e, "esboçar um vôo Ícaro". Versos curtos mas, com potência para tocar a alma de quem os lê.
Esta obra está sendo reeditada e poderá, em poucos dias, ser encontrada nas livrarias Logos e Cultura. Mas quem quiser se antecipar e adquiri o livro fresquinho, saindo do forno, é só entrar em contato com o poeta pelo endereço: wilbett@gmail.com

fica minha dica de leitura
Um forte abraço a todos
renata

22/07/2008

Entrevista concedida ao Letra e Fel pelo poeta Wilbett Oliveira

Wilbett Rodrigues de Oliveira nasceu em Umburatiba, MG, mas desde os doze anos mora em São Mateus, ES. É editor, escritor, poeta, ensaísta e professor de Faculdade do Sul da Bahia -FASB. Tem vários artigos e ensaios publicados em revistas científicas. Publicou: Partes (2003), Garimpo (2005), Nominal (2006), Sêmen (2007)e é editor responsável pela Revista Mosaicum.

Como foi a sua inserção no campo das letras, mais especificamente no da poesia?
Wilbett:A minha inclinação/excitação para a poesia começou com a recitação de textos de Drummond e Bilac nas séries iniciais.
Você é uma pessoa multifacetada. Escreve poemas, ensaios, artigos, faz a edição, divulga e vende os próprios livros. Como é lidar com estas interfaces do universo literário?
Wilbett:Essa “labuta” permite que o poeta desenvolva as habilidades para ler e escrever com visão mais crítica.
Como você avalia a recepção da poesia pelo público na contemporaneidade?
Indiferente, as pessoas, cada vez mais, se “enfurnam”. Mas a poesia luta contra o inatingível, para falar com Cortázar.
Você é o editor da Revista Literária Mosaicum. Como avalia a oferta de textos no campo da literatura quanto à critica e à multiplicidade de temas escolhidos?
Wilbett: Literatura e Educação são áreas em que há sempre uma diversidade temática. Os profissionais dessas áreas têm escrito muito mais que as outras. A Revista Mosaicum possui um rigor científico e, portanto, releva muito a discussão e/ou contribuição dos textos que publica.
Quando publicou seu primeiro livro de poesia, e como avalia o desdobramento de sua poética nas suas demais publicações?
Wilbett: Acho que foi em 1983. No início era apenas derramamentos confessionais. Depois disso passei um longo período sem escrever, pois achava tudo repetitivo. Em Nominal e Garimpo dominei a téchne. Ultrapassei as brincadeiras que podemos fazer com as palavras: gestos metalingüísticos. Aprendi com Valdo Motta que a poesia tem de dizer algo. Para mim, não há mais tempo para confissões e/ou coisas do gênero.
Quais as suas interlocuções e fontes de inspiração?
Wilbett: Fontes de inspiração não são mais necessárias depois de um determinado tempo. Poetas têm vislumbramentos. Prefiro “sacar” a poesia no momento mesmo em que desleio. Descontrução, talvez.
No livro Sêmen, você escolheu como epígrafe um verso de Afonso Romano de Sant’Anna que diz : “(...) é não dizer, que não-dizer é o que (dizer) venho”. Você poderia tecer algumas considerações sobre a forma como este verso atravessa o livro?
Wilbett: Para mim tudo já foi dito. Por isso, venho desdizer. Estou na fase de desconstrução (aquilo que Saussure chamou anagrama), revisitação do que não escrevi, ou melhor, do não-dito nos meus próprios textos e de outros poetas. Sêmen é algo que fertiliza por dentro, o não-dito, o escuro. É um gesto palinódico ou palingenético. O não–dito é o que se diz sem dizer por meio de uma sintaxe suspensa em que o sentido termina mesmo no momento em que se termina a leitura do poema. O sujeito poético em minha poesia assume outro conceito, não é apenas um eu lírico descomedido. Quero uma poesia que pulse (o uso dos verbos em sua forma nominal pressupõe ação) e que acorde o homem dessa condição de estar-no-mundo. Em termos de poesia, quase tudo já foi escrito. Então o caminho que nos resta é explodir as palavras para fazer jorrar delas versos desvelados. No mais, vou escrevivendo.
O site Poetas capixabas traz alguns poemas de Wilbett, confira.

21/07/2008

Corpo literal

Comeu o texto
até se entalar e,
lentamente o (di)geriu.
Deglutiu cada palavra:
ardor, úlsera, mágoa.

