Lua
vais partir
para onde?
Para longe
de mim ou
da poesia?
renatabomfim
22/09/2010
No-materialidad
Yo-piedra necesito
escindir
romper
partir
hacerme mil
pero no puedo.
Sería más fácil cultivar la gloria que,
bajo el sol, es vana
Yo-agua necesito verterme
fluir
inundar
pero no puedo.
Sería más fácil empaparme de deseos
y ganas sin sentido que,
bajo el sol,
son apenas vanidades.
Yo-planta podría florecer
nutrirme
multiplicarme,
pero no puedo.
Sería más fácil entregarme
al egoísmo parásito
que corroye e intoxica
Sí, sería mucho más fácil oír la voz
de uno yo engañoso
que calla voces inflamadas
enmascarando la verdadera identidad
la cósmica
Yo superior, big bang latente
de acciones de paz y de solidariedad.
Yo-no-y, ¡TÚ!
Que brote de nosotros la luz imprescindible
que manen de las cabezas y de los corazones
de hombres y mujeres, letras benditas y
que ellas confluen en espacios de bien-decir.
Que de esa unión nazca huraño el otro ser,
que llegue deshaciendo malentendidos.
Que se manifieste un nuevo tiempo
de brotadura sobre la tierra
para acabar con el hambre de sentido,
que brote poesía, canto de paz
para una nueva era.
Tradução para o espanhol: Ester Abreu Vieira de Oliveira
escindir
romper
partir
hacerme mil
pero no puedo.
Sería más fácil cultivar la gloria que,
bajo el sol, es vana
Yo-agua necesito verterme
fluir
inundar
pero no puedo.
Sería más fácil empaparme de deseos
y ganas sin sentido que,
bajo el sol,
son apenas vanidades.
Yo-planta podría florecer
nutrirme
multiplicarme,
pero no puedo.
Sería más fácil entregarme
al egoísmo parásito
que corroye e intoxica
Sí, sería mucho más fácil oír la voz
de uno yo engañoso
que calla voces inflamadas
enmascarando la verdadera identidad
la cósmica
Yo superior, big bang latente
de acciones de paz y de solidariedad.
Yo-no-y, ¡TÚ!
Que brote de nosotros la luz imprescindible
que manen de las cabezas y de los corazones
de hombres y mujeres, letras benditas y
que ellas confluen en espacios de bien-decir.
Que de esa unión nazca huraño el otro ser,
que llegue deshaciendo malentendidos.
Que se manifieste un nuevo tiempo
de brotadura sobre la tierra
para acabar con el hambre de sentido,
que brote poesía, canto de paz
para una nueva era.
Tradução para o espanhol: Ester Abreu Vieira de Oliveira
18/09/2010
Exposição "Humanidades Extemporâneas" (Tchello d'Barros), palestra e lançamento da antologia Multiplas vozes (AFESL)
Aliança Francesa de Vitória
de 23 de setembro de 2010 a 23 de outubro de 2010
Informações: (27) 3345 1498
Academia Feminina Espírito-santense de Letras/AFESL
Convida a seus amigos e simpatizantes para o lançamento da Antologia Múltiplas Vozes,
Dia 07 de outubro/ 2010, a partir das 19 horas,
na Biblioteca Publica Estadual
Informações: (027) 3137-9349.
Todos os valores arrecadados serão destinados à AFECC.
Palestra AFESL:
A TRAJETÓRIA DAS MULHERES
com Maria Inês de Moraes Marreco
Dia 19 de outubro de 2010 as 16 h (4 horas)
na Biblioteca Pública Estadual /ES
XIV CONGRESSO BRASILEIRO DE PROFESSORES DE ESPANHOL (19 a 23 de julho de 2011) e II Encontro de Traduçlão e ensino Ufes
Turma do espanõl, o XIV Congresso Brasileiro de Professores de Espanhol e o II Seminário Nacional da Copesbra (Comissão Permanente para Implantação do Espanhol no Sistema Educativo Brasileiro), que acontecerão na Faculdade de Educação e no Instituto de Letras da Universidade Federal Fluminense (UFF), Campus do Gragoatá, de 19 a 23 de julho 2011. Dúvidas e sugestões a respeito dos eventos podem ser encaminhadas a cbpe2011@gmail.com
II Encontro Tradução & Ensino, de 6 a 8 de outubro, das 8:00 às 18:00 horas, no Centro de Ciências Humanas e Naturais da UFES. Local: Auditório Décio Cunha, prédio IC-2.
