João Cabral de Melo Neto é Pernambucano e nasceu em 1920. Parente de do poeta Manuel Bandeira e de Gilberto Freire, o poeta passou a infãncia nos engenhos de açúcar da família, mudando-se para Recife em 1930. Dão forma à sua obra poética imagens características do sertão e de sua vivência no engenho: os retirantes, a cana de açúcar, as paisagens secas, animais e pessoas, experiências que foram acrescidas com o seu trabalho como diplomata e por suas amizades. A educação pela pedra, foi publicado em 1965 e apresenta um rigor estético marcado pelas rimas tonantes, bem como como pela regularidade dos traços visuais. São 48 poemas divididos em 4 partes , cada uma dessas partes com 12 poemas. A arqueitetura dessa obra reflete o seu planejamento, alguns poemas desdobram-se em outros, revelando contradições, como por exemplo, os poemas O mar e o canavial, e O canavial e o mar. JCMN dividiu-se entre o sertão e a cidade Espanhola de Sevilha, que adotou e cantou em muitos poemas. Os poemas Coisas de cabeceira, Recife e Coisas de cabeceira, Sevilha, há a poetização da vida a partir de objetos que dão forma a guardados da memória, ou seja, a própria memória torna-se responsável por organizar tais objetos para que não se percam e resistam à corrosão do tempo. O crítico Antônio Cândido destaca que "a poesia nasce de uma determinada realidade social". Assim, percebemos que o fazer poético de Cabral está intimamente ligado á memória. O símbolo pedra vincula-se a esta resistência ao tempo que é, também, uma obcessão para o poeta, que as reune para criar formas como em uma construção. JCMN estabelceu variados diálogos, tanto com profissionais do campo das letras, quanto de outras áreas, entre eles: Carlos Drummond Andrade. O poeta repudiava a música como modelo para a construção da linguagem e Drummond, com seu verso seco e contido, lhe abriu novos horizontes dentro da poesia. Murilo Mendes foi outra referência importante, com ele Cabral aprendeu o valor e o poder das imagens, optou pelo plástico ao invés da música, mas o poeta não se deixou levar pelo estado emocional, para ele o fazer poético não se submetia à inspiração e sim à construção sistemática. O rigor de mallarmé auxiliou Cabral na construção de uma linguagem organizada , bem como o construtivismo de Pablo Picasso e obra de Juan Miró, seu amigo pessoal. para JCMN "o poema é escrito pelo olho crítico", o que obriga o leitor de sua obra a racionalizar, o que o tira da condição passiva. O crítico José Catello diz que "JCMN soube herdar influências, mas soube com a mesma facilidade as jogar fora". O poeta possui um estilo único e próprio que pode ser observado na obra A educação pela pedra. Esta é tratada como anti-poesia (anti-lira), e mostra a maturidade do poeta e suas experimentações poéticas, obra marca o rompimento deste com o romantismo e o comprometimento com a arquitetura do poema. O poema Catar feijões, por exemplo, utiliza advérbios (ora, pois, certo) e construções para estruturar o texto. O poeta também utiliza como ferramentasno construto poético as aliterações, ou seja, a utilização de sons semelhantes, para dar ritmo ao poema e fugir da necessidade da musicalidade, um exemplo é o poema Tecendo a manhã. No campo do poema as palavras não se esgotam, elas vão sendo redefinidas e o texto ganha novos contornos, remetendo a outros textos. As palavras são dados concretos a serem trabalhados pelo leitor em um procedimento que se chama permutação: O canavial e o mar, O mar e o canavial. cabral rompeu com o mito da inspiração romantica, a poesia deixa de ser escrava do sentimento do poeta, tornando-se matéria prima que se submete a sua organização e ao rigor da sua construção.Renata Bomfim
Doutoranda em letras-Ufes





