12/11/2010

Agradecimentos

Quero agradecer aos amigos que prestigiaram a cerimônia da minha posse na AFESL, afinal, a alegria partilhada só faz multiplicar.Obrigada ao Meu esposo Luiz por tudo o que ele é e pelo que faz por mim, a Ana Ofélia, Rita, Anax, Jonas, Agustinho, Luis Eustáquio (meu guru), Ítalo, laurita e Ronaldson, ao presidente da Academia Espírito-Santense de Letras Gabriel Bittencourt (primo), ao primo Fernando Bittencourt, a Juliana, a Madu pelas canções enesqucíveis com que nos brindou, a todas as acadêmicas que trabalharam para que a festa acontecesse: Karina, Regina, Silvana, Professora Ester, nossa Presidente, Gracinha, Ailse, Soninha, enfim, meu carinho a todas vocês. Estou muito feliz em ter sido recebida na institituição por Regina e de ter recebido a farda e a medalha me membro das mãos de  Beatriz Nader e Karina. Obrigada ao Fábio e ao filho da Soninha por nos fotografar e ao Altemar por nos filmar e ao grupo gourmet Quarteto, pelos deliciosos quitutes, especialmente pelo veganos... OBRIGADA!

Agradeço a homenagem que recebi no site Corredores do Brasil, dos amigos Jonar e Agustinho e no Mundo das Corridas , do atleta e Vice- presidente da Associação de Corredores do Espírito Santo, Luiz Bittencourt.
Abraços eco-fraternos e literários
Renata Bomfim

Discurso de posse na Academia Feminina Espírito- Santesense de Letras (Renata Bomfim)

Senhora Presidente da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras, Ester Abreu Vieira de Oliveira,
Sras. Acadêmicas,
Senhoras, senhores, amigos e irmãos planetários.

XXX Nesta noite, 11 de novembro de 2010, dia em que esta veneranda instituição, a Academia Feminina Espírito-Santense de Letras, amorosamente, abre para mim as suas portas, eu os saúdo, assim como a tudo mais que é vivo e respira: as árvores, as flores, os animais (especialmente os gatos), as pedras, as nuvens e, reverentemente, presto homenagem a todas as confreiras que por aqui passaram, deixando além da saudade, importantes contribuições literárias, que ninguém mais poderia dar.
XXX O reconhecimento público de uma mulher como escritora é uma vitória para todas as mulheres. Uma visada histórica revela que, desde os primórdios da civilização, o silêncio imposto ao discurso feminino por meios de estratégias como a violência cotidianizada e a censura, foi amplamente ocupado pelo discurso masculino. Milhares de mulheres pagaram um alto preço pela liberdade de expressão que desfrutamos hoje, algumas pagaram com a própria vida.
XXX Este encontro é uma celebração das conquistas alcançadas pelas mulheres que nos antecederam, e a oportunidade de fazermos o bom uso da palavra e construirmos uma nova história, e de denunciar a violência que ainda cala milhares de mulheres. O discurso feminino ainda incomoda e ameaça, mas é certo que avançamos e estou certa que avançaremos ainda mais, até alcançarmos o diálogo com nossos pares, até que dancemos todos, juntos, celebrando a superação da dicotomia que transformou a todos nós em ilhas.
XXX A opressão perpetrada à mulher remonta os primórios da civilização. Na Grécia considerava-se que a mulher não tinha capacidade de Philia, ou seja, da amizade que nasce do amor. Sua função era reproduzir e cuidar dos afazeres da casa. Foi nesse contexto de repressão e injustiça que surgiu Safo, primeira poetisa conhecida, e criou uma escola de formação intelectual para mulheres, Safo chamava suas discípulas de hetairai, ou seja, amigas.
XXX No império Romano assistimos ao nascimento do Direito e a criação do código penal que legitimou a inferioridade feminina, reforçando a assimetria entre homens e mulheres. Do mundo hebraico nos chegam as histórias de Moisés, que proibiu o culto ao feminino e à natureza por meio das tábuas da lei, e de Eva, mulher que cedeu aos apelos do demônio privando a humanidade do paraíso.
XXX No Renascimento, a Ciência se consolidou respaldado no pressuposto de que a mulher se fazia bruxa pela sua natureza, ou seja, pelo seu sexo, considerado impuro e maléfico. O Malleus Maleficarum, definiu a mulher como “mental e intelectualmente” inferior e elas perderiam, ainda, nos séculos subsequentes, os direitos sobre os filhos, os bens e sobre qualquer tipo de produção intelectual, que era assinada pelo pai, marido ou irmão. No seculo XIX foi considerada a histérica e, no século XX “ascendeu”, se tornando “ a rainha do lar”, mas apenas do lar...
XXX Há uma dificuldade em se recuperar, historicamente, os traços da resistência feminina, mas ela sempre existiu, mesmo com a exclusão perpetrada pelo direito, a depreciação sofrida com a Ciência arrogante e a condenação pela religião.
XXX O pesquisador Francisco Aurélio Ribeiro nos faz saber que, no Espírito Santo, “a questão da literatura feita por mulheres deve ser vista juntamente com a marginalização a que estas foram submetidas pela sociedade machista e falocrata até muito recentemente”. E foi nesse Estado “machista e falocrata”, mais especificamente em Vitória, que Sylvia Meirelles Da Silva Santos (1889- 1990), patrona da cadeira de nº 16, liderou o movimento pelo voto feminino, presidindo a Federação Espírito-Santense pelo Progresso Feminino, e defendendo o direito e o dever do trabalho da mulher. Dona Santinha, como Silvia era carinhosamente chamada, foi professora, poeta, declamadora e ativista social e cultural. Na década de 20, ela emocionou-se ao saber que Adalgisa Fonseca, havia sido a primeira mulher a laurear-se me medicina no ES, prontamente, organizou um jantar de confraternização em sua homenagem.
XXX Que responsabilidade a minha, amigos e amigas, ocupar esta cadeira. Sylvia Meirelles da Silva Santos chamou atenção em um de seus artigos sobre educação, para a necessidade de que as ações educacionais tivessem por finalidade “o amor à Pátria e à humanidade” e que os ensinamentos fossem “dignificantes” e que elevassem a Moral, burilando o caráter e purificando o espírito. Reafirmo, que desafio dar continuidade a este legado de luta marcado pela generosidade e pela capacidade de acolhimento, valores próprios do feminino.
XXX Maria Helena Teixeira de Siqueira (1927- janeiro de 2010), sucessora da acadêmica Sylvia Meirelles da Silva Santos, e a quem sucedo na cadeira de número 16, nasceu em Porto alegre e se formou em Direito pela UFES. Especializou-se em Direito Empresarial e foi Professora de português e espanhol. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo e da Associação Espírito-Santense de Imprensa, correspondente da Academia Cachoeirense de Letras: cronista, poeta, crítica literária, e primeira mulher a ser eleita para a presidência da Academia Espírito-santense de Letras.
XXX Maria Helena Teixeira de Siqueira, assim como a nossa patrona Sylvia Meirelles da Silva Santos rompeu barreiras seculares ao militar pela justiça social por meio do direito, dignificando uma carreira que nasceu sob a égide da misoginia e dedicando também a sua pena à liberdade, como mostra o Gato Felini, personagem de sua obra. O gato que queria ser rato, inconformado com a prisão de seu amigo pássaro, lhe abre as portas da gaiola. Maria Helena Teixeira de Siqueira no poema Louvado para o amor diz: “Louvo o amor que tudo move,/ move o céu e as estrelas./ [...] Louvo o amor incontido,/ que se arremessa em torrentes./ Louvo o amor escondido,/ que se revela na poesia.
XXX Estou profundamente honrada e agradecida ás Acadêmicas por me concederem este voto de confiança, OBRIGADA! Apresento-me perante cada um dos senhores e senhoras como uma servidora, aceitando a responsabilidade de levar adiante o legado destas mulheres valorosas. Buscarei me inscrever literariamente na intercessão das propostas feitas por Sylvia e por Maria Helena, colocando a minha escrita a serviço da natureza, especialmente dos animais, tão merecedores quanto nós, humanos, de respeito, cuidado e amor.
XXX A História está cheia de assassínios em massa cometidos em nome de uma única verdade, não me arrogo dona de nenhuma verdade, mas acredito que precisamos despertar uma nova consciência. Zigmunt Bauman afirmou que “a voz da responsabilidade é o grito de recém-nascido do indivíduo humano”. Como pudemos observar, a história da civilização se fez e, ainda se faz, a custo de muito sofrimento e sangue, precisamos ler o mundo de forma crítica, como preconizou Paulo Freire, e reescrevê-lo. Portanto, firmo aqui e agora, o compromisso de colocar a minha voz a serviço da Paz e daqueles, cujos gritos de socorro, quase ninguém ouve. A minha pena, em consonância com a minha vida militará pelo Abolicionismo Animal, pois acredito que a libertação destes seres pressupõe a libertação de todos nós, criaturas viventes, dependentes dos recursos da Terra e irmãos planetários.
XXX O Especismo nefasto que considera todo o animal “não-humano” como propriedade, coisa, arrogando-se o direito de torturá-lo, de privá-lo de seu habitat e do convívio com seus familiares e grupo, de usar a sua pele, de comer a sua carne, está causando, além de sofrimento e dor, uma degradação ambiental sem precedentes na história. Concordo com Victor Hugo quando diz que: “A proteção dos animais faz parte da moral e da cultura dos povos” e acredito que pecamos quando agimos eticamente somente em relação aos seres humanos. Finalizo meu discurso para passar aos agradecimentos, com as palavras do Nobel da Paz (1952) Albert Schwweitzer: “Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante.".
XXX Agradeço, primeiramente, ao Cristo Cósmico, meu guia e inspirador, energia de Paz e amor, fonte de luz que me mantém viva, e que, a cada dia, me alimenta de fé e esperança e me levanta quando estou prestes a desistir... Obrigada Jesus...!
XXX Agradeço aos meus mestres, a quem tive e tenho a honra de chamar de amigos: Freda Cavalcanti Jardim, que me ensinou o fazer mosaico, que me ajudou a entender que os cacos podem virar arte, basta que queiramos; Maria Lúcia Dal Farra: Poetisa, amiga, gatófila, grande incentivadora; Luis Eustáquio Soares: meu “guru”, poeta inquieto que contagia com a sua paixão pela poesia e pela vida e Ester Abreu Vieira de Oliveira: Poeta, professora, apoiadora, mulher que consegue conjugar força e doçura. OBRIGADA!
XXX Agradeço aos meus amigos, irmãos que escolhi, o apoio e a companhia em todos os momentos da minha vida. OBRIGADA!
XXX Agradeço aos meus gatos por despertarem dentro de mim a consciência ambiental, por me mostrarem que Deus está em cada criatura que respira. OBRIGADA pela amizade, pela companhia radiante e radiosa, pela devoção, pelo encantamento e por me fazerem sorrir mesmo em momento de tristeza e dor.
XXX Finalizo agradecendo ao meu amor, que é também meu marido e meu amigo: Luiz Alberto Carvalho Bittencourt. Obrigada por me apoiar, por acreditar em mim, por ser sincero e delicado. Obrigada por não fumar, por não beber e por ser vegetariano. Obrigada por ter sido o meu primeiro leitor e por sua crítica ao meu primeiro livro que dizia: “Renata, o seu livro vai mudar os rumos da literatura capixaba e brasileira”. Luiz, OBRIGADA por existir na minha vida!  OBRIDADA a todos. OBRIGADA!

