06/04/2007

... querida Alma irmã da minha


...querida Alma irmã da minha
Flor e lágrimas
é bela
A passagem onde flutuo
Leve...
Busco uma razão para viver

busco a pedra
Eu a busco a muitos séculos
_Querida Alma irmã da minha
segura a minha mão
sinto medo...
caminha comigo
Está escuro

Somente aqui,

Nestas profundezas
pude perceber a finitude das paixões e
a amplitude do amor
Desse amor que foi o único
Bem que possuí
O ar, o mar, o céu, a lua
As estrelas, as lágrimas...

e a dor, irmã.
Seu coração está junto ao meu
sinto-o como um tambor
ritmando os meus passos
cadenciando meu corpo etéreo
não mais aquele corpo
evanescente
Orgulho e gozo
Desço cada vez mais
em busca da pedra
Dessa vez terei sucesso?
Dizem que a pedra também nos busca
Estou fraca e
Penso em desistir
Mas sua presença me anima
Conforta

Será que permitirão que eu volte
será que posso lidar com a perda
dessa luz que é a lembrança
Há um portal fulgurante
Vejo-o ao longe
Vamos atravessar?
O que nos espera depois?
_Não sei...
O retorno é cada vez mais improvável

Você teve a chance de Ser
de atuar e contemplar
irmã, seja forte
eu sei onde a pedra está
e sei que o aprendizado se dá por meio da busca
Busque
Sim
aceito
E preciso dizer-te que
Valeu viver
Valeu morrer e
Vale estar aqui,
neste limbo que me força ver

quem realmente sou
Onde nada tenho a ganhar e
nem a perder
aqui também não se barganha irmã

Brilha, lancina
Cintila

a pedra está perto
Daqui pra frente eu sigo só...
Obrigada!
Nos reencontraremos
laços permanecem pela eternidade
Há caminhos que precisamos percorrer
Retornar à superfície
compreendeer o sentido

da pedra...
Re- viver
Re- nascer
Ser



by renata bomfim

Neurastenia, você sabe do que se trata?



Neurastenia

Sinto hoje a alma cheia de tristeza!
Um sino dobra em mim, Ave-Marias!
Lá fora, a chuva, brancas mãos esguias,
Faz na vidraça rendas de Veneza…

O vento desgrenhado, chora e reza
Por alma dos que estão nas agonias!
E flocos de neve, aves brancas, frias,
Batem as asas pela Natureza…

Chuva… tenho tristeza! Mas porquê?!
Vento… tenho saudades! Mas de quê?!
Ó neve que destino triste o nosso!

Ó chuva! Ó vento! Ó neve! Que tortura!
Gritem ao mundo inteiro esta amargura,
Digam isto que sinto que eu não posso!!…

(Florbela Espanca, «Livro de Mágoas», in «Poesia Completa»)



