08/09/2008

homem cabeça

homem cabeça se acha o tal
manda e desmanda
destrói a natureza
cria armadilhas
até mesmo para si
Não acredita em energia
em aura ou prana
não curte a contemplação
ridiculariza e até desdenha
das emoções, do amor
Diz serem clichês
vive no automático
como se fosse robô.

bairenatabomfim

03/09/2008

confissões de uma apaixonada

O sol toca a minha face
aquece o peito resistente
lança luz sobre
o meu maior tesouro
um coração dourado e ardente
No compasso das estações
este órgão apaixonado
e tenro
pende entre o derretimento
e a evaporação.
Não sei mais se tenho um coração
ou se o cardio-bandido
subverteu a ordem
e é quem me detém
refém de sentimentos
que me engolem.

01/09/2008

gênesis compartilhada

Querido
Vamos conjugar nossos verbos
Formar palavras-imagens
Flexibilizar rígidas frases
Subverter o alfabeto
Enunciar as boas novas
Gozar das texturas plurais
dos domínios da sintaxe
Celebrando os milagres da língua
que se realiza em múltiplas e
paradisiacas miragens.

30/08/2008

era uma vez um conto

Era uma vez...
Eram duas vezes...
Eram três...
O conto já se desmanchava
dentro do livro
Tudo estava diferente
A Princesa encantada do Vigário
desdenhava do Principe entediado
e de seu cavalo pálido
A Bruxa recém convertida
desfiava fervorosa o tercinho
O Mago gagá só fazia polir
o tacho de latão
Nada mais de sortilégios!
nem de perigos
Nada de paixão desefreada
de beijo apaixonado
ou maçã envenenada
e o pior
Nada mais de final feliz
Nem te conto!
Os súditos aborrecidos
já faziam as malas
"Chega de ser vassalo"
dizia o mais exaltado
Inimaginável os descaminhos
do imaginário

29/08/2008

Amigos da Lusofonia...

Bate papo no Mestrado de Estudos Literários da UFES:
O convidado é Pedro Eiras, professor Literatura Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A palestra intitula-se: "Os caminhos cegos. Da novíssima poesia portuguesa". O evento terá lugar no auditório do IC-II, no dia 05/09, às 17:00 h.


Entre outras atividades, Eiras é investigador no Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa. Desde 2001, publicou livros de ensaio, peças de teatro, ficções.Com o livro Esquecer Fausto, ganhou o Prémio PEN Clube Português de Ensaio em 2006. Investiga e publica estudos sobre autores portugueses dos séculos XIX a XXI, bem como ensaios de índole comparatista e inter-artes. As suas peças de teatro têm sido publicadas, traduzidas e encenadas em Portugal, França, Grécia, Eslováquia, Roménia e Brasil. BibliografiaAntes dos Lagartos, teatro, in Dramaturgias Emergentes, vol. 1, Dramat-Cotovia, 2001.
Bem, vocês viram o curriculo do rapaz, imperdível este encontro!
Vejo vocês lá!

Convite para um chá

Vamos tomar chá
amigo
e conversar
Falar dos desgostos
e das alegrias
Só não vale a essa altura da vida
mentir e nem dissimular
Vamos lembrar com saudades
dos tempos idos e
acenar para o amanhã
Vamos nos revelar
Deixar cair a máscara
Reencontrar a verdade facetada
Rir e passar uma borracha
naquilo que já não interessa
O que a vida nos fez?
Face da moeda
Espelho que reflete aquilo que
da vida fizemos
revelando o amor que espalhamos
as árvores que plantamos
os seres que alimentamos e
as dívidas que tivemos
a coragem de cobrar
Prazer, desgraça?
Linhas malditas e amaranhadas
Laços frouxos e muitos até puídos
o passado quer embrulhar o nosso presente
Eu digo Não
e inauguro um novo livro da vida
cheio de páginas em branco
esperando por garatujas e novos escritos
Amigo
Só tenho feito cantar
o canto foi a solução que bebi
pra curar as feridas abertas
Foi também o espaço que escolhi
para fincar as minhas raizes
taõ ressequidas e desejosas por profundidade
Não o canto escuro e sombrio
do medo e da fantasia infantil
assombrado pelo ostracismo
e pela a solidão perniciosa
O canto a que me refiro é o lírico
o da vida em expansão
Toco o intrumento da oportunidade
e suas cordas geram notas de encantamento
reverberam na alma e transbordam emoção
Rio às lágrimas!
Nesse mundo desnorteado
essa fonte marca o centro
do território da singularidade
suas águas são unguento e solução que
não se pode comprar
mas se adquire com árduo comprometimento
Somos humanos
ensinados que já nascemos pecadores
e incentivados a aceitar e
até mesmo a cultivar a dor e a melancolia
Celebremos então nossas falácias
mas que nosso foco seja a alegria
Celebremos nossos mais erros que acertos
e façamos poemas sem pontuação
Desejo que nos reencontremos
com a cara mexida pelo tempo
mais bonitos
eu acredito
Tomemos então amigo
o chá do contentamento

