23/01/2017

Mito e História na obra Os Lusíadas, de Luís de Camões (Renata Bomfim)


Os Lusíada, de Luís de Camões, foi publicado em 1572, no auge do Renascimento literário português, quando houve um despertar dos valores clássicos, e a visão teocêntrica da idade medieval deu lugar ao antropocentrismo. O texto camoniano está intimamente ligado ao ímpeto inaugural da expansão marítima e dos avanços científicos.  N’Os Lusíadas sobrepõe-se mito e realidade, Camões canta “o peito ilustre lusitano”, ou seja, o português renascentista e desbravador, que, assim como os Argonautas do mito grego, desbravam corajosamente o oceano enfrentando vários obstáculos para conquistar seu objetivo: a posse de novas terras. Camões utilizou para a construção de sua narrativa, no plano histórico, a rota perseguida por Vasco da Gama, seu principal herói. Para Massaud Moisés:
O fundamento ideológico da visão camoniana não depende da exatidão científica dos acontecimentos descritos no poema, mas numa crença inabalável na razão que eleva o homem acima da natureza bruta, aproximando-o de Deus ou dos deuses. (MOISÉS, 2006, p. 40).

Na obra Epopeia do homem moderno, Moisés (2006) destacou que, como bom renascentista, “Camões acreditava que o homem se tornaria senhor absoluto do universo, exercendo domínios que, na antiguidade, eram atribuídos aos deuses”. N’Os Lusíadas, o plano real e mítico se sobrepõe. Por ser uma obra essencialmente cristã, foi submetido à apreciação do “santo ofício” e, embora abarque uma constelação de deuses pagãos, afirmou não ter encontrado nela, “coisa alguma de escandalosa, nem contrária à fé e aos bons costumes”. Católico, mas também um humanista, para Hernani Cidade “Camões era um cristão enamorado do paganismo”. Este mesmo autor em Luís de Camões: O Épico escreve que Camões canta “outro valor mais alto que se levanta”, que é o cristianismo. Assim, o plano mitológico na narrativa camoniana é descrito por Cidade (1968, p.134), como “um artifício lúdico criado por suas tendências de artista”.
Este recurso era também uma possibilidade de tratar de temas e criar ficções que a doutrina cristã não aceitava como, por exemplo, o episódio da ilha dos amores.  Tal recurso, também designado “estilo maravilhoso”, permitiu que Camões exprimisse simbolicamente sua visão de mundo, sem que o caráter realista do poema ficasse prejudicado.
Carl Gustav Jung (1996, p. 20) em O homem e seus Símbolos afirmou que “uma palavra ou imagem simbólica implica alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato”, dessa forma, Os Lusíadas desafia o leitor com uma constelação de símbolos que são representados por variados personagens. Camões já anuncia o artifício apresentando as façanhas míticas como “façanhas fantásticas, fingidas e mentirosas”, e as portuguesas como “as verdadeiras”, que “excedem as sonhadas, fabulosas”:

Ouvi: que não vereis com vãs façanhas,
Fantásticas, fingidas, mentirosas,
Louvar os vossos como nas estranhas
Musas, de engrandecer-se desejosas:
As verdadeiras vossas são tamanhas
Que excedem as sonhadas, fabulosas,
Que excedem Rodamente e o vão Rugeiro
E orlando, inda que fora verdadeiro.
[...]
Dou-vos também aquele ilustre gama.
Que para si, de Enéias toma a fama.
(Canto I, p. 11- 12)

Para Hernani Cidade (1968, p.135), o poeta lusitano valoriza como objeto de contemplação estética e fonte de emoção épica e trágica a própria realidade, ele se apropria da ficção mitológica para superar, pelo vôo imaginativo, os limites da realidade. Camões evoca Vênus, “afeiçoada à gente Lusitânia”, por ter as qualidades dos romanos, como àquela que intercederá junto a Júpiter pelos navegadores, e Baco, na trama, será o grande opositor dos portugueses. Baco é descrito como teimoso e astuto e sua oposição aos portugueses será porque “altamente lhe dói perder a fama”, pois, “esquecerão seus feitos no oriente”, “se lá passar a lusitânea gente”. Baco representa os adversários, as forças opositoras, ou seja, “a ímpia gente”, os não cristãos.
Os Lusíadas ilustra um momento em que Portugal luta para se formar como nação, luta contra o castelhano que lhe nega autonomia e contra o mouro que lhe ocupa o território (CIDADES, 1968, p. 156). O intuito colonialista português que busca conquistar terras e impor sua religião e língua pode ser vista na passagem:

Goa [cidade da Índia] vereis aos mouros ser tomada,
A qual virá depois a ser senhora
De todo Oriente, e sublimada
Co’os triunfos da gente vencedora.
Ali, soberba, altiva e exalçada,
Ao gentio que os ídolos adora
Duro freio porá, e a toda terra
Que cuidar de fazer os vossos guerra.
(CAMÕES, C. II, 51).

