20/07/2008

Educação ambiental em Vitória- Salve os ecochatos!

Amigos, saiu uma nota hoje no jornal A Gazeta (Caderno Dia-a-dia/ Segurança), daqui de Vitória (ES) com o titulo Inconsciencia ambiental. Ela traz à luz uma triste estatística que mostra como a população da região metropolitana de Vitória ainda conhece muito pouco, e se interessa ainda menos, pelas questões ambientais. Mas baseado em que eles dizem isso?
Bem, uma pesquisa realizada por alunos do curso de direito da UNIVIX, que ouviu 1.028 pessoas dentre as quais 42,5% com curso superior, mostrou que a população ainda não sabe a quem recorrer e o que fazer em caso de problemas ambientais. Muitas dessas pessoas não sabem se no decorrer do seu dia causam prejuízos ao meio ambiente e não levam em conta, por exemplo, a questão ambiental na hora de compar um produto. Esta pesquisa será apresentada pelos alunos da UNIVIX no I Encontro Latino Americano de Universidade sustentáveis, no Rio Grande do Sul. Bom, o mesmo jornal no caderno Economia, traz uma matéria página inteira sobre o promissor campo profissional que é o Ambiental, com o título: Nada de ecochato: procura-se especialista em meio ambiente.

Particularmente, acredito que todo profissional que realmente tem compromisso com a causa ambiental é um pouco ecochato. Você quer algo mais antipático que um cara ouvir dizer a verdade sobre os impactos da produção de carne para a natureza, sendo um fã incondicional de uma picanha gorda? Ter que escutar que, para se produzir em média um quilo de carne, 10 mil metros de floresta são desmatadas, 15 mil litros de água doce são gastas, fora que o descarte de vísceras, fezes, ossos, sangue, etc., são feitos nos rios e consome-se muita energia elétrica.
O consumo de água para além da criação do gado se extende para os processos de abate: sangria, escaldagem, depenagem, depilação, barbeação, evisceração, lavagem, etc.
Pois é, a carne tem um custo ambiental e esse custo não é computado no balcão do supermercado, quem paga é o meio ambiente! mas pra que saber disso, podendo comer a picanha na ignorância? talvez por isso o desinteresse com o meio ambiente, assim não haverá necessidade da pessoa se posicionar.
Fiquei muito feliz com a vinda de Nina Rosa ao ES, essa mulher muito especial, um exemplo de amor a vida e coragem na luta contra a crueldades contra a vida/meio ambiente. Ela é considerada por alguns uma ecochata, por falar verdades inconvenientes, por colocar o indivíduo frente a frente com a sua barbárie.
Eu tenho uma filosofia pessoal, se quero saber se uma atitude é correta, eu a imagino sendo praticada pela coletividade. Portanto acho que as áreas utilizadas como pasto poderiam ser utilizadas para a agricultura (por exemplo a familiar), não com monoculturas, como costumamos ver ao pegar qualquer estrada do ES. Enfim, ecochatianamente falando, reflitamos.
(os dados estatísticos sobre a criação de gado podem ser encontrados no site http://www.svb.org.br/)

19/07/2008

Nina Rosa no 5º Festival de Cinema Ambiental do Caparaó- ES

Queridos amigos,
Nina Rosa, fundadora do instituto de proteção animal que leva o seu nome (www.institutoninarosa.org.br), esteve no MoVA Caparaó, 5ª edicação do festival de cinema ambiental, Município de Muniz Freire, ES. Nina Rosa tem 64 anos e ha mais de 32 é vegetariana. Ela este nesse evento apresentando o ducumentário "A carne é fraca", que detalha o impacto do consumo de carne sobre a saúde e o meio ambiente, além, é claro para os aniamsi que são sacrificados indiscriminadamente e com muita crueldade.
Houve quem deixasse a tenda de exibição ao se deparar com as cenas de abate. Só um "humano" com coração de pedra não se emociona ao ver o desespero/ pânico no olhar dos animais na fila (corredor da morte) para serem abatidos, e depois abertos ainda vivos (pois é assim mesmo que acontece).
Houve também quem se revoltasse com as idéias da ativista que contra qualquer alimento ou produto de origem animal, incluindo medicamentos e remédios testados em animais. Nina diz que "a filosofia é simples" ela trata os animais como seus amigos, não os mata e não os come [...] respeito avida , desde a menor formiga ao paquiderme, portanto não mato nem barata". Ela defende que a carne não é primordial para nossa nitrição, pois não somos seres carnívoros e todos os nutrientes podem ser assimilados por meio dos vegetais. Nina é contra qualquer tipo de abate, afinal é uma vida que se destrói, e esse é um campo onde não há misericórdia. No documentário "A carne é fraca" Nina diz que as imagens foram feitas em abatedouros registrados, mas nem por isso as imagens deixam de ser chocantes.

