22/11/2013

Ofertório

Dedicado a Ana Luisa Vilela

Quantos cais,
Quantas despedidas,
Os olhos da noite espreitam
Os meus passos.
Sou a pomba da paz
Pintada por Picasso,
Mas, com asas feridas.
A flor de Guernica resistindo
Entre escombros à falsa ordem,
Cinza, pó e nada... Sou a nuvem
Que se precipita sobre o jardim
Regando rosas e ervas daninhas.
Quantos ais, quanta dor,
Lágrimas formam rios de sangue,
A agonia de milhares de vidas
Desperdiçadas, vítimas do ódio,
Da intolerância, me assombra.
Rasgo o peito e arranco
Um fiapo de esperança.
Estendo as mãos
Para quem quiser segurá-las.
Ergo preces aos céus,
À terra entoo cânticos,
E a todos os seres, indistintamente,
Oferto o meu amor em forma de verso.


RB
Viajando de Lisboa para Coimbra, 20-11-2-13

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