23/11/2011

O coro de vozes femininas e fragmentadas da poética de Florbela Espanca (Revista Callipole, v. 19/2011)

RESUMO:
A poética de Florbela Espanca é polifônica por abarcar uma multiplicidade de vozes sociais e seus respectivos discursos, Dentre estas vozes arquetípicas femininas expressas na sua poesia, analisa-se as de Lilith, Eva e Maria.
PALAVRAS-CHAVE: Polifonia; poesia; arquétipos; Florbela Espanca.

ABSTRACT:
The poetic of Florbela Espanca is polyphony because it embraces a multiplicity of social voices and its respective speeches. Among those perfect models feminine voices expressed into her poetry, we will analyze those of Lilith, Eva and Mary.
KEYWORDS: Polyphony; poetry; perfect model; Florbela Espanca.

O coro de vozes femininas e fragmentadas da poética de Florbela Espanca (Revista Callipole, v. 19/2011)

Ó pavoroso mal de ser sozinha!
Ó pavoroso e atroz mal de trazer
Tantas almas a rir dentro da minha!”
(Florbela Espanca)
O pensador russo Mikhail Mikhailovitch Bakhtin (1895- 1975), um dos mais importantes estudiosos da linguagem na contemporaneidade, postulou que a linguagem é um fenômeno que só acontece na relação do sujeito com o outro, também é ela que, no processo de interação social, constitui a consciência do sujeito. A consciência do sujeito poético de Florbela Espanca (1894- 1930), considerada a voz feminina mais expressiva do lirismo português do século XX, na história da recepção de sua obra, muitas vezes foi confundida com a consciência do autor-pessoa, ou seja, da mulher Florbela Espanca.
Bakhtin (2003) complementa que esta confusão é a fonte da incompreensão e da deformação do conjunto da obra de um autor. O autor- criador ajudará na compreensão do autor-pessoa, mas, as personagens criadas, vão se desligando do processo que as criou e começam possuir uma vida autônoma no mundo, da mesma forma que acontece com seu autor-criador.
Além de um fenômeno relacional, Bakhtin dá a linguagem, também, um caráter ideológico que não ocorre de forma isolada ou desprovida de intenção pois, todo o discurso um enunciador não lhe pertence, apenas, ele abarca muitas outras vozes, muitas destas imperceptíveis ou muitos distantes, vozes que ecoam simultaneamente no momento da fala. É possível observar que toda a obra de Florbela nasce do diálogo que esta estabeleceu com seu tempo, com a tradição literária, com os críticos, com a família e amigos.
No percurso de Florbela como poeta é possível destacar algumas interlocuções fundamentais, que foram divisores de água em sua poética, entre elas: Antônio Nobre, Raul Proença, Rúben Dario, e percebemos também, a linguagem desempenhando um papel ideológico, pois Florbela Espanca mostrou estar em consonância com seu tempo. Um exemplo disso é o seu primeiro manuscrito poético, intitulado Trocando Olhares, que contém um livro denominado Alma de Portugal. Este, segundo a poeta, pretendia “prestar homenagem humilíssima a pátria”, fato que acontece em paralelo à época em que Portugal ingressa na Primeira Guerra Mundial. Carlos Sombrio publicou uma carta escrita de próprio punho por Florbela à Madame Carvalho, uma de suas interlocutoras, onde cita com detalhes o projeto poético Alma de Portugal:
[...] Submeto a apreciação de V. EXª o esboço geral que eu já tinha formado acerca do livrito. Chamar-se-á Alma de Portugal e será dividido em duas partes, intitulada a primeira: “Na Paz” e a segunda, “Na Guerra”. Madame acha bem? Desta forma o livro terá um pensamento único a ligar todos os versos, e não posso achar melhor pensamento do que esse em homenagem humilíssima à pátria que estremeço (ESPANCA, 1994, p. 48).
Observa-se um engajamento político por parte de Florbela, realizado de forma indireta, via poesia, e que engendra um incômodo e promove uma insurreição feminina, marcada pela ruptura desta com o ideário feminino de sua época, que destinava à mulher a esfera privada do lar. Florbela adentrou em um campo essencialmente masculino, o da poesia, e que é, também, público, o que, a partir de uma visada bakhtiniana, podemos compreender como sendo uma forma de posicionamento ideológico. Outra ruptura que percebida diz respeito ao silêncio, marca do discurso feminino.
Bakhtin tratou fundamentalmente das relações do eu com o outro, mas, esse outro, para ele, é uma posição social expressa no texto, não são relações de diálogo face a face, mas de posições sociais. Este pensador em sua obra, se volta para a existência do ser humano concreto, sendo que a unicidade deste existe na ação, no ato individual e responsável, no qual viver é agir e agir em relação ao que não é o eu, isto é o outro, pois o falante seleciona as palavras que utiliza no seu contexto e não no dicionário, estas palavras, portanto, estão embebidas e se impregnaram de julgamentos de valor.
É importante compreender a interação dos significados das palavras e seu conteúdo ideológico, não só do ponto de vista enunciativo, mas também do ponto de vista das condições de produção e da interação assunto/receptor. Queremos assim, eliminar resquício de neutralidade política por parte de Florbela Espanca, muitas vezes observada de forma míope, como alguém isolada de seu tempo, alheia ao que acontecia ao seu redor, uma burguesinha. A poeta integrou o movimento de mulheres por espaços tradicionalmente masculinos, até então negados a elas, entre eles o intelectual e o artístico.
Bakhtin esclarece que o discurso poético tende a ser monofônico, visto brotar da ilusão de individualidades que desafia o código até o limite do inteligível, na tentativa de criar um modo único de expressão. No entanto, ele afirma não haver significado literário fora da comunicação social geral. A literatura reflete as condições significativas do horizonte ideológico de que faz parte e os discursos circundantes de outras esferas a contamina, como produto cultural simbólico, esta se determina dialeticamente, ora voltando-se para o mundo exterior, ora especulando nos seus próprios arquivos.
Como ser dialógico, o poeta descobre mundos que nem sequer imaginava e os manipula no seu reino de palavras, estabelecendo pontes com a vida e a morte. Dialoga também, com a sua realidade e com a realidade do outro, assim, contempla questões pessoais, sociais, históricas e filosóficas, tais como o amor, o ódio, o presente, o futuro e o passado que é sua matéria e vem daí as vozes que aparecem no poema. Maria Lúcia Dal Farra (1994, p. 81) nos explica que “[na] sua primeira interlocução”, com as quadras populares, a poética de Florbela demonstrava, ainda, “a persistência da ignorância das convenções literárias e, portanto, uma pouca alentada interlocução com a literatura culta”, a poeta experimentou da licença poética até passar a utilizar apenas a forma culta do soneto.
Como observamos, Bakhtin propôs que o diálogo que ocorre entre interlocutores, é uma ação histórica compartilhada socialmente, isto é, que se realiza em um tempo e local específicos, mas sempre mutável, devido às variações do contexto. Haquira Osakabe destacou, acerca da consciência poética de Florbela Espanca:
[a poeta tecia memória de vozes longínquas] Vozes femininas das cantigas, de Mariana, vêm as meninas dos rouxinóis de Garret, a Tereza Botelho do Camilo, A Luiza do Eça, Todas, à sua maneira, fazendo parte de uma galeria de seres em que a ficção constitui paradoxalmente uma impressionante prova de realidade (OSAKABE apud JUNQUEIRA, 2003, p. 13).
Nas obras de Florbela Espanca e nos discursos que as constituem podem ser percebidas múltiplas vozes e imagens arquetípicas, que ultrapassam a individualidade, encontrando respaldo numa instância que transcende o tempo e o espaço, no inconsciente coletivo. Por meio da polifonia do discurso poético florbeliano expressam-se variadas vozes sociais e seus respectivos discursos e vozes arquetípicas que podem ser percebidas, a partir das imagens que esta evoca. Dentre as vozes femininas e arquetípicas expressas na poesia de Florbela, se fazem ouvir as dos mitos de Lilith, Eva e Maria, por abarcarem aspectos como a sensualidade, o erotismo, a aspiração sacerdotal e virginal, a dor, a angústia, o desejo, o sonho e a vaidade, temas que refletem certos desejos de fazer dialogar dicotomias, termos opostos que, em uma sociedade patriarcal não conseguem alcançar expressão plena.
O arquétipo de Lilith é descrito em várias culturas como sendo um demônio noturno, sedutor dos homens adormecidos e assassina de recém-nascidos, ele coloca-a em oposição aos arquétipos de Eva e de Maria, esposas e mães. Lilith pertence à tradição oral rabínica e diz respeito à Tora, na qual se encontra o livro de gênesis. Estes textos sumérios, hebraicos e acadianos são testemunhos de uma lenda ou mito muito popular que eram utilizados com metáforas, baseada em analogias, para estabelecer uma ponte entre a origem do homem e a da mulher. Esta representação arquetípica feminina pode ser encontrada em mitologias de variados países, entre eles as da Assíria, da Suméria, da Babilônia, da Cananéia, da Arábia, da Pérsia, entre outras. É uma imagem feminina rejeitada pela cultura patriarcal e pela religião tradicional. Este mito possui um forte conteúdo revolucionário, e reflete a problemática da mulher em busca de identidade e expressão.
Lilith representa o feminino que não se dobra diante da pressão masculina. A idéia da existência da mulher má se oporá à idéia de uma mulher boa e submissa. Mesmo a mulher dita “boa”, ou seja, Eva, não escapou da maldição e da culpa, por ter feito a humanidade perder o direito ao paraíso. Se Lilith, arquétipo feminino poderoso, encerra na sua estrutura o proibido, o tabu, simboliza a resistência às proibições colocadas ao desejo, Eva representará o feminino que se submete mas, nem por isso, perde seu caráter subversivo.
Segundo Robles (2006, p. 35), o orgulho “congrega todas as superstições vinculadas à sedução feminina e que, através dos mitos, se manifesta a partir do simples desejo de igualdade até os encantamentos da feiticeira”, que levam os homens a fazerem a sua vontade por meio de procedimentos ilícitos. Enfim, o arquétipo de Lilith traz a marca da insubmissão e da perversão libidinosa, e pode ser percebida em cada mulher que “imagina ser possível a verdadeira equidade”, bem como naquelas que perturbam “os sonhos e devaneios dos homens.
Na poesia de Florbela Espanca a representação arquetípica de Lilith perpassa todos os livros, muitas vezes mesclada com outras imagens arquetípicas. Maria Lúcia Dal Farra, no prefácio à obra de Florbela destacou que:
A escolha do sonho como registro de capturação da realidade, o peso concreto da morte, associado ao amor, e a escolha de valores noturnos enquanto específicos designadores do feminino. E, desde aqui, desde a nascente da poética de Florbela , ficam definitivamente seladas e imbricadas as suas mais significativas constantes: a condição feminina e a marginalidade. Tanto o sonho, quanto a morte abrem a vida, para esta jovem poetisa, em um espaço intervalar revertem-na num universo de exceção, num mundo-fora-da-existência que, gratificantemente, abre uma brecha na ordem inabalável e convencional. Aí, a vida se desloca do curso habitual e as regras se tornam outras. Há uma suspensão do tempo real e do espaço físico , que contraria o principio da realidade, visto por Florbela como prerrogativa masculina, e que instaura, ao contrário, o principio do prazer, atribuição feminina (1996, p. XXVIII).
O mito de Eva é posterior ao de Lilith, pertence à tradição judaico-cristã. Assim como Lilith, Eva foi acusada de fazer parcerias com o diabo e de ser desobediente a Deus e ao homem: Lilith, por sua luxúria; e Eva, por irreflexão, pois, ao comer do fruto proibido e incitar o homem a também comê-lo, propiciou a expulsão do paraíso. O patriarcado diz que Deus criou todas as coisas, mas Eva não se satisfaz com esta resposta e quer saber mais. O quarteto do poema ?, do livro Charneca em Flor, interroga desde o título e revela o desejo pelo saber, pelo conhecimento dos segredos da criação e da vida:
Quem fez ao sapo o leite carmesim?
De rosas desfolhadas à noitinha?
E quem vestiu de monja a andorinha,
E perfumou as sombras do jardim?