Ela defende que para acabar com essa indústria da morte basta querermos

Maria Lúcia Dal Farra em entrevista

A POETISA MARIA LUCIA DAL FARRA nasceu em Botucatu, São Paulo. É professora doutora de Literatura Portuguesa e pró-reitora de Pós-graduação e Pesquisa da Universidade Federal de Sergipe. Publicou, entre outros, “O narrador ensimesmado”; “A alquimia da linguagem”; “Inquilina do Intervalo” e “Livro de auras”. É casada com o escritor Francisco J. C. Dantas, autor de “Coivara da Memória” e “Cartilha do Silêncio”, entre outros livros. O casal já esteve no RN algumas vezes, sempre participando de eventos literários, e travou amizades com o poeta Luís Carlos Guimarães, os escritores Oswaldo Lamartine e Humberto Hermenegildo e os jornalistas Woden Madruga e Tácito Costa.
Que espaço a poesia e a literatura ocupam em sua vida?
M.L.D.F. São ambas a minha própria vida. De um lado porque escrevo poesia, de outro porque ensino literatura.
O labor do(a) poeta necessita de que alimento? E quando falta...? M.L.D.F. Leitura cotidiana dos pares e abertura sensível para a experiência do outro e da vida. Nunca falta, se há alento e disposição. A solidão anima o(a) poeta? Como estar só diante de um mundo tão frenético? Como "ouvir o silêncio" no entorno?
M.L.D.F. A solidão é fundamento da existência. O bulício do mundo também. O aturdimento ajuda a ouvir o que não se percebe no silêncio.
Como definir a importância do ritmo em seus versos? Parece que você tem uma íntima relação com a música?!
M.L.D.F. Se a poesia te entra pelo ouvido, ela te toca a mente e te possui. A música (a melodia e o ritmo) abre uma senda de ramificações para o encantatório, região própria da palavra emprenhada, da palavra poética. Creio ter um ouvido privilegiado à custa dos meus familiares. Cresci, desde sempre, escutando meu pai tocar e cantar com o Angelino de Oliveira, o autor de “Tristeza do Jeca”, que é de Botucatu, minha terra natal. Além do violão, meu pai tocava a sanfona semitonada italiana de muitos baixos, que passou de geração em geração até chegar às suas mãos. Nela executava ópera e tangos e tarantelas, e aprendi a cantar com ele em dueto, desde pequenininha. Estudei piano pela vida afora e, ao mesmo tempo, canto lírico. Em 2002, recolhi as canções inéditas do Angelino (que meu pai já resgatara em volume) e acabei por gravá-las, acompanhada pelo meu primo Zebba Dal Farra, num cd duplo que se encontra fora de mercado.Me desviei da pergunta, afinal, e encomprido a resposta. Creio que cada poema pede um ritmo, uma melodia íntima que estabelece consonâncias e dissonâncias com meus pares (quando digo isso refiro-me a um extenso lastro de experiência de leituras) - os afetados por aquela escrita. Busco a música que aquela matéria me pede e que dialoga (de muitas maneiras) com outra obra que tenha tratado daquela questão ou por ela resvalado. Para mim, o poema é o lugar da mais profunda comunidade, muito embora seja solidão pura.
Sua poesia é permeada, em muitos momentos, por lembranças, memórias, inclusive de ancestrais familiares... O que a leva a se utilizar de tal matéria?
M.L.D.F. Bem, como descendente de imigrantes italianos, de um lado, e de andaluz casado com avó nativa índia, de outro, sempre procurei desbastar, em mim, a identidade que explicasse essa brasileirice. E precisava encontrar uma linguagem condizente com tal urgência que, sendo biográfica, era antes de mais nada poética, a de registrar, a meu modo, uma dicção de mulher brasileira fruto dessa mistureba – se é possível conseguir isso... Mas tentei, e foi assim que nasceu toda uma seção do “Livro de auras”, a Lição de casa, o que era um acerto de contas com a minha história pessoal ao mesmo tempo que um desafio enquanto poesia de comunicação numa época de perda da aura.
Sem a intenção de tocar exatamente na questão da existência - ou não - de uma literatura/poesia feminina, indago: Sobre que conteúdo da mulher você mais deseja se expressar e que mais a move na produção de sua obra? M.L.D.F. Sempre projetei escrever uma poesia que percebesse o mundo por um imaginário muito específico, o culturalmente feminino, já que sou feita desse barro – o que não impede um homem de fazer o mesmo, claro está. E nunca se tratou, para mim, de produzir apenas um olhar, mas uma fala, uma linguagem, e, na melhor das hipóteses, uma poética. Me interessa explorar essa linguagem até as últimas conseqüências, saber até onde posso levá-la por esse viés. Tratando de uma obra de arte ou de quaisquer trivialidades, sempre busco descerrar esse objeto por meio da digital feminina.Mas isso não quer dizer que a minha poesia dialogue apenas com poetisas, com mulheres. Posso assegurar que procuro ter direito de cidadania dentro de uma tradição poética em língua portuguesa, é verdade, que acata para si as experiências de outras literaturas de outras línguas e de quaisquer gêneros, pelo menos até onde posso alcançar.
