Era uma vez...
Eram duas vezes...
Eram três...
O conto já se desmanchava
dentro do livro
Tudo estava diferente
A Princesa encantada do Vigário
desdenhava do Principe entediado
e de seu cavalo pálido
A Bruxa recém convertida
desfiava fervorosa o tercinho
O Mago gagá só fazia polir
o tacho de latão
Nada mais de sortilégios!
nem de perigos
Nada de paixão desefreada
de beijo apaixonado
ou maçã envenenada
e o pior
Nada mais de final feliz
Nem te conto!
Os súditos aborrecidos
já faziam as malas
"Chega de ser vassalo"
dizia o mais exaltado
Inimaginável os descaminhos
do imaginário
30/08/2008
29/08/2008
Amigos da Lusofonia...
Bate papo no Mestrado de Estudos Literários da UFES:
O convidado é Pedro Eiras, professor Literatura Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A palestra intitula-se: "Os caminhos cegos. Da novíssima poesia portuguesa". O evento terá lugar no auditório do IC-II, no dia 05/09, às 17:00 h.Entre outras atividades, Eiras é investigador no Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa. Desde 2001, publicou livros de ensaio, peças de teatro, ficções.Com o livro Esquecer Fausto, ganhou o Prémio PEN Clube Português de Ensaio em 2006. Investiga e publica estudos sobre autores portugueses dos séculos XIX a XXI, bem como ensaios de índole comparatista e inter-artes. As suas peças de teatro têm sido publicadas, traduzidas e encenadas em Portugal, França, Grécia, Eslováquia, Roménia e Brasil. BibliografiaAntes dos Lagartos, teatro, in Dramaturgias Emergentes, vol. 1, Dramat-Cotovia, 2001.
Bem, vocês viram o curriculo do rapaz, imperdível este encontro!
Vejo vocês lá!
Convite para um chá
Vamos tomar chá
amigo
e conversar
Falar dos desgostos
e das alegrias
Só não vale a essa altura da vida
mentir e nem dissimular
Vamos lembrar com saudades
dos tempos idos e
acenar para o amanhã
Vamos nos revelar
Deixar cair a máscara
Reencontrar a verdade facetada
Rir e passar uma borracha
naquilo que já não interessa
O que a vida nos fez?
Face da moeda
Espelho que reflete aquilo que
da vida fizemos
revelando o amor que espalhamos
as árvores que plantamos
os seres que alimentamos e
as dívidas que tivemos
a coragem de cobrar
Prazer, desgraça?
Linhas malditas e amaranhadas
Laços frouxos e muitos até puídos
o passado quer embrulhar o nosso presente
Eu digo Não
e inauguro um novo livro da vida
cheio de páginas em branco
esperando por garatujas e novos escritos
Amigo
Só tenho feito cantar
o canto foi a solução que bebi
pra curar as feridas abertas
Foi também o espaço que escolhi
para fincar as minhas raizes
taõ ressequidas e desejosas por profundidade
Não o canto escuro e sombrio
do medo e da fantasia infantil
assombrado pelo ostracismo
e pela a solidão perniciosa
O canto a que me refiro é o lírico
o da vida em expansão
Toco o intrumento da oportunidade
e suas cordas geram notas de encantamento
reverberam na alma e transbordam emoção
Rio às lágrimas!
Nesse mundo desnorteado
essa fonte marca o centro
do território da singularidade
suas águas são unguento e solução que
não se pode comprar
mas se adquire com árduo comprometimento
Somos humanos
ensinados que já nascemos pecadores
e incentivados a aceitar e
até mesmo a cultivar a dor e a melancolia
Celebremos então nossas falácias
mas que nosso foco seja a alegria
Celebremos nossos mais erros que acertos
e façamos poemas sem pontuação
Desejo que nos reencontremos
com a cara mexida pelo tempo
mais bonitos
eu acredito
Tomemos então amigo
o chá do contentamento
amigo
e conversar
Falar dos desgostos
e das alegrias
Só não vale a essa altura da vida
mentir e nem dissimular
Vamos lembrar com saudades
dos tempos idos e
acenar para o amanhã
Vamos nos revelar
Deixar cair a máscara
Reencontrar a verdade facetada
Rir e passar uma borracha
naquilo que já não interessa
O que a vida nos fez?
Face da moeda
Espelho que reflete aquilo que
da vida fizemos
revelando o amor que espalhamos
as árvores que plantamos
os seres que alimentamos e
as dívidas que tivemos
a coragem de cobrar
Prazer, desgraça?
