Caminho
entre a areia das certezas
e o mar agridoce que brinca
batendo potentes ondas
repentinamente
a tua língua me traga toda,
me puxa com força
estou dentro
Não luto e explodo
espuma dourada
Sou tua amante fecunda
tudonada
estendo as mãos ao horizonte e
sem limites
crio asas o olhos de sereia.
08/10/2009
06/10/2009
XI Congresso de Estudos Literários Pessoa, persona, personagem/ 2009
estão convidados!
Tema: UMA ORQUESTRA ESQUIZOFRÊNICA: A POLIFONIA ARQUETÍPICA NA OBRA DE FLORBELA ESPANCA
Florbela Espanca (1894- 1930) é uma persona dramatis que, por meio de seu lirismo, expôs parte da problemática da mulher do primeiro quartel do século xx em busca de identidade e expressão. Propomos examinar o aspecto polifônico e arquetípico da obra desta poeta,destacando que o coro formado pelas vozes advindas de sua obra traz à tona variadas e contraditórias personas femininas. Essa orquestra esquizofrênica revela o perfil frankensteiniano e trágico da obra de Florbela Espanca, por apresentar um mosaico de perfis femininos nitidamente irreconciliáveis, como os de Lilith, Eva e Maria. Para tanto, usar-se-á aportes teóricos dos seguintes pensadores: Mikhail Bakhtin, Carl Gustav Jung, Raymond Willians e Fredric Jameson.
palavras-chave: Polifonia. Arquétipos. Tragédia.
programação completa do congresso:http://www.prppg.ufes.br/ppgl/Programacao_Geral_do_XI_Congresso_de_Estudos_Literarios.pdf.
30/09/2009
Reabertura do Ateliê Fernando Diniz- Museu de Imagens do ICS/ RJ
Amigos, tive a honra de estagiar no Museu de Imagens do Inconsciente em 2001, foi uma experiência maravilhosa e uma oportunidade única de conhecer de perto o trabalho da Dra Nise da Silveira e as obras de Fernando Diniz, Adelina Gomes, Raphael, entre outros pacientes. Agora nos chega essa noticia maravilhosa, da re- abertura do ateliê de Fernando Diniz... Desejo a todos os amigos do Museu sucesso e que as obras de Fernando se tornem a cada dia mais conhecidas.
Site do Museu de Imagens do Inconsciente: http://www.museuimagensdoinconsciente.org.br/
Ave Paraíso
Amo a minha terra!
Canto de longe as serras plenas
os pássaros e as matas
Meus pés se deliciam e deslizam
na poeira da estrada
Caminho, caminho, errante,
em um nomadismo fascinante
Como é dificil parar!
Amo cada centímetro desse chão
cada fungo, cada inseto.
A sinfonia do tempo convida a meditar.
Esse cantão onde nasci
embriaga de cinza e verde meus olhos
nele estão as pedras mais valiosas
as tábuas dos mandamentos sagrados
que ensinam a amar cada pássaros solitário
e a aprender com outros vários
como é bom estar junto.
Sou um ser aberto e dobravel
uma fagulha angustiada quer fazer fogo e arder
e se multiplicar em brasas
acendendo as luzes de dentro da alma
brilhando até implodir
de felicidade rara.
Canto de longe as serras plenas
os pássaros e as matas
Meus pés se deliciam e deslizam
na poeira da estrada
Caminho, caminho, errante,
em um nomadismo fascinante
Como é dificil parar!
Amo cada centímetro desse chão
cada fungo, cada inseto.
A sinfonia do tempo convida a meditar.
Esse cantão onde nasci
embriaga de cinza e verde meus olhos
nele estão as pedras mais valiosas
as tábuas dos mandamentos sagrados
que ensinam a amar cada pássaros solitário
e a aprender com outros vários
como é bom estar junto.
Sou um ser aberto e dobravel
uma fagulha angustiada quer fazer fogo e arder
e se multiplicar em brasas
acendendo as luzes de dentro da alma
brilhando até implodir
de felicidade rara.
20/09/2009
16/09/2009
6ª MoVA Caparaó/ Alegre-ES
A 6ª edição da Mostra de Vídeos Ambientais (MoVA), este ano será em Alegre e contará com a presença de Paulinho Moska, Banda AM5, Aroldo Sampaio, Motivassamba, Choro de Minas, Canarinhos da Terra e Moxuara, entre outros.
Confira a Programação:
http://www.consorciocaparao.com.br/site/?p=253
Confira a Programação:
http://www.consorciocaparao.com.br/site/?p=253
Ecossocialismo: Novos valores para uma nova civilização
No Fórum Social Mundial de Belém se concluiu que as alternativas ao neoliberalismo e à construção do ecossocialismo não se engendram na cabeça de intelectuais ou de programas partidários, e sim na prática social, através de lutas populares, movimentos sindicais, camponeses, indígenas, étnicos, ambientais, e comunidades de base.
Para gestar tais alternativas exigem-se pelo menos quatro atitudes: A primeira, visão crítica do neoliberalismo. Este aprofunda as contradições do capitalismo, na medida em que a expansão globalizada do mercado acirra a competição comercial entre as grandes potências; desloca a produção para áreas onde se possa pagar salários irrisórios; estimula o êxodo das nações pobres rumo às ricas; introduz tecnologia de ponta que reduz os postos de trabalho; torna as nações dependentes do capital especulativo; e intensifica o processo de destruição do equilíbrio ambiental do planeta. A segunda atitude - organizar a esperança. Encontrar alternativas é um trabalho coletivo. Elas não surgem da cabeça de intelectuais iluminados ou de gurus ideológicos. Daí a importância de se dar consistência organizativa a todos os setores da sociedade que esperam outra coisa diferente do que se vê na realidade atual: desde agricultores que sonham lavrar sua própria terra a jovens interessados na preservação do meio ambiente.Terceira atitude - resgatar a utopia. O neoliberalismo não visa a destruir apenas as instâncias comunitárias criadas pela modernidade, como família, sindicato, movimentos sociais e Estado democrático. Seu projeto de atomização da sociedade reduz a pessoa à condição de indivíduo desconectado da conjuntura sócio-política-econômica na qual se insere, e o considera mero consumidor. Estende-se, portanto, também à esfera cultural. Como diria Emmanuel Mounier, o individualismo é oposto ao personalismo. Pascal foi enfático: "O Eu é odioso".
No seu apogeu, o capitalismo mercantiliza tudo: a biodiversidade, o meio ambiente, a responsabilidade social das empresas, o genoma, os órgãos arrancados de crianças etc, e até mesmo o nosso imaginário.
Sem utopias não há mobilizações motivadas pela esperança. Nem possibilidade de visualizar um mundo diferente, novo e melhor. Quarta atitude - elaborar um projeto alternativo.
A esperança favorece a emergência de novas utopias, que devem ser traduzidas em projetos políticos e culturais que sinalizem as bases de uma nova sociedade. Isso implica o resgate dos valores éticos, do senso de justiça, das práticas de solidariedade e partilha, e do respeito à natureza. Em suma, trata-se de um desafio também de ordem espiritual, na linha do que apregoava o professor Milton Santos, de que devemos priorizar os "bens infinitos" e não os "bens finitos". O projeto de uma sociedade ecossocialista alternativa ao neoliberalismo exige revisar, a partir da queda do Muro de Berlim, os aspectos teóricos e práticos do socialismo real, em particular do ponto de vista da democracia participativa e da preservação ambiental.