Neurastenia é uma condição mental caracterizada por um estado de astenia física e psíquica, pela incapacidade de fazer qualquer esforço, por preocupações com a saúde, por uma irritabilidade marcante, cefaléia e distúrbios no sono. A neurastenia por ocorrer como conseqüência de esgotamento emocional, evoluindo de maneira mais ou menos longa, mas com possibilidade de cura na maioria dos casos. A neurastenia constitui uma forma neurótica difícil de precisar, devido à complexidade e variabilidade dos sintomas. Alguns estudiosos chegam a enquadrá-la na psicastenia, enquanto outros estabelecem numerosas distinções. De uma maneira geral, costuma-se distinguir entre uma neurastenia endógena. que se desenvolve s6bre um terreno constitucional com predisposição específica, e uma neurastenia adquirida em conseqüência de traumas emotivos, cansaço excessivo, etc. Apresentam-se como sintomas característicos da neurastenia a insônia, pouca resistência à distração, à irritabilidade, à depressão mental e as dores de cabeça. Tratando-se principalmente de um distúrbio da personalidade, o comportamento do indivíduo sofre transformações que dificultam sua adaptação social e levam-no a uma marginalidade, assim como à ocorrência de fobias, desconfiança, tendência para mistificação. Segundo alguns psicanalistas, a neurastenia seria uma regressão à personalidade infantil. Insistem também no caráter narcisista da neurastenia.A Neurastenia é uma síndrome descrita freqüentemente em muitas partes do mundo, caracterizada por fadiga e fraqueza, é classificada no DSM-IV como
Transtorno Somatoforme Indiferenciado, se os sintomas persistirem por mais de 6 meses.Segundo a CID.10, existem variações culturais consideráveis para a apresentação deste transtorno, sendo que dois tipos principais ocorrem, com considerável superposição. No primeiro tipo, a característica essencial é a de uma queixa relacionada com a existência de uma maior fatigabilidade que ocorre após esforços mentais freqüentemente associada a uma certa diminuição do desempenho profissional e da capacidade de fazer face às tarefas cotidianas. A fatigabilidade mental é descrita tipicamente como uma intrusão desagradável de associações ou de lembranças que distraem, dificuldade de concentração e pensamento geralmente ineficiente. No segundo tipo, a ênfase se dá mais em sensações de fraqueza corporal ou física e um sentimento de esgotamento após esforços mínimos, acompanhados de um sentimento de dores musculares e incapacidade para relaxar. Em ambos os tipos há habitualmente vários outras sensações físicas desagradáveis, tais como vertigens, cefaléias tensionais e uma impressão de instabilidade global. São comuns, além disto, inquietudes com relação a uma degradação da saúde mental e física, irritabilidade, anedonia, depressão e ansiedade menores e variáveis. O sono freqüentemente está perturbado nas suas fases inicial e média mas a hipersonia pode também ser proeminente.Veja Síndrome de Fadiga Crônica




05/04/2007

Salvem Chapeuzinho vermelho!!!


Sempre nutri certa simpatia pelo lobo mal. A chapeuzinho, sempre achei uma chata, e olha que eu já pensava assim antes dos 10 anos.
Hoje, algumas décadas depois, vou além, ao bloco da chatice ambulante incluo a vovozinha, a mamaezinha, o caçador, só vou poupar o coelhinho porque amanhã é páscoa.
Amigos, por favor, salvemos a chapeuzinho (essa inocente) da mesmice, da monotonia, do tédio, desse gorrinho idiota que impede que a chamem pelo nome! vamos lhe presentear com uma viagem, quem sabe para uma grande metrópole, bem poluida, acho que esses ares do campo não tem lhe feito muito bem... lhe ofereçamos um cigarro e uma bagaceira, estou certa que ela vai gostar...
O Lobo (afinal) não é mal, e nem é bom, o lobo simplesmente É. acho que lá no fundo a chacha queria virar comida... mas sempre tem um caçador pra atormentar, encher o saco, roubar a cena!
E o pobre lobo, lá na floresta, só queria paz....
é isso aí!
by Renata Bomfim

30/03/2007

Prato principal: eucalipto, sobremesa: cana de açúcar...

Viajando pela br 101 norte é de cortar o coração ver a infestação da monocultura...
De Vitória até Sergipe só se vê eucalipto, a perder de vista, e de Sergipe até Pernambuco a praga é a cana, pra lá depois eu não sei... fui só até aí.
O cenário parace daqueles do filmes Med Max, as usinas de cana soltando aquela fumaceira miserável e fedida, e o povo respirando toda àquela miséria e o pior que de barriga vazia... cadê riqueza que o presidente disse estar sendo distribuida? está sendo distribuida em outra freguesia....
Nunca vi tantas pessoas na senda da miséria, pedindo esmola na beira da rua... e eu que saí de férias pra não pensar!!!
Ah! anestésica ignorância, como eu te desejo...

não vi uma plantação de nada, ou melhor, nada que se coma, pra dizer que não estou mentindo vi uns pezinhos de café, mas esta monocultura impera mais forte ao Sul, e uns pezinhos de aimpim.
É isso...
É o preço do progresso, as nossas vidas...
Babau fauna e flora... Quando se incendeia o solo pra plantar essa merda, quantos animais não morrem?
leiam aí em baixo o pacto com capeta
que vai levar o restinho de mata atlântica que temos...
E por falar nisso, putz que calor... e eu nem to no climatério.