Como se estabelece a convivência e a rotina literária e intelectual entre você e seu marido (escritor Francisco L. C. Dantas)?
M.L.D.F. Com a naturalidade de dois cúmplices amigos e amantes.
Quais os móveis remoto e imediato para o fazer literário?
M.L.D.F. Sabe que nunca me perguntei a respeito? Parece que desde que me entendo por gente sou assim, escrevo, canto, toco, me dedico profundamente às artes, adoro o teatro, o cinema, o ballet, a ópera, sem esquecer dos bichos. Não sei se porque sou filha de uma família absolutamente sensível à música e à literatura e fui criada nesse ambiente, ser poetisa e artista sempre foi da minha natureza mais profunda ou periférica. Desde criança que os meus e os da minha terra me têm assim e me vêem desse modo. E nunca fui outra coisa. Nunca fui boa em matemática ou em física, muito embora me hipnotizem essas teorias a respeito do universo e das forças que desconhecemos, o que me levou a estudar esoterismo, por exemplo, e isso ainda na década de setenta, e a me descobrir um pouco bruxa – daí meus gatos?! De resto, escrever sempre foi para mim uma urgência, uma maneira de eu me reconhecer criticamente, de me espelhar naquilo que faço, e de proclamar, a cada vez para mim mesma, uma nova existência. O que independe de estar ou não inserida nos trâmites pragmáticos que regem hoje a literatura, muito embora eu procure entrar em interlocução com estes na medida em que produzo declaradamente uma obra que se quer resistente ao consumo, arcando, pois, com toda a sorte de conseqüências – mercadológicas e (graças a Deus!) literárias...
Há uma delicada sensualidade em alguns de seus poemas. Qual o lugar do erotismo e da sexualidade em sua poesia?
M.L.D.F. Nem tão delicada assim em alguns deles, creio. Há, às vezes, um transbordo sensual, que pode vir tanto do motivo erótico do poema quanto da labuta amorosa entre as palavras no esforço de criar algo – o Breton não dizia que as palavras fazem amor entre si? Lembro-me de que lia, num encontro de escritores, uns poemas para uma ampla platéia, e que senti, com clareza, ir subindo a temperatura emocional dos ouvintes – e a minha, claro está. O poema produzia um não sei quê de muito envolvente que contaminava as pessoas, e pela primeira vez me dei conta de me comunicava com meus interlocutores reais de maneira plena. E experimentei essa doçura, esse mistério gozoso. E estou sempre em busca desse arrepio, desse frenesi que me permita entrar em entendimento profundo com o outro. As palavras permitem isso!
Que matérias podem ser objeto de um poema?
M.L.D.F. Digo com Herberto Helder que tudo é mesa para o poema.
As universidades ainda têm espaço para a criatividade e a arte? Não é a técnica, o método, e a extrema "racionalidade" que estão exageradamente predominando na produção acadêmica atual?
M.L.D.F. Essa pragmática governamental de determinar prazos para a preparação e defesa de mestrado e de doutorado, iguais e exíguos prazos para disciplinas de natureza tão diferenciada, traçando indiscriminadamente os mesmos critérios para matérias e esforços diversos, o que é de todo questionável – tem arrasado com a possível excelência da produção intelectual nas universidades. Tem interessado a tais órgãos fomentadores muito mais o número de produções do que a qualidade, de maneira que os nossos acadêmicos se fizeram aplicados de todo em locupletar o próprio currículo do que em produzir ensaios ou obras que se querem acima do comum - e isso é mau. Todavia (e eu ando muito por este Brasil afora como partícipe de bancas de tese e de concursos, e mesmo como assessora do CNPq), tenho testemunhado casos em extremo meritórios e, sobretudo, da parte de universidades humildes do Nordeste, que procuram crescer a partir de uma mui séria produção intelectual. Fiquei muito impressionada ultimamente, para citar um belo exemplo local, com o nível das letras na Universidade Federal do Piauí.
O que seria, no seu entender, um projeto literário que guarda "consistência"?
M.L.D.F. Bem, se é “projeto”, significa que ele se espraia para diante, que ele se futura, que ele se precipita para uma realização, que ele se adianta pronto a assimilar as intempéries do seu próprio impulso, reatualizando continuamente o previsto. Isso, por si só, já lhe confere uma consistência, se entendo bem a pergunta que me faz. Agora, se além de tudo, ele se enraíza dentro da tradição literária, ele troca figurinhas com os seus pares contemporâneos ou remotos, enfim, se ele procura sustentação própria, contestando a tradição ou aderindo criticamente a ela – penso que ele obterá a tal da “consistência”.
A literatura (a boa literatura) pode ser limitada por aspectos geográficos e/ou econômicos? Como se mexer, com o menor grau de risco, no atual mercado editorial brasileiro?
