25/10/2015

Comunicado público da Câmera Capixaba do Livro acerca da 7ª Bienal Capixaba do Livro

A Câmara Capixaba do Livro-CCL, vem a público manifestar sua indignação com a total falta de apoio e patrocínios a realização da 7ª Bienal Capixaba do Livro, em alguns casos inclusive sem qualquer resposta até a presente data, notadamente órgãos públicos, e ao mesmo tempo confirmar a realização do evento de 28/10 a 01/11/2015, no estacionamento do Shopping Vitória.
Em respeito ao Shopping Vitória, aos expositores, as várias Academias de Letras do Estado do Espírito Santo, autores/escritores, professores, alunos e a toda comunidade, tomamos a decisão de realizar o evento, apesar de grandes dificuldades, e agradecermos aos verdadeiros parceiros, que abriram mão de qualquer remuneração ou até ajuda de custo, e por amor a arte, cultura e educação, acreditando no projeto, se propuseram a empunhar essa bandeira e tentar continuar essa luta inglória por uma causa tão nobre.
Um enorme esforço, para que nosso estado e a nossa capital, não fossem mais uma vez lembrado por um fato negativo, ou seja, ser única capital do país a não realizar uma bienal do livro ou evento semelhante, privando sua população ao acesso as grandes editoras, a preços promocionais e principalmente a interação com os autores/escritores capixabas (confirmada a presença de mais de 230) e suas produções literárias.
Dessa forma, agradecemos a todos aqueles que contribuíram para a realização do evento, da mesma maneira que esperamos daqueles que nos negaram apoio, que revejam suas decisões e conceitos, pois sem educação e cultura não vamos chegar a lugar algum.

22/10/2015

Os Estatutos do Homem na voz do autor, o poeta Thiago de Melo

Amigos,
A poesia é esse sopro de vida na alma! Viva o poeta Thiago de Melo por sua trajetória de luta poética em prol da justiça, da cidadania e da equidade entre os homens. *RB.

13/10/2015

I Circuito ArtES Capixaba (ES): Arte e Literatura: diálogos possíveis, com a escritora capixaba Renata Bomfim



Olá amigos, vamos fazer um passeio pela história das artes plásticas e literárias compreendo os seus embricamentos com a filosofia, a política, entre outras tramas. A palestra aconteceu no Escritório de Arte Dayse Resende.

A seguir, algumas das obras abordadas, vislumbradas à luz dos pressupostos teóricos de Bakhtin, Ostrower e Rancière. Espero que curtam... Abraços...*RB

12/10/2015

Impermanence (Renata Bomfim)

Ah! Flower of my desire,

Bright will
Every night I weave a cloak star
While the world dreams.
 
The thirst and hunger make me
Seek new places.
My place is nowhere.
 
I have seen rosebuds in the garden, but
Not everyone will have the courage to open up.
I opened it, all!
I felt in the flesh the sun, rain:
I magnetized the subjectivity.
I held hands with the wind and
I rode as fast as I could.
From the top all the mountains are blue.
 
The sun will shine, always, and
The land will radiate liqueurs
Independent of you and me.
Do not want to be more than air
Briefly visiting your lungs and
Therefore, migrates to blood.
My heart is restless
Frantic swarms,
Waiting for the right time to become
Some other things
Strangely,
Full of life.
 

tradução: Sonia Sanzio Lóra

08/10/2015

Lo que desees: metafísica de la entrega (poema de Renata Bomfim)

Cae la noche

mi punto de vista quiere verse reflejado
en la mirada del anciano que sueña sobre un banco
de la plaza.
                     
El gran reloj señala la médula de la ciudad,
pero no mide el tiempo que, huidizo,
permanece quieto y
sustenta mi corazón infantil.

El guardacoches me ve, sonríe,
sonrío entre la agitación y multitud de señales.
Sonrío porque las lágrimas escapan
como ríos: sonrío porque las lágrimas están vivas.

