05/09/2009

A condição da mulher na história: silêncio e enclausuramento

"Que a mulher conserve o seu silêncio” (Apóstolo Paulo)
A historiadora Andrée Michel afirmou que “a história das mulheres é antes de tudo a história da instalação de sua repressão e da ocultação desta”. Segundo esta autora não há nesse fenômeno, acaso, e nem ciência neutra. Este pensamento vai de encontro ao de Simone de Beauvoir (1980) que, com sua célebre frase: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, revelou o pensamento que defenderá em sua obra, de que o papel de coadjuvante da mulher em relação ao homem é uma construção social e não fator biológico ou psíquico. Tanto é cultural que, antes da cultura instituir-se, ou seja, entre 6.000 e 3.000 a.C., período que compreende o neolítico médio, a revolução técnica decorrentes da descoberta de novas fontes de energia como atração animal e a energia gerada pelas águas e pelo vento, de novas técnicas de produção e ferramentas como o arado, o moinho de vento, e o barco à vela, passou a substituir a mulher como agente de produção agrícola, e o status dessa passa sofrer profundas modificações que se perpetuarão por milênios.
Mas qual era a condição da mulher no paleolítico, antes das mudanças acontecidas no neolítico médio? O tema é controverso, muitos pensadores dizem não haver provas suficientes da existência de uma época dominada por matriarcado. Michel chamou a atenção para o fato de serem os referenciais mais antigos nos estudos científicos, também um produto histórico, cujo olhar está comprometido com uma visão de mundo que ratifica mulher como coadjuvante do homem na história, ela diz: “Num mundo em que o poder é masculino, a condição da mulher, quando não ocultada, é descrita por historiadores, etnólogos, sociólogos, de forma androcentrica”.
O paleolítico durou milênios e é um dos mais desconhecidos da história. Estudos feitos a partir de sinais encontrados em cavernas e estatuetas de osso e de pedra, levaram os cientistas a delinear essa sociedade como pacífica não foram encontrados indícios de guerra, embora esses povos já utilizassem armas para caçar. Homens e mulheres participavam de forma equivalente da caça e da coleta, não havia propriedade privada e nem cumulação ou exploração de um sexo pelo outro. Os primeiros signos parietais encontrados nas cavernas datam de 30.000 a. C. e eram signos sexuais femininos e masculinos, mas as únicas estatuetas, em pedra ou marfim, são representações femininas, mulheres com seus atributos destacados, seios fartos, ventre bem desenvolvido.
Estes indícios levam a crer que, nessas sociedades, a mulher tinha papel de destaque. Michel (1982, p. 15), relata que aproximadamente 10.000 a.C., a mulher teve papel preponderante na mudança do paleolítico para o neolítico. O clima foi o gatilho que desencadeou essa revolução, a escassez da caça e a aridez do solo, fez com que surgisse a agricultura de enxada. Vários estudiosos entre eles E. Bouding (1982), atribuem à mulher essa invenção, a partir da observação dos ciclos de germinação e produção dos cereais, e outras invenções como a fiação e a tecelagem, as primeiras cerâmicas, a criação de mós de pedra para triturar os grãos. O estatuto da mulher no neolítico é elevado, e as estatuetas femininas, primeiras divindades, em argila, eram chamadas “deusas mães”, e seu poder vinha da associação entre a mulher e a terra fecunda.