11/11/2010

Comunhão

Monges e monjas cantam no mesmo tom,
suas vozes de seda constróem um tecido púrpura,
com o qual adornam o altar do Cristo Cósmico.
O santuário é imenso:
a abóboda é azul, plena de nuvens,
os pássaros dançam e sua penas reluzem.
Sob uma árvore frondosa uma mesa
sobre ela caem os frutos da aceia sagrada.
O Cristo sorri porque poupamos o seu corpo
e sangue e,  sorrindo, ele envia raios luminosos
 que atravessam os fíéis enchendo-os de contentamento
Orfeu toca hinos de louvor com sua harpa
Tudo pára, até mesmo o próprio tempo.
Minha devoção é plena, minhas mãos tem
o perfume das rosas, meus olhos contemplam
 o milagre da vida e da fé que, separados,
voltam a se unir e a fazer sentido
dentro do meu coração.

09/11/2010

Nem todos os que dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus: Monstruosidade no santuário de Fátima


Amigos, recebi este post no faceboock e não houve como ignorá-lo... Sondem e tirem suas próprias conclusões. Mas de uma coisa estou certa, como esse chão que sustenta meus pés, se realmente houverem "céus", estes cães, e mais os gatos e os coelhos, e os ratos, e os urubus, e as pulgas, e os carrapatos, e as preguiças, e todos os animais do planeta, com excessão dos seres humanos o herdarão!!!!!