O ecossocialismo se caracterizaria pela capacidade de incorporar conceito e práticas de igualdade social e desenvolvimento sustentável a partir de experiências dos movimentos sociais e ecológicos, assim como da Revolução Cubana, do levante zapatista do Chiapas, dos assentamentos do MST etc. É vital incluir no projeto e no programa os paradigmas ora emergentes, como ecologia, indigenismo, ética comunitária, economia solidária, espiritualidade, feminismo e holística. Este sonho, esta utopia, esta esperança que chamamos de ecossocialismo, não é senão a continuação das esperanças daqueles que lutaram pela defesa da vida, como Chico Mendes e Dorothy Stang, dois lutadores cristãos que deram suas vidas pela causa dos pobres, dos explorados, dos indígenas, dos trabalhadores da terra e dos povos da floresta.
Texto escrito por Frei Betto.
14/09/2009
MMA realizará seminários on line sobre mudanças climáticas
Amigos, até o final desse ano o MMA estará realizando uma série de seminários sobre mudanças climáticas, estes serão transmitidos pela internet para todo Brasil. Dia 15 de setembro: discusão sobre vulnerabilidade e sobre impactos; dia 6 de outubro:"Instituições Internacionais de Mudanças Climáticas", dias 3 de novembro e 1º de dezembro: "Instituições Internacionais de Mudanças Climáticas". As inscrições devem ser feitas por e-mail, até as 11 horas do dia do evento. Para a região Sudeste, o contato é carlos.alves@mma.gov.br. Outras informações estão disponíveis em http://ead.mma.gov.br/.
09/09/2009
Andarilhos Capixabas: Volta na Ilha de Vitória (27, 5km)
Foi muito legal fazer este percurso, foram 5 horas e 30minutos de suor. Esta foi uma homenagem a nossa querida cidade de Vitória no dia em que completou 458 anos, Parabéns Vitória! Reportagem da caminhada no ES TV 1ª edição:Uma boa caminhada em homenagem a Vitória - 08/09/2009 http://gazetaonline.globo.com/index.php?id=/local/tv_gazeta/estv1/index.php07/09/2009
C. G. Jung e a Literatura
A literatura, de forma especial a poesia, faz parte da história tanto familiar quanto profissional de Jung. Conta-nos Bair (2006), sua biógrafa, que ao nascer, Jung foi batizado com o nome Karl Gustav II Jung, uma homenagem ao seu avô paterno, Carl Gustav I Jung. O avô de Jung era cidadão alemão, conhecido tanto por suas opiniões liberais, quanto pelas histórias que contava e que deram à sua biografia, tons ficcionais, entre elas, a suspeita de que era filho ilegítimo do poeta Goethe.
Na sua juventude, Carl Gustav I havia morado em Berlim, na casa de um editor chamado Geog Andréas Reimer, onde integrou um grupo de intelectuais do romantismo como Ludwig Tieck e os irmãos Schlegel.. A saber, August Wilhelm Von Schlegel foi o responsável pela tradução de Shakespeare para o alemão.
Doutor em medicina e ciências naturais, o avô de Jung, foi também, escritor de poemas e canções, algumas registradas no livro alemão de cantigas. Conta-se que foi muitas vezes persuadido a abandonar a medicina pela poesia, conselho que não seguiu, continuando a publicar suas obras anonimamente, sob o pseudônimo de Mathias Nusser.
O “K” foi uma atualização feitas pelos pais de Jung ao seu nome, mas ele optou manter o nome na forma original familiar, apenas uma das muitas identificações que mantinha com seu “abençoado avô”, que segundo ele, havia posto “um ovo muito estranho na sua mistura” (BAIR, 2006).
O “K” foi uma atualização feitas pelos pais de Jung ao seu nome, mas ele optou manter o nome na forma original familiar, apenas uma das muitas identificações que mantinha com seu “abençoado avô”, que segundo ele, havia posto “um ovo muito estranho na sua mistura” (BAIR, 2006).
Paul Jung, o pai de Jung II, estudara línguas orientais na Universidade de Göttingen, especializando-se em árabe e escreveu uma dissertação acerca dos comentários em hebraico do sábio do século X Jephel Bem Eli sobre o Cântico dos Cânticos de Salomão. Mas, contrariando a vontade do pai, Carl Gustav I, não trilhou uma carreira brilhante como erudito, tornando-se padre numa igreja reformada da Suíça. Este breve histórico familiar mostra o berço intelectual onde foi recebido o jovem Carl Gustav Jung, que estudava idiomas como o latim e o grego e ingressou, aos treze anos de idade, no estudo da filosofia.
Jung era um homem erudito, lera durante a sua vida escritores como A. E. Biedermann, que tratava do dogmatismo cristão, leitura levou-o diretamente a Schopenhauer, Meister Eckhart, santo Tomás de Aquino, a quem “desprezava”, Hegel, Kant e Nietzsche, Shakespeare, Heráclito, “com menor interesse” Pitágoras e Empédocles, mas, a poesia, esta lia “com paixão e prazer”.
A paixão pela obra de arte poética levou Jung a escrever, na maturidade, o livro O espírito na Arte e na Ciência, onde volta à atenção para os movimentos culturais, entre eles as artes plásticas e a literatura. Nessa obra Jung reconhece o desafio de fazer dialogar a psicologia analítica e a arte que, “apesar de sua incomensurabilidade”, compartilham uma “estreita relação” e acrescenta:
[embora a poesia pertença ao campo da literatura e da estética, esta possui grande força imagística] não pretendo de modo algum substituir tais pontos de vista pela perspectiva psicológica. Acaso o fizesse incorreria no pecado da unilateralidade que eu mesmo censurei. Não arrogo também apresentar uma teoria completa da criação poética, isso ser-me-ia impossível. As minhas explanações significam apenas meus pontos de vista, a partir das quais poderia orientar-me uma consideração psicológica do fenômeno poético (JUNG).
Ciente dos perigos de misturar campos diversos de saber sem levar em conta a especificidade de cada um, e de que a essência da atividade artística é inacessível para a psicologia, Jung (1991) advertiu para perigo das leituras reducionistas que, “inopinadamente”, desviam o interesse da obra de arte enredando-a “numa embrulhada labiríntica, [de] pressupostos psíquicos, tornando-se então o poeta um caso clínico”. Sob essa ótica a psicologia pessoal do poeta não explica a obra de arte. Jung acreditava que reduzir a criação artística às relações pessoais que o poeta mantinha com os pais ou a outros fatores como distúrbios psicológicos, não contribuia para a compreensão desta e reinterou:
Um poeta pode ter sido influenciado mais pela relação com seu pai, outro pela ligação com a mãe e finalmente um terceiro pode demonstrar, através de suas obras, traços inconfundíveis da repressão sexual; tudo isso pode ser atribuído tanto a neuróticos, como a todas as pessoas [ditas] normais. E assim nada de específico se apurou para o julgamento de uma obra de arte, na melhor das hipóteses ampliamos e aprofundamos o conhecimento dos pressupostos históricos. [...] Bom senso e parcimônia, podem resultar uma interessante visão geral de como a criação artística está entrelaçada com a vida pessoal do artista, por um lado, por outro, como ela se projeta para fora desse entrelaçamento (JUNG, 1991).
