27/10/2008

questões poéticas XV

O que te faz feliz?
O que faz vibrar teu coração?
O que te faz pensar?
O que a consciência te diz?
Em mim brotam mil pensamentos
água de fonte, eles
são rebentos, são como filhos que
ora acolho, alimento, e hora
negligencio deixando ao sabo da propria sorte.
Me faz feliz imaginar a humanidade
vivendo em harmonia com a natureza
Todos comendo grãos e vegetais,
bebendo água pura,
com saúde e moradia
e me dizem: "que discurso gasto, pura utopia"
me calam a voz.
Mas logo sugem os engasgos
os nós na garganta
e minhas palavras altivas e
até mesmo agressivas
pedem passagem.
Então emerge um eu que
até eu mesma desconheço,
e já não sou sou mais essa aquela
Sou fauna,
flora
macaco, paca, tatu
passarinho na gaiola
cantando em gritos.
Faz meu coração vibrar essa energia
a minha consciência está desperta!
Sei que estou aqui, agora,
mas um dia, serei da terra alimento.

Convite à sedução

Me seduza com tua manha
dobra o meu orgulhoso
com palavras obtusas
colorindo os dias e noites
com promessas vãs.

Me induza à perdição
ao abismo dos apaixonados
onde tudo é terrivelmente belo e raro
onde habita o sentido, a completude e
a comunhão.

Me faça sentir viva
Não é isso o amor?
Essa cegueira induzida
esse sim, não, sim.
Não é abrir, por vontade própria,
na carne, feridas?
Chagas benditas
Ter por deus a saudade
e render-lhe adorações
não é curtir, como D'Avila,
o tal gozo mistico?
Não é isso o amor?

Me seduza
Anseio esse descentramento
Para que a vida se torne verdade
Anseio essa experiência divina
fundada na utopia
pra ver brotar de novo o desejo
Transformando em encantamento
O que agora é pura afasia.

21/10/2008

A fúria de Eros

Desejo a luz azulada
Do teu peito abrasado
Dá-me o teu gozo
o teu coração
Dá-me o teu pulmão
Teu baço
Pernas e braços
Sê meu por inteiro
Sem sombras e nem saudades
Deixa para traz
pai
mãe
irmão
Deixa de comer e beber
Vem para mim com cuidado e
Sem demora
Traz o fogo de Prometeu
De Zeus a chuva de ouro
Vem dissimulado
Deita com os olhos semicerrados
E finge que não me viu
Vou te dar o meu ódio
em férreos beijos e abraços
Cacos afiados de antigas convenções
Sê meu nesse delírio de posse
Antes que noite acabe
e se desfaça a fantasia
Antes que vire dia
Dá-me a fonte de luz
que o teu sexo irradia.

nó na garganta

Se te conto os sonhos mais íntimos
É porque são não- sonhos.
Se te engulo em dias de calor e te
Enrolo nas cobertas da saudade no frio
é porque minhas lembranças clamam
das profundezas.

Não sou especial!
Sou apenas eu
de mãos vazias,
versos translúcidos,
Sou apenas eu
>>>>>>>o pretérito
>>>>>>>a preterida

Sou apenas eu
Embalada por verbos-pirações
derramando-me sobre o papel em fantasias
enriquecidas pela paranóia.

Esse nó na garganta difícil de desatar, amor,
é a minha vida
Buscando ar, espaço, acolhida,
Sou eu tentando ser gente
precisando de amor
fazendo igual cachorro pulguento
buscando dono e lambendo as feridas.

Silêncio

Silêncio
Faz-se necessário ouvir
Este som
Este grito
A música dos loucos e dos exilados
É preciso, também, observar, enxergar
O mais cruel
O mais triste
É preciso sentir a dor
É preciso ver a cor do medo e da tristeza
E suar frio até pingar
Arrancar as roupas
descalçar
Ficar nu
Ter a alma nua
A revolta vai brotar linda assim,
excitada, sob forma de ação.
Sim, é preciso agir, e rápido,
Partir em busca de solução
Para a fuga
Para o desespero do mundo
Vamos sair correndo
de dentro da roda
É preciso virar marginal
Vamos curtir a margem
de onde se é invisível
de onde tudo se vê, ouve e sente
onde o sonho é uma utopia tangível
e de onde partem todos os por quês.

