12/06/2008
Progresso pouco é bobagem...
11/06/2008
Bravos Companheiros e fantasmas III- fotos
A data do nascimento de Carmélia
Amigos, percebi que em algumas fontes disponíveis acerca da vida e obra de Carmélia há um erro quanto a data de seu nascimento. O site Estação Capixaba faz referência ao nascimento da cronista como sendo 1936, bem como o livro póstumo de carmélia, Vento Sul. Já alguns outros documentos que tive acesso, bem como uma reportagem da revista capixaba CUCA, faz referência ao ano de 1937. Bem, se carmelia faleceu com 37 anos, só pode ter nascido em 1937. Mas optei por manter nos meus textos a data que consta no livro Vento Sul.10/06/2008
Carmélia Maria de Souza: cronista do povo

Carmélia Maria de Souza: cronista do povo
Renata O. Bomfim – UFES
Não vem que não tem. [...] Olha, somos grossíssima, péssima companhia noturna, diurna ou vespertina; devemos a Deus e ao mundo, mau-caráter, desgraçada, temperamental, neurótica, falsa, inconstante, cínica e debochada. Favor não ficar sentado em nossa mesa quando não for convidado, não. Nós somos o fim da picada, se você quer saber[1]
[1] Texto retirado do folder da exposição intitulada “Carmélia, Félia, Magnólia”, de fotos escritos de Carmélia Maria de Souza. Divisão de Memória do DEC.
E descrita como uma pessoa afetuosa. Reinaldo Santos Neves, escreve acerca da cronista:
A década de 40 foi marcada pela efervescência cultural e literária no Espírito Santo. A escrita feminina capixaba se solidificou, culminando na criação, em 1949, da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras. Após a excitação da década de 40, as mulheres se acomodaram aos papéis que os homens lhe reservaram e a vidinha provinciana, seguia embalada “ao som das orquestras dançantes” do Clube de Vitória, Praia Tênis Clube e do Saldanha da Gama (RIBEIRO, 1996, p. 46).
Carmélia faz parte da geração de 50, “anos dourados, início dos anos rebeldes” (RIBEIRO,1996, p. 46). A cronista aflorou no cenário literário capixaba em 1958, foi considerada por Agostinho Lázaro, uma das melhores cronistas do Espírito Santo, segundo Ribeiro, foi à responsável por popularizar a crônica escrita por mulheres capixabas, “ao retratar com fidelidade, o espírito de contestação [que seria a marca] dos anos 60 e da desilusão dos anos 70” (1996, p. 48).
Sua escrita ganhou visibilidade por meio do semanário Sete Dias, sua incursão por este gênero, “nacionalmente dominado por nomes como Antônio Maria [...] e Rubem Braga”, segundo Amylton de Almeida, aconteceu num tempo quando “a juventude capixaba imitava a do resto do país, em conduta e espírito” (SOUZA, 2002, p. 22).
Carmélia foi Funcionária Pública Federal, trabalhou no Museu de Arte Histórica de Vitória, situado no Solar Monjardim, na Biblioteca da FAVI, e durante dezessete anos de vida jornalística, colaborou com jornais e revistas estudantis, trabalhando nos principais jornais da capital: Sete Dias, O Diário, Vida Capixaba, A Tribuna, A Gazeta, O Debate e Jornal da Cidade (acesso em 23 de fev. 2008). Parte do acervo que continha seus escritos foi destruído em um incêndio na década de oitenta, eram crônicas publicadas em A Tribuna e O Diário.
A escrita carmeliana tem como marca principal a irreverência, postura que refletia a sua vida. Pellerano (SOUZA, 2002, p, 179) nos diz que “[Carmélia] passou a vida derramando poesia pelas mesas dos bares, nos papéis de blocos pedidos aos garçons”.
Por meio das crônicas de Carmélia é possível vislumbramos o quotidiano vitoriense da época, ela explorava as experiências que vivenciava na “ilha” de uma forma livre e muitas vezes irônica, como se pode observar na crônica intitulada O deletério[1] do povo capixaba, que diz:
[1] Deletério: nocivo à saúde, nocivo, desmoralizador.
[1] Empesta: infecta com peste, infecciona, contamina.
Ainda na crônica O deletério do povo capixaba, encontramos outra temática recorrente nos escritos carmelianos, o amor pela cidade de vitória. A cronista utiliza mais uma vez o procedimento irônico para denunciar a valorização que muitos capixabas faziam do Rio de Janeiro em detrimento de Vitória, ela diz que “a Ilha, também é uma cidade maravilhosa, à sua maneira”, e que quem não presta é o indivíduo que não lhe dá o devido valor. A crônica segue dizendo:
[1] Carmélia criou para a cidade de Vitória o slogan "Esta ilha é uma delícia", que foi utilizado, durante muitos anos como título de sua coluna.