* Eixos temáticos: a) Tradução e Ensino; b) Tradução e Ensino de Línguas; c) Tradução e Literatura; d) Tradução e Estudos Interculturais.
http://www.quintahabilidade.ufes.br/node/7
II Encontro Tradução & Ensino, de 6 a 8 de outubro, das 8:00 às 18:00 horas, no Centro de Ciências Humanas e Naturais da UFES. Local: Auditório Décio Cunha, prédio IC-2.
* Eixos temáticos: a) Tradução e Ensino; b) Tradução e Ensino de Línguas; c) Tradução e Literatura; d) Tradução e Estudos Interculturais.
http://www.quintahabilidade.ufes.br/node/7
O gato rei
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Para Elvis
Ele aproximou-se
exangue, o gato rei.
Seu olhar
di(amante)
dizia que fora picado
pelo mesmo bicho
que vitimara Romeu,
Júlio Cesar, Garibaldi e
Abelardo.
Pulou sobre o meu peito
com a ferocidade de um leão.
As suas (benditas) garras
lanharam a minha carne
rasgaram as fibras
marcaram pulmões, coração.
Agora sou súdita fiél,
sempre pronta a satisfazer-lhe
os desejos mais peludos.
Sou sua humana
de estimação.
Ele aproximou-se
exangue, o gato rei.
Seu olhar
di(amante)
dizia que fora picado
pelo mesmo bicho
que vitimara Romeu,
Júlio Cesar, Garibaldi e
Abelardo.
Pulou sobre o meu peito
com a ferocidade de um leão.
As suas (benditas) garras
lanharam a minha carne
rasgaram as fibras
marcaram pulmões, coração.
Agora sou súdita fiél,
sempre pronta a satisfazer-lhe
os desejos mais peludos.
Sou sua humana
de estimação.
13/09/2010
A literatura portuguesa em foco: Entrevista com a profª Drª Ana Luisa Vilela/ Évora-Portugal
Amigos, realizei esta entrevista com a profª Drª Ana Luisa Vilela, do Departamento de Linguistica e Literatura da Universidade de Évora/ Portugal. Deixo registrado o meu agradecimento a Ana Luisa pela prontidão com que aceitou o meu convite e pela gentileza que permeou todo o processo.
1- Como a Sra. avalia o cenário e perspectivas do ensino de literatura (mestrado e doutorado) em Portugal?
1- Como a Sra. avalia o cenário e perspectivas do ensino de literatura (mestrado e doutorado) em Portugal?
Estou sinceramente animada, Renata: há muita gente apaixonada por Literatura, com vontade de a estudar mais profundamente, de ler mais e melhor. Muitos dos alunos de mestrado são professores de Português do ensino secundário (no Brasil, ensino médio); mas outros vêm de outras áreas, talvez procurando na Literatura um complemento da sua formação, um domínio que lhes falta… Nas universidades públicas portuguesas, os cursos de mestrado são em maior número, já, do que os cursos de licenciatura! Por um lado, não são excessivamente caros, nem longos. Por outro lado, como as licenciaturas em Portugal, conformes à célebre “Declaração de Bolonha”, são agora todas de 3 anos (e não de 4 ou 5 anos, como eram dantes), os mestrados vulgarizaram-se. E como o desemprego também grassa por aqui, continuar os estudos é uma opção de cada vez mais recém-licenciados… O número de inscrições em cursos de doutoramento também tem, evidentemente, aumentado. Mas ainda é substancialmente menor do que o dos mestrados.
2- Quais as linhas de pesquisa que tem se destacado e quais os diálogos que os estudos literários tem ensaiado e/ou consolidado com outros campos do saber?
É engraçado você perguntar-me isso, Renata, justamente quando acabo de chegar de um congresso de da Associação Internacional de Literatura Comparada (em Seul, na Coreia do Sul), que teve como tema “Expandindo as fronteiras da Literatura Comparada”!... A LC sempre foi provavelmente o campo mais vasto e mais deliberadamente interdisciplinar dos estudos literários. Imagine quando se pede a investigadores de todo o mundo que reflitam sobre como “expandir” esses limites tão amplos e tão flexíveis!...
Bem, a nível global, teremos mesmo de apontar a inevitável miscigenação (ou fertilização) da Literatura com os Estudos Culturais, os estudos sobre literaturas ditas “minoritárias”, os Estudos de Tradução; em complemento à globalização, ganham preponderância a redescoberta e a revalorização das culturas e literturas dos países emergentes, assim como as das questões ambientais, da Natureza e da tecnologia, da raça, género, etnia, cultura, identidade e alteridade, ideologia, ensino, religião, conflitos e sua mediação… Cruzemos ainda a velhinha noção de Literatura com a chamada “Idade Hipertextual” – e temos um quadro estonteante de perspetivas e diálogos!
