17/10/2011

Meu carinho e admiração a todos os defensores dos animais!

Amigos, fiquei muito emocionada com este vídeo e fiquei refletindo sobre a vida, o ser humano, enfim... Como pode as pessoas se comprazerem com a crueldade, com a dor? Estes ativistas,  meus irmãos, protestavam contra uma corrida conhecida como "Grão-toreiro", na qual são colocados em contraposição adolescentes e bezerros até a morte (dos bezerros, é claro). Isso aconteceu na França e a polícia nada fez para defender os manifestantes que foram covardemente agredidos. Segundo o ANDA, cerca de 100 militantes vieram de toda a França e também da Bélgica para o centro da arena, com o intuito de intervir em defesa dos animais. Enquanto um grupo chamava a atenção com cartazes em protesto à prática cruel que estava prestes a acontecer, um outro grupo saltava à arena para se acorrentar formando um círculo.

Fiquei observando com que ódio os organizadores da torada agrediram os manifestantes e a forma desrespeitosa com que trataram, especialmente, as mulheres. Por outro lado, ver essas pessoas colocarem seus corpos na defesa dos nossos irmãos animais, especialmente os bezerros, que não possuem nenhuma defesa, que vontade de entrar no vídeo e ajuda-los, e fazer alguma coisa... fiquei orgulhosa, cenas assim ascende a minha fé no ser humano. Que tipo de cidadãos eles pretendem formar expondo os adolescentes a este tipo de violência, depois reclamam da violência e, hipócritas, vão para as suas igrejas rezar, clamar por um mundo melhor... Eu tenho uma pergunta norteadora na minha vida: "e se todo fizesse isso, o mundo seria melhor:"

15/10/2011

"A Semente" Prêmio letra e Fel 2011

O prêmio:
"A Semente" nasceu do meu desejo de homenagear pessoas e instituições que fazem, com trabalho e determinação, a diferença no nosso Estado. A idéia surgiu a partir de uma constatação bem simples, mas que passa despercebida para muitas pessoas, a consciência de que cada semente abriga milhões de árvores e de frutos. Este prêmio é, também, um manifesto, uma forma de demonstrar que, tantos os artístas, quanto a sociedade civil, estão de olho no que acontece no nosso Estado. A estatueta foi idealizada por mim e tomou forma nas mãos do artísta Irineu Rineiro, ele foi feito com o mesmo barro e a mesma técnica utilizados pelas paneleiras de Goiabeiras. A semente possui um broto dourado que significa o potencial de cada um, que deve ser colocado em prol da sociedade.

Homenageados 2011:

Caderno Pensar do Jornal A Gazeta
Receberá o prêmio o jornalista editor e idealizador do Caderno Pensar, José Roberto Santos Neves
Mosteiro Zen Morro Vargem
Receberá o prêmio o Monge Daijú, administrador do MZMV, em Ibiraçu, que além dos trabalhos religiosos do zen budismo, realiza importantes projetos sócio- culturais e ambientais.Associação dos Amigos dos Animais do ES
Receberá o prêmio o diretor da AMAES Rômulo Silva Vitório, por sua luta incessante em prol dos animais.

Irineu Ribeiro: o barro nosso de cada dia

Amigos, Irineu e eu cursamos a mesma turma de Artes plásticas da Ufes, tempo bom em que nos permitíamos muitas e variadas experimentações. Bem, não posso deixar de relatar que Irineu já chegou pronto na Ufes, artista formado pela vida. Muitos professores da época não entenderam a sua linguagem, uma espécie de surrealismo imantado com o poder e encanto das temáticas regionais. Bem, graças a Deus a Academia não conseguiu deformá-lo (risos) e hoje, além de meu amigo querido e vizinho, Irineu é um dos artístas plásticos mais querido do nosso Estado (ES). Segue algumas informações sobre ele e sobre a sua obra.
Irineu Ribeiro nasceu em Linhares, interior do Estado do Espírito Santo. Veio para Vitória com três anos de idade e em seguida a família se estabeleceu no município de Cariacica. Dessa época Irineu lembra do seu primeiro contato com o barro: “Foi o meu primeiro contato com o manguezal. Eu ia com as minhas tias para o mangue por que elas coletavam mariscos, sururus. Eu achava aquele universo todo muito gostoso... para uma criança aquilo era uma alegria! As brincadeiras com o barro. O barro formado pela chuva, que quando eu vi que tinha liga, que tinha plasticidade eu pegava aquilo e fazia um monte de coisas: fazia bichinhos para presépios, construía cidadezinhas...”.
Aos 20 anos em busca de um emprego, Irineu decidiu trabalhar com artesanato. Utilizando como matéria-prima a massa epóxi, o artista modelava e pintava uma série de peças figurativas como aves, garças, tatus e símbolos esotéricos. Irineu vendia seus trabalhos nos finais de semana na feira da Praça dos Namorados e dessa sua experiência com o artesanato ele faz a seguinte reflexão: “Quando eu iniciei meu trabalho com a massa epóxi eu ressuscitei aqueles momentos da infância no manguezal, além disso, foi o momento em que eu comecei a despertar para a arte”. “A maioria das pessoas não se adaptam a essa argila por que ela é cheia de pedrinhas e grãos. Eu me encantei justamente por isso, eu tiro proveito da rusticidade dela. Essa característica veio a atender às necessidades do meu processo, o fato de ele ter esses grãos dá uma enorme capacidade de sustentação. Eu vi que aquele barro me dava possibilidades por ele ser infinitamente plástico”. A partir de um trabalho acadêmico realizado para uma disciplina no curso de Artes Plásticas, Irineu observou com interesse o trabalho realizado pelas paneleiras: “O universo das paneleiras carrega um dado antropológico muito importante, é uma identidade cultural nossa e genuína". Além do fator cultural, a argila utilizada pelas paneleiras tem, segundo o artista, algumas características peculiares que justificam sua opção por essa matéria-prima: “Eu já até utilizei outros, mas o barro das paneleiras foi o que me deu mais suporte.
O barro do Vale do Mulembá tem fósseis marinhos que lhe conferem uma determinada plasticidade. Além é claro da possibilidade de queima a céu aberto, técnica herdada das culturas indígenas”. Dessa forma, o artista insere seu trabalho artístico dentro do universo das paneleiras, utilizando a mesma matéria-prima e o mesmo processo que vai desde a extração no Vale do Mulembá feita por membros da comunidade de Goiabeiras e continua na técnica de preparação do barro terminando com a queima das peças. Esta é feita em uma fogueira de lenha construída de acordo com a direção do vento. As peças são forradas e cobertas por esta lenha. Quando as peças estão incandescentes elas são retiradas com uma ferramenta de madeira comprida. Depois disso, cada uma delas passa pelo processo de pintura peculiar das panelas de barro do Espírito Santo. As paneleiras batem nas peças com a mochenga, uma vassourinha feita de risófora (rizophora mangle), planta típica do mangue, esta é molhada no tanino, uma substância extraída da casca da árvore conhecida como mangue vermelho. Para a obtenção dessa substância utilizada na coloração e também na impermeabilização das peças, é preciso deixar as cascas de molho na água, em poucos dias elas soltam a tinta e pigmentam o líquido com uma tonalidade vinho escura, que em contato com a peça quente se modifica.

14/10/2011

Modigliane aporta na nossa Ilha e Academia Feminina Espírito-santense de Letras (AFESL) lança mais duas antologias

Olá povo capixaba, como dizia a cronista Carmélia Maria de Souza, a nossa "delícia" de Ilha, receberá as obras do artista italiano Amedeo Modigliani. O Espírito Santo será o primeiro estado do Brasil a receber a exposição inédita “Modigliani: Imagens de uma vida”.  A exposição tem 188 obras e traz 12 pinturas em óleo originais e cinco esculturas em bronze. Todo o acervo vem do Instituto Modigliani, situado em Roma, e foi montado com uma concepção inédita, que irá traçar o panorama da vida e da obra do artista. A mostra é 0800, ou seja, gratuita e aberta para o público. A abertura será no dia 18 de outubro de 2011 e a exposição ficará até 18 de dezembro. Será no Palácio Anchieta, em Vitória. Telefones para agendamento em grupos: (27) 3636-1032/3636-1048

A realização da mostra internacional em Vitória abre oficialmente as comemorações do Ano da Itália no Brasil.
 