Vês Europa cristã, mais alta e clara,
Que as outras em polícia e fortaleza.
Vês África, dos bens do mundo avara,
Inculta e toda cheia de bruteza.
[...]
(Canto. X, p. 92)

Vênus representa para os portugueses o amor pátrio, e o amor foi um tema muito valorizado por Camões. A viagem do Gama, no plano estético, é apresentada como uma cruzada de amor que terá seu ápice no episódio da Ilha dos amores. Até a Ilha dos amores, os deuses pagãos desempenham as ações na trama do texto, mas são invisíveis para os nautas, sendo sempre associados com as forças naturais, assim, estrategicamente, quanto mais discreto o auxílio do divino, mais fica evidente a eficiência do esforço humano.
Moisés (2006, p. 39) defendeu que eram “os deuses” que davam sustentação à ação central do poema. Salvo os “infiéis”, ou seja, os africanos, os indianos, que sempre são apresentados pelo poeta em plano inferior, os obstáculos da viagem se resumem a fenômenos naturais como, por exemplo, o mito do Adamastor, é sabido que lendas aterradoras povoavam o imaginário popular antes das grandes navegações. Adamastor é um titã mitológico, um rochedo, “o segundo do Rodes estranhíssimo colosso”, uma referência do poeta a estátua de Apolo que ficava na cidade de Rodes, uma das sete maravilhas do mundo. Adamastor surge na narrativa como a representação do imaginário dos navegantes, e das tempestades do Cabo das Tormentas:

Eu sou aquele oculto e grande cabo,
A quem chamais vós outros Tormentório.
Que nunca a Ptolomeu, Pompônio
Estrabo, Plínio e quantos passaram fui notório.
Aqui toda costa Africana acabo.
[...]
(Canto. V, p. 50)

A natureza impõe-se ao homem e Adamastor jura vingar-se de quem o descobriu: “aqui espero tomar, se não me engano, de quem me descobriu suma vingança” (canto V, 44), o texto refere-se a Bartolomeu Dias, descobridor do cabo de Boa Esperança. Outro episódio impregnado de significação é o do Velho do Restelo. Cidade refere-se a esta passagem como sendo “pomo de discórdia entre comentadores”, isso devido à contradição que instaura a primeira vista, com palavras de renúncia, num poema que exalta a ânsia expansionista (CIDADE, 1968, p. 146):

__ Ó glória de mandar, ó vã cobiça,
Desta vaidade a que chamamos fama!
Ó fraudulento gosto que se atiça
Co’ uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldade nele experimentas.
(Canto. IV, p.  95)

[...]
Que promessas de reinos e minas
De ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que fama lhe prometerás? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?
(Canto. IV,p.  97)

O Velho do Restelo que “ficava na praia”, “entre as gentes”, soa como a “voz pesada”, contra a viagem, á a voz das viúvas, dos órfãos, dos agricultores, ou seja, dos que ficaram, mais uma vez história e mito se entrelaçam e o lamento cantado nesta estrofe, justifica-se, Vasco da Gama quando partiu da praia do Restelo para sua jornada, levou com ele 170 homens e retornou com apenas 55 vivos para Portugal:

Qual vai dizendo: __ Ó filho a quem eu tinha,
Só para refrigério e doce amparo,
Desta já cansada já velhice minha,
Que em choro acabará, penoso e amaro,
Porque me deixas, mísera e mesquinha?
Porque de mim te vás? Ó filho caro,
A fazer o funério enterramento.
Onde sejas de peixe mantimento?
(C. IV, 90)

Outros episódios entrelaçam de forma poética história e mitos, citaremos alguns. Camões ao falar da doença “crua e feia” que “morto ficava quem a tinha”, faz uma referência ao escorbuto, doença causada pela falta de vitamina ‘C’ no organismo. O quadro descrito por Camões atingiu a frota de Vasco da gama a caminho de Calicute, na Índia:

E foi que de doença crua e feia,
A mais que eu nunca vi desampararam
Muitos a vida, e em terra estranha e alheia
Os ossos para sempre sepultaram.
Quem haverá que sem o ver o creia,
Que tão disformemente ali lhe incharam
 As gengivas na boca, que crescia
A carne e juntamente apodrecia.