A crônica intitulada Os dez mais idiotas, publicada no Jornal A Tribuna de 04 de fevereiro de 1968, revela o olhar crítico da escritora, que satiriza a tendência dos suplementos de domingo, de louvarem os gostos da “pequena burguesia”, a cronista diz:
Outro personagem de destaque na obra de Carmélia é Dindi. Imagem feminina homônima da personagem da música criada por Tom Jobim, e interpretada por Silvinha Teles. Este nome foi adotado pela cronista como um símbolo romântico. À Dindi a escritora recorre nos momentos de angústia e solidão, como vemos na Crônica com endereço errado, de fevereiro de 1968 que diz:
Dindi é também a herdeira dos livros e das crônicas “publicadas ou inéditas”, e das personagens de um livro que, segundo ela, jamais terminaria de escrever, a cronista pede que Dindí termine o livro, e que este deve ser intitulado Vento Sul (SOUZA, 2002, p. 174).
Carmélia tinha um amor declarado pelo seu ofício, escrever. Ribeiro (SOUZA, 2002) nos dá ciência de que a cronista era uma “apaixonada pela palavra”, que “escrevia com paixão, o coração, mais do que com a razão [...]”. Na crônica Algumas considerações outonais chatas, Carmélia discorre sobre esse seu gosto pela escrita que nem alguns “detalhes pequenos e sem importância”, que a levavam a “ser obrigada a defender o pão de cada dia”, e noutros momentos a se perguntar, “onde foi que eu amarrei a minha égua”, são capazes de enfraquecer. A cronista dizia que escrever ainda era a única coisa que conseguia “fazer muito bem nesse mundo de Deus” (SOUZA, 2002, p. 51).
Outro tema recorrente na escrita de Carmélia é o amor, que quase sempre é margeado pela poesia. Este tema impregna os textos carmelianos, como podemos observar na crônica intitulada Declaração de amor , de outubro de 1972:
E depois , a gente passou a respirar juntos.
A dizer, calados, as mesmas palavras.
A ouvir as mesmas palavras.
Te lembras?
[...]
- Diz que me ama – eu te pedi.
- Não tenho certeza – você falou.
- Diz que me ama.
- ...
Olha, não tenho medo, não tenho nada. Eu tenho tudo e tudo isso é nosso, porque é meu e porque o que eu sou é você, e o que você é sou eu.
Então, tudo o que a gente tem, consequentemente, é de um e é do outro. É de nós. Por exemplo: esse amor. Esse medo. Esse desespero. Essa aflição. Esse mar. Essa Maria Betânia cantando. Essa casa cheia de amor, esse vento que vem do mar e do mundo. Essa desordem gramatical. Essa saudade.
[...] Eu não te vejo agora, meu amor. [...] Então – imagine- eu te vejo e te sinto do meu coração. Do meu sorriso. Do meu pranto. Do barulho do mar indo e vindo. Eu te vejo e te sinto em tudo o que está em volta e dentro de mim. De mim- eu que não sou gaveta, nem barco parado, sem rumo. Eu, que sou apenas Carmélia Maria de Souza. E te amo. Te amo baixinho à beça (SOUZA, 2002, p. 168, grifo nosso).
[...] Descobri que sou bárbara, dona de um estilo verdadeiramente universal, preciso urgentemente me mandar para Guanabara, pois Vitória não está a altura de receber minha genialidade, nem por aqui haveria horizontes dignos e devidamente alargados onde eu pudesse caber. A mim me cabe, portanto, dar uma banana para todos vocês e me mandar de mala e cuia para o Rio de Janeiro. Lá eu não terei a menor dificuldade em desbancar o Rubem Braga, nem em botar no maior chinelo o Carlinhos de Oliveira. [...] A quem confiar minhas ambições, e onde abrigar minha poesia provinciana, a saudade desgraçada que eu teria acumulada em mim a uma altura dessas? [...] Não, meu chapa. Nessa jogada eu não me meto (SOUZA, 2002, p. 55).
Carmélia declarou ter consciência de ser uma pessoa “perdidamente feliz”. Ela faleceu no dia 13 de fevereiro de 1974, de embolia pulmonar. Deixou um texto endereçado aos seus amigos, que diz:
[1] 20 anos sem Carmélia, a cronista da Ilha. Kátia Bóbbio. UFES/ DEC/SEDU.
