Neida Lúcia Moraes nasceu em Vitória (ES), em 12 de
junho de 1929. Segunda mulher a ingressar na Academia Espírito-Santense de
Letras, começou a escrever ainda na infância — histórias e poemas que recitava
na escola — e, ao longo de quase um século de trajetória, que alia estética
literária e historiografia documental, destacou-se entre os grandes nomes da
nossa literatura.
Historiadora formada pela Universidade Federal do
Espírito Santo e professora aposentada da instituição, consolidou-se como
referência na historiografia do estado, com livros didáticos como O Espírito
Santo é assim: panorama histórico, econômico e geográfico do Estado (Artenova,
1971) e Espírito Santo, esta é a sua terra no Brasil (Lisa, 1973), este último
adotado em toda a rede oficial de ensino do antigo 1º grau.
Como escritora de ficção, publicou Olhos de ver
(romance, Editora Pongetti, 1967), obra premiada pelo Instituto Nacional do
Livro; Sete é número ímpar (romance, com prefácio de Austregésilo Athayde,
Artenova, 1971); O mofo no pão (Lisa, 1984); O sentido da distância (Lisa,
1985); Simbiose (Lisa, 1987); À sombra do holocausto (2010), que reúne O mofo
no pão e O sentido da distância; em 2016, entretanto, a autora substituiu o
título À sombra do holocausto por O tempo entre sombras, e A fúria do vento
(2018). Também publicou crônicas e artigos em jornais capixabas e portugueses.
No conjunto de sua produção, observa-se um projeto ético-estético que combina a imaginação narrativa ao exame de documentos e fatos históricos, especialmente relacionados ao Espírito Santo. Essa articulação entre literatura e história confere às suas obras um lugar singular, tanto no panorama da ficção brasileira quanto no da literatura regional, ampliando horizontes de recepção e problematizando silenciamentos de gênero, classe e região.
Revista Fernão- texto integral.
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