30/03/2007
Prato principal: eucalipto, sobremesa: cana de açúcar...
De Vitória até Sergipe só se vê eucalipto, a perder de vista, e de Sergipe até Pernambuco a praga é a cana, pra lá depois eu não sei... fui só até aí.
O cenário parace daqueles do filmes Med Max, as usinas de cana soltando aquela fumaceira miserável e fedida, e o povo respirando toda àquela miséria e o pior que de barriga vazia... cadê riqueza que o presidente disse estar sendo distribuida? está sendo distribuida em outra freguesia....
Nunca vi tantas pessoas na senda da miséria, pedindo esmola na beira da rua... e eu que saí de férias pra não pensar!!!
Ah! anestésica ignorância, como eu te desejo...
não vi uma plantação de nada, ou melhor, nada que se coma, pra dizer que não estou mentindo vi uns pezinhos de café, mas esta monocultura impera mais forte ao Sul, e uns pezinhos de aimpim.
É isso...
É o preço do progresso, as nossas vidas...
Babau fauna e flora... Quando se incendeia o solo pra plantar essa merda, quantos animais não morrem?
leiam aí em baixo o pacto com capeta
que vai levar o restinho de mata atlântica que temos...
E por falar nisso, putz que calor... e eu nem to no climatério.
by Renata Bomfim
Reportagem do Terra:
Lula diz que ameaça ambiental de etanol é mito
Em artigo assinado nesta sexta-feira no diário Washington Post, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a parceria Brasil-Estados Unidos para produção de etanol, e diz que o dilema entre biocombustíveis e preservação ambiental é um "mito".
» Fidel critica política de Bush do etanol
"É um primeiro passo importante no sentido de comprometer nossos países a desenvolver fontes de energia limpas e renováveis (garantindo) a proteção ambiental", afirma Lula.
O artigo é publicado um dia antes da visita que Lula fará ao seu colega americano, George W. Bush, em Camp David, e um dia depois de o líder cubano Fidel Castro ter criticado a iniciativa no jornal oficial do Partido Comunista cubano, Granma.
Lula disse que a parceria "é uma receita para aumentar a renda, criando empregos e reduzindo a pobreza entre os vários países em desenvolvimento onde colheitas de biomassa são abundantes". "Essas fontes alternativas (de energia) ajudam a reduzir a dependência global em relativamente poucos países fornecedores."
Aludindo à intenção dos dois presidentes de anunciar investimentos para produção de etanol no Haiti, Lula acrescentou que "o acordo entre o Brasil e os Estados Unidos permite a diversificação da produção de biocombustíveis através de alianças triangulares em países terceiros".
O presidente brasileiro aproveitou o espaço para criticar os subsídios agrícolas americanos: "o etanol, e depois, o biodiesel só se tornarão commodities globais se o comércio de biocombustíveis não for obstruído por políticas protecionistas", escreveu.'Mito'
Lula rejeitou a tese de que a produção de cana-de-açúcar para uso em biocombustíveis ameaça as florestas tropicais, afirmando que se trata de um "mito".
"O solo amazônico é altamente inapropriado para o plantio da cana-de-açúcar. Além do mais, no contexto do compromisso inabalável do Brasil com a proteção ambiental, o desflorestamento caiu 52% nos últimos anos", justificou.
No artigo, o presidente brasileiro rejeita ainda a acusação - feita por críticos como os presidentes venezuelano, Hugo Chávez, e cubano, Fidel Castro - de que as plantações de cana-de-açúcar para fabricação de etanol impedirão a criação de alimentos que poderiam ser utilizados no combate à fome.
"Menos de um quinto dos 340 milhões de terras aráveis do Brasil é utilizado para colheitas. Apenas 1%, ou 3 milhões de hectares, é usado para cana-de-açúcar para etanol", escreveu Lula.
"Em contraste, 200 milhões de hectares são pastagens, onde a produção de cana está começando a se expandir. O desafio real de prover segurança alimentar está em superar a pobreza dos que regularmente têm fome."
Mas o presidente brasileiro disse que as condições de trabalho dos plantadores de cana, normalmente bóias-frias, precisam ser melhoradas no Brasil. "A agricultura provê não apenas alimento, mas uma maneira de vida para milhões de pequenos produtores em todo o mundo."
"A disseminação da cana-de-açúcar, soja e outras colheitas de oleaginosas para uso em biocombustíveis vai assegurar que as famílias em necessidade tenha os meios financeiros para se sustentar."
Na quinta-feira, a produção de etanol foi criticada pelo presidente cubano, Fidel Castro, em artigo no jornal oficial cubano. Nele, Fidel afirma que 3 bilhões de pessoas serão "condenadas à morte prematura por fome e sede no mundo".
