Terra mista.
Desertos, prados
e alagados fazem de ti bendita.
Gleba fértil.
Casa-lar dos seres (in)vertebrados.
Metal abundante
teu habitat dourado.
Duradouro sentido de existência
suscita o teu colo, o teu afago.
Fêmea que se auto- gerou no caos
embalada pela canção de amor
entoada pelo ser primordial.
Em tua honra, humildes, ofertamos
libações, sementes e flores coloridas.
A lua minguante
revela a face da tua cólera,
a Deusa-dragão acorda.
Explosões, ira, revolta, e o teu furor volta-se
contra aqueles que, sem razão, ou por ganância,
abrem em ti feridas das mais dolorosas.
Mas trazes a paz e o equilibrio perdidos
por meio de terremotos e ventos que
do teu poder comunica.
Treme a base da vida que,
logo em seguida,
se solidifica pela esperança
e teu ventre recobra o frescor e,
como se fosse eterna alvorada
Nutriz, a mãe generosa
propicia novas guaridas.
19/08/2008
18/08/2008
Museu de Imagens do Inconsciente- O legado da Dra Nise da Silveira
"Cada um desses indivíduos- esquisofrênicos ou marginais de vários gêneros- possui suas peculiaridades, mas todos têm contato íntimo com as forças naturais, brutas, virgens do inconsciente. Que hajam configurado visões, sonhos, vivências nascidas dessas forças primígenas, eis um dos mistérios maiores da psique humana" (Dra Nise da Silveira).Amigos,
trago para vocês um pouquinho do trabalho realizado pela Dra Nise da Silveira, fundadora do Museu de Imagens do Inconsciente. Tive a honra de fazer meu estágio de arteterapia no Museu, antigo Hospital psiquiátrico pedro II, foi uma experiência ímpar que resultou na produção de um vídeo. Mas quem foi a Dra Nise da Silveira? Certamente uma mulher a frente de seu tempo, uma psiquiatra que, inconformada com as práticas terapêuticas de sua época (eletrochoque, insulinoterapia, lobotomia e confinamento), falamos da década de 40, inovou criando no Hospital Psiquiátrico Pedro II, a seção de Terapêutica Ocupacional.
trago para vocês um pouquinho do trabalho realizado pela Dra Nise da Silveira, fundadora do Museu de Imagens do Inconsciente. Tive a honra de fazer meu estágio de arteterapia no Museu, antigo Hospital psiquiátrico pedro II, foi uma experiência ímpar que resultou na produção de um vídeo. Mas quem foi a Dra Nise da Silveira? Certamente uma mulher a frente de seu tempo, uma psiquiatra que, inconformada com as práticas terapêuticas de sua época (eletrochoque, insulinoterapia, lobotomia e confinamento), falamos da década de 40, inovou criando no Hospital Psiquiátrico Pedro II, a seção de Terapêutica Ocupacional.
Dra Nise trabalhou para fundamentar cientificamente esta nova forma de lidar com os pacientes, e os resultados não demoraram a aparecer, juntamente com o surgimento de um grande volume de produção realizadas pelos pacientes (especialmente pinturas e modelagens), e estes, a medida que produziam, passavam a apresentar melhoras significativas no quadro clínico.
As imagens que resultaram desse trabalho passaram a intrigar a Dra Nise que buscou apoio na teoria junguiana para, de alguma forma, elucidá-las. lançar um olhar sobre a produção de um paciente era ter acesso a sua psique, coisa quase impossivel de ser feita por outra via, especialmente na esquisofrenia. Dra Nise viu que muitas das imagens produzidas eram formas circulares ou próximas do círculo, símbolo da unidade e da integração e identicas as imagens utilizadas para meditação e representação das divindades das religiões orientais. Ela se perguntou como e porque pessoas psiquicamente cindidas estariam estar produzindo, em profusão, simbolos da unidade? Dra Nise encontrou apoio em Jung que também ficou muito interessado nessas imagens.
A psique possui, assim como o corpo, potencial autocurativo, e busca compensar a situação caótica da mente e a dissociação por meio da produção de símbolos, que são pontes entre o mundo da psique e o mundo exterior, ou seja, a realidade objetiva. Este trabalho realizado pela Dra Nise da Silveira acabou introduzindo a psicologia analítica junguiana no Brasil, e entre Jung e Dra Nise inicou-se uma profícua troca de experiências. Jung literalmente mandou a Dra Nise estudar os mitos, sem o conhecimento destes, não seria possivel uma compreensão mais profunda das representações produzidas pelos pacientes. Muitas imagens surgidas no ateliê tinham semelhanças com temas míticos universais, e os autores dos trabalhos, eram em grande parte, pessoas humildes, de classes sociais que não lhes permitiam grande acervo de conhecimento da cultura de outros lugares.