Apodrecia co’um fétido e bruto
Cheiro, que o ar vizinho inficionava.
[...]
(Canto V, p. 81- 82)

Muitas são das referências feitas à personalidades européias e da história de Portugal, entre elas: Martim Lutero, precursor da Reforma protestante a respeito deste Camões escreve: “Do sucessor de Pedro revelado, novo pastor e nova seita inventa” (Canto VII, p. 4). Camões refere-se como “falso rei” e “galo indigno” a Francisco I, rei da França e grande difusor do renascimento, refere-se dessa forma por este não “guardar a santa lei”, o cristianismo (Canto VII, p. 6). Refere-se, também, ao rei da Inglaterra, Henrique VIII, como “duro inglês que se nomeia rei da velha e santíssima cidade”, e que “para os de cristo tem espada nua” (Canto. VII, p. 5). Acerca do sucessor de Vasco da Gama, Henrique de Menezes, dirá: “Virá depois Meneses, cujo ferro, mais na África, que cá, terá provado; castigará de Ormuz [cidade na entrada do Golfo Pérsico] soberba o erro, como lhe fazer tributo dar dobrado” (Canto. X, p. 53).
No texto encontramos uma referência ao Brasil: “Mas cá onde se alarga ali tereis, parte também, co’o pau vermelho nota. De Santa Cruz o nome lhe poreis. Descobri-la á a primeira vossa frota” (Canto. X, 140). Assim, Camões teceu seu poema, unindo ficção e fatos históricos.
Do ponto de vista literário, Os Lusíadas não são uma narrativa histórica. No canto V a deusa Tétis denuncia a estratégia camoniana ao declarar que os deuses da mitologia são ficção criada pelo poeta, ou seja, um ornato poético:

Aqui, só verdadeiros gloriosos
Divos estão, porque eu Saturno e Jano,
Júpiter, Juno, fomos fabulosos.
Fingidos de mortal e cego engano
Só pra fazer versos deleitosos.
Servimos, e, se mais o trato humano
Nos pode dar, é só que o nome nosso
Nesta estrela pôs o engenho vosso.
(Canto X, p. 82).

A trama mítica tem seu desfecho quando Baco e Netuno se rendem e reconhecem a superioridade dos humanos, e Vênus coroa o feito português conduzindo a frota à Ilha dos Amores onde esperam pelos nautas as ninfas “já feridas por Cupido”, ali eles se fartarão dos prazeres carnais, mas com o consentimento divino. Segundo Moisés (2006, p. 51), “a Vasco da gama destina-se à companhia de Tétis e um prêmio extra, avistar a máquina do mundo”, Tétis lhe explica o sistema planetário e diz que podem “voltar à pátria amada”, para as “eternas esposas”.
A Máquina do Mundo descreve o conhecimento astronômico de Camões, embora o sistema de Copérnico já fosse conhecido, o texto descreve o sistema Ptolomaico. Modesto Camões declara acerca de seu conhecimento:

Mas eu falo, humilde, baixo e rudo,
[...]
Nem me falta na vida honesto estudo,
Com longa experiência misturado
Nem engenho, que aqui vereis presente,
Cousas que juntas se acham raramente.
(Canto X, p. 154)

Cidade (1968, p, 154) ressaltou a importância do episódio da Máquina do Mundo e do descerramento do planetário dentro da obra como sendo uma celebração da aproximação entre Oriente e Ocidente. Não sendo a modéstia um atributo deste poeta português que “luta e canta”, para Ronaldo Menegaz (2001, p. 260), “Camões extrapolou os limites de sua proposta, gerando um canto onde se revela uma sabedoria universal e intemporal e uma consciência extremamente alertada para a fragilidade, a falibilidade e a insegurança da condição humana”. Os Lusíadas termina com Camões colocando sua obra a altura da Homero:

[...]
 A minha já estimada e leda musa
Fico com que em todo o mundo de vós cante,
De sorte que Alexandro [refere-se a Alexandre Mágno, rei da Macedônia]
Em voz se veja
Sem à dita de Aquiles ter inveja.
(Canto. X, p. 153).

Referências:
-        CAMÕES, Luis de. Os Lusíadas. São Paulo: Klick.
-        CIDADE, Hernani. Luiz de Camões o Épico. 3. ed. [S. L].: Bertrand, 1968.
-       MENEGAZ, Ronaldo. Os Lusíadas, do livro à obra: a contribuição de Cesário Verde.  SEMEAR: Rio de Janeiro, n. 5. , 2001, p. 259 a 277.
-        MOISÉS, Felipe Carlos. Epopeia do homem moderno. Entre Livros, São Paulo, 2006.  Edição Especial, p. 39- 41.


22/01/2017

[FIPG 2017] XIII Festival Internacional de Granada, na Nicarágua, em homenagem a Manolo Quadra e Roque Dalton e celebração dos 150 anos de nascimento de Rubén Darío


Amigos leitores,

Entre os dias 12 e 18 de fevereiro de 2017 vai acontecer o XIII Festival Internacional de Poesia de Granada, na Nicarágua. Esse ano o evento irá homenagear os poetas Manolo Quadra (Nicarágua) e Roque Dalton (San Salvador), bem como, celebrará os 150 anos de nascimento do "pai das letras castelhanas", o poeta nicaraguense (meu poeta do coração), Rubén Darío. 

Tive a honra de representar o Brasil duas vezes, em 2014 e 2016, nessa grandiosa festa que celebra a poesia como instrumento de promoção da paz e união entre os povos. Sou muito agradecida ao povo nicaraguense pelo carinho, pela acolhida e por essa oportunidade singular de ampliar a rede de relacionamento com poetas de variados países, especialmente da América Latina. Posso assegurar que esse é um acontecimento INESQUECÍVEL para pessoas que amam a cultura e, especialmente, a poesia. 