Bolos de frases
gargantearam,
dissolvendo-se
perigosamente.

Substâncias inauditas
correram pelo sangue.
Nada é estanque
no corpo literal.

20/07/2008

Educação ambiental em Vitória- Salve os ecochatos!

Amigos, saiu uma nota hoje no jornal A Gazeta (Caderno Dia-a-dia/ Segurança), daqui de Vitória (ES) com o titulo Inconsciencia ambiental. Ela traz à luz uma triste estatística que mostra como a população da região metropolitana de Vitória ainda conhece muito pouco, e se interessa ainda menos, pelas questões ambientais. Mas baseado em que eles dizem isso?
Bem, uma pesquisa realizada por alunos do curso de direito da UNIVIX, que ouviu 1.028 pessoas dentre as quais 42,5% com curso superior, mostrou que a população ainda não sabe a quem recorrer e o que fazer em caso de problemas ambientais. Muitas dessas pessoas não sabem se no decorrer do seu dia causam prejuízos ao meio ambiente e não levam em conta, por exemplo, a questão ambiental na hora de compar um produto. Esta pesquisa será apresentada pelos alunos da UNIVIX no I Encontro Latino Americano de Universidade sustentáveis, no Rio Grande do Sul. Bom, o mesmo jornal no caderno Economia, traz uma matéria página inteira sobre o promissor campo profissional que é o Ambiental, com o título: Nada de ecochato: procura-se especialista em meio ambiente.

Particularmente, acredito que todo profissional que realmente tem compromisso com a causa ambiental é um pouco ecochato. Você quer algo mais antipático que um cara ouvir dizer a verdade sobre os impactos da produção de carne para a natureza, sendo um fã incondicional de uma picanha gorda? Ter que escutar que, para se produzir em média um quilo de carne, 10 mil metros de floresta são desmatadas, 15 mil litros de água doce são gastas, fora que o descarte de vísceras, fezes, ossos, sangue, etc., são feitos nos rios e consome-se muita energia elétrica.
O consumo de água para além da criação do gado se extende para os processos de abate: sangria, escaldagem, depenagem, depilação, barbeação, evisceração, lavagem, etc.
Pois é, a carne tem um custo ambiental e esse custo não é computado no balcão do supermercado, quem paga é o meio ambiente! mas pra que saber disso, podendo comer a picanha na ignorância? talvez por isso o desinteresse com o meio ambiente, assim não haverá necessidade da pessoa se posicionar.
Fiquei muito feliz com a vinda de Nina Rosa ao ES, essa mulher muito especial, um exemplo de amor a vida e coragem na luta contra a crueldades contra a vida/meio ambiente. Ela é considerada por alguns uma ecochata, por falar verdades inconvenientes, por colocar o indivíduo frente a frente com a sua barbárie.
Eu tenho uma filosofia pessoal, se quero saber se uma atitude é correta, eu a imagino sendo praticada pela coletividade. Portanto acho que as áreas utilizadas como pasto poderiam ser utilizadas para a agricultura (por exemplo a familiar), não com monoculturas, como costumamos ver ao pegar qualquer estrada do ES. Enfim, ecochatianamente falando, reflitamos.
(os dados estatísticos sobre a criação de gado podem ser encontrados no site http://www.svb.org.br/)

19/07/2008

Nina Rosa no 5º Festival de Cinema Ambiental do Caparaó- ES

Queridos amigos,
Nina Rosa, fundadora do instituto de proteção animal que leva o seu nome (www.institutoninarosa.org.br), esteve no MoVA Caparaó, 5ª edicação do festival de cinema ambiental, Município de Muniz Freire, ES. Nina Rosa tem 64 anos e ha mais de 32 é vegetariana. Ela este nesse evento apresentando o ducumentário "A carne é fraca", que detalha o impacto do consumo de carne sobre a saúde e o meio ambiente, além, é claro para os aniamsi que são sacrificados indiscriminadamente e com muita crueldade.
Houve quem deixasse a tenda de exibição ao se deparar com as cenas de abate. Só um "humano" com coração de pedra não se emociona ao ver o desespero/ pânico no olhar dos animais na fila (corredor da morte) para serem abatidos, e depois abertos ainda vivos (pois é assim mesmo que acontece).
Houve também quem se revoltasse com as idéias da ativista que contra qualquer alimento ou produto de origem animal, incluindo medicamentos e remédios testados em animais. Nina diz que "a filosofia é simples" ela trata os animais como seus amigos, não os mata e não os come [...] respeito avida , desde a menor formiga ao paquiderme, portanto não mato nem barata". Ela defende que a carne não é primordial para nossa nitrição, pois não somos seres carnívoros e todos os nutrientes podem ser assimilados por meio dos vegetais. Nina é contra qualquer tipo de abate, afinal é uma vida que se destrói, e esse é um campo onde não há misericórdia. No documentário "A carne é fraca" Nina diz que as imagens foram feitas em abatedouros registrados, mas nem por isso as imagens deixam de ser chocantes.

