Vem buscar a palavra escondida.
As letras estão espalhadas
pelo meu ventre.
Acentos exclamam extasiados:
_ "Verbo!"
Minha anca vibra.
Nas esquinas da minha anatomia,
as vogais,
reunidas uma a uma,
celebram conso(n)ates,
e fazem sentido no meu coração.
29/02/2008
28/02/2008
Rogo
Vem, amor,
entra aqui de mansinho e
conheça o meu mundo,
revelado só para ti.
Desliza por entre os lençóis,
senta à mesa.
São teus os meus espaços,
os meus sonhos e embaraços.
Entra, traz contigo braços fortes,
me abraça e cobre com beijos ardentes,
traz também,
o teu sorriso de luz.
Cava o meu chão e
planta a tua semente,
rega com amor essa terra,
ressequida de solidão.
Faz cair sobre mim, maná,
faz jorrar, abundantemente,
o teu leite e mel,
e me sacia com o teu pão.
entra aqui de mansinho e
conheça o meu mundo,
revelado só para ti.
Desliza por entre os lençóis,
senta à mesa.
São teus os meus espaços,
os meus sonhos e embaraços.
Entra, traz contigo braços fortes,
me abraça e cobre com beijos ardentes,
traz também,
o teu sorriso de luz.
Cava o meu chão e
planta a tua semente,
rega com amor essa terra,
ressequida de solidão.
Faz cair sobre mim, maná,
faz jorrar, abundantemente,
o teu leite e mel,
e me sacia com o teu pão.
REVERSO
Por baixo da pele,
ao avesso,
eu sou mais Eu.
Virada, pirada, tarada,
sob a tez dominada,
explícitos desejos,
lúbricos segredos.
Exaltações que
o orifício delata.
ao avesso,
eu sou mais Eu.
Virada, pirada, tarada,
sob a tez dominada,
explícitos desejos,
lúbricos segredos.
Exaltações que
o orifício delata.
26/02/2008
Eu busco na palavra, abrigo e,
contemplo o tempo perdido
nos sulcos de minha face,
contemplo o tempo perdido
nos sulcos de minha face,
nas minhas mãos estendidas.
Busco amores esquecidos,
rosas murchas,
meu coração
está prenhe de saudade.
Sou a lua adolescente
vista por olhos seculares,
esferas constituintes
das formas elementares,
ameba, átomo, fractal,
espetáculo de cores.
Sou um soneto
que àquela poeta cantou
fazendo vibrar a alma.
E choro baixinho
deslumbremocionada
porque sou tudo,
em mim habita o uni-verso,
e porque sou pó,
e porque sou pó,
sou nada.
18/02/2008
Núpcias de Arpe
Vou fermentar
minhas uvas na tua boca, provar desse vinho,
curtir o barato e a doçura.
Ser o sumo a colorir a taça pura,
e me apurar com o tempo que passa.
Quero em êxtase absoluto, os apuros
dos teus beijos, sorvidos agora,
diretamente da garrafa,
e depois de tudo, do amor agri-doce e
desmedido, totalmente embriagada,
ser (a)colhida nessa safra desavergonhada.
E descansar madura em teus braços,
sob os olhos e as bênçãos de Baco,
que também bebe, a dar risadas.
Jornada
Viajando nessa nave,
pelo universo afora,
faço versos e teço sonhos.
Me abisma esse fora,
que estremeço,
e contemplo esse gigante
conduzido pelo tempo.
Sigo o fluxo, não resisto,
fluo e regozijo com a jornada.
Sou conduzida por caminhos
que nunca imaginei existirem,
veredas por onde meu corpo
se experimenta e o meu espírito
pelo universo afora,
faço versos e teço sonhos.
Me abisma esse fora,
que estremeço,
e contemplo esse gigante
conduzido pelo tempo.
Sigo o fluxo, não resisto,
fluo e regozijo com a jornada.
Sou conduzida por caminhos
que nunca imaginei existirem,
veredas por onde meu corpo
se experimenta e o meu espírito
agradece e vibra.
De fora sou o centro da ciranda,
do dentro sou criança e ansiã,
sou desejo e doçura e esperança.
Acalento segredos
De fora sou o centro da ciranda,
do dentro sou criança e ansiã,
sou desejo e doçura e esperança.
Acalento segredos
que me eternizam,
e digo sim à vida
e a todos os seus mistérios.
Não busco respostas.
Não defina a mim ou a outrem,
não defina o amor,
e a todos os seus mistérios.
