24/09/2007

Metáfora e Política em Poesia Liberdade de Murilo Mendes

Renata Bomfim - UFES

Murilo Mendes (1901- 1975) apresenta uma obra de grande riqueza temática, fortemente influenciada pelas vanguardas européias. O poeta integra a segunda geração do modernismo, que buscava, essencialmente, uma poesia de questionamento de temas acerca da existência humana.

Murilo Mendes vivenciou um momento sócio-político conturbado. Crise econômica, o desabrochar dos ideais e partidos comunistas e socialistas, em oposição a estes, o surgimento do fascismo, do nazismo, do salazarismo, do franquismo, e no Brasil a ditadura Vargas. Foi testemunha das transformações produzidas na sociedade pela segunda guerra mundial. Em Poesia Liberdade, no poema A Tentação, o poeta depara-se perplexo frente a sua fé e a realidade brutal:

Diante do crucifixo
Eu paro pálido tremendo:
“Já que és o verdadeiro filho de Deus,
Desprega a humanidade dessa cruz”.
(MENDES, 1994, p. 424).

Na década de 30, Murilo Mendes integrou um grupo carioca de intelectuais cristãos que defendiam o cristianismo como uma ideologia capaz de restaurar a justiça, a igualdade social e promover a paz entre os homens.

A religiosidade Muriliana tem cunho filosófico, o que a aproxima dos dilemas concretos de seu tempo e, muitas vezes se apresenta impregnada de rebeldia. Assim como a religiosidade, a influência das artes Plásticas é uma marca forte de sua poética. Este aspecto da obra muriliana, é ratificada por Raimundo Carvalho no livro Murilo Mendes: o olhar vertical, onde ele destaca que: “É preciso atentar que em todas as frases da poesia muriliana há um elemento comum, a relação entre signo verbal e signo plástico” (2001, p.82).

Barbosa e Rodrigues nos empresta uma definição para a poesia de Murilo Mendes, para estes autores:

A poesia muriliana questiona o poetar, o mundo, o amor, a fé, a natureza e a própria linguagem pelas imagens associativas que dão um novo aspecto ao texto, com quebra de regras da sintaxe, da lógica formal do discurso, da ordem da gramática, das imposições dos léxicos, do dicionário ( 2000, p.125).

Poesia liberdade foi escrito entre 1944 e 1945, e reflete o olhar do poeta frente à violência e massacre coletivo promovido pela guerra. No poema Ceia Sinistra mostra há uma crítica aos regimes nazismo e fascismo que se opõem ao comunismo russo. No poema serão convidados para a ceia os “fantasmas”, pois as pessoas estão mortas:

Sentamo-nos a mesa servida por um braço de mar.
Eis a hora propiciatória, augusta,
A hora de alimentar os fantasmas.
Quem vem lá sentado num trator de cadáveres
Com uma grande espada para plantar no peito da Rússia.
[...]
A alma oprimida soluça
Num ângulo do terror. (MENDES, p. 403)

Sua postura política é firme, sua arma de resistência e denúncia é a poesia. Barbosa e Rodrigues,destacam que um outro aspecto da poesia muriliana é “a metáfora visionária que traz para sua obra uma perspectiva surreal” (2000, p. 136). Em Overmundo, podemos perceber o tom surrealista de sua poesia, Murilo propõe relações surpreendentes entre imagens e metáforas: “[...] Amarro o navio no canto de jardim, e bato à porta do castelo da Espanha. Soam os tambores do vento” (MENDES, 1975, p. 413).

Acerca do surrealismo muriliano, Merquior afirma ser “no máximo parte de um todo, uma dimensão expressional embutida na poética moderna e não um fator de filiação estilística” (1976, apud CARVALHO, p. 42). Murilo recebe influencia de mestres da pintura, música, arquitetura. O poema A Jaula descreve os “tesouros” do quarto “verde veronese” [verde veronese é o nome de uma tinta óleo específica para a pintura de tela], o poeta se apropria de signos das artes plásticas e cria uma metáfora onde ele “pinta” uma imagem por meio da poesia:

[...]
O retrato do meu amor
E o de Wolfgang Amadeu.
Poucos livros, todo um mundo,
A bíblia, Platão, Racini, Pascal, Cervantes, Camões.
(MENDES, 1975, p. 413)

A modernidade em que o poeta se inscreve, é descrita por David Harvey, como sendo:

Não apenas um “rompimento impiedoso com toda e qualquer condição precedente”, mas como “caracterizada por um processo sem- fim de rupturas e fragmentações internas no seu próprio interior” (1989, p. 12 apud HALL, 2004, p.16).

