O poeta se julga superior e
no momento da criação é plutão
atingido por meteoritos.
Ele necessita beber da alma alheia e
planar seus versos com a ajuda
dos ventos norte e sul.
Se banhar na chuva mansa, regozijar na tempestade
e dormir ao relento, onde o frio adensa.
Buscar veios de ouro e água doce no deserto,
ser natural e urbano, humano a se desfazer
em materiais vários.
Este ser esquisito: redondo e plano, preto e branco,
traz no sangue as linhagens de reis,
de putas e de soldados.
Possui grande olhos azuis e orelhas atentas,
faróis que iluminam a existência,
e captam sentidos no vazio, esvaziando
outros tantos.
É um mago condenado.
É tantos e todos que é ninguém
Bruma solitária que vaga
entre pepitas de ouro e cadáveres.
bairenatabomfim
03/04/2010
19/03/2010
Um dia após o outro
É como mergulhar
mas, lúcido,
sem a necessidade de ar
ou de terra para plantar os pés.
Se lançar infinitamente,
rastejar, ou seria nadar?
Até não poder mais,
flutuar na espuma acizentada.
É assim o ânimo, sangra violento,
ri, garagalha irônico.
Surpreende e estarrece
essa visão.
Bater os braços e as pernas
explorar sem fôlego o conhecido.
Cansar, estar atento e relaxado,
se contradizer e morrer
por excesso de opção.
Assim o cotidiano invade a carne
um dia após o outro
e mata as células, esmaga os sonhos
nele, milagrosamente,
tudo se quebra e reconstrói
tudo se não igual, bem parecido,
um pouco mais do mesmo.
mas, dos dedos brotam letras
que não se repetem nunca!
Cada uma com consciência de si e algumas
alienadas das outras
Mas vivas, vibrantes e prenhes de inéditos.
Letras de carne, de osso e de sangue.
mas, lúcido,
sem a necessidade de ar
ou de terra para plantar os pés.
Se lançar infinitamente,
rastejar, ou seria nadar?
Até não poder mais,
flutuar na espuma acizentada.
É assim o ânimo, sangra violento,
ri, garagalha irônico.
Surpreende e estarrece
essa visão.
Bater os braços e as pernas
explorar sem fôlego o conhecido.
Cansar, estar atento e relaxado,
se contradizer e morrer
por excesso de opção.
Assim o cotidiano invade a carne
um dia após o outro
e mata as células, esmaga os sonhos
nele, milagrosamente,
tudo se quebra e reconstrói
tudo se não igual, bem parecido,
um pouco mais do mesmo.
mas, dos dedos brotam letras
que não se repetem nunca!
Cada uma com consciência de si e algumas
alienadas das outras
Mas vivas, vibrantes e prenhes de inéditos.
Letras de carne, de osso e de sangue.
11/03/2010
Terry Eagleton na Flip 2010 *I*M*P*E*R*D*Í*V*E*L*
Terry Eagleton é o pseudônimo de Thomas Warton, 65, teórico marxista inglês e professor da Universidade de Oxford. A participação de Eagleton foi confirmada na Flip 2010. Crítico mordaz, Eagleton já publicou mais de uma dezena de livros e inúmeras resenhas e artigos. Sua obra de maior destaque é Teoria da Literatura: uma introdução, que traça a história do estudo de textos contemporâneos, desde os românticos do século 19 até os autores pós-modernos. O prolífico escritor britânico transita entre a crítica e a criação literária. É também autor de ficção e obras teatrais.