M.L.D.F. Claro que sim! Os aspectos geográficos e econômicos são fundamentos com os quais lida internamente a literatura, de uma ou de outra maneira. Ou ela os absorve nas suas próprias leis de produção ou se rende a eles e diz adeus às ilusões – não é à toa que Balzac, nos primórdios do processo de mercantilização desbragada da literatura, já pensava nisso. Agora, nessa empresa, não dá pra mexer com o menor grau de risco. Arrisca-se sempre tudo quando se bole com isso. Mas a literatura não é, também, uma experiência de limites?
O que (que obras, movimentos e/ou autores) o Nordeste tem hoje a oferecer à literatura nacional?
M.L.D.F. A pergunta é engraçada porque pressupõe que o Nordeste não seja literatura nacional. E sei de onde vem isso: o anátema que paira sobre os regionalismos nos fizeram crer que só algumas das coisas que produzimos aqui é que podem pertencer à literatura nacional.
A cena cultural e literária brasileira vive um bom momento?
M.L.D.F. Você diz bem: você diz “cena”, o que inclui certamente todo mercado cultural que compreende a literatura brasileira, e, portanto, lobbies e outros tipos de investimentos ou especulações mercadológicas. Porque ouço sempre os editores dizerem que esse mundo está se acabando, que a internet vai engolir o livro e blablablá, quando vejo editoras crescerem desmesuradamente e outras, é verdade, mudarem por inteiro os seus rumos para sobreviverem. Também vejo como entram nesse mercado brasileiro outras flâmulas, outros selos internacionais – pra bem? pra mal? O fato é que, segundo a minha própria experiência, nunca vi tanto livro no mercado, nas livrarias, livros que versam sobre quase tudo no mundo, inclusive sobre as próprias posições do mercado editorial. Não que sejam acessíveis os livros – estão a cada dia mais caros, muito diverso do que acontece, por exemplo, aqui bem perto de nós, na Argentina – e não por causa da diferença de cotação da moeda. Agora, o problema é que não sinto quase interesse pelo que se publica normalmente com essa fúria, pois que a qualidade, do meu ponto de vista, me parece suspeita – ou então não entendo mais nada de literatura. Tenho participado pelo segundo ano, como júri intermediário do Telecom Portugal, e fico a cada vez mais impressionada com a quantidade de livros inscritos para o prêmio – e aqueles que considero superiores raramente se encontram na lista final.
A cultura teve avanços com o Ministro Gilberto Gil? Você acredita na essencialidade, na importância do Estado para a produção e desenvolvimento da cultura de um povo? Ainda há necessidade de mecenato no nosso país?
M.L.D.F. Não sei dizer. Mas penso que a cultura não avança apenas graças à presença ou não de subsídios – acho que, por meio destes, ela se mostra mais, ela aparece e se torna mais transparente: tanto para o seu melhor quanto para o seu pior. Há muita manifestação cultural de péssima qualidade que eu vim a saber da existência através dos meios de comunicação oficiais ou graças ao presente “mecenato”, como você diz.Agora, pra mim, quanto mais o Estado se mantiver afastado das produções culturais, melhor é. Porque não há jeito: sua presença na arte é sempre interferência, e acaba por fazer pender a produção cultural pro lado donde sopra o vento, e o mecenato vira ingerência. Já assisti a muita “conversão” cultural porque, não há como negar, os fins passam a ser outros, de caráter puramente pragmático e político, e bem no mau sentido. Acho que devemos, sim, exigir do Estado, sempre e permanentemente, aquilo que nos é de direito!
Que importância você vê nas feiras, festas, bienais literárias? Acrescentam algo à formação ou confirmação do público leitor?
M.L.D.F. Quando a gente fala de feiras, festas, bienais literárias, fala de cultura de massa, e o conceito é outro – a mediania. Eu mesma, quando estive aí da última vez, fui surpreendida pelo interesse do público em geral, que supunha mais universitário e especializado, tal como o tinha encontrado antes, também aí, num evento muito menos concorrido e com muito menos estrelas. Só no momento em que me vi no palco (e uso de propósito essa palavra porque era disso que se tratava), compreendi que deveria ter feito outra atuação, muito mais voltada para memória e para os depoimentos pessoais, que propriamente para aquilo que eu havia me preparado, levando paper e tudo o mais. Acabei parecendo arrogante quando estava só de papel trocado. Tinha de mudar de faixa e de sintonia, e acabei ficando presa no modelito que tinha trazido e que pareceu aos meus pares de mesa um... espartilho. Mas, para a próxima me emendo, porque também sei fazer o que for necessário para entrar em entendimento com esse tipo específico de público, pois que conheço bem a importância de a gente chamar a atenção das pessoas para a cultura e, ainda mais, para a literatura. E, nesse caso, respondendo à sua pergunta, creio que eventos desse tipo ajudam a formar público leitor.