El embarcadero, sin descanso, deja delante
aguas de otros países, y cargas,
muchas cargas.

Todo eso está protegido en mi corazón,
─ este puerto franco─, donde desembarcan
 deseos (de) extraños:
         qué quieren de mí?
         qué quieres de mí?
         qué puedo ofrecerte?

Es momento de entrega!
No acepto ninguna clase
        de despojo,
        de investigación,
        de injusticia.
Pídeme lo que quieras,
(te lo entregaré)
no necesitas darme nada a cambio.

Descubrí que siempre existirá un cielo
de color cambiante,
que el mar besará mis pies
toda la mañana,
y que siempre quedará un felino,
con ojos de ágata,
para amarme.

Eso es lo que no te puedo proporcionar!


*RB

Traduzido por Pedro Svylla de Juana

07/10/2015

Domingos Martins, um poeta capixaba

SONETO

Meus ternos pensamentos, que sagrados
me fostes quase a par da Liberdade,
Em vós não tem poder a iniqüidade;
À esposa voai, narrai meus fados.

Dizei-lhe que nos transes apertados,
Ao passar desta vida à eternidade,
Ela d'alma reinava na metade
e com a Pátria partia-lhe os cuidados.

A Pátria foi o meu númen primeiro,
A esposa depois o mais querido
Objeto de desvelo verdadeiro;

E na morte entre ambas repartido,
Será de uma o suspiro derradeiro,
Será de outra o último gemido.



                   Extraído de SONETOS BRASILEIROS Século XVII– XX. 

                   Colletanea organisada por Laudelino Freire.  
                   Rio de Janeiro: F. Briguiet & Cie., 1913

DOMINGOS JOSÉ MARTINS
(09.05.1781 – 12.06.1817)

Domingos José Martins nasceu no sítio Caxangá, nas proximidades de Itapemirim, no estado do Espírito Santo. Hoje esse local pertence ao município de Marataízes. Filho do capitão de milícias Joaquim José Martins e D. Joana Luíza de Santa Clara Martins, prima do marido e nascida na Bahia. O capitão comandava o “Quartel”, quase em frente à Ilha das Andorinhas, ao sul de Marataízes, ali localizado para fiscalizar e impedir o desembarque clandestino de africanos. 

Depois de dar baixa da carreira militar, passou a exercer atividade comercial em casa assobradada na antiga rua das Flores. Iniciou os estudos primários na capital do estado do Espírito Santo, completando a sua formação, posteriormente, em Portugal. Seguiu para Londres, onde se empregou na firma portuguesa Dourado Dias & Carvalho, chegando a condição de sócio do mesmo estabelecimento comercial. 

Na Revolução de 1817, emergiu de maneira brilhante e singular. Pelas próprias circunstâncias de sua vida, era homem dono de grande capacidade de resolução. Os que na época trataram com ele, pintam-no amigo do mandar e do gastar, ambicioso e afável. Maçom, fizera em Londres amizades nos ambientes liberais e um de seus amigos mais próximos foi o general Miranda, que lutara na guerra da Independência dos Estados Unidos, vindo da França com as tropas de Dumouriez. Miranda participara também de uma tentativa de emancipação da Colômbia em 1805, sufocada pelos espanhóis, e seu sonho somente se concretizou com Simón Bolivar, ao mesmo tempo em que ele morria no cárcere, na Espanha.

 Inegavelmente, Martins foi um observador inteligente que percebeu a evolução das idéias liberais na Europa e bem compreendeu as aspirações particularistas latino-americanas. Pernambuco deveria ser para ele um capítulo glorioso de todo esse grande processo.

Derrotado, foi preso e enviado à Bahia, sendo fuzilado em 12 de junho de 1817, no Campo da Pólvora-BA, hoje conhecido como Campo dos Mártires. Domingos José Martins foi homenageado pela Polícia Civil do Estado do Espírito Santo que o escolheu como patrono.

