18/09/2010

Exposição "Humanidades Extemporâneas" (Tchello d'Barros), palestra e lançamento da antologia Multiplas vozes (AFESL)

Aliança Francesa de Vitória
de 23 de setembro de 2010 a 23 de outubro de 2010
Informações: (27) 3345 1498

Academia Feminina Espírito-santense de Letras/AFESL
 Convida a seus amigos e simpatizantes para o lançamento da Antologia Múltiplas Vozes,
Dia 07 de outubro/ 2010, a partir das 19 horas,
na Biblioteca Publica Estadual
Informações: (027) 3137-9349.
Todos os valores arrecadados serão destinados à AFECC.

 Palestra AFESL:
A TRAJETÓRIA DAS MULHERES
com Maria Inês de Moraes Marreco
Dia 19 de outubro de 2010 as 16 h (4 horas)
na Biblioteca Pública Estadual /ES

XIV CONGRESSO BRASILEIRO DE PROFESSORES DE ESPANHOL (19 a 23 de julho de 2011) e II Encontro de Traduçlão e ensino Ufes

Turma do espanõl, o XIV Congresso Brasileiro de Professores de Espanhol e o II Seminário Nacional da Copesbra (Comissão Permanente para Implantação do Espanhol no Sistema Educativo Brasileiro), que acontecerão na Faculdade de Educação e no Instituto de Letras da Universidade Federal Fluminense (UFF), Campus do Gragoatá, de 19 a 23 de julho 2011. Dúvidas e sugestões a respeito dos eventos podem ser encaminhadas a cbpe2011@gmail.com 


II Encontro Tradução & Ensino, de 6 a 8 de outubro, das 8:00 às 18:00 horas, no Centro de Ciências Humanas e Naturais da UFES. Local: Auditório Décio Cunha, prédio IC-2.
* Eixos temáticos: a) Tradução e Ensino; b) Tradução e Ensino de Línguas; c) Tradução e Literatura; d) Tradução e Estudos Interculturais.

http://www.quintahabilidade.ufes.br/node/7

O gato rei

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Para Elvis
Ele aproximou-se
exangue, o gato rei.
Seu olhar
di(amante)
dizia que fora picado
pelo mesmo bicho
que vitimara Romeu,
Júlio Cesar, Garibaldi e
Abelardo.
Pulou sobre o meu peito
com a ferocidade de um leão.
As suas (benditas) garras
lanharam a minha carne
rasgaram as fibras
marcaram pulmões, coração.
Agora sou súdita fiél,
sempre pronta a satisfazer-lhe
os desejos mais peludos.
Sou sua humana
de estimação.

13/09/2010

A literatura portuguesa em foco: Entrevista com a profª Drª Ana Luisa Vilela/ Évora-Portugal

Amigos, realizei esta entrevista com a profª Drª Ana Luisa Vilela, do Departamento de Linguistica e Literatura da Universidade de Évora/ Portugal. Deixo registrado o meu agradecimento a Ana Luisa pela  prontidão com que aceitou o meu convite e pela gentileza que permeou todo o processo.

1- Como a Sra. avalia o cenário e perspectivas do ensino de literatura (mestrado e doutorado) em Portugal?

Estou sinceramente animada, Renata: há muita gente apaixonada por Literatura, com vontade de a estudar mais profundamente, de ler mais e melhor. Muitos dos alunos de mestrado são professores de Português do ensino secundário (no Brasil, ensino médio); mas outros vêm de outras áreas, talvez procurando na Literatura um complemento da sua formação, um domínio que lhes falta… Nas universidades públicas portuguesas, os cursos de mestrado são em maior número, já, do que os cursos de licenciatura! Por um lado, não são excessivamente caros, nem longos. Por outro lado, como as licenciaturas em Portugal, conformes à célebre “Declaração de Bolonha”, são agora todas de 3 anos (e não de 4 ou 5 anos, como eram dantes), os mestrados vulgarizaram-se. E como o desemprego também grassa por aqui, continuar os estudos é uma opção de cada vez mais recém-licenciados… O número de inscrições em cursos de doutoramento também tem, evidentemente, aumentado. Mas ainda é substancialmente menor do que o dos mestrados.

2- Quais as linhas de pesquisa que tem se destacado e quais os diálogos que os estudos literários tem ensaiado e/ou consolidado com outros campos do saber?