Esse trabalho é um marco para a psiquiatria no mundo, infelizmente mais conhecido e reconhecido no exterior que no Brasil e abriu portas para mudanças significativas na forma de tratamento no campo da saúde mental, certamente um orgulho para todos nós terapeutas e brasileiros. A psicologia junguiana não tem como único objetivo encontrar mitos representados na produção dos pacientes psiquiátricos, o seu interesse maior está em identificar e acompanhar nas produções o processo contínuo de elaboração dos conteúdos psiquicos, visando melhorar a orientação do tratamento para a melhora do paciente.
"Do mesmo modo que o corpo humano é um agrupamento completo de órgãos, cada um o termo de longa evolução histórica, também devemos admitir na psique organização análoga. Tanto quanto o corpo, a psique não poderia deixar de ter sua história" (C. G. Jung).
Cópia em gesso de modelagem em argila produzida por Adelina Gomes, interna do Hospital pedro II
Estatueta da cultura Tisza- 5000 a.C.
Cópia em gesso de modelagem em argila produzida por Adelina Gomes, interna do Hospital pedro II
Estatueta da cultura Tisza- 5000 a.C.Pintura realizada por Olívio Fidélis (1967)
Jonas saindo da beleia- Biblia latina do séc. XV. Biblioteca nacional de Paris.
Jonas saindo da beleia- Biblia latina do séc. XV. Biblioteca nacional de Paris.Lápis de cor sobre papel de Carlos Pertuis (1975)
Deus-sol instituído por Mitra, governador do mundo. Baixo relevo.
Deus-sol instituído por Mitra, governador do mundo. Baixo relevo.Óleo sobre papel de Carlos Pertuis
16/08/2008
fração de tempo
Recortem este momento
Estou feliz!
Parem o barulho dos carros
Parem as cirenes e os gritos.
Iniciem os apertos de mãos,
os abraços.
Parem a guerra e o pranto
Extingam a fome de amor
Parem de infligir dor
Parem!
Parem tudo!
Quero guardar para sempre
este momento!
Estou feliz!
Parem o barulho dos carros
Parem as cirenes e os gritos.
Iniciem os apertos de mãos,
os abraços.
Parem a guerra e o pranto
Extingam a fome de amor
Parem de infligir dor
Parem!
Parem tudo!
Quero guardar para sempre
este momento!
heranças
Vovó sempre me dizia:
"Sorria, minha filha, sorria sempre,
pois o sorriso abre portas e janelas".
O tempo me ensinou que
portas fechadas são, muitas vezes
necessarias e as janelas, essas,
mesmo com vidraças embaçadas e
trancas emperradas,
protegem da exposição demasiada
e dos ventos.
Já não conhecia mais o meu rosto triste
sempre sorrir! eu pensava,
mas por dentro,
a face se transfigurava com afetos,
dores e lampejos de mim mesma.
Hoje a minha cara ensaia ser
o que manda o caração e
o que sugere os sentimentos
gerados pelas vísceras.
Menos máscaras,
Menos encenação
Abriu-se o laboratório do espírito
com todas as suas portas e janelas.
"Sorria, minha filha, sorria sempre,
pois o sorriso abre portas e janelas".
O tempo me ensinou que
portas fechadas são, muitas vezes
necessarias e as janelas, essas,
mesmo com vidraças embaçadas e
trancas emperradas,
protegem da exposição demasiada
e dos ventos.
Já não conhecia mais o meu rosto triste
sempre sorrir! eu pensava,
mas por dentro,
a face se transfigurava com afetos,
dores e lampejos de mim mesma.
Hoje a minha cara ensaia ser
o que manda o caração e
o que sugere os sentimentos
gerados pelas vísceras.
Menos máscaras,
Menos encenação
Abriu-se o laboratório do espírito
com todas as suas portas e janelas.
Tecendo para encontrar Deus: Arthur Bispo do Rosário
Amigos,Acredito que de diferentes formas o ser humano busca, por meio da expressão pela arte, Deus , ou força primordial, ou sentido, ou nada que é tudo, enfim, busca explicar o inexplicável, busca tocar, ou mesmo, apenas roçar o numinoso.
Nas artes literárias a Hilda Hilst é um exemplo disso, entre tantos outros artistas encontramos Ernest Hemingway, prêmio Nobel e Pulitzer, que escreveu a oração;"Ó nada nosso que estais no nada, nada seja o vosso nome, nada a nós o vosso reino e seja nada a vossa vontade, assim no nada como no nada". Nas artes plásticas um homem construiu um manto para se encontrar com Deus, ele é Arthur Bispo do Rosário.