3- A Sra é pesquisadora da poesia dos séculos XIX, XX e da poesia contemporânea. Quais poetas a Sra destacaria em cada um destes períodos e por quê?
Os maiores, canónicos e mais justamente lidos: Cesário Verde, Camilo Pessanha, António Nobre, Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade, António Ramos Rosa.
Os que merecem ser mais lidos: João de Deus, António Feijó, Gonçalves Crespo, Eugénio de Castro, José Régio, Albano Martins.
4- Quais aspectos da obra de Eça de Queiroz estão sendo pesquisados pela Sra?
Bem, ando às voltas com a edição crítica d’O Mistério da Estrada de Sintra. Recentemente, tive de estudar mais a sério a vertente “político-ideológica” do Eça e fiquei assombrada. Mas aquilo que mais me atrai, ainda, e sempre, é a forma misteriosa como Eça representa e como magicamente provoca no leitor a sensação “física” do real: a hipotipose. Palavra estranha (parece nome de doença!) mas que designa uma coisa que todo o leitor do Eça reconhece nos seus textos – a impressão que eles dão de serem “realidade viva”. Esse é para mim o mais fascinante traço da escrita queirosiana.
5- Como a Sra avalia a recepção da obra de Florbela Espanca hoje, e o que destacaria como sendo seu legado à poesia produzida por poetas que a sucederam?
A recepção de Florbela é um grande desafio para a crítica académica: continua pujante; é impossível ignorá-la; Florbela é uma escritora hiperpopular; mesmo que o público nada mais conheça dela, conhece-lhe o nome, a pose, a lenda. Essa popularidade de “star” terá feito dela, postumamente, um poeta “de massas”. Irá essa popularidade canonizá-la? Não sei. Sei que ela talvez exija que Florbela ocupe um lugar maior no cânone – mesmo concedido de má vontade, com escrúpulos académicos e teóricos, com dúvidas, com desconforto…
É difícil avaliar o “legado” de Florbela: ela não terá sido propriamente uma precursora, sobretudo a nível técnico-formal. Tematicamente, inovou, sim: com o seu pendor narcísico, um erotismo por vezes escancarado e vulcânico, por vezes místico e sublimado, uma sentimentalidade torrencial, um culto do excesso. Quem “influenciou”? Diria que nenhum autor; mas todos os leitores, sim. Todos aqueles que a leram aos quinze anos. A energia terrível da adolescência está lá toda, nos versos dela, e nós amamo-la por isso. Nunca nos “curamos” de Florbela: ela é, exatamente, incurável. Como nós.
6- Professora, no Brasil, imagino que também em Portugal, existe uma profusão de estudos acerca da obra de poetas como Fernando Pessoa, Camões, Saramago, Eça de Queiroz, escritores estabelecidos pelo cânone. Em sua opinião há ainda algum escritor dos séculos XIX e/ou XX que tenha sua obra pouco estudada e mereça maior atenção por parte dos pesquisadores?
Renata, não é fácil escolher, porque, feliz ou infelizmente, há muitos bons escritores que valeria a pena estudar mais. Mas mesmo assim arrisco dois nomes (além do de Florbela!) – e um é do século XVIII, desculpe:
- Matias Aires (1705-1763), aliás luso-brasileiro, ensaísta brilhante e teorizador sobre a vaidade, as mulheres e o amor;
- e Raul de Carvalho (1920-1984), poeta alentejano que eu, ignorante, só descobri há pouco tempo, e na obra do qual - em versos por vezes fulgurantes, por vezes banais – há uma quase sempre uma poderosa “energia expressiva”, parecida até certo ponto com a da também alentejana Florbela.
ANA LUÍSA VILELA
Professora de Literatura Portuguesa na Universidade de Évora. Ensina e investiga nos domínios da Literatura Portuguesa dos séculos XIX e XX (sobretudo Eça de Queirós, Florbela, Torga, Sophia, Agustina) e da Literatura Comparada (Literatura e Arte, Imagologia e Estudos sobre o Imaginário).