Ela defende que para acabar com essa indústria da morte basta querermos

Maria Lúcia Dal Farra em entrevista

A POETISA MARIA LUCIA DAL FARRA nasceu em Botucatu, São Paulo. É professora doutora de Literatura Portuguesa e pró-reitora de Pós-graduação e Pesquisa da Universidade Federal de Sergipe. Publicou, entre outros, “O narrador ensimesmado”; “A alquimia da linguagem”; “Inquilina do Intervalo” e “Livro de auras”. É casada com o escritor Francisco J. C. Dantas, autor de “Coivara da Memória” e “Cartilha do Silêncio”, entre outros livros. O casal já esteve no RN algumas vezes, sempre participando de eventos literários, e travou amizades com o poeta Luís Carlos Guimarães, os escritores Oswaldo Lamartine e Humberto Hermenegildo e os jornalistas Woden Madruga e Tácito Costa.
Que espaço a poesia e a literatura ocupam em sua vida?
M.L.D.F. São ambas a minha própria vida. De um lado porque escrevo poesia, de outro porque ensino literatura.
O labor do(a) poeta necessita de que alimento? E quando falta...? M.L.D.F. Leitura cotidiana dos pares e abertura sensível para a experiência do outro e da vida. Nunca falta, se há alento e disposição. A solidão anima o(a) poeta? Como estar só diante de um mundo tão frenético? Como "ouvir o silêncio" no entorno?
M.L.D.F. A solidão é fundamento da existência. O bulício do mundo também. O aturdimento ajuda a ouvir o que não se percebe no silêncio.
Como definir a importância do ritmo em seus versos? Parece que você tem uma íntima relação com a música?!
M.L.D.F. Se a poesia te entra pelo ouvido, ela te toca a mente e te possui. A música (a melodia e o ritmo) abre uma senda de ramificações para o encantatório, região própria da palavra emprenhada, da palavra poética. Creio ter um ouvido privilegiado à custa dos meus familiares. Cresci, desde sempre, escutando meu pai tocar e cantar com o Angelino de Oliveira, o autor de “Tristeza do Jeca”, que é de Botucatu, minha terra natal. Além do violão, meu pai tocava a sanfona semitonada italiana de muitos baixos, que passou de geração em geração até chegar às suas mãos. Nela executava ópera e tangos e tarantelas, e aprendi a cantar com ele em dueto, desde pequenininha. Estudei piano pela vida afora e, ao mesmo tempo, canto lírico. Em 2002, recolhi as canções inéditas do Angelino (que meu pai já resgatara em volume) e acabei por gravá-las, acompanhada pelo meu primo Zebba Dal Farra, num cd duplo que se encontra fora de mercado.Me desviei da pergunta, afinal, e encomprido a resposta. Creio que cada poema pede um ritmo, uma melodia íntima que estabelece consonâncias e dissonâncias com meus pares (quando digo isso refiro-me a um extenso lastro de experiência de leituras) - os afetados por aquela escrita. Busco a música que aquela matéria me pede e que dialoga (de muitas maneiras) com outra obra que tenha tratado daquela questão ou por ela resvalado. Para mim, o poema é o lugar da mais profunda comunidade, muito embora seja solidão pura.
Sua poesia é permeada, em muitos momentos, por lembranças, memórias, inclusive de ancestrais familiares... O que a leva a se utilizar de tal matéria?
M.L.D.F. Bem, como descendente de imigrantes italianos, de um lado, e de andaluz casado com avó nativa índia, de outro, sempre procurei desbastar, em mim, a identidade que explicasse essa brasileirice. E precisava encontrar uma linguagem condizente com tal urgência que, sendo biográfica, era antes de mais nada poética, a de registrar, a meu modo, uma dicção de mulher brasileira fruto dessa mistureba – se é possível conseguir isso... Mas tentei, e foi assim que nasceu toda uma seção do “Livro de auras”, a Lição de casa, o que era um acerto de contas com a minha história pessoal ao mesmo tempo que um desafio enquanto poesia de comunicação numa época de perda da aura.
Sem a intenção de tocar exatamente na questão da existência - ou não - de uma literatura/poesia feminina, indago: Sobre que conteúdo da mulher você mais deseja se expressar e que mais a move na produção de sua obra? M.L.D.F. Sempre projetei escrever uma poesia que percebesse o mundo por um imaginário muito específico, o culturalmente feminino, já que sou feita desse barro – o que não impede um homem de fazer o mesmo, claro está. E nunca se tratou, para mim, de produzir apenas um olhar, mas uma fala, uma linguagem, e, na melhor das hipóteses, uma poética. Me interessa explorar essa linguagem até as últimas conseqüências, saber até onde posso levá-la por esse viés. Tratando de uma obra de arte ou de quaisquer trivialidades, sempre busco descerrar esse objeto por meio da digital feminina.Mas isso não quer dizer que a minha poesia dialogue apenas com poetisas, com mulheres. Posso assegurar que procuro ter direito de cidadania dentro de uma tradição poética em língua portuguesa, é verdade, que acata para si as experiências de outras literaturas de outras línguas e de quaisquer gêneros, pelo menos até onde posso alcançar.
