22/08/2009

Florbela Espanca: Defesa da dissertação de mestrado de Renata Bomfim (UFES)

Olá amigos,
Compartilho com vocês a alegria de ter defendido a minha dissertação de mestrado (Vozes femininas: a polifonia arquetípica em Florbela Espanca) com êxito e alcançado o título de mestre. Foi uma tarde mágica, a de ontem (21/08), momentos que ficarão para sempre registrados na minha memória. Choveu muito às 15 horas, hora que iniciei a defesa, como disse a minha co-orientadora, Maria Lúcia Dal Farra (UFSE), "Foi o meu batismo". Foi a coroação de três anos de pesquisa, coletando material, escrevendo, analisando e nesse percurso glorioso, tive a alegria de contar com a ajuda de amigos e de desconhecidos, bem como, com o amor, o carinho e a paciência do Luiz, meu amado esposo, enfim... Eu esperava que desse tudo certo, mas minhas expectativas foram exponencialmente superadas. A apresentação fluiu, eu optei por apresentar cada capítulo da pesquisa individualmente, o público gostou e os professores disseram que, grande parte das perguntas que me fariam, foram respondidas durante a mesma. Assim, cumprindo o protocólo e, com a intenção de enriquecer o trabalho, eles me fizeram algumas sujestões e pediram que eu falasse um pouco mais sobre alguns tópicos.
A banca foi unânime e afirmou que não havia na minha pesquisa nenhuma contradição teórica e que o meu trabalho demonstrava um grande fôlego de pesquisa, eles também destacaram o arrojo da proposta e que fui corajosa ao reunir e dialogar teóricos densos e, até mesmo, contraditórios como BaKhtin, Carl Gustav Jung, Foucault, Fredric Jameson e Raymond Willians.
Quero fazer uma agradecimento especial à CAPES pela bolsa de estudos, OBRIGADA!
Me preparando para começar a defesa momento das perguntas
e das respostas...
Apresentação da pesquisa
Apresentação da banca da esquerda para a direita:
Valdelino Gonçalves dos Santos Filho (doutor em Comunicação e Semiótica- professor adjunto e Coordenador do curso de Artes Plásticas Universidade Federal do Espírito Santo. Dedica-se a pesquisa de temas como multimeios, grafite e semiótica)
Luis Eustáquio Soares (orientador- Poeta e Doutor em Literatura Comparada, Atualmente é Professor Adjunto III, da Universidade Federal do Espírito Santo - Departamento de Línguas e Letras. Dedica-se à pesquisa de temas como alteridade, representação, resistência, dominação, biopoder, biopolítica, experimentação, numa perspectiva, sempre em construção, de crítica à modernidade, mapeada transdisciplinarmente)
Deneval Siqueira de Azevedo Filho (Crítico literário, Doutor em Teoria e História Literária e Pós-doutor em Literatura Comparada e Estudos Culturais pelo Harpur College of Arts, State University of New York in Binghamton e em Letras e Culturas, no International College of Letters and Cultures, Hispanic Research Center, da Arizona State University. É membro da Academia Campista de Letras e coordenador do Grupo de Estudos Interdisciplinares de Transgressão /GEIT)

Jesus integrou a mesa como convidado de honra! Depois da nota (máxima) chegou a hora de comemorar.... YES!
Eu e Luis, meu amor e maior incentivador
bebemos mas não caímos e nem perdemos a pose!
Dedico este poema a todos que, de alguma forma, fizeram parte deste percurso e aos queridos Luis Eustáquio Soares (orientador) e Maria Lúcia Dal Farra (Co-orientadora -UFSE), que foram farois iluminando o meu caminho.

Uma canção sobre a terra que gira e sobre as palavras que estão nela. Julgavas que as palavras fossem aquelas? Aquelas linhas retas? Aquelas curvas, ângulos e pontos? Não, aquelas não são as palavras, as palavras substanciais estão no solo e no mar. Estão no ar, estão em ti. Pensavas que aquelas eram as palavras?aqueles sons deliciosos que saem da boca de teus amigos? Não, as palavras reais são mais deliciosas que as deles. Corpos humanos são palavras, miríades de palavras, nos melhores poemas o corpo ressurge, o da mulher, o do homem, reformado, feliz, todas as partes habilitadas, ativas, receptivas, sem demonstrar vergonha. (Walt Whitman- Uma canção sobre a terra que gira)