O pisca-pisca e o ensino da Literatura Portuguesa na Universidade de Varsóvia
«O drama a é a espressão literária mais verdadeira do estado da sociedade.» Almeida Garrett, Memória ao Conservatório Real (1843)
A prática (no sentido primordial do termo) da Literatura Portuguesa no Instituto de Estudos Ibéricos e Iberoamericanos da Universidade de Varsóvia e no seu Departamento Luso-Brasileiro criado em 1977 solidifica-se na actividade do pisca-pisca, i. e., do Grupo de Teatro Português da Universidade de Varsóvia (GTP UV; http://iberystyka-uw.home.pl/content/view/160/93/lang,pt/) e na modernização de textos literários. Este grupo de teatro universitário foi fundado no ano lectivo de 1997/98 e tem servido, até hoje, no apoio à aprendizagem de Português Língua Estrangeira. A Literatura Portuguesa continua a ter, também, a sua presença muito bem marcada no pisca-pisca. Por exemplo, no ano lectivo 2001-2002 encenou-se uma comédia romântica A Farsa de Sónia Pereira, baseada na Farsa de Inês Pereira de Gil Vicente. No cartaz do GTP UV, apareceram, entre outros: O Auto da Barca do Inferno e o Auto da Índia do Mestre Gil, Uma História Sem Camisa de A. Pires Cabral, Antes de Começar de Almada-Negreiros, uma adaptação do folhetim Maria! Não me mates que sou tua mãe! de Camilo Castelo Branco, e, na época de Junho – Dezembro de 2007 um Sorteio da Literatura Portuguesa, uma graciosa revista dos maiores mestres da mesma, desde D. Dinis até Fernando Pessoa cujos heterónimos passaram a jogar a bola no desfecho da última cena. Sem postergar Os Filhos do Facebook, uma última produção teatral nossa de livre invenção, realizada em Junho de 2010. Optou-se, destarte, pela continuação da encenação de comédias sendo assegurada, a excelente reacção do público. E pela mais engenhosa combinação do ensino e da prática da Literatura Portuguesa. Deixámos de reflectir sombras do talento literário lusitano numa caverna universitária, mas sim – esperemos que sim – contribuimos para a posterioridade engenhosa pela e com a Língua e Literatura Portuguesas na Polónia. O resultado esperado deste processo será, no nosso entender, um estudante adulto polaco, falante de Português (na versão continental ou brasileira) e leitor activo da Literatura Portuguesa, capaz de analisar obras de autores lusófonos (também no palco), traduzi-las para polaco e enquadrá-las no horizonte dos seus conhecimentos de cultura.
Acreditamos, pois, que «o drama é a expressão literária mais verdadeira do estado da sociedade; a sociedade de hoje ainda se não sabe o que é, o drama ainda se não sabe o que é: a literatura actual é a palavra, é o verbo, ainda balbuciante, de uma sociedade indefinida, e contudo já influi sobre ela; é, como disse, a sua espressão, mas reflecte a modificar os pensamentos que a produziram», citando as imortais palavras de Almeida Garrett da Memória ao Conservatório Real (lida em 6 de Maio de 1843), a despeito de uma opinião alheia que possa afirmar injustamente que «na Polónia nunca chegou a haver teatro português» (para parafrasear as palavras iniciais da Introdução a Um Auto de Gil Vicente do mesmo autor). Chegou, sim, e o pisca-pisca, o grupo de teatro português na universidade de Varsóvia continua a retratar os interesses, as veleidades e as obsessões da comunidade estudantil lusofalante, cada vez mais numerosa na Polónia. Sem exageros, podemos concluir que o drama português é a expressão mais verdadeira do estado da sociedade estudantil na Polónia; a sociedade que hoje sabe cada vez melhor o que é! E assim tem que ser, e assim será. Levante-se o pano.
Anna KALEWSKA é Professora Associada do Instituto de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos da Universidade de Varsóvia, Polónia, “doutora de segundo grau (dr. hab.)”, segundo o estatuto da carreira docente polaco. É investigadora quer no âmbito da cultura lusófona, da literatura e do teatro de expressão portuguesas, quer no âmbito da literatura comparada. Publicou dois livros, Camões, czyli tryumf epiki (Camões, ou o triunfo da épica), 1999, e Baltasar Dias e as metamorfoses do discurso dramatúrgico em Portugal e nas Ilhas de S. Tomé e Príncipe. Ensaio histórico-literário e antropológico, 2005, ambos na Editora da Universidade de Varsóvia. Traduziu, entre outros, As Naus de António Lobo Antunes, Editora WAB, Varsóvia 2002. Estudou em Portugal com bolsas do Instituto Camões e da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa. Participou em colóquios e congressos nacionais e internacionais. É vogal da Associação Internacional de Lusitanistas (A.I.L) e membro da CompaRes – Associação Internacional de Estudos Ibero-Eslavos em Lisboa. Publicou mais do que uma centena de artigos e trabalhos de investigação e de inspiração literárias, em polaco e em português, em revistas polacas, portuguesas (Diacrítica, Braga; Revista de Letras, UTAD), brasileiras (Projeções, Curitiba) e na Revista da A. I. L. VEREDAS. Vive em Varsóvia.