De Eagleton eu li e recomendo Ilusões do Pós-modernismo. se tiver interesse tem uma ótima resenha no site:http://www.socialismo.org.br/portal/filosofia/157-livro/285-as-ilusoes-do-pos-modernismo
De Eagleton eu li e recomendo Ilusões do Pós-modernismo. se tiver interesse tem uma ótima resenha no site:http://www.socialismo.org.br/portal/filosofia/157-livro/285-as-ilusoes-do-pos-modernismo
Academia Feminina Espírito-Santense de Letras promove o 1º Encontro de Escritoras Capixabas
Amigos, do dia 13 ao dia 17 de abril acontecerá na Assembléia Legislativa do Espírito Santo o 1º Encontro de Escritoras Capixabas, promovido pela Academia Espírito-Santense de Letras. Este evento tem como objetivo principal promover a integração entre acadêmicas, estudantes e amantes da literatura, bem como fomentar a escrita e a leitura. Os participantes que obtiverem 50% de presença no evento terão direito à certificado. As vagas são limitadas e devem ser feitas pelo email: academiafemininaes2010@gmail.com
Haverá oficinas de arte, literatura, haicai e contação de histórias, além do lançamento de livros.
Eu estarei ministrando oficinas, nos veremos lá!
abraços
Renata
Lançamento de livros na ilha: Dia 15/03 na Escola de Artes FAFI - 19 horas
A trajetória do livro: da edicão ao leitor: café Literários com Francisco Grijó e Reinaldo Santos Neves
Amigos, no dia 10 de março aconteceu o café literário SESC com os escritores Francisco Grijó e Reinaldo Santos Neves, dialogo que foi mediado pelo escritor Caê Guimarães. O tema é de extrema pertinencia, trabalhar o diálogo entre quem escreve, quem edita e quem distribui os livros no nosso estado, bem como o diálogo o leitor, peça fundamental desse jogo.
Nessa noite houve também, uma homenagem Ao poeta e contista Miguél Marvilla, amigo querido que nos deixou em meados de 2009 e o lançamento do Livro Histórias curtas para Mariana M, romance de Francisco Grijó.
O salão do Hotel Magestic estava lotado e achei o encontro proveitoso. Aproveitei o ensejo para falar da assembléia especial que se realizará em abril para discutir o mesmo tema e propôr politicas publicas, através de leis, que facilitem os livros de autores capixabas chegarem ao leitor, pelo menos que garanta que tenhamos um lugar digno nas prateleiras das livrarias que faturam no nosso estado.
O salão do Hotel Magestic estava lotado e achei o encontro proveitoso. Aproveitei o ensejo para falar da assembléia especial que se realizará em abril para discutir o mesmo tema e propôr politicas publicas, através de leis, que facilitem os livros de autores capixabas chegarem ao leitor, pelo menos que garanta que tenhamos um lugar digno nas prateleiras das livrarias que faturam no nosso estado.
Em breve postarei os videos desse encontro.
08/03/2010
Verinha nos deixou
Verinha nos deixou hoje, estive com ela todo o tempo, segurei a sua patinha e agradeci por tudo o que representou na minha vida e na vida do Luiz. Pedi que ela esperasse só um pouquinho mais antes de partir, pedido que ela atendeu e, assim que o Luiz chegou do trabalho e se despediu, ela expirou nos meus braços. Ficou uma saudade, a casa está esvaziada, a caixa de supermercado que ela tanto gostava está onde sempre esteve e não sei quando irá sair. Mas estas são as perdas significativas que vamos contabilizando ao longo da vida, aí se percebe que perder dinheiro não dói, e que nenhuma aquisição material será capaz de compensar algo assim. Assim que ela se foi trouxemos seu corpo para casa e mostramos aos outros gatinhos, para eles saberem o porquê do seu desaparecimento do nosso convivio, eles observaram, cheiraram o corpo e sairam, cada um para um cantinho, para fazer luto à sua maneira. Verinha está descansando na Reserva natural Reluz, num bosque de pinheiros que a partir de hoje levará seu nome. Fica aqui este relatinho, mais como uma forma pós-moderna de elaboração dessa tristeza, dividindo ela com vocês, de alguma forma fica mais leve.
Agradeço muito a Dª Ana Cristina, da clinica Mascote, tudo o que fez por Verinha e por nós, pai e mãe desesperados. OBRIGADA!
metapoesia
Serão meus os versos que escrevo,
ou apenas palavras- frags que conjugo e organizo?
Serão, estas palavras-setas, partes de mim que desconheço?
A poesia que gesto é embate entre desejos, é utopia,
é também, filosofia básica: de onde vim, para onde vou?