A paixão pela obra de arte poética levou Jung a escrever, na maturidade, o livro O espírito na Arte e na Ciência, onde volta à atenção para os movimentos culturais, entre eles as artes plásticas e a literatura. Nessa obra Jung reconhece o desafio de fazer dialogar a psicologia analítica e a arte que, “apesar de sua incomensurabilidade”, compartilham uma “estreita relação” e acrescenta:
[embora a poesia pertença ao campo da literatura e da estética, esta possui grande força imagística] não pretendo de modo algum substituir tais pontos de vista pela perspectiva psicológica. Acaso o fizesse incorreria no pecado da unilateralidade que eu mesmo censurei. Não arrogo também apresentar uma teoria completa da criação poética, isso ser-me-ia impossível. As minhas explanações significam apenas meus pontos de vista, a partir das quais poderia orientar-me uma consideração psicológica do fenômeno poético (JUNG).
Ciente dos perigos de misturar campos diversos de saber sem levar em conta a especificidade de cada um, e de que a essência da atividade artística é inacessível para a psicologia, Jung (1991) advertiu para perigo das leituras reducionistas que, “inopinadamente”, desviam o interesse da obra de arte enredando-a “numa embrulhada labiríntica, [de] pressupostos psíquicos, tornando-se então o poeta um caso clínico”. Sob essa ótica a psicologia pessoal do poeta não explica a obra de arte. Jung acreditava que reduzir a criação artística às relações pessoais que o poeta mantinha com os pais ou a outros fatores como distúrbios psicológicos, não contribuia para a compreensão desta e reinterou:
Um poeta pode ter sido influenciado mais pela relação com seu pai, outro pela ligação com a mãe e finalmente um terceiro pode demonstrar, através de suas obras, traços inconfundíveis da repressão sexual; tudo isso pode ser atribuído tanto a neuróticos, como a todas as pessoas [ditas] normais. E assim nada de específico se apurou para o julgamento de uma obra de arte, na melhor das hipóteses ampliamos e aprofundamos o conhecimento dos pressupostos históricos. [...] Bom senso e parcimônia, podem resultar uma interessante visão geral de como a criação artística está entrelaçada com a vida pessoal do artista, por um lado, por outro, como ela se projeta para fora desse entrelaçamento (JUNG, 1991).
O poeta na visão jungueana satisfaz as necessidades anímicas de um povo através de sua obra, e constitui para o autor, saiba ele ou não, mais do que o seu próprio destino pessoal. A interpretação da obra não compete ao poeta. Segundo Jung (1991, p. 93), “uma obra-prima é como um sonho que, apesar de todas as evidências, nunca se interpreta a si mesmo e nunca é unívoca”, portanto a interpretação não deve ser feita pelo poeta, mas “deve ser deixada aos outros e ao futuro”. O sentido da obra de arte poética só é alcançado quando o indivíduo se permite modelar por ela, assim como o poeta foi modelado, assim a obra tocará as regiões profundas da alma, onde os seres vibram em uníssono e a sensibilidade humana abarca a humanidade. Portanto, a obra de arte é ao mesmo tempo objetiva e impessoal.
pesquisa: renatabomfim
06/09/2009
O inconsciente coletivo junguiano
O inconsciente para a psicologia junguiana compreende inconsciente pessoal e inconsciente coletivo. São domínio do inconsciente , todos os conteúdos e processos psíquicos que não se relacionam com o ego. Para Jung o inconsciente “é a fonte das forças instintivas da psique e das formas ou categorias que as regulam, os arquétipos”. “Vasto e inexaurível” este campo da psique possui qualidades compensatórias, ou seja, eles compensam o ego consciente pois contém pois possuem elementos de auto-regulação da psique como um todo. Ao inconsciente Jung também designou uma função criativa, visto que é ele que apresenta à consciência conteúdos necessários à saúde psicológica.O inconsciente pessoal é a camada pessoal do inconsciente. Nesta instância psíquica estão as “memórias perdias, idéias dolorosas que são reprimidas (isto é, esquecidas de propósito), percepções subliminares e conteúdos que ainda não estão maduros para a consciência”, trata-se daquela parte da psique que contém elementos que também poderiam aflorar na consciência. As fronteiras entre o inconsciente pessoal e a consciência são imprecisas e a qualquer momento estes conteúdos podem se tornar conscientes. Quanto aos conteúdos do inconsciente coletivo, segundo Jung (1983), “não se encontram sujeitos a nenhuma intenção arbitrária, nem são manejáveis pela vontade, na verdade agem como se não existissem na pessoa – conseguimos vê-lo em nosso próximo, mas não em nós mesmos”.
O inconsciente coletivo é a expressão psíquica da identidade cerebral independente de todas as diferenças raciais. Jung chegou a este território analisando os sonhos e fantasias de seus pacientes, ele concebeu o seu conteúdo como uma combinação de padrões e forças universalmente predominantes, os arquétipos e instintos . Em sua concepção, nada existe de individual ou único nos seres humanos nesse nível, todos temos os mesmos arquétipos e instintos, e a individualidade deve ser procurada noutras áreas da personalidade. Em Arquétipos do Inconsciente coletivo (2006) Jung esclarece:
A hipótese de um inconsciente coletivo pertence àquele tipo de conceito que a princípio o público estranha, mas logo dele se apropria, passando a usá-lo como uma representação corrente, tal como aconteceu com o conceito de Inconsciente em geral. [...] Uma camada mais ou menos superficial do inconsciente é pessoal. Nós a denominamos, inconsciente pessoal. Este porém repousa sobre uma camada mais profunda, que já não tem sua origem em experiências ou aquisições pessoais, sendo inata. Esta camada mais profunda é o que chamamos inconsciente coletivo. Eu optei pelo termo “coletivo” pelo fato de o inconsciente não ser de natureza individual, mas universal.
A teoria dos arquétipos é de grande importância para a concepção global da psique proposta por Jung. Dra Nise da Silveira em seu livro Jung: vida e obra, chama a atenção para a forma como este conceito junguiano tem sido objeto de confusão. Segundo ela: Há ainda quem continue repetindo que Jung admite a existência de idéias e de imagens inatas. É falso. Incansavelmente [Jung] repete que arquétipos são possibilidades herdadas para representar imagens similares, são formas instintivas de imaginar. São matrizes arcaicas onde configurações análogas ou semelhantes tomam forma. Jung compara os arquétipos ao sistema axial dos cristais, que determina a estrutura cristalina na solução saturada, sem possuir, contudo, existência própria. [...] Seja qual for a sua origem, o arquétipo funciona como um nódulo de concentração de energia psíquica. Quando essa energia em estado potencial, se atualiza, toma forma, então teremos a imagem arquetípica. Não podemos denominar essa imagem de arquétipo, pois o arquétipo é unicamente uma virtualidade. [...] A noção de arquétipo, postulando a existência de uma base psíquica comum a todos os seres humanos, permite compreender porque em lugares e épocas distantes aparecem temas idênticos nos contos de fadas, nos mitos, nos dogmas e ritos das religiões, nas artes, na filosofia, na produção do inconsciente de um modo geral- seja nos sonhos de pessoas normais, seja em delírios de loucos (SILVEIRA, 1997).
