Era uma vez uma dona
Dona baratinha
Saía todo dia à noite em
busca de companhia
saia curta
pernas finas e perebentas
cobertas por meias finas
Não escolhia
Simplesmente ia
A primeira oferta
lhe bastava
E se houvesse algum tipo de problema
Devolvia com juros
os favores
Coitada
Dona baratinha
Não tinha casa
Não tinha amigos
Tudo o que lhe era caro
Era de outro, não era seu
Jogava no campo do impossível
Tecia os fios da carência e
tentava desatar o nó da
Mediocridade
Quando ia ao bar pedia ao garçon uma soda
que bebia delicadamente
com a cara de quem bebe
um cabernet Sauvignon
Todo dia repetia a viagem
Cruzes
Pra lá e pra cá, rabiscos
Palavras cruzadas
Dona baratinha tem um sonho
Se casar
Encontrar um bicho que no silêncio
Pague suas contas
Que não são caras
Quem sabe um porco?
Quem sabe um bode velho?
Quem sabe um hipopótamo?
Um veado?
Ela sonha e suspira
Pensando no bicho que escolherá
e que será a sua companhia definitiva
no menu dos noivos
apenas saladas e
nada de feijoada
Mas se não puder escolher
dona baratinha aceita
qualquer um
aceita dividir as contas
podendo até pagá-las sozinha
afinal
sacrificios são necessários...
Quem quer casar com dona baratinha?
By renata romfim
13/04/2007

Pertencimento
Palavra cara
Primorosa
Anula o esquecimento
ameniza a dor
Palavra que une
familiariza
também distingue
singulariza
Milagre
unguento para
a solidão perniciosa
e também para a ira e a fadiga
É certeza de Ser
lembrado
e se esquecido
momentaneamente
não se importar
pois sabe ter lugar
no coração do outro
É ter casa
pra voltar
alguém pra abraçar
um corpo dotado de alma
para amar
é estar
amparado
nesse mundo fragmentado
e ser fragmento
no mosaico cósmico
fazer parte do todo
Palavra cara
Primorosa
Anula o esquecimento
ameniza a dor
Palavra que une
familiariza
também distingue
singulariza
Milagre
unguento para
a solidão perniciosa
e também para a ira e a fadiga
É certeza de Ser
lembrado
e se esquecido
momentaneamente
não se importar
pois sabe ter lugar
no coração do outro
É ter casa
pra voltar
alguém pra abraçar
um corpo dotado de alma
para amar
é estar
amparado
nesse mundo fragmentado
e ser fragmento
no mosaico cósmico
fazer parte do todo
mesmo sendo
uma poeirinha de estrela
e viajar pelo infinito.
by Renata Bomfim
e viajar pelo infinito.
by Renata Bomfim
12/04/2007
A tua sombra
À tua sombra
Descanso
Enquanto o sol causticante
queima ao redor
À tua sombra
Descaso
quando impiedosamente
reinas soberano
E eu, um ninguém
A tua sombra,
Em mim,
Obscuridade...
desespero de quem
quer ver e sentir o sol
À tua sombra
o destempero
a dissonância
Quem sou eu?
Para onde vou?
À tua sombra
Frustração
Quero ir para
a chuva e me molhar
A tua sombra,
o assombro,
fantasma na noite,
Retrato antigo que
guarda segredos
À tua sombra,
Interdito,
me encolho,
estico,
sento e levanto,
Mas não saio do lugar.
A tua sombra,
Prisão dourada
de onde a
"princesa encantada"
espera se auto-resgatar.
A tua sombra
abriga o mundo
O meu, ilusório,
mundo.
by renata bomfim
Descanso
Enquanto o sol causticante
queima ao redor
À tua sombra
Descaso
quando impiedosamente
reinas soberano
E eu, um ninguém
A tua sombra,
Em mim,
Obscuridade...
desespero de quem
quer ver e sentir o sol
À tua sombra
o destempero
a dissonância
Quem sou eu?