BBC Brasil
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Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1517819-EI300,00.html
29/03/2007
Ode a Wilson

Leve no jeito
Livre na essência
Wilson desliza
Nem sempre tranqüilo
Pelo Centro de Letras.
Wilson é a própria letra
Em forma de gato
Em forma de poesia
No antigo Egito foi
Conselheiro dos Faraós
Sua sabedoria felina
Dos gatos exilados de Capela.
Na alma traz as cores do arco-íris
A maioria nem o vê
É preciso sensibilidade
É preciso enxergar infravermelho
Para poder vê-lo em toda sua glória.
Ou uma lente mágica
Que apenas almas de artistas
Com esta lente, além do Wilson,
Vêem-se os seres elementais.
Os elemetais do fogo, do ar e da água
São seus amigos
Juntos eles contam histórias
De um tempo quando
E a força das substâncias era a matéria prima do espírito
Dinamizando o encontro e a vida.
Wilson também é contradição
é aquilo que o homem deseja, mas,
raramente pode ter
a liberdade em todos os idioma
É amor incondicional
É poesia sussurrada pelo vento
Pelos pássaros generosos
Que se oferecem em alimento.
Wilson é uma lição animal de humanidade
É o espaço e o tempo condensados
Num salto perfeito
Num romronar...
É a constatação de que a vida
simplesmente É!
Milagre e esperança.
by Renata Bomfim
24/03/2007
No reino sensivel das frutas
No reino plantae frutíferus
Quero voltar fruta- amaru
Eu quero amargar
Ter o caroço roxo
E por cima da casca fina
Uma penugem dourada.
Ser daquela que você quer
morder
chupar
e que só de imaginar sorver o líquido
carmim
começa a salivar
Na hora H
Vou te ferrar!
Meu pelo- espinho vai furar a palavra
Camuflada- entalada na sua garganta
E a tua inflorescência será revelada
Fantoche barato.
Vai ser engraçado
Vai ser cômico
Vai ser bizarro
Ver –te como és
Ver-te como ex
Ver-te quebrado
In vertebrado
Vingança, vingança de fruta-floral...
Ninguém te avisou do perigo?
By Renata Bomfim
23/03/2007
A mulher com a boca cheia
de mel.
Escorriam de sua boca, fluídicas,
Já alcançavam os seios
àquelas gotas douradas....
pareciam armadilhas
prontas para capiturar o Ávido
olhar
visgo
Uma doçura... melaço negro,
spectrum
Sabor de abismo
De morte
Ela estava predestinada.
Seu corpo exalava, agora
perfume de rosa
podre aroma de adeus
Belo e triste...
Ela, a noiva funesta,
fechara os olhos.
Seu amante estava lá.
Amou-a por toda vida,
A cada lágrima derramada
a lembrança
viagens gozozas e frustradas
Naquele corpo
Inerte e fúngico.
Desesperado
Lança-se sobre o corpus
Quer renovar seus votos
obsoletos
Do casamento inplicito
Noiva de Éter
Holometabólica
Bilateral
Quem sabe o seu destino?
Seu corpo
Doce...
Derrama-se,
Agora, Cada vez mais
Manacial.
E dizem que...
E choram e
HIPOCRISAM
Cheiro de crisântemos
A vida ex vai-se
O desejo não morre
Viaja com suas asas ferrugíneas
Mandaçaia
Para além de nossa compreensão.
Poesia funesta
Renata Bomfim
17/03/2007
Florbela "A Poeta"- Por Manuel Francisco Serrano

Ao mesmo tempo esta webquest para a divulgação da obra de uma das grandes Poetas da Cultura portuguesa.
15/03/2007
Luz e Sombra: Maria Antonieta Tatagiba- por Karina Fleury

Hoje é o Dia Nacional da Poesia. Segue um texto que escrevi em homenagem a nossa primeira poeta a ter um livro editado: Maria Antonieta Tatagiba.
Tive a pretensão de vê-lo publicado em meio oficial, porém o mesmo foi descartado, antes mesmo de ser lido, sob as seguintes alegações: "data quebrada [79 anos de falecimento da poeta] não vende jornal" e "não tem nada de original falar de Antonieta". Entendi que é assim que o poder vai enterrando a memória do nosso povo. Não me dei por abatida e a prova disso é que insisto em aproveitar a ocasião para falar aos que a conhecem e aos que ainda não. Espero que colaborem comigo nesta minha/nossa (e falo pelos outros que já vêm fazendo isso) tarefa de dar voz à Antonieta.
Agradeço-lhes a atenção e abraço-lhes.