Linhagem

Cabem nas mãos pequenas
da mulher
a agulha, o tecido e o fio com que
alinhava veloz as mágoas
Buscando fechar os rasgos
Remendar as coisas
Revivendo verbos puídos
e desgastados:
Amar
Sonhar
Sofrer
Ofertar
E ao fim do bordado
arabescos de dantesca bruteza
revelam o ácido da trama que corrói
corrompendo e condenando
a mulher
que sempre se doa
a eterna incerteza.

ribeiras da melancolia

São colinas essas estranhas
que se elevam diante de mim
O gelo encobre a terra fértil
O rio do tempo passou sulcando o chão que
hoje é pedra
Marcas de uma Era que deixou de existir.

Eu, essa pequena ponta de ice- berg
vagante
Domada como um carneirinho
engolindo sapos e o tempo que passa
sendo devorada como os livro
pelas traças da perplexidade , do susto e
do absurdo.

A barreira torpe que meu corpo encena
vai sendo transposta devagar
vencendo a lei da mão do mais forte
impelindo minha energia vital a buscar espaço
nas sombras e a desfrutar núpcias
nos braços da morte.

Versos de orgulho e solidão

Que julguem!
Prefiro o inferno a dobrar-me
Prefiro a morte à sujeição
Prefiro este frio na alma.

Até que tudo se abrande
Silencio a consciência e
calo completamente a voz.
Não permitirei que ouçam
lamentos e nem murmúrios
Não permitirei intromissões
Nos campos dos meus desejos
Nem que colham os morangos
da minha dignidade.

Recolho os sonhos e
Os guardo com cuidado.
Respeitosamente espero a chuva cair.
Experimento o sabor do perdão
por serem meus os pés e as mãos que
Constroem rápido o buraco
da minha sepultura/solidão.

10/10/2008

O que acontece com o saquinho que "ingenuamente" pegamos nos supermercados , padarias, feiras...?


Amigos,

os saquinhos que "ingenuamente" pegamos nos supermercados, nas padarias, nas feiras..., são arrastados para diferentes lugares do planeta, até os mares, lagos, rios... Eles encontram caminho para o mar em bueiros e encanamentos, já foram encontrados sacos plásticos flutuando ao norte do Círculo Ártico, e também muito mais ao sul, nas Ilhas Malvinas. Os saquinhos plásticos se fotodegradan: com o passar do tempo se decompõe em petro-polímeros menores e mais tóxicos que finalmente contaminarão os solos e as vias fluviais. Como conseqüência, partículas microscópicas podem entrar para a cadeia alimentar. O efeito sobre a vida silvestre tem sido catastrófico. As aves ficam presas e cerca de 200 diferentes espécies de vida marinha, incluindo baleias, golfinhos, focas e tartarugas morrem por causa dos sacos plásticos e morrem depois de ingerir os sacos plásticos, que confunden com comida.
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos divulgou que são consumidos anualmente entre 500 bilhões e um trilhão de sacos plásticos ao redor do mundo. Menos de 1% dos sacos é reciclado. É mais caro reciclar um saco do que produzir um novo. Processar e reciclar uma tonelada de sacos custa U$ 4000. A mesma quantidade de sacos é vendida no mercado de matérias-primas a U$ 32”. Os sacos plásticos são feitos de polietileno: um termoplástico que se obtém a partir do petróleo, reduzindo o uso dos sacos plásticos diminuirá o consumo de petróleo, recurso não renovável que gera tantos conflitos... A China economizará 37 milhões de barris de petróleo por ano graças à proibição dos sacos plásticos gratuitos, e tem gente que ignora tudo isto… O que podemos fazer?
Se usamos uma bolsa de tecido, podemos economizar em torno de 6 saquinhos plásticos por semana, 24 sacos por mês, 288 sacos por ano, 22.176 sacos ao longo da vida. Se apenas 1 de cada 5 pessoas neste país fizesse isso, economizaríamos 1.330.560.000.000 sacos plásticos durante nossas vidas. É questão de fazer um pequeno esforço e logo a gente se acostuma a levar a sacola de pano às comprascomo era antigamente...

Bangladesh proibiu os sacos plásticos, a China proibiu os sacos plásticos gratuitos, a Irlanda foi o primeiro país da Europa a cobrar impostos sobre os sacos plásticos em 2002. Desta forma, reduziu o consumo em 90%, Ruanda proibiu os sacos plásticos em 2005, Israel, Canadá, Índia, Botswana, Quênia, Tanzânia, África do Sul, Taiwan e Singapura também proibiram ou estão em vias de proibir os sacos plásticos. Em 27 de março de 2007, São Francisco tornou-se a primeira cidade dos EUA a proibir os sacos plásticos.

