25/08/2007

Qual o sentido dos sonhos?

Povo, segue um artigo que escrevi para a escelsanet em maio de 2002.
QUAL O SENTIDO DOS SONHOS?
Fonte: www.escelsanet.com.br

Por Dra Renata Bomfim

Escutar o que dizem os nossos sonhos é escutar a própria Alma. Uma noite sonhei que recebia uma chave das mãos de uma pessoa desconhecida, e esta pessoa me dizia: -Vê esta chave?- Com ela você pode abrir qualquer porta. Acordei, senti um misto de felicidade e de inquietação, era como se eu tivesse ganho um talismã.

Agora, só dependia de mim, eu podia abrir todas as portas, afinal, tinha a chave. Este sonho serviu como um impulso para que eu pusesse em prática alguns projetos, que a algum tempo estavam engavetados.

Em muitas civilizações e religiões, os sonhos são considerados via de ligação entre o mundo cotidiano e um outro mundo, ao qual nossa consciência não tem acesso. Tanto no Antigo, quanto no Novo Testamento, os sonhos desempenham funções muito importantes. No antigo Egito os intérpretes de sonhos ocupavam posições de destaque na corte e eram solicitados para interpretar os sonhos do Faraó; São José recebeu através de um sonho, a mensagem de que deveria fugir para o Egito com a virgem Maria e o menino Jesus, afim de que não fossem mortos pelo Rei Herodes; a Mãe de Buda teve um sonho que anunciava seu nascimento, e muitos outros registros de sonhos nos foram deixados, provando a importância do mesmo para o homem e a para sociedade.

Por que será que a sociedade moderna negligencia e até mesmo banaliza os sonhos? Na concepção Junguiana, os sonhos são uma representação simbólica do estado da Psique, e pensando a humanidade como um indivíduo, vemos como esta sociedade capitalista e de consumo, valoriza mais o ter que o ser, e negligencia os anseios da alma.

Muitas vezes a expressão de sentimentos como amor, solidariedade e afeto são confundidos como demonstração de fraqueza. C. G. Jung, pensador contemporâneo que desenvolveu uma teoria psicológica voltada para a busca da realização do indivíduo (individuação) foi vítima deste pensamento, e sua psicologia, confundida com “Místicismo”, veja o que ele disse a respeito dos sonhos:

“Os sonhos não são nem criações deliberadas, nem arbitrárias; são fenômenos naturais, e nada mais daquilo que pretendem ser. Não enganam, não mentem, não distorcem ou mascaram... Estão invariavelmente procurando expressar algo que o Ego não conhece e que não compreende. Todo trabalho onírico é essencialmente subjetivo e o sonho é um teatro no qual o próprio sonhador é a cena, o ator, o ponto, o produtor, o autor, o público e o crítico”.

Os Sonhos trazem à tona informações importantes sobre nós mesmos, nossos anseios e desejos mais profundos, nossas alegrias, nossos medos, nossos traumas, nossas projeções,lembranças que (propositalmente) esquecemos, e que são causadoras de angústias, ansiedades, e doenças, eles nos dão uma possibilidade de auto-análise.

A linguagem dos sonhos são os Símbolos. O Símbolo é a expressão de algo desconhecido, e não deve ser definido (a palavra definir significa “dar fim”).

Vemos muitos livros de interpretação de sonhos definindo e matando as possibilidades de transformação do indivíduo, impedindo-o de estar reescrevendo sua história (ex: sonhar com isso, significa aquilo)

Ao analisarmos nossos sonhos, nosso intuito deve ser o de extrair deles a essência, um combustível impulsionador, lembrando que sonhar com morte, por exemplo, não significa que você ou alguém de sua família vai morrer, mas pode ser uma mensagem que traga a lembrança o fato de que morremos e renascemos a cada instante, como nos diz a música do Gil, “O Amor da gente é como um grão, tem que morrer pra germinar”.