by Renata Bomfim




Reportagem do Terra:
Lula diz que ameaça ambiental de etanol é mito
Em artigo assinado nesta sexta-feira no diário Washington Post, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a parceria Brasil-Estados Unidos para produção de etanol, e diz que o dilema entre biocombustíveis e preservação ambiental é um "mito".
» Fidel critica política de Bush do etanol
"É um primeiro passo importante no sentido de comprometer nossos países a desenvolver fontes de energia limpas e renováveis (garantindo) a proteção ambiental", afirma Lula.
O artigo é publicado um dia antes da visita que Lula fará ao seu colega americano, George W. Bush, em Camp David, e um dia depois de o líder cubano Fidel Castro ter criticado a iniciativa no jornal oficial do Partido Comunista cubano, Granma.
Lula disse que a parceria "é uma receita para aumentar a renda, criando empregos e reduzindo a pobreza entre os vários países em desenvolvimento onde colheitas de biomassa são abundantes". "Essas fontes alternativas (de energia) ajudam a reduzir a dependência global em relativamente poucos países fornecedores."
Aludindo à intenção dos dois presidentes de anunciar investimentos para produção de etanol no Haiti, Lula acrescentou que "o acordo entre o Brasil e os Estados Unidos permite a diversificação da produção de biocombustíveis através de alianças triangulares em países terceiros".
O presidente brasileiro aproveitou o espaço para criticar os subsídios agrícolas americanos: "o etanol, e depois, o biodiesel só se tornarão commodities globais se o comércio de biocombustíveis não for obstruído por políticas protecionistas", escreveu.'Mito'
Lula rejeitou a tese de que a produção de cana-de-açúcar para uso em biocombustíveis ameaça as florestas tropicais, afirmando que se trata de um "mito".
"O solo amazônico é altamente inapropriado para o plantio da cana-de-açúcar. Além do mais, no contexto do compromisso inabalável do Brasil com a proteção ambiental, o desflorestamento caiu 52% nos últimos anos", justificou.
No artigo, o presidente brasileiro rejeita ainda a acusação - feita por críticos como os presidentes venezuelano, Hugo Chávez, e cubano, Fidel Castro - de que as plantações de cana-de-açúcar para fabricação de etanol impedirão a criação de alimentos que poderiam ser utilizados no combate à fome.
"Menos de um quinto dos 340 milhões de terras aráveis do Brasil é utilizado para colheitas. Apenas 1%, ou 3 milhões de hectares, é usado para cana-de-açúcar para etanol", escreveu Lula.
"Em contraste, 200 milhões de hectares são pastagens, onde a produção de cana está começando a se expandir. O desafio real de prover segurança alimentar está em superar a pobreza dos que regularmente têm fome."
Mas o presidente brasileiro disse que as condições de trabalho dos plantadores de cana, normalmente bóias-frias, precisam ser melhoradas no Brasil. "A agricultura provê não apenas alimento, mas uma maneira de vida para milhões de pequenos produtores em todo o mundo."
"A disseminação da cana-de-açúcar, soja e outras colheitas de oleaginosas para uso em biocombustíveis vai assegurar que as famílias em necessidade tenha os meios financeiros para se sustentar."
Na quinta-feira, a produção de etanol foi criticada pelo presidente cubano, Fidel Castro, em artigo no jornal oficial cubano. Nele, Fidel afirma que 3 bilhões de pessoas serão "condenadas à morte prematura por fome e sede no mundo".
BBC Brasil
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Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1517819-EI300,00.html