Antologias AFESL:
LANÇAMENTO DIA 20 NA Aliança Francesa, Praia do Canto, às 19 horas (Apoio da Arcelor Mittal e Lei Rubem Braga)

São dois volumes. O primeiro volume traz um pouco da memória da AFESL e procura homenagear as mulheres que, na primeira metade do século XX, tentaram mostrar os seus trabalhos literários e lutaram para que fossem reconhecidas como escritoras capixabas. Nele a AFESL procura resgatar os textos de suas acadêmicas fundadoras, reunidos em a PRIMEIRA EXPOSIÇÃO FEMININA CAPIXABA DE POESIA, COMEMORATIVA DO 8º ANIVERSÁRIO DE FUNDAÇÃO, impressos, em 1957, oito anos após a fundação da Academia, em forma mimeografada, publicando-os em fac-símile Essa publicação é uma forma de apresentar um patrimônio histórico capixaba e assinalar a luta que sempre teve a mulher, em todas as épocas e lugares, para integrar-se no campo das letras. Incluiu-se, ainda, neste volume, o primeiro estatuto que traz a assinatura da comissão organizadora, a certidão do registro da Academia fornecido pelo Cartório de Maria Leão Castello Lopes Ribeiro e uma cópia no Diário Oficial, de 1954, da publicação da criação da Academia, com o objetivo de ilustrar a luta dessas pioneiras da literatura feminina capixaba. No prólogo deste exemplar, o escritor Francisco Aurélio Ribeiro fez um estudo detalhado do estilo poético das autoras que procuram expor as suas obras engavetadas.
O segundo volume é uma mostra de escritos das atuais acadêmicas. Para ele, para assinalar a importância da Patrona e de todas as mulheres que ocuparam ou ocupam as quarentas cadeiras desta Academia, a escritora e artista Vanda Luiza Sousa Netto fez fizesse um espelho de cada cadeira, com a gravura da respectiva Patrona, baseada em fotografias de arquivos. Dois vultos históricos, Luíza Grimaldi e Maria Ortiz, foram alegorias idealizadas pela artista por não haver registro da imagem de ambas. Neste volume, predominam os textos poéticos. A editoração da Antologia da AFESL textos de ontem e de hoje, ficou a cargo do editor e poeta consagrado Wilbett Oliveira.

13/10/2011

Treinamento para policiais no Mosteiro Zen Morro da Vargem/ Ibiraçu-ES (programa Cidades e Soluções)



Projeto inovador treina PMs em templo zen budista por michelseikan
Olá amigos, tenho a alegria de participar deste trabalho. Nossas ações estão fundadas na crença de que podemos mudar o cenário atual de violência social, contribuir para a construção de  uma cultura de paz por meio do dialogo e do autoconhecimento. Além do COMPAZ o Mosteiro Zen Budista realiza o Zen Mangement, treinamento direcionado para lídres e gestores.

10/10/2011

O espólio de um mito: Colóquio Internacional Florbela Espanca (dias 6, 7 e 8 de dezembro de 2011- Évora/Portugal)

O Centro de Estudos em Letras da Universidade de Évora e o Grupo Amigos de Vila Viçosa convidam a comunidade acadêmica e o público em geral a participar no Colóquio Internacional Florbela Espanca, que se realizará nos dias 6, 7 e 8 de dezembro de 2011. O Colóquio intitula-se "O espólio de um Mito”, integrante do projeto homónimo, sediado na Universidade de Évora/ CEL.
Propostas para comunicações: até 25 de novembro.


Amigos, o dia 08 de dezembro é aniversário de nascimento e morte de Florbela Espanca. Os florbelianos roxos (como eu) prestam, nesse dia, homenagens à poeta querida. Esse ano terei a alegria de depositar flores no túmulo de Florbela e de apresentar as pesquisas recentes que tenho realizado sobre a sua obra. A minha apresentação nesse Colóquio se chamará Diálogos intercontinentais entre Florbela Espanca e Rubén Darío.

09/10/2011

Cãominhada- Vitória /ES

Evita comparece à Parada pet com a sua humana de estimação (moi)
Parabéns À AMAES, aos grupos Patinhas Carentes, Gatinhos da Ufes por este evento.

07/10/2011

Encontro com a escritora Ana Maria Machado: 5ª Bienal Capixaba do Livro

Olá amigos, foi uma alegria estar mais uma vez ouvindo a escritora Ana Maria Machado, dessa vez na 5ª Bienal Capixaba do Livro. Sempre carinhosa com o público, a escritora distribuiu autógrafos e falou sobre suas obras mais recentes.
Assista a entrevista:


06/10/2011

EVENTO MUNDIAL PELO FIM DA CRUELDADE COM ANIMAIS (WEEAC - WORLD EVENT TO END ANIMAL CRUELTY/ 2011)


Olá amigos, aqui no ES a SOPAES em parceria com Grupo Gala e protetores independentes
 organizaram uma programação para marcar o dia em que vão acontecer manifestações no mundo todo contra a crueldade com os animais, iniciativa denominada WEEAC-World Event to End Animal Cruelty. Será no dia 08 de outubro, sábado a partir das 16:00 horas. Praça em frente a Igreja Nossa Senhora do Rosário, Prainha- Vila velha.Trata-se de evento público, para o qual estão sendo convocadas não só as organizações ambientalistas e de defesa dos direitos dos animais, mas todos os demais segmentos e cidadãos do planeta.
Site da SOPAES (Sociedade Protetora dos Animais do ES)

Lançamento de livros de escritores capixabas

Olá amigos, esse mês aconteceram vários lançamentos na Ilha, entre eles os livros dos amigos escritores Ítalo Campos (Embaralhando palavras) e Neusa Jordem (Ciça), ambos acadêmicos da AEL e AFESL. Está acontecendo, também, o Congresso Literário da Ufes. Seguem algumas imagens.

Agradeço ao Profº Pedro Granados pela entrevista que me concedeu. Em breve postarei para vocês.

28/09/2011

Toda criança é um milagre e possui um dom especial!

Olá amigo internauta,
compartilho com vocês este video maravilhoso, que mostra a história de uma menina, (Akiane) que possui o dom de inspirar as pessoas com a sua arte. Rogo a Deus que mais Akianes encarnem em nossa Terra querida, e aos pais, eu rogo que não abortem os sonhos de seus filhos, que os ajudem a desabrochar, a ser o que eles estão programados para ser: a expressão divina de Deus no mundo. Isso é mais que um manifesto, é uma oração, então finalizo: Amém!



site de Akiane

25/09/2011

Cadê a Maria Ortiz? (por Francisco Aurélio Ribeiro)