Agradeço ao amado Jesus Misericordioso por me proporcionar tantas oportunidades na vida, sei que muitas pessoas não tem acesso à comida, nem a um lar, quanto mais à educação, e isso aumenta o meu compromisso e a minha responsabilidade para com a trasmissão desse saber (pago com dinheiro público).
Resumo da Dissertação:
Esta pesquisa propõe reflexões acerca das vozes sociais e arquetípicas presentes nos livros de soneto Livro de Mágoas (1919), Livro de Sóror Saudade (1921), Charneca em Flor (1930) e Reliquiae (1931), da poeta portuguesa Florbela Espanca. Para tal utiliza-se como arcabouços teóricos básicos, as obras de Mikhail Bakhtin, especialmente os conceitos de dialogismo e polifonia, e de Carl Gustav Jung, os conceitos de arquétipos e inconsciente coletivo. A poética de Florbela Espanca é polifônica por abarcar uma multiplicidade de vozes sociais e seus respectivos discursos, ela é também arquetípica, pois reproduz experiências que extrapolam o âmbito pessoal, encontrando ressonância no coletivo de diferentes épocas. Dentre estas vozes arquetípicas femininas expressas na sua poesia, analisa-se as de Lilith, Eva e Maria, por abarcarem aspectos como a sensualidade, o erotismo, a aspiração sacerdotal e virginal, a dor, a angústia, o desejo, o sonho e a vaidade, temas que refletem certos desejos de fazer dialogar dicotomias, termos opostos que, em uma sociedade patriarcal não conseguem alcançar expressão plena. A dificuldade de realização profissional e pessoal da mulher numa sociedade tradicional e falocrata como a do primeiro quartel do século XX, no caso de Florbela é, possivelmente, a geradora da angústia que levou-a ao suicídio, destino interpretado como “tragédia moderna” aos moldes raymondianos. A dificuldade de enquadramento do feminino na ordem patriarcal do mundo, é poeticamente trabalhada por Florbela que responde com um texto marcado pela inquietação, pela busca e pela errância, e encontra na utopia de Fredric Jameson, um caminho de expressão, a partir da denúncia do paradigma exaurido da dualidade, demonstrado pelo desejo de infinito e de integração com a natureza. A critica literária Maria Lúcia Dal Farra é o aporte fundamental no que diz respeito à obra e a vida de Florbela Espanca, e outros autores auxiliarão na construção dessa pesquisa “mosaico” que, objetiva ser interdisciplinar.

17/08/2009

Geladeira do século XXI: Varanda Viva

Queridos, que bom exercicio é diminuir, diminuir , diminuir, até parar com os sacos plásticos...

A varanda viva nos dá um bom exemplo disso.... E viva à natureza!!!!
Parabéns a Aline Chaves por sua Geladeira do século XXI
Uma inspiração!!!

09/08/2009

Lei 9265 institui a política estadual de educação ambiental do ES

Foi sancionada pelo governador Paulo Hartung, a Lei nº 9.265, que institui a Política Estadual de Educação Ambiental. A lei tem como um de seus princípios a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, o socioeconômico, o político e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade.

07/08/2009

Pássaro Legal é pássaro solto!

Segundo o artigo 24 do Decreto 6.514 de 22 de julho de 2008, caçar, perseguir, apanhar, comercializar, criar ou danificar espécies da fauna silvestre prevê multa de até R$5.000,00. Segundo a lei em questão, é proibido até mesmo andar com pássaros (mesmo que registrados)pelas vias públicas, nem tão pouco levá-los a lojas comerciais. Os animais serão apreendidos e os proprietários poderão receber multa de até R$5.000,00. Quando se retira um animal da natureza, toda floresta é afetada. os machos são aprisionados por seu belo canto, e as fêmeas não conseguem mais reproduzir. Em alguns anos, as matas estarão vazias e silenciosas. Um coleiro, chanchão, trincaferro, saíra, canário-da-terra, sabiá ou sanhaço, entre outros, que esteja aprisionado em sua casa, deixa de fecundar flores e de dispersar sementes de árvores na mata.
Além do mais, manter pássaro aprisionado é cruel. O pássaro atrofia os músculos das asas e canta de tristeza. Traficantes são ainda mais cruéis, costumam furar os olhos dos pássaros para transportá-los, não alimente este comércio ilegal e nefasto.
A melhor casa para um pássaro não é a sua e sim a dele!
fonte:WWW.ICMBIO.GOV.BR/PARNASO

