Canto, brinco, vibro,
hoje o corpo está autorizado,
redimido, pelos desejos mais loucos.
Nada profano,
Nada é pecado,
simplesmente canto, brinco, vibro,
danço, seduzo e sou desejada.
Liberadas as fantasias, explodo,
brilho cores que não tenho,
sou quem não sou,
sou quem gostaria de ser,
sou um ser que jamais seria.
Esbanjo fluidos divinos,
no êxtase pagão dessa alegria.
Nessa terça, sem terços e nem mordaças,
festejo o dia de reis, sou Rainha,
executo ritos, experimento vislumbrar,
no rosto a face esquecida.
Amanhã é outro início,
vão-se os gritos, os brilhos e os véus,
vão-se os poderes todos,
fica o resquício desse eu carnal
pele bendita prenhe de vontades,
epiderme espacial, onde, coletiva,
existo.
bairenatabomfim
16/02/2010
14/02/2010
Guernica hoje
Gernica hoje
Alivia-me dessa dor!
Seca o sangue que escorre e corre,
manchando a terra, a água e a flor.
Livra-me da força do império da agonia
Livra-me do medo dessa côrte maldita
consagrada à fantasmagoria
à vergonha!
Dor dentro e fora do tempo
que me atinge e finjo, finges, finge
que não a temos.
Letargia ignorante,
nem pão e nem circo.
Guernica atualiza-se:
Iraques, Palestinas, Brasís,
tsunamis, maremotos, terremotos
Haitís, favelas, esquinas, praças e
instituições mesquinhas.
Nada vemos, temos, ou queremos,
nada de ventos, nem de brisa, ou de Paz!
Tememos!
Trememos!
Alivia-me do grito que está preso nas entranhas
Liberta-o!
Conjuga os fragmentos dessa tragédia cardeal,
estranha: sem nome, sem rosto e sem norte.
Revela o poder pulverizado que faz chover sangue.
Alivia-me dessa dor que fede, anestesia e tem gosto de morte.
bairenatabomfim
06/02/2010
Reserva Natural Reluz
Sempre me deixou muito triste ver passarinhos presos, pelo simples fato de terem asas, de terem sido criados por Deus para a liberdade, o ilimitado, muito mais que nós, humanos, que sempre fomos chegados a uma prisão, principalmente se a gaiola for de ouro. Mas agora, uma observação mais paciente da natureza tem me ensinado muito, como por exemplo o empenho deste casal de pássaros para alimentar e cuidar de suas crias. Enquanto um alimenta os filhotes, o outro canta para despistar predadores e chamar a atenção para si.
Prender um destes pássaros, ou os dois, corresponderá à morte certa dos filhotes e de outras gerações, uma crueldade sem fim. É um crime obrigar animais tão gregários a viverem sós em gaiolas, observem e percebam que eles sempre estão ou em bando, ou em casal, mas nunca sós.
Prender um destes pássaros, ou os dois, corresponderá à morte certa dos filhotes e de outras gerações, uma crueldade sem fim. É um crime obrigar animais tão gregários a viverem sós em gaiolas, observem e percebam que eles sempre estão ou em bando, ou em casal, mas nunca sós.
Infelizmente muitas pessoas vêm aqui na Reserva prender pássaaros e, muitas vezes, para anelá-los, os mutilam e até mesmo matam. Muitos dos pássaros que abastecem o mercado perverso de animais não são criados em cativeiro e sim pegos na natureza.
Um trinca ferro engaiolado, por exemplo, passa um ano sem cantar em depressão profunda. Vamos denunciar essas barbáries e cobrar das autoridades as ações efetivas.
Abraços eco-fraternos
Renata
05/02/2010
Transluzir
Tudo se dissolve ao sabor do momento
No instante, tudo se desfaz.
O que era, já não é mais
O que fui, sou e serei
aquarela!
03/02/2010
2010, eu digo Sim!
Olá amigos, foi com muita alegria que aceitei o convite para coordenar a Oficina de Pintura da Clínica Psiquiatrica Travessia. Estava afastada da clínica da psicose a um tempinho, estava dedicando-me apenas aos "normóticos", mas confesso que já estava com saudades.
