30/04/2008

irmandade

*
Há fontes que geram em nós
novas águas
despertando olhos cristalinos e
fazendo brotar da terra ressequida,
a vida e o desejo primordial
sopro que podemos entender
como sendo entendimento, sentido.
*
Há terras que fazem brotar em nós
outras sementes
tornando- nos híbridos,
desfazendo a hegemonia da matriz e
pluralizando os frutos que
despertam para novos paladares.
*
Há forças que não podemos explicar
elas fazem com que nos juntemos e
com que queiramos ser nós mesmo
no desejo do outro
e desejemos ser o outro
bebendo da fonte e brotando da terra
Um outro espe(ta)cular
tão próximo que
poderia ser nosso irmão.
*

26/04/2008

SAMSARA

Meu corpo
metamorfose!
Já não sou mais
aquela dos vinte
ou dos trinta...
Bebo do vinho do tempo
com alegria
e agradeço a vida,
esse presente!
Dádiva que colho
em cada amanhecer.
Espírito novo
corpo
desejo e fogo
Fênix!
Me pego novinha em folha
em flor
e caio em pétalas
agradecida
na rosa dos ventos.

21/04/2008

Ser

Nem um corpo vazio
nem uma mente alienada.
Na sua pluralidade
o ser busca defir-se
a alma canta a sua completude
e clama pelo sangue e pela carne
desejosa dos fluídos divinos.

A natureza nos brinda
com seus mistérios.
Nem os ventos mais distantes
deixam de estar presentes
e de beijar as colinas próximas.
É tudo uma questão de tempo
tempo mágico, mítico, fora do tempo.

Nos giros da grande roda azul
os elementais do fogo trabalham
incessantemente
para a purificação da matéria organo/sutil.
E a alma,
durante a jornada,
vai sendo preenchida
pelas cinzas benditas,
por sonhos
e esperanças.

20/04/2008

Publicações 2008

Amigos,
O poema "Rôgo" será publicado na Antologia "Os mais belos Poemas de Amor " - Edição 2008/
O Poema "Entre a luz e a escuridão" na Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos vol.45/
e o poema "Mulherarvore" na Antologia paradidática "Palavras Verdes" - vol. 2/ pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores.
todos os poemas de são de minha autoria e estão postados no blog.
abraços
re

19/04/2008

palavra seta

A tua palavra
tesa
Voa da lingua
É seta
e me acerta.
Íngua!
Dói
e não cessa,
abcesso inelutável.
E eu que não sou
uma pobrezinha,
insuflo em você
Ares de vênus,
Veneno!
Para te devolver
em valores
as tais palavras-dores.
Embuídas em
fel,
solução borbulhante
na taça
onde
desvanesce
a minha fantasia.

17/04/2008

sensorialidade

O táctil se apoderou de mim!
Já não te busco mais atada
ao fio dos meus pensamentos.
Te experimento inteiro
com meus olhos
Teu cheiro fala à minha boca
da hora de amar e
sussurra indecifráveis
comunicando sem palavras
o silêncio dos amantes.
Meus póros estão abertos
para te captar
em vibrações e
sutilmente
eu te canto
no presente
batendo as palmas das mãos
e soltando os pés
em bailados desconcertados.
Te submeto aos meus desejos
mais indecentes com
as gotas adocicadas
do meu suor.
É assim que eu te quero!
Estrela cadente
É assim que eu te busco!
desejoso
no céu da minha boca.
Ânsia louca camuflada
na senda da urgência
emergência da gente
de sermos
mãos que se acolhem e guiam
numa vivência
meta- sexorial.

Faces

Minha face brinca de ser Outra
e à medida que o tempo passa
ela se reveste ora de sorrisos
e ora de lágrimas
se expandindo ao infinito.
Ao sabor do vento
esse rosto que não é só meu
busca abrigo nas mãos de outra pessoa.
E a imagem que você beija
e diz conhecer bem
vai se transfigurando
e ensaia ser vale
Flor
tigre
cobra
água
madeira
fogo
voltando devagar a ser esse eu/outra
conhecida e estranha
sempre em busca de metamorfoses.

14/04/2008

sensações

O sopro do vento na cara
a descida do morro
a ferida na alma.
Canção protelada
espaços cedidos
amores perdidos
na calma esperada.

Tudo faz de mim Ser emergente
Esse tudo me reduz a ser eu, gente.
Esse isso, confuso, me embriaga.

09/04/2008

girassol

No canteiro ela girava
e girava e girava...
Sol à pino.
voluptuosa!
Seu amarelo ofuscava o ouro
e encantava os céticos
e os desaventurados.
Ornamentos sagrados
seus pistilos doces.
Oferendas para os deuses da
polinização e deleite para as abelhas.
Quem me dera girar na tua ciranda e
revestir meu corpo com tuas pétalas.
Quisera poder voltar
e rever o local onde primeiro te vi.
Hoje te admiro dos meus sonhos
terreiro onírico onde encontro energia,
e seres que não são de carne e osso.
Lá continuas a girar sol à sol.
Da noite iluminas a minh' alma
para que meus olhos
brilhem durante o dia.

Canto de abertura

Brilham sóis na minha lua
E sou toda bruma,
rio a deslizar pelos penhascos.
A minha terra está úmida, desejante,
à espera da tua semente que
acolherei como se fosse a última.
Não há mais solidão,
a pedra quebrou-se,
fez-se multipla.
Brilham os sóis da minha lua
E sou toda e todos e sou nada
o pó dessa terra
o porvir desse chão
mãos ágeis na construção
da paz tão esperada.