06/08/2009

Mito e História em O Lusíadas de Camões

Renata Bomfim- UFES
Os Lusíadas de Luis de Camões foi publicado em 1572, no auge do renascimento literário português quando houve um despertar dos valores clássicos, e a visão teocêntrica da idade medieval deu lugar ao antropocentrismo, houve também o despertar do gosto pela literatura pagã. O texto camoniano está intimamente ligado ao ímpeto inaugural da expansão marítima e dos avanços científicos. Nos Lusíadas sobrepõe-se mito e realidade, Camões canta “o peito ilustre lusitano”, ou seja, o português renascentista e desbravador que, assim como os Argonautas do mito grego, desbravaram corajosamente o oceano enfrentando vários obstáculos para conquistar seu objetivo.
Camões utilizou para a construção de sua narrativa a rota perseguida por Vasco da Gama, seu principal herói no plano histórico. Para o crítico Massaúde Moisés: O fundamento ideológico da visão camoniana não depende da exatidão científica dos acontecimentos descritos no poema, mas numa crença inabalável na razão que eleva o homem acima da natureza bruta, aproximando-o de Deus ou dos deuses (2006, p. 40). Em Epopéia do homem moderno, este crítico destacou que, como bom renascentista “Camões acredita que o homem se tornará senhor absoluto do universo, exercendo domínios que, na antiguidade, eram atribuídos aos deuses”.
Nos Lusíadas o plano real e mítico se sobrepõe. Por ser uma obra essencialmente cristã, foi submetido à apreciação do “santo ofício” que embora abarque uma constelação de deuses pagãos, afirmou não ter encontrado nela, “coisa alguma de escandalosa, nem contrária à fé e aos bons costumes”. (2006, p.40). Católico, mas também um humanista, para Hernani Cidade “Camões era um cristão enamorado do paganismo”. Este mesmo autor em Luís de Camões: O Épico escreve que Camões canta “outro valor mais alto que se levanta”, que é o cristianismo. Assim, o plano mitológico na narrativa camoniana é descrito por Cidade como “um artifício lúdico criado por suas tendências de artista” (1968, p.134). Este recurso era também uma possibilidade de tratar de temas e criar ficções que a doutrina cristã não aceitava como, por exemplo, o episódio da ilha dos amores. Tal recurso, também designado “estilo maravilhoso”, permitiu que Camões exprimisse simbolicamente sua visão de mundo, sem que o caráter realista do poema ficasse prejudicado.
Carl Gustav Jung em O homem e seus Símbolos diz que “uma palavra ou imagem simbólica implica alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato” (1996, p. 20). Dessa forma, os Lusíadas desafia o leitor com uma constelação de símbolos que são representados por variados personagens. Camões anuncia o seu artifício apresentando as façanhas míticas como “façanhas fantásticas, fingidas e mentirosas” e as portuguesas como “as verdadeiras”, que “excedem as sonhadas, fabulosas”:
Ouvi: que não vereis com vãs façanhas,
Fantásticas, fingidas, mentirosas,
Louvar os vossos como nas estranhas
Musas, de engrandecer-se desejosas:
As verdadeiras vossas são tamanhas
Que excedem as sonhadas, fabulosas,
Que excedem Rodamente e o vão Rugeiro
E orlando, inda que fora verdadeiro.
[...]
Dou-vos também aquele ilustre gama.
Que para si, de Enéias toma a fama.
(Canto I, p. 11- 12)
Para Hernani Cidades, o poeta lusitano valorizava como objeto de contemplação estética e fonte de emoção épica e trágica, a própria realidade, se apropria da ficção mitológica para superar, pelo vôo imaginoso, os limites da realidade (1968, p.135). Camões evoca Vênus, “afeiçoada à gente Lusitânia”, por ter as qualidades dos romanos, como àquela que intercederá junto a Júpiter pelos navegadores. E Baco, na trama, será o grande opositor dos portugueses. Baco é descrito como teimoso e astuto e sua oposição aos portugueses será porque “altamente lhe dói perder a fama”, pois, “esquecerão seus feitos no oriente”, “se lá passar a lusitânea gente”. Baco representa os adversários, as forças opositoras, ou seja, “a ímpia gente”, os não cristãos. Os Lusíadas ilustra um momento em que Portugal luta para se formar como nação, luta contra o castelhano que lhe nega autonomia e contra o mouro que lhe ocupa o território (CIDADES, 1968, p. 156). O intuito colonialista português que busca conquistar terras e impor sua religião e língua pode ser vista na passagem:
Goa [cidade da Índia] vereis aos mouros ser tomada,
A qual virá depois a ser senhora
De todo Oriente, e sublimada
Co’os triunfos da gente vencedora.
Ali, soberba, altiva e exalçada,
Ao gentio que os ídolos adora
Duro freio porá, e a toda terra
Que cuidar de fazer os vossos guerra.
(CAMÕES, C. II, 51).