Para Jung os arquétipos se manifestam tanto no nível pessoal, através dos complexos, quanto no coletivo, através da cultura. Jung acreditava que era tarefa de cada geração o compreender de novo os conteúdos arquetípicos e seus efeitos ele dizia que “se não podemos negar os arquétipos, ou mesmo neutralizá-los, a cada novo estágio de diferenciação da consciência que a civilização atinge, confrontamo-nos com a tarefa de encontrar uma nova interpretação apropriada a esse estágio, a fim de conectar a vida do passado, que existe em nós, com a vida do presente, que ameaça dele se desvincular.
Os arquétipos estão relacionados aos instintos, assim como mente e corpo estão relacionados. Os instintos humanos têm sua origem no físico e ingressam na psique sob a forma de pulsão, pensamento, memória, fantasia e emoção. O ego é, em parte, motivado por instintos, e em parte por formas e imagens mentais. Os padrões arquetípicos e as pulsões instintivas estão tão intimamente ligados que se pode tentar reduzir uns a outros. O arquétipo tem caráter numinoso e, quando irrompem na consciência, é descrito como “espiritual”. As imagens derivadas dessa constelação arquetípica, têm extraordinário poder para influenciar a consciência de um modo tão evidente quanto os instintos identificáveis, especialmente o ego, podem ser possuídos e sobrepujados, mas mesmo rendendo-se tal experiência pode ser percebida como significativa. Segundo Stein (2006), mesmo “a vida pode ser sacrificada por imagens”, por exemplo a da cruz, a da bandeira, ou por idéias como o nacionalismo, patriotismo e lealdade para com a religião ou país. Assim, “o arquétipo representa o elemento autêntico do espírito, [...] mas de um espírito que não deve se identificar com o intelecto humano, o espírito que rege e orienta o ego e suas várias funções”. Jung falou sem rodeios que “o conteúdo essencial de todas as mitologias, de todas as religiões e de todos os ismos é arquetípico” Os arquétipos não são derivados da cultura, pelo contrário, para Jung as formas culturais é que derivam dos arquétipos.
pesquisa: renatabomfim
A psicologia dos complexos, de Carl Gustav Jung

C. G. Jung observou uma multidimensionalidade na psique que, esta “está longe de ser uma unidade; pois é uma mistura borbulhante de impulsos, bloqueios e afetos contraditórios e o seu estado conflitivo” . Sob a ótica junguiana, o acesso à psique restringe-se até onde a consciência pode chegar, pois a experiência humana é limitada e, “nas margens, onde psique e soma se unem, e psique e mundo se encontram, existem nuanças de ‘dentro/ fora’, a estas áreas Jung chamou psicóides”. Esse mundo se expande com “colisões”, ou seja, conflitos, dificuldades, angústia, sofrimento, algumas dessas colisões são “catastróficas” para a psique, pois geram “tumulto emocional” e, na ausência de uma “estrutura coesa”, há a tendência para a dissociação. As colisões com a realidade desafiam o ego a relacionar-se com mundo. O mundo da consciência é marcado pela estreiteza e é, em si, fruto da percepção e orientação no mundo exterior, que tem seus conteúdos orientados a partir de um ponto de referência designado “ego”.
Derivada do latim, a palavra ego significa eu, e é em primeira instância, o portal de entrada da alma humana pois, a consciência do ego é per se, condição imprescindível para uma investigação psicológica. O ego é um agente individualizante, ele separa os seres humanos de outras criaturas e, estabelece uma intrincada rede de associações com a consciência, território de onde emerge como centro crítico (2006, p. 27- 28). Acerca dessa área da consciência Jung diz:
Derivada do latim, a palavra ego significa eu, e é em primeira instância, o portal de entrada da alma humana pois, a consciência do ego é per se, condição imprescindível para uma investigação psicológica. O ego é um agente individualizante, ele separa os seres humanos de outras criaturas e, estabelece uma intrincada rede de associações com a consciência, território de onde emerge como centro crítico (2006, p. 27- 28). Acerca dessa área da consciência Jung diz:
O que conhecemos é o nosso complexo de ego, que supomos ter o domínio pleno do corpo. [...] O ego é um aglomerado de conteúdos altamente dotados de energia, assim quase não há diferença em falarmos de complexo e complexo do ego. Pois os complexos tem um certo poder. Tudo isso se explica pela chamada unidade da consciência ser pura ilusão. É realmente um sonho de desejo. Gostamos de pensar que somos unificados; mas isso não acontece e nem nunca aconteceu. Realmente não somos senhores dentro de nossa própria casa. É agradável pensar no poder de nossa vontade, em nossa energia e no podemos fazer. Mas na hora H descobrimos que não podemos fazê-lo até certo ponto, porque somos atrapalhados por esses pequenos demônios, os complexos. Eles são grupos autônomos de associações, com tendência de movimento próprio, de viverem sua vida independente de nossa intenção. (JUNG, 1983, p. 67).
O ego é tratado por Jung como uma instância essencialmente psíquica, embora esteja em parte, assentado sobre uma base somática e sua liberdade seja limitada. O ego, especialmente na juventude, experimenta a ilusão de possuir grande autonomia e “livre-arbítrio”, mas o indivíduo está à mercê de sua estrutura de caráter e dos “demônios interiores”, tanto quanto da autoridade externa. “Os demônios da contradição conflitam com o ego” (JUNG, 2006). O “homem racional” base da sociedade ocidental, é impelido por forças psíquicas e motivado por pensamentos que não se baseiam processos racionais. Enfim, os indivíduos são impulsionados por emoções e imagens. Segundo Stein (2006, p. 41), sendo o mundo interior “terra incógnita” no seu tempo, Jung lança mão de ferramentas e métodos científicos para explorá-la, e “ele descobriu que ela está povoada”.
Muitos aspectos do pensamento de Jung estão em consonância com os de pensadores como Terry Eagleton e Stuart Hall no que tange a fragmentação do indivíduo. Pondo em prática a máxima dos estudos da pós-modernidade que, contraria as normas do iluminismo questionando as noções clássicas de verdade,“nós não podemos mais conceber o indivíduo como um ego íntegro, centrado, estável, acabado” (HALL, 1998).
Muitos aspectos do pensamento de Jung estão em consonância com os de pensadores como Terry Eagleton e Stuart Hall no que tange a fragmentação do indivíduo. Pondo em prática a máxima dos estudos da pós-modernidade que, contraria as normas do iluminismo questionando as noções clássicas de verdade,“nós não podemos mais conceber o indivíduo como um ego íntegro, centrado, estável, acabado” (HALL, 1998).
Os complexos
Os demônios interiores a que Jung se refere são denominados por ele “complexos”. Os complexos são “imagens ou idéias carregadas emocionalmente” e, “via régia” de acesso para o inconsciente” (SHARP, 1997). Possuidores de uma força de atração poderosa, os complexos funcionam como imãs, atraindo os conteúdos do inconsciente para a consciência. Mas eles chamam também para si, impressões do exterior que podem se tornar conscientes ao seu contato, caso não haja esse contato, tais impressões permanecerão inconscientes. “Os complexos são , então, personalidades parciais ou fragmentárias” (JUNG, 1983).