Quem cinzelou estrelas no jasmim?
Quem deu estes cabelos de rainha
Ao girassol? Quem fez o mar? E a minha
Alma a sangrar? Quem me criou a mim?

Quem fez os homens e deu vida ao lobo?
Santa Tereza em místicos arroubos!
Os monstros? E os profetas? E o luar?

Quem nos deu asas para andar de rastros?
Quem nos deu olhos para ver os astros
Sem nos dar braços para os alcançar?
(ESPANCA, 1996, p. 244).
Eva carrega a peculiaridade de dispor de um caráter pensante, aspecto que pode ser observado através do eu florbeliano no poema ?, mas, ele possui também o caráter subversivo. O patriarcado diz que Deus criou todas as coisas, mas Eva não se satisfaz com esta resposta e quer saber mais. O questionamento é marca da sua condição, a feminina, “Quem nos deu olhos para ver os astros/ - Sem nos dar braços para os alcançar?”. Michelle Perrot (2007) destaca que há muito tempo pesa sobre a mulher um interdito de saber, cujos fundamentos foram mostrados por Michele Le Doeuff:
O saber é contrário à feminilidade. Como é sagrado, o saber é o apanágio de Deus e do Homem, seu representante sobre a terra. É por isso que Eva cometeu o pecado supremo. Ela, mulher, queria saber ; sucumbiu a tentação do diábo e foi punida por isso. As religiões do livro (judaísmo, cristianismo, islamismo) confiam à escritura e sua interpretação ao homem. A Biblia, a Torá, os versículos islâmicos do Corão, são da alçada dos homens. [...] Uma mulher poeta é uma mosntruosidade moral e literária, da mesma forma que um soberano mulher é uma monstruosidade política. [...] Ao longo do século XIX, reitera-se a afirmação de que a instrução é contrária tanto ao papel das mulheres quanto a sua natureza: feminilidade e saber se excluem. [...] A figura de Eva é, de certa maneira, emblemática: Eva morde a maçã por curiosidade ávida. A igreja medieval substituiu o livro pela imagem sábia e meditativa da Virgem (DOEUFF, apud PERROT, 2007, p. 91- 95, grifo nosso).
A representação arquetípica de Eva, na poesia de Florbela, revela um feminino que, no seu processo de individuação, se abre para o outro, para o amor, mas que não encontra retorno afetivo, resposta aos seus apelos, Assim, ele submete-se ao amado. Outra representação que constelará na consciência coletiva da humanidade será a de Maria, a virgem mãe, que terá como sombra Eva.
O que se sabe sobre a vida de Maria, nos chega através do novo testamento da Bíblia Sagrada, onde esta é descrita como a mãe de Jesus Cristo, o filho de Deus, cuja concepção realizou-se por obra do Espírito Santo e de forma “imaculada”, ou seja, sem relação sexual (dogma da imaculada conceição). Maria é um mistério difícil de se decifrar por meios históricos, consciente ou inconscientemente, o cristianismo católico, obrigou o Vaticano a reconhecer a “Assunção da Virgem Maria”, o quarto elemento que “trouxe materialidade e feminilidade” à trindade pura, espiritual e “estritamente masculina.
A partir de uma visada junguiana pode-se dizer que o resgate do culto à virgem trouxe certo status para a mulher, mas não abalou a consciência patriarcal que continuou exercendo controle sobre a mulher. Maria, enquanto representação arquetípica, resgata qualidades da Grande Mãe, ela é geradora de vida, protetora, apaziguadora, mas reafirma e acentua as características da obediência e da pureza sexual, é o feminino idealizado, a boa esposa e boa mãe, modelo colocou a mulher em evidência, a partir de uma forma de devoção que não podia ser expressa fisicamente.
O catolicismo transformou Maria em uma eterna virgem, pura e servil à trindade, o que não contribuiu para que os aspectos sombrios do feminino fossem integrados à consciência, persistindo os aspectos já presentes em Eva: o maternal, a culpa e a dor, aspectos interessantes à manutenção do patriarcado. Segundo Sicuteri (1985) “o século atual viveu uma tentativa de recuperação simbólica do feminino na assunção dogmática de Maria aos céus, esquecendo-se do vetor terra/ infernos, desconhecendo a existência de Lilith” (SICUTERI, 1985, p. 142).
A poesia de Florbela Espanca traz no seu bojo vozes femininas que denunciam a presença da constelação do arquétipo da Virgem Maria. No Livro de Mágoas o soneto A minha Dor, palavras como,”convulsões, “gemer”, “comovidos”, formam o cenário propício para o martírio:
A minha dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.