Muitos são os motivos que fazem da Nicarágua a capital Latino-americana da poesia, um dos que mais me encanta é a vocação do seu povo para a arte. Na Nicarágua, ser poeta é ser reconhecido como alguém especial, alguém que possui uma contribuição singular a fazer ao mundo. As pessoas se interessam pelos textos, pedem que o poeta leia seus poemas e o escutam com interesse, comentam e, geralmente, pedem um autografo. Essa mesma atenção vejo sendo dispensada, também, aos artistas plásticos e músicos. 

A Nicarágua possui, também, outros atrativos como uma arquitetura colonial preservada, que possibilita um passeio pela história, a produção de variados artesanatos como cerâmicas e bordados e uma natureza diversificada com vulcões, lagoas vulcânicas, o maior lago da América Latina (o Cocibolca), o lago Xolotlan, praias reconhecidas por sua beleza e é paraísos para os surfistas. 

Durante a FIPG acontece o Carnaval Poético, um evento que reúne as comunidades nicaraguenses desvelando aos turistas a beleza de tradições locais como El Gueguense, reconhecida como sendo a primeira manifestação teatral da América Latina. 

Esse ano estão confirmados 111 poetas de 61 países do mundo e representarão o Brasil a poeta Francesca Cricelli e o poeta Antônio Miranda, amigo querido que esteve comigo na FIPG em 2014. Estou certa que estamos muito bem representados. 

Deixo à Junta diretiva e ao comitê organizador da FIPG o meu carinho, especialmente ao Presidente do Festival, o amigo poetas Francisco de Asís Fernádez Arellano e a sua esposa Glória Guabardi, Secretária executiva, assim como aos amigos Nicasio Urbina, Fernando Lópes, Pedro Xavier Solís, Anastasio Lovo, Salomón Alarcón, Arnulfo Agüero, Humberto Avilés, Silvio Ambrogi, Jaime Serrano, Álvaro Rivas, Giocanda Belli e Blanca Castellón, enfim, todos recebam o meu abraço fraternal.

Desejo que esse XIII Festival Internacional de Poesia de Granada repita o sucesso dos anos anteriores, e que a poesia possa derrubar os muros do ódio e da intolerância e que se torne uma ponte ligando pessoas de variadas etnias e culturas. 
Viva a FIPG, Viva Granada! QUE VIVA LA POESIA! 

Abraços fraternos
Renata Bomfim
poeta brasileira

19/01/2017

EDITAL DE PREENCHIMENTO DA VAGA DA CADEIRA NÚMERO 15 NA ACADEMIA FEMININA ESPÍRITO-SANTENSE DE LETRAS


EDITAL DE CONVOCAÇÃO DA ACADEMIA FEMININA ESPÍRITO-SANTENSE DE LETRAS DE CANDIDATA AO PREENCHIMENTO DA VAGA DEIXADA POR MARGARIDA LENNA PIMENTEL, FALECIDA EM 13 DE NOVEMBRO DE 2016, MEMBRO DA CADEIRA DE NÚMERO 15, PATRONA AILSA ALVES SANTOS.

A Academia Feminina Espírito-santense de Letras – AFESL, por meio de sua Diretoria, devidamente representada por sua Presidente Sra Ester Abreu Vieira de Oliveira, CONVOCA, nos termos de seu Estatuto, por meio do presente edital, a interessada em fazer parte da AFESL, na qualidade de Acadêmica Efetiva, inscrever-se apresentando, para tal, os seguintes documentos:
1  Currículo com comprovante;
2  Trabalhos publicados ou inéditos que, submetidos à Assembleia Geral, sejam considerados de real valor, pelo voto de, pelo menos, dois terços dos seus membros.
4- A inscrição deve ser feita até 31 de março de 2017, 09 dias antes da eleição, que se realizará em 11/04/ 2017, dentre candidatas devidamente inscritas e homologadas pela comissão eleitoral. (Art. 29 do Estatuto)
5- Somente poderá candidatar-se escritora da Grande Vitória com possibilidade de participar regularmente das reuniões mensais.
7- A Assembleia Geral instalar-se-á em primeira convocação às 14h30min, do dia 11/04, com a presença de pelo menos dois terços de seus componentes e, em segunda convocação, com qualquer número, meia hora depois, não exigindo a lei quorum especial (Art. 9º do Estatuto).