Não busco respostas.
Não defina a mim ou a outrem,
não defina o amor,
ou a loucura, ou o ódio,
não pesquise as asas da borboletas,
não mate o dragão guardião de Maia,
a ilusão.
Apenas viaje comigo,
me dê a tua mão,
se solte, sorria, chore,
cante e vibre.
Pois é assim que sinto
não pesquise as asas da borboletas,
não mate o dragão guardião de Maia,
a ilusão.
Apenas viaje comigo,
me dê a tua mão,
se solte, sorria, chore,
cante e vibre.
Pois é assim que sinto
o meu espírito agora,
preso a ti por um fio de sangue
e liberto pelos laços infinitos do amor.
(Dedico este poema a meu irmão Emanuel que vai se casar.
Segue com ele o meu carinho e desejos de felicidade.
Segue também um beijo da irmanzinha que tanto o ama)
preso a ti por um fio de sangue
e liberto pelos laços infinitos do amor.
(Dedico este poema a meu irmão Emanuel que vai se casar.
Segue com ele o meu carinho e desejos de felicidade.
Segue também um beijo da irmanzinha que tanto o ama)
ciclos
E do limbo eu canto a canção do esquecimento.
Desse lugar plástico, sem dono, fora do tempo,
meu eu desabrocha em camadas e, sou muitos
homens e mulheres.
Meu ser está leve, e flutuo no fimamento passeando
por entre as estrelas, brilho com elas.
Cantando o esquecimento re- lembro que um dia,
ecoei no abismo, fluí com o rio, fui, talvez, uma fera,
uma planta, uma mulher, pedra bruta.
Trago dentro de mim, adormecidas, imagens, dores e delícias
de muitas existencias, transmutadas em sensações, pulsões.
Das feridas já não me lembro, dos nãos brotam hoje muitos sins.
E do limbo parto seguindo a tragetória que me foi reservada
desde que o sol lançou seu primeiro raio.
Alma liberta, rumo ao encontro de outras almas,
para cantarmos em coro o
germe de novas lembranças.
Desse lugar plástico, sem dono, fora do tempo,
meu eu desabrocha em camadas e, sou muitos
homens e mulheres.
Meu ser está leve, e flutuo no fimamento passeando
por entre as estrelas, brilho com elas.
Cantando o esquecimento re- lembro que um dia,
ecoei no abismo, fluí com o rio, fui, talvez, uma fera,
uma planta, uma mulher, pedra bruta.
Trago dentro de mim, adormecidas, imagens, dores e delícias
de muitas existencias, transmutadas em sensações, pulsões.
Das feridas já não me lembro, dos nãos brotam hoje muitos sins.
E do limbo parto seguindo a tragetória que me foi reservada
desde que o sol lançou seu primeiro raio.
Alma liberta, rumo ao encontro de outras almas,
para cantarmos em coro o
germe de novas lembranças.
13/02/2008
Entre a luz e a escuridão
há um rasgo,
uma fissura,
por onde o tempo espia,
de lá se contrai,
em dores, a ternura.
E já nascemos na bruteza,
com um grito embargado na garganta,
que quando liberto,
revela ecos de outras vidas,
palavras- trama,
e somos postos entre o estro e a afasia.
Sempre em busca da beleza,
a alma, só na arte se encontra,
aprende a plasmar a terra e a si,
sua ferramenta, o coração.
E pra validar a existência
transforma o caos em esperança,
recria, se pare fora do tempo,
nas asas da poesia.
bairenata
há um rasgo,
uma fissura,
por onde o tempo espia,
de lá se contrai,
em dores, a ternura.
E já nascemos na bruteza,
com um grito embargado na garganta,
que quando liberto,
revela ecos de outras vidas,
palavras- trama,
e somos postos entre o estro e a afasia.
Sempre em busca da beleza,
a alma, só na arte se encontra,
aprende a plasmar a terra e a si,
sua ferramenta, o coração.
E pra validar a existência
transforma o caos em esperança,
recria, se pare fora do tempo,
nas asas da poesia.
bairenata
12/02/2008
09/02/2008
Meatrix: animações criticam produção industrial de carne e leite

Meatrix é um produto do primeiro Fundo de Apoio ao Ativismo promovido pela Free Range, uma empresa de webdesign. Em fevereiro de 2003, a Free Range convidou centenas de Ongs a se inscreverem em um concurso que culminaria na produção gratuita de um filme em Flash.