Com o neolítico médio, o estatuto da mulher passa a sofrer modificações, como já citamos anteriormente, os avanços e descobertas desse período fizeram com que a mulher fosse substituída como força de trabalho, a enxada substituída pelo arado o que ocasionou o excedente de alimentos e, conseqüentemente, o sedentarismo e a explosão demográfica. Surge nesse período a propriedade privada e a cumulação de bens, bem como os burgos, embriões das futuras cidades. Na sociedade estatal, baseada na escravidão, rompeu-se o equilíbrio entre o homem e a natureza e inaugurou-se uma nova forma de divisão do trabalho. Os espaços comunitários passam a ser palcos de antagonismo de classes onde variados grupos como artesãos, sacerdotes, militares, passaram a viver a serviço dos mais ricos. As necrópoles indicam o grau bélico dessa sociedade, foram encontradas fossas coletivas com corpos crivados de flechas, o homem agora “agricultor” e “sedentário”, já não tolera a extensão das florestas e nem “rebanhos pastando em seus campos de trigo”. Enfraqueceu-se a base ideológica do matriarcado com o reconhecimento da participação masculina na procriação. A “deusa-Mãe” que durante muito tempo foi o único objeto de veneração foi atribuída um parceiro macho que, inicialmente, lhe era subordinado mas depois igual e, finalmente, soberano, o “pai do céu”.
No seio da nova religião, o patriarcado, está à repressão e o entendimento da mulher como ser de segunda classe. Uma forma de solidificar a imobilidade social da mulher ocorre por meio da clausura. Nos séculos VI e VII às mulheres era vetado o direito ao episcopado, mesmo assim, elas ajudaram a construírem mosteiros, que era a instituição detentora do monopólio da educação. No século VIII um decreto do imperador Carlos Mágno proibiu que meninos fossem instruídos em mosteiros, o que fez com que nos séculos subseqüentes as mulheres tivessem um grau de instrução maior que os homens e, conseqüentemente, voltassem a gozar de uma liberdade esquecida pois podiam gerir negócios, além de herdar e alienas propriedades. Entre os séculos VIII e IX as mulheres conseguem resgatar a autonomia, isso aconteceu em diferentes lugares do mundo, por exemplo, no Islã, as mulheres tinham papel social de destaque e lecionavam nas universidades, em Roma, a imperatriz Teodora e sua filha controlavam o papado, em Bizâncio, as rainhas eram conhecidas por sua instrução, as mulheres eram numerosas nas universidades e exerciam profissões liberais.
A imagem convencional da exclusão da mulher, só viria a nascer após o século XII, com reformas promovidas pela igreja. Os conventos deixam de ser locais de fomento da educação, a hierarquia da igreja constrói universidades anexas às catedrais, cujo acesso era vetado a moças que continuavam a ter uma educação precária nos conventos. A defasagem na educação entre homens e mulheres tirou-as do mercado de trabalho e no século XIV o poder e a cultura já não estão mais ao seu alcance. Fortalecida com a exclusão das mulheres dos cargos de poder, a igreja uniu-se a uma nova classe, produto das cidades engendradas pelo comércio, os burocratas. Da aliança formada entre a igreja e tesoureiros, chanceleres e magistrados, surgem leis que proíbem a sucessão do domínio real pela linhagem materna, as mulheres perderam o direito de gerir seus bens e a independência econômica. A crescente extinção dos direitos das mulheres, principalmente pela via da educação e da divisão do trabalho, faz nascer nasce à contracultura feminina da resistência.