Era eu ou a era a letra a esgaçar-se noutros tempos?
Será que a poesia do século XVI também era minha?
Sonhos e contos da carochinha soam para mim tão verdadeiros
vejo os rostos, sinto os cheiros, dialogo com reis, rainhas,
observo os elementais dando o tom da natureza.
São os amigos secretos dessa contadora de histórias
que recria o próprio mundo, esse cinema mudo em preto e branco.
Eu amazona, lanço imagens-palavras- setas
para quem quiser adivinhar, buscando atingir sem pedir licença.
Será antipoesia desejar gestar sentidos desconexos?
Quem se habilita a desvendar o mistério de ser outro?
Quem se habilita a ser eu noutro corpo?
A ser paralelo, a unir versos e criar super novas?
A arriscar a vida rabiscando folhas em branco,
garatujando e re-criando o verbo?
metapoesia.
ou apenas palavras- frags que conjugo e organizo?
Serão, estas palavras-setas, partes de mim que desconheço?
A poesia que gesto é embate entre desejos, é utopia,
é também, filosofia básica: de onde vim, para onde vou?
Era eu ou a era a letra a esgaçar-se noutros tempos?
Será que a poesia do século XVI também era minha?
Sonhos e contos da carochinha soam para mim tão verdadeiros
vejo os rostos, sinto os cheiros, dialogo com reis, rainhas,
observo os elementais dando o tom da natureza.
São os amigos secretos dessa contadora de histórias
que recria o próprio mundo, esse cinema mudo em preto e branco.
Eu amazona, lanço imagens-palavras- setas
para quem quiser adivinhar, buscando atingir sem pedir licença.
Será antipoesia desejar gestar sentidos desconexos?
Quem se habilita a desvendar o mistério de ser outro?
Quem se habilita a ser eu noutro corpo?
A ser paralelo, a unir versos e criar super novas?
A arriscar a vida rabiscando folhas em branco,
garatujando e re-criando o verbo?
metapoesia.
07/03/2010
O espírito de GENTILEZA renovado
Olá amigos, possivelmente vocês tenham ouvido falar de José Datrino, mais conhecido como o profeta Gentileza, senhor que se destacava na multidão não apenas por sua túnica branca e por seus cabelos e barba longos, tão alvas quanto a pureza de sua alma, mas por pregar a gentileza, a solidariedade, o respeito.
Essa figura espetacular que vou apresentar a vocês é seu Carlos, um andarilho que esta passando uma temporada hospedado nas areias da Praia de Camburi. Foi o Luiz, acostumado a conversar com pessoas que geralmente são invisiveis para a maioria, quem conheceu seu Carlos, perguntou de onde ele era e se estava precisando de alguma coisa, seu Carlos respondeu que não estava precisando de nada, que tinha tudo, ele disse que era Minhas Gerais.
Passamos a observar seu Carlos, intrigado com este ser humano que, aparentemente, não tem nada, mas transmite um ar de completude e de satisfação, e percebemos que ele percorre toda a cidade alimentando os pássaros e cachorros abandonados, com alimentos que compra com o dinheiro das latinhas que cata e vende na cidade. O nosso sr. Gentileza não pede dinheiro a ninguém e não espera, como nós, enredados pós-modernos, mais dinheiro, um celular da hora, roupas transadas, enfim, ele espera, apenas, viver, poder estar em Camburi ou em outra parte desse mundão, e alimentar seus amigos e companheiros, os animais.
Passamos a observar seu Carlos, intrigado com este ser humano que, aparentemente, não tem nada, mas transmite um ar de completude e de satisfação, e percebemos que ele percorre toda a cidade alimentando os pássaros e cachorros abandonados, com alimentos que compra com o dinheiro das latinhas que cata e vende na cidade. O nosso sr. Gentileza não pede dinheiro a ninguém e não espera, como nós, enredados pós-modernos, mais dinheiro, um celular da hora, roupas transadas, enfim, ele espera, apenas, viver, poder estar em Camburi ou em outra parte desse mundão, e alimentar seus amigos e companheiros, os animais.