Acreditamos, pois, que «o drama é a expressão literária mais verdadeira do estado da sociedade; a sociedade de hoje ainda se não sabe o que é, o drama ainda se não sabe o que é: a literatura actual é a palavra, é o verbo, ainda balbuciante, de uma sociedade indefinida, e contudo já influi sobre ela; é, como disse, a sua espressão, mas reflecte a modificar os pensamentos que a produziram», citando as imortais palavras de Almeida Garrett da Memória ao Conservatório Real (lida em 6 de Maio de 1843), a despeito de uma opinião alheia que possa afirmar injustamente que «na Polónia nunca chegou a haver teatro português» (para parafrasear as palavras iniciais da Introdução a Um Auto de Gil Vicente do mesmo autor). Chegou, sim, e o pisca-pisca, o grupo de teatro português na universidade de Varsóvia continua a retratar os interesses, as veleidades e as obsessões da comunidade estudantil lusofalante, cada vez mais numerosa na Polónia. Sem exageros, podemos concluir que o drama português é a expressão mais verdadeira do estado da sociedade estudantil na Polónia; a sociedade que hoje sabe cada vez melhor o que é! E assim tem que ser, e assim será. Levante-se o pano.
Grupo de teatro Pisca-pisca
Anna KALEWSKA é Professora Associada do Instituto de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos da Universidade de Varsóvia, Polónia, “doutora de segundo grau (dr. hab.)”, segundo o estatuto da carreira docente polaco. É investigadora quer no âmbito da cultura lusófona, da literatura e do teatro de expressão portuguesas, quer no âmbito da literatura comparada. Publicou dois livros, Camões, czyli tryumf epiki (Camões, ou o triunfo da épica), 1999, e Baltasar Dias e as metamorfoses do discurso dramatúrgico em Portugal e nas Ilhas de S. Tomé e Príncipe. Ensaio histórico-literário e antropológico, 2005, ambos na Editora da Universidade de Varsóvia. Traduziu, entre outros, As Naus de António Lobo Antunes, Editora WAB, Varsóvia 2002. Estudou em Portugal com bolsas do Instituto Camões e da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa. Participou em colóquios e congressos nacionais e internacionais. É vogal da Associação Internacional de Lusitanistas (A.I.L) e membro da CompaRes – Associação Internacional de Estudos Ibero-Eslavos em Lisboa. Publicou mais do que uma centena de artigos e trabalhos de investigação e de inspiração literárias, em polaco e em português, em revistas polacas, portuguesas (Diacrítica, Braga; Revista de Letras, UTAD), brasileiras (Projeções, Curitiba) e na Revista da A. I. L. VEREDAS. Vive em Varsóvia.
Quero agradecer A professora Anna por compartilhar conosco esta experiência e ao amigo Fábio Mário, correspondente especial do Letra e Fel em Portugal.
IV Encuentro de la Hispanidad: trans-acciones interculturales
Olá amigos, segue informativo acerca do IV Encuentro de la Hispanidad: trans-acciones interculturales, que se realizará de 07 a 11 de junho de 2011 na UFRR.
Chamada para trabalhos: a primeira circular com chamada de trabalhos de docentes (mesas e minicursos), com prazo de até 08 de novembro de 2010. O evento tem como objetivo promover a interação e o diálogo entre estudiosos e pesquisadores brasileiros e hispânicos da área de letras hispânicas e demais áreas das ciências sociais e humanas que tenham em comum os estudos da língua, literatura, arte, cultura, antropologia, ciências sociais, geografia, relações internacionais e história dos países hispânicos em suas pesquisas e atividades acadêmicas. Os trabalhos deverão versar sobre estudos hispânicos, podendo ser apresentados em espanhol ou em português, e se filiar a um dos eixos temáticos abaixo:
Chamada para trabalhos: a primeira circular com chamada de trabalhos de docentes (mesas e minicursos), com prazo de até 08 de novembro de 2010. O evento tem como objetivo promover a interação e o diálogo entre estudiosos e pesquisadores brasileiros e hispânicos da área de letras hispânicas e demais áreas das ciências sociais e humanas que tenham em comum os estudos da língua, literatura, arte, cultura, antropologia, ciências sociais, geografia, relações internacionais e história dos países hispânicos em suas pesquisas e atividades acadêmicas. Os trabalhos deverão versar sobre estudos hispânicos, podendo ser apresentados em espanhol ou em português, e se filiar a um dos eixos temáticos abaixo:
· Trans-ações linguísticas;
· Trans-ações literárias;
· Trans-ações históricas;
· Trans-ações sociais;
· Trans-ações internacionais;
. Trans-ações teóricas.