Estive no Rio, no XVI Encontro Nacional do Proler- Programa Nacional de Leitura, na Biblioteca Nacional, onde visitei a exposição “Brasil Feminino”, que reúne mais de 150 peças do acervo da Biblioteca Nacional, contando a trajetória da mulher na sociedade brasileira: jornais, revistas, pinturas, músicas e livros. A exposição, muito bem montada, mostra a opressão sofrida pelas mulheres no período colonial, o início das lutas por sua libertação, no século XIX, as primeiras conquistas, no século XX, até chegar ao prestígio das mulheres no Brasil contemporâneo, cujo clímax se dá com a eleição de Dilma Roussef para Presidente da República, em 2010. Imperdível e emocionante a exposição, para todos os brasileiros e brasileiras. No entanto, ela tem uma grande lacuna e já conto por quê.
A exposição foi organizada cronologicamente, seguindo a linha do tempo, do século XVI ao XXI. Relatos e ícones sobre as mulheres índias, as negras escravas, nossas mães primeiras, do início da colonização, passando para as mulheres que se destacaram no século XVIII: Chica da Silva, Bárbara Heliodora, Teresa Orta, nossa primeira escritora. Aí, vem minha primeira constatação: o Brasil desconhece a liderança de Maria Ortiz, heroína capixaba ao defender a vila de Vitória, contra os holandeses, em 1625. É ela, portanto, a primeira heroína brasileira, bem como Da. Luísa Grinalda, nossa primeira governadora. Tivéssemos maior destaque no cenário nacional, elas estariam em todos os livros de História do Brasil e não estariam ausentes de uma mostra tão representativa. O Espírito Santo não é somente esquecido pelas verbas federais; somos ignorados por nossa cultura, apesar de sua diversidade e riqueza patrimonial.
A exposição destaca o papel das heroínas do século XIX, Anita Garibaldi, Joana Angélica, Maria Quitéria e Ana Néri, 300 anos depois de Maria Ortiz. Dentre as capixabas, somente aparecem, no século XX, a nudista e vedete Luz Del Fuego, Dora Vivacqua; a cantora Nara Leão e a escritora Marly de Oliveira. Também pode ser lido um artigo sobre as mulheres escrito por Saul de Navarro, pseudônimo do escritor Álvaro Henrique Moreira de Souza, nascido em Santa Leopoldina, em 1890, e que teve grande destaque na imprensa de sua época. Mas é imperdoável a ausência de Maria Ortiz. Ela é o exemplo da mulher guerreira, a nossa Joana D’Arc, um testemunho de que as mulheres lutaram junto com os homens na implantação do modelo colonial português, de que o Espírito Santo foi ponta de lança. Maria Ortiz é o primeiro nome brasileiro de uma mulher de destaque no período colonial. Nós aqui sabemos disso. Por isso, ela é nome de escola, de bairro, de avenida e da principal comenda dada às mulheres pela Assembleia Legislativa. Infelizmente, o resto do país não sabe disso, mas deveria.
A Literatura, no entanto, não tem esquecido Maria Ortiz. Vira e mexe algum escritor lança uma chama na memória, para não deixar no olvido nossa heroína. Acaba de sair e, para um público muito especial, as crianças, um livro belíssimo chamado “História de uma escadaria”, da Ed. Nova Alexandria, escrito por Neusa Jordem Possatti. É uma história que tem como personagem a menina Maria Ortiz, brincando na ladeira que viria a ser a futura escadaria com seu nome, por ter sido palco da tentativa de invasão dos holandeses à vila de Vitória, em 1625. Como toda boa obra para criança, também será apreciada pelos adultos e é um belo presente para todos os capixabas, nesta semana em que se comemoram os 460 anos de Vitória.



Crônica do Prof. Drº Francisco Aurélio Ribeiro, pesquisador da literatura produzida no ES. Publicada no jornal A Gazeta  de 05 de setembro de 2011.

Fonte: AFESL

24/09/2011

Lítero Cultural: entrevista com a poeta Renata Bomfim

Olá amigos, convido vocês para conferirem a entrevista que concedi ao escritor Selmo Vasconcelos, autor do site Lítero Cultural. Clique aqui.

21/09/2011

Personagens femininas no teatro:Enrik Ibsen, Eugène Ionesco, Glauco Gill,Gianfrancesco Guarniere e Dias Gomes (por Renata Bomfim)