Vitória, 18 de janeiro de 2017.
Ester Abreu Vieira de Oliveira

(Presidente da AFESL)

18/01/2017

Encontro de incentivo e apoio à criação e a gestão de RPPN's no Espírito Santo (Dia 10/02/2017- UFES)

[ANIVERSÁRIO 10 ANOS DO LETRA E FEL] Coplas a la muerte de su padre Por Jorge Manrique (traduzido por Pedro Sevylla de Juana)

I

Recuerde el alma dormida,
avive el seso y despierte
contemplando
cómo se pasa la vida,
cómo se viene la muerte
tan callando;
cuán presto se va el placer,
cómo, después de acordado,
da dolor;
cómo a nuestro parecer,
cualquiera tiempo pasado
fue mejor.
Advirta a alma dormida,
avive o senso e acorde
contemplando
como se passa a vida,
como se vem a morte
tão calando;
quão presto escapa o prazer,
como, após pensado,
causa dor;
como a nosso parecer,
qualquer tempo passado
foi melhor.
II
Y pues vemos lo presente
cómo en un punto se es ido
y acabado,
si juzgamos sabiamente,
daremos lo no venido
por pasado.
No se engañe nadie, no,
pensando que ha de durar
lo que espera,
más que duró lo que vio,
porque todo ha de pasar
por tal manera.
E pois vemos o presente
como num ponto se é ido
e acabado,
se julgamos sabiamente,
daremos o não sido
por passado.
Não se engane ninguém,
pensando que tem de durar
o que espera,
mais que durou o que tem,
porque todo deve passar
por tal maneira.
III
Nuestras vidas son los ríos
que van a dar en el mar,
que es el morir:
allí van los señoríos
derechos a se acabar
y consumir;
allí, los ríos caudales,
allí, los otros, medianos
y más chicos;
allegados, son iguales
los que viven por sus manos
y los ricos.
Nossas vidas são os rios
que vão dar no mar,
que é o morrer:
ali vão os senhorios
diretos a se acabar
e perecer;
ali, esses rios caudais,
ali, os outros, meãos,
e infantes;
abeirados, são iguais
os que vivem pelas mãos
e magnates.
IV
Dejo las invocaciones
de los famosos poetas
y oradores;
no curo de sus ficciones,
que traen yerbas secretas
sus sabores.
A aquel solo me encomiendo,
a aquel solo invoco yo
de verdad,
que en este mundo viviendo
el mundo no conoció
su deidad.
Deixo as invocações
dos famosos poetas
e oradores;
não curo de suas ficções,
que trazem ervas secretas
seus sabores.
Àquele só me encomendo,
àquele só invoco eu
de verdade,
que neste mundo vivendo
o mundo não conheceu
sua deidade.
V
Este mundo es el camino
para el otro, que es morada
sin pesar;
mas cumple tener buen tino
para andar esta jornada
sin errar.
Partimos cuando nacemos,
andamos mientras vivimos,
y llegamos
al tiempo que fenecemos;
así que, cuando morimos ,
Descansamos.
Este mundo é o caminho
para o outro, que é morada
sem pesar;
mas cumpre ter bom tino
para andar esta jornada
sem errar.
Partimos quando nascemos,
andamos quando vivemos,
e chegamos
ao tempo em que fenecemos;
assim que, quando morremos ,
descansamos.


El poeta soldado:

Son escasos los detalles que tenemos sobre la vida de Jorge Manrique, autor de uno de los poemas más celebrados de la literatura española: Coplas a la muerte de su padre. No se ha podido confirmar la fecha ni el lugar de nacimiento del poeta, pero lo más probable es que naciera en Paredes de Nava (Palencia) en 1440. Otro posible lugar de nacimiento es Segura de la Sierra (Jaén).
Fue uno de los siete hijos de una poderosa familia noble, los Manrique de Lara. Su madre, doña Mencía de Figueroa, falleció a temprana edad; por lo que su padre, Don Rodrigo Manrique, Maestre de la Orden de Santiago, se volvió a casar, y lo hizo con doña Beatriz de Guzmán. Y Luego, tras su muerte, con doña Elvira de Castañeda.
Jorge Manrique se casó con Guiomar, la hermana menor de Elvira, en 1470. El matrimonio produjo dos hijos, Luis y Luisa. Fue el ideal del caballero de la época, aunando las armas y las letras; pues no faltaban soldados poetas en su linaje. Su tío Gómez Manrique, fue soldado y un gran poeta de la Edad Media, así como lo fue otro pariente suyo, Íñigo López de Mendoza, Marqués de Santillana, nacido en Carrión de los Condes, también en Palencia.
Su carrera militar incluye el levantamiento de los nobles contra Enrique IV de Castilla, y la Guerra de Sucesión Castellana (1475-1479) , entre Juana de Trastámara, hija de Enrique IV (el “impotente”), y su hermanastra Isabel I. Cuando Isabel violó el Tratado de los Toros de Guidando, casándose en secreto con Fernando de Aragón, Enrique proclamó a su hija Juana como heredera del trono, por lo que se produjo la guerra que acabaría con la subida al trono de los Reyes Católicos. Jorge Manrique y su padre, Don Rodrigo, lucharon juntos en el bando isabelino.
El padre murió en 1476 y pocos años después, en 1479, falleció Jorge Manrique. Fue herido de muerte en una batalla contra el marqués de Villena (don Diego López Pacheco), frente al castillo de Garcimuñoz, en la provincia de Cuenca. Sus restos están enterrados en la iglesia de Uclés.)

