Ela vai sendo aquecida, lenta e
delicadamente, em fogo brando.
Sobre a mesa, o namorado,
temperado com amor, espera.
Pretinha de barro, filha de indio
seu colo acolhe o fruto do mar
fervilhante, emana seu odor
Esperam-na todos, deleitantes.
Um bom vinho, à mesa,
um silêncio respeitoso,
as bocas anseiam e marejam
como velas errantes ao mar.
E o namorado vai sendo devorado,
transubstanciação, pode-se sentir o
Espírito Santo no ceu da boca.
Divina moqueca capixaba!
by renatabomfim
01/06/2007
28/05/2007
Impossibilidade

Tentei construir um poema de amor,
Ou sobre o amor.
Busquei inspiração em imagens de afagos e beijos,
Busquei inspiração em imagens de afagos e beijos,
Casais de mãos dadas,
Pores de sol, luares, estrelas,
Pores de sol, luares, estrelas,
E nada!
O poema não saiu,
Ficou encravado dentro de mim,
Mas, conheço este sentimento,
Conheço bem o amor
E o amor me conhece.
Você sabe o que é olhar nos olhos de alguém
E ver lá dentro a sua imagem,
Reluzente e melhorada?
Isso faz com que você se sinta cópia
Reluzente e melhorada?
Isso faz com que você se sinta cópia
E deseje, ardentemente, ser o original...
Sabe o que é sentir segurança, amparo,
pertencimento?
pertencimento?
Já sentiu as mudanças corporais
O clássico frio na espinha?
Desejo, dor, lágrimas,
A cama é o templo do amor!
Lá pagamos nossos tributos, fazemos oferendas
e recebemos as bênçãos.
Penso que o amor não deveria se chamar assim,
Antes, ele teria um nome secreto, chave, senha...
É precioso demais o amor!
O amor que sinto e conheço me vem em lampejos,
Vejo, ouço, esqueço, e penso que não existe
A vida sem o amor!
A vida sem o amor!
A luta cotidiana num mundo cão
e a fome da alma,
Mas, basta o menor gesto de doçura,
Um aceno, ou aquela mirada
Para eu lembrar que sou íntima do amor
E ele de mim.
by renata bomfim
27/05/2007
Tecendo a espera

Sempre ela e seus bordados
tecendo a espera
tecendo esperança
tecendo sonhos
desde criança
fio a fio no tempo
negros fios vertendo em lágrimas
fios da navalha
fios da navalha
Delgados
retorcidos
fios da fibra do girasol
O rosto corado e a boca encarnada
a rosa que ficava no jardim
sintéticos, flexiveis materializam
a casa amarela
Resistente corrente fina
que enciuma a aranha
Fio da vida
que não espera e acelera
e borda incansávelmente a mulher
à janela
mas surgem os nóz
sentença de morte
e a bordadeira esperançosa
passa a desatadora
do tempo que passa
e não perdoa
E novos fios serão precisos
encarnados, azuis, amarelos, verdes
para reavivar o desejo da mulher
de tecer
desejo que o tempo afrouxou
representação
Traçado firme e o bordado
volta a brotar da agulha
em busca de novos desenhos
de novos sonhos
é a lei do oficio de tecer
filha de Pandora, a tecelã
sua mãe lhe contou que
um dia abriu uma caixa
que não podia
e dali sairam muitos pesadelos
seu castigo, tecer até a morte
e desatar nóz
mas ela sabia que ainda havia um sonho
preso dentro da caixa
e pediu pra filha
libertá-lo
caixa de fios/ sonhos de mãe/morta
abre a caixa a filha
mudanças acontecem.
by renata bomfim
Mulherárvore

Por mais que ela quisesse parecer humana
sua pele quase casca a denunciava
ela era árvore.
A cada manhã mais veios
a seiva suave já lhe percorria toda.
Mulherárvore.
Urgia, o tempo
ela precisava reconhecer sua natureza
a tantos vivendo entre os humanos
uma raça inimiga da sua
e com eles estabelendo alinças de sombras:
__ árvores precisam de terra e não de asfalto,
precisam de água fresca e de sol
para poderem ser árvores.
Ela era de uma espécie rara
híbrida
se descoberta, logo seria alvo
se descoberta, logo seria alvo
do serrote de algum pesquisador.