Bibliografia
• Revista do IHGES - Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo N° 60 - Anual (dez. 2005). Vitória
• Memórias Históricas da Revolução de Pernambuco. in: Documentos Históricos, Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional do Brasil, 1995.
(fontes 1 e 2)

Salve! Senhor do Bonfim

Senhor do Bonfim, 
Meu pai, 
Salve!
No terreiro-mundo
Negro ilumina:
      acorda dormentes, 
      alegra,
      cura doentes
com o som do tambor.

Os ventos da África
são perfumados, meu pai, 
melodia inaudita ressoa
fazendo brotar as sementes.
Um contador de histórias
encanta a palavra, recordo
que a África é aqui, 
ela está dentro de mim, inteira:
          sou mãe e filha.

No terreiro acontecem
milagres:
          ferida é sarada,
          feitiço é desfeito,
          memória ancestral 
                      restaurada.
Tambor-vida, vibração:
(pajelança popular e erudita)
É fogo!
Tambor de Mina!
Glória a ti, meu pai!

Rolam os búzios,  
Saias criam cirandas vivas,
brancas e coloridas, são flores
no jardim de Oxum.
Silêncio respeitoso:
Nanã descansa!

No terreiro-mundo 
negro é senhor, é Rei!
No terreiro-mundo 
Sou filha de Xangô.

É chegado o tempo 
de compartilhar o canto
da diversidade. Faz justiça 
com amor, Senhor dos raios,
desperta o bicho aprisionado
(no homem)
paralisado pelo horror.

Salve!
Senhor do Bonfim, 
Meu pai!




*Renata Bomfim, out, 2015.


o filho, el hijo, el fill (poema de Renata Bomfim)

o filho

amo-te, ente louco e problemático,
nascido de um parto ao avesso.
saltaste do mundo para dentro do meu útero,
bebeste do meu leite sem sugar meus seios,
recebi de ti mensagens estranhas
(à la código morse ou monster, não sei).
tua presença embalava o meu dia
te formaste na minha escuridão,
és o fruto da minha meia-noite.

buscaste alimento no líquido denso
(charco da minha materialidade),
devoraste os meus óvulos (teus irmãos),
deste um nó nas minhas trompas,
sugaste o nutriente bruto, obscuro e pegajoso
do meu dentro, rompendo as paredes
da minha feminilidade.

vê, amigo, sou eu a mãe dessa espécie estranha,
ser que deseja mudar o mundo,
logo assim que se fartar das minhas entranhas.

filho (produto de mim e de um isso obtuso),
se eu pudesse amparar-te,
se eu pudesse afastar a dor, o medo,
e ser para ti um ninho, eu o faria!
mas não posso ser tudo!
então, nasce! faz como todo mundo!
vem para fora!
se não posso materializar todos os teus sonhos
(utópicos, mundanos e sublimes),
posso te deixar livre!
posso te parir como manda o figurino
(com dores e fadiga).
vai! vê que existe vida para além de mim,
libera esse espaço pequeno e plástico,
capaz de conter o vazio e o mundo.



*
el hijo 

te amo tanto, ente demente y ambiguo,
nacido de un parto a la inversa.
te lanzaste desde el cosmos hacia el interior de mi útero,
mamaste mi leche sin chupar los pechos,
recibí tus mensajes cifrados
(en código morse o monster, no sé).
tu presencia acunaba mis días
aunque te hayas formado en mi opacidad,
eres el fruto de mi sueño.

Buscaste alimento en el líquido denso, 
(charca de mi condición material)
devoraste mis óvulos (tus hermanos)
anudaste mis trompas
sorbiste el nutriente bruto, obscuro y viscoso
de la matriz, rompiendo los límites
de mi feminidad.

mira, amigo, soy la madre de esa especie insólita,
ser que desea transformar el mundo,
en cuanto se harte de mis entrañas.

hijo,(obra mía y de esa cosa roma)
si yo pudiese ampararte
si fuera capaz de relegar el dolor el miedo y
ser para ti un nido, lo haría!
pero, no puedo ser todo!
entonces, nace! haz como todo el mundo!
llega hacia fuera!
Si no puedo concretar todos tus sueños
(utópicos, mundanos, sublimes) puedo dejarte libre!
Puedo parirte como indica el figurín
(con sufrimiento y fatiga)
Vete! has de saber que hay vida fuera de mí
libera ese espacio pequeño y moldeable
capaz de contener el vacío y el universo.