Depois de revisar cuidadosamente mais de 50 inscrições, o vencedor do patrocínio foi o Grace (sigla em inglês de Centro de Ações e Recursos Globais para o Meio Ambiente).
Depois de revisar cuidadosamente mais de 50 inscrições, o vencedor do patrocínio foi o Grace (sigla em inglês de Centro de Ações e Recursos Globais para o Meio Ambiente).
O Grace trabalha com o intuito de acabar com as práticas destrutivas e perigosas das fazendas de produção industrial e promover a agricultura sustentável - uma meta que está próxima do coração da Free Range. Uma reforma na indústria da produção agrícola representaria ganhos significativos em muitas áreas pelas quais luta a Free Range: saúde, segurança alimentar, justiça econômica, direitos dos trabalhadores, integridade ambiental e direitos dos animais. Os filmes Em Meatrix, uma paródia do filme The Matrix, ao invés de Keanu Reeves, a estrela é o jovem porquinho Leo, que pensa viver em uma agradável propriedade familiar até ser abordado pelo boi Moopheus, que mostra a ele a dura verdade sobre o agronegócio. Além de oferecer informações sobre as fazendas industriais, a animação encoraja os consumidores a apoiarem as propriedades familiares locais e a adquirirem carne orgânica.
Enquanto no primeiro episódio nossos heróis nos ajudaram a mudar a maneira de olhar a produção de carne, em Meatrix II: Revolting, Moopheus e Leo, voltam para mostrar as condições insalubres de uma fazenda que produz leite.Fonte IDEC:
Assista aos filmes 1 e 2, imperdiveis!
06/02/2008
Os felinos de Aldemir Martins
"Seja na aspereza dos cangaceiros em branco e preto, seja no lirismo colorido dos pássaros e dos peixes, ele mostra sempre a capacidade soberana de usar os recursos de sua arte para ser diverso sendo sempre o mesmo" (Antonio Cândido).
O artista Aldemir Martins (1922- 2006) nasceu no Ceará e viveu uma parte de sua vida em São Paulo. Muito premiado o artista participou de exposições em varios países, sua obra em grande parte retrata temas da vida e da cultura nordestina.
Aldemir é também o criador de uma das coleções mais admiradas por gatófilos do Brasil e do mundo, os gatos retratados por ele em pinturas e gravuras, sempre muito coloridas, mostram a sensibilidade do artista e sua capacidade de captar a essência do felino.
Se quiser saber mais sobre o artista e conhecer suas telas é só clicar:
03/02/2008
art poétique

Nem lascaux ou Altamira
valem a palavra fóssil,indomável,
Poesia-bisão,
tesão, selvageria.
Expressão que se delineia
nos traçados da carne,
sobre um corpus de sintomas
multicoloridos, e que chega
atualizado.
O carbono testa a verac-idade
do homo-diversus
habitante da cidade sem oxige-nação.
Congelado, fora do tempo, errante,
parte em busca do verbo matriz
seu ancestral unicelular
delirante.
bairenatabomfim
Gal Costa e Caetano Veloso no ninho
foto 2- (uma semana depois)
_ "É carnaval e já estamos emplumadinhos"!
fotos: renatabomfim
Solto está o pássaro proibido
Perigo, cuidado, sinal nas ruas
Plumagem clara, brilhante
Ao sol e à lua transparente
Ao corisco e à maré
Ao corisco e à maré
Eu canto o sonho na cama
Do jeito doce e moreno
Eu canto pássaro proibido de sonhar
O canto macio, olhos molhados
Sem medo do erro maldito
De ser um pássaro proibido
Mas com o poder de voar
Voar até a mais alta árvore
Sem medo, tranqüilo, iluminado
Cantando o que quer dizer
Perguntando o que quer dizer
Que quer dizer meu cantar
Que quer dizer meu cantar
Perigo, cuidado, sinal nas ruas
Plumagem clara, brilhante
Ao sol e à lua transparente
Ao corisco e à maré
Ao corisco e à maré
Eu canto o sonho na cama
Do jeito doce e moreno
Eu canto pássaro proibido de sonhar
O canto macio, olhos molhados
Sem medo do erro maldito
De ser um pássaro proibido
Mas com o poder de voar
Voar até a mais alta árvore
Sem medo, tranqüilo, iluminado
Cantando o que quer dizer
Perguntando o que quer dizer
Que quer dizer meu cantar
Que quer dizer meu cantar
(Caetano Veloso- Pássaro proibido)
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