13/02/2008

Entre a luz e a escuridão
há um rasgo,
uma fissura,
por onde o tempo espia,
de lá se contrai,
em dores, a ternura.
E já nascemos na bruteza,
com um grito embargado na garganta,
que quando liberto,
revela ecos de outras vidas,
palavras- trama,
e somos postos entre o estro e a afasia.
Sempre em busca da beleza,
a alma, só na arte se encontra,
aprende a plasmar a terra e a si,
sua ferramenta, o coração.
E pra validar a existência
transforma o caos em esperança,
recria, se pare fora do tempo,
nas asas da poesia.


bairenata

09/02/2008

Meatrix - assista, vale a pena!

Meatrix: animações criticam produção industrial de carne e leite


Meatrix é um produto do primeiro Fundo de Apoio ao Ativismo promovido pela Free Range, uma empresa de webdesign. Em fevereiro de 2003, a Free Range convidou centenas de Ongs a se inscreverem em um concurso que culminaria na produção gratuita de um filme em Flash.
Depois de revisar cuidadosamente mais de 50 inscrições, o vencedor do patrocínio foi o Grace (sigla em inglês de Centro de Ações e Recursos Globais para o Meio Ambiente).
O Grace trabalha com o intuito de acabar com as práticas destrutivas e perigosas das fazendas de produção industrial e promover a agricultura sustentável - uma meta que está próxima do coração da Free Range. Uma reforma na indústria da produção agrícola representaria ganhos significativos em muitas áreas pelas quais luta a Free Range: saúde, segurança alimentar, justiça econômica, direitos dos trabalhadores, integridade ambiental e direitos dos animais. Os filmes Em Meatrix, uma paródia do filme The Matrix, ao invés de Keanu Reeves, a estrela é o jovem porquinho Leo, que pensa viver em uma agradável propriedade familiar até ser abordado pelo boi Moopheus, que mostra a ele a dura verdade sobre o agronegócio. Além de oferecer informações sobre as fazendas industriais, a animação encoraja os consumidores a apoiarem as propriedades familiares locais e a adquirirem carne orgânica.
Enquanto no primeiro episódio nossos heróis nos ajudaram a mudar a maneira de olhar a produção de carne, em Meatrix II: Revolting, Moopheus e Leo, voltam para mostrar as condições insalubres de uma fazenda que produz leite.

Fonte IDEC:
Assista aos filmes 1 e 2, imperdiveis!

06/02/2008

Os felinos de Aldemir Martins

"Seja na aspereza dos cangaceiros em branco e preto, seja no lirismo colorido dos pássaros e dos peixes, ele mostra sempre a capacidade soberana de usar os recursos de sua arte para ser diverso sendo sempre o mesmo" (Antonio Cândido).
O artista Aldemir Martins (1922- 2006) nasceu no Ceará e viveu uma parte de sua vida em São Paulo. Muito premiado o artista participou de exposições em varios países, sua obra em grande parte retrata temas da vida e da cultura nordestina.
Aldemir é também o criador de uma das coleções mais admiradas por gatófilos do Brasil e do mundo, os gatos retratados por ele em pinturas e gravuras, sempre muito coloridas, mostram a sensibilidade do artista e sua capacidade de captar a essência do felino.
Se quiser saber mais sobre o artista e conhecer suas telas é só clicar:

03/02/2008

art poétique


Nem lascaux ou Altamira
valem a palavra fóssil,
indomável,
Poesia-bisão,
tesão, selvageria.
Expressão que se delineia
nos traçados da carne,
sobre um corpus de sintomas
multicoloridos, e que  chega
atualizado.
O carbono testa a verac-idade
do homo-diversus
habitante da cidade sem oxige-nação.
Congelado, fora do tempo, errante,
parte em busca do verbo matriz
seu ancestral unicelular
delirante.
bairenatabomfim

Gal Costa e Caetano Veloso no ninho

foto 2- (uma semana depois)
_ "É carnaval e já estamos emplumadinhos"!
foto 1
fotos: renatabomfim
Solto está o pássaro proibido
Perigo, cuidado, sinal nas ruas
Plumagem clara, brilhante
Ao sol e à lua transparente
Ao corisco e à maré
Ao corisco e à maré
Eu canto o sonho na cama
Do jeito doce e moreno
Eu canto pássaro proibido de sonhar
O canto macio, olhos molhados
Sem medo do erro maldito
De ser um pássaro proibido
Mas com o poder de voar
Voar até a mais alta árvore
Sem medo, tranqüilo, iluminado
Cantando o que quer dizer
Perguntando o que quer dizer
Que quer dizer meu cantar
Que quer dizer meu cantar
(Caetano Veloso- Pássaro proibido)

25/01/2008

fragmento de tempo

Um dia basta para que eu te ame
outro para que eu te odeie
outro para que eu me arrependa
de te amar ou de te odiar
outro para eu sumir do mapa,
ou pelo menos desejar sumir
outro para eu (re) pensar...
outro para esquecer de toda essa bobagem (?)
epa! os anos passaram.

renata

19/01/2008

canção pra você

Eu canto pra você
e a canção volta pra mim.
Penso em nós
e na minha memória e saudade
lembro que nunca mais te encontrei.

Sou agora de volta ao teu coração
e esta (nossa) música
me descreve a (tua) vida
promessas de união
recordações do nosso orgulho ferido.

Será que o amor morre?
será que a canção que te fiz
falará a verdade,
quando em meu olhar
as coisas de você
já estiverem esquecidas?
Será que ela te cantará?

bairenata

L i q u i d e z

Gestos fluem em rios de lágrimas
conflitando, aflingindo,
desbravando, colidindo
convertendo em jardim a terra seca
de onde nasce um olho- d' água.
Novos gestos e novas lágrimas
con-fluem e
re- tornam para o rio,
Sofrimento por ser este ser
coisa revoltada
que resiste a coisificação.
Luto (em vão) pra não ser arrancada e
(re)clamo pelo deserto da indiferença
como que amarrada, sem ação,
mas independente de mim o rio corre e
eu corro pra não pensar e
esboço poesias.
Gosto de letra na língua
linguagem assombrada, furiosa
e meio dissol-vida
insurecta- ousada
incompreendida.
Líquida- mente,
eu sigo com o rio que na poesia
Nada.
BAIrenatabomfim