O termo “complexo” foi criado pelo psicólogo alemão Zieher, ampliado e enriquecido por Jung. Mais tarde este termo foi adotado e utilizado largamente no meio psicanalítico. A teoria dos complexos foi uma importante contribuição da psicologia analítica para a compreensão do inconsciente e de sua estrutura. Jung definiu os complexos estão localizados no inconsciente e são conteúdos que geram perturbações à consciência, por possuírem muita energia psíquica, eles constelam, ou seja emergem do inconsciente para a consciência, e a pessoa é ameaçada de perder o controle sobre suas emoções, e de certa forma sobre o seu comportamento, assim este mecanismo configura uma espécie de “possessão”. Segundo Sten (2006), “a energia do complexo [...] penetra na concha da consciência do ego e inunda-a” sob essa influencia a consciência perde, por completo, o controle da consciência.
Existem complexos familiares e sociais, que são coletivos, o que implica que, muitas pessoas estão psicologicamente ligadas de forma similar. Traumas são compartilhados e, muitas vezes, fazem parte de uma geração. Com a teoria dos complexos, Jung apresenta a existência de uma camada cultural do inconsciente, em parte individual, e em parte coletivo, por ser compartilhada com outros indivíduos. Mas este ainda não é o Inconsciente coletivo. Foi através da associação verbal que Jung descobriu fortes indícios de padrões semelhantes na formação de complexos entre membros de uma mesma família.
Existem complexos familiares e sociais, que são coletivos, o que implica que, muitas pessoas estão psicologicamente ligadas de forma similar. Traumas são compartilhados e, muitas vezes, fazem parte de uma geração. Com a teoria dos complexos, Jung apresenta a existência de uma camada cultural do inconsciente, em parte individual, e em parte coletivo, por ser compartilhada com outros indivíduos. Mas este ainda não é o Inconsciente coletivo. Foi através da associação verbal que Jung descobriu fortes indícios de padrões semelhantes na formação de complexos entre membros de uma mesma família.
Outro conceito importante na psicologia analítica é o de persona. Este termo é propriedade intelectual especial do próprio Jung, trazido do teatro romano, persona se refere à máscara utilizada pelo ator por meio da qual ele pode assumir variados papéis e identidades dentro do enredo dramático, uma espécie de “pele psíquica” que se interpõe entre o ego e o ambiente. Os vários papéis que uma persona assume no decorrer da vida têm uma base coletiva e, em certa medida, arquetípica. A persona é um complexo que possui alguma autonomia e não está totalmente sob o controle do ego. A Sombra é outro complexo funcional da psique a quem a persona resistirá, é o lado inconsciente das operações intencionais realizadas pelo ego e um problema psicológico, que só poderá ser resolvido se esta for integrada à consciência. Sombra e persona é um par clássico de opostos que figuram na psique como polaridades do ego, a integração de ambos “depende da aceitação pela pessoa de si mesmo, da plena aceitação daquelas áreas ou partes que não pertencem à imagem da persona”. Stein destaca que na psicologia analítica os opostos poderão ser unidos na psique através da intervenção de uma “terceira coisa”. Se os pólos são mantidos em tensão, uma solução surgirá se o ego puder livra-se de ambos e criar um vazio interior no qual o inconsciente possa oferecer uma solução criativa na forma de um novo símbolo que incluirá algo de ambos (STEIN, 2006).
Os complexos são materiais puramente psíquicos, elementos arquetípicos representáveis imageticamente. Essas imagens, variadas vezes referenciadas na obra de Jung como imago, seu correspondente em latim, elas definem a essência da Psique e podem ter alguma correspondência com imagens objetivas, mas, não devem ser confundidas com elas. Os sonhos, por exemplo, são formados a partir dessas imagens inconscientes acionadas pelos complexos. O que une os elementos associados do complexo é a emoção.
Com capacidade para irromperem subitamente na consciência e apossar-se das funções do ego, os complexos são alimentados com energia psíquica ou libido que é distribuída entre vários componentes da psique. A irrupção de um complexo significa que ele ficou mais energizado que o ego, que muitas vezes não é capaz de conter o seu influxo de energia. Esse assunto é tratado com profundidade no livro A energia psíquica de Jung (1999), onde fala que, “hipoteticamente admitida”, a energia vital fosse chamada libido, tendo em vista o emprego que tenciona-se fazer dela em psicologia, e “diferenciando-a de um conceito de energia universal, e conservando-lhe por conseqüência, o direito especial de formar seus próprios conceitos”.
Existem alguns complexos coletivos, gravitando em torno de questões de sexo, religião, dinheiro, poder, e que afetam quase todas as pessoas em menor ou maior grau, e podem redundar em ferozes descargas de energia, até mesmo em guerra, se provocados com bastante severidade. O nível energético de um conteúdo psíquico pode ser indicado por emoções e reações positivas ou negativas. Equiparam-se aos complexos, em termos de atração de energia vital, os símbolos que, segundo a psicologia analítica, emergem da base arquetípica da personalidade, ou seja, inconsciente coletivo, e são grande organizadores da libido. Para Jung o símbolo é a melhor expressão possível para algo que é essencialmente incognoscível, ou ainda não cognoscível, dado o presente estado da consciência. Os símbolos combinam elementos de espírito, instintividade, de imagem e pulsão. Os místicos falam sobre o êxtase da união com Deus como uma experiência orgástica, [...] a experiência do símbolo une corpo e alma num poderoso e convincente sentimento de integralidade.
Os complexos são materiais puramente psíquicos, elementos arquetípicos representáveis imageticamente. Essas imagens, variadas vezes referenciadas na obra de Jung como imago, seu correspondente em latim, elas definem a essência da Psique e podem ter alguma correspondência com imagens objetivas, mas, não devem ser confundidas com elas. Os sonhos, por exemplo, são formados a partir dessas imagens inconscientes acionadas pelos complexos. O que une os elementos associados do complexo é a emoção.
Com capacidade para irromperem subitamente na consciência e apossar-se das funções do ego, os complexos são alimentados com energia psíquica ou libido que é distribuída entre vários componentes da psique. A irrupção de um complexo significa que ele ficou mais energizado que o ego, que muitas vezes não é capaz de conter o seu influxo de energia. Esse assunto é tratado com profundidade no livro A energia psíquica de Jung (1999), onde fala que, “hipoteticamente admitida”, a energia vital fosse chamada libido, tendo em vista o emprego que tenciona-se fazer dela em psicologia, e “diferenciando-a de um conceito de energia universal, e conservando-lhe por conseqüência, o direito especial de formar seus próprios conceitos”.