O crepusculo dos deuses

A forteleza erguida e reluzente
inspira os homens
No baixo o indigno se agita e desesperado
busca ouro nas entranhas da terra
Na terra os mortais choram a fortuna desdita
Turavam-se as águas do rio.
Chegado o dia da batalha final
o deus louco, caolho,
de cegueira impudica,
reclama para si o verde
e as águas cristalinas
queimando tudo que tem vida
até a sabedoria que
maçã dourada jamais compraria.
Adormece a terra
à espera de uma outra era
que imperiosa se anuncia.

09/10/2008

Cada pessoa é responsável ....

A pecuária representa uma das atividades humanas mais impactantes para o meio ambiente, consumindo grandes quantidades de água, grãos, combustíveis fósseis, pesticidas e drogas.
Esta atividade é também a principal causa por trás da destruição das florestas tropicais e outras áreas naturais, além de grande responsável por outros impactos ambientais, como a extinção de espécies, erosão do solo, escassez e contaminação de águas, desertificação, poluição orgânica, efeito estufa etc.

Na pecuária intensiva, o gado é criado em sistema de confinamento, sendo mantido por toda a vida em recintos apertados, com alta densidade populacional, vivendo sobre as próprias fezes. Devido à insalubridade a que estes animais estão sujeitos, é grande o risco de infecções. Por este motivo, estes animais recebem juntamente com a ração antibióticos e outras drogas, além de hormônios de crescimento (o que no Brasil é proibido, embora praticado).
Neste sistema de criação, o gado é alimentado no cocho com ração à base de grãos como soja e milho. Mais de 80% do milho e da soja produzidos nos EUA são destinados à fabricação de rações e praticamente todas as exportações brasileiras destes produtos, para os EUA e Europa, destinam-se a este fim.

Caso estes grãos fossem utilizados diretamente na alimentação de seres humanos, sua produção não necessitaria ser tão elevada e as áreas de terras cultivadas não necessitariam ser tão extensas, sobrando mais espaço para os ecossistemas naturais. Alimentar animais com grãos para depois comê-los é um uso ineficiente dos grãos, pois a conversão de proteínas vegetais em animais implica em custos. Os grãos são mais eficientemente utilizados quando consumidos diretamente por seres humanos.

Uma determinada área capaz de sustentar um único indivíduo consumindo carne poderia sustentar entre 12 e 30 indivíduos consumindo alimentos vegetarianos diversos (para mais detalhes, leia o texto “Vegetarianismo e Combate à Fome”). Sob outro ponto de vista, para sustentar cada ser humano vegetariano é necessário entre 12 e 30 vezes menos terra do que para sustentar um indivíduo que baseie sua alimentação em carnes.

Francês Le Clézio é o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura

O mais prestigioso e cobiçado prêmio literário do mundo vai para o escritor Jean-Marie Gustave Le Clézio, anunciado nesta quinta, 9, o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2008. Vários nomes figuraram entre os favoritos do ano, como o italiano Claudio Magris, o sírio-libanês Adonis, o americano Thomas Pynchon, a canadense Margaret Awood e o japonês Haruki Murakami encabeçavam a lista de apostas para o prêmio deste ano. O prêmio Nobel de literatura é o mais prestigioso e cobiçado prêmio literário do mundo. Consiste em 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,3 milhão ou R$ 2,63 milhões), uma medalha de ouro e um diploma.

Le Clézio nasceu em Nice, em 1940, sendo autor de quase duas dezenas de livros. Viveu nas Ilhas Maurícias, de onde mantém o passaporte, e que lhe sugeriram o cenário para o romance O Caçador de Tesouros. Neste momento, vive no México e continua a escrever: Je veux écrire une autre parole qui ne maudisse pas, qui n’exècre pas, qui ne vicie pas, qui ne propague pas la maladie.




03/10/2008

Questões poéticas IV

O que dos seres invisíveis me toca?
O abandono perverso
o verso ao contrário
o trava-língua?

Por que suas faces pálidas me remetem
a tempos de solidão
desmontando a persona status quo?

Serei eu o seu avesso?
por que sua existência me fortalece
e faz sentir mais viva?

Serão os invisíveis, anjos?