Que referências intelectuais e literárias lhe são mais caras? Quem merece ser lido ou relido no Brasil e no mundo?
M.L.D.F. Rilke, Lorca, Jorge de Lima, Francis Ponge, Graciliano, Walter Benjamin, Auerbach, Candido, Bosi, Bachelard, Carlos de Oliveira, Murilo, Cabral, Rimbaud, Herberto Helder, Fiama Hasse Paes Brandão, Robert Dierckx, Agustina Bessa-Luís, Clarice, Cecília – e esta ordenação é puramente aleatória, sendo que deploro muito não apreciar ainda aqueles autores que não cheguei a conhecer, mas que me aparecerão a qualquer momento, o que significa que esta lista permanece em aberto até o fim dos tempos. Descobri há pouco talentosas romancistas e contistas, a brasileira Adriana Lunardi e a portuguesa Inês Pedrosa, esta última também extraordinária cronista. A Gilka Machado é outra que precisa ser relida hoje em dia, mas parece que os herdeiros não deixam. Há um rapaz de peso, que admiro muito, o Marcos Siscar, que foi meu aluno na Unicamp, e que encontrei agora assim, poeta completo. Há outro grande poeta que precisa ser lido e relido, escritor extraordinário - Rubens Rodrigues Torres Filho. Prezo muitíssimo o poeta Luís Carlos Guimarães e o escritor querido Oswaldo Lamartine, ambos saudosos e do meu coração – que merecem leituras, merecem estudos, merecem publicações. Também um outro escritor pouco conhecido, o mineiro-goiano Carmo Bernardes, muito apreciado por Francisco, precisa fazer parte do regime de leituras desta língua portuguesa. Faltam muitos mais, dos quais hei de me lembrar quando der por encerrada a entrevista – e já então irremediavelmente ausentes desta lista, mas não da minha atenção.
Em que a aridez e o calor do Nordeste a motivaram a abandonar São Paulo por esta terra? M.L.D.F. Eu vim pra cá hipnotizada pela paixão. E isso não significa bem uma escolha, mas um fado – com letra e música... Depois que voltei a mim, que a paixão se transformou definitivamente em amor, aí, sim, me dei conta do que estava em volta, e passei para a fase da decisão de viver aqui. Ainda não sei se entendo alguma coisa do Nordeste, porque o repertório é imenso, e a cada minuto me extasio com outra e outra descoberta. E sou muito agradecida a este lugar, tanto quanto a sua terra enrijecida e devastada e nua o é à chuva que lhe descobre brotos e entranhas novas num repente, mal sente o toque da água a banhá-la. Muitas vezes me surpreendo assim aqui, em estado de seiva pulsante, de verdes buliçosos.
Você revelaria algum código secreto do escritor? Existem? O único código é ser fiel a si mesmo.L.O. Sobre que projetos tem se debruçado (na literatura e na vida)?
M.L.D.F. Ultimo um livro de poemas chamado “Palimpsestos”. Tenho no prelo, em Portugal, pela Quasi Editora, a edição das cartas de amor de Florbela Espanca, inéditas, provavelmente pronta para o final deste ano. Trabalho num projeto sobre o imaginário feminino em língua portuguesa, que relê vários escritores, e isso vai se transformar num livro. Tenho também vontade de reunir todos os meus escritos sobre a Florbela num volume, o que está no horizonte. E penso rever o meu trabalho “Esoterismo e poesia da modernidade”, deixado há séculos na gaveta, para publicação. Saiu também agora neste mês um livrinho meu sobre a Florbela pela 7 Letras do Rio. Por outro lado, lido agora com a questão de ser letrista de canções: estou preparando a letra em português para três canções de um extraordinário compositor americano, que é professor de jazz em Berkeley, o Ted Moore. Até o final deste ano sai um cd da Joésia Ramos, a nossa médica-musicista sergipana, com músicas de sua lavra (há apenas uma minha ali), e com letras minhas, na maioria (Francisco também coopera com uma), que registra a trilha sonora da peça “Os desvalidos”, baseada no romance de Francisco, e posta em cena pelo grupo “Emboaça” daqui do Sergipe. Estou feliz porque começo a participar mais ativamente de encontros e congressos enquanto poetisa e não mais como crítica literária, o que já é um acontecido. Vou para o México e para a Argentina dentro em breve para isso, e fiquei muito feliz em me ler em castelhano na recente “Punto Seguido”, em tradução de Claudia Bedoya, e na apresentação de Claudio Willer. Outra coisa boa foi participar da coletânea-catatau da Unicef, publicada no ano passado, “Las palavras pueden: los escritores y la infância”. Como não sou mediática e tampouco tenho agente literário e como sou como Francisco, desses seres solitários sem nenhuma relação com o marketing, penso que tais chamadas e publicações são de fato uma dádiva - assim como esta entrevista que você me destinou. E lhe sou muito grata por isso, Lívio.
Fonte:
Entrevista concedida pela poetida ao escritor Lívio Oliveira e publicada no site Substentivo Plural (http://www.substantivoplural.com.br/artigo.htm)