Não creio que a denúncia seja mentira, até porque conheço bem de perto a perversidade de algumas instituições para com estas criaturas de Deus,  a minha universidade, a Ufes, é uma delas, que faz vista grossa às atrocidades que acontecem com os gatos, os cachorros, os macacos e Gambás que alí residem. Eis o post como o recebi:

O ESCÂNDALO do Santuário de Fátima em relação ao abate de animais é conhecido de muitos, mas ninguém ainda conseguiu parar esta crueldade. As ordens partem da Reitoria do Santuário, para que todos os cães que aparecem por Fátima, quer sejam adultos ou cachorros, quer tenham donos ou não, são capturados pelos seguranças e colocados na caixa que apresentamos em foto. Esta caixa está mesmo nas traseiras do santuário, no local das oficinas. Ali ficam os cães durante algumas semanas, ao frio e à chuva de Inverno, à chapa do sol, no Verão. Sem direito a comida ou água, num espaço mínimo onde a maioria nem se consegue colocar de pé... Existem alguns seguranças que não levam os cães capturados para este local, conseguem levar alguns para casa e adoptam-nos ou arranjam donos entre os seus vizinhos ou colegas de trabalho. Boa gente esta que sofre em ver os animais assim tratados, mas que se sente impotente com a ameaça de perderem os seus empregos. Mas existem também dois seguranças, que violentam cruelmente os cães, com foices de podar oliveiras, dando com elas nas pernas dos cães que ficam em carne viva, a sangrar e com grandes cortes extremamente dolorosos e muitas vezes as pernas partidas. Esses cães são posteriormente levados, para esta caixa, permanecendo até que a carrinha da Câmara de Ourem tenha tempo para os vir buscar. Lá, são colocados, já muito debilitados, para abate, e são-no todos num prazo de poucos dias. Quem nos informou, disse-nos também, que os cães que lá estão, vivem os poucos dias que lhes resta em condições extremamente miseráveis. A Câmara Municipal de Ourém tem prometida (há demasiado tempo) a construção de um canil para recolher animais abandonados e o não abate de animais, mas como não existe interesse da Câmara nem pressão suficiente pela parte de quem abomina esta situação, para a construção do dito canil de protecção de animais perto de Fátima, vai adiando e esquecendo esta promessa e vai gastando a verba que já tinha disponível para esta construção em outras obras que lhes dão mais votos aquando das autárquicas. A FAA soube também que existe um engenheiro que reporta directamente à reitoria do santuário, que deixa veneno (de acção ultra rápida) para matar alguns cães mais difíceis de apanhar... Não conseguimos ter acesso ao seu nome, mas sabemos que existe apenas um engenheiro com funções ligadas à área verde que circunda o santuário. Mais grave a situação se torna de algum tempo para cá, que os cães depois de serem colocados na caixa, desaparecem antes que a carrinha da Câmara os venha buscar, ou tenha conhecimento que eles lá estão. Pensamos que são abatidos por alguns trabalhadores do santuário, porque os cães ladram á noite e podem incomodar os turistas, ou podem levantar suspeitas de maus tratos contra os animais perpetados num local "sagrado". Não sabemos quantos animais foram mortos com a chegada do 13 de Maio e com a vinda do actual representante da Igreja Católica a Fátima, mas acreditamos que quem lá for, não vê nenhum cão, porque as ruas foram limpas, tal como é sempre feito com uma regularidade impressionante. Esta é uma situação abominável, pela parte de quem se diz representante de Deus, não é compreensível tamanha crueldade num espaço que querem fazer sagrado e que eles próprios profanam e o sujam de morte e sangue. Deixamos aqui o contacto do Santuário, para quem quiser mostrar a sua indignação perante esta monstruosa atitude. Peçam para encaminhar a vossa chamada para a reitoria:
249 539 600
Luís Melro

E por falar em crueldade, este vídeo é para refletirmos e não comprarmos os casaquinhos de pele que a China descarrega pelo mundo, por favor, assista e repasse.

07/11/2010

lançamento do livro Educação Ambiental e os movimentos de um campo de pesquisa, de Martha Tristão

A proposta deste livro é de tornar acessível a um maior número de pessoas possíveis as pesquisas sobre Educação Ambiental dos Programas de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo e da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Este diálogo se estreita a partir da criação dos grupos de pesquisas nas duas instituições, o NIPEEA – Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Estudo em Educação Am-biental na UFES e o TEIA USP – Laboratório de Educação e Ambiente, grupos que vem agregando projetos de pesquisa em nível de doutorado, mestrado, iniciação científica e projetos de extensão. [...] Este livro é, então, fruto de um esforço coletivo que oferece diferentes leituras em torno das relações educação ambiental, complexidade e pesquisa, privilegiando algumas tensões no que poderíamos chamar de uma educação ambiental emancipadora e libertadora para a construção de “comunidades aprendentes e sustentáveis” do ponto de vista da justiça social e ambiental.

Parabéns aos autores, em especial a querida Martha, uma grande inspiração para todos nós, RECEANOS e brasileiros, por sua luta pela educação ambiental.
Renata

04/11/2010

Canto à Sakineh

XXXXXXXXXXX Em memória de Joana D'Arc
Sakineh
Tuas mãos guardam as linhas
do destino de toda mulher
que ousa viver.
Tua boca guarda discursos
XXXXXX não proferidos]
Ensurdece esse silêncio maldito!
O coro só canta desgraças.
O teu corpo,
templo sagrado onde vibra a luz,
foi profanado!
A tua beleza tornou-se insuportável
para o horror e o terror
que traz a morte nos olhos e nas mãos.
Busco ver para além do horizonte e
imaginar algo diferente, um porvir,
uma saída.
Quando se fechará essa ferida
aberta, milenar?
Temo que encenes a tragédia
da história das mulheres
que ainda hão de nascer.
Poie és o retrato fiél de um presente
que não quer se aceitar, e nem
ao passado, duplo que o persegue.
Como esquecer, Sakineh,
a desgraça histórica e a nossa condição?
XX─ das pedras que nos jogaram?
XX─ do fogo que nos queimou,
XX─ do nosso corpo, virgem, violado?
XX─ da nossa voz silenciada
por meio da força? E dos murros,
dos pontapés, do mal dizer?
Temo por mim, por você,
Temo, teimo!

renatabomfim

VII Congresso Brasileiro de Poetas Trovadores - Serra/ ES (2010)

Olá amigos acontecerá entre os dias 05 e 07 de novembro de 2010 o VII Congresso Brasileiro de Poetas Trovadores e a 27a. Edição dos Seminários Nacionais da Trova, iniciados em 2001 para comemorar naquela época o 1º Aniversário do Clube dos Trovadores Capixabas, CTC. Para o Congresso de 2010 estão programadas várias Palestras, Lançamentos de Livros, Noite de Autógrafos, Troveata, Oficina de Criação Poética, ensinando a fazer poesia e trovas, Show dos Poetas trovadores na Praça dos Pássaros com quatro Bandas de Rock, SERENATA pelas ruas de Eurico Salles e uma Missa em Trovas. Este congresso também debaterá a inclusão de obras de autores capixabas em salas de aulas. Este projeto é digno de louvor pois, esta é uma demanda tanto por prate dos escritores, quanto dos alunos que tem pouco acesso à literatura produzida no ES, em sala de aula. Haverá lançamento de vários autores e o escritor Clério José Borges estará lançando o seu 8º livro. O evento acontecerá na Sede da Associação de Moradores do Bairro Eurico Salles, AMBES, na Rua dos Colibris, quadra 10, Eurico Salles, ES.

