26/12/2025

96 ANOS DE HISTÓRIA LITERÁRIA: FOTOBIOENTREVISTA COM NEIDA LÚCIA MORAES (Renata Bomfim e Vitor Cei)

 


Neida Lúcia Moraes nasceu em Vitória (ES), em 12 de junho de 1929. Segunda mulher a ingressar na Academia Espírito-Santense de Letras, começou a escrever ainda na infância — histórias e poemas que recitava na escola — e, ao longo de quase um século de trajetória, que alia estética literária e historiografia documental, destacou-se entre os grandes nomes da nossa literatura. 

Historiadora formada pela Universidade Federal do Espírito Santo e professora aposentada da instituição, consolidou-se como referência na historiografia do estado, com livros didáticos como O Espírito Santo é assim: panorama histórico, econômico e geográfico do Estado (Artenova, 1971) e Espírito Santo, esta é a sua terra no Brasil (Lisa, 1973), este último adotado em toda a rede oficial de ensino do antigo 1º grau.

Como escritora de ficção, publicou Olhos de ver (romance, Editora Pongetti, 1967), obra premiada pelo Instituto Nacional do Livro; Sete é número ímpar (romance, com prefácio de Austregésilo Athayde, Artenova, 1971); O mofo no pão (Lisa, 1984); O sentido da distância (Lisa, 1985); Simbiose (Lisa, 1987); À sombra do holocausto (2010), que reúne O mofo no pão e O sentido da distância; em 2016, entretanto, a autora substituiu o título À sombra do holocausto por O tempo entre sombras, e A fúria do vento (2018). Também publicou crônicas e artigos em jornais capixabas e portugueses.  

No conjunto de sua produção, observa-se um projeto ético-estético que combina a imaginação narrativa ao exame de documentos e fatos históricos, especialmente relacionados ao Espírito Santo. Essa articulação entre literatura e história confere às suas obras um lugar singular, tanto no panorama da ficção brasileira quanto no da literatura regional, ampliando horizontes de recepção e problematizando silenciamentos de gênero, classe e região.

Revista Fernão- texto integral.

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