27/08/2010

Bravos companheiros e Fantasmas IV (fotos) seminário do autor capixaba 2010

Amigos, este dois dias de seminário foram corridos e profícuos, assiti variadas mesas e gostei de todas. Vale destacar a maestria com que o professor e poeta Marcus Vinícius de Freitas abriu o evento, apresentando a produção poética de Miguél sob variados aspectos, especialmente no amoroso, bem como a presença do poeta Waldo Motta, em uma comunicação que analisava a teatralidade de sua poética (apresentada por Fernando Gaspari).
Bernadete Lyra (poderosa, salve, salve) estava presente e falou um pouco sobre sua obra inédita. Ninguém menos que o estudioso e crítico literário Deneval Siqueira falou sobre a obra desta escritora, tenho pena de quem perdeu!!!
Jorge Nascimento e Adolfo Miranda falaram sobre a obra do cronista José Carlos de Oliveira, uma ótima mesa.
 Paulo Sodré apresentou uma leitura sobre a obra de Maria Antonieta Tatagiba e por aí vai. Uma oportunidade ímpar dos estudantes e leitores estarem perto dos poetas e de ouvir sobre suas obras, me pergunto: Cadê os alunos? não só os da Ufes, mas os dos cursinhos, das escolas públicas... Houve uma mesa espetaculat sobre a obra de Adilson Vilaça (Identidade para os gatos pardos) que cairá no vest Ufes 2011, Waldo Motta também cairá no vestibular. Outro destaque para a mesa que tive a alegria de integrar, coordenada pela professora Ester Abrel Vieira de Oliveira (minha orientadora no doutorado), e partilhada com as colegas Andréia Delmaschio e Joana d'Arc Batista Herkenhoff (biógrafa de Miguel Marvilla). Priscila, viúva de Miguel e o acadêmico que  sucederá Miguel cadeira da Academia Espírito-santense de Letras, José Carlos Mattedi, vieram prestigiar a nossa apresentação. Seguem algumas imagens do evento.

19/08/2010

A carne é fraca... (Documentário do Instituto Nina Rosa)

Amigos, precisamos rever o nosso consumo. Se a humanidade não comesse carne, ou pelo menos diminuisse bastante a quantidade, uma quantidade seis vezes maior de pessoas no mundo teriam acesso a alimentos, o desmatamento diminuiria em 90%, o consumo de água doce diminuiria, e por aí vai... visitem o site da Nina Rosa e se interem do assunto...

12/08/2010

O fabuloso destino de catarina

 "Onça resgatada na Amazônia vira 'estrela de cinema' e ganha abrigo em Goiás" ( reportagem que li em um jornal de circulação nacional)

O 'fabuloso' destino de Catarina

A onça Catarina foi 'resgatada'
da Amazônia, imaginem, coitada!
Aquele matagal à perder de vista...
Dizem que 'teve a vida transformada,'
e agora,  será 'estrela de cinema'!
Será rainha na, já preparada, jaula de ouro.
Não precisará mais caçar,
lhe fizeram um outro grande favor:
escolheram o seu parceiro, o seu amor,
com quem  formará 'lindo par'.
Catarina precisará, apenas,
responder aos anseio alheios:
acasalar, procriar...
Fuc, fuc, fuc... o dia inteiro...
Disseram que Catarina 'é dócil':
-Não haverá problemas!
Mas, e se um dia, por acaso,
Catarina se rebelar e, enfurecida,
rugindo liberdade, arranhar a carne alheia,
com suas patas de poderosas guerreira?
Suponhamos, que ela decida que
 prefere a selva, o mato, a vastidão...
 onde pode correr, pular,  arranhar as árvores..
E se ela preferir caçar, e antes de comer
 brinçar com a presa?
Terão, estas mesmas 'gentis almas',
a mesma consideração?
A tragédia 'moderna' e seus atos,
atores ambíguos, simulacros...
Quem é quem, meu amigo?
quem é mocinho? quem é bandido?
O que e quem ganham com isso?
E a plátéia, anestesiada, bate fracas palmas,
e não tem força para um grito.

bairenatabomfim

Troféu Palmares: Elisa Lucinda- 2010

Amigos, Elisa Lucinda, que além de nos brindar com seu talento divulga a riqueza cultural do nosso estado mundo afora, está concorrendo ao Troféu Palmares 2010, vamos lá no site votar nela?
Eu já votei! (http://culturanegra.palmares.gov.br/enquete/)
Muito axé pra vocês
Renata

XII Congresso de Estudos Literários. Leitor, Leitora: literatura, recepção, gênero e Bravos companheiros e fantasmas

No dia 27/08- 18:30h- sala Guimarães Rosa - mesa 14, eu estarei apresentando um estudo sobre a obra poética Dédalo, de Miguél Marvilla, juntamente com Andréia Delmaschio, a profª Ester Abreu Vieira de Oliveira e Joana d’Arc Batista Herkenhoff. Contamos com sua presença.