O sujeito da modernidade é cindido, Poesia Liberdade evoca para este sujeito fragmentado um sentido de unidade, o poeta percebe-se como alguém capaz de estabelecer relações entre as coisas mais díspares. No Poema Dialético “nada poderá se interromper sem quebrar a unidade do mundo”( MENDES, 1994, p. 410).

Murilo propõe que a unidade se restabeleça a partir da união dos opostos. Em Ofício humano, o poeta assume a missão de fazer com que esta ordem seja reajustada conciliando os contrários:

[...]
O poeta abre seu arquivo- O mundo,
E vai retirando dele alegria e sofrimento.
Para que todas as coisas passando pelo seu coração
Sejam reajustadas na unidade
É preciso reunir o dia e a noite,
Sentar-se à mesa com o homem
Divino e criminoso
É preciso desdobrar a poesia em planos múltiplos
E casar a branca flauta da ternura aos vermelhos clarins do sangue (MENDES, p, 408)

Por meio da linguagem surrealista o poeta elabora uma imagem apocalíptica e, Ofício humano, nos diz que o “Cristo Jesus” aparecerá “arrastando por um cordel a antiga serpente vencida”. A serpente é, na tradição cristã, a responsável pela queda cósmica do homem e por sua expulsão do paraíso.

O mal na poesia muriliana também é representado na forma de um “lobo”, no poema Fábula. O poeta estabelece um diálogo com a natureza, ao modelo das canções galego-portuguesas, e assume uma postura de conselheiro, ele é uma voz que conclama à autonomia de pensamento, à recuperação da singularidade perdida frente a Massificação:

Eu falei à fonte e ao pinheiro
E ao mesmo tempo à pastora dançarina:
“Acautelai- vos contra o lobo,
Tão sombrio quanto cruel” (MENDES, P. 409).

Murilo apropria-se da forma de escrita bíblica, certa vez Jesus advertiu a seus discípulos: “Acautelai-vos do mal”, este poema encerra também uma forte metáfora política, onde os lobos representam os ditadores, que com seus discursos falsos arrastam multidões, ao final do poema mais um conselho para que se “ouça a própria música”, ou seja, a consciência.

Em Poesia Liberdade Murilo Mendes aponta, entre outros temas, para a perda da identidade por parte do sujeito, “o homem morre sem saber quem é”, e aponta para o resgate de valores como a amizade, a compaixão, como possíveis caminhos de saída do caos para um estágio de alteridade.

[...]
Entretanto, cada um deve beber no coração do outro
Todos somos amassados e triturados
O outro deve ajudar a reconstruir nossa forma.
O homem que não viu seu amigo chorar,
Ainda não chegou ao centro da experiência do amor.
(MENDES, p. 407).

Segundo Haroldo de Campos, Poesia Liberdade “abrirá uma janela para o caos”, e o poeta “sentirá” necessidade de ordenar esse caos. Mas, para além do “clarão da catástrofe que contagia os passantes”, o poeta tem esperança e sonha (CAMPOS, 1992, p.69) O poema Murilo Menino, resgata lembranças de infância e recorre à fantasia [única forma de suplantar o real], para a criação de um universo lúdico:

Quero ouvir a flauta sem fim
Do Isidoro da flauta
Quero que o preto velho Isidoro
Dê um concerto com minhas primas ao piano
Lá no salão azul da baroneza.
[...]
Quero conhecer a mãe d’água.
(MENDES, p.409)

A imagem feminina também apresenta - se como um importante elemento da escrita muriliana, Barbosa e Rodrigues destacam-na como sendo:” Iniciadora, promotora do despertar da sexualidade e sensualidade masculina. Porém, mais ainda iniciadora de uma nova visão de mundo” (2000, p. 40).