Eu comecei a trabalhar com oficinas terapêuticas quando ainda era estudante de artes da Ufes e, assim que me formei, passei a coordenar a oficina de Pintura do CAPS -ILha de Santa Maria, onde havia sido extensionista pelo Programa Cada Doido Com Sua Mania (UFES). Depois do CAPS-Ilha, tive a honra de participar da elaboração do primeiro ambulatrório de saúde mental do estado para crianças e adolescentes, no Hospital Universitário/ Hucam, e da estruturação do Centro de Atenção Continuada a Infancia e a adolescência (CACIA), na Ufes. bem, foram muitos anos ministrando e criando oficinas terapêuticas, um percurso que não é linear e me possibilita aprender a cada dia.
Bem, não sei se está se fechando ou abrindo um novo ciclo na minha vida com este aceite, mas sei que estou feliz!
Abraços
Renata
lembrança do CAPS Ilha de Santa
26/01/2010
Freda Cavalcanti Jardim: mãe do mosaico brasileiro
Olá amigos, amanhã o Letra e Fel completará 4 anos de existência e este fato me deixa muito feliz.
Através deste blog fiz muitos amigos, muita informação circulou, muita poesia nasceu, nasceu um livro, o Mina, que em março será lançado. Enfim, vitórias! agradeço aos amigos que prestigiam com seus comentários, visitas e textos.
O texto a seguir é de Myriam Pestana, estudamos artes plásticas na UFES com o privelégio de termos como professora e amiga a inesquecivel Freda Jardim. O primeiro texto postado por mim neste blog foi uma homenagem querida mestra Freda e hoje, presenteio a mim e a vocês com este artigo primoroso. Obrigada Myrian! Curtam o texto!
abraços eco-fraternos
Renata
A MOSAICISTA FREDA CAVALCANTI JARDIM E O ENSINO DA ARTE
Myriam Fernandes Pestana Oliveira
Prefeitura Municipal de Vitória
O trabalho relata a trajetória da artista plástica mosaicista Freda Cavalcanti Jardim, que difundiu a arte musiva através de sua obra .Além de se tornar conhecida pelo mundo com seus trabalhos, Freda fazia mosaico e lecionava com o mesmo prazer. Foi professora em instituições públicas e privadas no Rio de Janeiro e no Espírito Santo Em meados dos anos cinqüenta mudou-se para Ravenna, na Itália onde estudou por cinco anos, várias técnicas artísticas, e se especializou em mosaico . Chegando ao Brasil se dedicou a produzir suas obras e lecionar para acadêmicos, artistas plásticos, e quem mais se interessasse. Preocupava-se com a liberdade de expressão dos alunos, porém em incentivá-los a pesquisar, estudar, visitar museus, galerias e a produção artística reproduzida em livros e periódicos. Aprendeu o mosaico bizantino, mas logo transformou em mosaico brasileiro, trocando a pastilha de vidro pelas pedras brasileiras. Trabalhou com pessoas de várias idades e classes sociais diversificadas, em todos os casos, seus ensinamentos consistiam, principalmente, em incentivar a criação.
Palavras-chave; Mosaico, Ensino da Arte, Auto-expressão, Pesquisa.
Referindo-se ao ensino da arte no Brasil, identifica-se que ao longo do século XX, importantes conquistas são enumeradas. O ensino da arte que já foi entendido apenas como desenho livre bem feito e retocado, desenho geométrico a serviço da industrialização, livre expressão, manifestação espontânea, cópias estereotipadas , etc. Com a Lei nº 9.394/96, revogam-se as disposições anteriores e arte é considerada obrigatória na educação básica: “O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos”(artigo 26, parágrafo 2º). (PCN –ARTE,2001 p.28).