Mulher metamorfose
já se sentia brontando
mais um pouco e não poderia mais
esconder-se entre ruges e rendas
Logo teria galhos e folhas
e o assédio dos pássaros
implorando por um espaço para seus ninhos
a denunciaria.
O tempo urge
a mulherárvore
sabe que é chegada a hora
de realizar a sua natureza.
By renata Bomfim
paraiso
Assim que ela surgiu das sombras
fez-se silêncio
até vento parou para escutá-la
primordial, aquele som
não sei explicar como, mas
aquela musica fazia brotar as sementes
fazia também com que os pássaros filhotes
arriscavam seu primeiro vôo
que musica era aquela?
Eu, ali, imóvel, assim como o vento e tudo mais
só pudia mexer os dedos
estava paralizado pela beleza
Desejava estar com ela
Quem era aquela mulher?
o que é o paraíso?
eu a conhecia, lá no meu íntimo,
era ela quem me despertava toda manha
eu a desejava, mas nunca a possuí
ela era de todos e de ninguém
dormia com a lua e despertava com o sol,
copulava com as estrelas
as onças, as cobras, os elefantes , as ranhas, as formigoas
e toda a raça ficava enamorada dela.
Ela é mãe e amante de tudo que vive e respira.
Mulher que verte mel
e toca a musica composta por Deus.
by renata bomfim
24/05/2007
07/05/2007
Não há clichês num mundo outro...

Quando cheguei aqui
faz um tempo
sem lembranças
tudo o que vi e ouvi
assim como, as verdades que me disseram,
se tornaram o meu mundo.
Paredes moles da minha casa
jardim com flores carnívoros-vegetarianas
pássaros escam0- douradas e,
aquele sentimento de vazio
que sempre me inquietou.
__as cores não podem ser só estas!
eu sempre pensei assim
de onde vinham os pensamentos- estranhos?
pareciam não serem meus
Meus, os clichês?
um dia acreditei serem meus
Meus, os clichês?
um dia acreditei serem meus
todos os clichês,
ferramenta obrigatória para atuar neste
mundo que me intriga e aborrece
odeio clichês,
mas odiar clichê é o maior dos clichês,
na árvore genealógica da saudade
uma tela em branco
espera angustiada e,
quanto mais brancas e puras,
mais dizem nada.
E esperam pelo artista -louco
anseia ser algo mais
dependência misteriosa esta.
A matéria (re)clama
A matéria geme e eu ouço
Ninguém ouve a terra-matéria gritar
eu ouço e
choro-criança
a tela muda
tela cor, tela corpo
lágrimas da terra
(es)correm nas minhas veias
meu sangue chora
meu sangue chora
ouçam a terra! clichê,
Clichê, clichê, clichê...
Odeio clichês!
O maior dos clichês,
ser eu mesma
Ser só eu, quando eu sou mais
Talvez a somatória- resultado de uma raça ruim,
de gente que pensa não/Ser- gente
Que pensa que
no seu sangue
corre um liquido outro,
não as lágrimas da terra
Já senti na boca o gosto
Já senti na boca o gosto
da saliva da terra- mulher
que beija cada homem que nasce
apaixonadamente,
mas o homem não sente,
Pequenas lembranças sensórias
de quando eu cheguei (aqui) sem lembranças
Lembrei
de quando eu cheguei (aqui) sem lembranças
Lembrei
o vento cura amnésia
Faz o corpo lembrar
lembrei de uma outra gente
lembrei de uma outra gente
de um mundo outro
gente outra que
mora num mundo de clichê
menos comprometido com a ignorância
menos comprometido com a ignorância
Sim, eu sei que
o mundo É o mundo e pronto
Nasço, vivo (como posso) e morte
E o mundo continua
Indiferente
Não importa
Contradição?
importa, sim
deixar a marca na pedra
Uma inscrição:
“eu ouço a terra, eu sinto o sabor do seu beijo ”
Só isso.
