Os sentidos estão despertos
É bomba- relógio essa pele que arrepia
e vibra sobre a carne
prestes a explodir
Dupla epiderme
Tecidos dourados
recobertos por pêlos-espinhos
estendem-se ao infinito
ligando mãos que não sossegam
que te batem,
esfregam e
incendeiam com gestos obcenos
Mãos que ao fim da noite
rezam profundos arrependimentos
Tocam fervorosas as chagas divinas
rogando pelo milagre do esquecimento
Narinas despertas de loba te farejam
teus segredos são violados
e a boca
essa gruta ávida
busca ser habitada pelo teu desejo
Linhagem divina-demoníaca
Sonhos famintos não aceitam sobejo
neles me delicio até às migalhas
lambendo os dedos maculados
Mandíbulas oníricas
se comprazem em te mastigar inteiro
Mas nada,
nada realiza esse bicho
herdeiro da falta ontológica
que ainda sente fome
No estômago da alma
um buraco negro suga
o amor, o mistério a fantasia
E a fome persiste
metamorfoseada
em busca ferrenha que
nenhuma resposta sacia.
26/08/2008
Um passeio pelo centro de Vitória/ ES
Amigos,hoje eu estive no centro de Vitória. Muitos projetos têm buscado revitalizar este espaço que é cheio de casarões antigos, cuja grande maioria, infelizmente, se encontra em estado de abandono, muitos completamente encobertos por fechadas de lojas. Há um bucolismo nesse lugar, é impossível ir ao centro e não ficar totalmente perdido com os achados inusitados, como por exemplo a loja de chapéus Panamá que encontrei. No Parque Moscoso eu encontrei um lambe lambe, profissão que está acabando. o lambe lambe nasceu da prática de se fotografar em jardins, este profissional da imagem tem uma câmera-laboratório que contém uma caixa de madeira dotada de uma objetiva, esse maquinário fica apoiado num tripé. A câmera se divide em duas partes, sendo que a inferior contém os dois banhos, revelador e fixador, que servem tanto para o processamento químico de filmes, quanto de papéis. Para enriquecer mais ainda a cena, o equipamento do lambe lambe estava embaixo de um semáforo antigo, original, da época em que as mulheres capixabas usavam melindrosa.
Bem, um passeio pelo centro de Vitória é um passeio pela cultura e história do nosso estado, basta vencermos o ciclo vicioso 'Praia do canto-Shopping Vitória', deixando um pouco de lado a preguiça e a comodida e partirmos para a exploração desse ambiente antigo e desconhecido.
Bem, um passeio pelo centro de Vitória é um passeio pela cultura e história do nosso estado, basta vencermos o ciclo vicioso 'Praia do canto-Shopping Vitória', deixando um pouco de lado a preguiça e a comodida e partirmos para a exploração desse ambiente antigo e desconhecido.

25/08/2008
Homenagem aos Amigos: Fanatismo - Florbela Espanca (interpretado por Fagner)
Amigos,
Florbela Espanca é objeto de minha pesquisa de mestrado na UFES. Desde os quinze anos de idade eu leio seus poemas. Compartilho esta paixão, que não chega a ser fanatismo, com vocês, parceiros e amigos do Letra e Fel e dedico esta canção.
Abraços fraternos
Renata
obs: A última parte da Musica que diz: "Eu já te falei de tudo, mas isso ainda é pouco diante do que sinto", é parte de uma música de Roberto Carlos.
24/08/2008
jornada
Parido na raça
Ele chegou ao mundo
com um grito de guerra
Imaculado, ávido e sem cascas.
Começou a grande odisséia
rumo ao lugar de onde partiu
ou, quem sabe, sonhando
ascender outras esferas.
Esse espírito recém chegado,
esse indomável que nos habita,
ensaiou ser filho, irmão, pai, mãe, amante,
e foi crescendo, evoluindo,
tornando-se belo, gigante.
Um dia viu-se caindo, rendido,
quando percebeu que,
mais adiante, outras sensibilidades
buscavam dialogar.
Então o gigante, de alma rara e bruta,
diamante, se reclinou,
beijou a mulher amada, a criança divina,
sua face iluminou-se.
Acariaciado pelo tempo,
coração abrandado.
O gigante foi diminuindo,
ficando maleável, até que,
pequenino, já no fim da viagem
descandou dentro de um botão de rosa.
Ele chegou ao mundo
com um grito de guerra
Imaculado, ávido e sem cascas.