Mais  informações e programação completa do evento:

03/11/2010

Comeram o jacaré com cachaça, e agora? Imagens da educação ambiental em Vila Velha/ Espírito Santo

Pois é amigos, ontem (02/11) choveu bastante por aqui. A correnteza levou um filhote de jacaré para um valão em Cobilândia, bairro do municipio de Vila Velha. É chamado valão porque está polúido, mas na verdade ele é o Rio Marinho, que desemboca no mar. A reportagem mostrou na TV as crianças atirando pedras no animal, entrevistou pessoas que temiam por suas vidas caso continuasse chovendo e o valão (Rio Marinho) transbordasse, havia também pessoas preocupadas com o bem estar do animal. Estas últimas ligaram para a polícia ambiental e para o IBAMA e tentaram proteger o animal mas vejam o que aconteceu:

(depoimento de moradora): "Durante todo o dia as pessoas passavam na rua, observavam o bicho e falavam que iriam tira-lo "para tomar com cachaça", afirmou dona Cláudia. "Ficamos aguardando e tentando proteger o jacaré, mas por volta das 22h, 23h um grupo, de aproximadamente seis a oito rapazes, veio desde a altura de Jardim Marilândia na beira do valão tentando caçar o animal. Eles ficaram cercando o jacaré com redes, arpão e cordas até que conseguiram o retirar da água. Foi tudo muito rápido. " Ao retirar o bicho os rapazes logo colocaram um pano sobre ele e o mataram com facadas e pauladas pois o jacaré se debatia muito. Mesmo com a gente gritando e dizendo que era crime ambiental, eles muito nervosos, foram embora a pé com o jacaré morto. E nada da polícia aparecer. Eu fico indignada com esse descaso!"

Pois é, comeram o jacaré com cachaça, e agora?
Quem responderá por este crime?

Terráqueos



TERRÁQUEOS (Earthlings) é um filme-documentário sobre a absoluta dependência da humanidade em relação aos animais (para estimação, alimentação, vestuário, diversão e desenvolvimento científico), mas também ilustra nosso completo desrespeito para com os assim chamados "provedores não-humanos". Este filme é narrado por Joaquin Phoenix (GLADIADOR) e possui trilha sonora composta pelo instrumentista, dj e compositor Moby. Com um profundo estudo dentro das pet-shops, criatórios de filhotes e abrigos de animais, bem como em fazendas industriais, no comércio de couro e peles, indústria de esporte e entreterimento, e finalmente na carreira médica e científica, TERRÁQUEOS usa câmeras escondidas e filmagens inéditas para narrar as práticas diárias de algumas das maiores indústrias do mundo, as quais dependem de animais para lucrar. Impactante, informativo e provocando reflexões, TERRÁQUEOS é de longe o mais completo documentário jamais produzido sobre a conexão entre natureza, animais, e interesses econômicos. Há vários filmes importantes sobre os direitos dos animais, mas este supera os demais.

28/10/2010

Apresentação do programa Zenzinho na 3ª Semana de Valorização da Primeira Infãncia e da Cultura da Paz/ 2010


Amigos, estarei representando o Programa Zenzinho do Mosteiro Zen Morro da Vargem na 3ª Semana de Valorização da Primeira Infância e Cultura da Paz, cujo tema central deste ano é o “A Importância dos Primeiros Laços entre o Bebê e os Cuidadores”.  Estarão presentes profissionais brasileiros, da França e do Reino Unido neste evento que acontecerá no Senado, em Brasília.

Apresentarei o trabalho intitulado A participação comunitária na construção e valorização do ser humano, da sociedade e da natureza.

Progamação do Evento:

26/10/2010

Veganos capixabas ... Picnic na Pedra da Ceboa

No dia do meu aniver... que presentão...
No dia 21 de Novembro, o grupo GALA organizará o Veganic de Primavera.
Será  no Parque Pedra da Cebola, próximo ao campo de futebol.
Leve sua comida ou bebida vegana e não se esqueça da caneca!
Horário: A partir das 15 horas

23/10/2010

Nova fase do nosso grupo de pesquisa do CNPq: Figurações do feminino: Florbela et alii...

Olá amigos, é com alegria que o grupo de pesquisa do CNPq intitulado “Aproximações regionais: Alentejo Português e Nordeste Brasileiro – Florbela; romanceiros e romance sergipanos”,   iniciado em 2007, fecha uma etapa e abre outra, lançando-se em novos desafios.
Sob a coordenação da professora Drª Maria Lúcia Dal Farra (UFS), autora de variadas obras sobre Florbela Espanca, pesquisadores produziram e publicaram variadas obras sobre Florbela, bem como participaram de Colóquios, Congressos, etc.
Eu publiquei artigos no Brasil e em Portugal e defendi, pela Ufes, a dissertação de mestrado intitulada "Vozes femininas: a polifonia arquetípica em Florbela Espanca".
Em virtude do reavivado interesse por Florbela Espanca, nossa coordenadora direcionou a pesquisa para os estudos comparativos na investigação das figurações femininas, dando início a esse outro ramo da pesquisa, o intitulado “Figurações do feminino: Florbela Espanca et alii”.
Esta nova etapa do grupo trata de situar, como eixo de pesquisa, a obra em versos, em prosa, biográfica e epistolar de Florbela Espanca, a partir da qual, por meio dos estudos de gêneros, da psicanálise ou dos estudos culturais, se estabelaçam relações comparatistas com outros autores segundo a tendência dos objetivos individuais dos componentes do grupo.
Por ora, comparecem como um dos pólos comparativos C.Lispector, A.Bessa-Luís, C.Coralina, A.Prado, P.Tavares, L.Esquivel, F.J.C. Dantas, J.Saramago, V. Victorino, J.Teixeira, M.Pawlikowska-Jasnorzewska,B. Delgado, M. Duras, Alejandra Pizarnik, C.Meireles, Sophia de M. B.Andresen, R.Darío, L.Murat, Ana M.Machado, T.Urban, dentre outros.
Agradeço a professora Maria Lúcia o convite para integrar o grupo, convite que recebi exatamente no dia de meu aniversário (21/11/2007), foi um presentão! Obrigada aos meus amigos pela rica troca e por compartilharem comigos seus livros, suas referências bibliográficas e suas experiências, OBRIGADA!

Posse da nova diretoria da Academia Espírito-Santense de Letras, dia 08/11/2010

Parabéns a toda nova diretoria e a Gabriel Bittencourt ( primo) pela posse, estou certa que continuára  o trabalho maravilhoso iniciado pelo profº Francisco Aurélio, promovendo a literatura capixaba.

O escritor Sidemberg Rodrigues lança o livro "Espiritual e Sustentável"

O escritor Sidemberg Rodrigues lançará no dia 27 de outubro, as 19:30horas (Saraiva do Shopping Vitória)
 o livro "Espiritual e Sustentável". Toda a renda será doada para a ACACI.
A obra é uma compilação de suas palestras no Brasil e no exterior, assim como uma síntese de artigos, entrevistas e ensaios assinados ao longo de 20 anos de experiência.
Nos vemos lá!