É engraçado você perguntar-me isso, Renata, justamente quando acabo de chegar de um congresso de da Associação Internacional de Literatura Comparada (em Seul, na Coreia do Sul), que teve como tema “Expandindo as fronteiras da Literatura Comparada”!... A LC sempre foi provavelmente o campo mais vasto e mais deliberadamente interdisciplinar dos estudos literários. Imagine quando se pede a investigadores de todo o mundo que reflitam sobre como “expandir” esses limites tão amplos e tão flexíveis!...
Bem, a nível global, teremos mesmo de apontar a inevitável miscigenação (ou fertilização) da Literatura com os Estudos Culturais, os estudos sobre literaturas ditas “minoritárias”, os Estudos de Tradução; em complemento à globalização, ganham preponderância a redescoberta e a revalorização das culturas e literturas dos países emergentes, assim como as das questões ambientais, da Natureza e da tecnologia, da raça, género, etnia, cultura, identidade e alteridade, ideologia, ensino, religião, conflitos e sua mediação… Cruzemos ainda a velhinha noção de Literatura com a chamada “Idade Hipertextual” – e temos um quadro estonteante de perspetivas e diálogos!


3- A Sra é pesquisadora da poesia dos séculos XIX, XX e da poesia contemporânea. Quais poetas a Sra destacaria em cada um destes períodos e por quê?

Os maiores, canónicos e mais justamente lidos: Cesário Verde, Camilo Pessanha, António Nobre, Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade, António Ramos Rosa.
Os que merecem ser mais lidos: João de Deus, António Feijó, Gonçalves Crespo, Eugénio de Castro, José Régio, Albano Martins.

4- Quais aspectos da obra de Eça de Queiroz estão sendo pesquisados pela Sra?

Bem, ando às voltas com a edição crítica d’O Mistério da Estrada de Sintra. Recentemente, tive de estudar mais a sério a vertente “político-ideológica” do Eça e fiquei assombrada. Mas aquilo que mais me atrai, ainda, e sempre, é a forma misteriosa como Eça representa e como magicamente provoca no leitor a sensação “física” do real: a hipotipose. Palavra estranha (parece nome de doença!) mas que designa uma coisa que todo o leitor do Eça reconhece nos seus textos – a impressão que eles dão de serem “realidade viva”. Esse é para mim o mais fascinante traço da escrita queirosiana.

5- Como a Sra avalia a recepção da obra de Florbela Espanca hoje, e o que destacaria como sendo seu legado à poesia produzida por poetas que a sucederam?

A recepção de Florbela é um grande desafio para a crítica académica: continua pujante; é impossível ignorá-la; Florbela é uma escritora hiperpopular; mesmo que o público nada mais conheça dela, conhece-lhe o nome, a pose, a lenda. Essa popularidade de “star” terá feito dela, postumamente, um poeta “de massas”. Irá essa popularidade canonizá-la? Não sei. Sei que ela talvez exija que Florbela ocupe um lugar maior no cânone – mesmo concedido de má vontade, com escrúpulos académicos e teóricos, com dúvidas, com desconforto…
É difícil avaliar o “legado” de Florbela: ela não terá sido propriamente uma precursora, sobretudo a nível técnico-formal. Tematicamente, inovou, sim: com o seu pendor narcísico, um erotismo por vezes escancarado e vulcânico, por vezes místico e sublimado, uma sentimentalidade torrencial, um culto do excesso. Quem “influenciou”? Diria que nenhum autor; mas todos os leitores, sim. Todos aqueles que a leram aos quinze anos. A energia terrível da adolescência está lá toda, nos versos dela, e nós amamo-la por isso. Nunca nos “curamos” de Florbela: ela é, exatamente, incurável. Como nós.


6- Professora, no Brasil, imagino que também em Portugal, existe uma profusão de estudos acerca da obra de poetas como Fernando Pessoa, Camões, Saramago, Eça de Queiroz, escritores estabelecidos pelo cânone. Em sua opinião há ainda algum escritor dos séculos XIX e/ou XX que tenha sua obra pouco estudada e mereça maior atenção por parte dos pesquisadores?

Renata, não é fácil escolher, porque, feliz ou infelizmente, há muitos bons escritores que valeria a pena estudar mais. Mas mesmo assim arrisco dois nomes (além do de Florbela!) – e um é do século XVIII, desculpe:
- Matias Aires (1705-1763), aliás luso-brasileiro, ensaísta brilhante e teorizador sobre a vaidade, as mulheres e o amor;
- e Raul de Carvalho (1920-1984), poeta alentejano que eu, ignorante, só descobri há pouco tempo, e na obra do qual - em versos por vezes fulgurantes, por vezes banais – há uma quase sempre uma poderosa “energia expressiva”, parecida até certo ponto com a da também alentejana Florbela.



ANA LUÍSA VILELA
Professora de Literatura Portuguesa na Universidade de Évora. Ensina e investiga nos domínios da Literatura Portuguesa dos séculos XIX e XX (sobretudo Eça de Queirós, Florbela, Torga, Sophia, Agustina) e da Literatura Comparada (Literatura e Arte, Imagologia e Estudos sobre o Imaginário).

