14/03/2016

Brasil (poema de Renata Bomfim)


"Hoy, 7 de septiembre (2013), conmemoramos la "Independencia de Brasil", pero, nuestro Brasil aún no es libre, desgraciadamente. Aún serán asesinados muchos Tiradentes, por desgracia; aún va a correr sobre este suelo sagrado la sangre de muchos ecologistas, como la de Chico Mendes, de la hermana Dorothy, del capixaba Paulo Cesar Vinha. Para que se establezca un nuevo orden, una nueva forma de concebir el "progreso", para que seamos realmente libres, necesitamos escuchar el grito que viene de las florestas, de los callejones oscuros, de los hospitales, de las escuelas; necesitamos abrir los oídos, quitar la cera del interior de los oídos, y lo más importante, necesitamos actuar. El verdadero progreso tiene nombre y apellido: Piedad y Sustentabilidad" Renata Bomfim.


Dedicado a los indios brasileños, que, sin derechos de ciudadanía, continúan siendo humillados cuando no exterminados; y al espíritu de la esperanza muerto en  defensa de nuestra humanidad.

Brasil,
mi Tierra,
mi Amor.
Allá donde voy, vienes conmigo
en el cimbreo de mis caderas que
bambolea al son
de tu acuarela,
en las ondas del cabello que
semejan estambres de agua dulce
deslizándose por los manglares.

Mis ojos son los del guacamayo
que irrumpen en los bosques
como las flechas inflamadas de Eros.
Son, además, los ojos del tigre,
del mono capuchino, del gato montés,
del lobo guará, del pez buey,
del carpincho, de la serpiente cascabel,
de las hormigas, del oso hormiguero
(tu portaestandarte).

Tus montes, cerros y acantilados
son mi carne, mi cuerpo
de mujer: Nos desangramos!
Es nuestra esa herida
provocada por la especulación,
por el soborno,
por la carencia de cuidados y de amor.
Mi tierra, qué dolor, cuánto quejido!
Los navíos negreros aún surcan las aguas turbias,
son espectros en el espacioso océano,
sus apariciones son casi tangibles.
Una parte de mí está encadenada en la bodega
hedionda, sigue la progresión del rapto
 sintiendo el desgarro
de África, fantaseando con la libertad.

Escucho los gritos de espanto,
las súplicas de socorro
de mis hermanos Guarani Kaiowa.
Los ávidos de lucro quieren abrasarlo todo!
Quieren devorar la selva,
diezmar centenares de etnias,
con sus lenguas  múltiples,
y la diversidad de sus costumbres y tradiciones.
Quieren transformar en humazo, hoy,
nuestro mañana. Nos oponemos!
Lloramos, entonamos himnos de guerra y
luchamos con arcos y flechas.
(combate desigual e inicuo).

Nuestros pies, magullados en el atropello
merecen descanso!
Nuestras manos, tejedoras de humanidades,
merecen respeto!
En este preciso momento una criatura
mama de mi seno:
una niña llamada Esperanza.

Yo canto en voz baja, tarareo apenas
soy chamán:
conozco plegarias y rogativas,
preparo ungüentos,
elaboro aljabas,
lanzo maleficios a los siete vientos,
mi lengua cura y segrega venenos.
Mi corazón es un brasero que,
arde de amor: fuego sacro!
El cielo estrellado de mi tierra
tintinea dentro de mi boca!

Voy a defender la memoria viva
de tus pueblos!

Cuando palpo tu faz
(como un invidente)
tratando de conocer tu fisonomía,
mi tierra, me busco en ti:
necesito conocer la raíz de la planta que soy,
comprender los fundamentos de mis hojas,
frutos, y flor…
Cómo cantar esta brasilidad?
Dejo que los pájaros lo hagan por mí,
el viento silbará tu himno.

Esa bienaventuranza abrasadora
orgullo matrio que ilumina mi pecho
va más allá
de satisfacciones y sufrimientos,
es pasión,
piedra luna:
refleja muchos colores y resplandece.
Donde estoy estás conmigo, Brasil,
mi tierra,
mi amor.

RB, Lisboa, 7 de septiembre de 2013.



***
Hoje, 7 de setembro, comemoramos a "Independência do Brasil", mas, o nosso Brasil ainda não é livre, infelizmente, ainda serão enforcados muitos Tiradentes, infelizmente, ainda vai correr por este chão sagrado o sangue de muitos ambientalistas como o de Chico Mendes, da irmã Dorothy, do capixaba Paulo Cesar Vinha. Para que se estabeleça uma nova ordem, uma nova forma de se conceber o "progresso", para que sejamos realmente livres, precisamos escutar o grito que vem das florestas, dos becos escuros, dos hospitais, das escolas, precisamos limpar os ouvidos, tirar a cera dos ouvidos, e o mais importante, precisamos agir. O verdadeiro progresso tem nome e sobrenome: Compaixão e  Sustentabilidade.  