Para onde vou?
À tua sombra
Frustração
Quero ir para
a chuva e me molhar
A tua sombra,
o assombro,
fantasma na noite,
Retrato antigo que
guarda segredos
À tua sombra,
Interdito,
me encolho,
estico,
sento e levanto,
Mas não saio do lugar.
A tua sombra,
Prisão dourada
de onde a
"princesa encantada"
espera se auto-resgatar.
A tua sombra
abriga o mundo
O meu, ilusório,
mundo.
by renata bomfim
A carta
(ao ler esta poesia ouça Adagio molto - sinfonia nº 4, de Antonio Vivaldi)
Ele chegou, trazia nas mãos uma carta
Entregou-me o papel meio amassado e partiu às pressas
Eu, que ansiava seu retorno, só pude me debater
e gritar e xingar e maldizer a sua linhagem
até a quarta geração.
Em (um) vão...
seus passos ainda pude ouvir ao longe
Assim como os insetos captam o som de suas presas
Hoje, oceano de afetos nos separa
__mas eu ainda te ouço, meu amor,
e sei que você, agora, movimenta-se em círculos.
Eu e o papel que recebi de você
a malibenigna carta
dialogamos vez em quando,
até fizemos um pacto
ela sempre fechada, e
Eu, ousando como nunca,
abrir-me, (des) envelopando-me.
Assim, adiamos o inevitável
o confronto final.
Eu (a)guardo e ela, silencia
e oculta as palavras- punhais.
Passaram-se dois anos
Minha face apessegada já não tem o
mesmo frescor daquele famigerado dia
lembra-se?
O dia em que você me virou as costas!
Nem mais uma ligação...
mas,
sei que estás bem
Um amigo nosso contou que
estás a escrever um livro
Qual será o titulo? O flagelo de uma mulher?
Deves imaginar que assim te livrarás de mim
algum tipo de exorcismo incompetente.
Eu não estou nada bem...
Sinto-me suspensa pelo tempo, no espaço
O tempo, o tempo...
Quando você partiu, alguma coisa
se partiu dentro
de mim, cacos e cacos e cacos- amontoados
Preciso de cola pra elaborar um mosaico
a cola que era você
amalgamou minha ruina
ela era esse amor envenenado
que me ligava às partes.
Espero que passe esse luto
Mas, sem teu corpo estendido
Você continua mais vivo do que nunca
Te quero, ainda
Mesmo na lama da minha dignidade
Mesmo rastejando e encobrindo a última faísca do meu orgulho
Não te amo mais (acho)
Mas te quero consumir,
produto barato, mas de prazer imediato
Exijo o uso capião desse teu corpo
Fiz por merecer
Esse teu corpo que
não deve mais ser àquele que conheci.
Ouso sim exigir o teu corpo,
Não falo de sentimentos,
Você sabe do que digo?
Como exigir de você tamanha abstração?
O que será o tempo pra você?
Estranho que amei, que amei um dia
De que material você é feito?
As vezes penso que você não é gente!
Mais um ano,
hoje dei bom dia à sua sombra
e se fechar meus olhos, posso sentir a imagem
da tua face brotar
do cérebro, do corpo, de mim toda,
mais nítida que a minha própria
que evito
cobrindo os espelhos.
Mas a urgência de te possuir passou
assim como também o desespero.
Lembra-se daquele dia que você me ligou?
um fio foi cortado, algo se desligou dentro de mim.
Ontem, até reparei, revendo umas fotografias
amareladas, como está hoje a carta que você me deu,
que você não é tão bonito assim e nem tão essencial.
Mulher é um bicho besta mesmo!
No fundo, acho que todo amor que te dediquei,
Que era meu e te dei
Gratuitamente?
Um amor que parecia incondicional
e somente hoje sei, não era
que esperava de você, em troca, a Alma,
bem embrulhadinha num celofane cor de rosa.