Carmélia recebeu várias homenagens foi eleita Patrona da Academia Feminina Espírito- Santense de Letras e em 16 de setembro de 1986. O Governo do Estado do Espírito Santo inaugurou o Centro Cultural Carmélia Maria de Souza, com o objetivo de se tornar um pólo de incentivo à atividade cultural. O bairro República, possui uma rua com o seu nome.
Na crônica intitulada Minha Félia ela lança um olhar sobre si e seu tempo:
-BRAIT, Beth. Ironia em perspectiva polifônica. Campinas: Unicamp, 1996, p.13- 111.
-NEVES. Reinaldo Santos. Mapa da literatura brasileira feita no Espírito Santo. Disponível em: <http://www.estacaocapixaba.com.br/escritor_es/visao/mapa/mapa_5.html>. Acesso em 23 de fev. de 2008.
-POETAS Capixabas. Disponível em <http://www.poetas.capixabas.nom.br/Poetas/detail.asp?poeta=Carmélia%20M.%20de%20Souza> Acesso em 23 de fev. de 2008.
-MOISÉS, Massaud. A Crônica: a criação literária Prosa II. Ed. 16. São Paulo: Cultrix, 1998. Cap. III, p. 101- 120.
-SOUZA, Carmélia Maria de. Vento Sul. Vitória: Conselho Editorial da Gráfica Espírito Santo, 2002.
31/05/2008
Maria Antonieta Tatagiba será a homenageada no III Seminário sobre o Autor Capixaba
Maria Antonieta Tatagiba:
Cidade onde nasceu e faleceu: São Pedro do Itabapoana – ES- Ofícios: esposa, mãe, dona de casa, professora, diretora de escola, colaboradora de jornais e revistas do ES e RJ, diretora do jornal A Semana (São Pedro do Itabapoana) e poeta. Destaque: Primeira poetisa capixaba a publicar um livro.Obra: Frauta Agreste (1927)- poesia; “A cruz da estrada” (“O Jornal”, RJ 12/10/1922)- conto
ENSAIO DE UMA CONTISTA: análise do conto “A cruz da estrada”, de Maria Antonieta Tatagiba.
autora: Karina de Rezende Tavares Fleury
Resumo:Nosso estudo visa a retirar da sombra do passado dados biográficos ainda controversos da primeira poeta capixaba editada, Maria Antonieta Tatagiba, bem como ampliar as discussões sobre a qualidade da produção literária da autora a partir da análise de seu único conto encontrado até o momento: “A cruz da estrada”.
Palavras-chave: Literatura feminina. Maria Antonieta Tatagiba. Conto.
Apresentação: Mesa 7/ quinta-feira – 12/06 – 14h/ Sala Clarice Lispector- UFES
Integrantes: Danilo Barcelos Corrêa (Mediador)/ Francisco Aurelio/ RibeiroKarina de Rezende Tavares Fleury/ aulo Roberto Sodré
Contato: karina.fleury@gmail.comCurrículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8516679878288876
Carmélia Maria de Souza: "a cronista do povo"
29/05/2008
caminhante
A vida,
estendida,
se oferta.
Ora surtada, louca,
na desmedida certa,
pego atálhos,
sigo retas,
sem discriminação.
Quando centrada,
julgo estar perto
da chegada,
mas logo me interroga
uma bifurcação.
Há jornadas e jornadas,
nelas encontramos pessoas
em busca
de si
de um outro
de nada.
Eu apenas sigo,
quietinha e devagar.
Colhendo flores,
ouvindo os pássaros,
torcendo o pé,
tropeçando,
sacudindo a poeira.
Absorta em imagens que,
coloro com as minhas saudades
e atualizo
com minha fé.
21/05/2008
Musiva...
que gira na ciranda-viva
e baila ao som do vento
e das águas.
°
Eu sou a pedra que se agita
e clama e grita
chama do fogo sagrado
que o peito inflama.
°
Tesselas- sonhos
desejos da mente
que o tempo não apaga
e o coração não sossega.
°
Que anseio
Ser interia novamente
Brisa na alma que
que justifica o existir
sentido que
dá leveza ao presente.
19/05/2008
Dânae
o contraponto,
o diverso.
Sangue e sêmem,
gestos a escorrer.
Mulher, fêmea,
meu nome
é prazer.
Mas, te pressinto,
e firmo um novo rumo,
teu centro desconexo,
infinito,
pretenso absoluto.
Nele me perco
e encontro
o bruto da minha
feminilidade.