05/03/2010
Imagens do caleidoscópio de Jorge Luiz Borges em Ficções
autora: Renata Bomfim
(resumo do artigo)
(resumo do artigo)
Jorge Luis Borges (1899- 1986) inovou a narrativa contemporânea pela singularidade de sua escrita ficcional, que influenciou significativamente o movimento vanguardista argentino, como também a escritores, cineastas e críticos de todo mundo. Sua obra está inscrita na primeira etapa do século XX, tempo de problematização e negação de todos os conceitos. Bella Josef, estudiosa que conheceu Borges pessoalmente, no Livro Jorge Luiz Borges, nos esclarece que: “A formulação estética de Borges desconstrói o modernismo: transforma a realidade e fragmenta o tempo relativisando a forma em sua crítica do sujeito. Com isso, anuncia a pós-modernidade” (JOSEF, 1996).
Borges é instigante, através da escrita o autor cria outros mundos regidos por leis próprias, abalando as realidades objetivas, concretas e fixas, presas às leis do tempo, para tal, ele utiliza elementos variados como o labirinto, vastos espaços que se desdobram infinitamente, caminhos sem fim, rodas e labirintos lineares e cíclicos.
O livro Ficções (editado em 1944) brinda o leitor com contos que desfazem os limites entre o real e o fantástico e, entre tempo e realidade, fazendo emergir um mundo de multiplicidade de sentidos que possibilita ao leitor inúmeras interpretações. Borges afirmou certa vez:“durante toda a minha vida cheguei às coisas depois de havê-las transitado nos livros” (JOSEF, 1996), para ele o livro é uma metáfora do universo.
O Conto intitulado A Biblioteca de Babel, por exemplo, apresenta-nos uma biblioteca labiríntica infinita de galerias que se repetem e a metáfora do labirinto redesenha a trajetória do homem. A imprevisibilidade expressa no conto mostra o homem preso ao labirinto do tempo, peregrino, labirinto que é, também, uma metáfora da tessitura textual, que é inesgotável:
Afirmo que a biblioteca é interminável. Os idealistas argúem que as salas hexagonais são uma forma necessária do espaço absoluto ou, pelo menos, de nossa intuição do espaço. Alegam que é inconcebível uma sala triangular ou pentagonal. (BORGES, 2001)
[...] A Biblioteca existe ab aeterno. [...] Atrevo-me a insinuar esta solução do antigo problema: A Biblioteca é ilimitada e periódica. Se um viajante atravessasse em qualquer direção, comprovaria ao fim dos séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que reiterada seria uma ordem: a Ordem). (BORGES, 2001)
Nesse mesmo conto percebemos o ser humano buscando respostas para problemas que não têm solução, para questões impossíveis de se responder:“[...] também se esperou, então, o esclarecimento dos mistérios básicos da humanidade: a origem da biblioteca e do tempo”. A narrativa de Tlön , Uqbar, Orbis e Tertius apresenta a descoberta, ao acaso, de um mundo paralelo e desconhecido, construído por meio da linguagem, chamado Uqbar, nascido da conjunção de um espelho e de uma enciclopédia. Este mundo é a imagem inversa do mundo real, é uma imagem refletida em um espelho imaginário, onde as coisas se projetam e duplicam. Acerca desse planeta imaginário criado pelo conhecimento humano, o texto nos diz:
[...] quem são os inventores de Tlön? O plural é inevitável, pois a hipótese de um único inventor [...] fora descartada unanimemente. [...] Esse plano é tão vasto que a contribuição de cada escritor é infinitesimal. [...] Conjectura-se que este breve new Word é obra de uma sociedade secreta de astrônomos, de biólogos, de engenheiros, de metafísicos, de poetas, de químicos, de algebristas, de moralistas, de pintores, de geômatras, dirigidos por um absoluto homem de gênio. (BORGES, 2001)
Em Tlön , Uqbar, Orbis e Tertius, Borges cria uma nova realidade que nega o tempo e nos mostra a visão do autor acerca da angústia do homem que pretendem encontrar uma explicação racional para o universo, e a realidade vê-se ameaçada de ser tragada pela fantasia: “O mundo será Tlön”.