Como se estabelece a convivência e a rotina literária e intelectual entre você e seu marido (escritor Francisco L. C. Dantas)?
M.L.D.F. Com a naturalidade de dois cúmplices amigos e amantes.
Quais os móveis remoto e imediato para o fazer literário?
M.L.D.F. Sabe que nunca me perguntei a respeito? Parece que desde que me entendo por gente sou assim, escrevo, canto, toco, me dedico profundamente às artes, adoro o teatro, o cinema, o ballet, a ópera, sem esquecer dos bichos. Não sei se porque sou filha de uma família absolutamente sensível à música e à literatura e fui criada nesse ambiente, ser poetisa e artista sempre foi da minha natureza mais profunda ou periférica. Desde criança que os meus e os da minha terra me têm assim e me vêem desse modo. E nunca fui outra coisa. Nunca fui boa em matemática ou em física, muito embora me hipnotizem essas teorias a respeito do universo e das forças que desconhecemos, o que me levou a estudar esoterismo, por exemplo, e isso ainda na década de setenta, e a me descobrir um pouco bruxa – daí meus gatos?! De resto, escrever sempre foi para mim uma urgência, uma maneira de eu me reconhecer criticamente, de me espelhar naquilo que faço, e de proclamar, a cada vez para mim mesma, uma nova existência. O que independe de estar ou não inserida nos trâmites pragmáticos que regem hoje a literatura, muito embora eu procure entrar em interlocução com estes na medida em que produzo declaradamente uma obra que se quer resistente ao consumo, arcando, pois, com toda a sorte de conseqüências – mercadológicas e (graças a Deus!) literárias...
Há uma delicada sensualidade em alguns de seus poemas. Qual o lugar do erotismo e da sexualidade em sua poesia?
M.L.D.F. Nem tão delicada assim em alguns deles, creio. Há, às vezes, um transbordo sensual, que pode vir tanto do motivo erótico do poema quanto da labuta amorosa entre as palavras no esforço de criar algo – o Breton não dizia que as palavras fazem amor entre si? Lembro-me de que lia, num encontro de escritores, uns poemas para uma ampla platéia, e que senti, com clareza, ir subindo a temperatura emocional dos ouvintes – e a minha, claro está. O poema produzia um não sei quê de muito envolvente que contaminava as pessoas, e pela primeira vez me dei conta de me comunicava com meus interlocutores reais de maneira plena. E experimentei essa doçura, esse mistério gozoso. E estou sempre em busca desse arrepio, desse frenesi que me permita entrar em entendimento profundo com o outro. As palavras permitem isso!
Que matérias podem ser objeto de um poema?
M.L.D.F. Digo com Herberto Helder que tudo é mesa para o poema.
As universidades ainda têm espaço para a criatividade e a arte? Não é a técnica, o método, e a extrema "racionalidade" que estão exageradamente predominando na produção acadêmica atual?
M.L.D.F. Essa pragmática governamental de determinar prazos para a preparação e defesa de mestrado e de doutorado, iguais e exíguos prazos para disciplinas de natureza tão diferenciada, traçando indiscriminadamente os mesmos critérios para matérias e esforços diversos, o que é de todo questionável – tem arrasado com a possível excelência da produção intelectual nas universidades. Tem interessado a tais órgãos fomentadores muito mais o número de produções do que a qualidade, de maneira que os nossos acadêmicos se fizeram aplicados de todo em locupletar o próprio currículo do que em produzir ensaios ou obras que se querem acima do comum - e isso é mau. Todavia (e eu ando muito por este Brasil afora como partícipe de bancas de tese e de concursos, e mesmo como assessora do CNPq), tenho testemunhado casos em extremo meritórios e, sobretudo, da parte de universidades humildes do Nordeste, que procuram crescer a partir de uma mui séria produção intelectual. Fiquei muito impressionada ultimamente, para citar um belo exemplo local, com o nível das letras na Universidade Federal do Piauí.
O que seria, no seu entender, um projeto literário que guarda "consistência"?
M.L.D.F. Bem, se é “projeto”, significa que ele se espraia para diante, que ele se futura, que ele se precipita para uma realização, que ele se adianta pronto a assimilar as intempéries do seu próprio impulso, reatualizando continuamente o previsto. Isso, por si só, já lhe confere uma consistência, se entendo bem a pergunta que me faz. Agora, se além de tudo, ele se enraíza dentro da tradição literária, ele troca figurinhas com os seus pares contemporâneos ou remotos, enfim, se ele procura sustentação própria, contestando a tradição ou aderindo criticamente a ela – penso que ele obterá a tal da “consistência”.
A literatura (a boa literatura) pode ser limitada por aspectos geográficos e/ou econômicos? Como se mexer, com o menor grau de risco, no atual mercado editorial brasileiro?