Em O rato e a comunidade, a mulher aparece como representante dos valores femininos capazes de resgatar o homem, rompendo- lhe “ as grades do coração”:

A mulher que escolhemos,
A única e não outra,
Esta mesma, frágil e indefesa, bela ou feia,
eis o mundo que nos é de novo apresentado
Poe intermédio de uma só pessoa
(MENDES,1994, p.407- 408).


José Guilherme Merquior em A Lira Dissonante em Murilo Mendes, afirma que “Murilo é o músico por excelência, outro Orfeu, canta a vida, o homem e o mundo. Recriando-os no sonho da palavra poética, mágica, harmônica, mesmo que obscura e caótica, Sua poesia repensa o homem, em seu mundo apocalíptico, pelas palavras bacantesque o seu “eu” lírico objetiva e ordena em versos artesanais, assimilando, na transgressão, o novo e a tradição ( MERQUIOR, p. 515).

Metáfora e política estão de certa forma interligados na poética muriliana, em especial no livro Poesia Liberdade. Em uma época em que a literatura expressava pessimismo, Murilo, o “poeta visionário”, consegue projetar seu olhar e ver esperança, para a re-união do que se fragmentou, no Poema Dialético ele nos diz: “tudo marcha para a arquitetura perfeita: a aurora é coletiva”.


Referências:

BARBOSA, M. F.; RODRIGUES, M. T. P. A trama poética de Murilo Mendes. Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 2000.
CAMPOS, H. de. Metalinguagem & Outras Metas: Ensaio de teoria e crítica literária. 4. ed. São Paulo: Perspectiva, 1992.
HALL, S. A identidade cultural na Pós-modernidade. 9. ed. Rio de Janeiro: DP & A, 2004.
MENDES, M. Poesia completa e prosa. Rio de janeiro: Nova Aguilar, 1994.
MERQUIOR, J. G. A Lira dissonante em Murilo Mendes. In: Congresso ABRALIC, 3, 1992, Niterói. Anais... Rio de Janeiro: Editora da Universidade de São Paulo. p. 507- 515.
Prefácio. In: Murilo Mendes: Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.

19/09/2007

O tao com cauda de peixe


O grande portal era a entrada do lugar
onde um Tao, com cauda de peixe, adornava a entrada.
Lá, vi pessoas estudando, e ao centro da grande sala,
muitos incensos queimavam em uma espécie de recipiente.
Um homem me acompanhava,
ele não era nem muito moço e nem velho.
Império do silêncio e da meditação, logo percebi que
a minha presença despertava a atenção dos presentes.
Acordei, mas jamais me esqueci daquela experiência,
espero um dia poder novamente visitar
aquele mosteiro do lado de lá.


Essas asas que me carregam para longe
e para o alto, que me arrancam do chão firme
das certezas cartesianas,
e me lembram que a vida é mais, muito mais....
Plena de mistérios
e povoada por fantasias tão reais
que me pergunto se não estaria sonhando,
agora, por exemplo?

Este oco, este buraco sem fundo que as almas possuem,
que a minha alma possui
alma-queijo- suíço, incompleta, labirintos de ar,
serão motores do desejo?
será que terá representação na outra dimensão a
falta? A existência completaria seu sentido lá?
seriam rompidas as correntes que separam o Ser de sua essência?

Não sei! só sei que estive lá, no lugar que descrevi,
minhas asas me levaram, eu sei!
sei também também que tive companhia
e que ao acordar, havia a saudade.

byrenatabomfim

14/09/2007

Rastros



No meu rastro caminham
sombras, lembranças,
vagueiam sonhos precipitados
vestígios dessas andanças.
Por terras vermelhas e pisadas
sigo os rastros do meu destino,
ligada por um fio
sei lá onde ou a quem,
formando uma tessitura que desconheço.
Fio a fio sou a lã
tramada- entrelassada
nódoa maculando a pureza
que também é das mais estranhas.
Continuo andando e deixo
involuntários novos rastros.

byrenatabomfim

11/09/2007

Digam NÃO ao circo que explora animais....