Outro conto intrigante intitula-se As ruínas circulares, este conto aborda temas variados e recorrentes na obra borgeana, dentre os quais, a circularidade captada nos níveis do tempo e do espaço. O conto narra a história de um homem velho, um “mago”, que se refugia nas ruínas circulares de um templo que foi consumido pelo fogo. Seu intento era criar outro homem: “O propósito que o guiava não era impossível, ainda que sobrenatural. Queria sonhar um homem: queria sonhá-lo com integridade minuciosa e impô-lo à realidade”. Este homem percebeu que moldar a matéria de que é feita o sonho é tarefa árdua, ele reviu o seu fracasso e buscou outra tática para realizar seu intento, “abandonou toda premeditação de sonhar” e, para retornar a tarefa, executa um ritual de purificação, [...] e quase de imediato sonhou com um coração que pulsava, [...] cada noite percebia-o com maior evidencia”.
A ambição de criar um homem tão perfeito que se impusesse à própria realidade, revela a busca de Borges por vencer o tempo e a sucessão a que estamos imersos, de alcançar a eternidade. Para o estudioso Pommer (1991), “a eternidade seria uma invenção humana capaz de dar sentido às nossas vidas fugazes, já que o tempo, é algo que nos escapa por completo à compreensão”.
Ao final do conto o mago descobre que também é ele a criação do um sonho de um outro. Bella Josef (1996), afirma que Borges recorre ao tempo cíclico em suas narrativas para justificar a permanência de um mesmo fato ou objeto em muitos lugares. Ele busca a intemporalidade do tempo, anulado em sua unicidade. [...] a simultaneidade ou repetição cíclica, que leva ao tema da criação e ao tema do labirinto. [...] A fantasia é mais real que a própria realidade e nela tudo se repete. [...] Se o tempo é cíclico deixa de existir o tempo cronológico.
O filho sonhado pelo mago vai gradualmente acostumando-se a realidade, mas não sabe que é um simulacro, um fantasma. O mago consegue realizar o intuito de sua vida, e numa espécie de êxtase entrega-se ao fogo para ser consumido. As ruínas circulares mistura planos: “Não ser homem, ser a projeção do sonho de outro homem, que humilhação incomparável, que vertigem. [mas o mago] com alívio, com humilhação, com terror, compreendeu que ele também era a aparência, que outro o estava sonhando. O mago ao descobrir-se também uma projeção, um simulacro sonhado por um terceiro, sente um alívio, pois há uma desconstrução da individualidade, o sujeito tendo sua individualidade diluída, torna-se parte de algo maior que ele, de um tempo fora do tempo, de um tempo mítico.
Nos conto A forma da espada, o protagonista dirá: “O que faz um homem é como se todos o fizessem”. Ao serem abolidos passado e futuro, resta ao homem o tempo presente. Santos (1996) nos diz que “a destruição do tempo, anula conseqüentemente o individuo e dá ao universo um caráter eterno”. Este conto mostra a busca do homem borgiano pela imortalidade, lutando incessantemente contra o tempo.
Enquanto a realidade for regida pelo tempo, e este for o limitador da realidade humana, não haverá nunca uma possibilidade do homem retirar a máscara e descobrir seu verdadeiro rosto. A possibilidade de encontrar-se só pode ser vislumbrada num mundo atemporal, em um mundo não limitado pelo tempo sucessivo e temporal. (SANTOS, 1996)
Já Cerqueira (2006), destaca que na obra de Borges o tempo é um eterno retorno, e por isso não se pode afirmar que este mundo é real, mas um simulacro, uma máscara. [...] por isso não podemos decifrá-lo. Sendo assim, o homem que o habita é também um simulacro, pois repete os mesmos atos mecanicamente há séculos. Por ser prisioneiro do tempo, o eu, que é Borges, só se pode experimentar no fluir deste, que devora toda a realidade. Fruto de uma imaginação privilegiada, o livro Ficções é uma aventura imaginativa que busca discutir a pretensão da linguagem em ser a expressão fiel da realidade. Nele Borges constrói um caleidoscópio, cujos espelhos, a cada momento nos surpreende com novas possibilidades de desdobramento de imagens.