O publico alvo da primeira circular é:
· Proponentes (professores e pesquisadores) dedicados aos estudos hispânicos com trabalhos concluídos ou em andamento voltados aos diálogos interculturais.
· Proponentes (professores e pesquisadores) dedicados aos estudos de língua portuguesa como língua estrangeira para nativos de língua espanhola com trabalhos concluídos ou em andamento voltados aos diálogos interculturais.As inscrições deverao ser feitas diretamente com um dos membros da comissao citados abaixo:
Evodia Braz – evodia.braz@yahoo.es
11/09/2010
O canto da harpia
Cansei de ser sereia.
Cortei os cabelos,
As unhas cresceram.
No lugar das escamas,
indecentes e fortes plumas,
em tons de branco e cinza.
No alto da cabeça,
a crista erotizada,
eriça ao menor ruído.
Abro imensas asas,
Solto um grito.
Os olhos, de repente,
enxergam além.
Cansei de afogar marinheiros,
de cantar para a morte
dos despenhadeiros
e das rochas frias.
Assim como um bebê
saído do ventre,
saúdo a vida.
Mergulho fundo
no azul salpicado de lilases
do fim do dia e,
renasço de manhãzinha,
embriagada pelo amarelo
Ouro
desse universo
selvagemente novo.
renatabomfim
Cortei os cabelos,
As unhas cresceram.
No lugar das escamas,
indecentes e fortes plumas,
em tons de branco e cinza.
No alto da cabeça,
a crista erotizada,
eriça ao menor ruído.
Abro imensas asas,
Solto um grito.
Os olhos, de repente,
enxergam além.
Cansei de afogar marinheiros,
de cantar para a morte
dos despenhadeiros
e das rochas frias.
Assim como um bebê
saído do ventre,
saúdo a vida.
Mergulho fundo
no azul salpicado de lilases
do fim do dia e,
renasço de manhãzinha,
embriagada pelo amarelo
Ouro
desse universo
selvagemente novo.
renatabomfim
10/09/2010
Despertar
Desperta!
Acorda pleno e olha,
És imagem:
Traços, cores, texturas,
Contornos espetaculares.
Tua tribo anseia e canta,
Nasce a música
Brota a dança
Coreografia de milhares.
O alimento é comum:
Miséria, angústia, esperança...
Desperta!
Acorda pleno e sente
És letra!
Símbolos e marcas
Adornam teu corpus,
te abençoam com a imortalidade.
Recorda teu sonho, mito:
Astros em conjunção,
Rituais de vida e de morte.
Pariste fantasia!
A alma existe?
Desperta e ama o saber: filosofia!
Desperta tudo o que dormita:
Emoção, mímica, interjeição...
Transita no rítmo
Explode e goza num grito
Poesia!
renatabomfim
Acorda pleno e olha,
És imagem:
Traços, cores, texturas,
Contornos espetaculares.
Tua tribo anseia e canta,
Nasce a música
Brota a dança
Coreografia de milhares.
O alimento é comum:
Miséria, angústia, esperança...
Desperta!
Acorda pleno e sente
És letra!
Símbolos e marcas
Adornam teu corpus,
te abençoam com a imortalidade.
Recorda teu sonho, mito:
Astros em conjunção,
Rituais de vida e de morte.
Pariste fantasia!
A alma existe?
Desperta e ama o saber: filosofia!
Desperta tudo o que dormita:
Emoção, mímica, interjeição...
Transita no rítmo
Explode e goza num grito
Poesia!
renatabomfim
08/09/2010
Vampiro vegano
Vou ceder aos vampiros
quem sabe assim
vendo algum livro.
Mas imagino uma
entidade diferente:
com sangue quente,
roupas brancas,
resplandescentes,
olhar de cigano.
Amigo das pessoas,
Não cospe na cruz,
Aprecia alho.
Aprecia alho.
Um vampiro vegano!
Ele será o terror dos feirantes e,
na calada da noite,
invadirá quitandas e hortifrutis
em busca de clorofila.