Olha meu povo, vamos fazer alguma coisa?

Circo do Beto Carreiro- o explorador- Mor, vergonha nacional!!! e de pensar que ainda tem gente que acha esse sujeito o máximo... que falta de consciencia.


Tirei essa foto em Porto Seguro, o circo era um lixo, uma sujeira, tudo velho e os bichos trancafiados até a hora do "show".

Eu gritei no centro de Vila Velha esta semana, me esgoelei, "seus exploradores", "malditos", "bota a mãe no caminhão"... acho que pensaram que eu estava louca... e riram da minha cara... mas não aguentei, quando vi o caminhão carregando um elefante, o pobre espremido, sob um sol desgraçadamente quente, sendo seguido por um outro desgraçado poluidor sonoro carro de som, Pavaroti perdia para mim, soltei a voz!
Estavam convidando para o "espetáculo", o circo que estava armado no pátio da Chocolate Garoto ( já entrei em contato com eles- (eles não responderam e nem vão responder). Como pode uma empresa como a Chocolates Garoto (nestlé) apoiar uma barbaridade dessas e falar em responsabilidade social e ambiental?
Falei para eles, acho que eles não sabem, sob quais condições estes animais são capturados, geralmente bem novinhos, suas mães são mortas, e eles são adestrados com crueldade para que vistam saiote, levantem a pata e façam o mediocre homem rir.
De dia os animais são os "garotos propaganda" do circo, "iscas", para que inbecis alienados venham ao circo, e a noite precisam trabalhar no circo... que vida desgraçada a destes animais!
Por favor, vamos nos manifestar, um gesto pelo menos, botem no jornal, escrevam para as ouvidorias das empresas, quem não respeita os animais não precisa de atestado de bons antecedentes, já se sabe de cara que não presta.
é isso
renata

08/09/2007

Conselhos de um rabino para prosperidade


Povo, sabemos que não existe receita para a felicidade, sabemos também o que diz o ditado popular: " se conselho fosse bom não se dava, vendia". Justifico, achei este texto na internet, são muitos conselhos, fiz uma seleção daqueles que julgo serem importantes. Sabe, coisas que sabemos, mas que precisamos rememorar de vez em quando, fiquei feliz ao saber que muitas delas já fazem parte do meu cotidiano, mas outras tentarei integrar aos poucos, acho que serão úteis... (alguns comentários mesu em VERMELHO!), é isso.