LUZ E SOMBRA
13 de março de 1928: morre, aos 32 anos, a primeira poeta capixaba editada: Maria Antonieta Tatagiba.
“Patrona Espiritual” da Academia Feminina Espírito-santense de Letras, é também patrona da cadeira 32 da Academia Espírito-santense de Letras. Antonieta Tatagiba era o nome de uma rua, em Jucutuquara - Vitória. Do Clube de Leitura “Maria Antonieta Tatagiba”, que funcionava na Escola Municipal Padre Anchieta, também em Jucutuquara, já não há mais vestígios.
Em 08/03/1941, no Clube Vitória, José Vieira Tatagiba, viúvo de Antonieta, revela seu anseio de ver reeditado Frauta agreste (1927), “com poesias que dele não constam”. No dia em que a poeta completaria 62 anos, 17/09/1957, A Gazeta publica um artigo de Annete de Castro onde se lê: “A nossa Academia [Feminina] tem um desejo e um projeto – restaurar o seu [de Antonieta] túmulo”. Depois, é a vez de Mesquita Neto, em 14/03/1959 (Dia Nacional da Poesia), registrar seus sentimentos pelos 31 anos de falecimento da “maior poetisa capixaba”. Ao final, diz: “‘Frauta Agreste’ deveria ser reeditado para conhecimento das novas gerações de intelectuais e amantes da boa poesia. É possível que, um dia, quem sabe?”.
Ao longo desses 79 anos, a poeta tem sido lembrada por estudiosos da literatura capixaba, pois seu nome faz parte de algumas antologias como as escritas por José Vitorino, Mendes Fradique, Assis Brasil, Elmo Elton, Agostino Lazzaro, Francisco Aurélio Ribeiro. Em 2006, por ocasião do II Bravos companheiros e fantasmas, promovido pelo Programa de Pós-graduação em Letras/ Mestrado em Estudos Literários-UFES, Reinaldo Santos Neves, em entrevista ao jornal A Gazeta, destacou como “jóia rara” do evento a Mesa Especial: Maria Antonieta Tatagiba.
É uníssono o coro dos que reconheceram o valor literário da obra de Antonieta e sua importância como representante feminina da poesia capixaba do século passado. Mas, ainda assim, verificamos, estranhamente, um jogo de luz e sombra oscilando sobre seu vulto, sobre sua obra. A nosso ver não há uma outra saída senão nos tornarmos multiplicadores, divulgadores, leitores e amantes de sua poesia. “Acreditar nos capixabas, lê-los com prazer e gostar deles” apontou, certa vez, Francisco Aurélio. Para tanto, Frauta agreste precisa ser retirado de vez do ostracismo, precisa ser reeditado.
13 de março de 2007: renasce o “Sonho – eucharistia e vida dos poetas” e o desejo de ver brilhar, “altiva, ao vento, ao sol, á luz, / O teu manto florido de rainha...” (Frauta agreste).
Karina de Rezende Tavares Fleury
Mestranda em Estudos Literários (UFES)
Sugestão do Letra do e Fel:
http://www.poetas.capixabas.nom.br/Poetas/detail.asp?poeta=Maria%20Antonieta%20Tatagiba
10/03/2007
... uma tristeza que brota do fundo da Alma: Texto dirigido.
25/02/2007
RABISCO
amor é algo em que se é indistinto e distingo os traços aços do seu rabisco e você me apresenta sem se apresentar sua poesia, seu eros da distância, seu eros da proximidade, e vejo borboletas entrelaçadas no ar, saltando, e são pássaros, e são insetos, e são folhas, e são gentes, e são seu tesão em vinho transfigurado nos sonhos que vejo, que desejo, que toco, que retoco, que ouço, que remoço, que degusto, que te gusto, que cheiro, que recheio, e você é minha extensão, os tatos atos de meus sentidos, e a saudade não tem idade, parece muito antes de mim, como se antes do ovo, antes do óvulo, do esperma, do gozo, algo-ouro-diamante-música-alegria-utopia-ressurreição-feto-paraíso-já e, antes de nascer, de escrever, de ser texto, de existir o mundo, antes/depois de Deus, no remotíssimo agora de não tê-la tendo, na tela-pintura de pintar-nos, a dois, a um, a mil, imagens em estrelas de nos darmos, de sermos dados, acaso do caso de um lance de dados e você não abolirá o acaso absoluto de fingir-se e fugir-se para as íris dos olhos da lua de seu estado de loba, e só quero ficar perto, e a distância não tem longe e a trago, porque no antes não tem depois, não tem tempo, não existem lugares, não tem o haver algo que haja, só o emaranhado de te ver com o sexo, te gozar com o olhos, te abraçar com a língua, te escutar com seu odor, te desejar com a saliva de seus poros, e seu cérebro é meu coração, e estou encouraçado, e quero, quero, quero, do jeito-livre, panteros, sua mordida, loba faminta, no clitóris do meu nome no seu nome: lume, lama, alma, no círculo de nosso circo, o curto-circuito, no cisco do risco, seu abdômen : é o rastilho da pólvora no barbante e, ante o volume deste instante, explodimos, diante da fúria dessa eternidade inconstante: .