M.L.D.F. Claro que sim! Os aspectos geográficos e econômicos são fundamentos com os quais lida internamente a literatura, de uma ou de outra maneira. Ou ela os absorve nas suas próprias leis de produção ou se rende a eles e diz adeus às ilusões – não é à toa que Balzac, nos primórdios do processo de mercantilização desbragada da literatura, já pensava nisso. Agora, nessa empresa, não dá pra mexer com o menor grau de risco. Arrisca-se sempre tudo quando se bole com isso. Mas a literatura não é, também, uma experiência de limites?
O que (que obras, movimentos e/ou autores) o Nordeste tem hoje a oferecer à literatura nacional?
M.L.D.F. A pergunta é engraçada porque pressupõe que o Nordeste não seja literatura nacional. E sei de onde vem isso: o anátema que paira sobre os regionalismos nos fizeram crer que só algumas das coisas que produzimos aqui é que podem pertencer à literatura nacional.
A cena cultural e literária brasileira vive um bom momento?
M.L.D.F. Você diz bem: você diz “cena”, o que inclui certamente todo mercado cultural que compreende a literatura brasileira, e, portanto, lobbies e outros tipos de investimentos ou especulações mercadológicas. Porque ouço sempre os editores dizerem que esse mundo está se acabando, que a internet vai engolir o livro e blablablá, quando vejo editoras crescerem desmesuradamente e outras, é verdade, mudarem por inteiro os seus rumos para sobreviverem. Também vejo como entram nesse mercado brasileiro outras flâmulas, outros selos internacionais – pra bem? pra mal? O fato é que, segundo a minha própria experiência, nunca vi tanto livro no mercado, nas livrarias, livros que versam sobre quase tudo no mundo, inclusive sobre as próprias posições do mercado editorial. Não que sejam acessíveis os livros – estão a cada dia mais caros, muito diverso do que acontece, por exemplo, aqui bem perto de nós, na Argentina – e não por causa da diferença de cotação da moeda. Agora, o problema é que não sinto quase interesse pelo que se publica normalmente com essa fúria, pois que a qualidade, do meu ponto de vista, me parece suspeita – ou então não entendo mais nada de literatura. Tenho participado pelo segundo ano, como júri intermediário do Telecom Portugal, e fico a cada vez mais impressionada com a quantidade de livros inscritos para o prêmio – e aqueles que considero superiores raramente se encontram na lista final.
A cultura teve avanços com o Ministro Gilberto Gil? Você acredita na essencialidade, na importância do Estado para a produção e desenvolvimento da cultura de um povo? Ainda há necessidade de mecenato no nosso país?
M.L.D.F. Não sei dizer. Mas penso que a cultura não avança apenas graças à presença ou não de subsídios – acho que, por meio destes, ela se mostra mais, ela aparece e se torna mais transparente: tanto para o seu melhor quanto para o seu pior. Há muita manifestação cultural de péssima qualidade que eu vim a saber da existência através dos meios de comunicação oficiais ou graças ao presente “mecenato”, como você diz.Agora, pra mim, quanto mais o Estado se mantiver afastado das produções culturais, melhor é. Porque não há jeito: sua presença na arte é sempre interferência, e acaba por fazer pender a produção cultural pro lado donde sopra o vento, e o mecenato vira ingerência. Já assisti a muita “conversão” cultural porque, não há como negar, os fins passam a ser outros, de caráter puramente pragmático e político, e bem no mau sentido. Acho que devemos, sim, exigir do Estado, sempre e permanentemente, aquilo que nos é de direito!
Que importância você vê nas feiras, festas, bienais literárias? Acrescentam algo à formação ou confirmação do público leitor?
M.L.D.F. Quando a gente fala de feiras, festas, bienais literárias, fala de cultura de massa, e o conceito é outro – a mediania. Eu mesma, quando estive aí da última vez, fui surpreendida pelo interesse do público em geral, que supunha mais universitário e especializado, tal como o tinha encontrado antes, também aí, num evento muito menos concorrido e com muito menos estrelas. Só no momento em que me vi no palco (e uso de propósito essa palavra porque era disso que se tratava), compreendi que deveria ter feito outra atuação, muito mais voltada para memória e para os depoimentos pessoais, que propriamente para aquilo que eu havia me preparado, levando paper e tudo o mais. Acabei parecendo arrogante quando estava só de papel trocado. Tinha de mudar de faixa e de sintonia, e acabei ficando presa no modelito que tinha trazido e que pareceu aos meus pares de mesa um... espartilho. Mas, para a próxima me emendo, porque também sei fazer o que for necessário para entrar em entendimento com esse tipo específico de público, pois que conheço bem a importância de a gente chamar a atenção das pessoas para a cultura e, ainda mais, para a literatura. E, nesse caso, respondendo à sua pergunta, creio que eventos desse tipo ajudam a formar público leitor.