Existem alguns complexos coletivos, gravitando em torno de questões de sexo, religião, dinheiro, poder, e que afetam quase todas as pessoas em menor ou maior grau, e podem redundar em ferozes descargas de energia, até mesmo em guerra, se provocados com bastante severidade. O nível energético de um conteúdo psíquico pode ser indicado por emoções e reações positivas ou negativas. Equiparam-se aos complexos, em termos de atração de energia vital, os símbolos que, segundo a psicologia analítica, emergem da base arquetípica da personalidade, ou seja, inconsciente coletivo, e são grande organizadores da libido. Para Jung o símbolo é a melhor expressão possível para algo que é essencialmente incognoscível, ou ainda não cognoscível, dado o presente estado da consciência. Os símbolos combinam elementos de espírito, instintividade, de imagem e pulsão. Os místicos falam sobre o êxtase da união com Deus como uma experiência orgástica, [...] a experiência do símbolo une corpo e alma num poderoso e convincente sentimento de integralidade.
pesquisado por renata
05/09/2009
A importância do feminismo para a emancipação da mulher e a inserção desta na ordem do discurso
A historiadora Michelle Perrot (1988) chamou a atenção para o fato de o feminismo ser difundido historicamente como um movimento social e não político, o que reproduziu a ideologia de que política não é assunto para mulheres. Outra idéia enraizada é de que a mulher foi excluída do trabalho. Como vimos nas postagens anteriores, a mulher não foi excluída do campo de trabalho, sua ação foi regulamentada pela ideologia dominante e seus lugares de atuação definidos. No século XVIII as mulheres tornaram-se potências produtivas domésticas, ao contrário dos homens que eram trabalhadores mercantis. As mais pobres produziam em casa, artefatos que eram vendidos no mercado, já as burguesas, trabalhavam para seus maridos, muitas vezes realizando os mesmos serviços que seriam muito bem remunerados, caso fossem homens. A condição da mulher desse período era a de prisioneira da família e sua mão de obra era não remunerada. A exclusão feminina do mercado de trabalho dava aos maridos operários, seguridade.O movimento feminista a partir de 1848, desbobrou- se em muitas direções despertando uma forte onda anti-feminista. Os sindicatos masculinos passaram a lutar para que as mulheres não tivessem acesso ao mercado de trabalho e contestavam a luta operária feminina tentando desarticular os movimentos organizados feministas, chegando a fazer greve quando mulheres eram contratadas. Os homens exigiam que o trabalho feminino fosse extinto, um problema que, segundo M. Guilbert (1982), “se colocava idêntico em todos os lugares”. Não podendo deter o avanço das mulheres, os partidos sexistas, passaram a criar legislações que limitavam a atuação do tempo da mulher no mercado de trabalho.
O movimento feminista foi um divisor de águas na historia de resistência da mulher, lançando base para conquistas que só se consolidariam no século XX. Além da luta por direito a educação e igualdade com o outro sexo, as mulheres do primeiro quartel do século XIX, se engajaram na luta pelos direitos dos menos favorecidos, assim, o movimento feminista se ligou à luta pelos direitos das minorias étnicas e pela paz. O principal veículo de difusão dos ideais feministas das mulheres de classe média foi a imprensa. As mulheres do século XIX “constituíram uma importante vanguarda dos movimentos sociais participando das doutrinas e movimentos revolucionários”. Segundo Karina Fleury, no século XIX a família tornou-se a instituição social “moderadora e modeladora da moral”, não agradava a igreja que as meninas fossem educadas em casa, as famílias de posse, tinham como alternativa, enviar as filhas “casadouras” ao convento, onde receberiam formação diferenciada das destinadas à vida religiosa, e aprenderiam latim e música; bem como a ler, escrever, contar, coser e bordar, educação, educação bem diferente da recebida pelos meninos, as meninas pobres não tinham acesso a educação.
A violência para com a mulher pode ter gerado uma nelas insegurança e medo, fatores que podem ter desencadeado o imobilismo. Percebe-se que algumas mulheres introjetaram os valores falocratas, e se tornaram uma espécie de guardiãs da moral e dos costumes, outras, porém, resistiram e passaram a se fazer ouvir. Reduzida ao âmbito privado a mulher do século XX, passou a defender e a supervalorizando a identidade que lhe foi conferida, de esposa e mãe, e foi desse lugar que ela esperava respeito e aceitação. A valorização do papel de mãe foi uma tática utilizada como mecanismo de controle da mulher do século XX.
Dentro deste panorama, que lugar ocupou a mulher que não se enquadrou nesse modelo? Perrot em Os excluídos da história (1988), relata que no inicio do século XX, a Europa foi tomada por um sentimento anti-feminista, poia a “nova Eva” reivindicava igualdade de direitos civis e políticos, o acesso a profissões intelectuais e recusava, justamente, confinar-se à vocação materna. Ela suscitou o fervor daqueles poucos que sonhavam com companheiras inteligentes e livres, porém, mais generalizadamente, o medo daqueles que temiam ser desbancados e viam nessa ameaça do poder feminino o risco de degenerescência da raça e de decadência dos costumes.
A inserção da mulher na ordem do discurso, fez com que a voz feminina, com seu discurso prenhe de subversão, passasse a ser alvo de normatização, o discurso feminino passou a ter que se submeter a determinadas regras de funcionamento, bem como, àquelas que os o pronunciavam. Sua circulação, e publico também passaram a ser monitorados e restringidos. Como afirmou Foucault (2006), “ninguém entrará na ordem do discurso, se não satisfizer a certas exigências, ou se não for de início, qualificado para fazê-lo. As mulheres burguesas, reivindicaram para si outros lugares, e embora não fossem consideradas qualificadas para outra coisa que não fosse parir e cuidar da casa e do marido, os seus textos, inicialmente escassos, passaram a circular. Um número representativo dessa produção limitava-se a “livros de cozinha, manuais de pedagogia e contos recreativos”. A mulher encontrava dificuldades em se fazer ouvir e, os homens, achavam natural, serem seus porta-vozes.
pesquisa: RenataBomfim
A violencia e o medo inviabilizando o discurso feminino
Morim em Terra Pátria (2005) nos faz saber que a terra tem aproximadamente 4 bilhões de anos. Arqueobactérias evoluíram para bactérias, proliferando na água, na terra, na atmosfera, formando em, aproximadamente, 2 bilhões de anos, a biosfera. Um salto no tempo, leva-nos para cerca de 500 milhões de anos, lá encontramos a terra com toda a sua biodiversidade formada: plantas, invertebrados, e vertebrados, entre esses, nosso ancestral distante, macaco que há cerca de 7 milhões de anos, havia se tornado bípede.O antropólogo Richard Leakey (1997), explica-nos que o processo evolutivo humano prosseguiu de maneira que a pré-história já estava em marcha acelerada quando há cerca de 2 milhões de anos, surgiu o Homo erectus, primeira espécie da família Homo. Este utilizava o fogo, fabricava instrumentos de pedra e, adotou a caça como forma significativa de subsistência. Eles viviam em uma organização social onde já havia a divisão do trabalho, os machos eram responsáveis pela caça, e a fêmea pela coleta de alimentos de origem vegetal.
Alguns críticos acham ingênuo o argumento de que a divisão sexual do trabalho, onde as tarefas e atuações eram definidas para homens e mulheres, foi a base da subordinação do sexo feminino, bem como contestam a tese dos historiadores dos séculos XVII e XIX, que defendem que a ideologia moderna de esferas separadas, a saber, pública e privada, tenha encarnado completamente na vida social, o que não nega a vinculação da mulher, a vida doméstica.