27/08/2008

poeminha bicho híbrido

Meu pensamento
límpido
vagueia
Percorre a gleba
Cruza mares
Busca abrigo
no teu seio
Pássaro- sereia

byrenata

Machado & Guimarães: um lance de dois

Amigos, imperdível!
A Academia Feminina Espírito Santense de Letras e a Universidade Federal do Espírito Santo, com patrocínio da Lei Rubem Braga e apoio da Vale apresentam uma série de palestras sobre dois dos maiores escritores brasileiros Machado de Assis e Guimarães Rosa. Este evento comemora os centenários de nascimento de Guimarães Rosa (27/06/1908 – 19/11/1967) e de morte de Machado de Assis (21/06/1839 – 29/11/1908). Serão cinco sessões, de agosto a dezembro de 2008, com professores especialistas, da Ufes e de outras instituições de ensino e pesquisa, falando sobre aspectos diversos das obras dos escritores em pauta. Haverá, sempre, um coordenador-debatedor, encarregado não só de formular perguntas para os palestrantes como também de fazer a intermediação entre estes e o público.
Palestras:
29/08: Machado: “Um santo de pau oco: moral e sexualidade em Dom Casmurro”, com Wilbett Salgueiro. Rosa:“Uma recriação fiel: diálogos entre o autor e o seu tradutor”/Erlon Paschoal
19/09:Machado: “Não há remédio certo: loucura e paixão na obra de Machado de Assis”, com Ruy perini. Rosa:“Equívocos propositais: dos tempos homéricos aos de Rosa e aos de agora”/ Lino Machado
17/10:Machado: “O corte e a corte do Machado”, Sérgio Amaral. Rosa:“As dobras do sertão: palavra e imagem”/ Jô Drumond
21/11-(meu aniversário) : Machado: “Machado de Assis, tradutor de Hugo”, Diego Flores. Rosa:“Rosa e a fotografia”/ Raimundo Carvalho
05/12: Machado: “O teatro oblíquo de Machado de Assis”, Marcelo Paiva. Rosa:“Uma voz espírita em Grande sertão: veredas”/ Sandra Lima
Todas as palestras serão as 15h nos ICS II e IV. A entrada é gratuita e serão conferidos certificados aos presentes. Qualquer dúvida contatar a secretaria do PPGL pelo tel: 33352515.

Entre Santos e frutos de ouro: Nice Nascimento Avanza

ARTES PLÁSTICAS NO ESPÍRITO SANTO
Amigos,
O primeiro contato que tive com a obra da artista plástica Nise Nascimento Avanza, foi no Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) numa exposição retrospectiva de sua obra. Nice nasceu em 1938, em Vitória, ES, no bairro de Caratoíra onde reside até aos 9 anos. Dificuldades financeiras fizeram com que os pais da artista se mudassem para São Paulo em busca de trabalho, sua mãe passou a prestar serviços como lavadeira no Colégio externato Sagrado Coração, das irmãs Vicentinas.

Aos 16 anos Nice se casou pela primeira vez, o casamento não dá certo, separa-se e, com dois filhos, retorna para Vitória. Lutando pela sobrevivência, Nice trabalha na Santa Casa de Misericórdia de Vitória, possui uma quitanda no Bairro Alto Caratoíra mas, seu sonho, é ser cantora de rádio.
Nice realiza seu sonho, passa a cantar em programas de calouros e chega a profissional de rádio, se apresentando na Rádio Espírito Santo e firmando contrato com a Rádio Capixaba, nessa época, conhece o segundo marido, com quem terá outros dois filhos.
A incursão da artista pelo mundo da pintura acontece por incentivo dos amigos que a observam, encantados, desenhar sobre papéis de embrulho da lanchonete onde trabalhava. A primeira encomenda de quadro recebida por Nice, foi paga com pinéis e tintas, seu talento logo revelou-se e ela passou a produzir mais e a expôr.
Em1969 o MAES inaugurou a primeira exposição de Nice com cerca de 15 quadro. Nessa ocasião Moa escreve sobre a artista: "Esta artista capixaba. A mulata dos olhos bonitos, tem o dom e a felicidade de ver ingenuamente a beleza da natureza sem contorno, que na sua imaginação o tem".A obra de Nice é primitivista, dentre os temas de preferência da pintora destaca-se o cacau, "fruto de ouro" , e sua obra reflete o movimento de contra cultura de sua época no campo artistico. Cenas religiosas,do dia a dia no campo e dos animais, também povoam o universo artítico de Nice, que deixou uma obra vasta e rica. Enfim, queridos, Nice é uma figura muito importante no cenário artístico capixaba e brasileiro, esperamos ver outras vezes seus trabalhos expostos e, tomara que, ela e tantos outros, se tornem objetos de pesquisa na nossa Universidade.




Fonte: as informações descritas apoiam-se no material desenvolvido pelo MAES na época da retrospectiva de Nice.
A obra Nice s/titulo 85x72, que antes fazia parte do arcevo de Jose Agusto Avanza, pertence agora ao colecionador capixaba Joabi Caldeira, a quem parabenizo pelo cuidado com obra de Nise e agradeço o convite para visitar o acervo.

26/08/2008

Fome

Os sentidos estão despertos
É bomba- relógio essa pele que arrepia
e vibra sobre a carne
prestes a explodir

Dupla epiderme
Tecidos dourados
recobertos por pêlos-espinhos
estendem-se ao infinito
ligando mãos que não sossegam
que te batem,
esfregam e
incendeiam com gestos obcenos

Mãos que ao fim da noite
rezam profundos arrependimentos
Tocam fervorosas as chagas divinas
rogando pelo milagre do esquecimento

Narinas despertas de loba te farejam
teus segredos são violados
e a boca
essa gruta ávida
busca ser habitada pelo teu desejo

Linhagem divina-demoníaca
Sonhos famintos não aceitam sobejo
neles me delicio até às migalhas
lambendo os dedos maculados
Mandíbulas oníricas
se comprazem em te mastigar inteiro

Mas nada,
nada realiza esse bicho
herdeiro da falta ontológica
que ainda sente fome

No estômago da alma
um buraco negro suga
o amor, o mistério a fantasia
E a fome persiste
metamorfoseada
em busca ferrenha que
nenhuma resposta sacia.