Os sinos tem dobres d’agonia
Ao gemer, comovidos, o seu mal...
E todos têm som de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias...


A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!

Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo, e grito e choro!
E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém...
(ESPANCA, 1996, p. 138, grifo nosso).
O martírio, segundo Perrot (2007, p. 18), “é uma honra suntuosa”, é uma forma de se alçar a glória, visto que é o que resta às mulheres, a clausura ratifica o âmbito privado, a que a mulher está confinada. Sob o signo da Virgem Maria, o eu poético florbeliano assume compromisso com a renúncia saudosa, neutralizando assim, o desejo. Renúncia é o titulo do soneto do Livro de Sóror Saudade que explicita o perigo do prazer, atributo de Satanás e a aceitação da resignação:
A minha mocidade outrora eu pus
No tranqüilo convento da tristeza;
Lá passa dias, noites, sempre presa,
Olhos fechados, magras mãos em cruz...

Lá fora, a lua, Satanás, seduz!
Desdobra-se me requintes de beleza...
É como um beijo ardente a natureza...
A minha cela é como um rio de luz...

Fecha os teus olhos bem! Não vejas nada!
Empalidece mais! E, resignada,
Prende os teus braços a uma cruz maior!

Gela ainda a mortalha que te encerra!
Enche a boca de cinzas e de terra,
Ó minha mocidade toda em flor!
(ESPANCA, 1996, p. 194, grifo nosso)
Os arquétipos femininos de Lilith, Eva e Maria, dão forma a uma representação outra, a uma imagem síntese, que podemos comparar a criatura da obra de Mary Shelley, formada por partes de mortos e que ganha vida nas mãos do Dr. Victor Frankenstein. Esta criatura, que denominei Frankenstein patriarcal florbeliano, na dimensão mesma do Frankenstein de Mary Shelley (1985), assim como a “criatura feminina” criada por Florbela Espanca, a partir da junção das imagens arquetípicas de Lilith, Eva e Maria não encontrará respaldo no mundo patriarcal. Estes arquétipos encarnam importantes caracteres na obra de Florbela Espanca e são atuantes na psique das mulheres da contemporaneidade. A junção de mitificações arquetípicas tão distintas, alegoricamente, engendra um devir monstro, que não encontra lugar no mundo. Sua existência é marcada pela impossibilidade e pela tragédia; seu lugar é exilado, longe do convívio social.
A poesia de Florbela Espanca apresenta essa constelação frankensteineana de arquétipos femininos díspares que está condenado a ser mal resolvido. No patriarcado a formação do feminino deve ser montada segundo traços de personalidade díspares, a pura, prostituta, a mãe, reside aí, deduzimos, o estado melancólico, os pólos de humor, da euforia à tristeza suicida, da poética de Florbela Espanca. Se Florbela deu forma a uma criatura a partir da junção das representações arquetípicas e polifônicas que produziu, o Frankenstein florbeliano, a falta de conexão entre tais representações e a sociedade levaram a poeta a se isolar. Grande parte da problemática da mulher em busca de identidade e expressão está posta na poética de Florbela Espanca, e denuncia a invalidez do feminino dentro de uma consciência patriarcal que enxerga o feminino e sua liberdade como perigosos e ameaçadores.
O monstro gerado por Florbela não encontra lugar no mundo, sua existência é marcada pela impossibilidade e pela tragédia; seu lugar é exilado, longe do convívio social. Esta imagem síntese, o monstro florbeliano, além de expresso na poética de Florbela Espanca, está inscrito na sua biografia, fazendo parte da relação intrínseca entre vida e obra, pois, assim como sua biografia, sua poesia é também essa constelação frankensteineana de arquétipos femininos díspares. O perfil frankensteiniano, expresso na poética de Florbela, está condenado a ser mal resolvido.
Diz Jung que “partindo da insatisfação do presente, a ânsia do artista recua até encontrar no inconsciente aquela imagem primordial adequada para compensar de modo mais efetivo a carência e unilateralidade do espírito da época” (JUNG, 1991, p. 71). As manifestações do inconsciente possuem caráter compensatório em relação ao consciente, segundo Jung, “toda época têm sua unilateralidade, seus preconceitos e males psíquicos”, e o inconsciente coletivo pode fornecer ferramentas de compensação a essa condição da consciência coletiva, “exprimindo o inexprimível de uma época” ou mesmo suscitando “pela imagem” o que a necessidade negligenciada de todos está almejando (JUNG, 1991, p. 71).
A poética de Florbela, como alteridade feminina, precisa ser integrada tanto pela psique feminina quanto pela masculina. Jung afirmou que: “estar louco é um conceito social”, e que “na esquizofrenia há apenas fragmento” sendo, portanto, “impossível estabelecer a totalidade”. Pode-se manipular apenas um fragmento de cada vez como um caco de vidro, ou seja, não há um contínuo na personalidade. “Na esquizofrenia a dissociação é profunda, os fragmentos jamais se juntam” (JUNG, 1983, p. 92-93), assim, o coral formado por Lilith, Eva e Maria é um coral esquizofrênico, não no sentido patológico, mas jamesoniano, de fragmentado, que revela a extemporaneidade da poesia florbeliana, essa esquizofrenia é também a marca trágica de uma modernidade patriarcal, na qual o feminino deve costurar-se para compor múltiplas e – por que não? – horrorosas imagens, as quais podem ser interpretadas como o inconsciente feminino do horror, bem entendido, da herança patriarcal, sendo o patriarcado, ele sim, o monstro esquizofrênico, um morto-vivo.
O eu poético florbeliano tem a capacidade de se metamorfosear e jogar com as formas do mundo, o que confere à sua poesia uma sedução própria da alteridade. Ele convida à experimentação das emoções, do desejo, é risco, desafia lugares instituídos e a distribuição desses lugares. Este desafio se dá por meio da errância do eu poético que busca constantemente por conhecer a si mesmo: “Sei lá! Sei lá! Sei lá bem!/Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem.../ Sou um reflexo... Um canto de paisagem/ Ou apenas cenário!/ Um vaivém”. A poeta imaginou, por meio da poesia, um mundo em diálogo com outras subjetividades e formas, trabalhando poeticamente variados aspectos do universo feminino. Ela cantou o amor, a dor, a desilusão por buscar e não encontrar o amado. A sua obra nasceu do diálogo que estabeleceu com seu tempo, com a tradição literária, com a crítica.
O desejo ardente de Florbela Espanca de fazer dialogarem aspectos variados da feminilidade por meio de sua poesia, gerou um coro estranho e dissonante para a sua época. A dificuldade de enquadramento do feminino na ordem patriarcal do mundo, foi poeticamente trabalhada por Florbela que, responde com um texto marcado pela inquietação, pela busca e pela arrância, denunciando o paradigma exaurido da dualidade demonstrado pelo desejo de infinito e de integração com a natureza.
A creditamos que Florbela Espanca é também, uma persona dramatis, cujas máscaras, ainda não foram todas reveladas.. Novos olhares estão revelando novos perfis na poética de Florbela Espanca, não apenas a poeta da dor e da saudade, triste e amargurada, mas uma mulher capaz de fazer escolhas e que escolheu para si o mundo da multiplicidade e da resistência ao do emparedamento do ser, escolheu a morte, lugar comum por excelência, que é, também, uma vivência arquetípica, acreditamos serem importantes tais olhares e leituras menos homogênea da obra da poeta para a ampliação do entendimento da mesma.
Referências:

1. BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003. (coleção biblioteca universal).
2. DAL FARRA, Maria Lúcia, Florbela Espanca: Trocando olhares. Estudo introdutório e estabelecimento do texto e notas de Maria Lúcia Dal Farra. Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, 1994.
3. ESPANCA, Florbela. Poemas Florbela Espanca. Estudo introdutório, edição e notas de Maria Lúcia Dal Farra. Martins Fontes. 1996.
4. JAMESON. Fredric. As sementes do Tempo. Tradução de José Rubens Siqueira. São Paulo: Ática, 1997.
5. JUNG, Carl Gustav. O Espírito na Arte e na Ciência. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1991.
6. JUNG, Carl Gustav. Fundamentos da Psicologia Junguiana. Tradução de Araceli Elman. 2.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1983.
7. LIMA, Sandra Mara Moraes. As vozes discursivas e a palavra interiormente persuasiva. In: SOUZA, M. P. de; CARVALHO, R.; SALGUEIRO, W. (org.). Sob o Signo de Babel: Literatura e Poética da Tradução. Vitória: PPGL/MEL, Flor&Cultura, 2006. p. 219- 228.
8. PERROT, Michelle. Minha história das mulheres. Tradução de Ângela M. S. Correia. São Paulo: Contexto, 2007.
9. ROBLES, Martha. Mulheres, mitos e deusas. O feminino através dos tempos. São Paulo: Aleph, 2006.
10. SHELLEY, Mary. Frankenstein. Tradução de Miecio Araujo Jorge Honkis. Porto Alegre: LPM, 1985.
11. SICUTERI, Roberto. Lilith: A Lua Negra. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.
 
Site do Minicípio de Vila Viçosa

Lançamento do número 19 da Revista de Cultura Callipole/ Vila Viçosa/ Portugal

Olá amigos,
Tenho a alegria de ter, mais uma vez, um artigo meu publicado na Revista Callipole. Agradeço a atenção que sempre recebo por parte da equipe técnica da Revista e, especialmente ao Sr. Licínio Lampreia, pelo carinho e respeito com que conduz os trabalhos. Recebi a revista em PDF e ela está linda, com cerca de 400 paginas de muita informação e cultura, espero ansiosa para receber o exemplar impresso, claro, com mais um texto sobre a querida poeta calliponense Florbela Espanca.

21/11/2011

A arte Zen da Cerimônia do chá

“Aquele que conhece ao seu próximo é um conhecedor;
aquele que conhece a si próprio é um sábio”.
(Tsung-Mi)
A Cerimônia do chá, ou Chakai, é uma tradição antiga japonesa que na contemporaneidade continua sendo realizada sem perder o brilho ou o significado. É sabido por todos que, no Japão, tomar chá é um hábito, porém, acredito que a operação que transforma esse  “hábito”, em “arte”, é algo digno de ser avaliado. O caminho do chá compreende mais que, simplesmente, beber chá. Tenhamos em mente que o conceito de caminho faz parte do sangue espiritual do japonês, a ideia de caminho é capaz de aglutinar as artes, para que elas estejam para além da fruição e do esteticismo, ou seja, estejam a serviço da vida, sejam práxis que contribuam para o desabrochar do caráter humano, aproximando o ser da sua essência, levando-o à plenitude e à maturidade.
A cerimônia do chá pode contribuir, e muito, para com o processo de busca e de autoconhecimento de quem se aventura a experimentá-lo. Um quesito importante é a tradição, o individuo que deseja adentrar o caminho, caso o da cerimônia do chá, deve buscar respeitar a tradição, ou seja, honrar o conhecimento que foi sendo construído com o passar do tempo. Parece ser algo simplório, mas, pensemos que a sociedade contemporânea vivencia uma amnésia histórica, e de um imediatismo que a desconecta do passado, inviabilizando prospecções e sonhos sobre o futuro. Essa premissa não implica um cerceamento da liberdade pessoal, e nem é a negação da criatividade individual, mas é um exercício de autodisciplina que leva o ser a verdadeira liberdade. Voltamos à questão do autoconhecimento, ou seja, a capacidade de subjugar os caprichos do ego para que seja possível, ao individuo, identificar coisas que para ele possuam valor eterno e que sejam favoráveis ao seu caminho. Grande parte dos ensinamentos Zen dizem respeito a tomada de consciência representada pelo "caminho". O caminho do chá e o Zen formam uma unidade que representa a busca da essência, do Uno, paradoxalmente, sem descaracterização do diverso. Essa prática pressupõe um reencontro com o “centro”, perdido em variadas esferas da vida, implica também "sentir saudade do silêncio", ou seja, o vislumbrar da possibilidade do vazio, que é prenhe do tudo.

O mestre Zen Rikyú declarou certa vez que “a Arte do Caminho do chá consiste apenas em ferver a água, preparar o chá, e então bebê-lo”, parece simples, não? Mas a simplicidade nos dias de hoje se tornou um desafio, com certeza essa é uma senda estreita. O “caminho” pode ser trilhado de diferentes formas, assim como há o caminho do chá, há o das flores, o da pintura, o da poesia, todos eles com suas especificidades e dificuldades e recompensas. O termo “caminho” pressupõe estar em trânsito, estar alerta, observando, vindo de algum lugar e indo para algum lugar, isso lembra a história de um discípulo que perguntou ao mestre que caminho deveria seguir, e o mestre simplesmente lhe respondeu; “caminhe”.

sugiro o livro: A arte da cerimônia do Chá

(Horst Hammitzsch)

19/11/2011

Steve Jobs e a filosofia Zen...