16/01/2017

[Aniversário de 10 anos da Revista Letra e fel] Felicitações do poeta espanhol Santiago Montobbio

Barcelona, 13 de enero de 2017

Querida Renata:

      Es bonito y una excelente noticia y que me produce una especial alegría el que Letra e Fel cumpla diez años. Vuelvo a sentir y saber con motivo de este aniversario la importancia esencial que tiene una revista en la vida cultural de una lengua y de un país -y desde ellos para todos, pues es una ventana siempre abierta al mundo-, la hermosa aunque difícil aventura que es, más hermosa, por los caminos que abre y oportunidades que da. Pienso ahora que hacer una revista es también, como Proust supo ver y dijo de la lectura, una forma de amistad. La amistad me trajo a Letra e Fel, pues llegué a ella de manos de nuestra común amiga Ester Abreu, quien ha analizado y traducido con sensibilidad y acierto mi poesía. De la mano de Ester mi poesía llegó también a Letra e Fel. No puedo más que alegrarme y celebrarlo, y también pensar que es un signo más de la gran y generosa acogida que Brasil y desde la lengua portuguesa ha dispensado a mi poesía: lo es la presencia de la misma en Letra e Fel, lo que tú, Renata, has escrito sobre ella y los poemas que has publicado en la revista y lo es también de modo muy destacado el libro de análisis y traducciones que ha dedicado a mi poesía Ester Abreu y es de próxima aparición, titulado A arte poética de Santiago Montobbio.
       Recibe, junto a la alegría por esta acogida a mi poesía que Ester, tú y Letra e Fel representáis, mi felicitación por este aniversario de la revista y un fuerte abrazo,


Santiago Montobbio

12/01/2017

Labrar Profundo (Poema de Pedro Sevylla de Juana)

A ti Alonso, hijo de Madrid o de Bermeo
Ercilla y Zúniga, o de Valladolid acaso, aunque improbable,
mas de Iberia por seguro;
a ti Alonso, quiero explicarte en estas letras,
gracias a Fortuna, breves,
mi asombro nacido de la separación que haces
de las noche vecinas de los días,
cuando escribes en plena madrugada:
“en una parte oculta y encubierta
tengo cerca de aquí mi gente armada”
gente que atacará al despuntar el alba,
confesando Alonso, al papel, secretos militares;
que soldado eres y escritor
a partes desiguales,
y no sé, lo doy por ignorado,
si actúas para contar
o cuentas para obligarte a hacer lo que has contado.

Como escritor, yo, que describe lo ocurrido
y lo mezcla con los deseos personales,
con aquello que quisiera que ocurriera,
dándolo por hecho de igual modo,
te diré que admiro el uso simultáneo
de la pluma y de la espada
blandiendo cada una en una mano:
ora la acción cierta,
ora, previo, su relato.

Labrar profundo, muy profundo
para que la tierra se airee y se oxigene,
y luego sembrar hondo
ese grano de trigo, humedecido
durante una semana larga en Valdepero
con agua del pozo y piedralipes,
y eliminar así enfermedades pasadas y futuras
de la semilla repleta de esperanza,
y que la semilla hinche su preñez más fructuosa
variedad antigua de grano adormecido
-coincido con Neruda en llamarla palabra-
pues ya estaba en el principio
del universo, aleteando, aleteando, aleteando
en vigorosa soledad, en abandono activo.

Y aunque hoy
hayamos convertido la palabra en sangre,
aunque la vayamos transformando en luz,
sangre a intervalos cada vez más largos
luz en espacios cada vez más breves,
debemos recordar, en el momento todo,
que su capacidad
-palabra lenitivo, palabra espada-
sigue siendo enorme, enorme, enorme;
ingente, apremiante y apretada.

Cuando, la puerta europea, en otro tiempo de par
en par abierta, a cal y canto amanece cerrada,
los necesitados de Iberoamérica
y del entero mundo
tienen que asaltarla, reivindicándose
como personas iguales y distintas
que no encuentran
huellas recientes de la humanidad antigua.

Europa los relega,
los relegan Portugal y España
los gobiernos europeos
los relegan, más como pobres sin enmienda
que como gentes de su gente
a la que también relegan.

Relega España a Ercilla
Madrid lo trata como a desconocido
y aquí reivindico su nombre y su vida
su vida y su obra
como ejemplo de todo aquello
que tenga de ejemplar el uso de la espada
antes o después
de usar con maestría la palabra.

Moriste Alonso y no sabes
por Fortuna
lo que tu cadáver fue y vino
de aquí para allá entero o separado;
ignoras que fuiste enterrado,
desenterrado y nuevamente enterrado
enterrado de nuevo, nuevamente;
ignoras que decapitado fuiste, y tu cabeza
vivió aventuras
que tu corazón ignora y viceversa
por Fortuna.

