Amigos internautas,
que alegria a minha e que
privilégio ter conhecido pessoalmente a escritora portuguesa Maria Teresa
Horta, jornalista, poeta e co-autora das Novas cartas portuguesas. Encontramos-nos em um delicioso café no Campo Pequeno, onde a escritora reside, enquanto estive em Lisboa como bolsista da CAPES. Estava conosco o amigo Fábio Mário e o meu marido Luiz. A escritora me falou um pouco sobre si, sobre poesia, e sobre a sua mais
recente obra, o poemário A
Dama e o Unicórnio. Esta obra foi
inspirada na tapeçaria medieval La
Dame à la Licorne, que está exposta no Museu de Cluny, em Paris. Esta é uma
obra enriquecida por parcerias, com António de Sousa Dias e Ana
Brandão ela transita pela literatura, música, performance e
artes visuais, tendo como aporte os meios tecnológicos.
Vê-se logo de saída que
este é um livro diferente, e assim como a tapeçaria que o inspirou, ele foi
criado nas tramas do desejo e do tempo: é a concretização de um projeto sonhado
durante mais de 20 anos pela escritora. O
livro foi editado pela D. Quixote e possui 72 poemas divididos em oito cantos:
‘Arte e Ofício’, ‘As Personagens’, ‘As Tapeçarias’, ‘O Mito’, ‘À mon seul
désir’, ‘A Sedução’, ‘Posse’ e ‘A Eternidade’. A capa dura, as
folhas em papel couché ora vermelho, ora cinza e branco, e um CD com os poemas
caprichosamente gravados dão forma a um dos livros mais bonitos feitos em
Portugal ultimamente.
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- Tendo, igualmente «sequiosa», provado o sangue do Unicórnio, a Dama entra na Eternidade. E com esta advém a consciência da «fala sem mundo», essa concepção horteana da condição feminina, temática que MTH desenvolve extensa e inovadoramente no penúltimo e longo poema do livro. Eis um trecho significativo sobre «o embuste, o passado que a rodeia e a leva a repetir-se numa infindável e incomensurável cadeia», a partir de uma repetida interrogação de Geneviève de Nanterre:
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O que faço da minha eternidade?
Pergunta de novo a si mesma
E ao ver-se agrilhoada ao Unicórnio
ela entende o embuste, o passado
que a rodeia e a leva a repetir-se
numa infindável e incomensurável cadeia
Peregrina, tal como Helena de Tróia
foi um dia na Ilíada de Homero
essa imensa e intocável epopeia
onde a paixão e o ódio se degladiam
«Não sei quando começaram os suspiros
os murmúrios, os clamores, as vozes
e as tantas memórias obscuras e alheias,
Não sei quando começaram os meus êxtases
As visões, os gritos e os gemidos»
- um chamamento antigo tantas vezes
multiplicado quantos nela têm sido os tempos
Os dias dos meses e dos séculos que
já deixou de contar, de conter, de entender.
( trechos de poemas e foto de «A Dama e o Unicórnio»)



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