Você fez bem em não me dar a sua Alma
Afinal, um homem sem alma
Quem iria querê-lo?
Talvez por isso Eu te quis tanto, pelo Não
que você, a cada manhã me ofertava sorrindo
Pelo buraco que esse Não cavava dentro de mim
Atiçando o meu desejo
e alimentando a fantasia de que eu
poderia te devorar inteiro.
O Não
Fez brotar o Sim aqui dentro
Fez saber que a Alma é de cada um
E que cada um é um
Embora os corpos se unam, se enrosquem
e depois sofram com a separação
Seremos sempre dois até a morte
Um Eu e outro um que é Você
A carta?
Queimei-a fazem uns seis meses
não pude lê-la
o teu adeus ainda estava atravessado
ainda não te esqueci, completamente, mas
pretendo Ex...
Espero não vê-lo mais.
Comecei na aula de pintura
Lembra que eu tinha vontade de fazer?
Pois é, quero te pintar de roxo
Bem, não vou pedir que não me procures mais
sempre fui eu quem te buscou tipo cadela no cio,
tipo fumante que sai na madrugada esperançoso por
encontrar uma birosca aberta
pra comprar o amigo,
Ele chegou, trazia nas mãos uma carta
Entregou-me o papel meio amassado e partiu às pressas
Eu, que ansiava seu retorno, só pude me debater
e gritar e xingar e maldizer a sua linhagem
até a quarta geração.
Em (um) vão...
seus passos ainda pude ouvir ao longe
Assim como os insetos captam o som de suas presas
Hoje, oceano de afetos nos separa
__mas eu ainda te ouço, meu amor,
e sei que você, agora, movimenta-se em círculos.
Eu e o papel que recebi de você
a malibenigna carta
dialogamos vez em quando,
até fizemos um pacto
ela sempre fechada, e
Eu, ousando como nunca,
abrir-me, (des) envelopando-me.
Assim, adiamos o inevitável
o confronto final.
Eu (a)guardo e ela, silencia
e oculta as palavras- punhais.
Passaram-se dois anos
Minha face apessegada já não tem o
mesmo frescor daquele famigerado dia
lembra-se?
O dia em que você me virou as costas!
Nem mais uma ligação...
mas,
sei que estás bem
Um amigo nosso contou que
estás a escrever um livro
Qual será o titulo? O flagelo de uma mulher?
Deves imaginar que assim te livrarás de mim
algum tipo de exorcismo incompetente.
Eu não estou nada bem...
Sinto-me suspensa pelo tempo, no espaço
O tempo, o tempo...
Quando você partiu, alguma coisa
se partiu dentro
de mim, cacos e cacos e cacos- amontoados
Preciso de cola pra elaborar um mosaico
a cola que era você
amalgamou minha ruina
ela era esse amor envenenado
que me ligava às partes.
Espero que passe esse luto
Mas, sem teu corpo estendido
Você continua mais vivo do que nunca
Te quero, ainda
Mesmo na lama da minha dignidade
Mesmo rastejando e encobrindo a última faísca do meu orgulho
Não te amo mais (acho)
Mas te quero consumir,
produto barato, mas de prazer imediato
Exijo o uso capião desse teu corpo
Fiz por merecer
Esse teu corpo que
não deve mais ser àquele que conheci.
Ouso sim exigir o teu corpo,
Não falo de sentimentos,
Você sabe do que digo?
Como exigir de você tamanha abstração?
O que será o tempo pra você?
Estranho que amei, que amei um dia
De que material você é feito?
As vezes penso que você não é gente!
Mais um ano,
hoje dei bom dia à sua sombra
e se fechar meus olhos, posso sentir a imagem
da tua face brotar
do cérebro, do corpo, de mim toda,
mais nítida que a minha própria
que evito
cobrindo os espelhos.
Mas a urgência de te possuir passou
assim como também o desespero.
