05/04/2010

Chico Xavier: O filme

Leitores amigos, hoje fui assistir ao filme Chico Xavier no cinema do Shopping Vitória (ES), e fiquei besta como o cinema estava vazio, fiquei me perguntando o por quê. Bem,  para eu assistir a Avatar 3D com alguma folga foi preciso esperar quase um mês, o povo estava comprando  os ingressos com antecedência. O esvaziamento da sala de cinema no filme de Chico Xavier pode ter várias explicações, a primeira é que o filme é brasileiro e não tem a bombástica mídia dos holywoodianos, a segunda hipótese é ser um filme sobre o espiritismo. Não podemos fechar os olhos para o fato de que a maioria da população é católica e/ou protestante. Os católicos são mais abertos para aceitar outras religiões, mas os protestantes não, especialmente se esta religião é o espiritismo. Senti na carne quando migrei de uma igreja protestante para a doutrina espírita, a maioria muda de calçada quando passo. Quanto a mim não ligo, amo a diversidade e cada dia a minha escolha se revela mais acertada.
Bem, achei o filme lindo, sensivel, leve. Chico Xavier nos é apresentado como um ser humano e não há endeusamentos ou bajulações, mas não há como negar que este ser humano é feito de uma matéria diferente da nossa, igual na carne, mas um espírito muito evoluído.
Convido vocês a assistirem este filme, vale a pena!
Abraços
Renata

site do filme:

03/04/2010

O poeta

O poeta se julga superior e
no momento da criação é plutão
atingido por meteoritos.
Ele necessita beber da alma alheia e
planar seus versos com a ajuda
 dos ventos norte e sul.
Se banhar na chuva mansa, regozijar na tempestade
e dormir ao relento, onde o frio adensa.
Buscar veios de ouro e água doce no deserto,
ser natural e urbano, humano a se desfazer
em materiais vários.
Este ser esquisito: redondo e plano, preto e branco,
 traz no sangue as linhagens de reis,
de putas e de soldados.
Possui grande olhos azuis e orelhas atentas,
faróis que iluminam a existência,
e captam sentidos no vazio, esvaziando
outros tantos.
É um mago condenado.
É tantos e todos que é ninguém
Bruma solitária que vaga
entre pepitas de ouro e cadáveres.

bairenatabomfim

19/03/2010

Um dia após o outro

É como mergulhar
mas, lúcido,
sem a necessidade de ar
ou de terra para plantar os pés.
Se lançar infinitamente,
rastejar, ou seria nadar?
Até não poder mais,
flutuar na espuma acizentada.
É assim o ânimo, sangra violento,
ri, garagalha irônico.
Surpreende e estarrece
essa visão.
Bater os braços e as pernas
explorar sem fôlego o conhecido.
Cansar, estar atento e relaxado,
se contradizer e morrer
por excesso de opção.
Assim o cotidiano invade a carne
um dia após o outro
e mata as células, esmaga os sonhos
nele, milagrosamente,
tudo se quebra e reconstrói
tudo se não igual, bem parecido,
um pouco mais do mesmo.
mas, dos dedos brotam  letras
que não se repetem nunca!
Cada uma com consciência de si e algumas
alienadas das outras
Mas vivas, vibrantes e prenhes de inéditos.
Letras de carne, de osso e de sangue.

11/03/2010

Terry Eagleton na Flip 2010 *I*M*P*E*R*D*Í*V*E*L*

Terry Eagleton é o pseudônimo de Thomas Warton, 65, teórico marxista inglês e professor da Universidade de Oxford. A participação de Eagleton foi confirmada na Flip 2010. Crítico mordaz, Eagleton já publicou mais de uma dezena de livros e inúmeras resenhas e artigos. Sua obra de maior destaque é Teoria da Literatura: uma introdução, que traça a história do estudo de textos contemporâneos, desde os românticos do século 19 até os autores pós-modernos. O prolífico escritor britânico transita entre a crítica e a criação literária. É também autor de ficção e obras teatrais.


De Eagleton eu li e recomendo Ilusões do Pós-modernismo. se tiver interesse tem uma ótima resenha no site:http://www.socialismo.org.br/portal/filosofia/157-livro/285-as-ilusoes-do-pos-modernismo

Academia Feminina Espírito-Santense de Letras promove o 1º Encontro de Escritoras Capixabas

Amigos, do dia 13 ao dia 17 de abril acontecerá na Assembléia Legislativa do Espírito Santo o 1º Encontro de Escritoras Capixabas, promovido pela Academia Espírito-Santense de Letras. Este evento tem como objetivo principal promover a integração entre acadêmicas, estudantes e amantes da literatura, bem como fomentar a escrita e a leitura. Os participantes que obtiverem 50% de presença no evento terão direito à certificado. As vagas são limitadas e devem ser feitas pelo email: academiafemininaes2010@gmail.com
Haverá oficinas de arte, literatura, haicai e contação de histórias, além do lançamento de livros.
Eu estarei ministrando oficinas, nos veremos lá!
abraços
Renata

Lançamento de livros na ilha: Dia 15/03 na Escola de Artes FAFI - 19 horas

Amigos, a Academia Espírito-santense de Letras estará lançando neste dia obras variadas. Vamos prestigiar os nossos escritores!  Os livros serão distribuídos gratuitamente.