Tendo como únicas opções socialmente aceitas o casamento ou o convento, as mulheres passaram a se agrupam, muitas passaram a morar juntas e a trabalhar nas cidades. A igreja e a burguesia responderam a tal insubordinação com novas leis que, agora, as julgam “juridicamente incapazes”. Simultaneamente foram instituídos os julgamentos por heresia que, sob o pretexto de feitiçaria, tinham poderes sobre a vida e a morte. Durante o século XIII, período que foi instituída a inquisição, as mulheres que viviam sozinhas, ou em grupos, bem como as viúvas que recusavam um novo casamento, as solteiras ou separadas, eram as primeiras a serem acusadas de bruxaria e de “atacar a força sexual dos homens, o poder reprodutor das mulheres e de agir com o objetivo de exterminar a fé”. A inquisição dizimou milhares de mulheres, ela foi sendo extinta gradualmente, no decorrer do século XVIII, mas a sua essência original que era a guarda da pureza e da fé. No século XVI a “normatização” prosseguiu e, amparados na antiga idéia romana de fragilitas sexus, foi decretada a morte civil das mulheres na família e na sociedade.
O enclausuramento no seio da família era o destino da mulher do século XV e XVI. Elas só podiam agir com autorização do pai ou do marido e qualquer ação sem tutela era considerada judicialmente nula. A ética burguesa apoiava-se na idéia de que lugar de mulher era em casa, dedicando-se as funções domésticas, essa mentalidade gerou a filosofia de que as mulheres não indivíduos, cidadãs do estado nacional. As produções científicas e artísticas realizadas por mulheres desse período eram assinadas por seus pais, maridos, irmãos, que passavam a ter direito sobre a produção. Os séculos XVII e XVIII a economia passa a se basear na indústria, ancorada na exploração colonial e na guerra. A condição das mulheres degrada-se ainda mais, principalmente a das mulheres dos países pobres. A valorização da produção faz com que estas sejam julgadas como “ociosas” e portanto tornam-se objeto do desprezo masculino. A invenção de novas máquinas acelerou a divisão do trabalho restando as mulheres empregos cada vez mais mal pagos. Tais condições geraram no século XVIII vários movimentos de resistência feminina no mundo. As bas bleus animavam os salões literários da Europa, na América as quakers, muitas delas foram enforcadas, na França as salonnières ganharam celebridade, e passam a se agrupar em associações que foram o berço do movimento feminista.
No século XIX as mulheres se tornaram uma potencia produtiva doméstica e não-mercantil. As mulheres pobres produziam em casa artefatos que eram vendidos no mercado e as da burguesia, esposas de executivos e multinacionais, exerciam gratuitamente o papel de um empresário bem pago no setor mercantil. Essa mão de obra “não-remunerada” e a exclusão feminina do mercado de trabalho davam aos operários seguridade, as mulheres eram prisioneiras da família. As mulheres do século XIX “constituíram uma importante vanguarda dos movimentos sociais participando das doutrinas e movimentos revolucionários”. Em 1848 o movimento feminista desbobrou-se em muitas direções o que desperta uma forte onda anti-feminista que atingia os sindicatos masculinos que lutavam para que as mulheres não tivesse acesso ao mercado de trabalho, eles contestavam as lutas das operárias chegando a fazer greve quando mulheres eram contratadas, eles exigiam “a supressão do trabalho feminino” e, segundo M. Guilbert,“o problema se colocava idêntico em todos os lugares”. A resistência feminina continua gerando nos homens profunda indignação, não podendo deter o avanço feminino, os partidos políticos sexistas, criaram legislações para limitar a sua atuação e o seu tempo da mulher no mercado de trabalho.
pesquisa: renatabomfim