Referências:
CERQUEIRA, Dorine. Joege Luis Borges e a narrativa fantástica. Disponível em: < www.hispanista.com.br>. Acesso em: 30 nov.2006.
JOSEF, Bella. Jorge Luis Borges. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves Editora S. A., 1996.
JOSEF, Bella. Uma estética da inteligência. In: Jornal do Brasil, 1999.
POMMER, Mauro Eduardo. O Tempo Mágico em Jorge Luiz Borges. Florianópolis: Editora da UFSC, 1991.
PINTO, Júlio Pimental. Uma memória do mundo: Ficcção, memória e história em Jorge Luis Borges. São Paulo: FAPESP, 1998. p. 167- 175.
SANTOS, Ana Cristina. Algumas reflexões sobre o infinito na obra borgiana. In: anuário brasileiro de estudos hispânicos, n. 6, 1996. p. 71 – 81.
SANTOS, Ana Cristina. O Tempo e a Morte em Borges: “As Ruínas Circulares”. In: América Hispânica. Ano V, n. 7. 1992.
04/03/2010
Hora do Planeta 2010
Esse ano a Hora do Planeta será no dia 27 e março, entre as 20h30 e 21h30. Em 2009, 40 mil cidades de 88 países, 113 cidades brasileiras participaram da campanha promovidqa pela WWF.É isso aí, vamos desligar tudo minha gente e repensar nosso consumo.
GENTE, FOI MARAVILHOSOS FAZER PARTE DESTA CORRENTE TAMBÉM ESTE ANO!
02/03/2010
Verinha
Verinha
Verinha, querida, preciosa
Você ensaia a partida e eu
com o coração partido vejo
esvaziar um pouco o meu mundo.
É um conforto saber que
durante os doze anos que estivemos juntas
nossos espíritos, alados e selvagens,
estiveram em comunhão.
Sempre te amarei, filhotinha.
Tão pequena, uma jóia, e mesmo assim
me ensina com secular sabedoria.
Quem sabe em outra vida estivemos juntas
e eu fui a sua gata preferida?
Não importa a forma que temos,
gente, gato, pedra, flor, importa sim,
as nossas energias unidas, em harmonia.
Acredite gatinha, ainda vamos nos encontrar,
quem sabe na minha hora, você vai me esperar?
Lá, do outro lado do arco-iris...
onde vão morar criaturas como nós.
Nunca vou te esquecer, dançarina,
mas espero esquecer a tristeza desse dia
que chegou com nuvens pesadas e chuva fria.
Meus olhos estão encharcados,
meu coração, prenhe de saudades,
é dificil abrir mão do que mais amamos.
Preciso te liberar, dizer adeus,só Deus sabe o quanto me custa,
o quanto é dificil!
Mas, por amor também deixamos ir,
Segue em paz minha flor e obrigada
por tudo, por sua existência, que deu cor a minha:
que os anjos te guiem na jornada,
que o céu felino te acolha com flores,
músicas portuguesas, lagos com peixes,
muitos arranhadores, arbustos baixos e
uma grande passarada.
com amor,
sua mamaezinha.