1- Não tenha preguiça de se auto-realizar . Chega de sofrer! Você não precisa provar nada a ninguém (bem, as vezes a gente precisa provar algumas coisas, questão de orgulho).Tudo o que você precisa é fazer a si próprio feliz. O que eu realmente desejo?
2- Você deve reconhecer seus dons e saber valorizá-los. (nisso eu concordo plenamente, as vezes somos nosso próprio algoz e sabotador)
3- Faça uma lista, por escrito das atividades que lhe são ideais, nas condições ideais. Qual ocupação e em que condição lhe causaria maior satisfação e entusiasmo? 4- Procure sempre o caminho conduzido por seu coração, o caminho do amor; o caminho que une você à satisfação interior e à alegria. Quanto mais feliz e satisfeito contigo mesmo, quanto mais você agir de maneira criativa e com amor, mais você atrairá dinheiro e prosperidade. (CONCORDO!!! abaixo a morbidez de só encher a cabeça de coisas ruins, muitas delas vindas dos noticiários sensacionalistas da tv)
5- Avance sempre na direção do seu mais alto objetivo. Lembre-se sempre: Não há nada que possa enfrentar a sua força de vontade e a sua perseverança.
6- Aprenda a saudar (essa pra mim é dificil!). Abençoe a todos aqueles que você ama e quer pelo bem-estar e felicidade de todos( isso é cristico, abençoar até os carcarás dos inimigos!... dificilimo!). Envie benções a todo o mundo. O seu bom pensamento é verdadeira energia que atua na realidade e a influencia.
7- Faça uma lista com todas as coisas que lhe provocam satisfação e gozo. Sem que para alcançá-los, você tenha que lutar ou esforçar-se. Isso lhe ajudará a desenvolver o senso de crença na abundância do Universo.
8- Não preste a si próprio um mau serviço!
9- Antes de realizar algo importante pergunte-se sempre: Quanto isto contribuirá ao meu desenvolvimento, à minha felicidade e à minha realização pessoal prepare-se para descartar tudo que for dispensável em sua vida.
10- Afaste-se de todas as pessoas e situações que lhe causam mal e que por algum motivo você ainda se encontra ligado a elas. Afaste-se de tudo que perturbe sua paz interior que possa deprimir-lhe, bloquear-lhe ou causar-lhe sofrimentos.
11- Organize uma agenda de sonhos
. Escreva os sonhos juntamente com o significados que você tentou dar a eles. Faça o que lhe faz sentir bem, alegre, realizado.
12- Não desleixe de si mesmo nem de suas qualidades ou de seus negócios.
13- Leia todos os dias um pouco de literatura que lhe inspire; seja no campo das ciências ou da psicologia do sucesso.
14- Não adie o que você tem a fazer! Faça uma lista do que você quer fazer e que sempre adiou. Anote a última data a qual você não pode ultrapassar (dead line). Imagine a si próprio realizando a tarefa. Faça !!!
15- Não rejeite Deus que se encontra em seu coração, apenas porque você não crê no Deus das instruções religiosas. Desenvolva ao máximo a ligação intima com Deus que se encontra em você.
16- Exija seus direitos com firmeza e respeite os direitos dos outros.
17- Um dos melhores caminhos para se unir à abundância é aprender a agradecer por tudo que se recebe. Agradeça a Deus e à natureza à sua volta. Agradeça a seu corpo e à sua alma. Escreva uma folha com os agradecimentos e leia-os freqüentemente. Quando você se sente grato pela abundância que recebeu, você se abre para uma abundância ainda maior. Imagine-se próximo a seu mentor espiritual, seja ele real ou apenas um ponto de inspiração e apoio. Converse com ele sobre sua situação, deixe-o orientá-lo e direcioná-lo.
18- Limpe os depósitos e todas as gavetas na quais você junta e guarda velharias dispensáveis e desnecessárias.
19- Não adie a vida. Não concorde em começar a viver daqui a vinte anos, quando já for tarde demais, comece a viver já !
20- Não dê atenção a críticas negativas, a não ser que venham de alguém querido ou de alguém que você aprecie, que esteja querendo te melhorar, sem humilhações. Exija seus direitos de não ouvir ou de não prestar atenção a coisas que não lhe interessam.
21- Não espere por elogios. Você pode dá-los a si próprio. Sua opinião sobre você mesmo e pela qualidade de seus atos é muito mais importante que a opinião dos outros.
22- Renuncie à mania por notícias, geralmente notícias ruins. Concentre-se na luz, pois só ela pode acabar com a escuridão. Encha sua alma com beleza e com alegria.
23- Cada coisa tem o seu preço. Tente verificar qual o preço do que você quer conseguir e responda-se, sinceramente, o quanto você está disposto a pagar do preço exigido.
24- Busque inspiração entre as criaturas - santos e pensadores, do passado e do presente – pelos quais você sente uma atração especial ou uma profunda afinidade pessoal. Aqueles cuja influência lhe fizeram bem, lhe ajudarão a se atender e a se auto-desenvolver.
25- Assuma a responsabilidade sobre sua eternidade
.

06/09/2007

Viagem

Penetrar o teu olhar
e imaginar
um abismo
um convite obceno
Mergulhar neste abismo
dizer sim, entrega e deleite
de-cantar os poemas mortos sob a luz da
minha vergonha
do tédio e da ilusão
Cântico de ansiedade
ser da vida o que se foi e um dia ressurgirá
quem sabe, sob a forma de um peixe
no portal de Aranderê.
Caminhos com pinguelas estreitas
onde encontrei Você
deste lado aí - o paraíso
ruas de ouro e solidão
Podemos nos tocar com o som
que sai das nossas bocas ressequidas
ávidas por beijar o infinito
linguas santas
trocando saliva- cósmica
nós nos entendemos e
somos chegados
mesmo que a gravidade nos puxe
e amalgame
do mágma nosso movimento será
de ascensão.