PSdeJ


Canto X de la Araucana (Fragmento)Escrito por Alonso Ercilla y ZúnigaTraduzido por Pedro Sevylla de Juana

Estas mulheres, digo, que estiveram
num monte escondidas esperando
da batalha o fim, e quando creram
que ia de revés o castelhano bando,
ferindo o céu aos gritos desceram,
o mulheril temor de si lançando;
e de alheio valor e esforço armadas,
tomam dos já morridos as espadas.

E a voltas do estrondo e multitude
também na vitória embevecidas,
de medrosas e macias de costume
se voltam temerárias homicidas;
não sentem nem lhes dava pesadume
os peitos ao correr, nem as crescidas
barrigas de oito meses ocupadas,
que correm melhor quanto mais grávidas.

Se chamaba infelice a postreira,
e com rogos ao céu se volvia,
porque a tal conjuntura na carreira
mover mais presto o passo não podia.
Se as mulheres vão desta maneira,
a bárbara canalla qual iria?
De aqui teve princípio nesta terra
vir também as mulheres à guerra

Vêm acompanhando a seus maridos,
e no duvidoso transe estão paradas;
mas se os contrários são vencidos,
saem a perseguí-los esforçadas;
provam a fraca força nos rendidos
e se cortam neles suas espadas,
fazendo os morrer de mil maneiras,
que a mulher cruel o é deveras.

Assim aos nossos esta vez varreram
até onde o alcance tinha cessado,
e desde ali a volta ao povo deram
já dos inimigos saqueado.
Que quando fazer mais dano não puderam,
subindo nos cavalos que no prado
soltos sem ordem e governo andavam,
a seus donos por jogo remedavam.

Quem faz que combate e quem fugia,
e quem depois do que foge vai correndo;
quem finge que está morrido e se tendia,
quem correr tentava não podendo.
A gente alegre assim se entretenía,
o trabalho importuno desprendendo,
até que o sol riscava os collados,
que o General chegou e os mais soldados

PSdeJ

Académico Correspondiente de la Academia de Letras del Estado de Espírito Santo en Brasil, Pedro Sevylla de Juana nació en plena agricultura de secano, allá donde se juntan la Tierra de Campos y El Cerrato; en Valdepero, provincia de Palencia y España. La economía de los recursos a la espera de tiempos peores, ajustó su comportamiento. Con la intención de entender los misterios de la existencia, aprendió a leer a los tres años. A los nueve inició sus estudios en el internado del colegio La Salle de Palencia. En Madrid cursó los superiores. Para explicar sus razones, a los doce se inició en la escritura. Ha cumplido ya los setenta, y transita la etapa de mayor libertad y osadía; le obligan muy pocas responsabilidades y sujeta temores y esperanzas. Ha vivido en Palencia, Valladolid, Barcelona y Madrid; pasando temporadas en Cornwall, Ginebra, Estoril, Tánger, París, Ámsterdam, Villeneuve sur Lot y Vitória ES, Brasil. Publicitario, conferenciante, traductor, articulista, poeta, ensayista, editor, investigador, crítico y narrador; ha publicado veinticuatro libros, y colabora con diversas revistas de Europa y América, tanto en lengua española como portuguesa. Trabajos suyos integran seis antologías internacionales. Reside en El Escorial, dedicado por entero a sus pasiones más arraigadas, vivir, leer y escribir. Blog: pedrosevylla.com




11/01/2017

Negra sombra, de Rosalía de Castro (um dos cantos mais formosos e elementais da Galícia)


Sou leitora da escritora galega Rosalía de Castro e reconheço na sua poética a melancolia, seiva da grande árvore comum do idioma (o latim). Esse mesmo sentimento pode ser encontrado nas poesias da portuguesa Florbela Espanca.

A Galícia é uma terra de encantamentos e de fé (cristã e pagã). Ali, na Catedral de Santiago de Compostela, está depositado o corpo do Apóstolo Tiago, mas nas noites frias as pessoas se reúnem para invocar as bruxas com seus sortilégios e seduções, nos encontros regados a deliciosa bebida proveniente dos rituais das "queimadas".Renata Bomfim.






Poesias de Santiago Montobbio (Barcelona, Espanha)


ÚNICAS PATRIAS

No cantes que una estrella le hizo harapos,
o que le ha mentido; no te des trabajo, no finjas madres
ni tampoco lluvias, si de errados miedos o de parlanchinas lunas,
del fin del vivir o sus fracasos sabe el poeta su destino
o el poeta sabe -quiero decir- que su destino
no es ninguno. Pues anónimas respiran las canciones,
ni tarde les llega el vino y así es difícil
que encuentren las únicas patrias en que se clava el verso,
las únicas patrias o donde el verso es pez,
rojo o vivo, las únicas patrias, te digo,
corazones u olvido, corazones mordidos.