O teatro possui a antiguidade do próprio homem e ambos existiram primitivamente sofrendo transformações com o passar do tempo. Temos acesso a um farto material que remonta a pré-história que revela que muito tempo antes dos festivais de Dionísio na antiga Grécia já aconteciam atividades prenhes do teatro: danças rituais, festivais, adornos corporais, cantos.
O ato de uma pessoa se ‘transformar em outra’, ou seja, se metamorfosear é arquetípico e pode ser observado na pantomima de caça dos povos da idade do gelo. Falar sobre o teatro é desvelar o encanto mágico que, num sentido mais amplo, reside no ato de se apresentar perante o outro sem revelar o “seu segredo pessoal”, como afirmou Margot Berthold (2006, p.2). Encontramos tal habilidade no xamã, que era considerado o porta-voz dos deuses, no dançarino mascarado que expulsava demônios, também no ator que oferta vida a obra dos poetas. Os artefatos que possibilitaram a metamorfose no teatro primitivo eram as peles de animais, as penas, os chocalhos de cabaça, uma riqueza de acessórios cênicos que contrasta com o exercício da arte da redução no teatro realizado no século XX.
O teatro está vinculado ao sagrado desde seu nascimento com o culto aos deuses. Na obra Ideas sobre el teatro y la novela, de Gasset e ortega (1999), define “la cosa teatro” como sendo assim como o homem é, muitas e inumeráveis coisas diferentes entre si que nascem e morrem, que variam e se transformam até ao ponto de não parecer, à primeira vista, com nenhuma forma e afirma que:
“La Historia es um viaje entre lãs ruínas de lo egrégio. Ella nos arrebata aquellas cosas e seres los más nobles, los más bellos poe los quales nos habíamos interessado; lãs passiones e los sofrimientos lo han destruído: eran transitorios” (GASSET; ORTEGA. 1999, p. 68).
Junito de Souza Brandão em Teatro Grego: Tragédia e Comédia (2007) destaca que na nascente da poesia grega, desde Ésquilo, a presença de variadas representações arquetípicas femininas e as tensões existentes entre elas como a luta entre dike, o principio de justiça, com as moiras, o destino cego e a fatalidade se contrapondo à liberdade. O mito é parte estruturante de variadas teorias, tanto psicológicas quanto em outros campos do saber humano como a filosofia. O pai da psicanálise, Sigmund Freud, lançou mão de uma tragédia grega e de seus desdobramentos para estruturar um dos seus conceitos chave, o complexo de Édipo. Segundo Freud os impulsos incestuosos e o conseqüente ódio contra o pai-rival são encontrados em qualquer criança do sexo masculino:
Deve haver uma voz preparada em nosso íntimo para admitir o poder arrebatador do destino de Édipo... E há, de fato, um motivo na história de Édipo que explica o veredicto desta voz interior. Seu destino nos emociona porque poderia ter sido o nosso próprio, porque o oráculo nos fez, ao nascermos, a mesma maldição que caiu sobre ele (SOUZA apud FREUD, 2007, p. 44).
Outro pensador que se dedicou ao mito, posicionando-o no centro de sua psicologia foi Carl Gustav Jung, criador da psicologia junguiana, também chamada de psicologia arquetípica. Jung criou uma espécie de um “mapa” do mundo interior da psique humana, nele a psique é vista de forma multidimensional e está longe de ser uma unidade; pelo contrário, a mistura de impulsos, bloqueios e afetos contraditórios e o seu estado conflitivo”. O ego, especialmente na juventude, experimenta a ilusão de possuir grande autonomia e liberdade, mas o indivíduo está à mercê de sua estrutura de caráter e dos “demônios interiores”, tanto quanto da autoridade externa. “Os demônios da contradição conflitam com o ego”, estes demônios descritos por Jung são os complexos. Os complexos são imagens ou idéias emocionalmente carregadas, estas imagens são a via régia de acesso ao inconsciente (JUNG, 2006, p. 111).
Sendo o mundo interior uma “terra incógnita”, Jung lançou mão de ferramentas e métodos científicos para explorá-la, e ele descobriu que a psique é povoada. Existem complexos familiares e sociais que são coletivos, o que implica que, muitas pessoas estão psicologicamente ligadas de forma similar. Traumas são compartilhados e, muitas vezes, fazem parte de uma geração. Com a teoria dos complexos, Jung apresenta a existência de uma camada cultural do inconsciente, em parte individual, e em parte coletivo, por ser compartilhada com outros indivíduos.
Os complexos são materiais puramente psíquicos, elementos arquetípicos representáveis imageticamente. Essas imagens definem a essência da Psique e podem ter alguma correspondência com imagens objetivas, mas, não devem ser confundidas com elas. A teoria dos arquétipos é de grande importância para a concepção global da psique proposta por Jung, por exemplo, vidas podem ser sacrificadas pela imagem da cruz, ou da bandeira, ou por idéias como o nacionalismo, patriotismo e lealdade para com a religião ou país. Estas imagens são arquetípicas, pois, elas representam um elemento autêntico do espírito. Jung fala sem rodeios que “o conteúdo essencial de todas as mitologias, de todas as religiões e de todos os ismos é arquetípico” Os arquétipos não são derivados da cultura, pelo contrário, para Jung as formas culturais é que derivam dos arquétipos (STEIN, 2006, p. 116).
Durante milênios da história da humanidade, os arquétipos têm sido projetados em figuras mitológicas, nos deuses e deusas, e nos homens e mulheres vivos de cada época. Os deuses e deusas da mitologia podem ser considerados personificações de diferentes aspectos do arquétipo feminino e masculino. Durante muito tempo a mitologia constituiu a maneira mediante a qual a psique humana se personificava, e, na medida em que as pessoas acreditavam na realidade viva de seus deuses e deusas, podiam, através de ritos e cultos apropriados, estabelecer uma espécie de relacionamento com o seu mundo psíquico. O senso comum geralmente confere ao termo “mito” um sentido de “fabulação”. “estereótipo”, ou mesmo “invenção”, mas, embora seja utilizado em alguns momentos com esta conotação o mito (mythos), que tem a sua origem na Grécia, como nos mostra a sua etimologia, significa “relato”, “discurso” e “palavra” (HOUAISS).
Nas sociedades onde vigorava a oralidade, era através dos mitos que os homens estabeleciam relações com os deuses e, por meio de símbolos e relatos, recebiam deles regras e ensinamentos. Desde os tempos mais remotos os mitos cumprem o papel de facilicitador da expressão subjetiva e estruturador da identidade humana, servindo como uma espécie de ponte que faz uma ligação simbólica com o mistério, aplacando a angústia vital e o medo do desconhecido e da morte (NETTO, 2007, p. 14). É dessa forma que os arquétipos, forma irrepresentáveis, se deixam vislumbrar por meio da imagens arquetípicas.
Dentre incontáveis imagens arquetípicas destacam-se as da mãe, da esposa, da amante, da mulher insurrecta, da sofredora e mártir e da santa. No teatro estes arquétipos e suas múltiplas variações desafiam o expectador levando-o, muitas vezes, a um conflito interior e a reflexão sobre si e sobre sua visão de mundo. Em Mito, ideologia y utopia, José Antônio Pérez Tapias (2010) destaca a batalha existente entre mito e logos, e destaca que este fenômeno possibilita que alguns mitos se atualizem. Tapias afirma que os mitos encontram estreita vinculação com a ideologia, pois o discurso ideológico carrega em si a semente do mito, ou seja, a mitologia tende inevitavelmente à mitologia, ele esclarece que todas as mitificações tendem a jogar com o desejo de manutenção do domínio, ele reforça atitude de submissão:
Um cavalo entre aqueles são, em primeiro lugar, a fazer figuras-mito de importância pública como protótipos que encarnam as virtudes exigidas ou de certos valores hegemônicos (poder, sucesso, prestígio, segurança, obediência... aqui é o mito líderes, os "estrelas" do cinema, música, etc, e podemos até citar aqui o mito de tomada de personagens fictícios, e não efeitos insignificante (2010, p. 45).
O pensamento de Tapias encontra consonância com a proposta de Jung acerca dos arquétipos, muito embora relegue um fator primordial, que é a esfera inconsciente do mito. Mesmo que instituições e pessoas lancem mão do arcabouço arquetípico para dominar haverá uma parte do processo sobre o qual não terá poder, que correrá pelos campos do nosso não-saber.
O que dizer da tragédia escrita por Enrik Ibsen, Casa de Bonecas? Nessa obra encontramos um arquétipo que se encontra na base da sociedade ocidental, o arquétipo de Eva, da mulher submissa ao marido, presa por correntes seculares que lhe impõem um modo de ser e de agir e que lhe condena toda e qualquer forma de expressão e em prontidão para punir qualquer atitude que ameace romper com as leis do patriarcado. Nora é uma mulher cujo casamento pauta-se na mentira, a personagem idealiza o marido, os filhos, ao ponto de sacrificar-se para mantê-los. A peça teatral Casa de Bonecas, foi escrita em 1897 e traz em sua trama variados temas relacionados ao feminino, dentre eles:
• A desumanização do personagem central da trama, Nora, que é tratada como um animal, ou como uma boneca, um brinquedo, pelo marido que é o representante do sistema masculino/patriarcal.
• Temas relacionados à tradição religiosa ocidental como a culpa, o castigo, o engano, e a queda do paraíso.
• As convenções sociais que definem o lugar da mulher como esposa e mãe, sem a possibilidade de que esta se expresse.
• A idealização do casamento e as projeções dos cônjuges entre si.
Nora Helmer é a esposa ideal que se sacrifica pela pelo marido Torvald Helmer e pelos filhos (Ivar, Bob e Emmy), até que se sente traída pela família por que tanto lutou, e promove um mudança radical em sua vida. Esta mudança pressupõe um desvio no seu destino social de mulher, ser mãe e esposa. O Sr. Helmer cresceu na carreira sem saber que seu sucesso teve um preço, o endividamento de Nora. Nora havia contraído uma dívida com um agiota para cuidar do marido doente, e para não causar-lhe nenhum tipo de mal estar ou constrangimento por estar sendo cuidado e sustentado pela esposa, ela afirma que o dinheiro veio de uma herança deixada por seu falecido pai.
Há na fala inicial de Nora um discurso de submissão e, chama a atenção o episódio em que come escondida do marido “bolinhos de amêndoas”. Helmer afirma que o maior desejo de Nora é “alegrar a família”. Este falso equilíbrio é quebrado com a chegada da Sra Linde, ou kristina, uma viúva que passou por muitas dificuldades com morte do marido.
A Sra Linde, outra personagem feminina da peça, é o posto de Nora, a sua sombra, ela não possui filhos e nem dinheiro, é o bastante para que Nora se apiede dela e lhe prometa interceder a Helmer para que lhe dê um emprego no banco. Kristina conta como tem sobrevivido à viuvez e a falta de dinheiro e sugere que Nora é infantil, esta se ressente e responde: “Você é como os outros, todos julgam que não sirvo para nada sério”. Nora sempre foi tratada pelo pai e pelo marido como alguém incapaz e indigna de respeito e ela tinha consciência disso, tanto que a insinuação feita por Cristina foi suficiente para que ela se abrisse e contasse o foi capaz de fazer para salvar a família.
Nora passou a mostra a mulher por traz da máscara social (persona), e como foi capaz de subverter as leis vigentes que impediam que uma mulher contraísse emprestemos sem o consentimento do marido. Nora salvou o marido da doença e da falência e se perdeu, enredando-se em mentiras, mas em uma passagem da peça ela declara que descobriu o prazer de “trabalhar para ganhar dinheiro” fazendo artesanatos, e afirmou-se sentir-se “quase um homem”. O Drº Rank é médico e amigo antigo da família e nutre uma paixão secreta por Nora, ela é um objeto desejado pelos homens de sua época, submissa e bela.
Boneca, objeto de desejo para o marido, ela é chamada por Helmer de “louquinha”, “mulherzinha teimosa”, e se deixa tutorar pelo marido, que a considera uma incapaz. Nora é ameaçada por Krogstard, o agiota, caso ela não consiga impedir que Helmer o despeça do banco onde trabalha e este é gerente. Kristina e Krostard haviam tido um relacionamento há muitos anos, mas ela o abandonara para se casar com um homem com mais dinheiro, o que resultou na infelicidade dos dois. Ibsen põe em evidencia nessa peça temas tabus para a época, como por exemplo as relações mediadas pelo dinheiro, que davam forma a famílias cujos vínculos eram frouxos.
A mudança de Nora se dá quando ela conta para o marido sobre a divida que contraiu e sobre os motivos pelo qual havia contraído a divida e ele não a perdoa, ele a acusa de mentirosa. Nesse momento o mundo ideal de Nora cai e ela se depara com a realidade de sua condição, fato que não pode ser contornado mesmo com a dissimulação do marido e insistência para que esquecessem o assunto e continuassem suas vidas, Nora decide ir embora de casa.
Esta peça causou grande mal estar na sociedade da época em que foi escrita e encenada, mesmo hoje, em pleno século XXI mantém sua atualidade. Mas a ambigüidade arquetípica se revela na subversão de Dora, eis a revelação do que Jung denominou ”Sombra ”. Estando constelada na consciência de Dora o arquétipo de Eva, no seu inconsciente encontrava-se uma figura oposta de mulher, corajosa ao ponto de romper com o status quo e escrever sua própria história, esta é Lilith.
Dora conseguiu integrar uma importante parte de si que durante muito tempo fora negligenciada, ela busca responder aos apelos de sua alma e saber o que realmente deseja, quem realmente é. Este caminho denominado por Jung como “processo de individuação ”, é a vida que levará o individuo à auto-realização, ou a realização do “si-mesmo ”.