Bakhtin e Jung: consonância teórica

Assim como Carl Gustav Jung, Bakhtin divergiu da psicanálise freudiana. O conjunto da obra de Bakhtin conta com um livro intitulado Freudismo (1927) , que é assinado por seu aluno V. N. Volochinov, nessa obra Bakhtin lança uma crítica a obra de Freud e, a sua análise, reafirma o pensamento dialógico na medida em que propõe que o estudo de um objeto específico deve ser realizado com maior interatividade, de forma que este dialogue com um número maior de vozes, valores e conceitos.
O objeto de reflexão de Bakhtin é o discurso, e foi a partir deste que ele teceu variadas criticas a análise psicanitica de Freud. Bakhtin observou na prática psicanalítica uma luta entre paciente e terapeuta, ao primeiro cabia a tentaivade esconder experiências emocionais e, ao segundo, impôr seu ponto de vista ao paciente. Bakhtin identificou nessa dinâmica uma similaridade com o processo dialógico, pois, “a voz do paciente é a voz que reage ao discurso do outro, e nesse diálogo, cruzam-se duas consciências, dois pontos de vista”, essa luta de interação com o outro, ou o dialogismo, é o cerne de sua obra.

A motivação de Baktin em tratar do tema relaciona-se ao fato de, na sua época, a Rússia vivia um clima de exarcebação ideológica que determinava o comportamento dos indivíduos pela organização de classe de produção e, como explicitado anteriormente, a psicologia era condizida por fortes correntes biológica e fisiológica, resultado da associação com as ciências naturais (biologia, fisiologia e teoria evolucionista), empenhadas em criar uma psicologia objetiva. A crítica bakhitiniana tem atravessamentos com a realizada por Jung, no que tange ao enfoque demaziado na sexualidade que Freud deu a sua teoria. Bakhtin acreditava que o discurso psicanalitico era um “discurso autoritário”, ou seja, um discurso que se impõe pela autoridade de quem o emite, no caso, o discursos sustentado pela medicina e pelo seu ilustre representante, o médico. Em maior escala ele referia-se ao discurso sustentado pela psicanálise, reducionista segundo seu parecer, pois não privilegiava a interação entre os falantes e principalmente pela crença de que nunhum enunciado verbalizado poderia ser atribuído exclusivamente a quem o enunciou. A partir deste pressuposto, Bakhtin lançou luz sobre a importância do contexto social da enunciação.

Bakhtin apresentou ao século XX, assim como Jung, uma concepção que desafiava soberania do indivíduo. Jung com uma visão multidimensional da psique, para ele. (2006, p. 111), esta “está longe de ser uma unidade; pelo contrário, é uma mistura borbulhante de impulsos, bloqueios e afetos contraditórios” e o seu estado conflitivo pode levar o indivíduo à dissociação. E Bakhtin, no campo lingüístico, pondo em xeque a soberania do autor. Esta horizontalização tanto do poder do indivíduo, quanto do poder do autor, defendida por estes dois pensadores, está em consonância com o pensamento de dois grandes pensadores da pensadores da contemporaneidade, são eles Terry Eagleton e Stuart Hall, e revela a extemporaneidade dos pensamentos junguiano e bakhtiniano, pondo em prática a máxima dos estudos da pós-modernidade, ou seja, o questionando das noções clássicas de verdade.
pesquisa: Renata Bomfim

Carl Gustav Jung: o nascedouro da psicologia analítica


Carl Gustav Jung é um críticos ferrenho da unicidade do individuo. A criação de sua obra teve como pano de fundo o século XX, tempo de passagem do sujeito iluminista, quando a pessoa humana era concebida como um indivíduo totalmente centrado, unificado, dotado de razão e, tinha o eu como centro essencial da identidade, para o sujeito sociológico, que questionava a autonomia do núcleo interior do sujeito.
Stuart Hall na sua obra A identidade cultural na Pós-modernidade, esclarece que no século XVIII, “ainda era possível imaginar os grandes processos da vida moderna como estando centrados no indivíduo, sujeito-da-razão”, mas, a complexidade que as sociedades modernas foram adquirindo, lhes concedeu formas mais coletivas e sociais e o indivíduo passou a ser visto como “mais definido no interior das grandes estruturas e formações sustentadoras da sociedade moderna”. Na base que fundamentou o surgimento do sujeito moderno estão: a institucionalização do dualismo cartesiano por meio da divisão das ciências sociais, entre elas a psicologia, que tornou os processos mentais, objeto privilegiado de estudos. O segundo fator foi a biologização do indivíduo, influencia da teoria darwiniana da evolução das espécies, que postulou que a razão tinha uma base na natureza e a mente, um “fundamento” no desenvolvimento físico do cérebro humano.
O pensador francês Michel Foucault pesquisou com profundidade a história das ciências, em especial o nascimento da clínica. Foucault defendeu que a psiquiatria abandonou o delírio e a alienação mental e passou servir como instrumento de controle social, no livro A ordem do discurso (1996) ele especificou os três grandes sistemas de exclusão que atingiram o discurso: “a palavra proibida, a segregação da loucura e a vontade de verdade”.