Renata Bomfim

19/10/2010

Revelação

Com Freud e Lacan, muito sexo.
Flerte com Foucault.
Com Bakhtin, pura amizade.
Mas com Jung, amor.

Com Deleuze, um chá a tarde,
Com Baudelaire, cigarro, rapé, campari.
Conselhos, tomo com o Jameson,
Mas sigo sempre as dicas do Paz.

Sedutores pirados, visionários, poetas,
Combinam bizarrices e genialidade,
Roubam meu tempo, minhas letras e
Partem falando de mim. Fica a saudade.

renatabomfim

18/10/2010

Sobrevivência

Na luta pela sobrevivência
O texto suporta agruras,
Bebe ódio, exuda doçuras.
É seduzido, enredado por títulos,
linhas, repelido por parágrafos.
Para se proteger forma labirintos e,
sem perceber, cai na própria armadilha,
se repetindo ad infinitum.
Conspira com o autor e cria
estratégias para ser lido, devorado,
deglutido. Quer ser como Cristo e
ressuscitar em corpus transformado,
ascender ao Cânone e ser
eternamente cultuado.

RenataBomfim

Essas mulheres maravilhosas...: Madu canta Piaf na Ilha

Olá amigos, segue uma palhinha do show de Madu Marinho, amiga querida e acadêmica da AFESL. Quanta coisa boa na Ilha! Madu vai emprestar a sua voz na cerimônia de posse das novas acadêmicas da AFESL, dentre as quais eu me encontro.

http://www.youtube.com/watch?v=R3GbNv8CwQw&feature=related

12/10/2010

Exílio

Ah, todo o cais é uma saudade de pedra! (Alvaro de Campos)


No Mar da indiferença,
Ao exílio condenada,
Sou Capitã de esperanças.
A minha pena navega,
A minha alma vaga.

No Oceano povoado,
Por letras, acentos e velas,
Busco a folha em branco.
Terra firme onde a palavra,
Insurrecta e livre , prospera.
renatabomfim

10/10/2010

Canção do silêncio

É no silêncio que você compõe
as melhores canções
que colorem e aquecem o meu coração.
É no silêncio que o meu corpo
ascende ao som das mais doces sinfonias,
Barulho de nada, vazio que não permite tradução:
maravilhamento, explosão, epifania.
Silêncio é a minha alma repousando
em tuas mãos. Deposita-a no solo, sob a roseira,
e comtempla o indizível brotar.
Esqueço o tempo que nos devora e intimida.
O amanhã é certo, meu amor!
Serei eu na sua lembrança e você
nos meus sonhos e fantasias.
E se desaparecermos juntos,
Restará, ainda, o espectro das nossas poeiras.

Renata Bomfim

08/10/2010

Grupo Abolicionista pela Libertação Animal (GALA)



Amigos, ontem fui ao Cine Metrópolis assistir ao documentário Home, que mostra imagens incríveis sobre o nosso planeta e sobre a degradação que ele vem sofrendo pela ação do ser humano. Fiquei muito feliz em me deparar com uma turma de jovens militantes pela causa animal e pelo veganismo. Sempre curti uma solidão danada na "ilha" (de Vitória), militando de forma quixotesca pelos animais, pelo vegetarianismo, temas polemicos e urgentes que já me renderam ótimas inimizades. Bem, Aleluia três vezes!!!, eu não estou sozinha nessa!!! Se aqueles que nos consideram loucos ou ecochatos, por não conseguirem ficar um dia sem se empanturrar de carne, já temos córum suficiente para abrir um hospicio do bem, cheio de gente que ama (de verdade) os animais e respeita (de verdade) a natureza, porque o discurso abunda (rs...), mas faltam ações concretas...
Abraços a todos
Viva o GALA!!!!
Viva nóis,
Viva os animais e
 todos os Vegetais!!!
Abraços
Renata Bomfim

Visite também:
Vanguarda abolicionista

Academia Feminina Espírito-Santense de Letras: Lançamento da Antologia "Multiplas Vozes"

Olá amigos, eis algumas imagens do lançamento da Antologia "Multiplas vozes", da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras". O encontro reuniu as acadêmicas, escritores, leitores e teve 100% da sua renda revertida para a AFECC. O coquetel ficou por conta do Quarteto, que serviu deliciosos "belisquetes" vegetarianos.

04/10/2010

Terra de Santa Cruz

Voo nas asas da Arara
Guiada por espírito ancestral
Busco dentro de mim
o animail que sou.
Busco do anil, na terra pisada,
as sementes da  árvore de
seiva,  sangue e brasa.
Árvore sagrada cujas folhas
adornam a mata.
Vou libertar das entranhas
a jaguatirica e lutar, lutar e,
se preciso for, morrer
por este chão, por este céu,
pela glória de Tupã.
A Terra de Santa Cruz
voltará para os seus
filhos, netos e amantes.
Serão expulsos do seu seio
os piratas, os garimpeiros,
os hipócritas e os falsos profetas.
Haverá silêncio no alto do jacarandá,
No fundo e nas margens dos rios.
Não haverá pios e nem passos,
O Uirapurú voltará a cantar.

renatabomfim

02/10/2010

Salve, salve!!! 04/10 vem aí, Dia mundial dos animais.

"Que a humanidade acorde e veja a forma cruel e criminosa como trata os animais, seres que são nossos irmãos" (Renata Bomfim)
O Dia Mundial dos Animais é celebrado a 4 de Outubro, a data comemorativa foi instituida em 1929 no Congresso de Proteção Animal em Viena na Áustria. A data escolhida deve-se ao fato de que em  4 de Outubro de 1226 morreu São Francisco de Assis santo protetor dos animais.
"Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais, e, neste dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade".
Leonardo da Vinci
Aproveito este post para aderir á campanha do Instituto Nina Rosa. Amigos, não vamos comprar anaimais silvestres, nem pássaros, muitos recebem anéis "piratas" , mas são na verdade retirados da natureza.

24/09/2010

Vila Rubim (ES): Vergonha ambiental!

Estive hoje na Vila Rubim, centro de artesanato tradicional de Vitória (ES). Foi lamentável ver a quantidade de pássaros amontoados como coisas, muitos presos em duplas em gaiolas pequenas, se debatendo sem visibilidade por estarem entre caixas. Foi uma experiência horrivel. Cadê a policia ambiental? Cadê a humanidade? Cadê o respeito para com os animais? Cadê o respeito para com a natureza e a vida? pior, cadê a vergonha?????
Renata Bomfim

22/09/2010

Lua

Lua
vais partir
para onde?
Para longe
de mim ou
da poesia?

renatabomfim

No-materialidad

Yo-piedra necesito
escindir
romper
partir
hacerme mil
pero no puedo.
Sería más fácil cultivar la gloria que,
bajo el sol, es vana

Yo-agua necesito verterme
fluir
inundar
pero no puedo.
Sería más fácil empaparme de deseos
y ganas sin sentido que,
bajo el sol,
son apenas vanidades.