O escritor romeno Eugène Ionesco nasceu em 1909 e faleceu em Paris, em 1994. Juntamente com Samuel Beckett, Ionesco representa o teatro do absurso, mas o dramaturgo não gostava desta denominação e preferia que suas obras fossem referenciadas como sendo “insólitas”.
Ionesco escreveu a peça teatral A cantora careca em 1950 e traz outras representações arquetípicas femininas. A peça mostra dois casais, o Sr e Sra Smith, e o Sr. e a Sra. Martim em situações que revelam a problemática humana de relacionamento e comunicação. Há também questões de classe, de poder e de identidade. Estão presentes, também, questões relacionadas à memória. Observa-se que apenas a Sra Smith fala no início da peça, enquanto o Sr. Smith lê estala os dentes. O relógio que é destacado na trama e lhe confere uma espécie de ruído. Esta peça revela a solidão e o vazio da existência de pessoas que estão alienadas de si mesmas. Esta peça mostra a sua extemporaneidade ao revelar o que Reymond Willians denominou Tragédia Moderna.
Segundo Willians a tragédia tem alcançado variadas concepções desde seu nascimento, o que fez com que surgissem novas estruturas trágicas, ou seja, novas possibilidades de leitura e abordagem desta. Por exemplo, o herói trágico, pela ótica da critica marxista, “é um indivíduo histórico universal, cujos próprios objetivos particulares contém o que é substancial, e que é a vontade de espírito do mundo , já para Nietsche o efeito da tragédia não é moral e nem purificador, é estético, assim, a tragédia crias seus heróis para depois destruí-los, pois há “uma estética de prazer trágico no sofrimento inevitável de um homem”, assim como o “intuito de transcendê-lo” (WILLIANS, 2002, p.58- 61). Dessa forma, Raymond Williams construiu, a partir dos estudos que realizou sobre a vanguarda moderna, que incluem a análise das obras de Ibsen e Eliot, Brechet, Pirandelo, Camus, Sartre, Ionesco, O’Neeill e Tchekhov, misturando à temática da tragédia, a crítica literária, uma teoria que põe em xeque aspectos da tragédia do nosso tempo.
Este pensador defende que as organizações que visavam, no século XX, combater o capitalismo em direção ao socialismo, foram as mesmas que fortaleceram e sustentaram a sociedade capitalista. A tragédia passou a alcançar uma dimensão maior do que a habitual, “fatalista”, e o tema passou a alcançar o cotidiano. Para Willians:
A tragédia possui estreitos atravessamentos com a tradição, que no caso, “não é o passado, mas a interpretação que se faz do passado”, o que torna o presente, “um fator de seleção e avaliação”, assim, lançar um olhar sobre a tradição, compreende “olhar critica e historicamente para obras e idéias” que possuem ligação e se deixam associar em nossas mentes. [...] Nada impede que a “guerra, fome, trabalho, tráfego, política”, acontecimentos que demonstram um “estreitamento da dimensão do humano” e que podem ser explicados historicamente, sejam considerados trágicos A divisão entre masculino e feminino, entre natureza e cultura, a força que separa o amor e o poder são trágicos (WILLIANS, 2002, p. 15- 34, grifo nosso).
A peça de teatro Toda donzela tem um pai que é uma fera, escrita por Glauco Gill, é possível observar o embate entre desejo e convenção. O texto, uma comédia, mostra Porfírio, um conquistador inveterado, e Joãozinho, o respeitador. Bem como Daisy e Lola, duas mulheres a quem interessa a convenção do casamento. Entre estes personagens o pai de Dayse, um General aposentado pronto para defender a honra de sua filha.
A trama surpreende na medida em que cada personagem vai mostrando ser capaz de bem mais do que se espera dela. Tendo como cenário um apartamento “kitchenette”, em Copacabana, Porfírio, que se diz “um profundo conhecedor da psicologia feminina”, acaba cedendo ao pedido do amigo de infância e vizinho, Joãozinho, para esconder Daisy, sua namorada, do pai que a procurava. Porfírio esconde Daisy no armário, local clichê quando se fala em esconder amantes, e acaba sendo descoberta pelo pai que, frente à cena, conclui que Daisy e Porfírio são amantes. A fama que acompanha os personagens Porfírio e Joãozinho fazem com que os acontecimentos que se desenvolvem na trama sejam tomados como verdadeiros, como por exemplo, na cena do guarda-roupas, quando Porfírio tenta explicar que escondera Daisy a pedidos de Joãozinho o General lhe diz: “─ Cínico! Como é que você tem coragem de incriminar um rapaz como o Joãozinho, que é um perfeito cavalheiro?. [...] Não vai ficar assim não, porque você vai casar com ela” (S. d., p. 27).
O casamento é visto como a saída para salvar a honra de Daysy, moça que se mudou de Minas Gerais para o Rio de Janeiro para trabalhar em uma casa de família como babá e estudar, mas que fugiu para morar com namorado. O General é um personagem solitário e que encontra em Loló companhia, depois de idas e vindas e muita confusão. Ao fim da peça Porfírio fica sozinho, pois todos os personagens se casam, a impossibilidade de aceitar a sua solidão lhe leva de volta para os braços de uma mulher, a sua mãe, o que revela a infantilidade camuflada sob a máscara de solteiro convicto.
Maria Beatriz Nader (2001) que no Brasil, historicamente, cada mulher tinha uma função diferente na sociedade, as senhoras, mulheres honradas, exerciam a função de mães e esposas. Às mulheres honradas eram dadas poucas opções na vida, era ou se casar ou entrar para um convento, ou seja, entregar-se à clausura. Mas as mulheres reivindicaram para si outros lugares por meio do movimento feminista. Embora as mulheres tenham galgados novos patamares sociais, observa-se que, ainda persistem os ranços do machismo na sociedade e as personagens femininas buscam a mesma coisa, se casar. Esta peça dá visibilidade ao poder titânico dos valore sociais patriarcais que mesmo mostrando-se mais fragilizados na modernidade, em realidade mantém o mesmo poder.
Questões de cunho sócio-político são a tônica da peça Eles não usam black-tie, de escrita por Gianfrancesco Guarniere em 1958 e estreada no mesmo ano sendo um grande sucesso de bilheteria. De acordo com o critico Sábato Magaldi (2008, p. 13) esta peça, estreada no teatro de Arena de São Paulo, “trouxe para o nosso palco os problemas sociais provocados pela industrialização, com o conhecimento das lutas reivindicatórias de melhores salários”. Esta obra de cunho social e político denuncia as desigualdades sociais e a estratificação de classes existente no Brasil.
O cenário é a Favela da Leopoldina, onde circulam personagens complexos e contraditórios. Dona Romana, mãe e esposa do sindicalista Otávio. Romana trabalha como lavadeira e é conformada com a vida que leva, já o filho do casal, Tião, que morou um tempo fora do morro com os padrinhos e não consegue se readaptar à vida no morro e sonha em se mudar. O irmão de Tião, Chiqueinho, faz o tipo sedutor e esperto, sempre se dá bem.
Na trama surge com destaque o personagem cantor Juvêncio que é autor do samba que dá título à peça e que ao final da peça é traído e tem a sua música roubada por outro cantor, podendo apenas ouvi-la tocando no rádio. Um analisador interessante nessa peça é a força que o autor confere a arte, pois, a música (samba) feita no morro vai para a cidade e leva consigo a ideologia do grupo que a criou. Maria, a noiva de Tião, não aceitava se afastar dos amigos e da família, não desejava sair do morro para morar na cidade, o que acabou resultando no rompimento com seu marido, Tião, e na dissolução da família que ainda estava em formação, pois Maria era recém casada e estava grávida. A separação é um outro analisador importante e permeia toda a peça.
A peça denuncia a separação entre favelas e bairros urbanizados, entre pobres e ricos, patrões e empregados, mostrando seus respectivos lugares sociais, mostra a separação que um sistema excludente promove entre pessoas que se amam, entre irmãos, pais, amigos. Tião recusa-se a integrar a greve na fábrica organizada por seu pai, este fato faz com que ambos rompam relação e este tenha que sair do morro. Esta é, aos moldes Raymondianos, uma tragédia moderna.
Buscando na história elementos que levem à compreensão da gênese das inúmeras formas de separção vivenciadas pela sociedade, encontramos o poder institucional.
A peça O santo inquérito, de Dias Gomes, mostra o poder da igreja e, mais especificamente, da inquisição, sobre o desejo e a liberdade das pessoas, especialmente das mulheres. A personagem principal se chama Branca, que é também um personagem histórico. Uma visada histórica revela que entre os séculos XVI e XVII a Inquisição investigou, prendeu e matou pessoas nas terras da América portuguesa. Os Judeus não podiam ser presos pela inquisição que, só podia investigar pessoas batizadas. Mas depois de convertidos à força e batizados, seus descendentes foram perseguidos por até dez gerações. Segundo o historiador Bruno Feitler (apud CORDEIRO, p. 27, 2010):
Os novos cristãos eram estigmatizados e perseguidos havia pelo menos três séculos. Com o surgimento de colônias afastadas dos centro de poder, muitos deles preferiram se mudar (ou foram expulsos) o que causou preocupação nas autoridades locais que temiam a retomada de práticas judaicas. Branca Dias foi vítima desse cenário. Branca Dias foi denunciada pela mãe e pela irmã (possivelmente sob tortura) ainda em Portugal, ela respondeu Às acusações de judaísmo, cumpriu pena de dois anos de prisão e depois imigrou com o marido para Pernambuco, onde foi investigada mais uma vez. Vários anos depois de morta, em 1558, acabou sendo condenada, assim como suas filhas e netas.
No Brasil colonial fogueiras eram acesas e pessoas queimadas, e o povo festejava madrugada adentro. As autoridades eclesiásticas locais eram responsáveis pelos processos e tinham autonomia para identificar e investigar casos suspeitos. Pesquisadores acreditam que no Brasil foram investigadas cerca de mil e setenta e seis pessoas, destas foram queimadas vinte e nove. A extinção formal da Inquisição no Brasil aconteceu em 1821.
Dias Gomes descortina na modernidade as atrocidades desse tempo sombrio revelando as injustiças realizadas pela Igreja Católica e pela Inquisição. A primeira fala da peça é Padre Bernardo, sacerdote a quem Branca salvou de um afogamento e que mais tarde lhe acusa de tê-lo beijado. Padre Bernardo diz:
“Os que invocarem os direitos do homem acabam por negar os direitos da fé e os direitos de Deus, esquecendo-se de que aqueles que trazem em si a verdade têm o dever de estende-la a todos, eliminando os que querem subverte-la, pois quem tem o direito e mandar tem também de punir”(GOMES, 2003, p. 30).
Padre Bernardo, desde que fora salvo por Branca de um afogamento e recebera respiração boca a boca não encontrou mais sossego, reconhecendo na moça “a tentação a obstinação demoníaca e o pecado”, e passou a interroga-la até descobrir que sua família era de cristãos novos e ainda mantinha práticas judaicas. Branca vivia com a família, era uma jovem pura, rústica, livre, feliz, diferente das outras de sua época e ia se casar com Augusto Coutinho, havia sido escolarizada pelo pai e ganhara do noivo alguns livros dentre eles Amadis de Gaula, As Metamorfoses, de Ovídio que logo foram declaradas pelo visitador da Inquisição como “Mitologia, Paganismo”, havia também uma Bíblia em português. Todos os livros foram reprovados pelo Visitador. Branca perde a liberdade, seu pai foi preso e seu noivo foi morto pela Inquisição.
A peça termina com Branca condenada a morte e sendo entregue ao “braço secular” que se encarregou de queimá-la viva. A ultima fala é também de Padre Bernardo que diz: “Finalmente, Senhor, finalmente posso aspirar ao vosso perdão” (GOMES, 2003, p. 142).
A personagem Branca evoca outra personagem histórica que também foi condenada pela inquisição e queimada viva, Joana D’Arc. Elas personificam a luta pela liberdade e a pela sobrevivência de mulheres que são consideradas culpadas mesmo sem terem cometido crime algum, apenas pelo seu sexo, considerado pecaminoso e perigoso.
O lingüista Mikhail Bakhtin (2003, p. 91) declarou que “o homem na arte é o homem integral”. Transportando este pensamento para o teatro observamos que cada personagem é importante em uma peça teatral, pois o espectador não vivencia os sentimentos isolados. No teatro os personagens nos enredam e a interpretação se aproxima da arte, diz Bakhtin, quando na ação dramática, o espectador-ator e todos os outros elementos passam a integrar um novo todo. Este novo todo se transforma em interpretação quando faz com que, envolvido, um participante abra mão se sua posição estética e participe dela pessoalmente como “um segundo viajante ou bandido” (BAKHTIN, 2003, p. 69).
O teatro utiliza como matéria prima as misérias e glórias humanas e o artista trabalha a palavra, o gesto, o som, de forma que esta se torne expressão do mundo. Bakhtin (2003, p. 67) corrobora este pensamento ao afirmar que:
O espectador perde sua posição fora e adiante do acontecimento que representa a vida dos personagens do drama, em cada momento dado ele se situa no interior de uma delas, de onde lhe vivencia a vida, vendo a cena pelos olhos dela e pelos ouvidos dela ouvindo as demais personagens, co-vivenciando com elas todos os seus atos.
Foi possível observar que cada personagem feminino, ou seja, cada arquétipo representa uma faceta do feminino e engendra variadas possibilidades de constelação arquetípica. A analise das representações femininas deve ser feita como foi proposto por Jung, não de forma reducionista, mas, por meio da amplificação, ou seja, com desdobramentos do sentido.