23/07/2010

Florbela em canto

No cláustro, o silêncio ensurdece.
Fado? A alma resiste e canta.
Da mouraria chegam ecos de vozes distantes
Torres de marfim e vitrais formam
paços adornados com lágrimas e cristais.
Gotas brilhantes que correm pela face das monjas
e são, caprichosamente, colhidas
pelas mulheres e por homens que versejam em Portugal.
Ouço dizer de princesas ornadas e de virgens pálidas e febrís
 refletidas em vitrais espetaculares.
Seus sexos são cobertos de violetas masseradas
que perfumam e inebriam os pensamentos
desviando os caminhos de quem passa.
Seus sonhos sensuais aquecem o frio das celas de ouro
a simpliscidade de seus gestos contrastam com
o tesouro: pérolas e jades que saem de suas bocas rosadas.
-Oh! roseirais e lírios que perfumam os campos
- Oh! árvores que guardam os ninhos dos rouxinóis,
levem este canto, espalhem este odor e retornem, plenos.
Enxugo o pranto e te aguardo. Tudo o que vejo é santo é vivo,
causa espanto: o universo, o caos, a beleza.
-Astros dispersos iluminam verbos e letras inquietando
 amantes que nunca se tocaram. Que despertem na memória,
imagens que insistem em se tornar sangue e carne,
e ir para além de mim.
renatabomfim

Gris: lançamento do livro do poeta Wilbett Oliveira


17/07/2010

NUEVOS TIEMPOS

XXXXXXXXXXXXXXXXA Rubén Darío
Es la tarde gris y triste.
La princesita está triste.
Ya llora la princesa.

Las trompas guerreras resuenan
y las bombas de hidrógeno caen
cargadas de líos políticos, de odio y dolor.
(- Y no obstante hay tantos cisnes
que cantan dolores y amores.)
-¿Dónde los clarines y laureles? ¿Dónde?

Los hombres, centauros, guerreros,
de colores que gritan, que hierven
en venas de hielo y acero,
en embajadas se cierran,
dejando ensueños de princesitas
en el humo de fábricas,
y en las torres del negro petróleo,
(- ¡Y no obstante hay cisnes!...)

Ya no se ven chimeneas de casas gentiles...
Ya no siente fragancia de rosas en el aire...
Y los coches echando el negro petróleo de sus chimeneas,
envuelven el mundo de noches
de humo, de prisa y de muerte.
(- Y no obstante los cisnes cantan!...)

La princesita llora
los tiempos de paz
y ternura.

 ¿Dónde las rosas, laureles, clarines?


Poema de Ester Abreu Vieira de Oliveira- Poeta e presidente da Academia Espírito-Santense de Letras.

A REMISSÃO DE CAIM

“Amo o canto do Tzentzontle, pássaro de quatrocentas vozes,
amo a cor do jade e o enervante perfume das flores, mas amo mais
a meu irmão, o homem.” (Fragmento de poesia pré-colombiana
 composta por Acolmiztli-Nezahualcóyotl, Rei de Texcoco).


Caim era jovem e costumava passear
pela vasta terra. O paraíso,
mesmo perdido, não se encerrara.
O jovem ousava, como Eva, queria saber, 
descobrir, desvendar, conhecer...

Seu irmão não vira, também, a exuberância
do antes, nem da terra e dos seus frutos queria saber.
Abel desdobrava-se em atenções, para dar ao Absoluto
a oferenda perfeita,  sangue inocente de animal.
Caim não se importava, mas acidentalmente mata
o mais amado, o filho preferido de Adão e de Deus.

Ele correu desesperado ao ver o sangue do irmão
colorindo a terra virgem.  Abel caíra sobre a  faca
enquanto brincavam perto do rio. Caim foi chamado de
assassino, e seu pai, prenhe de fraqueza
culpou Eva, que suportou  mais esta injúria, qual  fortaleza.
A costela envelhecida de Adão não gerava mais vida,
mal sustentando a  palavra esquecida e a carne preguiçosa.

Caim recebeu da Grande Mãe o apoio e implorou perdão,
Abel havia morrido acidentralmente, ele também sofria,
pois perdera o seu único irmão e com ele a fé, a paz e a alegria.
A pecadora mor o acolheu, enquanto o covarde inexpressivo,
em prantos, o amaldiçoava e exigia que partisse para nunca mais voltar.

Caim aceitou a pena do destino, recebeu a marca do ódio,
e desde então vagaria, a ermo.Por onde  passava era reconhecido,
amado e odiado, buscou abrigo no tempo, descansando na errância
acostumou-se ao desprezo daqueles que, iguais, lhe invejavam a diferença.

Antes de morrer decidiu voltar, tinha então setecentos anos.
O  lar lhe era estranho, ou seria ele a se estranhar?
Lembrou-se que havia conhecido a alegria e a desgraça naquele lugar.
Fechou um ciclo, fechou os olhos e sussurrou baixinho: Obrigado!
A terra ouvindo a oração, abriu devagar os braços
e disse: - Filho, vem! deita e descansa.Caim obedeceu,
se deitou onde um dia tombara o Abel,
lembrou-se do irmão com amor e saudades, olhou o céu,
sentiu a brisa e, desde então, passou a sonhar coisas de criança.
bai renata bomfim

16/07/2010

Entre a luz e a escuridão

Entre a luz e a escuridão
há um rasgo,
uma fissura,
Por onde o tempo espia.
De lá se contrai,
em dores, a ternura.
E já nascemos na bruteza,
com um grito embargado na garganta,
que quando liberto,
revela ecos de outras vidas,
palavras-trama e
somos postos entre
o estro e a afasia.
Sempre em busca da beleza,
a alma, só na arte se encontra,
aprende a plasmar a terra e a si,
sua ferramenta, o coração.
E para valiadar a existência,
transforma o caos em esperança,
recria, se pari fora do tempo,
nas asas da poesia.

bai renata bomfim