Linhas malditas e amaranhadas
Laços frouxos e muitos até puídos
o passado quer embrulhar o nosso presente
Eu digo Não
e inauguro um novo livro da vida
cheio de páginas em branco
esperando por garatujas e novos escritos
Amigo
Só tenho feito cantar
o canto foi a solução que bebi
pra curar as feridas abertas
Foi também o espaço que escolhi
para fincar as minhas raizes
taõ ressequidas e desejosas por profundidade
Não o canto escuro e sombrio
do medo e da fantasia infantil
assombrado pelo ostracismo
e pela a solidão perniciosa
O canto a que me refiro é o lírico
o da vida em expansão
Toco o intrumento da oportunidade
e suas cordas geram notas de encantamento
reverberam na alma e transbordam emoção
Rio às lágrimas!
Nesse mundo desnorteado
essa fonte marca o centro
do território da singularidade
suas águas são unguento e solução que
não se pode comprar
mas se adquire com árduo comprometimento
Somos humanos
ensinados que já nascemos pecadores
e incentivados a aceitar e
até mesmo a cultivar a dor e a melancolia
Celebremos então nossas falácias
mas que nosso foco seja a alegria
Celebremos nossos mais erros que acertos
e façamos poemas sem pontuação
Desejo que nos reencontremos
com a cara mexida pelo tempo
mais bonitos
eu acredito
Tomemos então amigo
o chá do contentamento
27/08/2008
poeminha bicho híbrido
Meu pensamento
límpido
vagueia
Percorre a gleba
Cruza mares
Busca abrigo
no teu seio
Pássaro- sereia
byrenata
límpido
vagueia
Percorre a gleba
Cruza mares
Busca abrigo
no teu seio
Pássaro- sereia
byrenata
Machado & Guimarães: um lance de dois
Amigos, imperdível!
A Academia Feminina Espírito Santense de Letras e a Universidade Federal do Espírito Santo, com patrocínio da Lei Rubem Braga e apoio da Vale apresentam uma série de palestras sobre dois dos maiores escritores brasileiros Machado de Assis e Guimarães Rosa. Este evento comemora os centenários de nascimento de Guimarães Rosa (27/06/1908 – 19/11/1967) e de morte de Machado de Assis (21/06/1839 – 29/11/1908). Serão cinco sessões, de agosto a dezembro de 2008, com professores especialistas, da Ufes e de outras instituições de ensino e pesquisa, falando sobre aspectos diversos das obras dos escritores em pauta. Haverá, sempre, um coordenador-debatedor, encarregado não só de formular perguntas para os palestrantes como também de fazer a intermediação entre estes e o público.
Palestras:
29/08: Machado: “Um santo de pau oco: moral e sexualidade em Dom Casmurro”, com Wilbett Salgueiro. Rosa:“Uma recriação fiel: diálogos entre o autor e o seu tradutor”/Erlon Paschoal
19/09:Machado: “Não há remédio certo: loucura e paixão na obra de Machado de Assis”, com Ruy perini. Rosa:“Equívocos propositais: dos tempos homéricos aos de Rosa e aos de agora”/ Lino Machado
17/10:Machado: “O corte e a corte do Machado”, Sérgio Amaral. Rosa:“As dobras do sertão: palavra e imagem”/ Jô Drumond
21/11-(meu aniversário) : Machado: “Machado de Assis, tradutor de Hugo”, Diego Flores. Rosa:“Rosa e a fotografia”/ Raimundo Carvalho
05/12: Machado: “O teatro oblíquo de Machado de Assis”, Marcelo Paiva. Rosa:“Uma voz espírita em Grande sertão: veredas”/ Sandra Lima
Todas as palestras serão as 15h nos ICS II e IV. A entrada é gratuita e serão conferidos certificados aos presentes. Qualquer dúvida contatar a secretaria do PPGL pelo tel: 33352515.
Entre Santos e frutos de ouro: Nice Nascimento Avanza

ARTES PLÁSTICAS NO ESPÍRITO SANTO
Amigos,
O primeiro contato que tive com a obra da artista plástica Nise Nascimento Avanza, foi no Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) numa exposição retrospectiva de sua obra. Nice nasceu em 1938, em Vitória, ES, no bairro de Caratoíra onde reside até aos 9 anos. Dificuldades financeiras fizeram com que os pais da artista se mudassem para São Paulo em busca de trabalho, sua mãe passou a prestar serviços como lavadeira no Colégio externato Sagrado Coração, das irmãs Vicentinas.
