30/11/2008

Poema inacabado

O amanhecer está aí
despontando
arrebentando na abóbada chumbo
contrariando aqueles que profetizaram
a tua ruína
Carpe Diem!
Sorve até a última gota
o dia que se anuncia
Seja feliz agora
estrangula a hidra
estrapola
Seja criativo
sem medo de errar
acolha a erro
e grita alto
"Não me importo com isso!"
e se importe
apenas
com os riscos
de não arriscar
Rabisca
lambuza
vira o disco
traduza para a lingua dos homens
os sonhos utópicos
enfim...

24/11/2008

Poesias de Pedro Paulo Boffy

Amigos, apresento a vocês uma pequena mostra da escrita de Pedro Paulo Boffy. Uma poesia marcada pela leveza e pela multiplicidade de camadas interpretativas. Bem, agora é só curtir...

A luz que toca no chão.

Sonhei que uma bela estrela caminhava pela areia e,
estava prestes a banhar-se,
por onde passava exalava o seu perfume celestial.
tocava lentamente a areia,
ali deixando a expressam da perfeição que
ostentava sobre as marcas de seus pés na areia.
A brisa soprava levemente,
espalhando o suave aroma de paz...
As ondas bravias que pareciam querer sufocá-la,
à medida que delas se aproximava abrandavam
e com que se tivessem revenciando-a,
punham-se a saudá-la.
E, repentinamente, tocando-a,
pusseram-se a envolve-la,
acalmando o calor que saía de seu corpo;
sem apagar o brilho e já toda envolta,
o mar punha-se a acariciá-la,
até que subitamente,
passo-apasso retirou-se das ondas e,
deleitada com tanto acalanto,
subitamente voltou a integrar sua constelação,
de brilho úno e imprescidível.
Com vida toda viva.



Pedra da fé.

Grande PEDRA,
COM expressiva flor,
morena de sol,
de brilho dourado,
de boca maça,
como amoras de época,
com beleza que reflete,
para o chamado angular,
no seu Rei escolhido - cheio de edificações,
pescador de emoções,
da pedra do ser,
razão do estar,
por ter voce
e toda uma humanidade...
que leva cada vez mais longe teu pensamento,
coberto de verdade...ilhado no mundo,
da grande pedra da fé.

11/11/2008

ovo cósmico

A falta toca o peito e
abre buracos no tempo/espaço
(aproveito)
afasto pensamentos limitadores
sombras
A leveza me invade
viajo nas asas do vento

Sou Fernão Capelo Gaivota
Ulisses nos braços de Circe
Sou Eva cantando triste
(desejosa)
pela fruta que tanto gosta

AH! se eu pudesse beber do Letes
e ser inaugural como a alvorada
ser Divina
e não essa fêmea bruta
mulher em construção
alterada pelas limitações
e mesquinharias
da humanidade nata

As mãos tecem desafios
Criam inéditas formas de ser
e existir
abro os olhos para o novo que surge
(tímido)
Fruo estes versos
que são andorinhas
e  voam em direção a você

Te convido para brincar
para decantar palavras
celebrar alianças verbais
que se tornarão carne

Me empresta a tua voz ?
e canta com a minha lira
escreve outro poema
vivo, lúcido
Rizoma que justifica
o meu intento

Estou descansada
meus olhos se fecham
respiro suavemente
cabeça erguida
mãos estendidas
Amigo,
somos flechas
mirando o infinito


27/10/2008

questões poéticas XV

O que te faz feliz?
O que faz vibrar teu coração?
O que te faz pensar?
O que a consciência te diz?
Em mim brotam mil pensamentos
água de fonte, eles
são rebentos, são como filhos que
ora acolho, alimento, e hora
negligencio deixando ao sabo da propria sorte.
Me faz feliz imaginar a humanidade
vivendo em harmonia com a natureza
Todos comendo grãos e vegetais,
bebendo água pura,
com saúde e moradia
e me dizem: "que discurso gasto, pura utopia"
me calam a voz.
Mas logo sugem os engasgos
os nós na garganta
e minhas palavras altivas e
até mesmo agressivas
pedem passagem.
Então emerge um eu que
até eu mesma desconheço,
e já não sou sou mais essa aquela
Sou fauna,
flora
macaco, paca, tatu
passarinho na gaiola
cantando em gritos.
Faz meu coração vibrar essa energia
a minha consciência está desperta!
Sei que estou aqui, agora,
mas um dia, serei da terra alimento.