O neojunguiano James Hillman (1984) nos fornece um panorama do pensamento acerca da psique no final do século XX, quando Jung iniciou a construção de suas teorias. Desde o final do século XVIII, norteados pelo espírito do iluminismo tardio e da confiante idade da razão, os acadêmico passaram a sentir um forte fascínio pela cabeça, que adquiriu o simbolismo de “topo” do homem. Conta-nos Hillman que, até meados do século XVIII, a sede das desordens psíquicas era procurada no estômago, nas entranhas e no diafragma.
A filosofia dessa época contribuiu e preparou caminho para tal migração do interesse científico. Voltaire, por exemplo, havia declarado que a loucura “era uma doença dos órgãos do cérebro”, já Kant, considerava a psicose “uma enfermidade da cabeça”, embora ainda se acreditasse que a sua origem estivesse no sistema digestivo. Se a psicologia moderna nasceu comprometida com o espírito secular do iluminismo e sob a égide da filosofia, pode-se dizer que o pai deste movimento foi o filósofo Johann Friedrich Herbart (1776- 1841), sucessor da cátedra deixada por Kant, e responsável pela criação de mapas e guias psicológicos muito difundidos nas universidades da Europa e da América. A ascensão da psicologia nos meios médicos e o duradouro postulado herbartiano fez com que a “alma” fosse despida de toda sua potencialidade, deixado de ser o centro vivo da individualidade e, até mesmo a palavra “alma”, caiu praticamente em desuso. Herbart escreveu que a alma “não possui conhecimento de si mesma nem de outros objetos”. Ele destacou também que esta não possuía “categoria de pensamento e intuição, nem faculdade de desejos e ação” . A alma, em princípio, não quaisquer teria predisposição, e a sua natureza elementar seria totalmente desconhecida, devendo permanecer desconhecida. Desse modo, “a alma não poderia servir como tema nem para a psicologia especulativa, nem para a psicologia empírica” .

De forma marginal e muito criticado pelos acadêmicos, Freud começou a construir, a partir das experiências com seus pacientes, em consultório particular, a psicanálise. Paralelamente, Jung desenvolvia seus estudos e, embora institucionalizado, pois era estagiário de Eugen Bleuler no Hospital universitário de Burghölzli, passou a direcionar o seu olhar para aquilo que julgava ser “uma rica colheita para a psicologia experimental”, ou seja, o estudo Sobre a psicologia e a patologia dos assim chamados fenômenos ocultos, que se tornou tema de sua monografia de especialização. O Dr. Bleuler era conhecido na Alemanha e na Suíça por seus métodos pouco ortodoxos para a época, como por exemplo, obrigar os médicos a aprenderem os dialetos falados pelos pacientes. Em 1902, Jung foi para Paris estudar com Pierre Janet e Charcot. Como professor universitário e ainda trabalhando no Hospital Burghölzli Jung passou a elaborar, a partir de estudos de casos, especialmente o do Dr. Otto Gross, o que chamou num ensaio de “a importância do pai no destino do indivíduo”. Seus trabalhos anteriores já davam indícios das teorias que estavam por vir e, Jung, ao argumentar que “o destino” e não “Deus ou o Demônio” era “o responsável por nossas infelicidades e suas conseqüências”, já citava Shakespeare, apoiava-se em Schopenhauer, utilizava analogias e referências bíblicas e, no decorrer dos anos, com a incorporação de novas idéias, o conceito de “Destino” tornou-se “o arquétipo”.