Bispo foi ex-fuzileiro naval e pugilista, um distúrbio psiquico levou-o a ser internado por 50 anos,
ele produziu no manicômio Colônia Juliano Moreira, em jacarépaguá, entre grades, fechaduras, camisas de força e a muralha do preconceito uma obra vasta, que se revelou contemporânea e despertou o interesse do mundo artistico. Bispo não se considerava artista, suas obras foram expostas postumamente. Seu magnífico manto foi feito para que ele se apresentasse bonito ao criador no dia do juizo final.
Tive a oportunidade de ver o manto mais de uma vez, é sempre a mesma emoção, e a constatação de que no alge do "controle" emocional e sapiencia, teremos que nos esforçar muito para nos apresentarmos frente ao criador com tanta beleza.
Abraços fraternos
renata
15/08/2008
Arquivo Público do Espírito Santo: resgatando a memória do povo capixaba
Amigos,hoje foi a cerimônia de lançamento do Livro História do Estado do Espírito Santo, de José Teixeira de Oliveira, no Palácio Anchieta. Esse evento comemorou os 100 anos do Arquivo Público do Estado do ES. Este Departamento tão importante do governo do estado está totalmente atualizado e o povo capixaba pode contar com documentos, cartas, fotografias, filmes, microfilmes, mapas, etc., on line. A instituição ainda possui cópias digitalizadas de documentos que estão guardados pelos arquivos de Portugal de 1534 a 1822. A biblioteca de apoio do Acervo Público possui quase 4000 livros, 50 mil exemplares de jornais e revistas e 1788 publicações oficiais com temática capixaba. Outra novidades é que o Acervo possui um selo intitulado Coleção Canaã que já publicou diversas obras que podem ser encontradas digitalizadas no site da APEES (http://www.ape.es.gov.br/).
É isso meu povo,
só temos que comemorar!
só temos que comemorar!
História do Estado do Espírito Santo de José Teixeira de Oliveira, a é obra considerada referência no seu campo e pode ser baixada em PDF no site do Arquivo público.Este livro lindo de mais de 600 páginas foi distribuido gratuitamente no evento.
12/08/2008
Homero Massena: Um dos expoentes das artes plásticas do Espírito Santo
Amigos,Tive a alegria de trabalhar por um ano no Museu Ateliê Homero Massena, quando era funcionária da prefeitura Municipal de Vila Velha, e estudante de artes plásticas da UFES.
Homero Massena (1886- 1974) é um artista importante no cenário das artes capixaba, não só pela qualidade de sua obra, mas pela sua militância política que exerceu. Embora tenha nascido em Barbacena, MG, Massena adotou o Espírito Santo como sua cidade do coração, e recebeu como reconhecimento ao amor que dedicou ao nosso estado, o título de cidadão espírito santense.
O talento de Homero podem ser apreciado na pintura do teto do Teatro Carlos Gomes. Na minha opinião, uma de suas maiores obras, foi a fundação da Escola de Belas Ates do Espírito Santo, da qual foi o primeiro diretor e professor, escola que tornou-se o Centro de Artes da UFES.
Em Minas Gerais Homero foi Prefeito da cidade de Bonfim, foi também afinador de piano, relojoeiro, saltimbanco, redator político de diversos jornais, oficial de Ligação do exército constitucional da revolução de 1932, ele era formado em odontologia mas nunca exerceu a profissão, sua paixão era mesmo a pintura.
Localizado na av. Beira-Mar, 273, Prainha, Vila Velha.
Ele pintava desde os 15 anos e deixou uma obra monumental, suas mais de dez mil telas estão espalhadas pelo Brasil. As pinceladas impressionistas do artista, aparentemente, demonstram despreocupação com o primeiro plano e explodem em pinceladas que proporcionam ao expectador imagens diferentes dependendo da distância eem que contempla a obra.
Massena recebeu muitos títulos, entre eles a Medalha de ouro da Sociedade dos Artitas Nacionais, entidade da qual recebeu também os diplomas de sócio fundador e benemérito. Do Governos de Minas Gerais recebeu como prêmio uma viagem à Europa e do Governo Federal recebeu uma pensão vitalícia. Do Espírito Santo recebeu o título de Cidadão Espírito Santense.
Homero teve seus trabalhos expostos na galeria Rembrandt, em paris nos anos de 1906 a 1909 e em 1930. Um recorte de Jornal de Cachoeiro datado de 1939 escreveu: "Raras vezes tem a nossa gente oportunidade de se delitar num ambiente de arte pura como a que ora se apresenta. Nome consagrado na vida nacional, como uma de suas impressões de mais alto e honesto valor, Massena põe em seus quadros pedaços do Brasil que ele vai vendo e que sabe fazer ver como verdadeiro artista que é".O baiano Almir Matos (1942) escreveu: "O artista surpreeende, no que o termo valha na maior força e significação tanto aos leigos quanto aos entendidos. [...] Em cada tela uma identificação perfeita impressiona como se estivéssemos integrados na própria realidade inspiradora".