*
el fill

t'estimo molt, ens dement i ambigu,
nascut d'un part al revés.
et vas llançar des del cosmos cap a l'interior del meu úter,
vas mamar la meva llet sense xuclar els pits,
vaig rebre els teus missatges xifrats
(en codi morse o monster, no sé).
la teva presència bressolava els meus dies
encara que t'hagis format en la meva opacitat,
ets el fruit del meu somni.

Vas buscar aliment en el líquid dens, (tolla de la meva condició material)
vas devorar els meus òvuls (els teus germans)
vas nuar les meves trompes
vas xarrupar el nutrient brut, obscur i viscós
de la matriu, trencant els límits
de la meva feminitat.

mira, amic, sóc la mare d'aquesta espècie insòlita,
ésser que desitja transformar el món,
quan s'afarti de les meves entranyes.

fill,(obra meva i d'aquesta cosa obtusa)
si jo pogués emparar-te
si fos capaç de relegar el dolor la por i
ser per tu un niu, ho faria!
però, no puc ser tot!
llavors, neix! fes com tothom!
arriba cap a fora!
Si no puc concretar tots els teus somnis
(utòpics, mundans, sublims) puc deixar-te lliure!
Puc parir-te com indica el figurí
(amb sofriment i fatiga)
Vés-te! has de saber que hi ha vida fora de mi
allibera aquest espai petit i emmotllable
capaç de contenir el buit i l'univers.


Tradução para o castelhano e para o catalão por Pedro Sevylla de Juana

El brujo de Valdepero (Poema de Renata Bomfim)

Dedicado a Pedro Sevylla de Juana

Mi investigador, mi lector, mi traductor;
el filósofo, sicólogo, escritor y poeta
Pedro Sevylla de Juana, visitante virtual
de las tierras todas, de todas las aguas
de los vientos agitados y de los fluidos ígneos
en el arriba y abajo de los lugares próximos
y de los espacios interestelares más apartados;
traductor infiel a fuer de creativo
asegura estar al tanto
de mi iluminado interior
íntimo y amplio.

Entiende que soy
la Luna en su cuarto creciente,
menguante a veces
llena en ocasiones repetidas;
de inestabilidad estable
y cíclica.

Previsiblemente imprevisible,
cree ver en mi corazón una niña
que se resiste a ser mayor,
y una mujer madura
que moraliza sin ton ni son.

Me habita una india, dice,
que teje telas floridas
y las lleva al mercado para no venderlas
y poder lucirlas
en los días de fiesta.

Me traslada un demonio guapo,
comenta,
acunada en sus brazos
hasta el monte  más alto de la Tierra.
Allí,
entre poder y riquezas
expone
y me muestra
los fastos del mundo
que promete entregarme
si le sirvo a su gusto.

En la cueva de la bruja vieja
aprendo a leer sortilegios cifrados
a cocer pócimas y ungüentos
y a entenderme con serpientes y gatos.

Supone que en las noches cálidas
soy una monja acorralada
por las tentaciones,
que flagela su desnudez desnuda
con espinosos tallos de rosas rojas
y aprieta el cilicio ceñido a la cintura.

Soy de todos siendo mía,
amo por igual a personas, animales
y plantas
cuido la obra entera del Creador
y perteneciéndome por entero
a los demás me doy.

Mi traductor traduce
a su amada lengua
precisa
y dulce
la letra honesta de mi canción
explicando a los lectores
la suma de cuántas
Renatas soy.