Que referências intelectuais e literárias lhe são mais caras? Quem merece ser lido ou relido no Brasil e no mundo?
M.L.D.F. Rilke, Lorca, Jorge de Lima, Francis Ponge, Graciliano, Walter Benjamin, Auerbach, Candido, Bosi, Bachelard, Carlos de Oliveira, Murilo, Cabral, Rimbaud, Herberto Helder, Fiama Hasse Paes Brandão, Robert Dierckx, Agustina Bessa-Luís, Clarice, Cecília – e esta ordenação é puramente aleatória, sendo que deploro muito não apreciar ainda aqueles autores que não cheguei a conhecer, mas que me aparecerão a qualquer momento, o que significa que esta lista permanece em aberto até o fim dos tempos. Descobri há pouco talentosas romancistas e contistas, a brasileira Adriana Lunardi e a portuguesa Inês Pedrosa, esta última também extraordinária cronista. A Gilka Machado é outra que precisa ser relida hoje em dia, mas parece que os herdeiros não deixam. Há um rapaz de peso, que admiro muito, o Marcos Siscar, que foi meu aluno na Unicamp, e que encontrei agora assim, poeta completo. Há outro grande poeta que precisa ser lido e relido, escritor extraordinário - Rubens Rodrigues Torres Filho. Prezo muitíssimo o poeta Luís Carlos Guimarães e o escritor querido Oswaldo Lamartine, ambos saudosos e do meu coração – que merecem leituras, merecem estudos, merecem publicações. Também um outro escritor pouco conhecido, o mineiro-goiano Carmo Bernardes, muito apreciado por Francisco, precisa fazer parte do regime de leituras desta língua portuguesa. Faltam muitos mais, dos quais hei de me lembrar quando der por encerrada a entrevista – e já então irremediavelmente ausentes desta lista, mas não da minha atenção.
Em que a aridez e o calor do Nordeste a motivaram a abandonar São Paulo por esta terra? M.L.D.F. Eu vim pra cá hipnotizada pela paixão. E isso não significa bem uma escolha, mas um fado – com letra e música... Depois que voltei a mim, que a paixão se transformou definitivamente em amor, aí, sim, me dei conta do que estava em volta, e passei para a fase da decisão de viver aqui. Ainda não sei se entendo alguma coisa do Nordeste, porque o repertório é imenso, e a cada minuto me extasio com outra e outra descoberta. E sou muito agradecida a este lugar, tanto quanto a sua terra enrijecida e devastada e nua o é à chuva que lhe descobre brotos e entranhas novas num repente, mal sente o toque da água a banhá-la. Muitas vezes me surpreendo assim aqui, em estado de seiva pulsante, de verdes buliçosos.
Você revelaria algum código secreto do escritor? Existem? O único código é ser fiel a si mesmo.L.O. Sobre que projetos tem se debruçado (na literatura e na vida)?
M.L.D.F. Ultimo um livro de poemas chamado “Palimpsestos”. Tenho no prelo, em Portugal, pela Quasi Editora, a edição das cartas de amor de Florbela Espanca, inéditas, provavelmente pronta para o final deste ano. Trabalho num projeto sobre o imaginário feminino em língua portuguesa, que relê vários escritores, e isso vai se transformar num livro. Tenho também vontade de reunir todos os meus escritos sobre a Florbela num volume, o que está no horizonte. E penso rever o meu trabalho “Esoterismo e poesia da modernidade”, deixado há séculos na gaveta, para publicação. Saiu também agora neste mês um livrinho meu sobre a Florbela pela 7 Letras do Rio. Por outro lado, lido agora com a questão de ser letrista de canções: estou preparando a letra em português para três canções de um extraordinário compositor americano, que é professor de jazz em Berkeley, o Ted Moore. Até o final deste ano sai um cd da Joésia Ramos, a nossa médica-musicista sergipana, com músicas de sua lavra (há apenas uma minha ali), e com letras minhas, na maioria (Francisco também coopera com uma), que registra a trilha sonora da peça “Os desvalidos”, baseada no romance de Francisco, e posta em cena pelo grupo “Emboaça” daqui do Sergipe. Estou feliz porque começo a participar mais ativamente de encontros e congressos enquanto poetisa e não mais como crítica literária, o que já é um acontecido. Vou para o México e para a Argentina dentro em breve para isso, e fiquei muito feliz em me ler em castelhano na recente “Punto Seguido”, em tradução de Claudia Bedoya, e na apresentação de Claudio Willer. Outra coisa boa foi participar da coletânea-catatau da Unicef, publicada no ano passado, “Las palavras pueden: los escritores y la infância”. Como não sou mediática e tampouco tenho agente literário e como sou como Francisco, desses seres solitários sem nenhuma relação com o marketing, penso que tais chamadas e publicações são de fato uma dádiva - assim como esta entrevista que você me destinou. E lhe sou muito grata por isso, Lívio.
Fonte:
Entrevista concedida pela poetida ao escritor Lívio Oliveira e publicada no site Substentivo Plural (http://www.substantivoplural.com.br/artigo.htm)