Lembra-se daquele dia que você me ligou?
um fio foi cortado, algo se desligou dentro de mim.
Ontem, até reparei, revendo umas fotografias
amareladas, como está hoje a carta que você me deu,
que você não é tão bonito assim e nem tão essencial.
Mulher é um bicho besta mesmo!
No fundo, acho que todo amor que te dediquei,
Que era meu e te dei
Gratuitamente?
Um amor que parecia incondicional
e somente hoje sei, não era
que esperava de você, em troca, a Alma,
bem embrulhadinha num celofane cor de rosa.
Você fez bem em não me dar a sua Alma
Afinal, um homem sem alma
Quem iria querê-lo?
Talvez por isso Eu te quis tanto, pelo Não
que você, a cada manhã me ofertava sorrindo
Pelo buraco que esse Não cavava dentro de mim
Atiçando o meu desejo
e alimentando a fantasia de que eu
poderia te devorar inteiro.
O Não
Fez brotar o Sim aqui dentro
Fez saber que a Alma é de cada um
E que cada um é um
Embora os corpos se unam, se enrosquem
e depois sofram com a separação
Seremos sempre dois até a morte
Um Eu e outro um que é Você
A carta?
Queimei-a fazem uns seis meses
não pude lê-la
o teu adeus ainda estava atravessado
ainda não te esqueci, completamente, mas
pretendo Ex...
Espero não vê-lo mais.
Comecei na aula de pintura
Lembra que eu tinha vontade de fazer?
Pois é, quero te pintar de roxo
Bem, não vou pedir que não me procures mais
sempre fui eu quem te buscou tipo cadela no cio,
tipo fumante que sai na madrugada esperançoso por
encontrar uma birosca aberta
pra comprar o amigo,
o amante que
irá acelerar seus passos rumo à sepultura.
Que gozo perverso.
Não vou estender o adeus
hoje, sinto um raio de esperança
brotar
prefiro dizer,
há Deus!
descanse em paz.
by renata bomfim
irá acelerar seus passos rumo à sepultura.
Que gozo perverso.
Não vou estender o adeus
hoje, sinto um raio de esperança
brotar
prefiro dizer,
há Deus!
descanse em paz.
by renata bomfim
11/04/2007
A Guerra
Tu cavas onde
pelas noites
Passam os homens e seus cavalos
APRESSADOS
Armas em punho
A noite sombreia
as faces sedentas
Amor (es) talhados
Buscam isolar-se do que um dia
Chamou-se – Lar
DESOLADOS
Mulheres e crianças choram
Rendem-se à soberana
Força bruta
Sentem Odor
Sangue (es) corre
pelas noites
Passam os homens e seus cavalos
APRESSADOS
Armas em punho
A noite sombreia
as faces sedentas
Amor (es) talhados
Buscam isolar-se do que um dia
Chamou-se – Lar
DESOLADOS
Mulheres e crianças choram
Rendem-se à soberana
Força bruta
Sentem Odor
Sangue (es) corre
comum
Rio
Da tua Dor
buraco fundo
e Cavas
Da tua Dor
buraco fundo
e Cavas
NOBRE
Lá descansarás de
teus sonhos.
By renata bomfim
Lá descansarás de
teus sonhos.
By renata bomfim
Amo (r) Te D' iz
Amo (r) Te D' iz
Ante rosas
fulgurantes
_Quem és?
Tal qual poeta criança
Choras
Amo (r) te D' iz
Vem
Tu vais?
De pad(r)eceres
Mágoas e tédio
Escarnecem de ti os loucos
Há mar, ave, ilha
As torrentes que il cielo
Duvida e mal reconhece
A mor te D' iz:
MUDA
Velas e, silêncios
Invisíveis lágrima De sal
Retumba ante (s)
Ros(ch)as mur (ch)muram
Manhã rutilante
by renata bomfim
Ante rosas
fulgurantes
_Quem és?
Tal qual poeta criança
Choras
Amo (r) te D' iz
Vem
Tu vais?
