27/10/2012

errância

religiosamente estendida
sobre a cama. veludos e cetins.
não havia sorriso verdadeiro:
seu rosto de demônio e querubim,
ardia e congelava ao mesmo tempo.
ousei me despir por você, de tudo:
das roupas, do sonho e da fantasia,
encontrei o real talhado em pedra,
a morte de um antigo alvorecer.
ofegante, você me deu a mão,
eu aceitei o seu gesto de santa,
mas, para mim não havia esperança
meu destino era ser sombra de mim
vagando pelo mar da indiferença.

renatabomfim

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