16/07/2008

Consumo consciente

Amigos,
Que coisa mais triste é ir no supermercado/ padaria/ qualquer buteco e ver as pessoas utilizando sacolas plásticas indiscriminadamente. Penso que não é por não se importarem com as questões ambientais, mas por ignorância. De alguma forma elas pensam que o lixo desaparece pelo simples fato de desaparecer de suas vistas. É o virus da indiferença e do "isso só se aplica aos outros".
Estou fazendo o seguinte:
Pego um carrinho de compras e dentro dele coloco uma daquelas cestinhas de carregar na mão, lá dentro eu coloco as frutas, as verduras, os legumes. Não há necessidade de utilizar as sacolinhas para logo depois, no caixa, colocá-las de novo dentro de outras sacolas e ao chegar em casa, ao guardar as compras, enviá-las todas para o aterro sanitário, para lá permancerem por mais de 400 anos. É tão simples, faz tão bem esse gesto de boa vontade. Outra coisa que costumo fazer é pegar uma caixa de papelão e destinar as frutas, legumes e verduras, aí não é preciso nem utilizar as sacolas que ficam no caixa. Na padaria a mesma coisa, nada de sacola, não há necessidade...
Quando eu trabalhei na prefeitura de Vila Velha, na secretaria de saúde, um amigo me disse: "Renata, Saúde se faz com sabão e boa vontade", se referindo aos estabecimentos que visitávamos como fiscal de saúde pública, cada restaurante, bar, clínica médica, motel, etc, que ganhavam nota máxima em sujeira. Enfim, vamos adotar um modo de viver mais ecológco, não porque está na moda (graças a Deus), mas porque não podemos fazer diferente, porque amor a terra, a vida, aos animais e a nós mesmo.
Um pensador que gosto muito o Edgar Morim fala que o homem não é um "pós-primata", mas um "super-primata" que desenvolveu variada habilidades, que "sua identidade biológica é plenamente terrestre uma vez que a vida emergiu da terra, de misturas química terrestres em águas turbilhonates e sob céus de tempestades". O homem e a terra são indissociaveis, mesmo que este, ilusioriamente, se veja separado e superior a ela. Morim fala mais, ele nos diz que "os átomos de carbono necessários a vida na terra, se formaram na forja furiosa de sóis anteriores ao nosso e bilhões e bilhões de particulas que constituem o nosso corpo nasceram ha 15 bilhões de anos, nos primórdios irradiantes do universo". Pois é amigos, que viagem, além de capixaba sou uma cidadã da terra e do também do cosmo. Que visão limitada nos mantém presos impedindo vislumbrar todo esse horizonte... Bem, é isso.

