01/09/2010

XII Congresso de Estudos Literários:Leitor, Leitora: Literatura, Recepção, Gênero

Ao considerar que o texto se faz no ponto de encontro entre escrita e leitura e ao questionar a polarização entre os espaços e limites dos gêneros masculino e feminino nas marcas de leitura o XII Congresso de Estudos Literários - Leitor, Leitora: literatura, recepção, gênero propõe discutir a possível associação dos conceitos de leitura e gênero a funções receptivas. Acabei de recber o aceite da minha proposta de apresentação, segue:

Rompendo o silêncio e a clausura: Florbela Espanca e a ‘Função feminino’

Renata Bomfim
Doutoranda em Letras, Ufes/FAPES
Uma breve visada histórica revela que em variadas épocas a mulher teve o seu papel definido, bem como, o seu perfil delineado e a sua forma de ser e de agir normatizadas pelo homem, a isto denominamos, Função feminino. Propomos esta designação tomando como molde a Função autor foucaultiana que mostra como os textos passaram a demandar autoria na medida em que o autor podia ser identificado e punido e os discursos transgressores cerceados. Analisaremos como a Função feminino torna-se emblemática no estudo da poética de Espanca (1894- 1930), cuja obra foi submetida a um rígido controle social na sua época. Estaremos lançando um olhar sobre o discurso feminino que se apresenta como contra-poder ao discurso dominante, masculino, sobre a recepção da obra de Espanca e sobre os preconceitos e estratégias que durante muito tempo excluíram a mulher da literatura. Examinaremos também a nascente da pecha que, ainda hoje, paira sobre o termo poetisa. Os aportes teóricos serão: Michel Foucault, Michelle Perrot, Mikhail Bakhitin, C. G. Jung, Marilena Chauí, Maria Lúcia Dal Farra, Octávio Paz, Fredric Jameson.
Palavras- chave: Feminismo, Florbela Espanca, Discurso.
Eixo temático: Texto: autoria, rótulo, estigma.

31/08/2010

Prestando Contas

amigos, me comprometi a plantar uma árvore sempre que fizesse uma palestra sobre meu livro, bem, fiz uma palestra só, mas não resistí e plantei dois coqueiros, quinze pés de guando (aquele feijãozinho bom pra fazer farofa), um pé de jambo-anão, um pé de cereja da amazônia (produzindo), três mudas de rosa, uma delas com botão. Todas plantadas na Reserva natural Reluz, em Marechal Floriano, região serrana do ES.Seguem as imagens da roseira, dos coqueiros e minha, na cavoucação.

A rosa desabrochou...

30/08/2010

Alfascistas

Eita gentinha!
Caça, pesca, cozinha,
mas também comem cru.
Acha lindo ver o peixe sacudindo e
virando os olhinhos,
enroscado, ainda, na linha de pesca,
sufocando...
Não ouve o peixe gritando:
(alfascista é surdos)
"- me solte demente,
- me largue fominha".
Alfascistas, todos vocês!
Odeiam o verde!
Odeiam mais ainda as gentes
que adoram o verde!
Querem carne!
Querem sangue!
Querem polêmica!
Depois tomam sorvetes
coloridos, com flocos crocantes,
como se nada tivesse acontecido.
Um dia verás, vís criaturas,
para onde leva a picanha gorda,
a fritura, e aquela coxinha
com um ovo azul dentro.
E a alma dos animais?
Certamente vai para algum lugar.
Verás, na porta do paraíso, o Pedro,
Um suíno santo que comeste à pururuca.
Pedro te apontará o caminho
do inferno, é claro!
O teu fim será em um lugar
todo feito de hortas orgânicas,
cortado pelo Rio do Suco de Luz.
Claro que não mereces tal fim,
eu te daria a forca,
te maltrataria pra chuchu.
Mas, no fundo, meu coração é bom,
não gosto de ver sangue sendo derramado,
abomino a violência.
Acredito que todo ignorante,
até mesmo o mais imbecil e arrogante,
merece uma segunda chance.
Salve o jumento,
a criatura mais inteligente do planeta.