Com suas pesquisas Jung buscava mostrar que os poderes psíquicos vinham de estados psicológicos da mente e não tinha ligações com forças espirituais, indo desta forma na contramão da doutrina espírita que florescia. Estes dados esclarecem que Jung sempre separou religião de experiência religiosa, sendo a segunda, para ele, uma expressão da psique e uma construção cultural. Embora com vínculos institucionais, a forma como Jung lidou com temas referentes à alma encontrou pouca aceitação nos meios acadêmicos e clínicos. Jung lera A Interpretação dos Sonhos, de Freud, em 1900, mas, foi em 1906, que iniciaram as correspondências entre ambos e uma relação pessoal que duraria até 1914. Freud era persona non grata no meio acadêmico, mas , com o lançamento do livro A interpretação dos sonhos, passou a ser conhecido como o fundador de uma nova teoria. Jung havia assumido abertamente na comunidade científica internacional, sobre como seu trabalho com as associações de palavras estavam em conformidade com a teoria de Freud sobre os mecanismos de repressão, destacando a importância da obra de Freud nos seus estudos. Na relação com Jung, Freud deixou claro quem era o aprendiz, e que estava confiante que, muitas vezes, Jung estaria em posição de lhe “secundar”.

A relação entre Jung e Freud termina quando Jung expressa suas reservas a respeito da primazia da sexualidade na teoria freudiana. No artigo intitulado Sigmund Freud, um fenômeno histórico-cultural, Jung lança uma dura crítica ao “pomo da discórdia”, afirmando que o iluminismo foi “o chão pátrio” que firmava o pensamento psicanalítico freudiano, e interroga sobre todas as complexas manifestações da alma, como arte, filosofia e religião pareciam-lhe suspeitas, ou melhor, “nada mais do que” repressões do instinto sexual. Essa posição essencialmente limitadora e negativa em relação a reconhecidos valores culturais baseiavam-se num condicionamento histórico. Para Jung Freud via como sua época o obriga a ver. Isso aparece melhor na obra Die Zukunft einer Illusion, onde Freud traça uma imagem da religião que corresponde exatamente ao preconceito da época materialista.

autoria: Renata Bomfim

29/08/2009

Ser poeta

Ser poeta é cantar alto
mesmo com a voz embargada
enquanto o dia refracta toda a luz
É esperar com as mãos estendidas
para doar a vida
É cantar de um quarto escuro
de onde, mais claramente,
se pode sentir as cores e os cheiros
É buscar o outro
e encontrar a si mesmo
Passado, presente e
futuro fragmentado
quando coisas esquecidas
afloram derrepente
Narciso sabia de tudo
e fez um mergulho preciso
nas águas turvas do rio do potencial
Estige
Foi em busca do seu sol
e do sentido que o fará um dia
emergir deus
A solidão é um abismo
e guarda uma paz preciosa!
Sou poeta e canto
Arrisco a Vida
Se a voz embargada irrita
Canto, canto e canto mais ainda
e não ligo

bairenatabomfim

22/08/2009

Defesa de Mestrado da Renata- Leitura da ATA

ATA de aprovação:
RENATA BOMFIM APRESENTOU UM TRABALHO INOVADOR, QUE DÁ CONTA DOS CONCEITOS ABORDADOS INTERCONECTANDO-OS COM INTELIGÊNCIA, CRIATIVIDADE E BRILHO, SEJA EM SUA DISSERTAÇÃO, SEJA EM SUA EXPOSIÇÃO, ASSIM COMO EM SUAS RESPOSTAS. A BANCA ASSINALA O LOUVOR DO SEU TRABALHO.

Florbela Espanca: Defesa da dissertação de mestrado de Renata Bomfim (UFES)