Possessão

Explosões sem fim
que reverberam.
Ecos dos meus sonhos.
Indecifraveis enigmas.
Trafego ocupado
na viela psiquica.

Labirinto por aí
com saudades do antes,
da origem,
do começo.

Reconheço o caos como sendo
a minha casa.
Nele não me perco.
Ele me pulsa e arremessa para o alto.

Ouço sinfonias dissonates,
vozes que falam do que não sabem,
mas que, mesmo sem qualquer intenção,
me impulsionam para fora
fincando meus pés no aqui e agora.

Posso dizer que estou
possuída por mim.

13/07/2008

Pedra da Cebola: tem gente precisando de corretivo...


Amigos do Brasil, imaginem um lugar lindo, com lagos, jardins, um relaxante espaço zen, onde os pássaros e vários outros animais passeam entre as pessoas, onde você pode ler um bom livro, fazer uma caminhada, assistir palestras, enfim... esse cantinho de sonhos é o Parque da Pedra da Cebola, que fica em Vitória no bairro mata da Praia bem em frente a UFES.
Ontem ao caminhar uma cena que me chamou a atenção, observei os funcionários da SEMAN esfregando, esfregando e lixando a pedra, tentando remover dela resíduos de corretivo escolar.

Conversei com os trabalhadores e eles me disseram que já passaram de tudo, thiner, ácido muriático e variadas lixas, mas nada consegue remover as manchas brancas, desse tal corretivo, da pedra. Um dos trabalhadores comentou que no dia anterior, enquanto faziam o mesmo trabalho, um estudante passou pelo local e mandou uma pérola: "pra que limpar se depois a gente vai sujar tudo de novo?".

Pois é meus amigos, esse é o perfil de alguns estudantes que encontramos por aqui, existem excessões, graças a Deus. Mas não só crianças e adolescentes (estudantes) que fazem esse tipo de bobagem, alguns adultos também dão o mau exemplo. Esses dias tinha um cara escrevendo com um prego numa árvore.

A Pedra da cebola vive cheia de gente em cima, para falar a verdade é uma sensação ficar lá, é lindo. Dá para ver a pista do aeroporto e os aviões chegando baixinho, a cidade e o mar completam o cenário ao fundo.

Há uma coisa na Pedra que eu não sei bem explicar, ela tem, além da beleza, uma energia, acho que é mágica, sempre que subo lá mudanças acontecem. Se um dia eu vir um duende sentado nela eu conto pra vocês.

Um funcionário me disse que a administração pensa em cercar a pedra. Será que esse é o caminho? Bem, a natureza não pode esperar que o homem se emende, que crie juizo e pare de destruir o que é nosso, o que é coletivo, o bem comum, essa preciosidade. Tirando esse triste episódio do corretivo, fica a alegria e o privilégio do acesso, em meio a cidade, a esse refúgio.

O que podemos fazer para que coisas assim não continuem acontecendo?????????????????????
Sites com outras fotos do Parque da Pedra da Cebola:

http://www.agrogemeos.com.br/pedra-da-cebola.html

http://crocha.multiply.com/photos/album/45/Parque_Pedra_da_Cebola