Nasci em Rio Pomba, Minas Gerais, onde passei minha infância. Nesse perturbado meio tempo entre a infância e a adolescência, mudei para Belo Horizonte, onde fiquei até maio de 2004. Atualmente moro em Vitória, Espírito Santo, onde sou professor adjunto de Teoria da Literatura, na Universidade Federal do Espírito Santo. Não tenho prêmio algum, literário, em meu currículo, nada de epopéias líricas de fotos e resenhas em jornais de circulação nacional, embora, publicados, tenha os seguintes livros: Paradoxias, romance, 1999, Cor vadia, poesia, 2002, Silvo de Luis Caixeiro, biografema, 2003, co-autoria com o poeta mineiro Wilmar Silva.
03/02/2007
Thálassa Thálassa (Haroldo de Campos)

Significa “O mar ! O mar”. Provém de Anábasis, de Xenofonte (430 c.a – 355 a.C.), da cena em que descreve a retirada de dez mil gregos, sob seu comando, e registra a exclamação de suas tropas quando, após árduas peripécias, os soldados defrontam-se finalmente com o Mar negro ( Ponto Euxino). (1992, p. 147):
Thálassa Thálassa
1
Não sabemos do Mar.
O Mar varonil com seus testículos de ouro
O Mar com seu coração cardial de folhas verdes
E suas imensas brânquias de peixe aprisionado
O Mar, não esse que dá as nossas costas
Pantera de espuma que as mulheres domesticam
Em suas redes de látex
Rei de Bizâncio e ungüento movendo entre as esposas
As mãos manicuradas.
Não sabemos do Mar
O dia nos confina entre a pobre matéria da madeira calada
Entre os pássaros ocos, os cavalos de força e a mucosa eletrônica
E à noite adoramos ao Sol de Galatite e o Poderoso Às de Espadas
Enquanto os cinocéfalos correm sobre os nossos telhados
Aguardando a mulher- Nua que há de aparecer com seus pequenos seios
Bela como o almíscar, que rói as pituitárias
E as zibelinas que mortas em torno de suas nádegas de prata.
2
Não sabemos do Mar.
Ó trombeta de osso!
Pífaros surdos emboscados na areia!
_ Um pássaro que se perdeu no céu de celofane
Esquece o seu grito de gaivota marinha.
É aqui a morte de sete- palmos- de- terra
E tríplice coroa de chumbo sobre a fronte
A morte, o grande cão montando um asno negro
E tangendo à sua frente os zabumbas do luto.
É aqui a terra- Firme e os navios- ancorados
A Madeira-de lei e as Construções- de pedra
_ O homem que lê a sorte nas vísceras sagradas
Suspende à sua porta o bucrânio dos loucos.
... E falam de uma Cidade antiga
Como essa moeda de argila
E viva como o odor dessa rosa.
Dos seus mercados onde se bebia o vinho de lótus
Dos seus destinos confinados a Anciãos de barbas de papirus
De suas leis, de seus Deuses, e de suas Virgens, seus Reis:
E o imenso dique de pedra erguido por seu povo
Para deter o Mar
_ São essas torres de prata que vemos à vasa da maré-
E Ele agora a recobre como um verde morcego
Recolhendo a membrana das asas e às avessas
Suspenso
Como um verde morcego em sua sesta lunar.
3
Eu também praticando os Ritos Fúnebres da Rosa
Quando os amigos – Os templários de um mistério sem templo-
Cruzam as lanças e se afastam num adeus melancólico
Eu nada sei do Mar, mas o poema o supre,
E um escaravelho de esmeralda pousado em minha fronte
Fala-me em sua rude algaravia marítima:
_ O Mar, Galo Sultão com seu clarim de Espanha
Seu triunfo de trezentos potros de ametista
Quando belo e animal rói as próprias entranhas
E um punho de sal se abate no horizonte.
_ O Mar em seu decúbito dorsal de folhas verdes
Sargão de uma longínqua dinastia de púrpura
Dom Diniz lavrador de suas lavras de espuma
Falconeiro, e no ombro o seu falcão – a lua.