REFERÊNCIAS:
• BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
• BENTLEY, Eric. A experiência viva do teatro. 2.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1981. (Coleção Palco e tela)
• BERTHOLD, Margot. História Mundial do Teatro. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 2006.
• CORDEIRO, Tiago. Caça às bruxas no Brasil. História: para viajar no tempo. São Paulo, 2010, Edição 88. p. 26 – 33.
• GUARNIERE, Gianfrancesco. Eles não usam black tie, 18. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.
• GILL, Glauco. Toda donzela tem um pai que é uma fera. Brasília: Ed. Brasiliense, s.d. (coleção Brasiliense de bolso)
• IBSEN, Henrik. Casa de Bonecas. São Paulo: Veredas, 2007. (Coleção Veredas em Cartaz)
• INGARDEN, Roman. As Funções da linguagem no teatro. In: Semiologia do teatro. São Paulo: Perspectiva, 2008.
• KARPINSKAIA, O. G.; REVZIN, L. L.. Análise semiótica das primeiras peças de Ionesco (A cantora careca e a Lição). In: Semiologia do teatro. São Paulo: Perspectiva, 2008. p. 215- 219.
•MITO, IDEOLOGIA E UTOPIA. Disponível em < http://www.ugr.es/~pwlac/G08_05JoseAntonio_Perez_Tapias.html >. Acesso em 30 de nov. de 2010.
• NADER. Maria Beatriz. Mulher: do destino biológico ao destino social. 2.ed. Vitória, ES. Editora EDUFES, 2001.
• NETTO, Vanda Luiza de Souza. A busca do amuleto perdido em Macunaíma: Uma releitura antropofágica. 2008. 116 f. Dissertação (Mestrado)- Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória, 2008.
• ORTEGA ; GASSET. Ideas sobre el teatro y la novela.
• STEIN, Murray. Jung: O mapa da Alma: uma introdução. Tradução de Álvaro Cabral; revisão técnica de Márcia Tabone. 5. ed. São Paulo: Cultrix, 2006.