Dedico aos índios brasileiros, que continuam sendo massacrados, humilhados, e tendo a sua cidadania negada, e aos fantasmas da esperança que morreram defendendo a nossa humanidade.

Brasil,
Minha Terra,
Meu Amor.
Onde vou estás comigo,
No balanço do meu quadril que
Ginga ao som de tua aquarela,
No ondulado cabelo,
Filetes de água doce
Deslizando entre manguezais.

Meus olhos são os da arara 

Que atravessam as matas
Como dardos inflamados por Eros.
São também os olhos do tigre, 
Do macaco prego, da jaguatirica,
Do lobo guará, do peixe boi, 
Da capivara, da cascavel, 
Das formigas, do tamanduá
(Teu porta-bandeira).

Teus montes, morros e falésias

São a minha carne, o meu corpo
De mulher: Sangramos!
É nossa a mesma ferida
Provocada pela exploração,
Pela corrupção,
Pela falta de cuidados e de amor.
Minha terra, quanta dor, quantos ais!
Os navios negreiros ainda vagam,
São espectros no vasto oceano,
Os seus fantasmas são quase palpáveis. 
Parte de mim está acorrentada no porão
Fétido, segue viagem sentindo saudades
Da África e ansiando liberdade.

Ouço os gritos de horror,

Os pedidos de socorro 
Dos irmãos Guarani Kaiowa.
Os gananciosos querem queimar tudo!
Querem consumir a mata, 
Dizimar mais de duzentas etnias com
Suas línguas, costumes, e tradições.
Querem transformar em fumaça, hoje,
O nosso manhã. Resistimos!
Choramos, cantamos hinos de guerra e
Lutamos com arcos e flechas,
(Luta desigual e perversa).

Nossos pés, machucados pela lida,

Merecem descanso! 
Nossas mãos, que tecem humanidades,
Merecem respeito!
Nesse momento uma criança faminta
suga o meu seio: 
Uma menina chamada Esperança.

Eu canto baixinho, quase sussurro,

Sou xamã:
Conheço preces e rogos,
Preparo unguentos,
Confecciono patuás,
Lanço sortilégios aos sete ventos,
A minha palavra cura e exsuda venenos.
O meu coração é braseiro que
Arde de amor: fogo santo!
O céu estrelado da minha terra
Está dentro da minha boca!

         Vou manter a memória viva
         Dos teus povos!

Quando eu toco a tua face

(Como um cego) 
Buscando conhecer a tua fisionomia,
Minha terra, é a mim que busco:
Preciso conhecer a raiz da planta que sou, 
Compreender os por quês das minhas folhas,
Frutos, e flor...
Como cantar esta brasilidade?
Deixo que os pássaros o façam por mim,
O vento vai assobiar o teu hino.

Essa bem-aventurança ardente,
Orgulho mátrio que colore o meu peito,
Está para além 
Das alegrias e dos sofrimentos,
XXXX É paixão,
XXXX Pedra da lua:
Possui muitas cores e reluz.
Onde estou estás comigo, Brasil,
Minha terra,
Meu amor.

RB, Lisboa, 7 de setembro de 2013.

12/03/2016

Alejandro Muguía: lirismo e resistência

Amigos,
compartilho a entrevista com a amigo poeta Alejandro Murguía, poeta que nasceu em São Francisco em meio a um fluxo de refugiados da América Central que sofria com as guerras entre as décadas de 1960 e 1970. A poesia de Alejandro está implicada com a denúncia da situação vulnerável dos refugiados lançando mão da tradição  e do lirismo norte-americano de Whitman a Williams e Ginsberg, Seguem alguns de seus poemas escritos durante o XII Festival Internacional de Poesia de Granada:



Mombacho

Con su gorro de nubes
mirando hacia la laguna de Apoyo
la agua como espejo
reflejando el cielo
y en la distancía
el gran Lago Cocibolca
y más alla un mundo no prometido
pero con la esperanza
de ser un mundo para todos dividido
junto con las nubes del Mombacho
y las aguas puras de Apoyo


Las cosas de cada diá

Dan rabia
las estupideces de cada día
la taza que se quebró
por falta de cuidado
la agua—o peor—
el vino chorreado cuando
era el último trago
el martillazo en el dedo gordo
al tratar de clavar un clavo

Estas tonterías duelen
y sin embargo
que seria la vida sin ellas?