Preferirá os orgânicos
e os sem conservantes.
Sugalos-á com prazer e
sem compaixão,
até que restem somente as fibras.
Esta dieta será o segredo
de seu poder e eternidade.
Nada será mais assutador
e nem mais bizarro
e nem mais bizarro
que um vampiro sarado e
com baixo colesteról.
renatabomfim
07/09/2010
Posse na Academia Espírito-Santense de Letras e Palestra na Biblioteca Pública Estadual
A Academia Feminina Espírito-Santense de Letras promove no dia 14 de setembro, na Biblioteca Pública Estadual, na Praia do Suá, às 16 horas, uma palestra com a a Profa. Me. Vanda Luíza de Souza Neto, cujo tema é “Lídia Bessouchet, a embaixadora das artes”.
No dia 16 de setembro, às 19 horas, no auditório da Aliança Francesa de Vitória, Anaximandro Oliveira Santos Amorim tomará posse na cadeira 40 da Academia Espírito-Santense de Letras. Na ocasião será lançado o livro "A História de um Sobrevivente", quarto na carreira do escritor. Estão todos convidados.
04/09/2010
Renascimento
Cante sobre meus ossos
para que eu reviva.
Empreste-me a tua carne.
Deixe que eu renasça
de tuas entranhas.
Estranha
até mesmo para mim.
Plena.
Conjugada.
Assim misturada
serei o fruto do teu amor
Cante sobre meus ossos
para que todos os ciclos se fechem
e os astros se alinhem.
Banhe com tuas lágrimas
o meu esboço.
Serei argila,
América indígena,
Pedra,
Árvore,
Fonte.
Fera indomável.
Não me possua e nem me cultive.
Deixe-me assim.
Te acolherei amorosamente
Livre.
renatabomfim
para que eu reviva.
Empreste-me a tua carne.
Deixe que eu renasça
de tuas entranhas.
Estranha
até mesmo para mim.
Plena.
Conjugada.
Assim misturada
serei o fruto do teu amor
Cante sobre meus ossos
para que todos os ciclos se fechem
e os astros se alinhem.
Banhe com tuas lágrimas
o meu esboço.
Serei argila,
América indígena,
Pedra,
Árvore,
Fonte.
Fera indomável.
Não me possua e nem me cultive.
Deixe-me assim.
Te acolherei amorosamente
Livre.
renatabomfim
03/09/2010
O Mosteiro Zen Morro da Vargem (Ibiraçu/ES) e o programa COMPAZ
Resumo: Mediante os altos índices de violência no Brasil torna-se imperativo que as polícias estejam preparadas para interagir com a sociedade e combater o crime e a violência. A capacitação do policial militar precisa focar a importância da reconstrução dos espaços públicos o que, segundo Bauman (2007), “exige a construção e reconstrução de vínculos pessoais”. A vivência socioambiental de arteterapia integrou o Programa de Educação ambiental do Mosteiro Zen Morro da Vargem denominado COMPAZ: A ética Policial e a Vivência socioambiental com este intuito, conscientizar da importância do diálogo, e da ética para a construção de uma sociedade mais pacifica e sustentável. O COMPAZ/ 2008 foi realizado com alunos soldados da Polícia Militar do Espírito Santo no decorrer dos meses de abril e maio de 2008 e atendeu a 310 alunos soldados tendo também a participação de 6 sargentos e 2 soldados da PM/ES, em 2009 o programa atendeu à equipe da Polícia Militar ambiental do ES, em torno de cento e sessenta e cinco policiais e comando e em 2010 a outra equipe da Policia Militar ambiental. Este trabalho busca mapear a vivência socioambiental de arteterapia desde sua elaboração e desenvolvimento até aos resultados alcançados. Dentro da proposta do COMPAZ/ 2008, buscou-se construir, tendo como aporte teórico a Carta da Terra, uma atividade teórico-prática-reflexiva de sensibilização para as questões socioambientais, buscando despertar para a importância da responsabilidade de cada um para consigo e com o outro, considerando este outro (incluindo a natureza) um ser da alteridade.
O Mosteiro Zen Morro da Vargem- Ibiraçu/ ES
O Mosteiro Zen Morro da Vargem está localizado em Ibiraçu, região norte do Espírito Santo. Único mosteiro budista da América Latina, o Mosteiro Zen Morro da Vargem, compreende um complexo de 150 hectares de Mata Atlântica recuperada, que é resultado de anos de trabalho contra a degradação deixada pelo plantio desordenado de lavouras de café. Em 34 anos de existência esta instituição religiosa traçou um percurso de trabalho marcado pelo comprometimento com as questões socioambientais, com ações sempre pautadas na sustentabilidade, sem perder de vista a missão religiosa que desempenha como pólo de formação monástica e de práticas leigas do budismo soto zen e transformou-se em uma área de relevante interesse ecológico e pólo de educação ambiental da Mata Atlântica.