Refletia no trabalho do professor, que ora tinha que ser exímio técnico, e ora apenas figura sem ação na sala de aula, e por muitas vezes artista plástico, para produzir trabalhos perfeitos, as indefinições e/ou mudanças ocorridas ao longo do tempo.Além disso, agrava também a falta de instituições de ensino superior, que ofereçam a formação inicial do profissional, e a disciplina que é componente curricular obrigatório, é ministrada por profissionais de várias especialidades, que precisam completar carga horária. Até iniciarem os concursos públicos que exigiam as licenciaturas, mesmo assim pelo Brasil a fora a realidade ainda não é esta.
Sobrava sempre para a professora de educação artística, por exemplo, ser polivalente, já que a Arte se refere às linguagens, artes visuais, teatro, dança e música. Sendo assim, o profissional que lecionasse esta disciplina precisava ensaiar todas as dançinhas das datas festivas da escola, como as pecinhas teatrais, do dia das mães, as musiquinhas do dia dos pais, as bandeirolas da festas juninas, e ainda manter intactos, durante todo ano os painéis dos murais das escolas...ufa que cansaço!!! Com pesar, temos notícias, que isso ainda acontece em várias escolas brasileiras.
Porém, nem tudo é tão sofrido assim, felizmente educadoras e educadores, que acreditam no ser humano sempre existiram e vão continuar existindo em nosso meio. Estes fazem a diferença, e muitas vezes nos contaminam, ainda bem!
Contudo, cabe ressaltar que a partir dos anos 80 e 90, intensificaram os movimentos dos professores e acadêmicos como Seminários, Congressos, Encontros específicos da área, e as oportunidades de discussões, relatos e informações das pesquisas recentes, que contribuem para a formação continuada destes profissionais.
Vele ressaltar que alguns educadores há muito se esforçam para fazer que o ensino da arte em nosso país não seja só motivo de lástimas. Temos notícias de vários deles que se mexeram, encabeçaram movimentos, fizeram acontecer. Desde os idos dos anos cinqüenta , que temos notícias, com a professora Isabel Braga, criando a segunda Escolinha de Arte do Brasil, aqui, em Cachoeiro de Itapemirim. Nos anos 70 a professora Freda Cavalcanti Jardim chegando à UFES para ajudar organizar o Centro de Artes. Nos anos 90, com as professoras, Moema Rebouças e Maria Auxiliadora Corassa iniciando os Seminário sobre o Ensino da Arte na Universidade Federal, sentimos o salto dado pelo ensino da arte no nosso Estado.
A professora Freda começou seus trabalhos na educação, no início dos anos 60 dando aulas de mosaicos, em espaços formais e não formais da cidade do Rio de Janeiro onde residia. Sua experiência docente restringia-se a trabalhar na academia e com artistas plásticos, por meio da técnica da arte musiva.
Freda Cavalcanti Jardim, filha de Maria Íris Cavalcanti Jardim e Germano Gonçalves Jardim nasceu em Fortaleza, Ceará, no dia 20 de março de 1926. Cresceu e estudou no Rio de Janeiro, onde formou-se em estatística. Ela costumava dizer que aprendeu dançar antes mesmo de andar. Gostava de tudo na vida que traduzia alegria. Em 1955 ganhou uma bolsa de estudos e foi parar em Ravenna, na Itália, mergulhou no mundo musivo de onde não saiu mais.
Voltou para o Brasil no início dos anos sessenta e começou difundir o mosaico bizantino, transformado por ela em mosaico brasileiro. Deixou de lado as pastilhas de vidros e passou a usar pedras brasileiras, conchas, cacos de vidros, enfim uma infinidade de materiais que passava até por osso de boi.
Foi professora de mosaico no Rio de Janeiro em instituições públicas e privadas, até ser convidada para auxiliar na organização do Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo. Para nossa sorte, ela se apaixonou por Vitória, trocou sua cadeira da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ficou por aqui.
Várias gerações de artistas plásticos receberam suas bênçãos. Além de mosaico, ela tinha formação e lecionou pintura, estamparia, tapeçaria e joalheria; e o que não tinha formação no ramo das artes plásticas, se atirava a fazer e fazia bem feito.Tinha também, uma enorme ligação amorosa com a arte culinária, costumava inventar receitas exóticas.