_ O Mar,
Não esse leão de pedraria que dá as nossas praias
Sol hidrópico, tigre
De tornassol que as mulheres amansam com o triângulo
Núbil em seu ventre de benjoin e eletro- imã.
_ O Mar, mancebo hirsuto
Com peixe nas virilhas
_ O Mar, coração cardial
Crivado de espadartes
E no peito de dura substância marinha
Como imensa tatuagem a fósforo e santelmo
O esqueleto de coral de todos os seus mortos.
4
E um menino ergue-se entre os homens e senta-se entre os sábios
(Teu signo, ó mistério, o carbúnculo sobre a testa dos linces!)
Um menino de orfandade magnífica, como o ultimo de uma raça.
Entre o povo das cavernas, o povo da terra firme
Os Comedores- de- terra
Cujos primogênitos apodrecem em cântaros de barro
E são os deuses- do- alicerce, os padroeiros, os lares
Das Construções- de- pedra e dos Bens- de raiz.
Um menino sentado entre os sábios e erguido entre os homens!
O Bastardo, o Herdeiro
Presuntivo de uma Linguagem a extinguir-se
(como os híbridos nas espécies carregando a semente infecunda)
E fala do Mar e de ancestrais de límpida
Geração marinha
Aos doutores que escrevem sobre placas de adobe
As mulheres que tingem as unhas dos pés com um esmalte de múrex
E a um homem que enterra os seus mortos nas manhãs de domingo
Colocando-lhes sob a língua uma pequena moeda
E recheando-lhes o ventre de natrão e especiarias..
5
Um menino e sua fronte
Como a asa de um pássaro de marfim
Um menino, e sua voz como a têmpera de uma espada
E uma isolação de vogais restaurando a língua- de- d’oc dos vaticínios!
6
_Tu, Deusa- Leoa
Ó morte de esporões de bronze
- Morte marítima, não essa de sete- palmos- de- palmos... _
Ergue o tridente de ouro, favorece
Também os alísios do Poema
- Virgem barroca, figura
Na proa dos navios
Sacode a cabeleira abissal profunda de pólipos
Quando o Mar almirante Te empolga e o tatuas no peito
Com o esqueleto de coral de todos os seus mortos
Sustém a andança do Poema, ó Favorita,
De fúnebre nudez sitiada por eunucos
Enquanto sobre Ti os dátilos claros como digitális
Se abrem
E nada á Tua ilharga ou cardume aguerrido dos delfins.
_ E TU, Árvore da Linguagem,
Mão do Verbo
Cujas raízes se prendem no umbigo do Mar
Ergue Tua copa incendiada de dialetos
Onde a Ave- do- Paraíso é um Íris de Aliança
E a Fênix devora os rubis de si mesma
Recebe este idioma castico como um ouro votivo
E as primícias do Poema, novilhas não juguladas
Te sejam agradáveis!
Tu, Mãe do verbo cercada de hespérides desnudas,
Cuja fala é sinistra qual a voz dos Oráculos,
E bífida como a língua dos dragões...
7
Um menino e seu canto
Como um pouco de sal nos ritos de amizade...
... Mas um dia o Povo se cansará de ouvi-lo,
O Povo se cansará de chamá-lo “O Justo”!
(Nesse dia os telefones serão pássaros de gargantas ocas
repetindo para sempre os nomes pérfidos do Exílio
E escorpiões domesticados devorarão a língua dos rouxinóis
Para que todos possam ouvir a irretrucável
Dialética do Encéfalo Eletrônico).
_ E como os Dez Mil que viram o Mar e disseram “O Mar”
_ E como o Doge de Arnês de prata no Bucentauro de núpcias
_ Ou essa criatura _ a medusa _ de pura substância marinha
Tão límpida que a retina não filtra – azul sem tara,
Um homem desce das Terras- Firmes e procura
O Mar
_ O Mar varonil com seus testículos de ouro
_ O Mar paternal de tórax iracundo
E sonoros pulmões de búfalo encerrado,
E àquele imenso coração filial rodeado de ametistas.
_ É esse elmo de púrpura que vemos na vasante das águas.
27/01/2007
Farrapos de Sonho- Poesia de Maria Ester Torinho...
festa-delícia
recheada de malícia
temperada com pimenta e sal.
Desfile de escolas de samba:
festa feita por amantes do sonho
gigantes da alegoria
anões da vida real.
Coloridas fantasias
alegres e vadias
abafam a triste poeira
da vida desse povo
escondem as cinzas
que explodem de novo
na quarta-feira.
Para a maioria
a alegria
é somente alegoria:
mágica
onde se esquece o trágico
da realidade paraplégica.