Nunca leve um sonho ao pé da letra, lembre-se que sua mensagem é simbólica e individual, afinal você é um ser único, não existe outro igual a você no mundo. Agora te convido a escutar com mais atenção os seus sonhos, coloque um caderninho ao lado da cama, e quando algo do sonho mexer com você, anote ou desenhe, mesmo que a princípio você não entenda nada, nosso inconsciente é atemporal, aespacial, imaterial e plástico, em algum momento tudo fará sentido para você.

Muita Paz, Amor, Saúde e bons Sonhos.


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19/08/2007

verdade

O que queres
com teu sorriso dourado
fogo-fátuo que ludibria
o outro ser, encantado,
e que derrete o gelo
em água que não sacia?
O que buscas
nas noites e dias
em que teu corpo, com frio, chora
e tuas mãos encolhidas, à janela,
onde o vento corta, borda acanhada
o que queres, Penélope aloprada?
tens cobras nos cabelos?
queres impor medo?
Pois saiba que vais morrer!
um dia...
Então vive o hoje
sejas feliz!
Há melodia na catástrofe inaudita
mal-dita ou bem-dita
Dita as regras do teu jogo e
acredita, e joga o dado do teu destino.
Teu estatuto é viver
então viva o hoje
o amanhã, quem sabe?
Sorrirás o dourado-ouro tão buscado
Ópus do teu lótus de mil pétalas
como Santa Tereza D'Avila
canoniza-te
vai!
Seja o teu projeto!
realiza o teu teu mito!
deixa aos outros as vaias e os aplausos
deixa aos outros
um palco vazio.

by renatabomfim

16/08/2007

Com lírio nos olhos

Parar o tempo
barrar os primeiros sinais
do outono que brotam
dos olhos como lírios.

A suavidade de um tempo temperado
e de um corpo que se permite
ser ora sol,ora tempestade
de raios relezentes.

Parar o tempo
voltar no tempo, não!
basta à vivencia, uma vez.

E nesta vida inédita
que se auto-copia apenas em paródia
vejo que o tempo não existe
Portanto,torna-se impossivel (mani)pula-lo.

by renatabomfim

07/08/2007

oração

Deus amado
que está dentro e fora de mim
santificado seja o teu nome
nome numinoso, tremendo, radiante,
inscrito na natureza:
na flor, no inseto, na núvem,
no mar, nos olhos do meu gato,
em mim e no outro, meu irmão,
meu semelhante.
Venha a mim o teu reino de amor
seja feita a tua vontade, sempre,
pois tu és a infinita sabedoria,
que teus designos prevalesçam,
assim na terra como no céu
até aos confins do sem fim, do cosmo,
que reflete a tua amplitude.
O pão de cada dia dá-me hoje e sempre
fazendo da terra o berço de onde brota
o fruto do meu trabalho
Perdoa a minha ignorância, o meu orgulho,
parte fraca da minha divindade,
e ensina-me a arte do perdão verdadeiro
sem mágoas ou cobranças
para que eu possa me perdoar primeiro
e depois perdoar pessoas as que me ensinaram
o sentido da dor e da raiva
Faz-me forte para resistir as tentações
muitas vezes, a tentação de me auto-sabotar
e livra-me do mal, do mal maior
que circula livre por este mundo,a indiferença.
Confio em ti, Deus.
amém!

renatabomfim

31/07/2007

...com amor

Amor,palavra desgastada,
para uns é utopia
para outros motivo de risada
Em certas datas pode significar flores
bombons, motél, juras eternas
noutras são lágrimas e
saudade...
Amor para mim
é estar hoje aqui, escrevendo
estas linhas para você
És tão próximo que as vezes
nos misturamos, desgraçadamente,
e não sabemos mais quem é quem
você me conhece por todos os ângulos
em determinados momento
ascende meu ódio e
apaga minha lucidez
Amor é essa metamorfose,
e Hoje pra mim, ele tem a tua cara sua cara
e eu não quero estar em nenhum outro lugar
e com mais ninguém
Só desejo ir pro nosso cantinho
e brincar de faz de conta
fazer uma mágica que faça sumir
as contas,evaporar gente safada
e garantir que isso, o amor, não acabe logo
sonhar com os dias em que velhinhos
o amor esteja renovado
como o sorriso de uma criança
e seja lá o que tenha acontecido
teremos um ao outro.