16/07/2008

Consumo consciente

Amigos,
Que coisa mais triste é ir no supermercado/ padaria/ qualquer buteco e ver as pessoas utilizando sacolas plásticas indiscriminadamente. Penso que não é por não se importarem com as questões ambientais, mas por ignorância. De alguma forma elas pensam que o lixo desaparece pelo simples fato de desaparecer de suas vistas. É o virus da indiferença e do "isso só se aplica aos outros".
Estou fazendo o seguinte:
Pego um carrinho de compras e dentro dele coloco uma daquelas cestinhas de carregar na mão, lá dentro eu coloco as frutas, as verduras, os legumes. Não há necessidade de utilizar as sacolinhas para logo depois, no caixa, colocá-las de novo dentro de outras sacolas e ao chegar em casa, ao guardar as compras, enviá-las todas para o aterro sanitário, para lá permancerem por mais de 400 anos. É tão simples, faz tão bem esse gesto de boa vontade. Outra coisa que costumo fazer é pegar uma caixa de papelão e destinar as frutas, legumes e verduras, aí não é preciso nem utilizar as sacolas que ficam no caixa. Na padaria a mesma coisa, nada de sacola, não há necessidade...
Quando eu trabalhei na prefeitura de Vila Velha, na secretaria de saúde, um amigo me disse: "Renata, Saúde se faz com sabão e boa vontade", se referindo aos estabecimentos que visitávamos como fiscal de saúde pública, cada restaurante, bar, clínica médica, motel, etc, que ganhavam nota máxima em sujeira. Enfim, vamos adotar um modo de viver mais ecológco, não porque está na moda (graças a Deus), mas porque não podemos fazer diferente, porque amor a terra, a vida, aos animais e a nós mesmo.
Um pensador que gosto muito o Edgar Morim fala que o homem não é um "pós-primata", mas um "super-primata" que desenvolveu variada habilidades, que "sua identidade biológica é plenamente terrestre uma vez que a vida emergiu da terra, de misturas química terrestres em águas turbilhonates e sob céus de tempestades". O homem e a terra são indissociaveis, mesmo que este, ilusioriamente, se veja separado e superior a ela. Morim fala mais, ele nos diz que "os átomos de carbono necessários a vida na terra, se formaram na forja furiosa de sóis anteriores ao nosso e bilhões e bilhões de particulas que constituem o nosso corpo nasceram ha 15 bilhões de anos, nos primórdios irradiantes do universo". Pois é amigos, que viagem, além de capixaba sou uma cidadã da terra e do também do cosmo. Que visão limitada nos mantém presos impedindo vislumbrar todo esse horizonte... Bem, é isso.

Possessão

Explosões sem fim
que reverberam.
Ecos dos meus sonhos.
Indecifraveis enigmas.
Trafego ocupado
na viela psiquica.

Labirinto por aí
com saudades do antes,
da origem,
do começo.

Reconheço o caos como sendo
a minha casa.
Nele não me perco.
Ele me pulsa e arremessa para o alto.

Ouço sinfonias dissonates,
vozes que falam do que não sabem,
mas que, mesmo sem qualquer intenção,
me impulsionam para fora
fincando meus pés no aqui e agora.

Posso dizer que estou
possuída por mim.

13/07/2008

Pedra da Cebola: tem gente precisando de corretivo...


Amigos do Brasil, imaginem um lugar lindo, com lagos, jardins, um relaxante espaço zen, onde os pássaros e vários outros animais passeam entre as pessoas, onde você pode ler um bom livro, fazer uma caminhada, assistir palestras, enfim... esse cantinho de sonhos é o Parque da Pedra da Cebola, que fica em Vitória no bairro mata da Praia bem em frente a UFES.
Ontem ao caminhar uma cena que me chamou a atenção, observei os funcionários da SEMAN esfregando, esfregando e lixando a pedra, tentando remover dela resíduos de corretivo escolar.

Conversei com os trabalhadores e eles me disseram que já passaram de tudo, thiner, ácido muriático e variadas lixas, mas nada consegue remover as manchas brancas, desse tal corretivo, da pedra. Um dos trabalhadores comentou que no dia anterior, enquanto faziam o mesmo trabalho, um estudante passou pelo local e mandou uma pérola: "pra que limpar se depois a gente vai sujar tudo de novo?".

Pois é meus amigos, esse é o perfil de alguns estudantes que encontramos por aqui, existem excessões, graças a Deus. Mas não só crianças e adolescentes (estudantes) que fazem esse tipo de bobagem, alguns adultos também dão o mau exemplo. Esses dias tinha um cara escrevendo com um prego numa árvore.

A Pedra da cebola vive cheia de gente em cima, para falar a verdade é uma sensação ficar lá, é lindo. Dá para ver a pista do aeroporto e os aviões chegando baixinho, a cidade e o mar completam o cenário ao fundo.

Há uma coisa na Pedra que eu não sei bem explicar, ela tem, além da beleza, uma energia, acho que é mágica, sempre que subo lá mudanças acontecem. Se um dia eu vir um duende sentado nela eu conto pra vocês.