31/08/2007

Florbela Espanca (1894- 1930)

Florbela nasceu no dia 8 de dezembro de 1894 em Vila Viçosa, distrito de Évora, região do Alentejo, Portugal. Foi batizada como Florbela Lobo, sobrenome de sua mãe (Antônia Lobo), seu pai, João Maria Espanca, não a perfilhou, na sua certidão consta: "filha de pai icógnito".
Aos 8 anos de idade Florbela escreveu seu primeiro soneto, intitulado A vida e a morte.
Florbela Não teve reconhecimento na sua época, publicou seu primeiro livro de poemas em 1919, as próprias custas, numa tiragem de 200 exemplares, o segundo veio em 1923. No início do século houve um verdadeiro surto de poetisa de salão, cuja produção era considerada "um mimo", e este foi um fator que também influenciou que a obra de Florbela se sobressaísse.
Sabemos que uma poetisa, Virgínia Victorino chegou a publicar 12 edições de sua obra, e teve aclamação do público da imprensa, e outras poetisas também se destacaram naquela época, mas hoje caíram no esquecimento e o nome de Florbela ganha cada vez maior reconhecimento. É considerada hoje, pela força de sua poesia, a maior poeta feminina de Portugal.
Vou apresentar para vocês algumas fotos e um poema, espero que gostem:
“Viver não é parar: é continuamente renascer. As cinzas não aquecem; as águas estagnadas cheiram mal. Bela! Bela! Bela! Não vale recordar o passado! O que tu foste, só tu o sabes: uma corajosa rapariga, sempre sincera para consigo mesma” (ESPANCA, diário 12/01/ 1930).
Florbela com 3 aninhos
Florbela e Alberto Moutinho, seu primeiro marido

Florbela em 1914

Ser poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendos
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

(Charneca em Flor- 1930)

Casa onde Florbela viveu parte de sua vida


Festa da Flor- reunião de amigas para ajudar a Cruz vermelha

Diário de Florbela de 23/01/1930:
"Endiabrada Bela! Estranaha abelha que dos mais doces cálices só sabe extrair fel!
Para que quer essa criatura a inteligência, se não há meios de ser feliz?, dizia dantes meu pai indignado".



Florbela, sempre elegante!

26/08/2007

Arte - Espelho Multifacetado do Ser

para os meus amigos, mais um artigo antigo, escrito em 2000 e lá vai bolinha (2003)./ imagem: Orson Welles e Rita Hayworth na antológica cena da casa dos espelhos em The Lady of Shanghai (1947).