Começou a grande odisséia
rumo ao lugar de onde partiu
ou, quem sabe, sonhando
ascender outras esferas.
Esse espírito recém chegado,
esse indomável que nos habita,
ensaiou ser filho, irmão, pai, mãe, amante,
e foi crescendo, evoluindo,
tornando-se belo, gigante.
Um dia viu-se caindo, rendido,
quando percebeu que,
mais adiante, outras sensibilidades
buscavam dialogar.
Então o gigante, de alma rara e bruta,
diamante, se reclinou,
beijou a mulher amada, a criança divina,
sua face iluminou-se.
Acariaciado pelo tempo,
coração abrandado.
O gigante foi diminuindo,
ficando maleável, até que,
pequenino, já no fim da viagem
descandou dentro de um botão de rosa.
20/08/2008
Uma bela visita!
Amigos, ha mais de dois anos venho me dedicando a campanha que chamo pássaro livre. Incentivo as pessoas que gostam de passarinho a colocarem nas suas varandas e quintais comedouros abertos com canjiquinha, alpiste e frutas, cada um destes alimentos atrai pássaros diferentes. Hoje eu coloquei no comedouro um pedaço de abacate e olhem quem veio para o almoço? Nós tentamos (o que é muito dificil) conscientizar algumas pessoas que, se o bicho tem asas é pra voar, e que é um crime privar qualquer ser vivo da liberdade e do convívio dos seus, visto que, a maioria dos pássaros, por exemplo, vive em bando ou dupla (casal). E esse ato incentiva que muitos crimes sejam cometidos contra os animais, é só ver quantos bichinhos o IBAMA apreende sendo mantidos em péssimas condições e as vezes muitos não sobrevivem.
Segue a foto do meu ilustre visitante.
Ajudem a espalhar esta idéia.
Abraços fraternos
Renata

Segue a foto do meu ilustre visitante.
Ajudem a espalhar esta idéia.
Abraços fraternos
Renata
PS: Se você tiver conhecimento de crimes dessa natureza, denunciem ao IBAMA, segue o site : http://www.ibama.gov.br/ecossistemas/ No ES denuncie nos números: 33241811/ 33243514
19/08/2008
Pachamama
Terra mista.
Desertos, prados
e alagados fazem de ti bendita.
Gleba fértil.
Casa-lar dos seres (in)vertebrados.
Metal abundante
teu habitat dourado.
Duradouro sentido de existência
suscita o teu colo, o teu afago.
Fêmea que se auto- gerou no caos
embalada pela canção de amor
entoada pelo ser primordial.
Em tua honra, humildes, ofertamos
libações, sementes e flores coloridas.
A lua minguante
revela a face da tua cólera,
a Deusa-dragão acorda.
Explosões, ira, revolta, e o teu furor volta-se
contra aqueles que, sem razão, ou por ganância,
abrem em ti feridas das mais dolorosas.
Mas trazes a paz e o equilibrio perdidos
por meio de terremotos e ventos que
do teu poder comunica.
Treme a base da vida que,
logo em seguida,
se solidifica pela esperança
e teu ventre recobra o frescor e,
como se fosse eterna alvorada
Nutriz, a mãe generosa
propicia novas guaridas.
Desertos, prados
e alagados fazem de ti bendita.
Gleba fértil.
Casa-lar dos seres (in)vertebrados.
Metal abundante
teu habitat dourado.
Duradouro sentido de existência
suscita o teu colo, o teu afago.
Fêmea que se auto- gerou no caos
embalada pela canção de amor
entoada pelo ser primordial.
Em tua honra, humildes, ofertamos
libações, sementes e flores coloridas.
A lua minguante
revela a face da tua cólera,
a Deusa-dragão acorda.
Explosões, ira, revolta, e o teu furor volta-se
contra aqueles que, sem razão, ou por ganância,
abrem em ti feridas das mais dolorosas.
Mas trazes a paz e o equilibrio perdidos
por meio de terremotos e ventos que
do teu poder comunica.
Treme a base da vida que,
logo em seguida,
se solidifica pela esperança
e teu ventre recobra o frescor e,
como se fosse eterna alvorada
Nutriz, a mãe generosa
propicia novas guaridas.