Leakey (1997) ressaltou que o crescimento do nível de complexidade social e o estabelecimento do homo erectus, antes nômade, marcou, há 35 mil anos, a passagem para o homo sapiens. Este salto evolutivo, não foi ocasionado por fator biológico, e sim produto da evolução cultural.
A escrita foi inventada há 6.000 anos e muito embora o homem andasse ereto a milhões de anos, foi a aproximadamente 25 mil anos que começou a produzir imagens. A análise da arte rupestre, sinais e estatuetas de osso e de pedra encontrados em cavernas, demonstram que a mulher possuía status igual ou superior ao homem nas sociedades primitivas. Mesmo sendo muito contestada, e não podendo ser provada, a teoria do matriarcado foi uma realidade simbólica, a mulher era a única fonte de vida pois, o homem desconhecia sua participação na fecundação, estes são indícios do prestígio mágico do feminino, as Deusas- mães. Vale destacar ainda que, no paleolítico a sociedade era nômade, não havia propriedade privada, cumulação, e embora esses povos já utilizassem armas para caçar, não foram encontrados indícios de guerra (MICHEL, 1982).
A opressão perpetrada à mulher no decorrer da evolução da sociedade, encontra respaldo no pressuposto foucaultiano de que os participantes das relações antagonizam-se, portanto, a violência apresenta-se como um importante dispositivo de poder masculino, do qual a mulher tornou-se alvo em potencial. A cotidianização da violência tem como resultados o terror e o medo. Qualquer que seja a intenção identificada como subjacente à violência, os seus efeitos são os mesmos: mulheres aprendem que devem ficar no lugar que lhes é designado cultural e socialmente. A violência pode engendrar o imobilismo, pelo fato de a experiência traumática passar a guiar ou influenciar as suas decisões. A insegurança, o medo e o imobilismo, técnicas de apropriação [do discurso] da mulher, permeiam a história desta.
Michel (1982), nos faz saber que foi entre 6.000 e 3.000 a.C., período que compreende o neolítico médio, que o status da mulher passou a sofrer profundas mudanças. Os seres humanos saíram das cavernas e se tornaram criadores de gado e fazendeiros, já eram capazes de construir dolmens e complexas cidades, como a Babilônia. Esse avanço tecnológico deve muito á participação feminina pois, atribui à mulher, além da invenção da enxada, a da fiação, da tecelagem, das primeiras cerâmicas, da criação de mós de pedra para triturar os grãos. Estes inventos fizeram com que a agricultura fosse possível e fixaram os nômades a terra, a agricultura gerou um excedente de alimentos e conseqüentemente, uma explosão demográfica. Desde então, a mulher deixou de ser vista como agente de produção agrícola, o fim da vida nômade, que a livrara do confinamento, lhe reservará a exclusão e o confinamento no seio da família patriarcal nascente.
O patriarcado é inegavelmente opressivo, tendo a explorar, roubando do homem a masculinidade madura e da mulher muitos dos seus atributos. O patriarcado, que teve suas bases firmadas no comércio e nas conquistas e na expansão comercial foi deixando para trás a agricultura e a religião matriarcal. A mulher passou a ser valor de troca, facilitando as alianças políticas. Ela perdeu o direito à propriedade e ao seu corpo, passando a ser designada a pertencer a alguém.
O primitivo não tinha conhecimento de sua participação na procriação, esta ciência, fez com que o homem reivindicasse para si o posto de criador da vida, restando à mulher, o papel secundário de receptáculo de sua semente. Foi o fim do monopólio das divindades femininas. A Deusa-mãe que por milênios reinou imperiosa, recebe um parceiro masculino, este deus, inicialmente lhe era subordinado, depois igual e, finalmente, soberano, o “pai do céu”. O fortalecimento do culto ao deus-pai, resultou no Deus onipotente das grandes religiões ocidentais, que trazia no seu bojo o germe da repressão e o entendimento da mulher como ser de segunda classe.
Os valores masculinos já podem ser vistos arraigados na polis grega, berço referencial da cultura ocidental. No Olimpo, Hera e Zeus, , orquestram um jogo de poder que se reproduzirá em todo panteão. Nessa sociedade, a mulher ocupa um papel ambíguo, os gregos julgavam as mulheres “incapazes de philia”, a amizade que nasce do amor, isso era só para os homens, e a passividade na cópula era o grande “pecado feminino”. Com o casamento a mulher preenchia duas funções sociais: servia como bem de troca e de comércio entre famílias, bem como para assegurava ao homem a progenitura. O lugar social da grega era no mais recôndito da casa, longe do público. Platão afirmou que “se a natureza não tivesse criado as mulheres e os escravos, teria dado ao tear a capacidade e fiar sozinho”. Percebe-se que a mulher não foi excluída do trabalho, mas sua participação foi regulada. Xenofontes, historiador e educador grego, discípulo de Sócrates, cujos preceitos influenciam até hoje a cultura ocidental escreveu: “Que [a mulher] viva sob uma estreita vigilância, veja o menor número de coisas possível, faça o menor número de perguntas possível”. O único registro histórico da resistência feminina na Grécia, remonta ao ano 625 a. C., quando a poetisa Safo, um centro para formação intelectual da mulher na ilha de Lesbos.
Em Roma o código penal legitimou a inferioridade feminina. Em 195 a. C. tem-se registro de mulheres recorrendo ao senado protestando a respeito de sua exclusão do transporte público, a defesa do senado Marco Pórcio Catão à recusa do clamor feminino adverte para o perigo de que as leis lhes alcancem com algum direito: “Lembrem-se do grande trabalho que temos tido para manter as nossas mulheres tranqüilas e para refrear-lhes a licenciosidade, o que foi possível enquanto as leis nos ajudaram, Imagine o que sucederá daqui por diante, se tais leis forem revogadas, e as mulheres se puserem, legalmente considerando, em pé de igualdade com os homens!Os senhores sabem como são as mulheres: façam-nas suas iguais, e imediatamente elas quererão subir às suas costas para governá-lo.
A ideologia patriarcal, tem ciência de que seu poder não está garantido ad infinitum, portanto, empenha-se em mantê-lo. Problemas vividos por mulheres de nacionalidade, cultura, religião, classe, raça e etnia, as mais diversas, mesmo vividos como individuais e privados, tem raízes comuns, portanto, vê-se a opressão infligida pelo sistema patriarcal às mulheres e a limitação seus horizontes, extensivo ao mundo hebraico. Moisés, ao receber de Deus- pai as leis, aboliu definitivamente o culto ao feminino e à natureza. Com a derrocada dos valores femininos, através da erradicação do culto das deusas pagãs, a inferioridade da mulher se fortificou no imaginário social desta cultura e religião, que foram as bases da religião cristã ocidental.