29/03/2007

Ode a Wilson


Ode a Wilson

Leve no jeito
Livre na essência
Wilson desliza
Nem sempre tranqüilo
Pelo Centro de Letras.
Wilson é a própria letra
Em forma de gato
Em forma de poesia
No antigo Egito foi
Conselheiro dos Faraós
Sua sabedoria felina
Dos gatos exilados de Capela.
Encarna contemporâneos branco e preto
Na alma traz as cores do arco-íris
Nem todos conhecem Wilson
A maioria nem o vê
É preciso sensibilidade
É preciso enxergar infravermelho
Para poder vê-lo em toda sua glória.
Ou uma lente mágica
Que apenas almas de artistas
e poetas trazem quando nascem
Com esta lente, além do Wilson,
Vêem-se os seres elementais.
Os elemetais do fogo, do ar e da água
São seus amigos
Juntos eles contam histórias
e relembram as canções
De um tempo quando
natureza e homem eram um só
E a força das substâncias era a matéria prima do espírito
Dinamizando o encontro e a vida.
Wilson também é contradição
é completude
é aquilo que o homem deseja, mas,
raramente pode ter
a liberdade em todos os idioma
inclusive o sânscrito.
É amor incondicional
É poesia sussurrada pelo vento
Pelos pássaros generosos
Que se oferecem em alimento.
Wilson é uma lição animal de humanidade
É o espaço e o tempo condensados
Num salto perfeito
Num romronar...
É a constatação de que a vida
simplesmente É!
Milagre e esperança.

by Renata Bomfim
Singela homenagem a Wilson, meu amigo felino do Centro de Letras da UFES.

24/03/2007

No reino sensivel das frutas

Eu quero Rebentar!
No reino plantae frutíferus
Quero voltar fruta- amaru

Eu quero amargar
Ter o caroço roxo
E por cima da casca fina
Uma penugem dourada.

Ser daquela que você quer
morder
chupar
e que só de imaginar sorver o líquido
carmim
começa a salivar

Na hora H
Vou te ferrar!
Meu pelo- espinho vai furar a palavra
Camuflada- entalada na sua garganta
E a tua inflorescência será revelada
Fantoche barato.

Vai ser engraçado
Vai ser cômico
Vai ser bizarro
Ver –te como és
Ver-te como ex
Ver-te quebrado
In vertebrado

Vingança, vingança de fruta-floral...
Ninguém te avisou do perigo?



By Renata Bomfim

23/03/2007

Desejo que consome!
A mulher
com a boca cheia
de mel.

Escorriam de sua boca, fluídicas,
Já alcançavam os seios
àquelas gotas douradas....
pareciam armadilhas
prontas para capiturar o Ávido

olhar
visgo
Uma doçura... melaço negro,
spectrum
Sabor de abismo
De morte

Ela estava predestinada.

Seu corpo exalava, agora
perfume de rosa
podre aroma de adeus
Belo e triste...


Ela, a noiva funesta,
fechara os olhos.

Seu amante estava lá.
Amou-a por toda vida,
A cada lágrima derramada
a lembrança
viagens gozozas e frustradas
Naquele corpo
Inerte e fúngico.

Desesperado
Lança-se sobre o corpus
Quer renovar seus votos

obsoletos
Do casamento inplicito

Noiva de Éter
Holometabólica
Bilateral
Quem sabe o seu destino?

Seu corpo
Doce...
Derrama-se,
Agora, Cada vez mais
Manacial.

E dizem que...
E choram e
HIPOCRISAM

Cheiro de crisântemos
A vida ex vai-se

O desejo não morre
Viaja com suas asas ferrugíneas
Mandaçaia
Para além de nossa compreensão.



Poesia funesta

Renata Bomfim







17/03/2007

Florbela "A Poeta"- Por Manuel Francisco Serrano


Florbela Espanca- "A Poeta"
Por Manuel Francisco Serrano

As vicissitudes do percurso biográfico de Florbela Espanca em muito têm contribuido para a lenda que se criou à sua volta, quase sempre, porém em deterimento de uma análise mais profunda do conteudo da sua obra o que é de lamentar. Convidamo-lo então a conhecer esta Poeta Calipolense que muito contribuiu para o enriquecimento do "Pensar/Sentir na Cultura portuguêsa.



A realização desta Webquest permite aprofundar o conhecimento sobre a obra e vida de Florbela Espanca, dando outros contornos à lenda e ao mito criado. Torna possivel o contacto com o espaço em que ela viveu e tambem com parte do seu espolio depositado à guarda do Grupo Amigos de Vila Viçosa.
Ao mesmo tempo esta webquest para a divulgação da obra de uma das grandes Poetas da Cultura portuguesa.