O reconhecimento pelos trabalhos realizados no campo ambiental rendeu ao Mosteiro Zen Morro da Vargem, por parte do Ministério do Meio Ambiente brasileiro, um lugar entre as cem experiências brasileiras mais bem sucedidas em desenvolvimento sustentável, e títulos como: Posto Avançado da Biosfera, pela UNESCO, e o Prêmio Muriqui, um dos mais importantes da área de conservação do meio ambiente, concedido pelo Conselho Nacional da Reserva Biosfera em 2002.
A educação ambiental com foco na sustentabilidade foi um compromisso assumido pelo Mosteiro Zen Morro da Vargem. O pensador Edgar Morin (2002), preconizou que o reconhecimento e a valorização da multidimensionalidade e complexidade humana e a compreensão de que somos ao mesmo tempo, seres terrestres e cósmicos é um caminho para sairmos da lógica que gerou a crise socioambiental que conhecemos. O mosteiro privilegia olhar para o mundo a partir de uma perspectiva planetária, que pressupõe a inclusão social, não fazendo distinção de raça, cor, credo, etc., e foi buscar parcerias para fomentar o diálogo na busca de soluções e implementação das mudanças que o momento exige.
A parceira com instituições públicas e privadas fortaleceu as ações de recuperação da Mata atlântica degradada que vinham sendo realizadas pelo mosteiro Zen. Era hora de dar um passo a frente na ampliação do diálogo e das ações, e o Mosteiro Zen Morro da Vargem abriu as suas portas à comunidade, disponibilizando os espaços físicos à visitação, oferecendo aos cidadãos atividades culturais, palestras, trilhas ecológicos orientadas, como, a possibilidade destes participarem de variados programas como: cursos gratuitos sobre qualidade de vida e desenvolvimento sustentável oferecidos a agricultores, cursos para professores da rede pública e lideranças comunitárias. O mosteiro também abriu as portas para grupos da terceira idade, de artistas e pessoas que quisessem conhecer o espaço e passar o dia em meio à natureza. Pesquisas indicam que cerca de 30 mil visitantes passam pelo Mosteiro Zen Morro da vargem por ano.
O Programa COMPAZ
O Programa COMPAZ: A ética policial e a vivência socioambiental, pode-se dizer que é “a menina dos olhos do mosteiro”. Um dos programas que vem ao longo dos anos se consolidando e mostrando sua extemporaneidade por acreditar e investir na educação transdisciplinar policiais militares do Espírito Santo. Este Programa surgiu em 1996 objetivando propiciar aos policiais militares, vivências de sensibilização para questões ambientais tendo como aporte, a filosofia oriental.
Em 2005, um Protocolo de Intenções celebrado entre o Mosteiro Zen Morro da Vargem, o Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), a Polícia Militar do Espírito Santo e o Instituto Aracruz, criou uma rede de cooperação que deu novo fôlego ao programa e novos parceiros foram chegando e trazendo consigo contribuições que foram moldando o COMPAZ e transformando-o em um programa diverso e eficaz. Em 2008, o Mosteiro Zen Morro da Vargem, através de seu pólo ambiental, realizou o COMPAZ: A ética Policial e a vivência socioambiental, em parceria com a Escola de Serviços Públicos do Espírito Santo/ ESESP, bem como, a vice-governadoria do Estado do Espírito Santo e com o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos/ IEMA.
O Programa COMPAZ tem por princípio a neutralidade religiosa, o que garante a cada aluno soldado, o respeito para com o seu credo. O mosteiro, segundo as palavras do Abade Daijú, “se orgulha de ser a única instituição religiosa que nunca converteu ninguém”, essa fala corrobora o respeito dessa instituição para com a multiplicidade e a valorização do espírito ecumênico. Nesse Programa os alunos soldados ficam três dias imersos na rotina do Mosteiro, participando de atividades específicas da tradição oriental como a cerimônia do chá, e em contato direto com a natureza, além de participarem de uma programação que conta com trabalhos de sensibilização e educação ambiental e palestras sobre ética, direitos humanos, cultura policial, visão holística de meio ambiente e sustentabilidade.
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