E viver (como se pode),
E morrer como se deve
E morrer como se deve
Feliz da vida
by renata bomfim
04/05/2007
encantamento
para se espantar as entidades da má sorte
não bastam velas ou incensos
nem mesmo flores jogadas ao mar
sal fino ou grosso, abre- caminho,
espadas de são jorge ou patuás.
o encantamento só funciona se
praticado por alguém que ainda detém
o poder de se encantar
somente um Ser encantado
pode ser encantador.
mas estes seres, a cada dia,
não bastam velas ou incensos
nem mesmo flores jogadas ao mar
sal fino ou grosso, abre- caminho,
espadas de são jorge ou patuás.
o encantamento só funciona se
praticado por alguém que ainda detém
o poder de se encantar
somente um Ser encantado
pode ser encantador.
mas estes seres, a cada dia,
são mais raros,
faltando pouco para serem
faltando pouco para serem
encantrados apenas nos contos de fadas
lá nos livros, onde moram todos os encantamentos.
espanto é outro determinante
lá nos livros, onde moram todos os encantamentos.
espanto é outro determinante
e funciona para o encantador como chave que
abre a porta da mente e do corpo
Espantosa é a sensação de deslumbramento
frente ao mistério da vida,
e às idéias que, pasmos,
acreditamos serem capazes de mudar o mundo,
a surpresa de poder ano- após- ano aceitar falácias
e alegrias que viajam com o vento
e desabrocham como flores.
esse embruxamento é vital
Espantosa é a sensação de deslumbramento
frente ao mistério da vida,
e às idéias que, pasmos,
acreditamos serem capazes de mudar o mundo,
a surpresa de poder ano- após- ano aceitar falácias
e alegrias que viajam com o vento
e desabrocham como flores.
esse embruxamento é vital
para quem quer poder para
espantar a má sorte
só se ganha quando se perde,
eis o mistério dos mistérios
sempre há um preço a ser pago
por cada gota de lágrima sorridente
é preciso deixar algo ir para que se possa receber
mistérios?
A má sorte nada mais é que uma fada triste
cuja face o tempo maltratou
pobre fada, seu encanto lhe cegou
o feitiço voltou-se contra o feiticeiro
por isso, para assegurar o sucesso do encantamento,
o encantador deve, sempre, ter às mão o antídoto
de cor verde- viscoso e de cheiro nauseabundo
chamado desencanto
somente uma gota, porém,
para reforçar o poder do encantamento
Mistério dos mistério?
A sorte é uma só, se boa ou má
depende de como se lida com a magia da vida
sempre há conseqüências
espantar a má sorte
só se ganha quando se perde,
eis o mistério dos mistérios
sempre há um preço a ser pago
por cada gota de lágrima sorridente
é preciso deixar algo ir para que se possa receber
mistérios?
A má sorte nada mais é que uma fada triste
cuja face o tempo maltratou
pobre fada, seu encanto lhe cegou
o feitiço voltou-se contra o feiticeiro
por isso, para assegurar o sucesso do encantamento,
o encantador deve, sempre, ter às mão o antídoto
de cor verde- viscoso e de cheiro nauseabundo
chamado desencanto
somente uma gota, porém,
para reforçar o poder do encantamento
Mistério dos mistério?
A sorte é uma só, se boa ou má
depende de como se lida com a magia da vida
sempre há conseqüências
seja na ação ou na imobilidade
depende também da mistura
depende também da mistura
dos ingredientes no caldeirão,
gotas a mais de encantamento, boa sorte
à menos, somada a boa dose de desencanto,
Má sorte...
gotas a mais de encantamento, boa sorte
à menos, somada a boa dose de desencanto,
Má sorte...
e a fada chora, e lastima, por tudo ser e tudo poder
no final , descobre-se que a bruxa é uma mestre- cuca,
no final , descobre-se que a bruxa é uma mestre- cuca,
e que na hierarquia dos elementos
feiticeiro/encantador que se preze não pode esquecer da adição do
amor- gotas, eficaz na cura das feridas da alma e
na cura de fadas tristes.
sabe-se que este ingrediente- chave, o amor, em pedra, pode ferir e matar
mas, maior cuidado,
feiticeiro/encantador que se preze não pode esquecer da adição do
amor- gotas, eficaz na cura das feridas da alma e
na cura de fadas tristes.
sabe-se que este ingrediente- chave, o amor, em pedra, pode ferir e matar
mas, maior cuidado,
deve ser tomado com o amor- pó
o resultado da manipulação inconseqüente deste, pode ser catastrófica
ao amor- pó
o resultado da manipulação inconseqüente deste, pode ser catastrófica
ao amor- pó
não resistem nem as fadas e nem as gente.
os banhos são importantes
os banhos são importantes
não podemos esquecê-los
Banho de lua
Banho de sol
Banho de orvalho e chuva
As ervas cantam e brincam na relva
esperam a vez de atuarem na fórmula
anseiam manipular a matéria por dentro
Esse também é um outro mistério
Depois do banho, e da fórmula do encanto/ desencanto
o efeito será sorrir, e chorar, e lamuriar, e ter esperanças...