De pad(r)eceres
Mágoas e tédio
Escarnecem de ti os loucos
Há mar, ave, ilha
As torrentes que il cielo
Duvida e mal reconhece
A mor te D' iz:
MUDA
Velas e, silêncios
Invisíveis lágrima De sal
Retumba ante (s)
Ros(ch)as mur (ch)muram
Manhã rutilante
by renata bomfim
10/04/2007
Querubim
Caiu...
Querubins caem a todo o momento
Prenunciam o inevitável:
A queda é algo inerente...
até mesmo aos querubins.
Querubins encantados
Com suas cabeças de criança
Nos ensinam
O sentido da palavra
C a i r
CADO!
Princípio vital!
levanto
entorpecida
N’uma performance teatral
Sacudindo a poeira brilhante
e as plumas amassadas do vestido.
Não se deve cair de qualquer jeito
Deve- se cair com graça,
com leveza,
Para que os inimigos
Invejem
o seu estatalar.
Pois o prazer alheio
Não está apenas no fato da queda
alheia
Está na performance
Na forma
Na singularidade do tombo
Cuidado para que não percas isso,
Esse jeito
especial
de cair
provoca dor
dos Outros.
Nem os querubins
têm
isso
Poder para
deflagrar
a ira
dos deuses.
Querubins caem a todo o momento
Prenunciam o inevitável:
A queda é algo inerente...
até mesmo aos querubins.
Querubins encantados
Com suas cabeças de criança
Nos ensinam
O sentido da palavra
C a i r
CADO!
Princípio vital!
levanto
entorpecida
N’uma performance teatral
Sacudindo a poeira brilhante
e as plumas amassadas do vestido.
Não se deve cair de qualquer jeito
Deve- se cair com graça,
com leveza,
Para que os inimigos
Invejem
o seu estatalar.
Pois o prazer alheio
Não está apenas no fato da queda
alheia
Está na performance
Na forma
Na singularidade do tombo
Cuidado para que não percas isso,
Esse jeito
especial
de cair
provoca dor
dos Outros.
Nem os querubins
têm
isso
Poder para
deflagrar
a ira
dos deuses.
by renata bomfim
09/04/2007
Enquanto o amor não vem...

Enquanto o amor não vem
Ponho rosas nos cabelos
E sento junto à janela
Enquanto o amor não vem
E canto e suspiro,
e silencio e canso
Já é quase meio dia
E enquanto o amor chega
Trazendo consigo uma parte de mim
Preparo o almoço do tipo
“Fidelize o amor”
Arroz, feijão pretinho polenta
e de sobremesa
Mousse de maracujá
ajuda a acalmar...
Enquanto o amor não vem.
Uma sesta para sonhar
Depois de comer
sozinha
sonhar com o amor que vai chegar
Sonho que ele vem apressado
Não vejo seu rosto mas,
Sei que é lindo
Tipo manhã de domingo
Que promete descanso e aconchego
Vem trazendo nas mãos um presente
uma caixa
da cor do céu e cheiro de sorriso
Lhe digo: __Vem Amor...
Abro os braços e
o amor começa, devagarinho,
a vir em minha direção
Estou quase reconhecendo seu rosto
tão estranho e tão conhecido
a face do meu amor
Mas algo acontece,
meus olhos se abrem
acordo...
e é o amor que, nos meus sonhos,
fica a esperar
Enquanto o amor não vem
Vou até a estante e
pego um livro
Romeu e Julieta?
Nada de amor sem final feliz...
Passo aos mitos- Eros e Psique
Vem à náusea, só de pensar no
inevitável triângulo:
O amor, o outro amor e mãe do amor
Ah! Isso não!
Desisto de Apuleio
Vou ler Florbela Espanca
“Eu quero amar, amar, amar perdidamente
Mais este, aquele, o outro, a toda gente
Amar e amar e não amar ninguém”
Também não! Quero amar o amor, o meu amor
Só a ele, sempre ele...