Renata Bomfim
(01 de novembro de 2010)

28/08/2010

Waldo Motta por ele mesmo

Amigos, esta biografia foi escrita por Waldo Motta, sem dúvida,  um dos maiores poeta do nosso tempo. que abrilhantou o seminário do autor capixaba (Bravos companheiros e Fantasmas)
Nasci em Boa Esperança-ES, em 27.10.1959, sendo Edivaldo Motta o meu nome de batismo. Sou poeta, escritor e outros babados. Fiz teatro amador, em São Mateus-ES. Quis ser jornalista (UFES), mas a falta de emprego e moradia, dinheiro e apoio me obrigou a abandonar o curso, e virei autodidata.
XXXX Trabalhei menos de um lustro no Departamento Estadual de Cultura do Espírito Santo, primeiro como Animador Cultural, ministrando oficinas literárias; depois, como Assistente de Direção, na chefia da Divisão de Ciências Humanas e Literatura.
XXXX Quase virei militante do gay lib e do movimento negro; quase fui a Amsterdan e Nova York, a trabalho; quase ganhei um prêmio Jabuti, em 1997, com o livro Bundo e outros poemas (Campinas: EdiUNICAMP, 1996), e quase sucumbi à paixonite juvenil pelo teatro, que me deixou seqüelas no estilo de escrever e declamar.
XXXX Recito em escolas, teatros, bares, praças, etc. Pesquiso e ensino o que sei de símbolos, mitologia, hebraico, guarani, numerologia, Cabala e quejandos, interpreto sonhos e ministro oficinas literárias. Traduzi algumas passagens bíblicas do original hebraico, segundo os parâmetros da transdição, técnica que faz parte do estilo-método de leitura, interpretação e criação poética, literária e artística, que inventei e chamo de estilo-método paraclético, isto é, apocalíptico, escatológico. Isso quer dizer que fundei uma arte anticríptica, que é, ao mesmo tempo, ciência e religião.
XXXX Estudo a mitologia, a religião e a linguagem dos nossos indígenas, mormente o povo guarani, buscando subsídios para a construção de uma nova poética, já esboçada no livro Bundo, e para a criação de um novo livro provisoriamente intitulado Terra sem mal.
XXXX Alguns críticos literários afirmam ser Valdo Motta um dos mais importantes poetas brasileiros na última década do século XX e na atualidade.
XXXX A partir da publicação do livro Recanto (poema das 7 letras), em 2002, troquei o V pelo W em meu nome, e passei a assinar minhas obras como Waldo Motta.
XXXX Aprofundando meus estudos cabalísticos, a partir de 1999, comecei a estudar os anagramas e a escrever poemas anagramáticos, desenvolvendo novas técnicas literárias e poéticas, já divulgadas na Universidade de Munique, Alemanha, Universidade da Califórnia, em Berkeley, Universidade de Stanford, Palo Alto, Estados Unidos. Recentemente, cheguei à conclusão de que estou invadindo o campo da matemática e da física quântica.
XXXX Em 2000, ganhei do Landeshaupstadt München Kulturreferat (Departamento de Cultura de Munique) uma bolsa e uma estadia de três meses (Novembro 2001-Janeiro 2002) na Alemanha, na Villa Waldberta, uma residência para artistas de relevância no cenário internacional, situada à beira do Lago Starnberger, de frente para os Alpes, na Baviera, nos arredores de Munique. Fui indicado pelo Instituto Goethe, de São Paulo, e concorri ao prêmio com candidatos de 40 países.
XXXX Ganhei outra bolsa, do Instituto Goethe, de São Paulo, para fazer o curso básico da língua alemã, no Instituto Goethe, da Sonnenstrasse, em Munique, onde convivi por vinte dias com estudantes de vários países, recitei e cantei poemas na sala de aula.
XXXX Em seguida, fui convidado pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, Estados Unidos, para participar do programa literário Writer-in-residence (de abril a maio de 2002), que consistiu em recitar meus poemas e falar de poesia, para alunos do Departamento de Português (e também do de Espanhol, por cortesia deste poeta) da Universidade da Califórnia, e também da Universidade de Stanford. Tanto em Stanford quanto em Berkeley, deixei todos os ouvintes encantados com as declamações, e assustados com minhas idéias. Fui indicado pelo Ministério da Cultura do Brasil, que desenvolve este projeto literário em parceria com a Universidade da Califórnia.
XXXX Na Alemanha, onde o jornal Literatur Blatt München cognominou-me de Literaturwissenchaftler (cientista das letras), recitei e falei sobre a minha poesia no Departamento de Português da Universidade de Munique, a convite do professor e pesquisador de literatura erótica francesa, espanhola e portuguesa, Horst Weich, a quem fui apresentado por Graziela Romanha, professora brasileira que também ensina na mesma Universidade. Na Villa Waldberta, fiz amizade com Yuri Andrukhovych, da Ucrânia, Jana Bodnárová e Juraj Bartusz, da Eslováquia, entre outros.
XXXX Estou concluindo a tradução do livro infantil Was ich am See zu sehen bekam, da escritora eslovaca Jana Bodnárová, a partir da tradução alemã de Renata SakoHoess. Acho que, em português, o título pode ser: Visões do Lago Starnberger, ou Visagens do Lago Starnberger.
Sites do poeta:

Roberto Almada: Bravos companheiros e Fantasmas IV

Fernanda Maia Lyrio e Geovana da Silva Martelo apresentaram no seminário do autor capixaba uma comunicação sobre o poeta mineiro, capixaba de coração, Roberto Almada que, a partir de 1961, passou a residir no ES. Em 1988 o poeta ingressou na Academia Espírito-Santense de Letras. Sua obra foi reunida em “DE FOLHAS VERSADAS, Seleção, notícia biográfica e estudo crítico de Deny Gomes” (Vitória, 1998), publicação da Secretaria Municipal de Cultura. O estudo de Fernanda e Geovana com o título: Quatro edificações: A mulher e a casa na poesia de Roberto Almada analisou quatro poemas desse escritor, buscando aspectos que associavam a fazer poético ao ato, propriamento dito, de construção. Este estudo encontrou ressonancia na obra de João Cabral de Melo Neto. Seguem alguns poemas de Almada, não os pesquisados, mas que também tratam dessa temática.

A casa onde ela é

A casa domina

o vale e a colina
de onde é raiz.

Ali se engastalha
Qual mênstruo-cicatriz —
—mortalha.

Vê-se-lhe o corte
lateral e a fronte
à morte.

Orvalha.
Longe um horizonte
pálido espalha

e o que é vão e o que é triste.
Ela resiste.
Se obstina.

Amanhece
Fenece
(ah vespertina!)


Muropoema

O muro não a prende

mas contorna.
Segue, retorna,
a limita e defende.

De outros pés

de outros olhos
de outras vozes
de outras vidas
no tempo consumidas
pois ele é o que és.

O muro deixa ver

um único abandono:
de morte e sono,
de não ser e ser.

O muro é que a levanta

e a ergue e a sustenta
à casa quando venta
e a tristeza é tanta.

O muro eu não o fiz

nem o cuidei ou vi
morrer do que morri
com a mesma cicatriz

que lhe corrói

e fere.
E dói na pele.