Olá amigos,
Compartilho com vocês a alegria de ter defendido a minha dissertação de mestrado (Vozes femininas: a polifonia arquetípica em Florbela Espanca) com êxito e alcançado o título de mestre. Foi uma tarde mágica, a de ontem (21/08), momentos que ficarão para sempre registrados na minha memória. Choveu muito às 15 horas, hora que iniciei a defesa, como disse a minha co-orientadora, Maria Lúcia Dal Farra (UFSE), "Foi o meu batismo". Foi a coroação de três anos de pesquisa, coletando material, escrevendo, analisando e nesse percurso glorioso, tive a alegria de contar com a ajuda de amigos e de desconhecidos, bem como, com o amor, o carinho e a paciência do Luiz, meu amado esposo, enfim... Eu esperava que desse tudo certo, mas minhas expectativas foram exponencialmente superadas. A apresentação fluiu, eu optei por apresentar cada capítulo da pesquisa individualmente, o público gostou e os professores disseram que, grande parte das perguntas que me fariam, foram respondidas durante a mesma. Assim, cumprindo o protocólo e, com a intenção de enriquecer o trabalho, eles me fizeram algumas sujestões e pediram que eu falasse um pouco mais sobre alguns tópicos.
A banca foi unânime e afirmou que não havia na minha pesquisa nenhuma contradição teórica e que o meu trabalho demonstrava um grande fôlego de pesquisa, eles também destacaram o arrojo da proposta e que fui corajosa ao reunir e dialogar teóricos densos e, até mesmo, contraditórios como BaKhtin, Carl Gustav Jung, Foucault, Fredric Jameson e Raymond Willians.
Quero fazer uma agradecimento especial à CAPES pela bolsa de estudos, OBRIGADA!
Me preparando para começar a defesa momento das perguntas
e das respostas...
Apresentação da pesquisa
Apresentação da banca da esquerda para a direita:
Valdelino Gonçalves dos Santos Filho (doutor em Comunicação e Semiótica- professor adjunto e Coordenador do curso de Artes Plásticas Universidade Federal do Espírito Santo. Dedica-se a pesquisa de temas como multimeios, grafite e semiótica)
Luis Eustáquio Soares (orientador- Poeta e Doutor em Literatura Comparada, Atualmente é Professor Adjunto III, da Universidade Federal do Espírito Santo - Departamento de Línguas e Letras. Dedica-se à pesquisa de temas como alteridade, representação, resistência, dominação, biopoder, biopolítica, experimentação, numa perspectiva, sempre em construção, de crítica à modernidade, mapeada transdisciplinarmente)
Deneval Siqueira de Azevedo Filho (Crítico literário, Doutor em Teoria e História Literária e Pós-doutor em Literatura Comparada e Estudos Culturais pelo Harpur College of Arts, State University of New York in Binghamton e em Letras e Culturas, no International College of Letters and Cultures, Hispanic Research Center, da Arizona State University. É membro da Academia Campista de Letras e coordenador do Grupo de Estudos Interdisciplinares de Transgressão /GEIT)

Jesus integrou a mesa como convidado de honra! Depois da nota (máxima) chegou a hora de comemorar.... YES!
Eu e Luis, meu amor e maior incentivador
bebemos mas não caímos e nem perdemos a pose!
Dedico este poema a todos que, de alguma forma, fizeram parte deste percurso e aos queridos Luis Eustáquio Soares (orientador) e Maria Lúcia Dal Farra (Co-orientadora -UFSE), que foram farois iluminando o meu caminho.

Uma canção sobre a terra que gira e sobre as palavras que estão nela. Julgavas que as palavras fossem aquelas? Aquelas linhas retas? Aquelas curvas, ângulos e pontos? Não, aquelas não são as palavras, as palavras substanciais estão no solo e no mar. Estão no ar, estão em ti. Pensavas que aquelas eram as palavras?aqueles sons deliciosos que saem da boca de teus amigos? Não, as palavras reais são mais deliciosas que as deles. Corpos humanos são palavras, miríades de palavras, nos melhores poemas o corpo ressurge, o da mulher, o do homem, reformado, feliz, todas as partes habilitadas, ativas, receptivas, sem demonstrar vergonha. (Walt Whitman- Uma canção sobre a terra que gira)