Apesar de grande mosaicista reconhecida nacional e internacionalmente, sua maior satisfação era a arte de ensinar. Dedicava-se a alunos de diversas faixas etárias e diferentes classes sociais com muito empenho.
Membro fundadora da AIMC Associação Internacional do Mosaico Contemporâneo, viajou pelos quatro cantos do mundo levando sempre sua grande paixão: “o mosaico”
Não teve filhos biológicos. Em Ravenna, no último Congresso Internacional de mosaico, que participou, no ano 2000, fez questão de apresentar, segundo a própria, seus filhos para o mundo; o grupo de mosaicistas que a acompanhava.
Voltou de Ravenna, eleita presidenta da Associação, com a missão de fazer no Brasil o VIII Congresso Internacional de Mosaico Contemporâneo, pela primeira vez num país das Américas, um grande desafio, porém ela estava decidida, e o Congresso aconteceria em setembro de 2002.
Apenas quarenta dias, após nosso retorno da Itália, ela se foi, nos deixou órfãos, totalmente desnorteados, mas com a responsabilidade a cumprir sua maior realização, o Congresso Internacional no Brasil. Arregaçamos as mangas, corremos atrás e assim nasceu das cinzas vivas de Freda, o Grupo Fênix de Mosaico, formado pelo grupo que a acompanhou no Congresso de Ravenna .Assim o Congresso aconteceu em Setembro de 2002, no Teatro da UFES - Universidade Federal do Espírito Santo, recebendo artistas e admiradores da arte musiva de várias partes do Brasil e do mundo.
PROFISSÃO PROFESSORA
Apesar de se tornar conhecida como artista plástica mosaicista, Freda se dizia sempre professora, era o que fazia com prazer: aprender e ensinar. Lembrava sempre de um professor que teve em Ravenna, que após dar um acabamento num mosaico que ela estava fazendo, desmanchou tudo e mandou que ela fizesse de novo. Sempre contava esta história para lembrar que era preciso criar, cada um dar sua “cara” a sua obra.
Lecionava e produzia mosaico com a mesma paixão. Seu encantamento pelo mosaico costumava afetar algumas alunas e alunos que não conseguiram se desgarrar mais. O seu modo de ensinar era um tanto despojado, livre, costumava ter respostas para todos os questionamentos, porém sempre preocupada em não fazer pra você, ou para você ver. Insistia que a gente precisava aprender fazer “fazendo”.
Chamava atenção para necessidade de termos acesso as produções artísticas de artistas de várias épocas, e diversos lugares. Tinha uma ampla biblioteca em seu ateliê que disponibilizava para consulta e pesquisa, já que era mais atualizada do que a que tínhamos acesso na Universidade.
Ela não tinha experiência com turmas de sala de aula por um ano letivo, porém tinha uma vasta experiência com alunas, alunos, professoras e professores de várias idades e interesses diferentes. Se preocupava muito com a livre expressão de todos que passavam pelos seus ensinamentos, mas lembrava sempre de deixar a disposição muitos livros, periódicos, imagens, que não servissem para serem copiados, mas que mostrassem as tendências, as histórias que as reproduções contavam.
Na academia ficava muito aborrecida quando via os alunos copiando. Chamava atenção lembrando a necessidade dos trabalhos serem autênticos, criativos, incentivava a visita às galerias, aos museus e aos livros. Não gostava de dar receitas prontas, nos incentivava a ousar. Misturar materiais, inventar. Lembrava sempre que as crianças não deviam ser podadas, ela acreditava que para incentivar a criatividade era preciso deixá-las se expressar, nada de desenhos prontos ou cores escolhidas por adultos.
Freda sempre tinha mais de um trabalho iniciado, e sempre estava inventando outro. Desde painéis de quinze metros quadrados a mosaico jóia, uma de suas últimas invenções, era cheia de imaginações e produções contemporâneas. Estava sempre disposta a ensinar e a participar dos eventos que era convidada, desde o mais simples, ao mais sofisticado. Principalmente, quando eram eventos em escola, respondia às perguntas da criançada, levava seus trabalhos, contava suas histórias, bastava ser convidada.