O pisca-pisca e o ensino da Literatura Portuguesa na Universidade de Varsóvia

«O drama a é a espressão literária mais verdadeira do estado da sociedade.» Almeida Garrett, Memória ao Conservatório Real (1843)

A prática (no sentido primordial do termo) da Literatura Portuguesa no Instituto de Estudos Ibéricos e Iberoamericanos da Universidade de Varsóvia e no seu Departamento Luso-Brasileiro criado em 1977 solidifica-se na actividade do pisca-pisca, i. e., do Grupo de Teatro Português da Universidade de Varsóvia (GTP UV; http://iberystyka-uw.home.pl/content/view/160/93/lang,pt/) e na modernização de textos literários. Este grupo de teatro universitário foi fundado no ano lectivo de 1997/98 e tem servido, até hoje, no apoio à aprendizagem de Português Língua Estrangeira. A Literatura Portuguesa continua a ter, também, a sua presença muito bem marcada no pisca-pisca. Por exemplo, no ano lectivo 2001-2002 encenou-se uma comédia romântica A Farsa de Sónia Pereira, baseada na Farsa de Inês Pereira de Gil Vicente. No cartaz do GTP UV, apareceram, entre outros: O Auto da Barca do Inferno e o Auto da Índia do Mestre Gil, Uma História Sem Camisa de A. Pires Cabral, Antes de Começar de Almada-Negreiros, uma adaptação do folhetim Maria! Não me mates que sou tua mãe! de Camilo Castelo Branco, e, na época de Junho – Dezembro de 2007 um Sorteio da Literatura Portuguesa, uma graciosa revista dos maiores mestres da mesma, desde D. Dinis até Fernando Pessoa cujos heterónimos passaram a jogar a bola no desfecho da última cena. Sem postergar Os Filhos do Facebook, uma última produção teatral nossa de livre invenção, realizada em Junho de 2010. Optou-se, destarte, pela continuação da encenação de comédias sendo assegurada, a excelente reacção do público. E pela mais engenhosa combinação do ensino e da prática da Literatura Portuguesa. Deixámos de reflectir sombras do talento literário lusitano numa caverna universitária, mas sim – esperemos que sim – contribuimos para a posterioridade engenhosa pela e com a Língua e Literatura Portuguesas na Polónia. O resultado esperado deste processo será, no nosso entender, um estudante adulto polaco, falante de Português (na versão continental ou brasileira) e leitor activo da Literatura Portuguesa, capaz de analisar obras de autores lusófonos (também no palco), traduzi-las para polaco e enquadrá-las no horizonte dos seus conhecimentos de cultura.


Acreditamos, pois, que «o drama é a expressão literária mais verdadeira do estado da sociedade; a sociedade de hoje ainda se não sabe o que é, o drama ainda se não sabe o que é: a literatura actual é a palavra, é o verbo, ainda balbuciante, de uma sociedade indefinida, e contudo já influi sobre ela; é, como disse, a sua espressão, mas reflecte a modificar os pensamentos que a produziram», citando as imortais palavras de Almeida Garrett da Memória ao Conservatório Real (lida em 6 de Maio de 1843), a despeito de uma opinião alheia que possa afirmar injustamente que «na Polónia nunca chegou a haver teatro português» (para parafrasear as palavras iniciais da Introdução a Um Auto de Gil Vicente do mesmo autor). Chegou, sim, e o pisca-pisca, o grupo de teatro português na universidade de Varsóvia continua a retratar os interesses, as veleidades e as obsessões da comunidade estudantil lusofalante, cada vez mais numerosa na Polónia. Sem exageros, podemos concluir que o drama português é a expressão mais verdadeira do estado da sociedade estudantil na Polónia; a sociedade que hoje sabe cada vez melhor o que é! E assim tem que ser, e assim será. Levante-se o pano.

Grupo de teatro Pisca-pisca

Anna KALEWSKA é Professora Associada do Instituto de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos da Universidade de Varsóvia, Polónia, “doutora de segundo grau (dr. hab.)”, segundo o estatuto da carreira docente polaco. É investigadora quer no âmbito da cultura lusófona, da literatura e do teatro de expressão portuguesas, quer no âmbito da literatura comparada. Publicou dois livros, Camões, czyli tryumf epiki (Camões, ou o triunfo da épica), 1999, e Baltasar Dias e as metamorfoses do discurso dramatúrgico em Portugal e nas Ilhas de S. Tomé e Príncipe. Ensaio histórico-literário e antropológico, 2005, ambos na Editora da Universidade de Varsóvia. Traduziu, entre outros, As Naus de António Lobo Antunes, Editora WAB, Varsóvia 2002. Estudou em Portugal com bolsas do Instituto Camões e da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa. Participou em colóquios e congressos nacionais e internacionais. É vogal da Associação Internacional de Lusitanistas (A.I.L) e membro da CompaRes – Associação Internacional de Estudos Ibero-Eslavos em Lisboa. Publicou mais do que uma centena de artigos e trabalhos de investigação e de inspiração literárias, em polaco e em português, em revistas polacas, portuguesas (Diacrítica, Braga; Revista de Letras, UTAD), brasileiras (Projeções, Curitiba) e na Revista da A. I. L. VEREDAS. Vive em Varsóvia.
Quero agradecer A professora Anna por compartilhar conosco esta experiência e ao amigo Fábio Mário,  correspondente especial do Letra e Fel em Portugal.