El sueño de Lorca

Me cuentan que tu clavícula
es una estrella sobre Andalucía
que tus meláncolicos metacarpianos
aún apríetan un terrón de Sevilla
que tus caderas jamas
han cesado de gozar
así en La Habana como en Nueva York
y que en las cuencas de tus ojos
han brotado jasmines
y cada petalo un poema
que tu quijada es la voz de todos
los sospechos, indocumentados,
 insultados y fusilados
que la luna arrulla tus hueso Federico
frágiles como alas de colibrí

Así me lo contarón una noche plateada
las hormiguitas rojas
que duermen en tu cráneo
                         

Show beneficente “Perfeita Alegria – Águas”, do Frei Florival Mariano, terá a participação dos artistas capixabas Renata Bomfim (poetisa), Elaine Vieira (cantora), Grupo Moxuara e Eduardo Santa Clara (maestro)


Frei Florival inicia a jornada musical 2016 para divulgar os ideais e ensinamentos de São Francisco e Santa Clara de Assis com a turnê “Perfeita Alegria – Águas”. A experiência de vida religiosa franciscana e o envolvimento com a música sacra e litúrgica abriu caminhos para a construção de um projeto de evangelização por meio de um trabalho musical que apresenta sua espiritualidade anunciando a paz, a essência da alegria, da verdade e do bem.

Frei Florival Mariano de Toledo foi o primeiro franciscano a gravar um CD no estado do Espírito Santo. A iniciativa fez parte das comemorações realizadas em 2013 pelos 70 anos da chegada dos franciscanos à Paróquia Nossa Senhora do Rosário em Vila Velha. 

Em julho desse mesmo ano, o frei recebeu, com imensa alegria, o convite para cantar uma das canções de seu CD para o Papa Francisco, durante a inauguração de uma ala de um hospital na Tijuca, RJ, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude. 

Desde então, sua fé associada a arte tem dado frutos e na véspera de comemorar os 03 anos do lançamento de seu primeiro CD, Frei Florival nos presenteia com a turnê “Perfeita Alegria – Águas”.

Atrações 
♦ Frei Florival 
♦ Pe. Anderson Gomes (Convidado)
♦ Renata Bomfim (Convidada)
♦ Elaine Vieira (Convidada)
♦ Grupo Moxuara (Convidado)

Fonte: Blueticket

09/03/2016

A revista literária Letra e fel deseja AMOR e POESIA às suas leitoras no Dia Internacional da mulher!

Letania à serpente ou a nova gênese

Às mulheres desse novo mundo


O mundo,
Nave? Claustro? Túmulo?
Espaço vazio e nulo,
esteriliza pelo horror, o absurdo.
Vejo as minhas faces 
refletidas no espelho de um lago: 
Sedutores demônios, súcubos,
Criadores de sortilégios, ― Lilith―
(desejo, sangue, húmus):
Encantamento do Todo,
Alfa, Ômega, 
chegadas, despedidas:
Tudo! tudo! tudo!

Benditas trevas, benditas!
Matéria escura feminina
que preenche e une versos.
O meu corpo, amigo da lua,
forjou um novo gênese,
imaginou novas formas, cores, sons,
Entoou letanias,
pediu à serpente que protegesse Caim.

A queda tornou-se motivo de glória!
―Livra-nos, Senhora,
da luz que cega e separa
por cor, sexo, raça...
Da luz produtora
de putas, santas, freiras e fadas.

Mãe das artes serpentinas,
do prazer e da epifania, ― Kundaline―
Alberga no teu útero sedoso
as tecelãs, as sonhadoras,
as virgens invioladas:
Penélope, Medeia, Salomé,
Cleópatra, Florbela e Renata.

A nova Eva, desbocada e louca,
traz no céu da boca o mel, o fel,
o canto que revive,
o beijo que embriaga,
o feitiço que paralisa,
o veneno que mata...
Traz, no abissal,
(gruta quente e úmida)
o indizível, a pequena morte,
a vida transfigurada.

Estou aqui,
mulher e múltipla!
Exijo o que, pelo desejo, 
me pertence: 
(Esse e aquele)
O homem, a criança, a mulher,
o bicho, a planta, a mata, 
a pedra, o ar, a água, o espírito, 
desamparados e indigentes.
Preciso repovoar o mundo,
dar novos nomes a tudo e,
para Eros, missão precisa:
flechar a si mesmo!

Letanía a la serpiente o la nueva génesis (poema de Renata Bomfim com tradução para o castelhano por Pedro Sevylla de Juana)

A las mujeres de este nuevo mundo

El mundo,
Templo?
Claustro?
Sepulcro?
Espacio vacío e inservible,
esteriliza por el horror, el absurdo.

Veo mis mejillas
reflejadas en el espejo de un lago:
Seductores demonios, súcubos,
Inventores de sortilegios, ― Lilith―
(deseo, sangre, humus):
Encantamiento General,
Alfa, Omega,
llegadas, despedidas:
la integridad! la esencia! todo lo existente!