Vês Europa cristã, mais alta e clara,
Que as outras em polícia e fortaleza.
Vês África, dos bens do mundo avara,
Inculta e toda cheia de bruteza.
[...]
(Canto. X, p. 92)
Vênus representa para os portugueses o amor pela pátria, o amor é tema muito valorizado por Camões. A viagem do Gama, no plano estético, é apresentada como uma cruzada de amor, que terá seu ápice no episódio da Ilha dos amores. Até a Ilha dos amores, os deuses pagãos desempenham as ações na trama do texto, mas são invisíveis para os nautas, sendo sempre associados com as forças naturais, assim, estrategicamente, quanto mais discreto o auxílio do divino, mais fica evidente a eficiência do esforço humano. Moisés (2006, p. 39) comunica que “os deuses” é que dão sustentação à ação central do poema. Salvo os “infiéis”, ou seja, os africanos, os indianos, que sempre são apresentados pelo poeta em plano inferior, os obstáculos da viagem se resumem a fenômenos naturais como, por exemplo, o mito do Adamastor. É sabido que lendas aterradoras povoavam o imaginário popular antes das grandes navegações. Adamastor é um titã mitológico, um rochedo, “o segundo do Rodes estranhíssimo colosso”, uma referência do poeta a estátua de Apolo que ficava na cidade de Rodes, uma das sete maravilhas do mundo. Adamastor surge na narrativa como a representação do imaginário dos navegantes, e das tempestades do Cabo das Tormentas:
Eu sou aquele oculto e grande cabo,
A quem chamais vós outros Tormentório.
Que nunca a Ptolomeu, Pompônio
Estrabo, Plínio e quantos passaram fui notório.
Aqui toda costa Africana acabo.
[...]
(Canto. V, p. 50)
A natureza impõe-se ao homem e Adamastor jura vingar-se de quem o descobriu: “aqui espero tomar, se não me engano, de quem me descobriu suma vingança” (canto V, 44), o texto refere-se a Bartolomeu Dias, descobridor do cabo de Boa Esperança. Outro episódio impregnado de significação é o do Velho do Restelo. Cidade refere-se a esta passagem como sendo “pomo de discórdia entre comentadores”, isso devido à contradição que instaura a primeira vista, com palavras de renúncia, num poema que exalta a ânsia expansionista (CIDADE, 1968, p. 146):
__ Ó glória de mandar, ó vã cobiça,
Desta vaidade a que chamamos fama!
Ó fraudulento gosto que se atiça
Co’ uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldade nele experimentas.
(Canto. IV, p. 95)

[...]
Que promessas de reinos e minas
De ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que fama lhe prometerás? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?
(Canto. IV,p. 97)

O Velho do Restelo que “ficava na praia”, “entre a gentes”, soa como a “voz pesada”, contra a viagem, á a voz das viúvas, dos órfãos, dos agricultores, ou seja, dos que ficaram, mais uma vez história e mito se entrelaçam e o lamento cantado nesta estrofe, justifica-se, Vasco da Gama quando partiu da praia do Restelo para sua jornada, levou com ele 170 homens e retornou com apenas 55 vivos para Portugal:

Qual vai dizendo: __ Ó filho a quem eu tinha,
Só para refrigério e doce amparo,
Desta já cansada já velhice minha,
Que em choro acabará, penoso e amaro,
Porque me deixas, mísera e mesquinha?
Porque de mim te vás? Ó filho caro,
A fazer o funério enterramento.
Onde sejas de peixe mantimento?
(C. IV, 90)
Outros episódios entrelaçam de forma poética história e mitos, citaremos alguns:
Camões ao falar da doença “crua e feia” que “morto ficava quem a tinha”, faz uma referência ao escorbuto, doença causada pela falta de vitamina ‘C’ no organismo. O quadro descrito por Camões atingiu a frota de Vasco da gama a caminho de Calicute, na Índia:
E foi que de doença crua e feia,
A mais que eu nunca vi desampararam
Muitos a vida, e em terra estranha e alheia
Os ossos para sempre sepultaram.
Quem haverá que sem o ver o creia,
Que tão disformemente ali lhe incharam
As gengivas na boca, que crescia
A carne e juntamente apodrecia.