Quem sabe um romance clássico
Do tipo contos de fadas?
“E foram felizes para sempre”
É disso que preciso...
Enquanto o amor não vem
Ouço um barulho
É o vento que bate à janela, anunciando
A chuva
Corro até ao quintal e recolho as roupas
Estendidas no varal, ainda cheirando a sol
E que agora dançam a minha espera
E o vento assobia
“Quimera, quimera, quimera”
Corro pra dentro da casa
O vento desarrumou meus cabelos
O amor pode chegar agora
vou ao espelho
e vejo minha face
estranha, enigmática
Ponho rosas no cabelo
E canto e suspiro...
Enquanto o amor não vem.
by renata bomfim
06/04/2007
Dama de Copas
Não.
Venerável!
Ora voltada para cima
Venerável!
Ora voltada para cima
Ora para baixo
Contempla
O futuro
O futuro
Sua casa
A mobilidade
Setenta e sete súditos
Ardem de desejo
A mobilidade
Setenta e sete súditos
Ardem de desejo
O rei
escravo
Vitória régia é o seu jogo
Fêmea fértil
Canta o fado da fortuna.
by renata bomfim
Mulher ao espelho

Mulher ao Espelho
Mulher
Seu rosto reluz
Polida
Seus olhos
Janelas que se abrem
Para outros tempos
Banho de luz
Resplandecente
Sobre sua face
os raios do destino
De onde vem esse olhar
que tantas vezes me causa estranhamento?
Essa boca encarnada
Que grita e canta e xinga
e compulsiva quer devorar o mundo?
Mulher,
Eu me vejo nos teus olhos
E vejo que você esconde algo
Quem é você mulher?
Porque me olha com olhos de executor
Sinto os açoites
As dores
O que você reflete de mim?
Transpareço
Transparente
Transpassar teus olhos
Não é tarefa fácil, mas
Consigo enxergar a tua alma
Catedral envidraçada
Templo ótico
Onde invertida reflito
Mulher,
Eis o que desejo
Uma cama de nuvens
com tons
Mulher
Seu rosto reluz
Polida
Seus olhos
Janelas que se abrem
Para outros tempos
Banho de luz
Resplandecente
Sobre sua face
os raios do destino
De onde vem esse olhar
que tantas vezes me causa estranhamento?
Essa boca encarnada
Que grita e canta e xinga
e compulsiva quer devorar o mundo?
Mulher,
Eu me vejo nos teus olhos
E vejo que você esconde algo
Quem é você mulher?
Porque me olha com olhos de executor
Sinto os açoites
As dores
O que você reflete de mim?
Transpareço
Transparente
Transpassar teus olhos
Não é tarefa fácil, mas
Consigo enxergar a tua alma
Catedral envidraçada
Templo ótico
Onde invertida reflito
Mulher,
Eis o que desejo
Uma cama de nuvens
com tons
azulado-esbranquiçados
Desta nuvem
Vou espelhar no oceano
No mar que guarda segredos
Como eu e você
Sabias que o mar é mais antigo que nossas almas
E que ele guarda o canto das sereias?
Estranha, (amiga?)
Quero canta
Dessa nuvem
Com um pouco de sorte
meu canto alcançará a terra
Desdobrada no mar
Ouvida na terra
Imagem- som
Não serei mais um espectro
e nem a clandestina
sombra
desse teu olhar.
Desta nuvem
Vou espelhar no oceano
No mar que guarda segredos
Como eu e você
Sabias que o mar é mais antigo que nossas almas
E que ele guarda o canto das sereias?
Estranha, (amiga?)
Quero canta
Dessa nuvem
Com um pouco de sorte
meu canto alcançará a terra
Desdobrada no mar
Ouvida na terra
Imagem- som
Não serei mais um espectro
e nem a clandestina
sombra
desse teu olhar.
by renata bomfim
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