30/03/2008

Quem sabe uma chuva de pétalas de rosas
Como desejou santa Tereza,
ao banhar nosso corpo lhe restaure a pureza,
religando-o ao divino?
Gotas de orvalho para potencializar o rito
de passagem, para outra dimensão,
a do sagrado.

Fantasia, delírio, logo pensarão!
Mas, quem já não foi picado pela serpente
do medo, do ódio e da mágoa?
Ou não teve o seu corpo contaminado
com os agrotóxicos da indiferença e da desilusão?
Eis que nossos póros estão obstruídos
para o outro, e nos olhos, grossas escamas
impedem a passagem da luz.

Quem sabe as rosas, possam devolver-nos
o frescor e a inocencia,
Para que desça sobre nós, do céu, a pomba
da gentileza, petencostes pós-moderno, às avessas.

Assim falaremos outras linguas: amabilidade,
cuidado, bem dizer.
Babel do saber e não do poder.
Pois onde há poder não há amor,
e onde o amor impera o sacrificio é sacro, santo,
ofício de doação per se.

Que surja uma nova era,
a era das rosas, era de ouro,
era de mim e do outro, era de nós.
Assim, nosso banho de rosas será dourado.

23/03/2008

Fantasmas II

Vou mandar rezar uma missa
Para que me deixes descansar
e para que também descanses.
E se em algum tempo
teus olhos me encontrem
não sejam faca na minha carne,
lancinante.
Minha fé está plantada no aqui e agora
vivo como posso,
danço a música infligida pelo tempo,
que joga comigo, com você e com nossos
parceiros invisíveis.
Se as rezas nos salvarão das regras?
não sei te responder,
Sigamos em frente, meu ex- amor,
Já nos basta o viver.

Para as minhas assombrações

Secaram-se as folhas das árvores e
nuvens cinzas se avizinham
trazendo consigo a chuva e o frio.
Penso em você com saudade.

Você que coloriu os meus dias,
que me inspirou um mosaico e
me deu uma flor ainda em botão.
Penso em você com amor,
do fundo de minha solidão.

Fantasmas, sombras, melodias do adeus
É o passado que me revisita com lembranças,
aquecendo o coração.

Fantasmas do passado, tão presentes que
Em momentos, o hoje se torna rarefeito,
uma fumacinha de ilusão.

22/03/2008

Estranhas entranhas

Você me julga!
Durante muito tempo (a)colhi julgamentos
mas o tempo me ensinou a ensurdecer.
Das entranhas de uma mulher
só ela é quem sabe!
As más águas que por alí correram regando
sementes que dormitavam fingindo de mortas.
As dores que floresceram e ainda florescem
vestidas de sangue e secam, sementes de solidão.
Então, não venha me dizer que
sou, do mundo, a mais feliz das fêmeas.
Das minhas (estranhas) entranhas
Eu é que sei!

18/03/2008

13/03/2008

Orquídea

Queridos amigos,
inimigos ocultos,
gente feia e bonita,
ou seja, todo mundo!

Segue a foto da minha orquídea
Que Floresceu
Fora de época,
Assim como eu.


bai renatab

Ode ao gato


Certamente algumas pessoas que não sentem muita simpatia pelos felinos lerão ao invés de ode (que significa canto) ao gato, ódio ao gato. Mas, de antemão aviso que, nesse texto, nem barata se mata. Sou o que pode se chamar de “gatófila” declarada, ou seja, acho os bichanos animais extraordinários.
Os gatos têm má fama, vamos admitir! Eu soube que tem até um palestrante por aí, faturando com isso e reforçando essa visão equivocada. Ele fala em suas apresentações sobre o homem do "tipo cachorro": fiel, honesto, amigo, bom, e o homem do "tipo gato": falso, perverso, mentiroso, ladrão, etc, o primeiro, um santo, o segundo, capeta peludo com sete vidas!
Mas por que será que tantos atributos negativos são destinados ao mais inofensivo membro da família dos felinos? É certo que o gato têm seu jeito de ser, ele não é dado a estardalhaços, mantém uma certa independência em relação ao seu dono, não é excessivamente carente e não abre mão de boas horas de sono.
Quem tem ou teve gato sabe que o felino escolhe o dono e não o contrário. O gato oferece amizade e amor de uma forma que muitas pessoas não compreendem, ou não suportam, o amor do gato é amor de liberdade. Acho que é por isso que muitos optem ter como bicho de estimação algum animal mais subserviente. Muitos chegam ao cúmulo da perversidade, e prenedem pássaros em gaiolas, não percebendo que presas estão as suas almas. Enfim, gatos são conquistados, assim como conquistamos amores e coisas preciosas que desejamos.