Um funcionário me disse que a administração pensa em cercar a pedra. Será que esse é o caminho? Bem, a natureza não pode esperar que o homem se emende, que crie juizo e pare de destruir o que é nosso, o que é coletivo, o bem comum, essa preciosidade. Tirando esse triste episódio do corretivo, fica a alegria e o privilégio do acesso, em meio a cidade, a esse refúgio.

O que podemos fazer para que coisas assim não continuem acontecendo?????????????????????
Sites com outras fotos do Parque da Pedra da Cebola:

http://www.agrogemeos.com.br/pedra-da-cebola.html

http://crocha.multiply.com/photos/album/45/Parque_Pedra_da_Cebola

19/06/2008

"Sem foco o indivíduo não consegue produzir nada"




Amigos, estou tirando férias.
Pois vou me dedicar (focar) à escrita da minha dissertação de mestrado. Vocês tem o meu e-mail, sintam-se à vontade para fazer comentários no blog, logo estarei de volta! Meu carinho a todos, até 19/07
MEU POVO, VOLTEI!

deserto

Há uma ferida que não sara
e sangra sempre que
o vento bate à lembrança,
sempre que vejo no espelho,
minha alma despida/refletida,
e revivo os pesadelos de criança.
Busco auto-liberação das desculpas e
dos ressentimentos, então percebo
uma fonte jorrar de dentro
do deserto de mim.

Só a palavra me conforta
e livra da morte em vida,
do estado de ser zumbi.
Re-nascida pelo batismo no Léthes,
vejo o sol brilhar mais uma vez.

Há sonhos que nos nutrem por uma vida,
não sabemos de onde eles vem, mas
são tão vívidos e nos dirigem resolutos para
lugares novos e inusitados.
Quem sabe eles nascem da ferida que sangra?
ou do grande espelho meu que, impiedoso,
reflete na cara verdades mascaradas?

É desse deserto extenso que
meu olhar vislumbra o mundo.
Incertezas, dúvidas e
dores se agregam a sonhos reluzentes
formando um rio profundo e caudaloso
que em curso sinuoso
corre para além de mim.

18/06/2008

Bravos companheiros e fantasmas: III Seminário sobre o autor capixaba (mais fotos)

O encontro foi enriquecido com a presença do autor Sérgio Blank.


Mesa com vários tópicos
14:00h/ auditório do IC-II
Mediador: Douglas Salomão
temas:
Pedro Antônio Freire- Ironia
Carla Simone vasconcelos- Sérgio Blank
Emanuel Pazini Fernandes- Waldo Motta
Josely Bittencourt Gonçalves- Sérgio Blank
A literatura do Espírito Santo de Afonso Cláudio a Renata Pacheco:
por: Francisco Aurélio Ribeiro
mediadora: Ester Vieira de Oliveira
dia: 13/06- 9:00h/ auditório do IC-II.
Esta conferência realizada pelo professor e crítico literário Francisco Aurélio Ribeiro fez uma leitura diacrônica dos principais autores, obras e momentos literários da literatura produzida no ES e/ou por autores capixabas, no período de 1907 a 2007.




14/06/2008

Literatura produzida no Espírito Santo: Achilles Vivacqua (por Andressa Nathanailidis)


Resumo de artigo apresentado por Andressa Nathanailidis no III Seminário sobre o autor capixaba- Bravos Companheiros e Fantasmas (dia 13/ 06/ 2008, mesa 16- 16:00h- Sala Guimarães Rosa)