Benditas tinieblas, benditas!
Materia oscura femenina
que completa y une versos.
Mi cuerpo, amigo de la luna,
forjó un nuevo origen,
imaginó nuevas formas, colores, sonidos,
Entonó palabreos,
pidió a la serpiente que protegiera a Caín.

El tropiezo fue  motivo de gloria!
―Líbranos, Señora,
de la luz que ciega y separa
por color, sexo, raza...
De la luz promotora
de prostitutas, santas, monjas y hadas.

Madre de las artes serpentinas,
del placer y de la epifanía, ― Kundaline―
Protege en tu útero suave
a tejedoras, soñadoras,
vírgenes intactas:
Penélope, Medea, Salomé,
Cleópatra, Florbela y Renata.

La nueva Eva, desbocada y loca,
trae en el cielo de la boca la miel, la hiel,
el canto que resucita,
el beso que embriaga,
el hechizo que paraliza,
el veneno que mata...
Trae, en lo insondable,
(cueva cálida y húmeda)
lo inefable, la pequeña muerte,
la vida transfigurada.

Estoy aquí,
mujer y múltiple!

Exijo lo que, por deseo,
me corresponde:
(Este y aquel)
El hombre, el niño, la mujer,
el animal, la planta, el bosque,
la piedra, el aire, el agua, el espíritu,
desprotegidos e indigentes.

Necesito repoblar el mundo,
nombrar todo de nuevo y,
para Eros, la misión indispensable
de seducirse a sí mismo.

05/03/2016

Até quando serão caladas vozes mais esclarecidas? Berta Cáceres, líder indígena e ambientalista hondurenha foi brutal e covardemente assassinada

Amigos,  
O Colóquio das árvores teve início com o poema "Fantasmas da esperança", poema que é um grito de alerta para que não nos esqueçamos de nossos mártires e trabalhemos para que outros lutadores dos direitos humanos, dos animais e da natureza não tenham o mesmo destino. 


Agora, foi assassinada Berta Cáceres, líder indígena e ambientalista hondurenha. Os covardes invadiram a casa da ambientalista, a mataram e feriram ao seu irmão. Berta lutava contra o avanço das hidrelétricas e exploradoras de minérios sobre os territórios indígenas. Que a justiça seja feita e que os assassinos pagem por esse crime. 



Nesse momento incluo o nome dessa mulher valorosa e guerreira no poema "Fantasmas da Esperança" que passará a ser lido assim:



Deixemos Deus sossegado
e colhamos as vinhas da nossa ira.
Soem trombetas
Acordem liras
Pois não existe céu além deste que
conhecemos e poluímos.
Homens, até quando 
a terra será encharcada
com o sangue dos teus irmãos?
Até quando morrerão  índios,
negros, mulheres, crianças,
bastardos e desempregados, 
e uma leva de outros seres subalternizados?
Por que não conseguimos enxergar
que o rosto desfigurado 
do homem e da mulher
sem nome, sem casa e com fome
é o meu e o seu rosto, é o nosso rosto?
Porque não aceitamos que 
esse homem e essa mulher são, também,
a flor que arrancamos, 
o animal que assassinamos
as árvores que deixamos cair...
Até quando o ferro e o fogo
calarão vozes mais esclarecidas?
E no lugar das árvores 
sejam plantadas as sombras 
dessas existências perdidas?
Morreu Paulo Cesar Vinha,
Chico Mendes, Maria do Espírito Santo,
Berta Cáceres,
Dorothy, irmã querida, 
morreu José Cláudio Ribeiro da Silva,
defendendo as castanheiras 
e a nossa humanidade.
Tantos outros também partiram 
traídos pelos seus.
Exército de vencidos 
que se levantará um dia
ainda mais forte, pois,
existem coisas que não se pode matar: 
a Fé, a Esperança, a Revolta, a Justiça!
Esta é a hora de nos inspirarmos 
nos fantasmas da esperança, para que
as gerações futuras possam descansar, ter 
ar, água, lugar de existência.
Nós nos perdemos no labirinto 
da modernidade ourobórica,
construída com armas tecnológicas.
Não temos, mas, ainda buscamos,
alguém ou algo que nos salve 
de nós mesmos.

24/02/2016

Sustentabilidade e poesia na Turnê "Perfeita Alegria", apresentada pelo Frei Florival (20 de março/2016)

Amigos capixabas,
quero convidá-los para essa grande festa de solidariedade realizada pelo Frei Florival. Sinto-me feliz e honrada em participar desse evento que terá como tema central "as águas". Espero vocês no dia 20 de março de 2016, a partir das 18:30h, no Shopping VIla Velha/ES. Estou feliz em compartilhar meus poemas com o povo capixaba, minha gente.
Abraços
Renata Bomfim