(dedico a Luiz Bittencourt, meu esposo)

28/07/2007

ciclo

Uma flor se abriu
revelando ao jardim o seu perfume
ofuscando os olhares com
seu vermelho-desejante
que cintila intermitente
olhos aflitos- extasiados assitem
ao espetáculo
delírio, veneração
De tanto amor é arrancada
do jardim
Está morrendo
murcha e inodora
já não lhe amam mais!
Outra flor se abriu...

by renatabomfim

casamento

Segura minha mão, amor,
nesta noite, quando
os dias são frios e cinzentos
e em torno de mim, as sombras se avolumam.

Ergue tua cabeça ao infinito,
imagina que eu estou lá,
na finitude meu canto,
a te dizer que vale a pena ser
quem somos.

Sim, somos dois loucos,
acreditamos em coisas que,
na realidade, poucos acreditam
em clichês do tipo:
o bem sempre vence o mal,
ser honesto é ser inteligente,
acreditamos em eternidade.

Nos une um sentimento que
põe à mesma mesa
Cristo, Buda, Kardec, Maomé...
comungando um prato apimentado,
ofertado pelas sacerdotisas de Gaia.

Eu e você, dois loucos,
repito,
vivemos na urgência,
para nós o tempo é
a aranha e não a teia.

E num dado momento
nos perguntamos
será verdade?
será possivel?
será um sonho?

Segura minha mão, amor
se cremos em eternidade
Guiaremos um ao outro
pois a estrada é longa
em torno dela,tapetes de flores,
e nós, temos tempo.

by renatabomfim

22/07/2007

Calíope

Serei a dama dos sonhos
e dos pesadelos
a morte calada
a luz que revela o contorno da carne
Serei amor
visão daquele que tem a marca
que vocifera interminaveis
que ascende ao campo dos deuses
Serei ás de espada e dama de copas
cantico sincero
encantamento
ao te desamarrar do mastro
do navio da indiferença.

by renatabomfim

20/07/2007

Sereia

Ela canta e encanta
no canto de seu sorriso
aparentemente desencantado
escorre uma gota dourada
disputada gota de mel
que cativa o mais vil coração
Ela adoça
envolve
e sorri
ele é seu!
então ela coleriza
e depois vai embora
e ele cativo-encatado
chora

18/07/2007

Os gatos, as bibliotecas e a literatura

Navegando pela internet, encontrei, esta semana, dois sítios curiosos. O primeiro levou-me ao segundo. E, ambos, a este texto.

No blog da jornalista Cora Rónai (www.cora.blogspot.com), num arquivo de 14 de abril deste ano, encontrei uma simpática referência ao Library Cats Map (www.ironfrog.com/catsmap.html), cujo projeto é catalogar os gatos que vivem e "trabalham" em bibliotecas de todo o mundo. Pode parecer surpreendente, mas dezenas de gatos, espalhados pelos países mais diferentes, demonstraram - como sempre! - sabedoria e escolheram viver no melhor dos ambientes: em meio aos livros. Na longa relação, alguns desses maravilhosos felinos têm, além de um breve histórico, uma ou mais fotografias: um, dorme entre os in-fólios; outro, refestela-se sob um naco de sol, ao lado dos arquivos; com a pata delicadamente pousada sobre a página, simulando o gesto de folhear o livro, o terceiro expressa um olhar vago, semelhante ao dos filósofos quando meditam.