Amigos, acabei de comprar a biografia de Steve Jobs que foi escrita por Walter Isaacson e publicada, no Brasil,  pela Companhia das letras. O livro possui cerca de 600 páginas e é de fácil leitura, embora a letra seja muito miudinha. Bem, fiquei curiosa quando soube que Jobs era zen budista, e de como ele atribuiu a esta doutrina o desenvolvimento das capacidades criativas e gerenciais que lhe renderam, quem sabe, realização pessoal, mas com toda certeza, fama e dinheiro. Isaacson diz que o criador do iPhone trouxe da doutrina Zen a estética apurada que aplicou nas suas criações. O Zen estava no centro de cada criação de Jobs, cada produto aliava, a um só tempo, simplicidade e elegância. Jobs buscava a síntese, e defendeu que precisava existir uma conecção entre o produto tecnológico e as pessoas, pois a maioria das criações vinham desconectadas de qualquer humanidade, eram apenas máquinas. É aí que vemos atuando um outro aspecto importantissimo da doutrina Zen, que foi muito bem traduzido por Jobs, a intuição.
Jobs foi uma pessoa que, desde muito cedo, buscou o autoconhecimento, eu acredito que, o fato de ser filho adotivo e de não saber quem foram os seus pais biológicos, despertou nele uma carência ontológica, uma sede de conhecimento de si e da sua história, e foi buscando conhecer a si mesmo que Jobs encontrou a filosofia oriental. A busca compulsiva de Jobs pelo autoconhecimento levou-a a experimentar váriadas práticas terapêuticas, entre elas a do Grito primal, sobre essa ele experiência ele disse: "aquilo não era uma coisa para pensar, era algo para fazer: fechar os olhos prender a respiração , saltar dentro e sair do outro lado com novos insights".
Jobs era um buscador e um cara muito inquieto, durante toda a sua vida buscou os preceitos básicos  da espiritualidade oriental, como a ênfase na prajña, "sabedoria e entendimento cognitivo que é intuitivamente experimentado por meio da concentração mental". Ele diria, ao voltar da Índia, que "as pessoas no interior da India não usam o intelecto como nós, elas usam a intuição, e a sua intuição é muito mais desenvolvida do que no resto do mundo. A intuição é uma coisa poderosa, mais potente do que o intelecto, e isso teve um grande impacto sobre o meu trabalho. [...] Ao voltar, depois de sete meses em aldeias indianas, vi a loucura do mundo ocidental, bem como a sua capacidade para o pensamento racional. Se você simplismente sentar e observar, verá como a sua mente é inquieta, se você tentar acalmá-la, isso tornará as coisas ainda piores, mas com o tempo ela se acalma, e quando isso acontece há espaço para você ouvir coisas mais sutís, é quando a sua intuição começa a florescer e você começa a ver as coisas com mais clareza, a estar mais no presente, sua mente, simplesmente, fica mais lenta e você vê uma expressão tremenda no momento. Você vê tanta coisa que poderia ter visto antes. É uma disciplina, você tem que praticá-la. O Zen tem sido uma profunda influencia na minha vida desde então".
Jobs frequentou o Zen Center,  onde ia constantemente meditar. Ele conviveu com o  mestre e amigo Shun Ryu Suzuki, autor da obra "Mente Zen, mente de principiante", essa amizade exerceu um grande impacto sobre a sua vida. Nolan, da empresa Atari, que fora um mentor para Jobs, disse que havia nele algo indefinivel, mas, comum aos empreendedores. O legado de Jobs é indiscutivel, não apenas porque ele criou a Apple, todos os dias muitas empresas são criadas, mas porque, da sua empresa, sairam criações que influenciaram a vida das pessoas, mudaram hábitos sociais e culturais. Um dos norteadores de Jobs na vida e no trabalho foi "fazer aquilo que gostava", ele  foi movidos não por respostas, mas por perguntas que o impulsionavam, uma dela foi: "você quer passar o resto da vida vendendo água com açúcar ou quer ter a chance de mudar o mundo?".
Desde 2008 eu trabalho no Programa de treinamento para empresários e proficionais liberais do Mosteiro Zen Morro da Vargem, o Zen management. Por este Programa passaram muitos empresários buscando, por meio da  filosofia Zen budista, o equilíbrio necessário e um aprendizado que extrapolasse o ambito empresarial projetando-se para a Vida. Isso me lembra um artigo do linguista Mikhail Bakhitin onde ele fala que Arte e Vida precisam ester juntas, se não tanto uma quanto a outra se tornam mecânicas. Os treinamentos, geralmente, possuem um tempo de validade, isso já foi comprovado por vários estudos. Os treinamentos que dizem respeito a algum  conhecimento específico precisam ser atualizados, pois as tecnologias evoluem  a cada dia, os cenários sócio-politicos e o Mercado também estão sempre mudando, mas, há um treinamento que já vem sendo aplicado ha mais de 2500 anos e continua novo, impactante e eficaz, è o treianamento Zen, que era realizado há séculos pelos nobres samurais. Parece brincadeira que, enquanto seres humanos, precisemos treinar a nossa humanidade, mas é verdade, precisamos sim, pois basta olharmos para os lados, ou para nós mesmo, que veremos muitas ações irracionais, muito individualismo, especialmente, no que diz repeito ao trato para com o outro. O Zen entende como sendo "o outro",  "tudo o que não sou eu", como propôs, também, Ghandi.  Bem, dentro dessa proposta humanistica encontramos a filosofia Zen. O empresariado capixaba e do Brasil tem despertada a cada dia para a preciosidade que é esse treinamento, e do impacto positivo que ele é capaz de gerar, tanto dentro da empresa, quanto fora dela. O desenvolvimento do pensamento sistêmico, que é hoje o grande desafio das instituições, é um dos preceitos básicos do Zen, chegando a ser  uma lei:  tudo está conectado e é interdepende. A autonomia que a modernidade nos vendeu é uma ilusão, por exemplo, a sacola plástica que se joga  no lixo da cidade, se não for encaminhada de forma correta, vai parar na barriga do peixe que depois irá parar na sua mesa do sujão. Enfim, amigos, a biografia de Jobs traçou, pelo menos para mim, o perfil de um cara determinado, mas com muitos defeitos, como ser grosseiro com as pessoas, por exemplo, isso mostra que a evolução humana precisa ser continua, e que, até mesmo Jobs, ainda tinha muito o que aprender, afinal,  somos humanos. Mas é maravilhosos  podermos ter valores elevados como nosso horizonte,  assim, nosso barquinho não se perde no mar contemporâneo da confusão e da insustentabilidade. Viva a Jobs, Viva o Zen!

O meu abraço a todos
RB
ps: visite o site do Mosteiro Zen Budista

18/11/2011

Edu Rosa in concert na FAFI

Olá amigos capixabas,
Indico para vocês o Concerto de Edu Rosa, que acontecerá no dia 01/12 na Fafi. Já tive a oportunidade de assistir algumas apresentações do jovem e talentoso músico e  fiquei impressionada. O repertório é bastante rico e variado e ele  vai do erudito ao  popular com uma naturalidade espantosa . Vamos prestigiar os talentos da nossa terra! O meu abraço a todos e estou certa que o concerto será um sucesso!

Memória, História e visões de mundo na Literatura Latinoamericana/ JALLA- Colômbia 2012

Evento imperdível para a turma que se dedica aos estudos Latino-americanos!
Vou fazer de tudo para participar.

Aniversário da Renata... (21/11)

O tempo passa ? Não passa

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Carlos Drummond de Andrade


Amigos, vocês são o meu melhor presente!

16/11/2011

Entrega do Prêmio "A Semente" a Associação Amigos dos Animais do ES/ AMAES

Olá amigos, aguardem que, em dezembro, vamos fazer a entrega do Prêmio "A Semente" para a AMAES. Essa Instituição é um exemplo de dedicação, de amor, e de responsabilidade social e ambiental, é formada por pessoas que se dedicam a salvar vidas. Deixo registrada aqui a minha admiração e convido vocês para conhecerem a AMAES e, se puderem, apoiem esse trabalho para que eles possam ajudar ainda mais os animais.


15/11/2011

Entrevista sobre Florbela Espanca na Rádio Universitária FM/ 104,7 (Ufes)

Olá amigos, amanhã, 16/12, as 20 horas, vou falar sobre a pré-produção do meu CD com os sonetos de Florbela Espanca e sobre Florbela Espanca, vida e obra. Então sintonizem na rádio...  Quem quiser ir conferindo as gravações elas estão no Letra e Fel em MP3.
Rádio Universitária FM (UFES)/ 104,7
Programa Vice Verso


Obrigada aos amigos Jamille e Ítalo, da Universitária FM pelo carinho, foi muito legal participar do programa Vice e Verso.