O primeiro contato que tive com a obra da artista plástica Nise Nascimento Avanza, foi no Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) numa exposição retrospectiva de sua obra. Nice nasceu em 1938, em Vitória, ES, no bairro de Caratoíra onde reside até aos 9 anos. Dificuldades financeiras fizeram com que os pais da artista se mudassem para São Paulo em busca de trabalho, sua mãe passou a prestar serviços como lavadeira no Colégio externato Sagrado Coração, das irmãs Vicentinas.
Aos 16 anos Nice se casou pela primeira vez, o casamento não dá certo, separa-se e, com dois filhos, retorna para Vitória. Lutando pela sobrevivência, Nice trabalha na Santa Casa de Misericórdia de Vitória, possui uma quitanda no Bairro Alto Caratoíra mas, seu sonho, é ser cantora de rádio.
Nice realiza seu sonho, passa a cantar em programas de calouros e chega a profissional de rádio, se apresentando na Rádio Espírito Santo e firmando contrato com a Rádio Capixaba, nessa época, conhece o segundo marido, com quem terá outros dois filhos.
A incursão da artista pelo mundo da pintura acontece por incentivo dos amigos que a observam, encantados, desenhar sobre papéis de embrulho da lanchonete onde trabalhava. A primeira encomenda de quadro recebida por Nice, foi paga com pinéis e tintas, seu talento logo revelou-se e ela passou a produzir mais e a expôr.
Em1969 o MAES inaugurou a primeira exposição de Nice com cerca de 15 quadro. Nessa ocasião Moa escreve sobre a artista: "Esta artista capixaba. A mulata dos olhos bonitos, tem o dom e a felicidade de ver ingenuamente a beleza da natureza sem contorno, que na sua imaginação o tem".A obra de Nice é primitivista, dentre os temas de preferência da pintora destaca-se o cacau, "fruto de ouro" , e sua obra reflete o movimento de contra cultura de sua época no campo artistico. Cenas religiosas,do dia a dia no campo e dos animais, também povoam o universo artítico de Nice, que deixou uma obra vasta e rica. Enfim, queridos, Nice é uma figura muito importante no cenário artístico capixaba e brasileiro, esperamos ver outras vezes seus trabalhos expostos e, tomara que, ela e tantos outros, se tornem objetos de pesquisa na nossa Universidade.




Fonte: as informações descritas apoiam-se no material desenvolvido pelo MAES na época da retrospectiva de Nice.
A obra Nice s/titulo 85x72, que antes fazia parte do arcevo de Jose Agusto Avanza, pertence agora ao colecionador capixaba Joabi Caldeira, a quem parabenizo pelo cuidado com obra de Nise e agradeço o convite para visitar o acervo.
26/08/2008
Fome
Os sentidos estão despertos
É bomba- relógio essa pele que arrepia
e vibra sobre a carne
prestes a explodir
Dupla epiderme
Tecidos dourados
recobertos por pêlos-espinhos
estendem-se ao infinito
ligando mãos que não sossegam
que te batem,
esfregam e
incendeiam com gestos obcenos
Mãos que ao fim da noite
rezam profundos arrependimentos
Tocam fervorosas as chagas divinas
rogando pelo milagre do esquecimento
Narinas despertas de loba te farejam
teus segredos são violados
e a boca
essa gruta ávida
busca ser habitada pelo teu desejo
Linhagem divina-demoníaca
Sonhos famintos não aceitam sobejo
neles me delicio até às migalhas
lambendo os dedos maculados
Mandíbulas oníricas
se comprazem em te mastigar inteiro
Mas nada,
nada realiza esse bicho
herdeiro da falta ontológica
que ainda sente fome
No estômago da alma
um buraco negro suga
o amor, o mistério a fantasia
E a fome persiste
metamorfoseada
em busca ferrenha que
nenhuma resposta sacia.
É bomba- relógio essa pele que arrepia
e vibra sobre a carne
prestes a explodir
Dupla epiderme
Tecidos dourados
recobertos por pêlos-espinhos
estendem-se ao infinito
ligando mãos que não sossegam
que te batem,
esfregam e
incendeiam com gestos obcenos
Mãos que ao fim da noite
rezam profundos arrependimentos
Tocam fervorosas as chagas divinas
rogando pelo milagre do esquecimento
Narinas despertas de loba te farejam
teus segredos são violados
e a boca
essa gruta ávida
busca ser habitada pelo teu desejo
Linhagem divina-demoníaca
Sonhos famintos não aceitam sobejo
neles me delicio até às migalhas
lambendo os dedos maculados
Mandíbulas oníricas
se comprazem em te mastigar inteiro
Mas nada,
nada realiza esse bicho
herdeiro da falta ontológica
que ainda sente fome
No estômago da alma
um buraco negro suga
o amor, o mistério a fantasia
E a fome persiste
metamorfoseada
em busca ferrenha que
nenhuma resposta sacia.