De Absurdos principios verdaderos

LA LIBERTAD ES UNA PATRIA, Y LA POESÍA

es libertad. Así en ella vivo
y por sus misterios camino. Senderos ando
que no conocía, a fuentes de ignoradas aguas
en los adentros me llevan, y yo dejo
que me lleve de la mano, de la música
y de la mano, del dolor de vivir, del asombro,
la tristeza, el pasar y el pesar de los días,
el tiempo que en cualquier esquina palpita
y nos trae un recuerdo que nos dice
exactamente cómo fuimos y quizá
aún somos, el tiempo que nos persigue
como sombra tras todos nuestros pasos,
la congoja, el naufragio, la zozobra,
y el íntimo desastre del amor que no han querido
y el silencio con que lo has soportado y lo has vivido,
con todo eso, con todas esas fuerzas y elementos
que forman una vida
voy de la mano de la poesía
y me pierdo en los adentros,
o me cifro, o me encuentro.
El poema da nombre a este desierto.
Me guste o no es el que tengo.
Pero cuando me llaman por él respondo lento,
porque me cuesta darme cuenta de que soy yo
el que está en el espejo, en los versos.



De Sobre el cielo imposible

Santiago Montobbio. Barcelona, 1966.


Santiago Montobbio. Barcelona, 1966. Licenciado en Derecho y Filología Hispánica por la Universidad de Barcelona y profesor de la UNED. Publicó por primera vez como poeta en la Revista de Occidente en 1988. Al recibir su primer libro, Hospital de Inocentes (1989), Juan Carlos Onetti escribió: “Muy pocas veces me produce alegría contestar a los autores que me envían sus obras. Este es un caso distinto. Me hace feliz escribirle porque su libro HOSPITAL DE INOCENTES es muy bueno y de manera misteriosa siento que coincide con mi estado de ser cuando estoy escribiendo”. También mereció el reconocimiento espontáneo de otros ilustres autores, que destacaron la belleza, fuerza y hondura de esta poesía: así, Camilo José Cela encontró “tan hondos y hermosos” los poemas, y esto escribieron Ernesto Sabato (“Son magníficos”), Miguel Delibes (“Envidio la fuerza de su verso”) o Carmen Martín Gaite (“me han conmovido extrañamente. Porque salen de un pozo muy oscuro y verdadero”). Ha publicado también Ética confirmada (1990), Tierras (1996), Los versos del fantasma (2003), El anarquista de las bengalas (2005), finalista del premio Quijote 2006, que concedía la Asociación Colegial de Escritores de España al mejor libro publicado en el año mediante votación de sus socios, y Absurdos principios verdaderos (2011). Ha colaborado en las primeras revistas de España, Europa y América, y ha sido traducido al inglés, francés, alemán, italiano, danés, portugués, rumano, albanés y holandés. Es autor de un libro de arte con el pintor Lluís Ribas, Els colors del blanc (2008), y de uno de conversaciones con la comparatista de la Universidad de Siena, traductora y especialista en su obra Amaranta Sbardella: Escribo sobre el aire del olvido (2012). Se han editado dos antologías de su poesía en Francia (Le théologien dissident, Paris, 2008, y La poésie est un fond d’eau marine, Paris, 2011), una en Brasil (Donde tirita el nombre/Onde treme o nome, Sao Paulo, 2010) y otra en Holanda (Desde mi ventana oscura/Vanuit mijn donkere raam, Deventer, 2016). El año 2009, después de veinte años de silencio, volvió a escribir poesía con gran intensidad, por lo que hay ahora toda una nueva obra poética, que se ha dado a conocer en una tetralogía en la histórica colección El Bardo: La poesía es un fondo de agua marina (2011), Los soles por las noches esparcidos (2013), Hasta el final camina el canto (2015) y Sobre el cielo imposible (2016). Próximamente se publicará un nuevo libro, también en esta colección y con poemas escritos con posterioridad a los incluidos en la tetralogía y que constituyen una continuación de ésta. El cantautor nicaragüense Ofilio Picón ha publicado el disco La libertad y el mar son una música, que contiene doce poemas de Santiago Montobbio musicalizados por él. Este cd se presentó el 29 de septiembre de 2016 en el Instituto Nicaragüense de Cultura Hispánica, en Managua, y se presentará en Barcelona, dentro del Festival Barnasants Canción de Autor, en Harlem Jazz Club el 5 de marzo de 2017. Hay que señalar con justicia la gran acogida que ha suscitado la poesía de Santiago Montobbio en Brasil, y de manera muy destacada la labor de traducción y análisis que ha realizado sobre ella Ester Abreu Vieira de Oliveira. Esta valiosa e importante labor de estudio, reflexión y análisis de la poesía de Santiago Montobbio por parte de Ester Abreu ha dado el fruto del libro que a su poesía ha dedicado y es de próxima publicación: A arte poética de Santiago Montobbio.