01/03/2010
8 de março
Mais um dia internacional da mulher se aproxima e continuamos sendo queimadas, enclausuradas, espancadas, cortadas, violentadas, mal remuneradas, discriminadas, enfim. Não há muito o que comemorar, cada conquista feminina tem peso de sangue e é feita às custas de muita abnegação. O sucesso profissional, esse vem na garupa de jornadas duplas e triplas e de muito desgaste! Mas a luta por respeito e por um lugar à sombra continua! Temos muito ainda pelo que lutar, bem como a responsabilidade de honrar o sacrificio de muitas mulheres que vieram antes de nós desbravando, ousando, acreditando e sonhando com uma sociedade mais igualitária. Salve as mulheres nesse dia que é todo seu!28/02/2010
Nada
ccccccccccccccXXTristeza é nada
cccccccccccccXXXX é vazio
XXXXXcccccccccccccc ausência
XXXXXccccccccccccccXquerer voltar no tempo
XXx ccccccccccccccXXavançar no tempo
XXcccccccccccccccccxxxparar
XXccccccccccccccXOco
XccccccccccccccXBuraco
ccccccccccccccXEspaçamento
XccccccccccccccXLonge daqui
Xccccccccccccccccc Longe do agora
XXccccccccccccccXXsem lembranças
XXccccccccccccccXXXbranco total
XXccccccccccccccXXXXnem eu
XXXccccccccccccccXXXXnem você
XXXccccccccccccccXXXNão saber
XXXXccccccccccccccXNão querer
XXXccccccccccccccXNada não
XccccccccccccccXVárzea
ccccccccccccccXCharco
XccccccccccccccXLodo
XXccccccccccccccXChão
XXccccccccccccccXXAtoleiro
XXccccccccccccccXXXVão
XXccccccccccccccXXVácuo
XXccccccccccccccXDespovoamento total
XccccccccccccccXDeserto
ccccccccccccccSem fim.
bairenatabomfim
cccccccccccccXXXX é vazio
XXXXXcccccccccccccc ausência
XXXXXccccccccccccccXquerer voltar no tempo
XXx ccccccccccccccXXavançar no tempo
XXcccccccccccccccccxxxparar
XXccccccccccccccXOco
XccccccccccccccXBuraco
ccccccccccccccXEspaçamento
XccccccccccccccXLonge daqui
Xccccccccccccccccc Longe do agora
XXccccccccccccccXXsem lembranças
XXccccccccccccccXXXbranco total
XXccccccccccccccXXXXnem eu
XXXccccccccccccccXXXXnem você
XXXccccccccccccccXXXNão saber
XXXXccccccccccccccXNão querer
XXXccccccccccccccXNada não
XccccccccccccccXVárzea
ccccccccccccccXCharco
XccccccccccccccXLodo
XXccccccccccccccXChão
XXccccccccccccccXXAtoleiro
XXccccccccccccccXXXVão
XXccccccccccccccXXVácuo
XXccccccccccccccXDespovoamento total
XccccccccccccccXDeserto
ccccccccccccccSem fim.
bairenatabomfim
o poeta adâmico
No paraíso da linguagem,
o poeta zeloso se inclina
para amar a letra.
Nesse momento ele é Adão
no topo da hierarquia,
exigindo que Ela se submeta.
A letra mulher primeva,
dissimula
dribla a lei,
se agita.
Vê homem, bicho, Deus,
quer comer tudo
quer conhecer tudo
provar de tudo muito
principalmente do fruto.
Cometidos todos os pecados,
Nua e ambigua
ouve do outro lado a pena:
"Ganharás o pão com o suor do teu corpo".
O homem, caído, se depara com o desconhecido,
A vida de agora é labor e sacrífício
Ela pari aos gritos
conhece a dor
Mas estava escrito, tinha que ser assim,
para puderem seguir nomeando as coisas e
enchendo a terra de Abéis e Cains.
bairenatabomfim
o poeta zeloso se inclina
para amar a letra.
Nesse momento ele é Adão
no topo da hierarquia,
exigindo que Ela se submeta.
A letra mulher primeva,
dissimula
dribla a lei,
se agita.
Vê homem, bicho, Deus,
quer comer tudo
quer conhecer tudo
provar de tudo muito
principalmente do fruto.
Cometidos todos os pecados,
Nua e ambigua
ouve do outro lado a pena:
"Ganharás o pão com o suor do teu corpo".
O homem, caído, se depara com o desconhecido,
A vida de agora é labor e sacrífício
Ela pari aos gritos
conhece a dor
Mas estava escrito, tinha que ser assim,
para puderem seguir nomeando as coisas e
enchendo a terra de Abéis e Cains.
bairenatabomfim
Assinar:
Postagens (Atom)