autoria: Renata Bomfim

Reféns da incompetência (José Augusto Carvalho)

O novo (des)acordo ortográfico, por sua estupidez, deixou-nos reféns dos dicionários e do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), não apenas por causa do hífen, mas também por causa do humor dos dicionaristas, nem sempre preparados para a função que exercem. Acredito mesmo que, à exceção de Antônio Geraldo da Cunha, que colaborou com o Dicionário Houaiss, e que infelizmente faleceu, nenhum colaborador ou autor de dicionário de língua tenha ou ponha em prática noções básicas de lexicografia.
O emprego do hífen é um samba do crioulo doido, porque sem lógica e sem possibilidades de normalização. Senão vejamos os pares abaixo em que a primeira palavra é hifenizada; e a segunda, de formação idêntica, não. Consulto o Volp: planta-mãe/planta matriz; célula-tronco/sequestro relâmpago; pé-de-meia/pé de moleque; cachorro-quente/elefante branco (coisa importuna); ponto-final/ponto de exclamação ou ponto e vírgula; afro-brasileiro;/afrodescendente; norma-padrão/desvio padrão; bom-senso/bom gosto; pronto-socorro/pronto atendimento; histórico-cultural/infantojuvenil; passa-tudo/passatempo; perde-ganha/ vaivém; ano-novo/ano velho; carro-forte (forte aqui com sentido de fortaleza, como “forte S. João”/carro esporte; etc.etc.
Quanto ao humor dos dicionaristas, a coisa piora. O Aurélio ensina que o verbo explodir é defectivo, isto é, não se conjuga em todos os tempos e pessoas por lhe faltar a 1ª pessoa do singular do pres. do indicativo e, consequentemente, todo o presente do subjuntivo. No entanto, no próprio verbete explodir, onde consta essa informação, o verbo aparece conjugado em todos os tempos e pessoas. O Houaiss, contrariando todas as gramáticas, conjuga integralmente o verbo adequar: eu adéquo, tu adéquas… No entanto, gramáticos como Domingos Paschoal Cegalla, ensinam que, se o verbo adequar não fosse defectivo, sua conjugação seguiria a do verbo recuar, e acrescenta: “Não existem as formas adéqua, adéquam, com e tônico.” (CEGALLA. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996, s.v.)
Na minha gramática, já em segunda edição, denuncio arbitrariedades do Volp. Todas as gramáticas ensinam que azul-celeste e azul-marinho, por exemplo, são adjetivos invariáveis. O Volp inova: azuis-celestes, azuis-marinhos. As gramáticas ensinam que o nome de cor composto, formado por adjetivo com nome de cor mais substantivo comum, é invariável: verde-mar, vermelho-brasa, amarelo-laranja. O Volp inova: verdes-garrafas, azuis-ferretes, verdes-mares. Que critérios seus autores adotam para ir de encontro às lições tradicionais?
O Caldas Aulete eletrônico às vezes é um desastre completo. Recusa o feminino presidenta (que o Houaiss, o Aurélio e o Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa aceitam), mas não recusa governanta e infanta, femininos que, como presidenta, também tiveram sua forma masculina oriunda do particípio presente latino.
Em julho de 2010, ao explicar Gálico, como a “Palavra do Dia”, o Caldas Aulete colocou como sinônimos os adjetivos pátrio e gentílico. Mandei um e-mail para a Lexikon Editora Digital, citando a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, editada pela Nova Fronteira em 1985, mesma editora do Calda Aulete: “Entre os adjetivos derivados de substantivos cumpre salientar os que se referem a continentes, países, regiões, províncias, estados, cidades, vilas e povoados, bem como aqueles que se aplicam a raças e povos. Os primeiros chamam-se PÁTRIOS; os segundos GENTÍLICOS, denominações estas que foram omitidas na Nomenclatura Gramatical Brasileira e na Nomenclatura Gramatical Portuguesa, mas que nos parecem necessárias” (Versais e grifos dos autores). E expliquei: Assim, semita é gentílico que compreende diversos pátrios (hebreus, assírios, aramaicos, fenícios e árabes); mesopotâmico é gentílico que compreende assírios, caldeus, sumérios e babilônicos; mas pátrio diz respeito à região: brasileiro, português e francês são pátrios.
A resposta, assinada por Luiz Roberto Jannarelli, é um atestado de submissão ao erro: Caldas Aulete reconhece a lição de Celso Cunha e Lindley Cintra, mas prefere seguir o que dizem os principais dicionários de língua: o Houaiss e o Aurélio. Mesmo reconhecendo o erro, prefere ser maria-vai-com-as-outras (expressão que hifenizo conscientemente apesar da lição espúria do Volp).
Só me resta rezar para que os portugueses, dando prova de inteligência e discernimento, continuem lutando para que esse acordo ortográfico idiota seja rejeitado por Portugal.

Profº José Augusto Carvalho
Mestre em linguistica pela Unicamp, Drº em Letras pela USP,
Profº do Mestrado de Linguistica da Ufes.

fonte: Contra o Vento

20/09/2011

XIII CONGRESSO DE ESTUDOS LITERÁRIOS: Que autor sou eu? Deslocamentos, experiências, fronteiras

OLá amigos, a minha comunicação nesse congresso acontecerá no Simpósio 1: Pensamento liminar, narrativas e literaturas pós-coloniais. MESA 2 - Vozes da diáspora (Sala 1 do IC-3 – 14h30min às 16h10min). Dia 07 de outubro, 6ª feira, 13h30min às 17h30min. Estão convidados!
Segue o resumo:

O PRINCÍPIO REVOLUCIONÁRIO DA POESIA HISPANO-AMERICANA NA POÉTICA DE RUBÉN DARÍO
XXXXXXXXX Profa. Me. Renata O. Bomfim (Doutoranda-Ufes)

Propomos analisar questões relacionadas à poética e a política a partir da obra de Rubén Darío (1867- 1915), poeta nicaraguense que abriu um novo espaço canônico para a poesia hispano-americana. Rubén Darío é considerado o criador do Modernismo hispano-americano que irrompeu com a “geração de 98”, tempo marcado por variadas revoluções na América Latina. Sob o signo da modernidade, Darío escreveu textos que responderam, literariamente, às questões sócio-políticas de sua época. Ele escreveu sobre a intervenção dos Estados Unidos no Panamá, em 1903, por meio daquele que é considerado o primeiro grande poema político da literatura latino-americana, o poema A Roosevelt. Nessa obra antológica ressoam muitos “nãos” e o poeta faz a pergunta: “¿Seremos entregados a los bárbaros fieros?/ ¿Tantos miliones de hombres hablaremos inglês?/ ¿Ya no hai nobre hidalgos ni bravos caballeros ?/ ¿Callaremos ahora para llorar despues?.”
A temática revolucionária replicou-se em outros poemas darianos reunidos na obra Cantos de Vida y Esperança, de 1905. O Chileno Francisco Contreras tomou como ponto de partida este livro para descrever a irrupção dos problemas nacionais na literatura da América Latina e apontou Darío como o poeta fundador da lírica hispano-americana, como o fez também o poeta e critico literário Octávio Paz. Para falar das questões relacionadas à poética como forma de resistência aos discursos totalizantes e hegemônicos, bem como, de uma Modernidade inscrita sob o signo da revolução, utilizaremos como arcabouços teóricos os pensadores Jacques Rancière, para quem “a escrita é coisa política”; Deleuze e Gattari, que apontam estar interpenetrados à língua, no âmago da máquina abstrata da linguagem, o campo social e os problemas políticos; e Frantz Fanon, para quem o militante político é o combatente, e fazer guerra e fazer política é uma coisa só”.
Importa destacar também que, Rubén Darío influenciou fortemente, tanto pela afirmação, quanto pela negação, a geração de escritores que lhe sucedeu. Poetas como Vallejo, Arguedas, Gullén, Carpentier, Rulfo, Cesaire, Pablo Neruda, Jorge Amado, Florbela Espanca, foram marcados por suas visões de países longínquos ou impossíveis. A errância, outro tema amplamente cantado pelo poeta cosmopolita/errante, ressoou em escritores como José Maria Egurem, Vicente Huidobro, Haroldo de Campos e Jorge Luiz Borges que afirmaria, em 1955, “nossa pátria é a humanidade”. A poesia de Rubén Darío sobreviveu às mudanças e rupturas das vanguardas e segue sendo lida com grande interesse até hoje. Os estudos pós-coloniais nessa análise, especialmente pelo fato de não se fecharem em teorias totalizantes e colocarem em xeque a histórica contada pelo prisma do colonizador europeu, será um de nossos norteadores. Dessa forma, propomos pensar as questões referentes à política e a poética dando visibilidade aos elementos que conferem caráter revolucionário a poesia.

Palavras- chave: Rubén Darío; pós-colonialismo; modernismo hispano-americano.