Apodrecia co’um fétido e bruto
Cheiro, que o ar vizinho inficionava.
[...]
(Canto V, p. 81- 82)
Muitas são as referências feitas à personalidades européias e da história de Portugal, entre elas:
Martim Lutero, precursor da reforma protestante a respeito deste Camões escreve: “Do sucessor de Pedro revelado, novo pastor e nova seita inventa” (Canto VII, p. 4). Camões refere-se como “falso rei” e “galo indigno” a Francisco I, rei da França e grande difusor do renascimento, refere-se desta forma por este não “guardar a santa lei”, o cristianismo (Canto VII, p. 6). Refere-se também ao rei da Inglaterra, Henrique VIII, como “duro inglês que se nomeia rei da velha e santíssima cidade”, e que “para os de cristo tem espada nua” (Canto. VII, p. 5).

Ao sucessor de Vasco da Gama, Henrique de Menezes, dirá: “Virá depois Meneses, cujo ferro, mais na África, que cá, terá provado; castigará de Ormuz [cidade na entrada do Golfo Pérsico] soberba o erro, como lhe fazer tributo dar dobrado” (Canto. X, p. 53). Camões faz uma referência ao Brasil: “Mas cá onde se alarga ali tereis, parte também, co’o pau vermelho nota. De Santa Cruz o nome lhe poreis. Descobri-la á a primeira vossa frota” (Canto. X, 140). Assim Camões tece seu poema unindo ficção e fatos históricos. Do ponto de vista literário, Os Lusíadas não são uma narrativa histórica. No canto V a deusa Tétis denuncia a estratégia camoniana ao declarar que os deuses da mitologia são ficção criada pelo poeta, ou seja, um ornato poético:
Aqui, só verdadeiros gloriosos
Divos estão, porque eu Saturno e Jano,
Júpiter, Juno, fomos fabulosos.
Fingidos de mortal e cego engano
Só pra fazer versos deleitosos.
Servimos, e, se mais o trato humano
Nos pode dar, é só que o nome nosso
Nesta estrela pôs o engenho vosso.
(Canto X, p. 82).
A trama mítica tem seu desfecho quando Baco e Netuno se rendem e reconhecem a superioridade dos humanos, e Vênus coroa o feito português conduzindo a frota à Ilha dos Amores onde esperam pelos nautas as ninfas “já feridas por Cupido”, ali eles se fartarão dos prazeres carnais, mas com o consentimento divino. Segundo Moisés (2006, p. 51), “a Vasco da gama destina-se à companhia de Tétis e um prêmio extra, avistar a máquina do mundo”, Tétis lhe explica o sistema planetário e diz que podem “voltar à pátria amada”, para as “eternas esposas”. A Máquina do Mundo descreve o conhecimento astronômico de Camões, embora o sistema de Copérnico já fosse conhecido, o texto descreve o sistema Ptolomaico. Modesto Camões declara acerca de seu conhecimento:
Mas eu falo, humilde, baixo e rudo,
[...]
Nem me falta na vida honesto estudo,
Com longa experiência misturado
Nem engenho, que aqui vereis presente,
Cousas que juntas se acham raramente.
(Canto X, p. 154)
Cidade ressalta também a importância do episódio da Máquina do Mundo e do descerramento do planetário, como uma celebração da aproximação entre oriente e ocidente (1968, p, 154). Não sendo a modéstia um atributo deste poeta português que “luta e canta”. Para Ronaldo Menegaz “Camões extrapolou os limites de sua proposta, gerando um canto onde se revela uma sabedoria universal e intemporal e uma consciência extremamente alertada para a fragilidade, a falibilidade e a insegurança da condição humana” (2001, p. 260). Os Lusíadas termina com Camões colocando sua obra a altura da Homero:
[...]
A minha já estimada e leda musa
Fico com que em todo o mundo de vós cante,
De sorte que Alexandro [refere-se a Alexandre Mágno, rei da Macedônia]
Em voz se veja
Sem à dita de Aquiles ter inveja.
(Canto. X, p. 153).