O Webbquest pode ser conhecido na íntegra no endereço:


O Sr. Manuel Francisco Serrano é Presidente da Associação de Amigos de Vila Viçosa, e presta um importante serviço junto a pesquisadores de todo mundo, recolhendo trabalhos sobre Florbela e divulgando sua obra. O Grúpo de Amigos de Vila Viçosa zela de parte do acervo de Florbela além de promover palestras, exposições, entre outras atividades que divulgem a obra da grande Poeta Calipolense.
Meu sincero agradecimento ao amigo Manuel pelo apoio que tem me dado referente à pesquisa sobre Florbela.
Abraço,
Renata

15/03/2007

Luz e Sombra: Maria Antonieta Tatagiba- por Karina Fleury



Amigos.
Hoje é o Dia Nacional da Poesia. Segue um texto que escrevi em homenagem a nossa primeira poeta a ter um livro editado: Maria Antonieta Tatagiba.
Tive a pretensão de vê-lo publicado em meio oficial, porém o mesmo foi descartado, antes mesmo de ser lido, sob as seguintes alegações: "data quebrada [79 anos de falecimento da poeta] não vende jornal" e "não tem nada de original falar de Antonieta". Entendi que é assim que o poder vai enterrando a memória do nosso povo. Não me dei por abatida e a prova disso é que insisto em aproveitar a ocasião para falar aos que a conhecem e aos que ainda não. Espero que colaborem comigo nesta minha/nossa (e falo pelos outros que já vêm fazendo isso) tarefa de dar voz à Antonieta.
Agradeço-lhes a atenção e abraço-lhes.


LUZ E SOMBRA

13 de março de 1928: morre, aos 32 anos, a primeira poeta capixaba editada: Maria Antonieta Tatagiba.
“Patrona Espiritual” da Academia Feminina Espírito-santense de Letras, é também patrona da cadeira 32 da Academia Espírito-santense de Letras. Antonieta Tatagiba era o nome de uma rua, em Jucutuquara - Vitória. Do Clube de Leitura “Maria Antonieta Tatagiba”, que funcionava na Escola Municipal Padre Anchieta, também em Jucutuquara, já não há mais vestígios.
Em 08/03/1941, no Clube Vitória, José Vieira Tatagiba, viúvo de Antonieta, revela seu anseio de ver reeditado Frauta agreste (1927), “com poesias que dele não constam”. No dia em que a poeta completaria 62 anos, 17/09/1957, A Gazeta publica um artigo de Annete de Castro onde se lê: “A nossa Academia [Feminina] tem um desejo e um projeto – restaurar o seu [de Antonieta] túmulo”. Depois, é a vez de Mesquita Neto, em 14/03/1959 (Dia Nacional da Poesia), registrar seus sentimentos pelos 31 anos de falecimento da “maior poetisa capixaba”. Ao final, diz: “‘Frauta Agreste’ deveria ser reeditado para conhecimento das novas gerações de intelectuais e amantes da boa poesia. É possível que, um dia, quem sabe?”.
Ao longo desses 79 anos, a poeta tem sido lembrada por estudiosos da literatura capixaba, pois seu nome faz parte de algumas antologias como as escritas por José Vitorino, Mendes Fradique, Assis Brasil, Elmo Elton, Agostino Lazzaro, Francisco Aurélio Ribeiro. Em 2006, por ocasião do II Bravos companheiros e fantasmas, promovido pelo Programa de Pós-graduação em Letras/ Mestrado em Estudos Literários-UFES, Reinaldo Santos Neves, em entrevista ao jornal A Gazeta, destacou como “jóia rara” do evento a Mesa Especial: Maria Antonieta Tatagiba.
É uníssono o coro dos que reconheceram o valor literário da obra de Antonieta e sua importância como representante feminina da poesia capixaba do século passado. Mas, ainda assim, verificamos, estranhamente, um jogo de luz e sombra oscilando sobre seu vulto, sobre sua obra. A nosso ver não há uma outra saída senão nos tornarmos multiplicadores, divulgadores, leitores e amantes de sua poesia. “Acreditar nos capixabas, lê-los com prazer e gostar deles” apontou, certa vez, Francisco Aurélio. Para tanto, Frauta agreste precisa ser retirado de vez do ostracismo, precisa ser reeditado.
13 de março de 2007: renasce o “Sonho – eucharistia e vida dos poetas” e o desejo de ver brilhar, “altiva, ao vento, ao sol, á luz, / O teu manto florido de rainha...” (Frauta agreste).