Eden´s Bird

I Love my piece of land!
From behind, I sing for the full mountains,
The birds and the forests.
My delighted feet slide
In the dust of the road
I walk and walk, losing the way
In a fascinating nomadism
It is so difficult to stop!
I love each centimeter of this soil
Each fungus, each insect
Time is a symphony, inviting me to meditate.
This huge land where I was born
Intoxicates my green and grey eyes
Where the most valuable stones live
The sacred tablets of commandments
Teaching how to love each solitaire bird
And to learn with all the other birds
How pleasant it to be with!
I am an open and closing human being
A distressed spark
From which it wants to make a very high fire
By multiplying the coal pieces
By lightening up the lights
Within the soul
Shining until it implodes
As a rare feeling of happiness.
autora: Renata Bomfim
Tradução: Sunny Lóra

Entrevista com a escritora e Presidente da AFESL Ester Abreu Vieira de Oliveira, no Lítero Cultural

Olá amigos leitores, reproduzo aqui alguns trechos da entrevista concedida pela poeta, professora e presidente da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras (AFESL), Ester Abreu Vieira de Oliveira, ao escritor Selmo de Oliveira. Prestem atenção na riqueza da produção da professora Ester, sem tirar as orientações para graduandos, mestrandos e doutorandos, as palestras, os congressos, etc.  Tenho o maior orgulho de tê-la como minha orientadora no doutorado da UFES, considero uma honra, também, ser sua amiga e confreira na AFESL.
A profª Ester me dando aquele apoio no lançamento do Arcano dezenove


SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

ESTER ABREU - Possuo publicações em revistas, jornais, anais de congressos e em várias antologias (poesia, crônicas e traduções, resenhas e ensaios sobre a literatura espanhola, hispano-americana e brasileira e estudos linguisticos).
Entre as obras didáticas, poéticas, ensaísticas e narrativas encontram-se 23 livros:
Ensaio:
1.Para una lectura del teatro actual: Estudio de PANIC de Alfonso Vallejo. Vitória: AESL, 2009.
2.História em verso. Vitória: CESV, 2004. Ultrapassando fronteiras. Vitória: UFES/ DLL/ PPG, 262 p.
3.O mito de don Juan: suas relações com Eros e Thanatos. Vitória, UFES, 1996.
4.Estudio comparativo de la sintaxis verbal portuguesa y española con especial atención al uso de brasileños. 170 p., Madrid, 1968 - trabalho monográfico sob a orientação da Profa. Dra. Pilar Vázquez Cuesta)
5.Alguns aspectos do possessivo português em confronto com o espanhol, 1983, 112 p – dissertação de mestrado, Curitiba, PR.
6.Lorca que te quero Lorca (Co-autoria com Maria Mirtis Caser). Vitória, IHGES, 1997. 79 p.
7.No limiar da imortalidade (Co-autoria com Maria Helena Teixeira de Siqueira). Vitória, IHGES, 1998, 8.Retablo de las maravillas (Co-autoria com Maria Mirtis Caser e Jorge Luis do Nascimento – Ed. Bilíngüe. Brasília: ALEE, 2004.
9.Ultrapassando fronteiras (ensaio poético de escritores hispânicos e brasileiros) Vitória: UFES/DLL, 2004, 262 p.
10.Muqui – Cidade Menina - em verso e prosa (no prelo)
11..PANIC de Alfonso Vallejo ( obra de teatro - tradução)
Didáticos:
12.Português para estrangeiros – 31 lições. Vitória: Ed. do Autor, 1983.
13.Ejercicios gramaticales, Nivel I e II. Vitória: UFES, 1985.
14.Libro de Verbos español. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 2004. 87 p.
15.Estúdio de verbos. Com ejercicios. Incluye clave. Rio de janeiro: Ao Livro Técnico, 2004.
16.Pensamento à palavra (coautoria) – Org. José Augusto Carvalho. Cap V- Predicação verbal e regência e Cap VI Concordância, Vitória: Ufes, 1980.
Poemas:
17.Momentos. Vitória: ed. do Autor,1980.
18.Iberia dividida, Vitória: ed. do Autor, 1980.
19.Para no olvidar. Vitória: CESV, 2005.
20.Trevo de Quatro Folhas. (co-autoria com Maria das Graças Silva Neves; Maria Helena Teixeira de Siqueira; Marilena Vellozo Soneghet Bergman) Vitória: IHGES, 1999.
21.Salmos de inquietação e eclosão do Ser. Vitória: CESV, 2006.
Infantil:
22.El lagarto en el jardín" (livro bilíngüe) Rio de Janeiro, Ao Livro Técnico, 1999.
23.Historias da casa da Vovó. (livro bilíngüe - no prelo)
Algumas antologias revistas, (de poemas, ensaios e crônicas) , mas tenho ainda publicações impressas, em
CD e on-line em revistas e anais (impressos e on-line),
1.Antologia de poetas de cidades brasileiras. RJ- 1985
2.Poetas brasileiros de hoje. RJ – 1986
3.Os versos que te dou III. RJ – 1989.
4.Colégio Estadual 90 anos Educando. Vitória 1996
5.Argila. Petrópolis: 1986
6.Argila. Petrópolis: 1998.
7.Escritos de Vitória 18 . Cidade Presépio. Vitória: PMV, 1997,
8.Escritos de Vitória 25. Vitória, Cidade Sol. Vitória: PMV, 2008
9.Escritos de Vitória 26 .Vitória, Cidade ilha. Vitória: PMV, 2009,
10.Escritos de Vitória 24 .Rádio. Vitória: PMV, 2007,
11.O vento no bambuzal. (Org. Berredo de Menezes) Vitória: IHGES, 1997.
12.Antologia de escritoras capixabas. (Org. Frâncico Aurélio Ribeiro) Vitória: CEG/DLL1998.
13.Edição Primavera (haikais). Vitória: IHGES, 1999.
14.Escritos entre dois séculos. (Org. Miguel Marvila e Maria Helena Teixeira de Siqueira) Vitória: Floricultura, 2000.
15.Alguns de nós em verso e prosa. (Org. Miguel Marvila e Maria Helena Teixeira de Siqueira) Vitória: Floricultura, 2001.
16.Vozes e perfis.(Org. Maria das Graças Neves, Marilena V. Soneghet Bergman) Vitória, AFESL, 2002.
17.Ecos da terra capixaba. (Org. Jô Drummond, Regina Loureiro) Vitória: AFESL, 2004.
18.Dança das palavras. Vitória: AFESL, 2005.
19.Poesia &Mar – POEMAR. Vitória: AFESL,1999.
20.Textos e tramas .Antologia. Vitória: AFESL, 2003.
21.A poesia Espírito-santense no século XX. Antologia. (Org. Assis Brasil) Rio de Janeiro: Imago, 1998.
22.Quelque chose d´elles. Porrentruy 2 (Suíça): Cahier, 1994.
23.Polifonia. Cuiabá (MT): FAPEMAT, 2007.
24.Revista do IHGES Vitória números 49, 52, 53, 54 , 58, 59, 63
25.Modernidad y modernización. Cultura y literatura em latinoamérica. (Org. Luzia Lobo) Quito- Ecuador, Abya-Yala, 2000.
26.Seisquicentenário do Nascimento de Afonso Claudio (1859-2009) Vitória: AESL, 2009.
27.Clepsidra. Antologia. Vitória: AFESL, 2007.
28.Tempo das águas. (Org. Maria Lúcia Grossi Zunti) Linhares: AFESL,2008.
29.O corpo nas literaturas Hispâniicas. Rio de Janeiro: APEEJ, 1998.
30.Revistas da ALES ( 1998, 199, 2000, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009,2010)
31.Literatura e suas moedas (de fronteira) (Or. Beny Ribeiro dos Santos; Santinho Ferreira de Souza. Vitória: Florecultura. 2008
32.Jornadas de Navegação IV Vitória: IHGES, 2000.
33.Revista Brasileira Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2000.
34.El español : un idioma universal. Rio de Janeiro: APEEJ, 2001.
35.Pensamentos, críticas, ficções. Vitória: PPGL?MEL, 2008.
36.Signum Vitória: CESV (Números
37.Revista Mosaicum Teixeira de Freitas – BA Fasb ((2006, 2008, 2009,2010)
38.Vários números da Revista do IHGES
39.LEITOR, LEITORA: LITERATURA, RECEPÇÃO, GÊNERO, ppgl/UFES, 2011

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

ESTER ABREU - Ler os clássicos e modernos e contemporâneos, para beber em fonte alheia temas, desenvolvimento deles, estética, ritmo, linguagem e ter a força de recrear o seu próprio estilo, sem imitar o alheio, isto é, respeitar a tradição e a originalidade dos autores, mas é fundamental dar a sua contribuição de originalidade em sua obra.

Baixe aqui o livro da professora Ester
PARA UNA LECTURA DEL TEATRO ACTUAL: estudio de PANIC  (em pdf)