Pintura feita por Massena na parede da cozinhaMário Sete (1940) escreveu: [...] Artista de processos simples, e por isso mesmo, legitimamente belo. as suas pinceladas são limpas, são largas, são precisas. Não há predominância, não há "manias" de tons, [...] não existem distorções para reverenciar o inédito. Nem tão pouco se oferecem "chromos" para enternecer o vulgar".
Kleber Galveias, atista plástico capixaba e ex alunode Homero, é uma das pessoas que luta para a manutenção do acervo e divulgação e obras de Massena, segundo ele a obra de Massena possui "profunda unidade, que é produto de uma sensibilidade que se mantém por mais um século, que transcende ao dualismo vertical-horizontal da tela, e ganha profundaidade no espírito do intelectual como no do mais rude observador, não é apenas um patrimônio histórico de nossa cultura: é universal, é Arte".
Massena e D. Edy, sua esposa e companheira de uma vida Na minha memória ficarão sempre marcados os momentos em que, esperando os visitantes do Museu, eu observava o ateliê em detalhes, os óculos de Massena, seus pincéis, as camas separadas por causa da idade e da doença, onde, ele e dona Edy dormiam, separadas mas tão juntas... algumas vezes eu tinha a nítida sensação de que o espíritos de ambos habitava aquele lugar. As marcas do amor do casal estavam espalhados por toda a casa, nos afrescos das paredes, nas cartas de Massena onde co-existiam a escrita e a aquarela.
Tudo isso fazia com que o toque em cada objeto fosse reverente, respeitoso, e as vezes, eu costumava perguntava a Homero se podia entrar no seu ateliê para passar um paninho molhado nos móveis para tirar a poeira, e sinceramente, acho que o casal gostava de mim, pois, de certa forma, alí, eu me sentia em casa.
Palavras de Massena:
"Tudo o que fiz é consequência de persistente observação da natureza: caminho que conduz ao conhecimento e daí ao amor, Sem esse amor, seria impossível obter um ritmo para as pinceladas, a técnica se esvaziaria"
Visitas ao Museu Ateliê Homero Massena:
Rua Antônio Ferreira Queiroz, 281 - Prainha - ES - Brasil
Tel: (27) 329-0555 r.264
Funcionamento: segunda a sexta-feira / 8:00 às 17:00h;
sábados, domingos e feriados / 10:00 às 16:00h
10/08/2008
X Congresso de Estudos Literários- UFES
Amigos, o X Congresso de Estudos Literários da UFES este ano traz como tema:
A crítica literária: percursos, métodos, exercícios.
O congresso irá acontecer de 4 a 7 de novembro de 2008 e é uma realização do Programa de Mestrado em Estudos Literários da Ufes (PPGL/MEL - Ufes), com o apoio da Facitec. Visite o blog do evento:http://xcongresso.wordpress.com/
A crítica literária: percursos, métodos, exercícios.
O congresso irá acontecer de 4 a 7 de novembro de 2008 e é uma realização do Programa de Mestrado em Estudos Literários da Ufes (PPGL/MEL - Ufes), com o apoio da Facitec. Visite o blog do evento:http://xcongresso.wordpress.com/
Diálogos com a Lusofonia- Universidade de Varsóvia
Colóquio do Instituto de estudos ibéricos e íberos-americanos da Universidade de Varsóvia
Amigos muita coisa boa nesse colóquio, segue o link do livro de ata do encontro:
Chamo a atenção de vocês para o artigo apresentado por Fábio Mario da Silva, um amigo que atualmente finaliza o mestrado sobre Florbela Espanca, na Universidade de Évora- Portugal (chique, não? ele estuda onde a Florbela estudou...). A Síndrome do Poeta: uma incursão na cultura lusófona através da poesia de Cecília Meireles e Florbela Espanca
E tem mais... Em Minas - Congresso Comemorativo do IV Centenário do Padre António Vieira- Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais- dias 27, 28 e 29 de Agosto de 2008/ Centro de Estudos Luso-afro-brasileiros da PUC MinasBelo Horizonte - MG – Brasil
E mais... FESTlatino: Festival Internacional de Línguas e Literaturas Neolatinas de 1º a 5 de Setembro de 2008 - Recife - Pernambuco - Brasil
08/08/2008
personae
Sigo, amor, numa luta ferrenha
para ser eu mesma.
Encaixando os meus fragmentos
nas partes do mundo que cabem e
calando a incerteza dos pensamentos
sob a máscara de poeta.
para ser eu mesma.
Encaixando os meus fragmentos
nas partes do mundo que cabem e
calando a incerteza dos pensamentos
sob a máscara de poeta.
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