O homem não cria apenas porque gosta, e sim porque precisa, ele só pode crescer enquanto humano, coerentemente, ordenando, dando forma, criando.
(Fayga Ostrower)
Ansioso por aplacar sua angústia frente à complexidade do mundo, o homem moderno busca criar definições para tudo, e com a arte não acontece muito diferente. O que é Arte? Certa vez o pintor espanhol Pablo Picasso disse: “Todo mundo quer entender a pintura. Por que as pessoas não tentam entender o canto dos pássaros? Porque gostam de uma noite, uma flor, tudo o que cerca o homem, sem tentar entender essas coisas? Ao passo que quando se trata da pintura (...)”.
Eu acredito que a Arte não deve ser definida. Definir significa dar fim, esgotar. Assim, proponho que reflitamos sobre a arte; refletir significa espelhar, especular, flectir, inclinar-se para ver melhor.
Neste espelho multifacetado, que a arte configura, o homem pode se perceber, ver suas experiências refletidas. A arte não compete nem com a ciência nem com a razão, ela só pode ser explicada por ela mesma e na sua complexidade ela se realiza e se basta e o mais importante, ela se abre para o social.
Como artista plástica, dentre as possibilidades que a Arte oferece, optei pelo viés da Arteterapia. A Arte como instrumento terapêutico não é coisa nova, os gregos já utilizavam a música, a dança, o teatro, a pintura, a escultura, nos seus processos de cura. Estas expressões, inspiradas pelos deuses, possibilitavam ao homem a “Paidéia”, ou seja, originavam o homem 'obra de arte', criador e ético.
A Arte tem sido uma linguagem e um canal universal de expressão da emoção humana, desde os primórdios da cultura, ainda hoje se encontram refletidas nas cavernas, cenas do cotidiano, caçadas, símbolos, deuses e demônios do homem que ali esteve há cerca de 25.000 anos.
Criar para o homem é uma necessidade, dessa forma ele comunica o seu potencial subjetivo. Através da sensação de estar contido num espaço e de ter um espaço contido dentro de si, o homem pode melhor se estruturar; suas criações revelam suas experiências como indivíduo, diante de propostas e valores existentes dentro de sua sociedade.
Materiais plásticos como argila, madeira, tintas, pedras, entre outros, são veículos para que símbolos, muitas vezes vindos de camadas muito profundas do inconsciente se apresentem a consciência como imagens, estas imagens , muitas vezes, surgem carregadas de afeto, e trazem consigo a possibilidade de que os "não ditos" sejam expressos de forma menos ameaçadora e possam ser integrados, assimilados pela consciencia.
A Arteterapia não nega a estética, esta negação resultaria na morte significativa deste produto da criação, a arteterapia apenas mantém o seu foco, no fazer, no produzir.
Após a produção, símbolos individuais e coletivos poderão ser amplificados por quem os produziu. Símbolo vem do grego Symbalem, daí vem também a palavra balística, isso demonstra que o símbolo é algo vivo, dinâmico, certeiro, ele possibilita reunião de opostos e traz possibilidades de transformação pelo encontro do significado.
Assim acontece quando alguém cria, no diálogo com esta criação ela pode “especular” e “flectir” sobre si mesma, se auto-conhecendo e aceitando ou modificando, se re-criando com o objetivo de cunhar uma personalidade melhor adaptada, capaz de administrar melhor seus conflitos e questões.
Para que o indivíduo possa experimentar dos benefícios da arteterapia ele não precisa ter “habilidades artísticas especiais”, mas é preciso coragem na exploração do território sagrado da alma, povoado por aspectos do Ser muitas vezes negados ou negligenciados pela consciência.
Como contou o poeta Milton Nascimento “Nada a temer se não o correr da luta, nada a temer se não esquecer o medo, abrir o peito à força, numa procura, (...) vou descobrir o que me faz sentir, eu caçador de mim”.
É a jornada do herói, que deixa sua terra natal, o colinho quente e seguro da mamãe, e parte para a conquista. No caminho ele enfrenta maremotos, demônios e dragões, muitas vezes ele pensa em desistir, mas algo mais forte o impele a continuar, no fim ele resgatar a pedra de grande valor, que simboliza sua alma.
Nossa cultura vivencia uma neurose, para ser aceito o indivíduo muitas vezes nega aspectos do seu Ser, penso que a arte com cunho terapêutico, ou arteterapia, propõe uma integração, um indivíduo íntegro, ou seja, inteiro, e não perfeito, não se deixa limitar.
Finalizo novamente citando o Milton Nascimento:
Lapidar minha procura, toda trama lapidar o que o coração com toda inspiração achou de nomear gritando: alma(...) Viajar nessa procura toda de me lapidar, Neste momento agora de me recriar, de me gratificar. Te busco, alma.

Referências Bibliográficas:
- AMARANTE, P. Loucos pela vida. A trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: FioCruz, 1995.ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. Uma psicologia da visão criadora. São Paulo: Pioneira, 1980.
- JUNG, C. G. O Homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1964._________. Psicogênese das doenças mentais. Petropólis: Vozes, 1986.
- MONTEIRO, Dulcinéia da Mata Ribeiro. Mulher Feminino Plural. Rio de Janeiro:Rosa dos Tempos,1998.



Publicado originalmente no site intermídias: http://www.intermidias.com/anterior/categorias/arte_renata.htm

25/08/2007

Qual o sentido dos sonhos?