Convite à sedução

Me seduza com tua manha
dobra o meu orgulhoso
com palavras obtusas
colorindo os dias e noites
com promessas vãs.

Me induza à perdição
ao abismo dos apaixonados
onde tudo é terrivelmente belo e raro
onde habita o sentido, a completude e
a comunhão.

Me faça sentir viva
Não é isso o amor?
Essa cegueira induzida
esse sim, não, sim.
Não é abrir, por vontade própria,
na carne, feridas?
Chagas benditas
Ter por deus a saudade
e render-lhe adorações
não é curtir, como D'Avila,
o tal gozo mistico?
Não é isso o amor?

Me seduza
Anseio esse descentramento
Para que a vida se torne verdade
Anseio essa experiência divina
fundada na utopia
pra ver brotar de novo o desejo
Transformando em encantamento
O que agora é pura afasia.

21/10/2008

A fúria de Eros

Desejo a luz azulada
Do teu peito abrasado
Dá-me o teu gozo
o teu coração
Dá-me o teu pulmão
Teu baço
Pernas e braços
Sê meu por inteiro
Sem sombras e nem saudades
Deixa para traz
pai
mãe
irmão
Deixa de comer e beber
Vem para mim com cuidado e
Sem demora
Traz o fogo de Prometeu
De Zeus a chuva de ouro
Vem dissimulado
Deita com os olhos semicerrados
E finge que não me viu
Vou te dar o meu ódio
em férreos beijos e abraços
Cacos afiados de antigas convenções
Sê meu nesse delírio de posse
Antes que noite acabe
e se desfaça a fantasia
Antes que vire dia
Dá-me a fonte de luz
que o teu sexo irradia.

nó na garganta

Se te conto os sonhos mais íntimos
É porque são não- sonhos.
Se te engulo em dias de calor e te
Enrolo nas cobertas da saudade no frio
é porque minhas lembranças clamam
das profundezas.

Não sou especial!
Sou apenas eu
de mãos vazias,
versos translúcidos,
Sou apenas eu
>>>>>>>o pretérito
>>>>>>>a preterida

Sou apenas eu
Embalada por verbos-pirações
derramando-me sobre o papel em fantasias
enriquecidas pela paranóia.

Esse nó na garganta difícil de desatar, amor,
é a minha vida
Buscando ar, espaço, acolhida,
Sou eu tentando ser gente
precisando de amor
fazendo igual cachorro pulguento
buscando dono e lambendo as feridas.

Silêncio

Silêncio
Faz-se necessário ouvir
Este som
Este grito
A música dos loucos e dos exilados
É preciso, também, observar, enxergar
O mais cruel
O mais triste
É preciso sentir a dor
É preciso ver a cor do medo e da tristeza
E suar frio até pingar
Arrancar as roupas
descalçar
Ficar nu
Ter a alma nua
A revolta vai brotar linda assim,
excitada, sob forma de ação.
Sim, é preciso agir, e rápido,
Partir em busca de solução
Para a fuga
Para o desespero do mundo
Vamos sair correndo
de dentro da roda
É preciso virar marginal
Vamos curtir a margem
de onde se é invisível
de onde tudo se vê, ouve e sente
onde o sonho é uma utopia tangível
e de onde partem todos os por quês.

Linhagem

Cabem nas mãos pequenas
da mulher
a agulha, o tecido e o fio com que
alinhava veloz as mágoas
Buscando fechar os rasgos
Remendar as coisas
Revivendo verbos puídos
e desgastados:
Amar
Sonhar
Sofrer
Ofertar
E ao fim do bordado
arabescos de dantesca bruteza
revelam o ácido da trama que corrói
corrompendo e condenando
a mulher
que sempre se doa
a eterna incerteza.

ribeiras da melancolia

São colinas essas estranhas
que se elevam diante de mim
O gelo encobre a terra fértil
O rio do tempo passou sulcando o chão que
hoje é pedra
Marcas de uma Era que deixou de existir.

Eu, essa pequena ponta de ice- berg
vagante
Domada como um carneirinho
engolindo sapos e o tempo que passa
sendo devorada como os livro
pelas traças da perplexidade , do susto e
do absurdo.

A barreira torpe que meu corpo encena
vai sendo transposta devagar
vencendo a lei da mão do mais forte
impelindo minha energia vital a buscar espaço
nas sombras e a desfrutar núpcias
nos braços da morte.