31/10/2009

O drama da (in)sustentabilidade

As cidades ocupam apenas 2% da superfície da terra mas consomem 75% dos seus recursos. Esta estatística me deixou estarrecida, eu a li no Pegada Ecológica, de Genebaldo Freire Dias. Este livro é esclarecedor pois apresenta artigos com estatísticas atualizadas que mostram como o modelo de  desenvolvimento que construímos é suicida e replica-se, infelizmente, por quase todo o mundo.
As cidades possuem um megametabolismo energético e material que demanda, cada vez mais, grandes quantidades de matéria, ao passo que produz uma grande quantidade de lixo, além da emissão de gazes causadores do efeito estufa. Segundo Dias, "estamos destramando os fios de uma complexa rede de segurança ecológica", e a maioria dos seres humanos, ainda desconhece a importancia vital dessa rede. O escritor é claro quando afirma que, ou assumimos uma economia que respeite os limites da terra, ou continuamos como estamos, postura que indica que nos envolveremos numa grande tragédia evolutiva.
Bem, as cidades são hoje responsáveis pela emissão de 3|4 do gás carbônico mundial e elas continuam crescendo em todo o mundo, a população urbana mundial cresce em média 70 milhões de habitantes ao ano, e para sustentar esse crescimento, a cada dia, os sistemas naturais são mais sacrificados, e a sede de consumo contemporânea apresenta-se insaciável. Casais apaixonados não iamginam que, para produzir duas alianças de ouro, gera-se em torno de duas toneladas de resíduos, um exemplo simples que nos faz refletir como deve ser devastador o impacto do crescimento material da sociedade.
O pensador Miller Jr. afirma que as cidades representam o maior impacto do ser huamno sobre a natureza, ela depende de áreas fora de suas fronteiras para manter seu metabolismo, dispensando assim, suas influências por todo o globo, ou seja, "ela importa tudo, e exporta calor e resíduos".
Resolver estes problemas e muitos outros referentes às cidades requer muito esforço, cooperação e visão siatêmica, que dêem conta de seus variados aspectos: população, organização, meio ambiente e tecnologia, não podemos esquecer do aspecto cultural, que também possui metabilismo próprio e peculiar. A cidade moderna é um parasita do ambiente rural, ela produz pouco ou nenhum alimento, polui o ar, recicla pouco a água e os materiais inorgânicos, a terra possui limites para acomodar a tecnologia humana, por exemplo, a Gran Bretanha explora no mundo uma área três vezes maior que a sua para a extração de madeira, 75% dessa madeira vem de países subdesenvolvidos, já na Amazônia, cerca de treze mil hectares de floresta são destruídas anualmente para sustentar o consumo de madeira, inclusive para a produção de papel.
Bem, amigos, o resultado é que 1,1 bilhão de pessoas dos países ricos da terra, consomem 3/4 de seus recursos naturais, enquanto os 4,8 bilhões restantes, que corresponde a 80% da população, sobrevive com 1/4.

27/10/2009

Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadorias

se tem um cara que, na minha opinião, conseguiu descrever com precisão variados fenômenos contemporâneos,  foi o  Zigmunt Baumam. Já li alguns de seus livros, entre eles o Modernidade líquida, que considero, até agora, o melhor. No livro intitulado Vida para consumo, ele mostra as vicissitudes da nossa sociedade, cada vez mais "plugada", ou seja, "sem fio". esse joguinho de plugado e sem fio foi um achado do escritor que relata a loucura que pode se tornar o consumismo extremo que elimina os fios que ligam os seres humanos entre si alienando-o. Bauman destacou que as redes sociais deixaram de ser uma opção para se tornarem o endereço "default",  de um número crescente de pessoas, especialmente dos jovens. A "morte social" espreita aqueles que não cedem aos apelos do cibermercado e da cultura "mostre e diga". Se na primeira modernidade os lugares estavam pré-determinados, na contemporaneidade eles vão se dissolvendo, misturando e confundindo e as barreiras entre o público e o privado estão cada vez mais fracas.
as pessoas revelam o mais íntimo de suas vidas, seus desejos, taras,  e aqueles que zelam por sua invisibilidade, segundo o autor, "tendem a ser rejeitados", como se fossem "suspeitos de um crime".
A "liquidez", pilar da tessitura teórica baumiana pode  ser aplicada as empresas. Os empregadores optam por empregados "flutuantes", ou seja, "descomprometidos", "flexíveis", "generalistas", e em última instância "descartáveis". Estes empregados desobrigados de família e descomprometidos, são classificados, por exemplo, no Vale do Silício, como "empregados chateação zero", assim, o empregado ideal seria uma pessoa sem vínculos. Concordo com o Bauman quando diz que a sociedade de consumidores, ou seja, nós, nunca seremos sujeitos sem primeiro virarmos mercadorias. Sonhamos em ser mercadorias desejáveis, necessárias, estudamos muito para isso, nos deformamos muito para alcançar este objetivo, mas eu pergunto para quê? no que resultará tudo isso? Como é difícil nos desvencilharmos do apelo da mídia, acreditamos que não podemos passar sem o celular da hora, sem provar novos sabores, novas emoções, tudo novo, tudo novo... e é assim que vamos sendo consumidos...