Povo, segue um artigo que escrevi para a escelsanet em maio de 2002.
QUAL O SENTIDO DOS SONHOS?
Fonte: www.escelsanet.com.br

Por Dra Renata Bomfim

Escutar o que dizem os nossos sonhos é escutar a própria Alma. Uma noite sonhei que recebia uma chave das mãos de uma pessoa desconhecida, e esta pessoa me dizia: -Vê esta chave?- Com ela você pode abrir qualquer porta. Acordei, senti um misto de felicidade e de inquietação, era como se eu tivesse ganho um talismã.

Agora, só dependia de mim, eu podia abrir todas as portas, afinal, tinha a chave. Este sonho serviu como um impulso para que eu pusesse em prática alguns projetos, que a algum tempo estavam engavetados.

Em muitas civilizações e religiões, os sonhos são considerados via de ligação entre o mundo cotidiano e um outro mundo, ao qual nossa consciência não tem acesso. Tanto no Antigo, quanto no Novo Testamento, os sonhos desempenham funções muito importantes. No antigo Egito os intérpretes de sonhos ocupavam posições de destaque na corte e eram solicitados para interpretar os sonhos do Faraó; São José recebeu através de um sonho, a mensagem de que deveria fugir para o Egito com a virgem Maria e o menino Jesus, afim de que não fossem mortos pelo Rei Herodes; a Mãe de Buda teve um sonho que anunciava seu nascimento, e muitos outros registros de sonhos nos foram deixados, provando a importância do mesmo para o homem e a para sociedade.

Por que será que a sociedade moderna negligencia e até mesmo banaliza os sonhos? Na concepção Junguiana, os sonhos são uma representação simbólica do estado da Psique, e pensando a humanidade como um indivíduo, vemos como esta sociedade capitalista e de consumo, valoriza mais o ter que o ser, e negligencia os anseios da alma.

Muitas vezes a expressão de sentimentos como amor, solidariedade e afeto são confundidos como demonstração de fraqueza. C. G. Jung, pensador contemporâneo que desenvolveu uma teoria psicológica voltada para a busca da realização do indivíduo (individuação) foi vítima deste pensamento, e sua psicologia, confundida com “Místicismo”, veja o que ele disse a respeito dos sonhos:

“Os sonhos não são nem criações deliberadas, nem arbitrárias; são fenômenos naturais, e nada mais daquilo que pretendem ser. Não enganam, não mentem, não distorcem ou mascaram... Estão invariavelmente procurando expressar algo que o Ego não conhece e que não compreende. Todo trabalho onírico é essencialmente subjetivo e o sonho é um teatro no qual o próprio sonhador é a cena, o ator, o ponto, o produtor, o autor, o público e o crítico”.

Os Sonhos trazem à tona informações importantes sobre nós mesmos, nossos anseios e desejos mais profundos, nossas alegrias, nossos medos, nossos traumas, nossas projeções,lembranças que (propositalmente) esquecemos, e que são causadoras de angústias, ansiedades, e doenças, eles nos dão uma possibilidade de auto-análise.

A linguagem dos sonhos são os Símbolos. O Símbolo é a expressão de algo desconhecido, e não deve ser definido (a palavra definir significa “dar fim”).

Vemos muitos livros de interpretação de sonhos definindo e matando as possibilidades de transformação do indivíduo, impedindo-o de estar reescrevendo sua história (ex: sonhar com isso, significa aquilo)

Ao analisarmos nossos sonhos, nosso intuito deve ser o de extrair deles a essência, um combustível impulsionador, lembrando que sonhar com morte, por exemplo, não significa que você ou alguém de sua família vai morrer, mas pode ser uma mensagem que traga a lembrança o fato de que morremos e renascemos a cada instante, como nos diz a música do Gil, “O Amor da gente é como um grão, tem que morrer pra germinar”.

Nunca leve um sonho ao pé da letra, lembre-se que sua mensagem é simbólica e individual, afinal você é um ser único, não existe outro igual a você no mundo. Agora te convido a escutar com mais atenção os seus sonhos, coloque um caderninho ao lado da cama, e quando algo do sonho mexer com você, anote ou desenhe, mesmo que a princípio você não entenda nada, nosso inconsciente é atemporal, aespacial, imaterial e plástico, em algum momento tudo fará sentido para você.

Muita Paz, Amor, Saúde e bons Sonhos.


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