Gatos e livros são, realmente, uma combinação perfeita. Nenhum outro animal sabe respeitar o silêncio e a introspecção de quem possui o hábito de ler. Ou, analisando melhor, nenhum outro animal compartilha tão intimamente desse silêncio e desse olhar mudo, com que investigamos o nosso íntimo. Eles guardam o que Cecília Meireles chamou de "soberana melancolia" e, ao olharem para nós, investigando as nossas angústias,

brota nos seus olhos erguidos
o arco-íris, resumo do dia,
ressuscitando dos seus olvidos,
onde apagado cada um jazia,
abstratos lumes sucumbidos. (1)

Charles Baudelaire apreciava mergulhar nesse olhos "de ágata e aço"; olhos que, para Pablo Neruda,

deixaram uma só
ranhura
para jogar as moedas da noite (...). (2)

E se Cecília Meireles afirmava que eles "proclamam a monarquia da renúncia", para o poeta chileno o felino é como um

pequeno
imperador sem orbe,
conquistador sem pátria
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas (...).

Poetas das mais diferentes estirpes inspiraram-se nesses seres que parecem carregar, na elasticidade dos passos e na independência em relação aos homens, um segredo que a Semiótica ainda almeja desvendar.

T. S. Eliot escreveu, inspirado nesses enigmáticos animais, um conjunto de poemas - Os Gatos - que reúne preciosismo de linguagem, rigor estético, muito bom humor e, originalmente escrito para ser lido aos seus afilhados, acabou por se transformar num sucesso da Broadway. Nenhuma outra descrição de um gato pode superar a do seu "gato mago Mefisto-Félix":

Ele sempre te engana que tem gana
De andar à caça apenas de "peixinhos".
Tira tudo do estofo da casaca,
Faz milagres com a caixa-de-surpresa;
Se um garfo lá se foi ou falta a faca,
E achas que te enganaste ao pôr a mesa -
O talher que inda há pouco evaporou-se
Surge num fosso como se osso fosse! (3)

A fleuma felina é carregada de um leve desprezo. Impassíveis, aparentando superioridade e, até, uma certa arrogância, eles nos conquistam e, como julgou alguém, nos domesticam. Byron estava certo: "O gato possui beleza sem vaidade, força sem insolência, coragem sem ferocidade, todas as virtudes do homem sem vícios." E Mark Twain, com desculpável pessimismo, também acerta: "Se fosse possível cruzar o homem com o gato, melhoraria o homem, mas pioraria o gato."

Absolutos, plenos, únicos, independentes e visceralmente higiênicos, eles também sabem ser afáveis, mas sempre com distinção e nobreza. Na literatura brasileira, Manuel Bandeira foi quem melhor sintetizou todas essas qualidades:

Jardim da pensãozinha burguesa.
Gatos espapaçados ao sol.
A tiririca sitia os canteiros chatos.
O sol acaba de crestar os gosmilhos que murcharam.
Os girassóis
amarelo!
resistem.

E as dálias, rechonchudas, plebéias, dominicais.
Um gatinho faz pipi.
Com gestos de garçom de restaurant-Palace
Encobre cuidadosamente a mijadinha.
Sai vibrando com elegância a patinha direita:
- É a única criatura fina na pensãozinha burguesa. (4)

Meus dois gatos - o mais velho, sentado sobre o Houaiss, ao meu lado, e o mais jovem esparramado no sofá - olham-me e parecem, além de entender-me, concordar comigo. O primeiro inclina-se na minha direção, com os olhos faiscando num verde ambíguo, e, mostrando que sua intimidade com minha biblioteca não tem sido vã, sugere-me o final deste artigo, sussurrando-me, ao ouvido, uma frase que creio ser de Jean Cocteau: "Prefiro os gatos aos cães, porque não há gatos policiais."

Notas
(1) Os Gatos da Tinturaria, Cecília Meireles.
(2) Ode ao gato, Pablo Neruda.
(3) Tradução de Ivo Barroso.
(4) Pensão familiar, Manuel Bandeira.

Texto de Rodrigo Gurgel
Fonte: http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=696