13/11/2011

A Literatura capixaba e a AFESL estão de luto: falecimento da escritora Thelma Maria Azevedo

Amigos, é com tristeza que comunico a vocês do falecimento de Thelma Maria Azevedo, amiga querida, confreira na AFESL, e uma intelectual muito importante para a literatura, especialmente a produzida no ES. Thelminha, como carinhosamente a chamávamos, criou o site "Poetas capixabas", ela pesquisou e catalogou mais de 2000 poetas capixabas e recentemente lançou um Dicionário de poetas capixabas. Thelma Amou as letras, a literatura, a poesia e nós a amamos muito, como a uma irmã. Que Deus lhe acolha nos seus braços de amor e nós sentiremos muitas saudades...
Thelma no II Encontro de escritoras capixabas

Quero registrar que Thelma foi a primeira pessoa a divulgar a minha poesia, antes mesmo de eu pertencer a AFESL e de publicar o meu primeiro livro, ela foi uma grande  incentivadora, serei sempre agradecida!

12/11/2011

As multiplas faces de Joana D'Arc: ensaio publicado no Caderno de Cultura "Pensar", do Jornal A Gazeta/ES


a imagem não está ampliando, então segue o texto logo abaixo

 As múltiplas faces de Joana D’arc
Joana, que se faz chamar de donzela, mentirosa, perniciosa, sedutora do povo, falsa fiel da fé de Jesus Cristo, vaidosa, idólatra, cruel, dissoluta, invocadora do demônio, apóstata, cismática e herege”. Eis o texto dependurado em um poste ao lado da fogueira de Joana D’Arc, revelador da inquietação que esta jovem do século XV trouxe aos seus compatriotas. Seja considerada charlatã, patriota enganada, camponesa sexualmente confusa, herege, heroína, louca, feiticeira, santa, o fato é que, Joana D’Arc continua exercendo grande fascínio sobre leitores e críticos literários em pleno século XXI. Joana D’Arc é um personagem que se atualiza e dialoga com a contemporaneidade, especialmente em um momento de crise das identidades e ameaça do desaparecimento de variados saberes culturais pelas potências que orientam o processo de globalização. Do ponto de vista arquetípico Joana D’Arc materializa o desejo humano de liberdade, ela é justa e guerreira, pronta para defender aqueles que ameaçam a soberania de sua cidade e o seu povo. Mas não se enganem, pois esta representação também constela o seu oposto, e dá forma a uma imagem feminina insuportável e incômoda para o patriarcado, que tanto atrai e fascina quanto assusta e ameaça, demandando, portanto, ser combatida e eliminada, a da bruxa.
A história de Joana D’Arc possibilita uma reflexão sobre a condição da mulher na história. Joana, assim como muitas mulheres, pagou um preço por reivindicar para si prerrogativas masculinas, foi vítima do ódio, foi traída por aqueles a quem defendia e acreditava, morrendo de forma cruel após ser condenada em um julgamento fraudulento. Dessa forma, se torna impossível ignorar na sua história o seu sexo, bem como o preconceito, a patologização, a perseguição e o aniquilamento, temas comuns no universo das mulheres que ousaram desafiar o poder. Joana D’Arc foi silenciadas a partir do conluio formado pelas instituições pilares do patriarcado: a igreja, o governo e a ciência.
Luiz Guilherme Santos Neves no romance de 1986 intitulado As chamas na missa, explora as múltiplas faces de Joana D’Arc e nos assombra e enternece com personagens como a poderosa meretriz Maria capa-homem e a viúva Joana Norberto (a Joaninha). Maria capa-homem foi traída e condenada a ser queimada viva pela inquisição sob variadas acusações, dentre elas a de ser “rogadeira de pragas, de má condição, com gênio terrível e por chamar os varões com os quais se relacionava de São Cosmezinho e São Damião”. Joana Norberto, ou Joaninha, viúva jovem que, sob feitiço (do velho Candinho), se entregou ao mascate Bernardo Queixada, foi humilhada e avexada, transformada em chacota na vila onde morava. A pena de Joaninha foi vestir o Sambenito (traje verde-louro com as chamas do fogo pintadas ás avessas), pelo resto da vida, como sinal do perdão da fogueira.
Na dramaturgia encontramos, entre centenas de peças produzidas sobre Joana D’Arc, a de Bertolt Brecht, escrita entre 1931-1932 e intitulada A santa Joana dos matadouros. Esta peça ambienta-se nos matadouros de Chicago na época da grande depressão americana. Brecht nos apresenta uma Joana D’arc militante, idealista e aplicada na propagação do evangelho de Cristo. Joana, integrante do grupo dos boinas pretas, acabou se tornando joguete nas mãos dos poderosos e, ironicamente, as ações que realizou buscando promover a paz resultaram na sua ruína. Joana acabou se tornando bandeira do grupo contra o qual lutava (querem algo mais contemporâneo que isso?). Ela diz: “Causei desgraça aos desgraçados e trouxe alívio aos exploradores”. No final da peça a heroína é encontrada agonizando no pátio de um matadouro e, levada para o quartel do Boinas pretas, tenta narrar a sua agonia, mas logo é advertida: “Seja santa! Cale a boca!.
É consenso entre os pesquisadores que novos olhares precisam ser lançados sobre o personagem Joana D’Arc, tanto em função das múltiplas possibilidades de leitura, quanto das novas fontes em latim e francês que foram recentemente descobertas.

Texto publicado no dia 12 de novembro de 2011
Autora: Renata Bomfim

11/11/2011

O Morro dos Ventos Uivantes: a maldição privilegiada de Emily Brontë

O senso apuradissimo de Georges Bataille levou-o a afirmar que "Emily Brontë viveu uma maldição privilegiada". Concordo com o escritor, somente um condão envenenado, um dom, poderia levar uma moça simples, que nasceu em 1818 e que viveu apenas até aos 30 anos, a escrever uma das mais belas e intrigantes histórias de amor. Brontë perdeu a mãe quando ainda era criança e foi criada por seu pai, um partor irlandês, junto com suas duas irmãs e um irmão. Reservada, durante a sua curta vida ela quase não saiu do presbitério de Yorkshire. Ela experienciou uma solidão moral e um silêncio que apenas a literatura foi capaz de romper. A escritora teve uma doença pulmonar e faleceu deixando apenas um punhado de poemas e essa obra prima da literatura, seu único romance, Wuthering Heights ou, em português, O Morro dos Ventos Uivantes.
Bataille descreve essa obra como sendo "a mais bela, a mais profunda história de amor...". Bem, eu era muito jovem quando assisti o filme pela primeira vez, o impacto foi imediato, a experiência foi sublime e aterradora. Como não se sentir seduzida por Heathcliff e torcer para que Catherine dê uma de louca, abandone tudo (dinheiro, segurança, o conhecido) e fuja com ele  (e todo o mistério e risco que representa)? Como não sentir o coração abalado com a desolação do cenário, a charneca pedregosa,  tão seca e dura quanto o coração de Hindley? Ao final da história nos sentimos exauridos e expurgados da dor, afinal, amamos como os mortais amam, e mais, enquanto mortais morremos, mas não de um amor assim, nenhuma doença suplantaria tragédia semelhante.
Como terapeuta junguiana fico viajando e imaginando o universo imaginativo de Brontë e o mergulho profundo que  fez para trazer a tona os personagens: Catherine Earnshaw, Edgar Linton, Isabella Linton (irmã de Edgar); Hindley Earnshaw (irmão arrogante de Catherine); Ellen (ou  Nelly), Hareton Earnshaw, Catherine Linton, Linton Heathcliff... e ordená-los numa trama na qual  se imbricam  o amor, a paixão, a vingança, o ciúmes, o arrependimentos, o interdito, a transgressão e a morte. Jung afirmou que "a fúria divina do artista se relaciona perigosamente, e de modo real, com os estados patológicos", embora a visada junguiana não  identifique à arte, no caso, a literatura, à patologia, estou inclinada a acreditar que Brontë pagou um preço por esse dom.
Catherine traiu seu coração ao escolher Edgar para se casar, ao invés de aceitar Heatcliff. A rejeição fez com que o jovem apaixonado e pobre partisse em busca de posses e voltasse com sede de vingânça. O final da história é supreendente pois os amantes voltam a se encontrar em um outro plano e nos deparamos com três sepulturas, entre a sepulturas de Linton e a de Heathcliff está a de Catherine, e a vida segue o seu rumo como se nada tivesse acontecido...
A verdadeira obra de arte desvincula-se de tudo o que é pessoal e das estreitezas do tempo, ela comunica ao mais profundo das nossas almas se projetando para o futuro e se atualizando. Na época em que foi lançada esta obra recebeu muitas críticas. Na contemporaneidade o romance de Brontë  tem despertado, cada vez mais o interesse do público e de pesquisadores.
Deixo vocês com uma cena do filme O Morro dos Ventos Uivantes, e com o extraordinário e comovente diálogo entre Catherine e Heatcliff. Ao final do filme vocês acompanharão uma das falas que considero a mais bela da literatura: Heatcleaff reconhecendo que perdeu a sua alma com a morte de Cathe e rogando a mesma que retorne do mundo dos mortos para assombrá-lo, ou melhor, para que retorne do mundo dos mortos, mesmo como espectro, para que ele possa conseguir viver os dias que ainda lhe restam. segue:

Associação Nacional de Jornais divulga o Prêmio "A Semente" que foi concedido ao Caderno Pensar do jornal A Gazeta pelo Blog Letra e Fel


Ontem, dia 10/11/2011 o Caderno Pensar foi homenageado pela Academia de Letras do ES na solenidade de lançamento do livro (Indústria: a modernização do ES) do amigo e presidente da intituição Gabriel Bittencourt. Foi lançada, também, a edição especial da Revista da AEL em comemoração aos 90 anos de existência da Academia.

10/11/2011

Violetas para Florbela Espanca (Renata Bomfim)

Olá amigos, compartilho com vocês...

Leitora de Florbela Espanca desde a adolescência e pesquisadora da obra da poeta desde 2007 (mestrado, doutorado, CNPq), em dezembro irei realizar o sonho de depositar flores no túmulo de Florbela,  no dia de seu aniversário de nascimento e de morte. Levo para o Colóquio que acontecerá em sua homenagem, em Vila Viçosa, um texto que agrega minhas pesquisas mais recente sobre a obra de Florbela, que é um estudo comparativo com a obra de Rubén Darío. Emoção pura! Será uma alegria compôr uma mesa junto aos colegas de pesquisa do CNPq (que participo desde 2007), especialmente por estar sob a batuta da professora querida e amiga Maria Lúcia Dal Farra. Enfim. Amigos, vou visitar a Sóror Saudade, torçam por mim!
Bessos
Renata

08/11/2011

Réquiem para um vivo

Preparo o teu túmulo,
Assim como um agricultor, a terra:
enxergando, antes que surja o primeiro broto,
as flores e sentindo o seu perfume.
Teu túmulo, o meu peito!
descanso do amor (eterno) onde
organismos e fantasias se aglomeram.

Renacerás desse peito abrasado e ferido,
caixa blindada,
(de onde não entra e nem sai nada).
Ressurgirás como um broto de feijão.

Já preparo as liturgias:
incensos e  lágrimas perfumadas.
Lavarei as tuas mãos com os meus cabelos,
e a minha lingua passeará, suplicante,
por entre os dedos dos teus pés.

Assim que o Tempo fizer a sua colheita,
A tua tumba rósea  (santo dos santos).
Habitarás junto à imagens de assombrosa beleza:
produtos dos sonhos que não realizei,
espectros que oxigenam o meu viver.

Meu querido, quando você se for,
lance estrelas sobre a minha casa,
Então, saberei que a solidão não será severa.
A minha casa será a Memória viva de sonhos coletivos,
E lançará para o Passado tudo o que fui.
Faz chover sobre os caminhos
faz brotar da terra
topázios e diamantes.
Pisarei sobre eles cantando o meu tédio e,
vez por outra, evocarei o Esquecimento.

Amado, fala no teu idioma as palavras que gosto de ouvir,
os nossos segredos ficarão, sempre, muito bem guardados.
Fala do teu problema com os pássaros,
e de como gostas de perambular por ai...
Somos tão parecidos, mas, amo os pássaros
de um jeito diferente...

Este canto ficará suspenso até o dia em que partires.
Eu ficarei marcada até os ossos, e
recomeçarei a contagem dos meus dias
do zero.

01/11/2011

Como salvar a Amazônia se não conseguimos salvar a árvore que fica na calçada da nossa casa?

Amigos,
Qual o significado de uma árvore?

Hoje eu acordei com o barulho da motosserra, era o pessoal da Prefeitura de Vitória efetuando a "poda", das árvores. As cenas que seguiram foram lamentáveis, a foi a MUTILAÇÃO indiscriminada das árvores. Liguei para o 156 da Prefeitura e fiz a reclamação, não estou dizendo que este trabalho não seja importante em algumas situações, especialmente na limpesa das áreas dos fios elétricos, mas, o problema é a falta de critério.

Os lenhadores acabaram com uma pata de vaca que estava no auge, linda, frondosa, cortaram todos os galhos e deixaram apenas dois galhos, enfim, mudaram a configuração da árvore. Quastionei a necessidade de uma poda tão brusca e o lenhador me disse que, se o fiscal passasse e ele não tivesse podado nada ele poderia ser punido. Deu para entender tudo, não?

Algumas pessoas do meu bairro foram contra mim, as mesmas pessoas que, quando está calor, buscam a sombra de uma árvore para se refrescar ou/e estacionar o seu carrinho. Os lenhadores se concentraram nas árvores onde moram dois casais de sabiá, com seus ninhos, mas quem disse que eles se preocupam com isso? O lema é  cortar, cortar, cortar, cortar... Um chegou a pedir que eu lhe ensinasse a fazer a poda...

Amigos, qual o real significado de uma árvore? Esqueçamos tudo o que as árvores nos dão, o seu fruto, frecor, beleza, oxigênio (estudos mostram que cidades arborizadas são menos violentas), abrigo para os pássaaros, e pensemos que a árvore é um ser vivo, é uma existência. Na época do descobrimento a mata atlântica cobria cerca de 90% do nosso Estado (ES), e os outros 10% era cabertos por mangues, restinga. Hoje, me parece que a cobertura é de 3%, e basta pegarmos as estradas para ver que o desmatamento continua...

Ontem nasceu o ser humano de nº 7 bilhões!

Achamos um absurdo o desmatamento da Amazônia, mas, como salvar a Amazônia se não conseguimos salvar nem a árvore que fica na calçada da nossa casa?