Um passeio pelo centro de Vitória/ ES
Amigos,hoje eu estive no centro de Vitória. Muitos projetos têm buscado revitalizar este espaço que é cheio de casarões antigos, cuja grande maioria, infelizmente, se encontra em estado de abandono, muitos completamente encobertos por fechadas de lojas. Há um bucolismo nesse lugar, é impossível ir ao centro e não ficar totalmente perdido com os achados inusitados, como por exemplo a loja de chapéus Panamá que encontrei. No Parque Moscoso eu encontrei um lambe lambe, profissão que está acabando. o lambe lambe nasceu da prática de se fotografar em jardins, este profissional da imagem tem uma câmera-laboratório que contém uma caixa de madeira dotada de uma objetiva, esse maquinário fica apoiado num tripé. A câmera se divide em duas partes, sendo que a inferior contém os dois banhos, revelador e fixador, que servem tanto para o processamento químico de filmes, quanto de papéis. Para enriquecer mais ainda a cena, o equipamento do lambe lambe estava embaixo de um semáforo antigo, original, da época em que as mulheres capixabas usavam melindrosa.
Bem, um passeio pelo centro de Vitória é um passeio pela cultura e história do nosso estado, basta vencermos o ciclo vicioso 'Praia do canto-Shopping Vitória', deixando um pouco de lado a preguiça e a comodida e partirmos para a exploração desse ambiente antigo e desconhecido.
Bem, um passeio pelo centro de Vitória é um passeio pela cultura e história do nosso estado, basta vencermos o ciclo vicioso 'Praia do canto-Shopping Vitória', deixando um pouco de lado a preguiça e a comodida e partirmos para a exploração desse ambiente antigo e desconhecido.

25/08/2008
Homenagem aos Amigos: Fanatismo - Florbela Espanca (interpretado por Fagner)
Amigos,
Florbela Espanca é objeto de minha pesquisa de mestrado na UFES. Desde os quinze anos de idade eu leio seus poemas. Compartilho esta paixão, que não chega a ser fanatismo, com vocês, parceiros e amigos do Letra e Fel e dedico esta canção.
Abraços fraternos
Renata
obs: A última parte da Musica que diz: "Eu já te falei de tudo, mas isso ainda é pouco diante do que sinto", é parte de uma música de Roberto Carlos.
24/08/2008
jornada
Parido na raça
Ele chegou ao mundo
com um grito de guerra
Imaculado, ávido e sem cascas.
Começou a grande odisséia
rumo ao lugar de onde partiu
ou, quem sabe, sonhando
ascender outras esferas.
Esse espírito recém chegado,
esse indomável que nos habita,
ensaiou ser filho, irmão, pai, mãe, amante,
e foi crescendo, evoluindo,
tornando-se belo, gigante.
Um dia viu-se caindo, rendido,
quando percebeu que,
mais adiante, outras sensibilidades
buscavam dialogar.
Então o gigante, de alma rara e bruta,
diamante, se reclinou,
beijou a mulher amada, a criança divina,
sua face iluminou-se.
Acariaciado pelo tempo,
coração abrandado.
O gigante foi diminuindo,
ficando maleável, até que,
pequenino, já no fim da viagem
descandou dentro de um botão de rosa.
Ele chegou ao mundo
com um grito de guerra
Imaculado, ávido e sem cascas.
Começou a grande odisséia
rumo ao lugar de onde partiu
ou, quem sabe, sonhando
ascender outras esferas.
Esse espírito recém chegado,
esse indomável que nos habita,
ensaiou ser filho, irmão, pai, mãe, amante,
e foi crescendo, evoluindo,
tornando-se belo, gigante.
Um dia viu-se caindo, rendido,
quando percebeu que,
mais adiante, outras sensibilidades
buscavam dialogar.
Então o gigante, de alma rara e bruta,
diamante, se reclinou,
beijou a mulher amada, a criança divina,
sua face iluminou-se.
Acariaciado pelo tempo,
coração abrandado.
O gigante foi diminuindo,
ficando maleável, até que,
pequenino, já no fim da viagem
descandou dentro de um botão de rosa.
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