18/08/2008
Museu de Imagens do Inconsciente- O legado da Dra Nise da Silveira
"Cada um desses indivíduos- esquisofrênicos ou marginais de vários gêneros- possui suas peculiaridades, mas todos têm contato íntimo com as forças naturais, brutas, virgens do inconsciente. Que hajam configurado visões, sonhos, vivências nascidas dessas forças primígenas, eis um dos mistérios maiores da psique humana" (Dra Nise da Silveira).Amigos,
trago para vocês um pouquinho do trabalho realizado pela Dra Nise da Silveira, fundadora do Museu de Imagens do Inconsciente. Tive a honra de fazer meu estágio de arteterapia no Museu, antigo Hospital psiquiátrico pedro II, foi uma experiência ímpar que resultou na produção de um vídeo. Mas quem foi a Dra Nise da Silveira? Certamente uma mulher a frente de seu tempo, uma psiquiatra que, inconformada com as práticas terapêuticas de sua época (eletrochoque, insulinoterapia, lobotomia e confinamento), falamos da década de 40, inovou criando no Hospital Psiquiátrico Pedro II, a seção de Terapêutica Ocupacional.
trago para vocês um pouquinho do trabalho realizado pela Dra Nise da Silveira, fundadora do Museu de Imagens do Inconsciente. Tive a honra de fazer meu estágio de arteterapia no Museu, antigo Hospital psiquiátrico pedro II, foi uma experiência ímpar que resultou na produção de um vídeo. Mas quem foi a Dra Nise da Silveira? Certamente uma mulher a frente de seu tempo, uma psiquiatra que, inconformada com as práticas terapêuticas de sua época (eletrochoque, insulinoterapia, lobotomia e confinamento), falamos da década de 40, inovou criando no Hospital Psiquiátrico Pedro II, a seção de Terapêutica Ocupacional.
Dra Nise trabalhou para fundamentar cientificamente esta nova forma de lidar com os pacientes, e os resultados não demoraram a aparecer, juntamente com o surgimento de um grande volume de produção realizadas pelos pacientes (especialmente pinturas e modelagens), e estes, a medida que produziam, passavam a apresentar melhoras significativas no quadro clínico.
As imagens que resultaram desse trabalho passaram a intrigar a Dra Nise que buscou apoio na teoria junguiana para, de alguma forma, elucidá-las. lançar um olhar sobre a produção de um paciente era ter acesso a sua psique, coisa quase impossivel de ser feita por outra via, especialmente na esquisofrenia. Dra Nise viu que muitas das imagens produzidas eram formas circulares ou próximas do círculo, símbolo da unidade e da integração e identicas as imagens utilizadas para meditação e representação das divindades das religiões orientais. Ela se perguntou como e porque pessoas psiquicamente cindidas estariam estar produzindo, em profusão, simbolos da unidade? Dra Nise encontrou apoio em Jung que também ficou muito interessado nessas imagens.
A psique possui, assim como o corpo, potencial autocurativo, e busca compensar a situação caótica da mente e a dissociação por meio da produção de símbolos, que são pontes entre o mundo da psique e o mundo exterior, ou seja, a realidade objetiva. Este trabalho realizado pela Dra Nise da Silveira acabou introduzindo a psicologia analítica junguiana no Brasil, e entre Jung e Dra Nise inicou-se uma profícua troca de experiências. Jung literalmente mandou a Dra Nise estudar os mitos, sem o conhecimento destes, não seria possivel uma compreensão mais profunda das representações produzidas pelos pacientes. Muitas imagens surgidas no ateliê tinham semelhanças com temas míticos universais, e os autores dos trabalhos, eram em grande parte, pessoas humildes, de classes sociais que não lhes permitiam grande acervo de conhecimento da cultura de outros lugares.
Esse trabalho é um marco para a psiquiatria no mundo, infelizmente mais conhecido e reconhecido no exterior que no Brasil e abriu portas para mudanças significativas na forma de tratamento no campo da saúde mental, certamente um orgulho para todos nós terapeutas e brasileiros. A psicologia junguiana não tem como único objetivo encontrar mitos representados na produção dos pacientes psiquiátricos, o seu interesse maior está em identificar e acompanhar nas produções o processo contínuo de elaboração dos conteúdos psiquicos, visando melhorar a orientação do tratamento para a melhora do paciente.
"Do mesmo modo que o corpo humano é um agrupamento completo de órgãos, cada um o termo de longa evolução histórica, também devemos admitir na psique organização análoga. Tanto quanto o corpo, a psique não poderia deixar de ter sua história" (C. G. Jung).
Cópia em gesso de modelagem em argila produzida por Adelina Gomes, interna do Hospital pedro II
Estatueta da cultura Tisza- 5000 a.C.