Roma triunfou ao derrotar a rainha egípcia Cleópatra. Na Grécia, emergiu helena, rainha de Tróia, sensual, adúltera e transgressora, representante do pecado e do mal, imagem da mulher que o cristianismo se incumbirá de sedimentar nos anos subseqüentes. A natureza instintiva, erótica e dinâmica do feminino, assim como sua natureza maternal representadas pelas poderosas deusas da antiguidade, não tem mais prestigio ou poder, e o deus masculino compartilha características semelhantes a dos homens. O devir histórico mostra como desde o mundo grego e hebraico até os tempos atuais, o sistema feminino vem sendo excluído da ordem do discurso e as mulheres oprimidas e desvalorizadas. Simone de Beauvoir (1961) descreveu como a imagem feminina construída pela cultura durante os séculos, reflete e perpetua a ideologia patriarcal, segundo ela: A literatura infantil, a mitologia, contos, narrativas, refletem os mitos criados pelo orgulho e os desejos do homem: é através de olhos masculinos que a menina explora o mundo e nele decifra seu destino. A superioridade masculina é esmagadora: Perseu, Hércules, Davi, Aquiles, Lançarote, [...] Napoleão, quantos homens para uma Joana d’Arc; e, por trás desta, a grande figura masculina de São Miguel Arcanjo! [...] Eva não foi criada para si mesma e sim como companheira de Adão [...]. As deusas da mitologia são frívolas ou caprichosas e todas tremem diante de Júpiter; enquanto Prometeu rouba soberbamente o fogo do céu, Pandora abre a caixa das desgraças. [...] A Virgem, acolhe de joelhos a palavra do anjo: “Sou a serva do Senhor”, [...] as santas declaram de joelhos o seu amor ao Cristo radioso. [A mulher] aprende que será feliz se for amada e para ser amada é preciso esperar o amor. A mulher é a Bela Adormecida no bosque, Cinderela, Branca de neve, a que recebe e suporta.
Houve momentos na histórica nos quais o feminino resgatou algum poder e autonomia no que se refere a atuação política. No século VIII, por exemplo, um decreto do imperador Carlos Mágno proibiu que meninos fossem instruídos em mosteiros, esse decreto possibilitou que meninas tivessem acesso à educação. A possibilidade de acesso das mulheres à educação culminou que estas tivessem um grau de instrução maior que o dos homens, foi um período em que o feminino voltou a ser valorizado e as mulheres resgataram uma liberdade até então esquecida. A participação dos homens nas guerras foi também um fator determinante para que estas pudessem se reinserir noutra forma de produção, que não apenas, a doméstica. Além das atividades determinadas socialmente como femininas, como tecer, bordar, costurar, as mulheres exerciam funções ditas masculinas como a serralheria e a carpintaria. Nas tribos que habitavam a Gália e a Germânia, sociedade tribais, viviam de forma comunitária, onde homens e mulheres compartilhavam o mesmo status. Este fato revela que a assimetria entre as relações foi reforçada e, perpetuada, a partir da criação de um novo mecanismo de exclusão e controle, o Direito.
O poderio feminino, conquistado por meio da educação incomodou, de forma que a igreja católica promoveu reformas que proibiram o acesso da mulher à educação. Foram universidades exclusivas para a educação masculina, anexas às igrejas, e às mulheres, restavam os precários ensinamentos que eram dados nos conventos. Tendo como únicas opções socialmente aceitas o casamento ou o convento, muitas mulheres optaram por rebelar-se. Algumas mulheres passaram a se agrupar, a morar juntas e a trabalhar nas cidades. A burguesia e a igreja responderam a essa insubordinação, criando leis que as julgavam juridicamente incapazes e simultaneamente, instituindo julgamentos por heresia, onde eram julgadas sob o pretexto de feitiçaria. Mulheres que viviam sozinhas, ou em grupos, viúvas que recusavam um novo casamento, solteiras ou separadas, eram as primeiras a serem acusadas de bruxaria e responsabilizadas, pela inquisição, por “atacar a força sexual dos homens, o poder reprodutor das mulheres e de agir com o objetivo de exterminar a fé”.
No Renascimento o poder era monopólio do clero e da nobreza, e se baseava na posse da terra. O genocídio feminino iniciado na idade média e geralmente descrito como “caça as bruxas”, teve seu apogeu nessa época, século XVI. Milhares de mulheres foram torturadas e assassinadas, o próprio discurso científico nascido nesse período está impregnado por este estigma. Alves e Pitanguy (2007) declaram que é difícil recuperar os traços da resistência feminina, dado o silêncio que encobre o fenômeno. O discurso masculino, buscou respaldo no pressuposto de que a mulher se faz bruxa pela natureza, ou seja, pelo seu sexo, considerado impuro e maléfico. Exemplificamos este dado com o relato de um inquisidor que escreveu em 1583, acerca da menstruação: “mensalmente elas se enchem de elementos supérfluos e o sangue faz exalar vapores que se elevam e passam pela boca, pelas narinas e outros condutos do corpo, lançando feitiços sobre tudo que elas encontram”. O Malleus Maleficarum, documento compilado por frades dominicanos, foi o documento padrão que serviu para julgar e condenar mulheres acusadas de heresia, um fragmento de texto desse documento dizia: As mulheres são basicamente movidas pela intensidade do afeto e da emoção. Seus extremos de amor e ódio são gerados pelo clamor da carne, pela possessividade e pelo ciúme. Mai carnais que os homens, elas são, na verdade, sexualmente insaciáveis, vãs, mentirosas e sedutoras; só buscam o prazer, inclinam-se ao logro premeditado para atingir seus objetivos. Mental e intelectualmente inferiores, deficientes e débeis de corpo e mente, têm memória fraca, intelectualmente são como as crianças, supercrédulas, supersticiosas, exageradamente impressionáveis e sugestionáveis, língua solta, indisciplinadas, na verdade animais imperfeitos.
Cientistas ilustres e médicos renomados passam a descrever a mulher como um ser mutilado, inferior, este discurso encontra ressonância no discurso religioso. Intelectuais e humanistas também a estigmatizaram como inferior e impura. As parcerias dos poderosos foram se ampliando e transformando em rede, a igreja, fortalecida com a exclusão legal das mulheres dos cargos de poder, uniu- se a uma nova classe que surgiu do engendramento das cidades pelo comércio, os burocratas. Foi o golpe final em alguns direitos legais que as mulheres ainda detinham, novas leis foram criadas, foi proibida a sucessão real pela linhagem materna, e a mulher não tinha mais direito algum de gerir seus bens e nem à independência econômica.
O genocídio perpetrado às mulheres pela inquisição, só chegaria ao fim no século XVIII, mesmo século em que, amparados por uma antiga idéia romana de fragilitas sexus, foi decretada a morte civil das mulheres na família e na sociedade. A ética burguesa apoiava-se na idéia de que lugar de mulher era em casa, dedicando-se as funções domésticas, essa mentalidade gerou a filosofia de que as mulheres não são nem indivíduos e nem cidadãs do estado nacional. As produções científicas e artísticas realizadas por mulheres nesse período eram assinadas por pais, maridos, irmãos, que passavam a ter direito sobre toda e qualquer a produção feminina.
O início da era colonial que se ancorava na guerra e na escravidão e baseava sua economia na indústria, foi um processo que se estendeu e solidificou até o século XIX. Nesse período, a condição das mulheres degradou-se ainda mais, principalmente das mulheres dos países pobres e colonizados. A divisão do trabalho acentuou aumentou a distancia entre homens e mulheres, reduzidas ao lar, excluídas da produção mercantil, fossem julgadas “ociosas”, o que gerou um desprezo por parte dos homens. As mulheres que trabalhavam restavam empregos cada vez mais mal pagos, panorama que fez surgir, no século XVII, vários movimentos de resistência feminina no mundo.
pesquisa: renatabomfim
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