I.
Eu
preciso dizer
Antes
que os pássaros
Se
calem.
II.
Perdoa-me
por pensar em morte,
Quando
a vida urge ao nosso redor.
Por
despertar o fantasma da finitude,
Enquanto
ainda estamos embriagados
Pelo gozo.
Perdoa por essa escuridão intraduzível
Que
habita o meu peito:
Poço sem fundo,
Labirinto
de Minotauros anões.
Perdoa-me
por ser poeta,
E por não ser uma apenas.
Por
este nó na tua garganta,
Esfinge a te devorar.
Perdoa-me...
III.
Quando
estou feliz
Da
vida,
Logo
fico triste.
Ah, consciência!
A
felicidade não existe,
É
pura ficção.
IV.
Passei
por Portugal,
Espanha
e África
Como
uma borboleta...
Posei
aqui, ali,
Bebi néctares,
(anonimamente)
Mas,
estou satisfeita!
Trouxe
para a poesia
Aromas
e pólen.
V.
Não
quero falar de mim,
Quero
esquecer que existo,
Quero
esquecer de falar,
Não
quero falar esqueci.
VI.
Sou
um herói derrotado,
A caricatura
de Dom Quixote,
Uma
farsa!
Os
castelos que defendo são de areia,
São feitos de palavras os meus combates,
O
espólio da minha derrota:
A
dignidade!
O
castigo a mim infligido:
Banimento
para os campos
Da
realidade.
VII.
Não
posso estar aqui,
Não
permitem.
Não
posso sentar á mesa e
Nem
rir da piada ridícula.
Não
posso levantar a cabeça
Nem
antes e nem depois.
Vivo
o interstício da noite fria.
VIII.
Silêncio,
Deixa
eu ouvir
O som da noite,
Ser
o orvalho da flor
Ressequida.
O
tempo logo trará o sol
Na carruagem de
ouro,
E
com ele o momento
Propício
para a tua voz.
IX.
Ah!
Se eu pudesse me desfazer,
Ser
este nada que ocupa o universo,
Essa
coisa sem nome, endereço,
Sem
haveres...
Eu
seria um lampejo de devir.
X.
Meus
olhos vêem o que
Nenhum
outro vê.
Escuto
os sussurros do silêncio,
Tateio
o infinito.
O
escuro abissal é meu espelho.
XI.
O
meu homem
Escuta
versos,
Põe
fé na minha filosofia,
Traz
café na cama e
Afaga
os meus cabelos.
O
meu homem diz:
Bom
dia!
Mas,
se irrita quando
Falo
de morte...
Ele
cuida do meu gato
Rega
a laranjeira.
E
para mudar o tempo
Faz
amor com todas
As
mulheres que eu sou.
XII.
Os
campos de Évora
Parecem
salões de baile,
Onde
as oliveiras rodopiam
Leves
e brejeiras
Ao
som do vento.
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