Eu gosto das máquinas:
máquina de lavar,
máquina fotográfica,
máquina de fazer macarrão,
torradeira,
televisão,
Celular.
Mas eu amo quem tem coração.
Amo o olho que espelha
quando me fita
afirmando que somos viventes,
presentes.
Os bravos e as bravas que estendem
teias de luz por aí,
que derramam o seu amor
oferecendo pão, vida,
tornando o estar aqui suportável.
Amo quem é inteiro mesmo que lhe falte
uma parte.
Quem pinta com a boca, se maquia com os pés,
são doutores e doutoras sobre o mistério
da ligeira- grande jornada,
Obrigada por existirem e resistirem
fluindo no contra-fluxo.
A força não vem do braço,
estar de pé não vem da perna,
estar aqui não é questão de lugar.
Obrigada bicho, planta e gente,
que tem e oferta
CORAÇÃO.
(Junho (2026)/ Renata Bomfim)

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