30/10/2011

Identidade

Minh'alma, felina.
Meu sangue, Latino.
Oh! Montezuma, me empresta o teu penacho?
Já estou preparada para a guerra
Minha arma: sementes!
Vou ganhar as ruas,
Vou destruir gaiolas e redes.
O exército está pronto.
Nosso escudo é o bom senso,
nossa lança, forjada por Eros, o amor!
Vamos arar e plantar sem descanso
esse beço explêndido, onde repousam
os filhos mais amados.

renatabomfim

23/10/2011

O Caderno Pensar do Jornal A Gazeta recebe o I Prêmio Letra e Fel/ 2011

Amigos, depois de me encontrar com o Monge Daiju do Mosteiro Zen Morro da Vargem, voltei para Ilha (Vitória) e me dirigi para a redação do Jornal A Gazeta, para entregar  o I Prêmio Letra e Fel, intitulado "A semente", a José Roberto Santos Neves, idealizador e redator- chefe do Caderno Pensar. Foi um encontro descontraído e alegre, conversamos sobre cultura,  literatura, poesia, e na ocasião me atrevi a entrevistá-lo, uma troca momentânea de papel, visto que é sempre o José Roberto que entrevista (com muita propriedade) artístas, escritores, músicos. O Caderno Pensar reúne textos acadêmicos, resenhas de obras, análises literárias, e outras informações do campo da Cultura. Este espaço no jornal tem difundido de uma forma muito especial a literatura produzida por capixabas, tanto dentro do nosso Estado, quanto fora dele, pois o jornal também possui uma versão on line.

Mosteiro Zen Morro da Vargem recebe o I Prêmio Letra e Fel/ 2011

Amigos, no dia 21 de outubro de 2011 tive a alegria de entregar os dois primeiros Prêmio Letra e Fel. de manhã peguei a estrada rumo à Ibiraçu para encontrar o Monge Daiju San, do Mosteiro Zen Morro da Vargem, e de tarde fui à redação do Jornal A Gazeta encontrar o jornalista José Roberto Santos Neves, editor chefe e idealizador do Caderno de Cultura Pensar. Foram encontros emocionantes, aproveito para apresentar a vocês dois vídeo que produzi na ocasião. Abraços...


Conheça um pouco do Programa Zenzinho, realizado com estudantes de escolas públicas do ES, e de sua filosofia

A AFESL confere a escritora capixaba Beatriz Monjardim Faria Santos Rabelo a Comenda Cora Coralina

A querida confreira Beatriz Monjardim recebeu na noite do dia 22 de outubro de 2011 a Comenda Cora Coralina, mais alta honraria eferecida pela Academia feminina Espírito Santo de Letras (AFESL). Beatriz Monjardim é uma das trabalhadoras da primeira hora, como costuma dizer Maria do Carmo Schneider que, na solenidade, brindou-nos com um panegírico no qual destacou as muitas contribuições de Beatria a literatura e o seu trabalho como acadêmica na AFESL. Beatriz nasceu em 1928 em Santa Leopoldina e aos doze anos publicou sua primeira poesia. Por ocasião do 4º Centenário de Vitória, teve seus poemas expostos na Livraria Copolilo. Colaborou com poemas nos jornais capixabas "A Tribuna" e "A Gazeta", e na "Revista Capixaba". A poetisa é autora de váriados livros de poemas, entre eles "Na Encruzilhada do Sonho", de 1977, e "Despetalando Saudades", de 1996. Beatriz Monjardim é uma joalheira das palavras e uma de suas especialidades é produzir sonetos.

VARAL DE SONHOS
Tenho minh'alma assim dilacerada,
Como que exposta no varal do tempo.
Trapos de sonhos balançando ao vento,
Sopro inclemente das desilusões.

Ah, pobres sonhos, andrajos coloridos,
São num gesto de adeus, mãos acenando...
Flores ceifadas pela ventania
Que pela vida vão despetalando...


Com tanto zelo foram construídos!
Vê-los por terra, rotos, destruídos...
Quanta ternura, sempre, em cada oferta!

Onde achar a magia, o novo encanto,
Para tecer da fantasia o manto,
A roupagem de sonho do poeta?

19/10/2011

Caderno Pensar: O herói trágico em "As flores do mal", de Charles Baudelaire (por Renata Bomfim)

Olá, Amigos internautas,
Segue um artigo meu sobre a poética de Baudelaire que foi publicado no Caderno Pensar do Jornal A Gazeta no dia 15 de outubro de 2011. Está lá no finalzinho, na página 12.

Erosão

Algo ruiu
Há um buraco no meu peito,
uma cratera.
Erosão em movimento,
parece que não tem jeito,
parece que não tem cura,
esse isso que me assombra,
essa poesia arrancada da pedra,
verbos e palavras em desalinho.
Fome de amor, de saber, fome
sei lá de que... Sou toda boca!
Ânsia de poupar a carne,
de evitar sofrimentos,
enquanto um cutelo corta
meus membros.
Chega de teorias,
Quero relembrar a unidade,
quero ser uma só coisa e
não o ser, ainda.
Ser e estar em trânsito, de passagem,
curtir o exílio e as despedidas.
Ser a criança que aprende a andar
e olha para o mundo ao redor espantada.
As inquietações que abalam as certezas
são pedras soltas pelo caminho,
são setas pontiagudas e certeiras,
e eu preciso de todas elas cravadas
no recondito do meu esburacado peito.
Guardarei saudades dos terremotos
que fizeram os dias parecerem noites sem fim.
Amo tudo isso!
Preciso de tudo isso para não esquecer
o fez de mim quem sou,
para eu não morrer antes do tempo.
Frente aos escombros de mim mesma,
ao pouco que ficou inteiro,
contabilizando o que, de mim, sobrou,
decido reconstruir.
Decido juntar, reunir, agregar e, para tal,
acolho este vazio- peitoral, autoral,
existencial,  tal e coisa, o sem fim, o nada...
Inflo com ar os pulmões e, surpresa,
Brotam heras nas áreas degradadas.
renatabomfim

18/10/2011

Amigos, devagar na estrada, animais silvestres na pista...

Olá amigos, voltando de Venda Nova do Imigrante (ES), no trevo de Parajú, Luiz e eu vimos algo se movimentando no chão, nos aproximamos e vimos que era uma preguiça-de-coleira (nome científico: Bradypus torquatus) endêmica na Mata Atlântica, e em extinção, que se arrastava em direção a estrada. Rapidamente paramos o carro e eu peguei uma toalha que tinha e joguei sobre ela, com cuidado  coloquei-a em um local mais afastado da BR. Ligamos para a policia e, infelizmente, todos os carros estavam envolvidos no regate de pessoas que tinham se acidentado em Pedra Azul. Mas, milagres acontecem e um biólogo apareceu, Filipe, juntamente com Welida, Luciana, José Carlos Júnor, enfim, todos nos mobilizamos e um casal, boas almas, que tinha um carro com carroceria, levou a preguiça para a Reserva Natural Reluz, onde ela foi solta na mata. A reserva Natural Reluz possui dois hectares de mata atlântica e compõe com outras propriedades um cinturão de mata (que infelizmente ainda sofre com a ação de caçadores). Luiz e eu estamos felizes por termos essa preciosidade na Reserva. Obrigada a todos que ajudaram nesse resgate! Ganhamos o domingo e fizemos boas e novas amizades! Se estivéssemos com o carro em alta velocidade possivelmente teríamos atropelado a preguiça, isso é fato! Infelizmente vemos muitos animais atropelados na estrada, fica aí a dica, na BR, atenção e nada de correria...
Enfim, longe da estrada...

I Fórnix: Festival Internacional de Poesia de Lima (29 de março a 01 de abril de 2012)

Consideramos que este proyecto de Festival sólo tiene sentido si es desarrollado no una única vez sino de manera continua (por ejemplo, anualmente). La misión, pues, es que cada año se realice una edición del mismo que no sólo supere al anterior en términos organización y convocatoria, sino que logre una mayor presencia en la agenda cultural de nuestro país. Queremos que sea un referente a la hora de pensar e imaginar el Perú, y que nacionales y extranjeros esperen con entusiasmo las novedades y propuestas de cada nuevo festival. Estarão representando o Brasil nesse evento os poetas Lêdo Ivo e Maria Lúcia Dal Farra.