A trajetória do livro: da edicão ao leitor: café Literários com Francisco Grijó e Reinaldo Santos Neves

Amigos, no dia 10 de março aconteceu o café literário SESC com os escritores Francisco Grijó e Reinaldo Santos Neves, dialogo que foi mediado pelo escritor Caê Guimarães. O tema é de extrema pertinencia, trabalhar o diálogo entre quem escreve, quem edita e quem distribui os livros no nosso estado, bem como o diálogo o leitor, peça fundamental desse jogo.

Nessa noite houve também, uma homenagem Ao poeta e contista Miguél Marvilla, amigo querido que nos deixou em meados de 2009 e o lançamento do Livro Histórias curtas para Mariana M, romance de Francisco Grijó.
O salão do Hotel Magestic estava lotado e achei o encontro proveitoso. Aproveitei o ensejo para falar da assembléia especial que se realizará em abril para discutir o mesmo tema e propôr politicas publicas, através de leis, que facilitem os livros de autores capixabas chegarem ao leitor, pelo menos que garanta que tenhamos um lugar digno nas prateleiras das livrarias que faturam no nosso estado.

Em breve postarei os videos desse encontro.

08/03/2010

Verinha nos deixou



Verinha nos deixou hoje, estive com ela todo o tempo, segurei a sua patinha e agradeci por tudo o que representou na minha vida e na vida do Luiz. Pedi que ela esperasse só um pouquinho mais antes de partir, pedido que ela atendeu e, assim que o Luiz chegou do trabalho e se despediu, ela expirou nos meus braços. Ficou uma saudade, a casa está esvaziada, a caixa de supermercado que ela tanto gostava está onde sempre esteve e não sei quando irá sair. Mas estas são as perdas significativas que vamos contabilizando ao longo da vida, aí se percebe que perder dinheiro não dói, e que nenhuma aquisição material será capaz de compensar algo assim. Assim que ela se foi trouxemos seu corpo para casa e mostramos aos outros gatinhos, para eles saberem o porquê do seu desaparecimento do nosso convivio, eles observaram, cheiraram o corpo e sairam, cada um para um cantinho, para fazer luto à sua maneira. Verinha está descansando na Reserva natural Reluz, num bosque de pinheiros que a partir de hoje levará seu nome. Fica aqui este relatinho, mais como uma forma pós-moderna de elaboração dessa tristeza, dividindo ela com vocês, de alguma forma fica mais leve.
Agradeço muito a Dª Ana Cristina, da clinica Mascote, tudo o que fez por Verinha e por nós, pai e mãe desesperados. OBRIGADA!

metapoesia

Serão meus os versos que escrevo,
ou apenas palavras- frags que conjugo e organizo?
Serão, estas palavras-setas, partes de mim que desconheço?
A poesia que gesto é embate entre desejos, é utopia,
é também, filosofia básica: de onde vim, para onde vou?
Era eu ou a era a letra a esgaçar-se noutros tempos?
Será que a poesia do século XVI também era minha?
Sonhos e contos da carochinha soam para mim tão verdadeiros
vejo os rostos, sinto os cheiros, dialogo com reis, rainhas,
observo os elementais dando o tom da natureza.
São os amigos secretos dessa contadora de histórias
que recria o próprio mundo, esse cinema mudo em preto e branco.
Eu amazona, lanço imagens-palavras- setas
para quem quiser adivinhar, buscando atingir sem pedir licença.
Será antipoesia desejar gestar sentidos desconexos?
Quem se habilita a desvendar o mistério de ser outro?
Quem se habilita a ser eu noutro corpo?
A ser paralelo, a unir versos e criar super novas?
A arriscar a vida rabiscando folhas em branco,
garatujando e re-criando o verbo?
metapoesia.

07/03/2010

O espírito de GENTILEZA renovado

Olá amigos, possivelmente vocês tenham ouvido falar de José Datrino, mais conhecido como o profeta Gentileza, senhor que se destacava na multidão não apenas por sua túnica branca e por seus cabelos e barba longos, tão alvas quanto a pureza de sua alma, mas por pregar a gentileza, a solidariedade, o respeito.
Essa figura espetacular que vou apresentar a vocês é seu Carlos, um andarilho que esta passando uma temporada hospedado nas areias da Praia de Camburi. Foi o Luiz, acostumado a conversar com pessoas que geralmente são invisiveis para a maioria, quem conheceu seu Carlos, perguntou de onde ele era e se estava precisando de alguma coisa, seu Carlos respondeu que não estava precisando de nada, que tinha tudo, ele disse que era Minhas Gerais.
Passamos a observar seu Carlos, intrigado com este ser humano que, aparentemente, não tem nada, mas transmite um ar de completude e de satisfação, e percebemos que ele percorre toda a cidade alimentando os pássaros e cachorros abandonados, com alimentos que compra com o dinheiro das latinhas que cata e vende na cidade. O nosso sr. Gentileza não pede dinheiro a ninguém e não espera, como nós, enredados pós-modernos, mais dinheiro, um celular da hora, roupas transadas, enfim, ele espera, apenas, viver, poder estar em Camburi  ou em outra parte desse mundão, e alimentar seus amigos e companheiros, os animais.