Karina de Rezende Tavares Fleury
Mestranda em Estudos Literários (UFES)



Sugestão do Letra do e Fel:
http://www.poetas.capixabas.nom.br/Poetas/detail.asp?poeta=Maria%20Antonieta%20Tatagiba

10/03/2007

... uma tristeza que brota do fundo da Alma: Texto dirigido.

Queridas, neste 08 de março fui convidada para dar uma palestra na Associação de Aposentados da Vale do Rio Doce. Lá fui eu, escovada, maquiada, perfumada, vestida da persona "a palestrante"...
Levei um trabalho intitulado" Mulheres que Tecem seus destinos", brincando com a metafora da tessitura e fazendo alguns links entre o ato de "tecer a vida" a partir dos desejos e escolhas de cada um, entre as atividades que elas(as aposentadas) desenvolvem na instituição como bordados, tapeçaris, etc, e sem esquecer de co-relacionar o evento que deu origem a comemoração do dia internacional da mulher, quando um grupo de tecelãs foi queimado nos EUA por reinvindicar melhorias nas condições de trabalho.
A temática foi regada a contos de Marina Colassanti (que recito na íntegra e de cor) e de um conto Sufi, da tradição árabe.
Nesta palestra deixei em suspenso para a platéia (+ ou -150 mulheres) algumas perguntas, entre elas quantas mulheres ainda morrerão queimadas? queimadas em todos os sentidos, inclusive o literal. Como melheres contemporâneas, qual a nossa responsabilidade para com as mulheres que virão? entre outras questões...
A noite, em casa,assisti no noticiário, vários casos de violencia contra a mulher, entre eles uma moça , mãe de três filhos, assassinada pelo namorado a sangue frio na porta do trabalho, a cena foi exibida umas três vezes, o assassino depois de ter disparado quatro tiros à queima- roupa contra a moça, de apenas 23 anos, saiu andando como se nada tivesse acontecido. Outro caso onde a mulher havia sido queimada pelo marido,naquele mesmo dia 08/03, possivelmente na hora em que eu palestrava, uma senhora linda, cheia de vida, a TV depois mostrou o depoimento do filho dela aconselhando às mulheres não se calarem frente a agreções e ameaças de qualquer natureza...
Olha gente, foi dificil dormir... um sentimento de revolta, de impotência... que me suscitaram outras perguntas... até quando, nós mulher ocuparemos este famigerado lugar de "vitimas"? que ganhos primários ou secundários estamos tendo, que não nos deixa sair deste lugar? será que o "tear" está realmente na nossa mão?
__Cacete!... ou melhor, buceta,fico indignada... o que eu posso fazer para não continuar sendo queimada e me queimando por dentro, queimação que consome, e me leva a refletir minha prática como terapeuta,minha existência como mulher,e minha postura frente a muitas outras questões... qual o unguento para essa ferida podre e mal cheirosa?
Renata Bomfim
Seguem poemas da amada Florbela Espanca:
(Trocando Olhares/ 1915- 1917)
A MULHER I
Um ente de paixão e sacrifício,
De sofrimentos cheios, eis a mulher!
Esmaga o coração dentro do peito,
E nem te doas coração, sequer!
Sê forte, corajoso, não fraquejes
Na luta; sê em Vênus sempre Marte;
Sempre o mundo é vil e infame e os homens
Se te sentem gemer hão de pisar-te!
Se as vezes tu fraquejas, pobrezinho,
Essa brancura ideal de puro arninho
Eles deixam pra sempre maculada;
E gritam então os vís: "Olhem, vejam
É aquela a infame!" e apedrejam
A probrezita, a triste, a desgraçada!
A MULHER II
Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!
Quantas morrem saudosa duma imagem.
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca rir alegremente!
Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doce alma de dor e sofrimento!
Paixão que faria a felicidade.
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!