Yo-planta podría florecer
nutrirme
multiplicarme,
pero no puedo.
Sería más fácil entregarme
al egoísmo parásito
que corroye e intoxica
Sí, sería mucho más fácil oír la voz
de uno yo engañoso
que calla voces  inflamadas
enmascarando la verdadera identidad
la cósmica
Yo superior, big bang latente
de acciones de paz y de solidariedad.
Yo-no-y, ¡TÚ!

Que brote de nosotros la luz imprescindible
que manen de las cabezas y de los corazones
de hombres y mujeres, letras benditas y
que ellas confluen en espacios de bien-decir.
Que de esa unión nazca huraño el otro ser,
que llegue deshaciendo malentendidos.

Que se manifieste un nuevo tiempo
de brotadura sobre la tierra
para acabar con el hambre de sentido,
que brote poesía, canto de paz
para una nueva era.

Tradução para o espanhol: Ester Abreu Vieira de Oliveira

18/09/2010

Exposição "Humanidades Extemporâneas" (Tchello d'Barros), palestra e lançamento da antologia Multiplas vozes (AFESL)

Aliança Francesa de Vitória
de 23 de setembro de 2010 a 23 de outubro de 2010
Informações: (27) 3345 1498

Academia Feminina Espírito-santense de Letras/AFESL
 Convida a seus amigos e simpatizantes para o lançamento da Antologia Múltiplas Vozes,
Dia 07 de outubro/ 2010, a partir das 19 horas,
na Biblioteca Publica Estadual
Informações: (027) 3137-9349.
Todos os valores arrecadados serão destinados à AFECC.

 Palestra AFESL:
A TRAJETÓRIA DAS MULHERES
com Maria Inês de Moraes Marreco
Dia 19 de outubro de 2010 as 16 h (4 horas)
na Biblioteca Pública Estadual /ES

XIV CONGRESSO BRASILEIRO DE PROFESSORES DE ESPANHOL (19 a 23 de julho de 2011) e II Encontro de Traduçlão e ensino Ufes

Turma do espanõl, o XIV Congresso Brasileiro de Professores de Espanhol e o II Seminário Nacional da Copesbra (Comissão Permanente para Implantação do Espanhol no Sistema Educativo Brasileiro), que acontecerão na Faculdade de Educação e no Instituto de Letras da Universidade Federal Fluminense (UFF), Campus do Gragoatá, de 19 a 23 de julho 2011. Dúvidas e sugestões a respeito dos eventos podem ser encaminhadas a cbpe2011@gmail.com 


II Encontro Tradução & Ensino, de 6 a 8 de outubro, das 8:00 às 18:00 horas, no Centro de Ciências Humanas e Naturais da UFES. Local: Auditório Décio Cunha, prédio IC-2.
* Eixos temáticos: a) Tradução e Ensino; b) Tradução e Ensino de Línguas; c) Tradução e Literatura; d) Tradução e Estudos Interculturais.

http://www.quintahabilidade.ufes.br/node/7

O gato rei

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Para Elvis
Ele aproximou-se
exangue, o gato rei.
Seu olhar
di(amante)
dizia que fora picado
pelo mesmo bicho
que vitimara Romeu,
Júlio Cesar, Garibaldi e
Abelardo.
Pulou sobre o meu peito
com a ferocidade de um leão.
As suas (benditas) garras
lanharam a minha carne
rasgaram as fibras
marcaram pulmões, coração.
Agora sou súdita fiél,
sempre pronta a satisfazer-lhe
os desejos mais peludos.
Sou sua humana
de estimação.

13/09/2010

A literatura portuguesa em foco: Entrevista com a profª Drª Ana Luisa Vilela/ Évora-Portugal

Amigos, realizei esta entrevista com a profª Drª Ana Luisa Vilela, do Departamento de Linguistica e Literatura da Universidade de Évora/ Portugal. Deixo registrado o meu agradecimento a Ana Luisa pela  prontidão com que aceitou o meu convite e pela gentileza que permeou todo o processo.

1- Como a Sra. avalia o cenário e perspectivas do ensino de literatura (mestrado e doutorado) em Portugal?

Estou sinceramente animada, Renata: há muita gente apaixonada por Literatura, com vontade de a estudar mais profundamente, de ler mais e melhor. Muitos dos alunos de mestrado são professores de Português do ensino secundário (no Brasil, ensino médio); mas outros vêm de outras áreas, talvez procurando na Literatura um complemento da sua formação, um domínio que lhes falta… Nas universidades públicas portuguesas, os cursos de mestrado são em maior número, já, do que os cursos de licenciatura! Por um lado, não são excessivamente caros, nem longos. Por outro lado, como as licenciaturas em Portugal, conformes à célebre “Declaração de Bolonha”, são agora todas de 3 anos (e não de 4 ou 5 anos, como eram dantes), os mestrados vulgarizaram-se. E como o desemprego também grassa por aqui, continuar os estudos é uma opção de cada vez mais recém-licenciados… O número de inscrições em cursos de doutoramento também tem, evidentemente, aumentado. Mas ainda é substancialmente menor do que o dos mestrados.

2- Quais as linhas de pesquisa que tem se destacado e quais os diálogos que os estudos literários tem ensaiado e/ou consolidado com outros campos do saber?

É engraçado você perguntar-me isso, Renata, justamente quando acabo de chegar de um congresso de da Associação Internacional de Literatura Comparada (em Seul, na Coreia do Sul), que teve como tema “Expandindo as fronteiras da Literatura Comparada”!... A LC sempre foi provavelmente o campo mais vasto e mais deliberadamente interdisciplinar dos estudos literários. Imagine quando se pede a investigadores de todo o mundo que reflitam sobre como “expandir” esses limites tão amplos e tão flexíveis!...
Bem, a nível global, teremos mesmo de apontar a inevitável miscigenação (ou fertilização) da Literatura com os Estudos Culturais, os estudos sobre literaturas ditas “minoritárias”, os Estudos de Tradução; em complemento à globalização, ganham preponderância a redescoberta e a revalorização das culturas e literturas dos países emergentes, assim como as das questões ambientais, da Natureza e da tecnologia, da raça, género, etnia, cultura, identidade e alteridade, ideologia, ensino, religião, conflitos e sua mediação… Cruzemos ainda a velhinha noção de Literatura com a chamada “Idade Hipertextual” – e temos um quadro estonteante de perspetivas e diálogos!


3- A Sra é pesquisadora da poesia dos séculos XIX, XX e da poesia contemporânea. Quais poetas a Sra destacaria em cada um destes períodos e por quê?

Os maiores, canónicos e mais justamente lidos: Cesário Verde, Camilo Pessanha, António Nobre, Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade, António Ramos Rosa.
Os que merecem ser mais lidos: João de Deus, António Feijó, Gonçalves Crespo, Eugénio de Castro, José Régio, Albano Martins.