26/10/2009

impre(visibilidade)




Recebi estas imagens e repasso para vocês, nem mesmo na natureza tudo tem que ser como geralmente é, estas imagens me lembraram o Mangabeira Unger que diz: "se as instituições são assim, é porque foram feitas assim". A gente é muito conformado com as coisas, precisamos abraçar a impre-visibilidade.

23/10/2009

Mote

Mote
o trote
o xote
vou seguindo
Sou essa alma que grita
cobra pronta à dar o bote
Sou a nuvem punida pelo vento
arrastada, banida
pro norte
pra morte
viro chuva
água bonita
Vejo o arco-íris e
re-nasço
parte dessa cadeia vital
dando energia
pra roda gigante azul
Salve a vida!


bairenatabomfim

17/10/2009

Maus tratos de animais sempre envolve outros crimes...

Amigos, primeiramente quero parabenizar o belissimo trabalho feito pela policia militar ambiental do ES, é que o osso é bem duro de roer, a extração ilegal de areia é uma atividade ilegal que envolve muito dinheiro,  materiais de construção e carroceiros daquie e de outros estados. Os cavalos são maltratados, muitos trabalham com feridas abertas, éguas grávidas, enfim.... até quando minha gente? Vamos denunciar...

15/10/2009

Florbela Espanca por Vanda Luiza...

Olá caros, Vanda é responsável pelas capas dos livros da coleção Roberto Almada, que trata do resgate e divulgação da obra de escritores capixabas de variados tempos. Essa é uma publicação da Academia Espíritosantense de Letras e conta com a seleção, biografia e estudo critico da obra de autores como Lídia Besouchet, Rubem Braga, Maria Antonieta Tatagiba, entre outros. Eu não publiquei nessa coleção mas, como quem tem amigo, tem tudo, ganhei uma capa de presente com a minha "Flor(mais)Bela"... eheheh...  Obrigada Vandinha!

Ações de amor e respeito aos animais

Noite dos Caldos

Amigos, a AMAES está promovendo este evento maravilhoso!!!! vamos prestigiar!!!

Feira de adoção no CCZ (centro de zoonoses) de Vitória

A feira de adoção do CCZ (centro de Zoonoze) de Vitória será realizada nos dias 22, 23 e 24 de outubro. A feira está precisando de doações de fitas, gravatinhas, lacinhos, etc... e de ajuda também... quem desejar e puder ajudar entre em contato com as senhoritas Ludimila (9843-2804) e/ou Paula (9944-9773).
Vamos ajudar!

abraços
Renata Bomfim

site da AMAES: http://www.amaes.org.br/

Lei Chico Prego: entrega de certificados

Olá amigos, estaremos lá para receber o certificado referente a aprovação do nosso livro intitulado Mina.

12/10/2009

DESVAIRADOS E RACIONAIS: DOIS MOVIMENTOS E UMA CIDADE INSPIRAÇÃO (Andressa Zoi Nathanailidis)

Amigos, no dia 09 a nossa amiga Andressa defendeu a dissertação de mestrado  intitulada: Desvairados e Racionais: dois movimentos e uma cidade inspiração, este texto mostra a riqueza da pesquisa:

Ao promover um estudo acerca da importância de Mário de Andrade na constituição do legado identitário brasileiro, deparei-me com um vídeo que me chamou bastante atenção. Nele, um grupo paulista de rap (Urbanos MC’S), se apresentava “cantando” poemas de Mário de Andrade. Ao assistir o vídeo, percebi então que, na voz rapper, o texto modernista, produzido há quase um século, parecia bastante atual.  Instigada a compreender o que ambos os discursos (rapper e poético) continham em comum, ao ingressar no curso de mestrado, decidi conceder um recorte ao tema; promovendo uma análise comparativa sobre o “olhar da cidade”, em textos esparsos produzidos por Mário de Andrade e Racionais MCS; este último considerado um dos maiores expoentes do rap paulista. Devido à amplitude do “corpus literário”, concentramos nosso estudo em duas obras, produzidas em momentos diferentes da carreira do autor modernista: Paulicéia Desvairada (1921) e Lira Paulistana (1941). Já em relação a Racionais MCS, foram selecionadas canções avulsas, cuja temática versasse sobre “a cidade”. Após uma breve introdução na qual expusemos nossos objetivos e algumas considerações acerca da cidade e do fazer literário, formulamos questionamentos que ajudaram a determinar as divisões capitulares da dissertação; como por exemplo: como ocorreu o processo histórico que envolve a criação e o desenvolvimento de São Paulo; sob quais bases foram instituídos o Hip-Hop e o Modernismo; de que maneira a linguagem é trabalhada nos textos destes dois movimentos; como eles se estabeleceram em São Paulo, que objetivo continham e a que público se destinavam? Dividimos a dissertação em quatro capítulos, sobre os quais falaremos brevemente. São Paulo: Breve Histórico, o primeiro capítulo, traz um pouco da história da metrópole. Fundada em 1553, São Paulo é fruto da fusão de dois conglomerados: a Vila Histórica Santo André da Borda do Campo (governada por João Ramalho) e o Colégio Jesuíta (fundado por Manoel de Nóbrega). Cidade modesta até os fins do século XVIII, São Paulo atravessou momentos políticos e econômicos que transformaram seus aspectos físicos e sociais. No século XIX, por exemplo, à época do Império Brasileiro, tivemos o “Ciclo do Café” que trouxe à cidade um aumento populacional (através dos imigrantes), a expansão do comércio e de seus limites. A essa época, foram inaugurados os primeiros marcos da urbanização paulista, como por exemplo: Cemitério da Consolação (1858), Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (1867), Avenida Paulista (1891), Viaduto do Chá (1892), etc. Em função de crises diversas, a economia cafeeira precisou ser substituída pela atividade industrial, que alterou ainda mais a cidade. Atraídos pela possibilidade de emprego, muitos migrantes chegaram ao local, aumentando consideravelmente o número de habitantes. A cidade, que antes não contemplava muitas divisões sociais, adquire agora novos elementos em sua estrutura física e social. Surgem os operários e “suas” periferias, caracterizadas pela precariedade de serviços oferecidos. No decorrer do século XX, os níveis paulistas de segregação social aumentaram cada vez mais, culminando no surgimento das favelas, na década de 1940. Sobre esse novo elemento, há que se dizer que era geralmente habitado por descendentes de negros que, encontravam muitas dificuldades para se inserir no mercado de trabalho e ter condições de pagar o aluguel, ainda que de casas mais simples ou cortiços. A história do povo negro, ganha neste capítulo, uma seção especial, na qual estudamos um período extenso, que vai desde o início do tráfico de escravos (1530) até a abolição da escravatura e conseqüente exclusão social deste povo (1888). Ao final do primeiro capítulo notamos ter percorrido a trajetória de uma cidade que se tornou, ao longo dos anos, cada vez mais “guetizada”, senhora de muitas realidades capazes de inspirar releituras diversas, acerca da mesma. No segundo capítulo, São Paulo Inspiradora das Artes, procuramos verificar as origens das releituras analisadas na dissertação. Para compreender um pouco mais sobre o Modernismo e o movimento Hip-Hop, foi necessário caminhar até suas essências. Constatamos que o Modernismo, na verdade, decorre de outro movimento artístico, nascido na Itália: o Futurismo, cujos princípios (exaltação à guerra, ao poder da palavra, às máquinas, combate ao academicismo, inovação artística, etc.), não foram adotados em sua totalidade no Brasil. Já em relação ao Hip-Hop, também foram descobertas origens distantes. Resultado de tradições jamaicanas, o movimento passou pelos Estados Unidos; sofrendo um percurso considerável de modificações até que ocorresse sua disseminação mundial e conseqüente chegada a São Paulo. Ainda neste capítulo, pesquisamos acerca da ligação histórica existente entre música e poesia; destacando os primeiros indícios ainda no século VII a.C., seu desenvolvimento na Idade Média (por meio dos jograis e trovadores), o surgimento do Teatro Musical (no Séc. XIX), dentre