Agradeço ao amado Jesus Misericordioso por me proporcionar tantas oportunidades na vida, sei que muitas pessoas não tem acesso à comida, nem a um lar, quanto mais à educação, e isso aumenta o meu compromisso e a minha responsabilidade para com a trasmissão desse saber (pago com dinheiro público).
Resumo da Dissertação:
Esta pesquisa propõe reflexões acerca das vozes sociais e arquetípicas presentes nos livros de soneto Livro de Mágoas (1919), Livro de Sóror Saudade (1921), Charneca em Flor (1930) e Reliquiae (1931), da poeta portuguesa Florbela Espanca. Para tal utiliza-se como arcabouços teóricos básicos, as obras de Mikhail Bakhtin, especialmente os conceitos de dialogismo e polifonia, e de Carl Gustav Jung, os conceitos de arquétipos e inconsciente coletivo. A poética de Florbela Espanca é polifônica por abarcar uma multiplicidade de vozes sociais e seus respectivos discursos, ela é também arquetípica, pois reproduz experiências que extrapolam o âmbito pessoal, encontrando ressonância no coletivo de diferentes épocas. Dentre estas vozes arquetípicas femininas expressas na sua poesia, analisa-se as de Lilith, Eva e Maria, por abarcarem aspectos como a sensualidade, o erotismo, a aspiração sacerdotal e virginal, a dor, a angústia, o desejo, o sonho e a vaidade, temas que refletem certos desejos de fazer dialogar dicotomias, termos opostos que, em uma sociedade patriarcal não conseguem alcançar expressão plena. A dificuldade de realização profissional e pessoal da mulher numa sociedade tradicional e falocrata como a do primeiro quartel do século XX, no caso de Florbela é, possivelmente, a geradora da angústia que levou-a ao suicídio, destino interpretado como “tragédia moderna” aos moldes raymondianos. A dificuldade de enquadramento do feminino na ordem patriarcal do mundo, é poeticamente trabalhada por Florbela que responde com um texto marcado pela inquietação, pela busca e pela errância, e encontra na utopia de Fredric Jameson, um caminho de expressão, a partir da denúncia do paradigma exaurido da dualidade, demonstrado pelo desejo de infinito e de integração com a natureza. A critica literária Maria Lúcia Dal Farra é o aporte fundamental no que diz respeito à obra e a vida de Florbela Espanca, e outros autores auxiliarão na construção dessa pesquisa “mosaico” que, objetiva ser interdisciplinar.

17/08/2009

Geladeira do século XXI: Varanda Viva

Queridos, que bom exercicio é diminuir, diminuir , diminuir, até parar com os sacos plásticos...

A varanda viva nos dá um bom exemplo disso.... E viva à natureza!!!!
Parabéns a Aline Chaves por sua Geladeira do século XXI
Uma inspiração!!!

09/08/2009

Lei 9265 institui a política estadual de educação ambiental do ES

Foi sancionada pelo governador Paulo Hartung, a Lei nº 9.265, que institui a Política Estadual de Educação Ambiental. A lei tem como um de seus princípios a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, o socioeconômico, o político e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade.

07/08/2009

Pássaro Legal é pássaro solto!

Segundo o artigo 24 do Decreto 6.514 de 22 de julho de 2008, caçar, perseguir, apanhar, comercializar, criar ou danificar espécies da fauna silvestre prevê multa de até R$5.000,00. Segundo a lei em questão, é proibido até mesmo andar com pássaros (mesmo que registrados)pelas vias públicas, nem tão pouco levá-los a lojas comerciais. Os animais serão apreendidos e os proprietários poderão receber multa de até R$5.000,00. Quando se retira um animal da natureza, toda floresta é afetada. os machos são aprisionados por seu belo canto, e as fêmeas não conseguem mais reproduzir. Em alguns anos, as matas estarão vazias e silenciosas. Um coleiro, chanchão, trincaferro, saíra, canário-da-terra, sabiá ou sanhaço, entre outros, que esteja aprisionado em sua casa, deixa de fecundar flores e de dispersar sementes de árvores na mata.
Além do mais, manter pássaro aprisionado é cruel. O pássaro atrofia os músculos das asas e canta de tristeza. Traficantes são ainda mais cruéis, costumam furar os olhos dos pássaros para transportá-los, não alimente este comércio ilegal e nefasto.
A melhor casa para um pássaro não é a sua e sim a dele!
fonte:WWW.ICMBIO.GOV.BR/PARNASO