4- Quais aspectos da obra de Eça de Queiroz estão sendo pesquisados pela Sra?

Bem, ando às voltas com a edição crítica d’O Mistério da Estrada de Sintra. Recentemente, tive de estudar mais a sério a vertente “político-ideológica” do Eça e fiquei assombrada. Mas aquilo que mais me atrai, ainda, e sempre, é a forma misteriosa como Eça representa e como magicamente provoca no leitor a sensação “física” do real: a hipotipose. Palavra estranha (parece nome de doença!) mas que designa uma coisa que todo o leitor do Eça reconhece nos seus textos – a impressão que eles dão de serem “realidade viva”. Esse é para mim o mais fascinante traço da escrita queirosiana.

5- Como a Sra avalia a recepção da obra de Florbela Espanca hoje, e o que destacaria como sendo seu legado à poesia produzida por poetas que a sucederam?

A recepção de Florbela é um grande desafio para a crítica académica: continua pujante; é impossível ignorá-la; Florbela é uma escritora hiperpopular; mesmo que o público nada mais conheça dela, conhece-lhe o nome, a pose, a lenda. Essa popularidade de “star” terá feito dela, postumamente, um poeta “de massas”. Irá essa popularidade canonizá-la? Não sei. Sei que ela talvez exija que Florbela ocupe um lugar maior no cânone – mesmo concedido de má vontade, com escrúpulos académicos e teóricos, com dúvidas, com desconforto…
É difícil avaliar o “legado” de Florbela: ela não terá sido propriamente uma precursora, sobretudo a nível técnico-formal. Tematicamente, inovou, sim: com o seu pendor narcísico, um erotismo por vezes escancarado e vulcânico, por vezes místico e sublimado, uma sentimentalidade torrencial, um culto do excesso. Quem “influenciou”? Diria que nenhum autor; mas todos os leitores, sim. Todos aqueles que a leram aos quinze anos. A energia terrível da adolescência está lá toda, nos versos dela, e nós amamo-la por isso. Nunca nos “curamos” de Florbela: ela é, exatamente, incurável. Como nós.


6- Professora, no Brasil, imagino que também em Portugal, existe uma profusão de estudos acerca da obra de poetas como Fernando Pessoa, Camões, Saramago, Eça de Queiroz, escritores estabelecidos pelo cânone. Em sua opinião há ainda algum escritor dos séculos XIX e/ou XX que tenha sua obra pouco estudada e mereça maior atenção por parte dos pesquisadores?

Renata, não é fácil escolher, porque, feliz ou infelizmente, há muitos bons escritores que valeria a pena estudar mais. Mas mesmo assim arrisco dois nomes (além do de Florbela!) – e um é do século XVIII, desculpe:
- Matias Aires (1705-1763), aliás luso-brasileiro, ensaísta brilhante e teorizador sobre a vaidade, as mulheres e o amor;
- e Raul de Carvalho (1920-1984), poeta alentejano que eu, ignorante, só descobri há pouco tempo, e na obra do qual - em versos por vezes fulgurantes, por vezes banais – há uma quase sempre uma poderosa “energia expressiva”, parecida até certo ponto com a da também alentejana Florbela.



ANA LUÍSA VILELA
Professora de Literatura Portuguesa na Universidade de Évora. Ensina e investiga nos domínios da Literatura Portuguesa dos séculos XIX e XX (sobretudo Eça de Queirós, Florbela, Torga, Sophia, Agustina) e da Literatura Comparada (Literatura e Arte, Imagologia e Estudos sobre o Imaginário).

O pisca-pisca e o ensino da Literatura Portuguesa na Universidade de Varsóvia

«O drama a é a espressão literária mais verdadeira do estado da sociedade.» Almeida Garrett, Memória ao Conservatório Real (1843)

A prática (no sentido primordial do termo) da Literatura Portuguesa no Instituto de Estudos Ibéricos e Iberoamericanos da Universidade de Varsóvia e no seu Departamento Luso-Brasileiro criado em 1977 solidifica-se na actividade do pisca-pisca, i. e., do Grupo de Teatro Português da Universidade de Varsóvia (GTP UV; http://iberystyka-uw.home.pl/content/view/160/93/lang,pt/) e na modernização de textos literários. Este grupo de teatro universitário foi fundado no ano lectivo de 1997/98 e tem servido, até hoje, no apoio à aprendizagem de Português Língua Estrangeira. A Literatura Portuguesa continua a ter, também, a sua presença muito bem marcada no pisca-pisca. Por exemplo, no ano lectivo 2001-2002 encenou-se uma comédia romântica A Farsa de Sónia Pereira, baseada na Farsa de Inês Pereira de Gil Vicente. No cartaz do GTP UV, apareceram, entre outros: O Auto da Barca do Inferno e o Auto da Índia do Mestre Gil, Uma História Sem Camisa de A. Pires Cabral, Antes de Começar de Almada-Negreiros, uma adaptação do folhetim Maria! Não me mates que sou tua mãe! de Camilo Castelo Branco, e, na época de Junho – Dezembro de 2007 um Sorteio da Literatura Portuguesa, uma graciosa revista dos maiores mestres da mesma, desde D. Dinis até Fernando Pessoa cujos heterónimos passaram a jogar a bola no desfecho da última cena. Sem postergar Os Filhos do Facebook, uma última produção teatral nossa de livre invenção, realizada em Junho de 2010. Optou-se, destarte, pela continuação da encenação de comédias sendo assegurada, a excelente reacção do público. E pela mais engenhosa combinação do ensino e da prática da Literatura Portuguesa. Deixámos de reflectir sombras do talento literário lusitano numa caverna universitária, mas sim – esperemos que sim – contribuimos para a posterioridade engenhosa pela e com a Língua e Literatura Portuguesas na Polónia. O resultado esperado deste processo será, no nosso entender, um estudante adulto polaco, falante de Português (na versão continental ou brasileira) e leitor activo da Literatura Portuguesa, capaz de analisar obras de autores lusófonos (também no palco), traduzi-las para polaco e enquadrá-las no horizonte dos seus conhecimentos de cultura.


Acreditamos, pois, que «o drama é a expressão literária mais verdadeira do estado da sociedade; a sociedade de hoje ainda se não sabe o que é, o drama ainda se não sabe o que é: a literatura actual é a palavra, é o verbo, ainda balbuciante, de uma sociedade indefinida, e contudo já influi sobre ela; é, como disse, a sua espressão, mas reflecte a modificar os pensamentos que a produziram», citando as imortais palavras de Almeida Garrett da Memória ao Conservatório Real (lida em 6 de Maio de 1843), a despeito de uma opinião alheia que possa afirmar injustamente que «na Polónia nunca chegou a haver teatro português» (para parafrasear as palavras iniciais da Introdução a Um Auto de Gil Vicente do mesmo autor). Chegou, sim, e o pisca-pisca, o grupo de teatro português na universidade de Varsóvia continua a retratar os interesses, as veleidades e as obsessões da comunidade estudantil lusofalante, cada vez mais numerosa na Polónia. Sem exageros, podemos concluir que o drama português é a expressão mais verdadeira do estado da sociedade estudantil na Polónia; a sociedade que hoje sabe cada vez melhor o que é! E assim tem que ser, e assim será. Levante-se o pano.