Apesar se sua limitação física, que adquiriu depois de um acidente automobilístico, não media esforços, para participar de vernissagens, visitar exposições de arte, expor seus trabalhos em exposições individuais e coletivas. Em. exposições coletivas, poderia ser junto com artistas famosos como ela, artistas emergentes e até grupo de alunos. Era uma pessoa muito simples, que dizia que a arte tinha que ir onde o povo estivesse, porque o trabalho artístico conta a história da humanidade , daí a necessidade de estudar para ensinar arte, e levar a vida preocupada em aprender cada vez mais e conseqüente ensinar também. Seu modo de pensar e de agir nos remete ao que afirma Paulo Freire : “Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro horas da tarde.Ninguém nasce educador. A gente se faz educador, a gente se forma educador, permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática.” (FREIRE.2002.p.39)
A arte do mosaico é uma técnica milenar que é encontrado em revestimentos de igrejas inteiras como, por exemplo, a catedral de São Marcos em Veneza, na Itália, a catedral de Santo Apolônio de Ravenna,também na Itália, é mais um grande número de igrejas em várias cidades do mundo . O mosaico é encontrado não só em igrejas, e nem só em revestimos completos. Em muitos casos são detalhes em repartições e monumentos públicos e privados. É uma técnica que possibilita ser usada em painéis de espaços amplos, e em utilitários domésticos, como bandejas, porta-retratos, pisos, piscinas, etc...
Quando Freda foi estudar mosaico em Ravenna, o que se ensinava era o mosaico bizantino, que era confeccionado com material em formato de pastilhas de aproximadamente 2cm X 2cm constituído por uma pasta vítrea. Os painéis costumavam ser chapados na parede, piso, ou qualquer outra superfície, desde que ficassem de maneira linear. Quando retornou ao Brasil sentiu muita dificuldade em conseguir o material para confeccionar seus trabalhos, porque precisava pedir, na Itália, e aguardar a chegada da encomenda que na maior parte das vezes vinha de navio, com isto o trabalho demorava muito pra ficar pronto.
Porém ela costumava lembrar que o que mais a incomodava era usar produto que era de difícil acesso, e que no Brasil tinha muito material que poderia ser aproveitado pra fazer trabalhos tão belos e tão duradouros como os italianos. E ai começou fazer usas experiências, não abandonou de vez o mosaico bizantino, mas continuou substituindo cada vez mais as pastilhas de vidro por pedras e materiais nacionais.
Além da substituição do material ela também saiu do plano linear, seus trabalhos tinham formatos diversificados. Tinha o painel luminoso, o mosaico escultura, o mosaico jóia, o mosaico objeto, enfim além das formas ela misturava material, e dava a suas obras uma característica bem original.
Freda não só fazia o diferencial no seu trabalho, como dava como exemplo, a necessidade de criar a partir também do material acessível.Quando lecionava para grupos de comunidades, pedia que as pessoas pesquisassem na sua comunidade que materiais tinham em abundância e incentivava a pensar como utilizar.Dizia que bastava um pouquinho de boa vontade, de pesquisa, de leitura que a criação fluía, incentivava uso de materiais locais, que segundo ela tornava os trabalhos mais autênticos.
Batizou seus trabalhos de mosaico brasileiro, e estes costumavam chamar a atenção onde fossem expostos. Existem obras assinadas por ela em acervos de vários locais públicos como o Palácio Itamaraty em Brasília, na sala da reitoria da UFES, na igreja São José no bairro maruípe em Vitória, na sede da ONU no Chile, etc...bem como em faixadas de edifícios e murais particulares também.
Seu trabalho era inconfundível e personalizado.Tinha sua marca, sua criação inédita e expressiva, exemplo foi o que não faltou por parte da professora e artista Freda Jardim.