Cópia em gesso de modelagem em argila produzida por Adelina Gomes, interna do Hospital pedro II
Estatueta da cultura Tisza- 5000 a.C.Pintura realizada por Olívio Fidélis (1967)
Jonas saindo da beleia- Biblia latina do séc. XV. Biblioteca nacional de Paris.
Jonas saindo da beleia- Biblia latina do séc. XV. Biblioteca nacional de Paris.Lápis de cor sobre papel de Carlos Pertuis (1975)
Deus-sol instituído por Mitra, governador do mundo. Baixo relevo.
Deus-sol instituído por Mitra, governador do mundo. Baixo relevo.Óleo sobre papel de Carlos Pertuis
16/08/2008
fração de tempo
Recortem este momento
Estou feliz!
Parem o barulho dos carros
Parem as cirenes e os gritos.
Iniciem os apertos de mãos,
os abraços.
Parem a guerra e o pranto
Extingam a fome de amor
Parem de infligir dor
Parem!
Parem tudo!
Quero guardar para sempre
este momento!
Estou feliz!
Parem o barulho dos carros
Parem as cirenes e os gritos.
Iniciem os apertos de mãos,
os abraços.
Parem a guerra e o pranto
Extingam a fome de amor
Parem de infligir dor
Parem!
Parem tudo!
Quero guardar para sempre
este momento!
heranças
Vovó sempre me dizia:
"Sorria, minha filha, sorria sempre,
pois o sorriso abre portas e janelas".
O tempo me ensinou que
portas fechadas são, muitas vezes
necessarias e as janelas, essas,
mesmo com vidraças embaçadas e
trancas emperradas,
protegem da exposição demasiada
e dos ventos.
Já não conhecia mais o meu rosto triste
sempre sorrir! eu pensava,
mas por dentro,
a face se transfigurava com afetos,
dores e lampejos de mim mesma.
Hoje a minha cara ensaia ser
o que manda o caração e
o que sugere os sentimentos
gerados pelas vísceras.
Menos máscaras,
Menos encenação
Abriu-se o laboratório do espírito
com todas as suas portas e janelas.
"Sorria, minha filha, sorria sempre,
pois o sorriso abre portas e janelas".
O tempo me ensinou que
portas fechadas são, muitas vezes
necessarias e as janelas, essas,
mesmo com vidraças embaçadas e
trancas emperradas,
protegem da exposição demasiada
e dos ventos.
Já não conhecia mais o meu rosto triste
sempre sorrir! eu pensava,
mas por dentro,
a face se transfigurava com afetos,
dores e lampejos de mim mesma.
Hoje a minha cara ensaia ser
o que manda o caração e
o que sugere os sentimentos
gerados pelas vísceras.
Menos máscaras,
Menos encenação
Abriu-se o laboratório do espírito
com todas as suas portas e janelas.
Tecendo para encontrar Deus: Arthur Bispo do Rosário
Amigos,Acredito que de diferentes formas o ser humano busca, por meio da expressão pela arte, Deus , ou força primordial, ou sentido, ou nada que é tudo, enfim, busca explicar o inexplicável, busca tocar, ou mesmo, apenas roçar o numinoso.
Nas artes literárias a Hilda Hilst é um exemplo disso, entre tantos outros artistas encontramos Ernest Hemingway, prêmio Nobel e Pulitzer, que escreveu a oração;"Ó nada nosso que estais no nada, nada seja o vosso nome, nada a nós o vosso reino e seja nada a vossa vontade, assim no nada como no nada". Nas artes plásticas um homem construiu um manto para se encontrar com Deus, ele é Arthur Bispo do Rosário.
Bispo foi ex-fuzileiro naval e pugilista, um distúrbio psiquico levou-o a ser internado por 50 anos,
ele produziu no manicômio Colônia Juliano Moreira, em jacarépaguá, entre grades, fechaduras, camisas de força e a muralha do preconceito uma obra vasta, que se revelou contemporânea e despertou o interesse do mundo artistico. Bispo não se considerava artista, suas obras foram expostas postumamente. Seu magnífico manto foi feito para que ele se apresentasse bonito ao criador no dia do juizo final.
Tive a oportunidade de ver o manto mais de uma vez, é sempre a mesma emoção, e a constatação de que no alge do "controle" emocional e sapiencia, teremos que nos esforçar muito para nos apresentarmos frente ao criador com tanta beleza.
Abraços fraternos
renata
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