IV Encuentro de la Hispanidad: trans-acciones interculturales

Olá amigos, segue informativo acerca do  IV Encuentro de la Hispanidad: trans-acciones interculturales, que se realizará de 07 a 11 de junho de 2011 na UFRR.
Chamada para trabalhos: a primeira circular com chamada de trabalhos de docentes (mesas e minicursos), com prazo de até 08 de novembro de 2010.  O evento tem como objetivo promover a interação e o diálogo entre estudiosos e pesquisadores brasileiros e hispânicos da área de letras hispânicas e demais áreas das ciências sociais e humanas que tenham em comum os estudos da língua, literatura, arte, cultura, antropologia, ciências sociais, geografia, relações internacionais e história dos países hispânicos em suas pesquisas e atividades acadêmicas. Os trabalhos deverão versar sobre estudos hispânicos, podendo ser apresentados em espanhol ou em português, e se filiar a um dos eixos temáticos abaixo:
· Trans-ações linguísticas;
· Trans-ações literárias;
· Trans-ações históricas;
· Trans-ações sociais;
· Trans-ações internacionais;
. Trans-ações teóricas.
O publico alvo da primeira circular é:
· Proponentes (professores e pesquisadores) dedicados aos estudos hispânicos com trabalhos concluídos ou em andamento voltados aos diálogos interculturais.
· Proponentes (professores e pesquisadores) dedicados aos estudos de língua portuguesa como língua estrangeira para nativos de língua espanhola com trabalhos concluídos ou em andamento voltados aos diálogos interculturais.As inscrições deverao ser feitas diretamente com um dos membros da comissao citados abaixo:
Tatiana Capaverde - hispanidadufrr@gmail.com 
Evodia Braz – evodia.braz@yahoo.es 

11/09/2010

O canto da harpia

Cansei de ser sereia.
Cortei os cabelos,
As unhas cresceram.
No lugar das escamas,
indecentes e fortes plumas,
em tons de branco e cinza.
No alto da cabeça,
a crista erotizada,
eriça ao menor ruído.
Abro imensas asas,
Solto um grito.
Os olhos, de repente,
enxergam além.
Cansei de afogar marinheiros,
de cantar para a morte
dos despenhadeiros
e das rochas frias.
Assim como um bebê
saído do ventre,
saúdo a vida.
Mergulho fundo
no azul salpicado de lilases
do fim do dia e,
renasço de manhãzinha,
embriagada pelo amarelo
Ouro
desse universo
selvagemente novo.

renatabomfim

10/09/2010

Despertar

Desperta!
Acorda pleno e olha,
És imagem:
Traços, cores, texturas,
Contornos espetaculares.
Tua tribo anseia e canta,
Nasce a música
Brota a dança
Coreografia de milhares.

O alimento é comum:
Miséria, angústia, esperança...
Desperta!
Acorda pleno e sente
És letra!
Símbolos e marcas
Adornam teu corpus,
te abençoam com a imortalidade.
Recorda teu sonho, mito:
Astros em conjunção,
Rituais de vida e de morte.
Pariste fantasia!
A alma existe?

Desperta e ama o saber: filosofia!
Desperta tudo o que dormita:
Emoção, mímica, interjeição...
Transita no rítmo
Explode e goza num grito
Poesia!

renatabomfim

08/09/2010

Vampiro vegano

Vou ceder aos vampiros
quem sabe assim
vendo algum livro.
Mas imagino uma
entidade diferente:
com sangue quente,
roupas brancas,
resplandescentes,
olhar de cigano.
Amigo das pessoas,
Não cospe na cruz,
Aprecia alho.
Um vampiro vegano!
Ele será o terror dos feirantes e,
na calada da noite,
invadirá quitandas e hortifrutis
em busca de clorofila.
Preferirá os orgânicos
e os sem conservantes.
Sugalos-á com prazer e
sem compaixão,
até que restem somente as fibras.
Esta dieta será o segredo
de seu poder e eternidade.
Nada será mais assutador
e nem mais bizarro
que um vampiro sarado e
com baixo colesteról.

renatabomfim