A etimologia da “palavra ‘MOSAICO’ é de origem grega e provém da forma antiga MOUVAIXOU(mosaicon) que significa “paciente, digna das Musas” no sentido de “obra paciente, digna das Musas. Paciente, porque requer muita paciência e muita atenção para executá-la Digna das Musas, porque se trata de trabalho de rara beleza, feito com materiais que duram séculos e por isso tem um sentido de eternidade, isto é, de divino.”(Mucci,1962,p.15)
Afirma-se que o maior legado deixado pela mestra Freda, foi a simplicidade, a vontade de ensinar sem se mostrar melhor que ninguém. Sua capacidade de ensinar a pensar, a produzir , a inventar, é um exemplo que podemos ser para nossos alunos.
Irreverente, alegre, artista, mosaicista, educadora, teimosa, gostava muito da cor vermelha e de cozinhar, ela costumava se descrever assim, Gostava de lembrar que seu apelido na universidade carioca, que trabalhou, era “chá Mate Leão- que já vem queimado”, e que quando chegava irritada na faculdade, antes de começar sua aula, quebrava um bocado de pedra pra fazer mosaico primeiro, pra ficar calma, depois atendia os alunos.
Apesar de ser tão inquieta era dotada de uma grande dose de paciência para fazer mosaico. Sempre repetia que a palavra chave para se dedicar a “arte de unir fragmentos” era a paciência, que aparentemente ela não tinha, já que se irritava com facilidade, com as coisas e as pessoas.
Traduzo sua paciência em sua boa vontade de difundir a arte e principalmente se preocupar com o ensino da arte. Ensinou vários técnicas artísticas durante seu período docente, porém se identificou com a que mais exigia dela, o mosaico.
Levou sua vida juntando muito mais que caquinhos para fazer obras de arte. Por meio da arte fragmentada, como costumava se referir ao mosaico, uniu pessoas, obras de arte, e deixou discípulos preocupados em difundir seu trabalho, sua arte e seus ensinamentos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
-MUCCI, Alfredo. “A arte do mosaico”.Ao livro técnico editora. Rio de Janeiro, 1962.
-BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais:Arte. Secretaria de Educação Fundamental. Editora Brasília. Brasília , 2001.
-BOVINI, Giuseppe. “Ravenna its mosaics and monuments”.Longo Editore. Ravenna, 1999.
-FREIRE, Paulo. “Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa” Editora Paz e Terra. São Paulo, 2007.
21/01/2010
Agora é Lei!: Proibido circos com animais no ES
Amigos, é com a maior satisfação que dou visibilidade a esta noticia, agora é lei, é proibido circos com animais no ES.
Venceu a compaixão e o bom senso!
Este é um passo muito importante para a uma sociedade como a nossa, violenta e cínica, é o sinal de que as coisas podem e vão mudar.
Parabéns a AMAES (associação Amigos dos animais do ES)
parabéns ao nosso governador Paulo Hartung
Parabéns ao Deputado Dr. Hércules
e a todas as entidades que lutam pela justiça: Essa vitória é fruto de incansável batalha, formada por uma colisão de entidades pró animais(SOPAES, FOCA, GRUPO GALA, AVIDEPA,INSTITUTO ORCA, IBAMA, CRMV e WSPA)
Informamos também que o leãozinho nascido no GAP faleceu semana passada, uma pena!
Abraços a todos
Renata
20/01/2010
Amor de gato
Amor de gato
Nunca subestime o amor de um gato
porque os felinos, esses sim, sabem amar.
Amam sem limites
da ponta do rabo à ponta do bigode.
Sacrificam tudo, até mesmo,
a sua natureza.
Dóceis ou selvagens
é tudo, sempre, por amor
por amor!