outros. Procuramos, também, compreender de que maneira é constituído o RAP, suas influências, peculiaridades sonoras e lingüísticas; bem como sua aceitação no meio acadêmico e social. Estivemos diante de opiniões totalmente contraditórias, provenientes de personalidades do campo da música e das letras; como Chico Buarque, Júlio Medaglia e Marcelo Mirisola. Após termos constatado ser o rap uma manifestação bastante polêmica, passamos, então, ao terceiro capítulo, destinado à compreensão e análise da obra de Mário de Andrade. Intitulado A poesia de Mário de Andrade: o Arlequim, a Lira e a cidade, o capítulo traz uma breve biografia do autor, seguida, primeiramente da análise de Paulicéia Desvairada. Lançado em 1922, o livro demonstra a consciência do autor acerca do poder da palavra. A análise dos poemas revelou características, como um caráter sensorial muito grande. O poeta, que vive os primeiros anos da industrialização na capital paulista, mergulha na literatura: ele é o narrador- arlequim que, como um flâneur, desvenda a cidade, tomando para si, as características de um ambiente múltiplo. O caráter humanitário dos poemas e a alegria de viver em São Paulo são confrontados com a ameaça industrial, a indiferença burguesa e as críticas ao sistema. Na linguagem, a utilização seqüenciada de termos contraditórios (como “luz” e “bruma”) é também uma constante evidência. Se tivemos em Paulicéia Desvairada a esperança de evitar o crescimento dos primeiros problemas oriundos da industrialização na capital paulista, o mesmo não ocorre em Lira Paulistana. Publicada em 1945, a obra fora escrita num período onde os números relativos ao índice de segregação sócio-espacial da capital paulista, já eram elevados. Apesar de guardarem em si características de ampla musicalidade, os poemas de Lira Paulistana retratam um “eu” sombrio, cuja postura niilista já não dá lugar à esperança de uma sociedade mais justa. Ao ver “sua” São Paulo transformada, o narrador-poeta que ainda é consciente do poder de suas palavras, vê-se como elemento frágil diante de um poderoso sistema, responsável por modificações contínuas, tanto na cidade física, quanto nos habitantes que a ocupam. O livro contém a certeza da existência de um sistema que cultiva, em meio à população, a apatia e automação de comportamentos indiferentes. Nesse aspecto, chama atenção, no livro, a utilização do elemento “garoa”, enquanto metáfora da desigualdade (“garoa sai dos meus olhos”). Eis que, então, chegamos ao último capítulo da dissertação: O Rap de Racionais MCS. Assim como no anterior, após breves considerações sobre o grupo, passamos à análise das letras, cujo resultado é o retrato de uma metrópole completamente segregada, cujos graus de automação e indiferença parecem ter atingido seu estopim. A análise das letras reflete um simulacro do cotidiano. A cidade é colocada na condição de campo de guerra, sendo as criticas ao sistema e à indiferença social, fatores constantes. Mais uma vez, a garoa aparece na condição de metáfora da desigualdade (“a garoa rasga a carne”) e diante do “holocausto urbano”, a “palavra” surge como saída e elemento de orientação. Ela resgata identidades, persuade e convoca seus “fiéis” a uma postura cívica, distante da apatia instituída pelo sistema capitalista, ao longo de tantos anos. Uma postura cujo objetivo é resgatar não só o destino de pessoas, mas também do espaço físico, que tanto é “espaço-caos”, quanto “espaço-amado” (“Porque esse é o meu lugar... mas eu o quero mesmo assim”...) Ao passarmos para a conclusão de nosso trabalho, constatamos que as manifestações poéticas nele estudadas mantém um diálogo intenso com a realidade (à semelhança do que nos diz Bakhtin, em sua teoria do dialogismo) e acompanham, de certo modo, o desenvolvimento histórico da capital paulista (desde a chegada da industrialização à segregação total da mesma). Lançamos alguns questionamentos ousados, como: teria o rapper, em sua condição de pobreza, a capacidade de agir como um flâneur (já que enquanto as camadas mais abastadas permanecem confinadas em seus “guetos” de segurança, esse por falta de condições, percorre as ruas da cidade, explorando, conhecendo e sentindo mais o seu espaço. )? Seria ele agente de um novo movimento estético que, de certa forma retoma à sua maneira princípios futuristas de Marinetti, como a exaltação da guerra por meio da palavra e o agir coletivo dos jovens? Sem pretensões de responder a tais perguntas, concluímos, pois nossa pesquisa; na esperança de termos realizado uma abordagem diferenciada que talvez, futuramente, possa servir como referencial para outros trabalhos.

Banca Examinadora:
Prof. Dr. Jorge Luiz do Nascimento – UFES (Orientador)
Prof. Dr. Wilberth Claython Ferreira Salgueiro – UFES (Membro Titular)
Profª. Drª. Janice Caiafa Pereira e Silva – UFRJ (Membro Titular)
Prof. Dr. Sérgio da Fonseca Amaral – UFES (Membro Suplente)

Se este tema te interessou entre em contato com Andressa:
http://letrasaopiano.blogspot.com/