Um ditado popular chinês diz que “o cachorro é um romance, e o gato, um poema”. Sabemos que na idade média, os gatos eram enforcados juntamente com as mulheres acusadas de bruxaria, daí vem a imagem da bruxa com seu companheiro gato preto. Crendices que se arrastam até hoje, e fazem com que tantas atrocidades sejam feitas com os gatos. Pelo amor de Deus, tem gente que, quando vê um gato se arrepia e não sai de casa, imagine se essas pessoas virem um gato preto, numa sexta-feira treze, o que será que farão ou não farão?
Bem, deixo claro para vocês que também gosto dos cães, para mim, são amigos maravilhosos, não são nem melhores e nem piores que o gato, ou qualquer outro animal, são simplesmente diferentes, mas, igualmente especiais.
Voltando ao ditado chinês, o gato encarna a própria poesia, talvez por isso, seja amado por tantos artista e, principalmente por escritores. Jorge Amado certa vez declarou que, seu maior sonho era receber de presente um gato da raça Maine coon, Guimarães Rosa aos seus felinos, dedicou vários escritos, Cortázar tinha adoração por seu gato Flanele. Para Jorge Luiz Borges, depois de sua santa mãe, vinha o seu gato, e a lista de artistas é enorme , tem a Clarice Lispector, o Baudellaire, o T. S. Eliot dedicou um conjunto de poemas aos gatos, o Manuel Bandeira também elogiou os felinos, a poetisa Maria Lúcia Dal Farra escreveu: “Gatos tem o andar etéreo da hera sobre pedras” e Lorde Byron que possuem “beleza sem vaidade, força sem insolência, coragem sem ferocidade, todas as virtudes do homem sem vícios”.

Neruda conseguiu, a meu ver, captar extraordinariamente a essência felina, num trecho de seu poema intitulado Ode ao gato diz: “O homem quer /ser peixe e pássaro, /a serpente quisera ter asas, /o cachorro é um leão desorientado, /o engenheiro quer ser poeta, /a mosca estuda para andorinha, /o poeta trata de imitar a mosca, /mas o gato, /quer ser só gato /e todo gato é gato do bigode ao rabo, /do pressentimento à ratazana viva, /da noite até os seus olhos de ouro.”
Quanto a mim, a história-felina começa em 1996 quando a gatinha Lili, hoje com doze anos, entrou na minha vida. Ela fez com que eu amasse todos os gatos do mundo!
Finalizo deixando ao palestrante de que falei as palavras, que de certo não lhe ofenderão, “- sou uma gata, és um cão!”. Às pessoas que tem medo de gato e ainda cultivam a mentalidade medieval faço um pedido: - ao virem um gato preto numa noite de sexta-feira treze, fique feliz, pois é presságio de boa sorte. Miauuuuuuuu.

bai Renata Bomfim

Angústia da influencia!

(Manuel Bandeira, 1886- 1968)

Os versos livres do Manuel são,
para mim, melodias que inspiram a criação.
Deus! como ele pôde escrever assim?
Pobre de mim! que apenas arranho a lira!
Sincero, o poeta defendeu o lirismo libertação:
Abaixo os puritas!
Lirismo honesto, não gera poema
do tipo "agrade a namorada",
e não capitula para fora de si mesmo,
é mentira, embromação.
Os loucos, sim, desses a poética se beneficia!
Que se erradique a hipocrisia e o comedimento,
Deixemos descansar o dicionário,
e que a poesia brote insurecta
das profundezas da alma, do pensamento,
ou sei lá de onde,
pelas musas abençoada.

11/03/2008

É Honoré

É Honoré,
Sou uma mulher de trinta!
Vêem em mim atrativos irresistíveis,
Esperam que eu satisfaça a tudo e a todos,
na comédia humana da vida.
Mas confesso que
as vezes me sinto feia,
presa a uma teia louca que
afirma que preciso de plástica,
de muito dinheiro, de posição.
É um vestibular diferente,
E me cobram: "escolha ou isso, ou aquilo",
?Ser a gostosona,
ou ser a mãe, se não isso, ser
uma profissional, macha e
mandona.
Sabe o que quero, Nô?
Julgue se é pedir demais,
Quero viver em paz!
Esquecer essa coisa de idade,
de cobrança, de "se enquadre",
quero me libertar dos estereótipos,
Já passei pela faculdade.
Chega de ter que sempre escolher,
Quero acolher!
Então, já digo na lata,
Que de mim, não esperem nada!
Peço que larguem do meu pé,
Deixem que eu oferte carinho,
amizade, lealdade, e me zangue também,
se tiver vontade. Que eu
trabalhe e que tenha filhos, ou não.
Não me cobrem nada!
Me deixem ser uma mulher de trinta
assim como sou hoje,
quase ajuizada.

10/03/2008