15/01/2010
O fracasso da COP 15 (texto do teólogo leonardo Boff)
É a treva: rumo ao desastre
Uma jovem e talentosa atriz de uma novela muito popular, Beatriz Drumond, sempre que fracassam seus planos, usa o bordão:"É a treva". Não me vem à mente outra expressão ao assistir o melancólico desfecho da COP 15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague: é a treva! Sim, a humanidade penetrou numa zona de treva e de horror. Estamos indo ao encontro do desastre (eu também acredito nisso, por mais pessimista e exagerado que possa parecer)Anos de preparação, dez dias de discussão, a presença dos principais líderes políticos do mundo não foram suficientes para espancar a treva mediante um acordo consensuado de redução de gases de efeito estufa que impedisse chegar a dois graus Celsius. Ultrapassado esse nível e beirando os três graus, o clima não seria mais controlável e estaríamos entregues à lógica do caos destrutivo (ou já estamos, é só ver as catástrofes por motivo do clima aumentando cada dia mais) ameaçando a biodiversidade e dizimando milhões e milhões de pessoas. O Presidente Lula, em sua intervenção no dia mesmo do encerramento, 18 de dezembro, foi a único a dizer a verdade: "faltou-nos inteligência" porque os poderosos preferiram barganhar vantagens a salvar a vida da Terra e os seres humanos. Duas lições se podem tirar do fracasso em Copenhague: a primeira é a consciência coletiva de que o aquecimento é um fato irreversível (Isso ainda não é de acesso do coletivo), do qual todos somos responsáveis, mas principalmente os paises ricos. E que agora somos também responsáveis (sem tirar e nem pôr), cada um em sua medida, do controle do aquecimento para que não seja catastrófico para a natureza e para a humanidade. A consciência da humanidade nunca mais será a mesma depois de Copenhague. Se houve essa consciência coletiva, por que não se chegou a nenhum consenso acerca das medidas de controle das mudanças climáticas? Aqui surge a segunda lição que importa tirar da COP 15 de Copenhague: o grande vilão é o sistema do capital com sua correspondente cultura consumista (concordo em grau, gênero e número). Enquanto mantivermos o sistema capitalista mundialmente articulado será impossível um consenso que coloque no centro a vida, a humanidade e a Terra e se tomar medidas para preservá-las. Para ele centralidade possui o lucro, a acumulação privada e o aumento de poder de competição. Há muito tempo que distorceu a natureza da economia como técnica e arte de produção dos bens necessários à vida. Ele a transformou numa brutal técnica de criação de riqueza por si mesma sem qualquer outra consideração. Essa riqueza nem sequer é para ser desfrutada mas para produzir mais riqueza ainda, numa lógica obsessiva e sem freios. Por isso que ecologia e capitalismo se negam frontalmente. Não há acordo possível.O discurso ecológico procura o equilíbrio de todos os fatores, a sinergia com a natureza e o espírito de cooperação. O capitalismo rompe com o equilíbrio ao sobrepor-se à natureza, estabelece uma competição feroz entre todos e pretende tirar tudo da Terra, até que ela não consiga se reproduzir (é a lei do "ponha roda na mãe", nesse caso a mãe terra). Se ele assume o discurso ecológico é para ter ganhos com ele. Ademais, o capitalismo é incompatível com a vida. A vida pede cuidado e cooperação. O capitalismo sacrifica vidas, cria trabalhadores que são verdadeiros escravos "pro tempore" e pratica trabalho infantil em vários paises. Os negociadores e os lideres políticos em Copenhague ficaram reféns deste sistema. Esse barganha, quer ter lucros, não hesita em pôr em risco o futuro da vida. Sua tendência é autosuicidária. Que acordo poderá haver entre os lobos e os cordeiros, quer dizer, entre a natureza que grita por respeito e os que a devastam sem piedade? Por isso, quem entende a lógica do capital, não se surpreende com o fracasso da COP 15 em Copenhague. O único que ergueu a voz, solitária, como um "louco" numa sociedade de "sábios", foi o presidente Evo Morales: "Ou superamos o capitalismo ou ele destruirá a Mãe Terra".
Gostemos ou não gostemos, esta é a pura verdade. Copenhague tirou a máscara do capitalismo, incapaz de fazer consensos porque pouco lhe importa a vida e a Terra mas antes as vantagens e os lucros materiais.
14/01/2010
No prelo...
Amigos, meu livro (Mina) está no prelo, está sendo feito com muito carinho,
em breve avisareio o dia e o local do lançamento.
Abraços
Renata
em breve avisareio o dia e o local do lançamento.
Abraços
Renata
Assinar:
Postagens (Atom)