Referências:
-CAMÕES, Luis de. Os Lusíadas. São Paulo: Klick.
-CIDADE, Hernani. Luiz de Camões o Épico. 3. ed. [S. L].: Bertrand, 1968.
-MENEGAZ, Ronaldo. Os Lusíadas, do livro à obra: a contribuição de Cesário Verde. SEMEAR: Rio de Janeiro, n. 5. , 2001, p. 259 a 277.
-MOISÉS, Felipe Carlos. Epopéia do homem moderno. Entre Livros, São Paulo, 2006. Edição Especial, p. 39- 41.

Campanha contra o uso desnecessário e inconsequente de sacolas nos supermercados e os 5 R's

Queridos, quantas vezes fomos ao supermercados e pegamos aquela sacolinha básica para colocar a banana (que já vem empacotada pelo criador), a batata, o chuchu, a laranja, etc... e nem nos demos conta que, ao chegar ao caixa, ela seria colocada dentro de outra sacola, junto com outros produtos, para ser transportada para casa...
Quando chegavamos em casa, grande parte destas sacolinhas iam diretamente para o lixo... Pois bem, muitas pessoas continuam fazendo isso, sem a minima noção da (i)responsabilidade que tem com o lixo que produzem... Hoje, já não dá mais para fazermos isso, temos acesso a informações e a consciência de que podemos adotar habitos de vida mais sustentaveis...
Existem outras formas de agir para evitar esse tipo de desperdício, essas famigeradas sacolinhas, aparentemente inofencivas, irão diretamente para o lixão com a possibilidades de irem parar nos rios e, consequentemente, no mar, matando animais e contaminando os peixes e tudo mais com o material cancerigeno com que são compostas, elas podem também entupir os bueiros das ruas provocando alagamentos, entre outras tragédias.
Vamos exigir que as empresas utilizem as sacolas oxibiodegradáveis e optar pela utilização das sacolas ecológicas...

E mais, esse lixinho básico que a gente produz no dia a dia (e que não é pouco) pode ser separado: Lixos secos são aqueles que podem ser reciclados / Lixos orgânicos são aqueles que não degradam o ambiente, é o resto de comida, cascas de frutas e legumes, etc., e Rejeito, ou seja, aquele lixo que não pode ser aproveitado. Somente 2,8% do lixo que o Brasil produz é reciclado. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), nós, brasileiros, produzimos em média 0,88 kg de resíduos por dia, e 59% dos municípios, depositam seus resíduos em lixões. Precisamos aderir à Coleta Seletiva para que possa diminuir a exploração dos resíduos naturais, bem como, a poluição do solo, do ar e dos rios. Uma forma de introjetarmos essa idéia e fazer com que se torne um habito, é praticar os 3 R's, que hoje já não são mais 3 e sim 5 R's.
1- Reduzir: é isso mesmo, no bom português significa consumir menos e dar prioridade para produtos que não agridam o meio ambiente e geram menos resíduos.
2- Reutilizar: dar novos usos aos materiais já utilizados, é uma boa oportunidade de exercitar a criatividade.
3- Reciclar: ou seja, transformar os resíduos em matéria prima para outros produtos, tanto de forma industrial quanto artesanal.
Os outros 2 R's introduzidos são: Repensar (o consumo) e Recusar (o mais importante e mais dificil , na minha opinião).
Esses R's são um conjunto de atitudes capazes de interferir e modificar os nossos hábitos. Essa prática, além de ser positiva para o meio ambiente, é geradora de emprego e renda para os menos favorecidos. vamos pensar nisso...

Abraços eco-fraternos

Renata

maiores informações: www.mma.gov.br/srhu

Mudanças climáticas: Relatório de pesquisas climáticas global


27/07/2009

IV Fórum Brasileiro de Educação Ambiental - RJ (fotos)


Momento de confraternização entre os participantes...
um click ministerial : o ministro Minc cantou, mas não entoou... muitas promessas que esperamos, sejam cumpridas...



O espaço da Rede capixaba arrasou!


Foto com a professora Marta Tristão, responsável por orquestrar a RECEA...