Grupo de teatro Pisca-pisca

Anna KALEWSKA é Professora Associada do Instituto de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos da Universidade de Varsóvia, Polónia, “doutora de segundo grau (dr. hab.)”, segundo o estatuto da carreira docente polaco. É investigadora quer no âmbito da cultura lusófona, da literatura e do teatro de expressão portuguesas, quer no âmbito da literatura comparada. Publicou dois livros, Camões, czyli tryumf epiki (Camões, ou o triunfo da épica), 1999, e Baltasar Dias e as metamorfoses do discurso dramatúrgico em Portugal e nas Ilhas de S. Tomé e Príncipe. Ensaio histórico-literário e antropológico, 2005, ambos na Editora da Universidade de Varsóvia. Traduziu, entre outros, As Naus de António Lobo Antunes, Editora WAB, Varsóvia 2002. Estudou em Portugal com bolsas do Instituto Camões e da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa. Participou em colóquios e congressos nacionais e internacionais. É vogal da Associação Internacional de Lusitanistas (A.I.L) e membro da CompaRes – Associação Internacional de Estudos Ibero-Eslavos em Lisboa. Publicou mais do que uma centena de artigos e trabalhos de investigação e de inspiração literárias, em polaco e em português, em revistas polacas, portuguesas (Diacrítica, Braga; Revista de Letras, UTAD), brasileiras (Projeções, Curitiba) e na Revista da A. I. L. VEREDAS. Vive em Varsóvia.
Quero agradecer A professora Anna por compartilhar conosco esta experiência e ao amigo Fábio Mário,  correspondente especial do Letra e Fel em Portugal.

IV Encuentro de la Hispanidad: trans-acciones interculturales

Olá amigos, segue informativo acerca do  IV Encuentro de la Hispanidad: trans-acciones interculturales, que se realizará de 07 a 11 de junho de 2011 na UFRR.
Chamada para trabalhos: a primeira circular com chamada de trabalhos de docentes (mesas e minicursos), com prazo de até 08 de novembro de 2010.  O evento tem como objetivo promover a interação e o diálogo entre estudiosos e pesquisadores brasileiros e hispânicos da área de letras hispânicas e demais áreas das ciências sociais e humanas que tenham em comum os estudos da língua, literatura, arte, cultura, antropologia, ciências sociais, geografia, relações internacionais e história dos países hispânicos em suas pesquisas e atividades acadêmicas. Os trabalhos deverão versar sobre estudos hispânicos, podendo ser apresentados em espanhol ou em português, e se filiar a um dos eixos temáticos abaixo:
· Trans-ações linguísticas;
· Trans-ações literárias;
· Trans-ações históricas;
· Trans-ações sociais;
· Trans-ações internacionais;
. Trans-ações teóricas.
O publico alvo da primeira circular é:
· Proponentes (professores e pesquisadores) dedicados aos estudos hispânicos com trabalhos concluídos ou em andamento voltados aos diálogos interculturais.
· Proponentes (professores e pesquisadores) dedicados aos estudos de língua portuguesa como língua estrangeira para nativos de língua espanhola com trabalhos concluídos ou em andamento voltados aos diálogos interculturais.As inscrições deverao ser feitas diretamente com um dos membros da comissao citados abaixo:
Tatiana Capaverde - hispanidadufrr@gmail.com 
Evodia Braz – evodia.braz@yahoo.es 

11/09/2010

O canto da harpia

Cansei de ser sereia.
Cortei os cabelos,
As unhas cresceram.
No lugar das escamas,
indecentes e fortes plumas,
em tons de branco e cinza.
No alto da cabeça,
a crista erotizada,
eriça ao menor ruído.
Abro imensas asas,
Solto um grito.
Os olhos, de repente,
enxergam além.
Cansei de afogar marinheiros,
de cantar para a morte
dos despenhadeiros
e das rochas frias.
Assim como um bebê
saído do ventre,
saúdo a vida.
Mergulho fundo
no azul salpicado de lilases
do fim do dia e,
renasço de manhãzinha,
embriagada pelo amarelo
Ouro
desse universo
selvagemente novo.

renatabomfim

10/09/2010

Despertar

Desperta!
Acorda pleno e olha,
És imagem:
Traços, cores, texturas,
Contornos espetaculares.
Tua tribo anseia e canta,
Nasce a música
Brota a dança
Coreografia de milhares.

O alimento é comum:
Miséria, angústia, esperança...
Desperta!
Acorda pleno e sente
És letra!
Símbolos e marcas
Adornam teu corpus,
te abençoam com a imortalidade.
Recorda teu sonho, mito:
Astros em conjunção,
Rituais de vida e de morte.
Pariste fantasia!
A alma existe?

Desperta e ama o saber: filosofia!
Desperta tudo o que dormita:
Emoção, mímica, interjeição...
Transita no rítmo
Explode e goza num grito
Poesia!

renatabomfim

08/09/2010

Vampiro vegano

Vou ceder aos vampiros
quem sabe assim
vendo algum livro.
Mas imagino uma
entidade diferente:
com sangue quente,
roupas brancas,
resplandescentes,
olhar de cigano.
Amigo das pessoas,
Não cospe na cruz,
Aprecia alho.
Um vampiro vegano!
Ele será o terror dos feirantes e,
na calada da noite,
invadirá quitandas e hortifrutis
em busca de clorofila.
Preferirá os orgânicos
e os sem conservantes.
Sugalos-á com prazer e
sem compaixão,
até que restem somente as fibras.
Esta dieta será o segredo
de seu poder e eternidade.
Nada será mais assutador
e nem mais bizarro
que um vampiro sarado e
com baixo colesteról.

renatabomfim

07/09/2010

Posse na Academia Espírito-Santense de Letras e Palestra na Biblioteca Pública Estadual

A Academia Feminina Espírito-Santense de Letras promove no dia 14 de setembro, na Biblioteca Pública Estadual, na Praia do Suá, às 16 horas, uma palestra com a a Profa. Me. Vanda Luíza de Souza Neto, cujo tema é “Lídia Bessouchet, a embaixadora das artes”.

No dia 16 de setembro, às 19 horas, no auditório da Aliança Francesa de Vitória, Anaximandro Oliveira Santos Amorim tomará posse na cadeira 40 da Academia Espírito-Santense de Letras.  Na ocasião será lançado o livro "A História de um Sobrevivente", quarto na carreira do escritor. Estão todos convidados.