Achilles Vivacqua nasceu no dia 02 de janeiro de 1900, na cidade de Rio Pardo (ES), atual Muniz Freire. Filho de Etelvina e Antônio Vivacqua, era descendente de italianos e fazia parte da primeira geração de um grandioso grupo de 15 filhos: composto por nove mulheres e seis homens.
Aos 20 anos de idade, foi acometido pela tuberculose e então mudou-se para Belo Horizonte, onde pretendia encontrar a cura para o seu mal.
Felizmente, a doença não o impediu do exercício literário. Na capital mineira, logo o escritor juntou-se a outros intelectuais da cidade. Sua residência, inclusive, tornou-se conhecida por atuar enquanto palco de reuniões sociais que reuniam a intelectualidade mineira. O ambiente de cultura e saber ficou conhecido como Salão Vivacqua e contava com a presença de assíduos freqüentadores, como: Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Abgar Renault,dentre outros.
Em 1927, Achilles Vivacqua colaborou com a Revista Verde, de Cataguases (publicação de caráter interiorano, porém que conservava certa agressividade. Muitas vezes, ao publicar nesta revista, Achilles fazia uso do pseudônimo Roberto Theodoro).
Neste mesmo ano, também atuou como redator chefe da revista Cidade Vergel e foi redator-secretário da Semana Ilustrada, periódico que divulgava ‘matéria urbana belorizontina’ e promovia projetos culturais, como o da criação do Centro de Cultura Teatral Mineira, em 1927.
A Semana Ilustrada representou um importante espaço no desenvolvimento da carreira de Achilles Vivacqua. Porém, foi no ano de 1928 que o escritor consagrou-se enquanto tal. Isso porque, neste ano, foi lançado seu primeiro e único livro: Serenidade. Dedicado à memória da avó paterna, dona Margarida, a obra reúne seis textos poéticos, de tamanho mediano. São eles Arrebalde, Noturno de Belo Horizonte, Frade de Saburgo ; Serenidade, Sentimental e Peregrino do Sonho.
De uma maneira geral, o livro reflete o olhar bucólico de Achilles, sobre a cidade de Belo Horizonte; seu encanto pela paisagem (geralmente florida) e saudosismo face às recordações da infância. Em Noturno de Belo Horizonte, o escritor declama seu olhar admirado, sobre o anoitecer capital mineira: “Bello Horizonte adormece, numa atitude comovida, aureolada nas longas tranças da Serra-do-Curral, onde a lua vae Subindo, como um Trepa Moleque de Marfim” (VIVACQUA, 1997, p.30).
No ano seguinte à publicação de Serenidade, o jornal Estado de Minas lança o suplemento Leite Criôlo, sob a direção de Achilles Vivacqua, João Dornas Filho, e Guilhermino César.
De linguajar fácil, Leite Criôlo reunia intelectuais filiados ao movimento antropofágico de Oswald de Andrade. O suplemento era irreverente e defendia o ultranacionalismo, através da exaltação à existência do negro. Em seu lançamento, no dia 13 de maio de 1929, o suplemento trazia um pitoresco editorial, assinado por Aquiles Vivacqua. O texto destacava o caráter extorsivo da colonização lusa, enquanto exploradora de negros e índios e propunha a mudança desse quadro, marcado pela cultura da escravidão.
A atuação em Leite Criôlo proporcionou a Achilles Vivacqua a oportunidade de publicar seus escritos na revista Antropofagia. Em carta remetida por Antônio Alcântara Machado, Achilles Vivacqua recebeu o honroso convite de colaboração, que resultou nas seguintes publicações: Indiferença, no nº 3 e Dança do caboclo, no nº 10. Posteriormente publicou, também, o artigo A propósito do homem antropofágico, que saiu no Diário de São Paulo, em 1º de maio de 1929.
Enquanto viveu, Achilles Vivacqua agarrou com unhas e dentes os propósitos da antropofagia; difundindo os ideais oswaldianos em revistas e jornais de todo território nacional. Além das já citadas, participou, também das revistas Phenix, Para Todos, Careta, Fon-Fon, além dos jornais Diário de Minas, Folha de Minas, Correio Mineiro, etc.
No Espírito Santo, inclusive, após a inauguração da sessão De Arte e De Literatura, do jornal Diário da Manhã, Achilles publicou o texto Convite, através do qual incitava todos os leitores a promoverem uma mudança social, de forma que pessoas da raça negras não estivessem mais fadadas à condição marginal.
Assim como o alagoano Jorge Lima (1893- 1953), autor da obra Poema Negro, e a capixaba Haydée Nicolussi (1905-1970), autora do poema Zabumba; Vivacqua registrou na imprensa, e também fora dela, sua admiração pelo povo afro-descendente; descrevendo seus hábitos, sua sina e história. Prova disto é um dos originais que encontrei, intitulado Bailarina de Macumba. Trata-se de um poema inédito, acerca do ritual religioso negro. Em cada estrofe, o poema expõe toda a musicalidade, crença, e, sobretudo, beleza negra, muitas vezes escondida nas fronteiras de um povo; fadado à marginalidade social.
Ao longo do poema, Achilles menciona como se dá o “soluçar conquiquo dos negros” classificando-o como um “brando coro que dentro da noite vai caindo no soturno bojo do urucungo”. E, neste contexto sombrio, eis que surge a figura da mestiça que, “pelo chão batido do mocombô” e “rodando pelas pontas dos pés”, dança em “rápidos movimentos”, “como um piorrão”; destacando-se, também, a presença do “pai-de-santo”, que caminha de “braços erguidos para o céu”, e lida com elementos típicos do candomblé, como a “galinha preta” e os “macabros orixás”.
Infelizmente, a doença não permitiu que sua carreira de escritor se estendesse em maior grau. Achilles Vivacqua acabou por falecer em dezembro de 1942; vítima da tuberculose.
O corpo do escritor está enterrado no cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte. No túmulo, está a última homenagem do autor à própria mãe: o poema Minha última oferenda a ti. Esculpido conforme vontade pré-designada, por Achilles.

“Colhe, na palma branca,
Da tua mão, enquanto é tempo, estas lágrimas que
Brotam no canto dos meus
Olhos. Receio que elas se derramem pela minha face
E se percam, para sempre, na poeira, antes que tu consigas
Ver a tua imagem debruçada
Sobre o brilho polido delas...
A tua imagem que é a forma
Da minha vida...Colhe-as
Na palma quente da tua
Mão, sem demora ó Mãe.
Como minha última
Oferenda a ti...”
Andressa Nathanailidis é Músicista e Jornalista. Especialista em Estudos Literários pela UFES. Mestranda em Estudos Literários (UFES).