21/04/2016

Fora de Órbita: Este Brasil que eu amo (Crônica de Inês Pedrosa)

 No Brasil sinto-me em casa. Essa sensação de intimidade aconteceu desde a primeira vez que aterrei no país (no Rio de Janeiro, em 1999). Foi uma atracção de cheiro, de pele, de vida. Conhecia o país pelos livros (de Drummond de Andrade, de Machado de Assis, de Vinicius, de Erico Veríssimo, de Jorge Amado – na época, ainda apenas estes) e pela música popular (Caetano Veloso, Chico Buarque, Maria Bethânia – sem esquecer o Roberto Carlos da minha infância, que me levou até eles). Temia que o encontro fosse decepcionante; uma das regras da estúpida cartilha do amor impossível em que se educa a contemporaneidade reza que não devemos aproximar-nos daquilo que amamos ao longe. Por causa dessa estupidez passei uma década a evitar conhecer Agustina Bessa-Luís, que, apesar de ser um génio, é uma das pessoas a quem mais alegrias devo. Esta memória não vem desenquadrada do tema da crónica, ao contrário do que pode parecer ao leitor incauto, porque o Brasil é um dos vários lugares do mundo onde fui feliz com ela, e também porque, tal como eu, Agustina sentia-se feliz pelo simples facto de respirar o ar do Brasil. E entendeu-lhe a fundo a História, o drama, a graça e o talento específico, como perceberá quem ler o seu Breviário do Brasil.

Regresso incessantemente a essa imensa nação que Stefan Zweig baptizou como o País do Futuro, sabendo que esse reencontro me tornará mais forte e mais livre. Não são só os livros, as livrarias, as canções, os espectáculos, os filmes, as exposições. Nem é só a variedade da paisagem, a informalidade no trato e no traje, o samba, os sucos, o doce de leite e a qualidade da caipirinha. São as pessoas, sobretudo, sim: o modo como se atrevem a sonhar. O riso feito da mesmíssima cintilante matéria das lágrimas. A velocidade com que o entregam, a eternidade em que o conservam. Na balança do meu coração, o Brasil pesa muito – um peso que dança, levita, ilumina e aquece. Conheço o Brasil de norte a sul, do litoral urbano e sofisticado ao paupérrimo e bravo interior do Sergipe, conheço-lhe as manhas e os mantras, o luxo e o lixo, e, acima de tudo, a sublime arte de dar a volta aos abismos.

No passado domingo, descobri, pela televisão, um Brasil desconhecido, assustador. Um Brasil de deputados urrantes, clamando pelas mãezinhas, votando “pela família”, por “Deus”, ou para que o filhinho “não seja obrigado a mudar de sexo”. Um Brasil que se insulta a si mesmo, louvando os verdugos que torturaram compatriotas, no tempo da ditadura. Não estou sequer ainda a falar de política, mas da ausência dela. Não falo da visível carência de alfabetização da esmagadora maioria dos deputados, mas de uma visão bárbara, vingativa e vingadora da existência, que denuncia a continuidade do Brasil dos coronéis que Jorge Amado cirurgicamente descreveu. Como convive esse Brasil com o da cultura que se impôs ao mundo pela sua fulgurante originalidade? Como pode o Brasil político ser tão distante do seu povo, de Guimarães Rosa a Cartola, de António Cicero à Mãe Menininha da Bahia?

E, no entanto, eu vi o Brasil mudar, mês a mês, ano a ano, do fim do milénio passado até hoje. Vi o fosso social diminuir, os pobres alcançarem direitos laborais e humanos mínimos, a classe média começar a respirar. A mudança não está garantida, porque em vez de leis o governo criou programas (como o Bolsa-Família) que a qualquer momento podem ser revertidos. A perspectiva do PT é assistencialista, a da direita brasileira é neo-liberal; o conceito europeu de socialismo democrático ou social-democracia não criou raízes na maior democracia da América do Sul. O Novo Mundo fez-se do espírito empreendedor e individualista de emigrantes e ex-colonizados, gente que não tinha nada a perder e que aprendeu a desconfiar do Estado. O Estado, no Brasil como em toda a América do Sul, raramente se mostrou de confiança. Para lá de todas as considerações sobre a falta de capacidade demonstrada por Dilma Rousseff, é irónico que o seu processo de destituição, sob pretextos de ética política, seja liderado por um homem indiciado por corrupção. Mas estou certa de que, ao contrário do que vaticinam as cínicas pitonisas europeias, essa força surpreendente que é o Brasil civil se organizará contra qualquer hipótese de ditadura. E acabará por transformar aquela Câmara de Deputados vinda do Paleolítico Inferior em qualquer coisa capaz de respeitar a beleza e a potência futurante do Brasil.  

 Inês pedrosa
Tradutora e escritora portuguesa

2 comentários:

Anônimo disse...

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Muitas pessoas já receberam ajuda e orientação através do seu trabalho espiritual.

Anônimo disse...

Houve um momento na minha vida em que me senti completamente destruída…
Quando meu namorado terminou comigo de repente e me bloqueou em todas as redes sociais sem nenhuma explicação, eu fiquei muito doente por causa da dor. Eu não conseguia comer, não conseguia dormir, e meu coração estava cheio de confusão. Eu continuava me perguntando: “O que eu fiz de errado?”, mas não tinha respostas.
Apesar de tudo, eu ainda o amava profundamente. Deixar ir não foi fácil, porque meu coração se recusava a esquecê-lo.
Um dia, uma colega de trabalho percebeu pelo que eu estava passando e me apresentou a um homem idoso, gentil e experiente chamado Dr. Dawn. Ela me contou como ele havia ajudado ela e muitas de suas amigas a consertar seus relacionamentos e casamentos.
No começo, eu estava em dúvida… mas decidi tentar.
Depois de explicar minha situação a ele, o Dr. Dawn me garantiu que meu namorado voltaria e pediria desculpas. Eu segui suas instruções com fé.
Para minha grande surpresa, não muito tempo depois, comecei a receber mensagens e inúmeras ligações. Meu coração batia muito rápido…
Era ele.
Meu namorado voltou, pediu desculpas sinceramente, veio me visitar e ainda trouxe presentes. Aquele momento pareceu um milagre que nunca vou esquecer.
Hoje, já se passaram 3 lindos anos. Estamos felizes no casamento, com um filho, e estamos esperando outro bebê em apenas algumas semanas.
Meu coração está cheio de gratidão, e eu sempre serei grata ao Dr. Dawn por ter trazido alegria de volta à minha vida.
Se você está passando por dor no seu casamento ou relacionamento… Se a pessoa que você ama te deixou e você não sabe o que fazer… Não perca a esperança.
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