27/08/2010

Bravos companheiros e Fantasmas IV (fotos) seminário do autor capixaba 2010

Amigos, este dois dias de seminário foram corridos e profícuos, assiti variadas mesas e gostei de todas. Vale destacar a maestria com que o professor e poeta Marcus Vinícius de Freitas abriu o evento, apresentando a produção poética de Miguél sob variados aspectos, especialmente no amoroso, bem como a presença do poeta Waldo Motta, em uma comunicação que analisava a teatralidade de sua poética (apresentada por Fernando Gaspari).
Bernadete Lyra (poderosa, salve, salve) estava presente e falou um pouco sobre sua obra inédita. Ninguém menos que o estudioso e crítico literário Deneval Siqueira falou sobre a obra desta escritora, tenho pena de quem perdeu!!!
Jorge Nascimento e Adolfo Miranda falaram sobre a obra do cronista José Carlos de Oliveira, uma ótima mesa.
 Paulo Sodré apresentou uma leitura sobre a obra de Maria Antonieta Tatagiba e por aí vai. Uma oportunidade ímpar dos estudantes e leitores estarem perto dos poetas e de ouvir sobre suas obras, me pergunto: Cadê os alunos? não só os da Ufes, mas os dos cursinhos, das escolas públicas... Houve uma mesa espetaculat sobre a obra de Adilson Vilaça (Identidade para os gatos pardos) que cairá no vest Ufes 2011, Waldo Motta também cairá no vestibular. Outro destaque para a mesa que tive a alegria de integrar, coordenada pela professora Ester Abrel Vieira de Oliveira (minha orientadora no doutorado), e partilhada com as colegas Andréia Delmaschio e Joana d'Arc Batista Herkenhoff (biógrafa de Miguel Marvilla). Priscila, viúva de Miguel e o acadêmico que  sucederá Miguel cadeira da Academia Espírito-santense de Letras, José Carlos Mattedi, vieram prestigiar a nossa apresentação. Seguem algumas imagens do evento.

19/08/2010

A carne é fraca... (Documentário do Instituto Nina Rosa)

Amigos, precisamos rever o nosso consumo. Se a humanidade não comesse carne, ou pelo menos diminuisse bastante a quantidade, uma quantidade seis vezes maior de pessoas no mundo teriam acesso a alimentos, o desmatamento diminuiria em 90%, o consumo de água doce diminuiria, e por aí vai... visitem o site da Nina Rosa e se interem do assunto...

12/08/2010

O fabuloso destino de catarina

 "Onça resgatada na Amazônia vira 'estrela de cinema' e ganha abrigo em Goiás" ( reportagem que li em um jornal de circulação nacional)

O 'fabuloso' destino de Catarina

A onça Catarina foi 'resgatada'
da Amazônia, imaginem, coitada!
Aquele matagal à perder de vista...
Dizem que 'teve a vida transformada,'
e agora,  será 'estrela de cinema'!
Será rainha na, já preparada, jaula de ouro.
Não precisará mais caçar,
lhe fizeram um outro grande favor:
escolheram o seu parceiro, o seu amor,
com quem  formará 'lindo par'.
Catarina precisará, apenas,
responder aos anseio alheios:
acasalar, procriar...
Fuc, fuc, fuc... o dia inteiro...
Disseram que Catarina 'é dócil':
-Não haverá problemas!
Mas, e se um dia, por acaso,
Catarina se rebelar e, enfurecida,
rugindo liberdade, arranhar a carne alheia,
com suas patas de poderosas guerreira?
Suponhamos, que ela decida que
 prefere a selva, o mato, a vastidão...
 onde pode correr, pular,  arranhar as árvores..
E se ela preferir caçar, e antes de comer
 brinçar com a presa?
Terão, estas mesmas 'gentis almas',
a mesma consideração?
A tragédia 'moderna' e seus atos,
atores ambíguos, simulacros...
Quem é quem, meu amigo?
quem é mocinho? quem é bandido?
O que e quem ganham com isso?
E a plátéia, anestesiada, bate fracas palmas,
e não tem força para um grito.

bairenatabomfim

Troféu Palmares: Elisa Lucinda- 2010

Amigos, Elisa Lucinda, que além de nos brindar com seu talento divulga a riqueza cultural do nosso estado mundo afora, está concorrendo ao Troféu Palmares 2010, vamos lá no site votar nela?
Eu já votei! (http://culturanegra.palmares.gov.br/enquete/)
Muito axé pra vocês
Renata