A mesa sobre aquecimento Global foi muito boa e contou com a presença do jornalista André Trigueiro.


Buscamos ampliar diálogos e entendimentos... Momento da apresentação do pôster com o trabalho socioambiental realizado no Mosteiro Zen Morro da Vargem/ES. A RECEA (Rede de Educação Ambiental do ES) marcou sua presença nesse evento com trabalhos representativos no campo ambiental realizados no nosso estado e com alegria e disposição.

20/07/2009

DEFESA DE MESTRADO

Olá amigos, tenho a alegria de convidá-los para a defesa da minha dissertação de mestrado que será dia 21/08 às 15:00h no prédio do mestrado de letras (Clarice Lispector), entre os IC's III e IV.
Título:
Vozes femininas: A polifonia arquetípica em Florbela Espanca
A banca:
Luis Eustáquio Soares- UFES/ Professor orientador
Maria Lúcia Dal Farra- UFSE/ Professora co-orientadora
Deneval Siqueira de Azevedo Filho - UFES/ Professor titular
Valdelino Gonçalves dos Santos Filho (Didíco)- UFES/ Professor convidado
Jorge Luiz do Nascimento- UFES/ Professor suplente

06/07/2009

Florbela Espanca: a mulher e o mito

Florbela Espanca nasceu no dia 08 de dezembro de 1894, em Vila Viçosa, região do Alentejo português, é considerada, hoje, uma das mais importantes poetas portuguesas.
Florbela não teve sua obra reconhecida enquanto estava viva. Publicou dois livros, o Livro de Mágoas (1919) e o Livro de Sóror Saudade (1923), o Livro Charneca em Flor e Reliquiae foi publicado postumamente por Guido Batteli, um italiano que era professor visitante em Portugal.A poeta era fascinada pelos livros e muito inteligente, em uma carta a amiga Júlia Alves ela escreveu:
"Eu não sou em muitas coisas nada mulher; pouco de feminino tenho em quase todas as distrações de minha vida. Todas as ninharias pueris em que as mulheres se comprazem, toda a fina gentileza duns trabalhos em seda e oiro, as rendas, os bordados, a pintura, tudo isso que eu admiro e adoro em todas as mãos de mulher, não se dão bem nas minhas apenas talhadas para folhear livros que são, verdadeiramente, os meus mais queridos amigos e os meus inseparáveis companheiros. [...] Que desconsolo ser assim, minha Júlia! Ter apenas paciência para penetrar os arcanos duma alma que se fecha nas páginas dum livro, ter apenas gosto em chorar com Antônio Nobre, pensar em Vitor Hugo, troçar com Fialho de Almeida e rir suavemente, deliciosamente, com uma pontinha de ironia onde às vezes há lágrimas, com Júlio Dantas. Eu não devia ser assim, não é verdade? Mas sou..."
A poesia de Florbela é fascinante e cada dia desperta mais o interesse da academia. Eu leio a poeta desde os 15 anos de idade e a cada dia, sua obra se renova e ganha novos sentidos e significados. Eis dois de seus sonetos que mais gosto:
Eu não sou de ninguém
....................................................................
.....................................................................
.....................................................................
.....................................................................

Eu não sou de ninguém!... Quem me quiser
Há de ser luz do sol em tardes quentes;
Nos olhos de água clara há de trazer
As fúlgidas pupilas dos videntes!

Há de ser seiva no botão repleto,
Voz no murmúrio do pequeno inseto,
Vento que insufla as velas sobre os mastros!...

Há de ser Outro e Outro num momento!
Força viva, brutal, em movimento,
Astro arrastando catadupas de astros!

Passeio ao campo
Meu amor! Meu amante! Meu amigo!
Colhe a hora que passa, hora divina,
Bebe-a dentro de mim, bebe-a comigo!
Sinto-me alegre e forte! Sou menina!

Eu tenho, Amor, a cinta esbelta e fina...
Pele doirada de alabastro antigo...
Frágeis mãos de madona florentina....
- Vamos correr e rir por entre o trigo!-

Há rendas de gramíneas pelos montes...
Papoilas rubras nos trigais maduros...
Água azulada a cintilar nas fontes...

E à volta, Amor... tornemos, nas alfombras
Dos caminhos selvagens e escuros,
Num astro só as nossas duas sombras!...
Vídeo onde o cantor Fagner interpreta a poesia Fanatismo, de Florbela Espanca