coquetel de emoções
Banho de lua
Banho de sol
Banho de orvalho e chuva
As ervas cantam e brincam na relva
esperam a vez de atuarem na fórmula
anseiam manipular a matéria por dentro
Esse também é um outro mistério
Depois do banho, e da fórmula do encanto/ desencanto
o efeito será sorrir, e chorar, e lamuriar, e ter esperanças...
coquetel de emoções
caem as escama dos olhos
e se pode perceber que
e se pode perceber que
a vida (essa vida) vale a pena.
by renatabomfim
02/05/2007
Alquimia

A entrega foi
deliciosa
do leito
deleite
um cálice inverso
universo
de estrelas, gelo e martini
derramado sobre mim.
E eu que era potencia e força
certeza e tirania
que te concebia uma parte de mim
Minha toda , eu todo, o possuiDor
Que te conduzia pelos caminhos do meu desejo.
Eu, o homem de aço, ouro e mercúrio
Amalgamado no espelho cruel de Narciso
Eu todo poderoso
Tudo, Todo
Eu.
Agora, ébrio, débil e
prostrado, reconheço ser Nada
Frente ao teu corpo de flor
Talvez a nuvem que um menino viu
Mas que o vento carregou
Pra tão longe que
agora, sem forma, derrama-se todo
e em partes chora sobre a terra.
É a história desse homem
deliciosa
do leito
deleite
um cálice inverso
universo
de estrelas, gelo e martini
derramado sobre mim.
E eu que era potencia e força
certeza e tirania
que te concebia uma parte de mim
Minha toda , eu todo, o possuiDor
Que te conduzia pelos caminhos do meu desejo.
Eu, o homem de aço, ouro e mercúrio
Amalgamado no espelho cruel de Narciso
Eu todo poderoso
Tudo, Todo
Eu.
Agora, ébrio, débil e
prostrado, reconheço ser Nada
Frente ao teu corpo de flor
Talvez a nuvem que um menino viu
Mas que o vento carregou
Pra tão longe que
agora, sem forma, derrama-se todo
e em partes chora sobre a terra.
É a história desse homem
homem redução/emoção
Que trocou o poder pela
impossibilidade
Desse pobre que na solidão
conheceu a alegria
sim, na deliciosa dor da entrega renasci
Curaste meus olhos da cegueira
com teu leite, panacéia sagrada.
Entre nós vigorava a lei do silêncio
Eu dizia e tu calavas
e cogumelos brotavam dentro de ti
e corvos comiam os cogumelos
Dos teus buracos rebentavam
As sementes que a nuvem de minhas lágrimas regou
Flores amarelas e beija-flores
Eu vi saírem de ti
Colhi uma margarida no teu ouvido esquerdo.
Que trocou o poder pela
impossibilidade
Desse pobre que na solidão
conheceu a alegria
sim, na deliciosa dor da entrega renasci
Curaste meus olhos da cegueira
com teu leite, panacéia sagrada.
Entre nós vigorava a lei do silêncio
Eu dizia e tu calavas
e cogumelos brotavam dentro de ti
e corvos comiam os cogumelos
Dos teus buracos rebentavam
As sementes que a nuvem de minhas lágrimas regou
Flores amarelas e beija-flores
Eu vi saírem de ti
Colhi uma margarida no teu ouvido esquerdo.
A vida, amor
O meu não ser potência é a força de amansar
a turbulência do tempo que nos corrói
É colher no corpo do teu jardim
O aDorno que me fará belo
teu semelhante
O meu não ser potência é a força de amansar
a turbulência do tempo que nos corrói
É colher no corpo do teu jardim
O aDorno que me fará belo
teu semelhante
Eu reduzido, resultante, (re) composto
Combinado
Eu outro
opus.
by renata bomfim
13/04/2007
Documentário sobre o consumo de carne " A carne é fraca"
http://www.ninarosa.org/educacao_humanitaria.htm
Caros, eu não consegui assistir até ao final...
vou continuar tentando ...
Se conseguirem assistam
esse documentário está no site Instituto Nina Rosa que
trabalha em defesa dos animais.
Caros, eu não consegui assistir até ao final...
vou continuar tentando ...
Se conseguirem assistam
esse documentário está no site Instituto Nina Rosa que
trabalha em defesa dos animais.
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